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segunda-feira, dezembro 07, 2015

Num jornal de referência perto de si


António Costa deu hoje uma entrevista ao Público (cf. aqui, aqui e aqui). Gostei mais das respostas do que das perguntas. Há jornalistas que nem a tiro percebem que há mais mundo para além das melúrias da direita. E que até poderiam colocar questões pertinentes assim se desembaraçassem da pequena política.

Só duas notas sobre a entrevista:

1. Vale a pena chamar a atenção para o facto de a manchete poder sugerir que houve uma guinada, após a tomada de posse do Governo, em relação ao compromisso assumido quanto à sobretaxa. Se os jornalistas tivessem lido o Programa do Governo, veriam que António Costa se limitou a reproduzir o que aí consta (p. 7): «O início de uma correcção ao enorme aumento de impostos sobre as famílias que foi concretizado nesta legislatura, com a extinção da sobretaxa do IRS entre 2016 e 2017».

2. Se o tom geral da entrevista foi o de dar voz às intrigas da direita, há um momento em que até se ultrapassa as melhores performances de José Gomes Ferreira com a seguinte pergunta: «Quando chegar a Bruxelas com as suas opções orçamentais, que são diferentes das anteriores e da herança da troika, e quando a Comissão Europeia muito provavelmente lhe der o mesmo tipo de resposta que deu ao primeiro-ministro grego, que é que as receitas para aplicar são as que eles cá deixaram, qual o seu plano B?»

Imagine-se o que seria perguntado se não se tratasse de um jornal de referência.

sexta-feira, novembro 27, 2015

«Finge tão completamente que chega a fingir
que é rancor o rancor que deveras sente»


• Pedro Silva Pereira, A grande encenação:
    «Tudo acabou como tinha de acabar: com o PR a nomear António Costa como primeiro-ministro, a dar posse a um governo socialista e a submeter-se à vontade democrática da maioria do Parlamento.

    O “spin” presidencial ditou e houve logo quem repetisse: o Presidente pôs “condições” e fez “exigências”. Obviamente foi tudo a fingir: o facto é que António Costa tomou posse sem mudar uma vírgula ou acrescentar um ponto nos acordos que assinou.

    Entendamo-nos: uma coisa são “condições”, outra são “exigências”, outra ainda, bastante diferente, são “pedidos de esclarecimento”. E foram apenas meia dúzia de pedidos de esclarecimento que o Presidente formulou na sua derradeira tentativa de salvar a face e fingir que correspondia aos apelos desesperados de uma direita inconformada, que ele próprio incentivou.

    António Costa e os partidos da maioria parlamentar que o apoia, naturalmente, não se deixaram impressionar e de imediato perceberam que o assunto não merecia sequer uma reunião. O primeiro-ministro “indicado”, fazendo jus ao título, limitou-se a responder de pronto, com impecável cortesia institucional, mas, quanto aos costumes, disse nada: remeteu o Presidente para o conteúdo dos acordos e do programa de Governo do PS que o País inteiro há muito conhecia.

    Em todo este processo, o Presidente da República teimou em fazer “bluff” com os poderes presidenciais, simulando uma autoridade política que nem a Constituição lhe confere, nem o desempenho do cargo lhe granjeou. Confrontado com os resultados eleitorais, que deram lugar ao único cenário que não lhe tinha ocorrido estudar, começou por querer distinguir, como se isso fosse possível, entre os partidos autorizados ou proibidos de apoiar o Governo; depois, ao arrepio do desenho constitucional do sistema de governo, optou por ignorar a posição maioritária dos partidos com assento parlamentar para insistir na nomeação de um governo minoritário da direita, que sabia não ter qualquer viabilidade; rejeitado esse governo pela maioria de esquerda, não escondeu a tentação de se constituir como força de bloqueio da solução governativa proposta pela maioria parlamentar: foi dois dias para a Madeira, enalteceu as virtudes dos governos de gestão, sugeriu até que podia prolongar a situação meses a fio sem inconvenientes de maior e promoveu um caricato corrupio de audiências a um público seleccionado, mas sempre sem fazer o que faria um verdadeiro institucionalista se tivesse realmente dúvidas: ouvir o Conselho de Estado.

    Depois da sugestão de alternativas políticas que nunca existiram e da encenação de exigências que nunca foram feitas, o Presidente ainda inventou a figura exótica da “indicação” do primeiro-ministro para, finalmente, dar a entender que fazia uma espécie de “avaliação curricular” dos novos membros do governo, cuja “aceitação”, por sorte, viria a anunciar. Tudo acabou, porém, como tinha que acabar: com o Presidente da República a nomear António Costa como primeiro-ministro, a dar posse a um governo socialista e a submeter-se à vontade democrática da maioria do Parlamento.

    Se foi preciso dar tantas voltas para chegar ao óbvio, é apenas porque o Presidente é um fingidor. E finge tão completamente que chega a fingir que é rancor o rancor que deveras sente

quinta-feira, novembro 26, 2015

Discurso de tomada de posse do Primeiro-ministro António Costa


Quando o passado e o futuro se cruzaram


        «Como posso eu produzir vida, se vida em mim já não tenho?»
          Rei Senaquerib, que, aos 110 anos, questionava a corte, segundo conta Eça de Queiroz, por esta continuar a pôr regularmente à sua disposição deslumbrantes virgens

Não tendo a sabedoria do rei Senaquerib, Cavaco foi por isso patético no último acto de uma carreira que se prolongou por 36 anos. E o mais antigo político no activo foi também indigente, ao assumir-se hoje como a carpideira de serviço da coligação de direita.

A tomada de posse do XXI Governo Constitucional revelou-se cruel para Cavaco: de um lado, uma personagem caquéctica a destilar ódio e ameaças inconsequentes; do outro lado, alguém que se compromete a virar a página, com momentos em que chegou a ser comovente. Vimos, em suma, o futuro a cruzar-se com o passado — e a despedir-se dele com elegância.

segunda-feira, novembro 23, 2015

Coloco seis questões, logo existo


Cavaco Silva continua a protelar a indigitação de António Costa. Ao actuar assim, o ainda presidente da República intenta:
    • Por um lado, ao contrário do que a fotografia tirada esta manhã sugere, mostrar que está vivo;
    • Por outro, fragilizar o Governo de António Costa.

Para o efeito, Cavaco fez um apanhado dos dichotes que a direita atirou para o ar nos últimos 50 dias e exige ser esclarecido. Carlos César já afirmou que a resposta, através de carta, seguirá ainda hoje: «Nenhuma das perguntas tem qualquer grau de dificuldade, foram todas respondidas nas últimas semanas, é só relembrar o que foi dito». Talvez chegasse o reenvio do programa de governo do PS, pedindo a sua leitura atenta, acompanhado por um breve post scriptum: «Vossa Excelência compreenderá que as opções ideológicas são as nossas e não as que alimentou durante os últimos dez anos.»

quinta-feira, novembro 19, 2015

Já não é possível ajudar Cavaco a terminar o mandato com dignidade

Imagem recebida por e-mail

Julgo que Carlos Blanco de Morais entenderá como um elogio ser qualificado como alguém que se revê nas posições mais extremas da direita portuguesa. Este constitucionalista, que há pouco tempo justificou deixar de ser consultor de Cavaco Silva por considerar que em Belém se vive «o final de ciclo político», foi convidado a participar no conventículo que juntou os cérebros da direita, anunciado como uma reflexão sobre a revisão da Constituição da República. Esperar-se-ia o pior, atendendo a que o próprio Blanco de Morais nunca se coibiu de apresentar as propostas mais extravagantes.

Neste contexto, é de supor que, na reunião convocada por Passos & Portas, tenham sido submetidas à apreciação dos presentes as propostas mais estrambólicas, a ponto de ter sido entendido conveniente não divulgar as conclusões do evento.

Acontece que Blanco de Morais acabou por levantar a ponta do véu, ao se demarcar da posição que parece ter prevalecido no conventículo: «Desconsidero a viabilidade política dessa opção». A «opção» a que se referiu o constitucionalista é a possibilidade de Cavaco Silva, instado por Passos & Portas, querer dar posse a um «Governo técnico de iniciativa presidencial».

Ou seja: frustrada a possibilidade de um governo de gestão conduzido pelo pantomineiro-mor, excluída a hipótese de um governo de iniciativa presidencial, a direita congeminou uma terceira via: o «Governo técnico de iniciativa presidencial». Presume-se que seria um executivo destinado a aprovar o Orçamento do Estado para 2016 (na esteira do indelével pensamento cavaquista de que «duas pessoas sérias com a mesma informação têm de concordar») e, em seguida, a fazer-se de morto até receber a extrema-unção do futuro presidente da República. Para isso, seria preciso encontrar um factótum que se dispusesse a desempenhar a missão de impedir a nomeação de António Costa.

Ora Cavaco Silva falhou quando tentou dividir a bancada parlamentar do PS. Voltará a falhar se tentar pescar à linha uma figura para dividir a actual maioria na Assembleia da República. É provável, por isso, que acate a decisão do parlamento e desencadeie, no tempo que lhe resta, uma guerrilha constante, a exemplo do que fez com os anteriores governos do PS.

sexta-feira, novembro 13, 2015

Portas e porta-vozes

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Pedro Sales publicou no Facebook uma notícia do Expresso a recordar o que António Costa tinha dito antes das eleições. O Expresso dava então conta de que o secretário-geral do PS não apenas «chumba governo de direita minoritário» como, no caso de não conseguir a maioria, «confia na maioria de esquerda e na capacidade para fazer acordos».

A reprodução da primeira página do Expresso fez saltar Filipe Santos Costa, que, precisamente neste semanário, costuma fazer a cobertura das actividades do CDS-PP. Na ânsia de defender as posições da coligação de direita, o jornalista até se dá ao luxo de pôr em causa, embora de uma forma habilidosa, o próprio jornal em que trabalha. Paulo Portas tem porta-vozes onde menos se espera — e alguns levam a missão a peito.

A nova maioria

Hoje no Diário Económico
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quinta-feira, novembro 12, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [953]



Hoje o País não é governado por uma Câmara Corporativa.
      Resposta de António Costa à Visão sobre o comunicado dos 100 empresários

segunda-feira, novembro 09, 2015

«Protótipo do euro-oportunismo em Portugal»

MOÇÃO "VOLTAR A CRESCER" (p. 7)

Paulo Portas não gostou que António Costa o apelidasse de «protótipo do euro-oportunismo em Portugal» por se ter trasvestido, mais ou menos repentinamente, de eurocéptico em euro-entusiasta. O vice-pantomineiro-mor incumbiu Diogo Feio de repor a verdade dos factos. Em suma, Feio comunicou que o CDS-PP não deu uma cambalhota na véspera de se alçar ao governo de Durão Barroso.

Mais do que saber se foi na véspera ou na antevéspera que Paulo Portas mandou o «partido unipessoal» dar uma cambalhota, verifica-se que o CDS-PP mudou de posição especificamente para poder fazer parte do malogrado «arco da governação». Isso é absolutamente explícito na moção que leva Paulo Portas para a liderança do CDS-PP. E foi feita com a convicção que a passagem acima reproduzida da moção aprovada em congresso revela em todo o seu esplendor.

sábado, novembro 07, 2015

Defendi isso? Ah, mas foi há um ano…

Diário Económico, 4 de Junho de 2014

Uma vez ou outra, já fiz referência a declarações de Álvaro Beleza (por exemplo, aqui). É um mistério a razão por que a comunicação social o escuta com tanta avidez. Não está em causa apenas a sua falta de densidade, mas a leviandade com que diz tudo e o seu contrário. Hoje, numa entrevista ao Público, Álvaro Beleza não faz a coisa por menos: «Esta direcção do PS é uma deriva esquerdista».

Acontece que o mesmo Álvaro Beleza defendia, há pouco mais de um ano, o seguinte: « Eu defendo uma alternativa clara em que o PS seja o partido liderante da esquerda, que converse à esquerda, que faça tudo para que haja um governo com forças políticas à esquerda e que seja claramente alternativo à política deste Governo.»

António Costa acatou a sugestão de Beleza. Beleza é contra.

quarta-feira, outubro 21, 2015

«A criação artificial de um compasso de espera inútil»


    «1. Concluída a ronda pelos partidos, o Presidente pode e deve indigitar o primeiro-ministro.

    2. Da ronda, já se sabe que o Presidente ficou a saber que a direita não dispõe de maioria parlamentar que lhe viabilize o governo.

    3. E também que António Costa entende dispor dessa maioria parlamentar.

    4. A meu ver, a consequência é óbvia: o Presidente deveria indigitar como primeiro-ministro o líder do PS.

    5. Tudo o resto significa a criação artificial de um compasso de espera inútil.»

segunda-feira, outubro 12, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [948]


Eu não sou médico nem enfermeiro para tomar o pulso ao Presidente da República.

quinta-feira, outubro 08, 2015

«De onde é que pensam que vêm os votos no Bloco de Esquerda?»


Pacheco Pereira na Sábado:
    «(…) 3. Contrariamente ao que hoje se repete de forma arrogante, não é verdade que toda a gente assumisse como favas contadas a derrota da coligação. No último programa da Quadratura com António Costa, foi exactamente isto que lhe disse. No prefácio para o livro de Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo sobre Costa escrevi o seguinte, que reafirmo de novo como interpretação do que correu mal com o PS: "Daqui a poucas semanas, António Costa enfrenta o seu destino manifesto e não pode falhar. (...) O País precisa de gente zangada, indignada, furiosa com o estado em que Portugal está, com as malfeitorias que têm sido feitas aos portugueses, com o cinismo face aos desempregados, aos reformados, aos pensionistas, com a linguagem de divisão dos portugueses entre novos e velhos, com os velhos a 'roubarem' aos novos o seu futuro, com a apologia da lei da selva no trabalho, com o desprezo colateral e assistencial pela pobreza. São causas maiores e estes portugueses estão sozinhos e correm o risco de ficarem invisíveis. É com eles que se pode ganhar eleições a sério e, mais ainda, mudar o que é preciso. Se Costa passar ao seu lado, passa ao lado do destino que deseja."

    4. Foi o que aconteceu: Costa dirigiu a campanha do PS para um "centro" que não existe, e que é hoje um mito da análise, e que, se existisse, preferia o original, a PAF, à imitação, o PS. A coligação PAF não é do centro-direita, mas da direita, e o PS propôs no seu "programa dos economistas" uma variante do programa de "ajustamento". Contrariamente ao argumento ad terrorem da coligação, o PS fez uma campanha à direita e perdeu exactamente por isso. Ou de onde é que pensam que vêm os votos no Bloco de Esquerda? (…)»

sexta-feira, outubro 02, 2015

Apelo de Mário Soares

DN, 29 de Setembro de 2015

A sondagem do povo

        «Votar para decidir quem ganha, quanto mais não seja por uma razão: porque não há outra maneira de decidir quem perde»

Hoje, a descida do Chiado

quarta-feira, setembro 30, 2015