
Chama-se Norberto Pires e é professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra. Foi presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR), tendo sido demitido cinco meses após a nomeação. Abandonou o PSD em finais de 2014, ao qual aderira em 2005, «um dia depois de José Sócrates ganhar as eleições em 2005». Foi apoiante de Passos Coelho nas suas candidaturas à presidência do PSD.
Norberto Pires escreveu um depoimento, que a
Sábado publica, sobre a sua passagem pela CCDR. Fica-se com a convicção de que o passismo quis transformar um professor de robótica num robô: «O primeiro choque que tive ao chegar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro foi quando percebi que ninguém quer que você pense nada, nem que organize equipas. Querem apenas alguém que mantenha o
status quo e que distribua o dinheiro.»
E que significa manter o
status quo? Basicamente, isto:
• Encharcar de boys a CCDR e os organismos na sua dependência;
• Ser um facilitador de negócios;
• Dar a cara pelos cortes de verbas para as autarquias;
• Arranjar financiamento para acções de propaganda do Governo (programa para o emprego jovem);
• Submeter as suas intervenções ou textos à prévia validação da tutela.
Eis uma passagem do depoimento para aguçar a curiosidade:
«(…) Nessa época, outro artista chamado Rogério Gomes, que tinha criado o Instituto do Território [e agora é presidente do Gabinete de Estudos do PSD] que é uma coisa privada, não é um instituto, andou a dar entrevistas a dizer que as CCDR eram um buraco negro, um bando de incompetentes. Uns dias depois, Pedro Santana Lopes daria uma entrevista mais ou menos a dizer o mesmo. Então, escrevi um artigo no Público a responder. Recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra [Assunção Cristas] a dizer que posso escrever artigos, mas antes precisam de validação superior. (…)»