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domingo, dezembro 06, 2015

Um Pedro Guerra em cada programa de debate?


Confesso que Paulo Rangel é uma criatura que me causa irritação. Faz lembrar aqueles meninos com manifestas dificuldades de socialização, que, em consequência disso, se desforram nos serões de família, nos quais encantam as tias velhotas com as mais variadas aptidões não reconhecidas fora de portas.

Acontece que o programa Prova dos 9 não é um serão de família e os telespectadores não podem ser tratados como as tias velhotas extasiadas com as façanhas de um qualquer Paulo Artur. Ora os apartes histriónicos e as insuportáveis interrupções ao estilo de Pedro Guerra estragam o programa. Se Paulo Rangel o quisesse boicotar, não faria melhor.

Sugeri por isso a Constança Cunha e Sá um método mais ou menos inortodoxo mas expedito: dissolver um Xanax no copo de água do ex-afilhado da Dr.ª Manuela, de modo a que o debate não se transforme numa algazarra impossível de acompanhar.

Não faço ideia se a sugestão foi acolhida, mas a verdade é que, na quinta-feira, Paulo Rangel começou por intervir num tom sereno, muito embora lá para o final já estivesse completamente desencabrestado (como as imagens acima documentam). Que tal, Constança, dar-lhe mais meio comprimido?

Pode ser confirmado aqui o desempenho de Paulo Artur.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Não há nada como uma casaca alinhada
e dar graças ao Altíssimo (em latim)

• Francisco Louçã, Não há nada como uma casaca alinhada e dar graças ao Altíssimo (em latim):
    «(…) Chegado a Londres e exprimindo a sua indignação pela falta da efeméride [comemoração do 25 de Novembro], [João Carlos Espada] fez o que faz um estadista que vai a Londres exprimir a sua indignação: foi jantar. “Foi no Oxford & Cambridge Club que, na terça-feira passada, participei em (mais um) jantar de comemoração dos 50 anos da morte de Churchill, a 24 de Janeiro de 1965. (…) No final, brindámos à memória de Churchill… e à Rainha. No início do jantar, tínhamos dado graças a Deus, de pé e em latim, pela refeição que íamos ter.” E espero que também pela salvação das nossas almas, porque encomendados em latim é muito mais salvífico.

    Continuou Espada a mostrar a sua indignação e, portanto, a jantar. “Fui entretanto a Oxford, assistir a um debate, na Oxford Union, a imponente Associação de Estudantes (de que sou, orgulhosamente, “life member”). Como habitualmente, foi precedido de jantar, de “smoking”. Os líderes masculinos da Associação de Estudantes, como manda a tradição, estavam de casaca. A líder feminina de vestido comprido. De novo agradecemos a Deus a refeição, de pé e em latim, antes do jantar. De novo brindámos de pé, no final, com um excelente Porto: à Associação de Estudantes, aos oradores convidados e… à Rainha.” (…)»

domingo, novembro 15, 2015

Economia das baixas qualificações explicada às criancinhas


O título do artigo é estimulante: «O ensino está todo errado» (mesmo que, na edição em papel, a palavra «errado» estivesse grafada em itálico). O pequeno grande arquitecto propõe-nos uma revolução no ensino, apoiada, por um lado, na sua experiência docente («dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70») e, por outro, no que se convencionou chamar «universidade da vida», resposta muito comum quando o Facebook quer saber os estudos de cada um.

Antes de nos propor o admirável mundo novo no ensino, o pequeno arquitecto derriba as muralhas do velho e caduco ensino: «Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.»

Calcados «aqueles problemas complicadíssimos» e a gramática, o olhar do pequeno grande arquitecto volta-se para os métodos de ensino: «uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.» Eis a solução:
    «Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

    Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.
    »

A conclusão é óbvia: «deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.»

A base sobre a qual deveria assentar o ensino é a «História universal e História de Portugal» (de acordo com o legado do tio José Hermano, subentende-se), a «geografia», «o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera», e ainda seria dada atenção «à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.» E também «conselhos de alimentação» e «noções básicas de economia». Pergunta o pequeno grande arquitecto: «ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?»

Há uma incontida nostalgia que influi na escolha dos outros conhecimentos propostos pelo pequeno grande arquitecto: «já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado.» Perante esta perda irreversível, em lugar de «equações de 2.º e 3.º grau» ou de «problemas complicadíssimos na física ou na química», o pequeno grande arquitecto sustenta que venham a ser ministradas «noções básicas de cozinha», «noções básicas de trabalhos domésticos» e «certas noções de bricolage». Para completar o admirável mundo novo do ensino, a sua proposta inclui: «Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever.» Porquê? «Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.»

Este currículo não atrofiaria os alunos, não lhes tiraria «‘ginástica mental’»? «Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.»

Em jeito de conclusão, o pequeno grande arquitecto remata:
    «É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

    Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.»

O que José António Saraiva propõe é a substituição da escola pública pelos cursos de cozinheiro e empregado de mesa do IEFP (suportados por fundos europeus). Para promover a economia dos baixos salários e das baixas qualificações. É o programa de Passos Coelho & Portas traduzido por miúdos. Há sempre alguém que não tem vergonha de o defender em público.

quarta-feira, outubro 21, 2015

Ó FAL, já estudaste?

Francisco Almeida Leite foi um dos 11 jornalistas da secção laranja do DN que andou a aviar recados quando o passismo se preparava para o assalto a São Bento. Consumada a tomada do poder, o FAL foi depositado na administração do Instituto Camões. Na barafunda de uma das incontáveis remodelações, que nos recordam como o consulado de Passos & Portas foi de uma estabilidade à prova de bala, infiltrou-se no Governo. A carreira de ajudante teve a duração de um meteorito.

Que fazer de um cadáver adiado? Içado para a presidência de uma instituição financeira, o FAL é barrado pela CRESAP, que só lhe reconhece capacidade e habilitações para relações públicas. Aceita a desgraduação: vogal com o pelouro das relações públicas, com a piedosa recomendação de se atirar aos estudos.

Hoje, o FAL assina um artigo na qualidade de administrador executivo da SOFID, a tal instituição financeira. Aparentemente, quis avisar a sociedade de que já estudou. No lugar dele, teria ficado muito quieto a ver se ninguém se lembrava do cadastro que arrasta consigo.

terça-feira, outubro 20, 2015

Como se inculca a TINA¹


Na romaria em defesa da TINA, coube ontem a vez de Freitas do Amaral. Na RTP3, o professor jubilado procurou transmitir a ideia de que seria uma espécie de porta-voz do sentimento do país (e, no íntimo, não dele próprio, que poderia ter uma posição distinta, não fosse a habituação de 40 anos do bom povo português): «A opinião pública não está preparada para isso. Durante 40 anos, habituou-se, bem ou mal, a que haveria ali um muro invisível, que não tem chave, que não quer acordos com aqueles partidos. Eu acho que, neste momento, seria uma má solução, sobretudo se for uma coligação formal. Se for um governo minoritário do PS, que o PC e o Bloco não inviabilizavam, já houve outros.» Nada de novo nas palavras de Freitas do Amaral. É que, em relação a outros 40 e tal anos, o professor só descobriu que a «opinião pública» estava preparada para a democracia no dia 25 de Abril.

PS — No mesmo programa da RTP3, foram convocados Helena Matos, Manuel Carvalho e João Marcelino para a análise política destes conturbados dias. Tendo os três comentadores a mesma posição, não bastava ter em estúdio apenas um deles, evitando o desagradável efeito do eco?

__________
¹ «There is no alternative».

segunda-feira, outubro 19, 2015

Ó Zé Manel, vai estudar

Rapinado a Nuno Oliveira

Qual eduquês, qual carapuça, este Zé Manel é um madraço: «Marx não preveu», «fazido greve», «umas gramitas de haxixe» e outras pérolas que não tenho paciência para pesquisar. Hoje, «descanço» (na newsletter intitulada "Tentar compreender o que não se compreende"). É isto o melhor que a direita radical tem para a representar?

terça-feira, outubro 13, 2015

360º? Era preferível 180º…


Ontem, no programa 360º da RTP3, tivemos José Rodrigues dos Santos a entrevistar Álvaro Beleza, antes de abrir um debate sobre a situação política. Se bem entendi a selecção dos comentadores, caberia a dois militantes do Blasfémias — Zé Manel Fernandes e Helena Matos — a defesa do defunto governo, enquanto a Filipe Luís e a Nuno Saraiva estaria confiada a hercúlea tarefa de explanar pontos de vista opostos.

Ainda incrédulo com a intervenção (e até com a presença) de Helena Matos na estação de serviço público de televisão, aguardava-se com moderada ansiedade que Nuno Saraiva, a quem Rodrigues dos Santos deu a palavra a seguir, rebatesse as suas posições. Mas eis que o subdirector do DN surpreendeu tudo e todos, ao apropriar-se dos pontos de vista da direita radical, alegando que o fazia em nome da Constituição: «O que está inscrito na Constituição é que, tendo em conta os resultados eleitorais, o Presidente da República convida a formar Governo o partido mais votado em cada eleição. É isso que está inscrito na Constituição.»

Ora não faria mal a Nuno Saraiva frequentar um curso rápido sobre a Constituição da República Portuguesa, dando uma especial atenção ao capítulo sobre a formação do Governo. Se os afazeres profissionais não lhe permitirem esta perda de tempo, poderia, ao menos, ler o artigo 187.º, n.º 1: «O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.»

sábado, outubro 10, 2015

O candidato que a direita descobriu na Fundação da Casa de Bragança


A escolha de Celorico de Basto para a apresentação da candidatura à presidência da República, longe dos palcos em que Marcelo Rebelo de Sousa costuma actuar, pode ter surpreendido muito boa gente. Ao que se vê, foi o município mais distante de Vila Viçosa que Marcelo encontrou.

Mas o expediente da avó Joaquina não evita que Marcelo tenha de fazer mais uma cabriola: renegar o compromisso vitalício de presidir à Fundação da Casa de Bragança, um cargo que «é sério e pesado». Ou como o próprio assumiu quando optou por ser testamenteiro da Casa de Bragança: «Não posso dizer, quando aceito esta incumbência, "olhe vou ali num instante fazer um lugar honorário, depois vou fazer isto, aquilo, e depois volto". É um lugar de empenhamento efectivo». Afinal, voltou.

quinta-feira, outubro 08, 2015

O gato que escolheu o Nobel da literatura


A atribuição dos prémios Nobel, designadamente no que respeita aos da Literatura, costuma suscitar muita discussão. Este ano, se alguém discordar da escolha, não discuta os critérios, porque coube a um gato a última palavra. É o Correio da Manha que, com a clarividência a que nos habituou, o assegura:
    «Além dos especialistas, também um gato que participou num programa da televisão sueca escolheu Svetlana como a laureada deste ano.

    O gato foi posto sem comer e quando o puseram numa sala com vários pratos de camarão fresco, cada um deles com a fotografia de um candidato, o felino correu para o prato com a imagem da escritora bielorrussa.»

sábado, setembro 26, 2015

O enigma de Moura Guedes

Em entrevista ao semiclandestino i, que deverá ter um quinto dos leitores do CC, Manuela Moura Guedes faz hoje três declarações sonantes:

A primeira declaração é uma opinião, que, proferida por uma ex-deputada do CDS-PP com um curriculum tão engenhoso, vale o que vale. De resto, vinda de quem vem, só enobrece o PS.

A segunda declaração, já anteriormente produzida noutros contextos, confirma que o anúncio da morte política do Dr. Relvas foi ligeiramente exagerado, uma vez que, removido do palco, se terá resguardado no bas-fond. Mas, sendo a reprodução de facto(s) concreto(s), é de admitir que não se esteja perante mais um delírio.

Já a terceira declaração é difícil de a qualificar: é uma opinião baseada numa mera suposição ou trata-se de um facto devidamente comprovado por Manuela? Tendo em conta o potencial alarme social que a situação encerra, seria conveniente que a locutora não deixasse perdurar o enigma.

domingo, setembro 13, 2015

Silva Pereira responde a Eduardo Catroga:
a carta "está cheia de falsidades históricas"


Eduardo Catroga não tem respeito por si próprio. Para justificar a sinecura na EDP, dispõe-se a representar os mais lamentáveis papéis. Ontem, publicou uma carta atabalhoada, na qual procura alijar as responsabilidades de Passos Coelho na entrada da troika em 2011. Pedro Silva Pereira responde-lhe através de outra carta, na qual desmonta as «falsidades históricas» escritas pelo vizinho de Cavaco Silva na Quinta da Coelha. Se Catroga ainda tiver um pingo de vergonha, nunca mais volta a abrir a boca.

Passos tem o dever de manter informados os lesados do BES
de como está a decorrer o peditório

Imagens da SIC

Nunca se subestime o talento de Passos Coelho. O estarola está sempre disponível para confirmar os seus inesgotáveis dotes.

Ora o sistema de apoio judiciário em vigor não garante o direito constitucional de acesso à justiça e aos tribunais? Passos Coelho resolve: ele próprio disse estar disposto a organizar uma subscrição pública para assegurar o acesso dos lesados do BES aos tribunais. E será, diz o pantomineiro-mor, o «primeiro subscritor» do peditório. Perante o ar incrédulo de um lesado — «Compromete-se? Perante a opinião pública, compromete-se?» —, revalidou a sua insólita noção de Estado de direito: «A ajudá-lo a ir para tribunal? Sim, senhor, sim, senhor. Disso pode ter a certeza.»

Resta agora aos lesados do BES acompanhar o circuito da carne assada da coligação de direita, para se poderem manter informados de como está a decorrer o peditório. Passos Coelho, como impulsionador, organizador e primeiro subscritor, tem o dever de lhes prestar contas diárias.

Agora um peditório

• Nuno Saraiva, Agora um peditório:
    «Pedro Passos Coelho não para de surpreender. Ontem, de visita a um mercado de pré-campanha eleitoral, viu-se cercado e insultado por um grupo de lesados do BES. A cada passo lá ia explicando que nada tinha que ver com o assunto, que não era problema dele nem do governo que lidera, que não pode fazer patavina para minimizar as perdas daqueles aforradores porque isso é coisa para ser tratada pelos tribunais. Acossado, apertado, castigado, lá acabou por assumir um compromisso perante quem se lamentava por não ter dinheiro para financiar um processo contra o banco: "Organizarei uma subscrição pública para os ajudar a ir a tribunal." A demagogia, de facto, não tem limites. Um primeiro-ministro não é provedor da Santa Casa nem presidente da Cáritas ou do Banco Alimentar. Não lhe compete ser promotor da caridadezinha ou de exercícios de crowdfunding que têm por único objetivo servir-se do desespero alheio à procura de votos. Não se tivesse Passos Coelho demitido das suas funções, isto é, de resolver os problemas que afligem a comunidade, e, provavelmente, o Novo Banco já estaria vendido. Na verdade, o primeiro-ministro e líder da coligação Portugal à Frente, que nunca hesitou em tomar decisões que puniram o país, lavou as mãos como Pilatos da decisão política mais importante do último ano. Escondeu-se atrás do Banco de Portugal (BdP), o regulador, ao qual delegou o papel de tratar dos negócios. E com isso quis desresponsabilizar-se das suas consequências. Na verdade isso não acontecerá porque os efeitos que a operação vier a ter na derrapagem do défice público não deixarão de lhe ser assacados. Aquilo que Passos Coelho devia ter dito, é também para isso que é primeiro-ministro, é que fará tudo o que esteja ao seu alcance para que o BdP e a CMVM se entendam para acudir a esta gente, garantindo-lhes o acesso universal à justiça. Mas não, optou pela demagogia e pelo eleitoralismo mais básico, que já lhe vimos, aliás, na campanha de 2011. Que não cortava salários nem pensões e que não aumentava impostos. Os mercados eram os mesmos, os eleitores porventura também. Passos promete pois, a título pessoal, contribuir com dinheiro seu para financiar as custas judiciais de eventuais processos que venham a existir. Ficamos à espera de outras subscrições, ainda faltam três semanas para as eleições, promovidas pelo primeiro-ministro para trazer de volta aqueles que emigraram, ajudar os que não têm emprego ou comprar os remédios aos reformados a quem cortou nas pensões ou no complemento solidário. De facto, a demagogia não tem limites. Já agora, e só em jeito de fait divers, convém lembrar que este Passos Coelho, generoso e pronto a abrir os cordões à bolsa, é o mesmo de quem o pai, António, disse há poucos dias numa entrevista: "O meu filho é um teso! Tudo o que ganha, gasta." O que, a ser verdade, não augura grande peditório.»

sexta-feira, setembro 11, 2015

Rei Midas (de pernas para o ar)…

… teve de ser acondicionado na prateleira:

Autor: Luís Vargas

A ressurreição de VPV

De regresso às lides, Vasco Pulido Valente pisca, hoje no Público, o olho a Passos Coelho, dispondo-se a dar-lhe a táctica para a campanha eleitoral. VPV já tinha dado uma vez um passo em frente: aconteceu em 1995, quando se assumiu como guru de Fernando Nogueira. A coisa não correu bem: António Guterres levou ao tapete o candidato a primeiro-ministro Fernando Nogueira, que não teve outro remédio senão abandonar a política. VPV ainda vagueou então uns tempos pelos Passos Perdidos até encontrar a saída. Esta veleidade de VPV querer dar a táctica a Passos Coelho não é um bom augúrio para a coligação de direita.

segunda-feira, agosto 24, 2015

Problemas mal resolvidos num semanário perto de si

Maria Filomena Mónica, com Zita Seabra,
no lançamento de «Eu, Cayetana»
no Estoril Palácio Hotel

Sendo do domínio público que há quem esteja viciado em substituir refeições saudáveis por croissants acompanhados a vodka, não é aceitável que a direcção do Expresso se aproveite dessas situações de aparente fragilidade e as utilize para procurar atingir terceiros. O que Maria Filomena Mónica escreve sobre José Sócrates na última edição do semanário é deprimente para a própria. E é-o para o Expresso, que publica a catarse.

A peça em causa é uma nojeira, mas é sobretudo de uma indigência confrangedora. A colaboradora do Expresso gaba-se de ter levado a cabo uma investigação aprofundada sobre o percurso académico de Sócrates em Paris, envolvendo recursos sofisticados — «motor de pesquisas relativo a teses em curso ou defendidas em França (ABES, theses.fr.)» —, estando em condições de garantir a «um povo analfabeto, aldrabão e parolo» que não há quaisquer vestígios de obtenção de graus académicos.

E para desmontar o alegado embuste do mestrado, Mónica mergulhou de cabeça no mémoire (muito embora umas linhas acima confesse que o procurou afanosamente nas livrarias e não encontrou): «a tortura em países democráticos pode ser analisada num trabalho académico: o que não pode é sê-lo desta forma». A emérita socióloga condescende que a utilização da tortura «é moralmente condenável, mas isso não justifica a inclusão das democracias como países que causam "arrepios"

Saciada, Mena, como é conhecida no meio, fez chegar ao Expresso a alucinada catarse. A direcção do semanário, apesar de ver a baba a escorrer pela prosa, publicou-a. Deveria, ao menos, ter alertado a sua colaboradora de que tinha andado a farejar o mestrado na página dos doutoramentos, para a realização do qual José Sócrates, de resto, já fora admitido depois de concluir o mestrado (como é bem explicado aqui). A orientadora poderá confirmar tudo.

sexta-feira, agosto 07, 2015

Passos e as culpas


• Fernanda Câncio, Passos e as culpas:
    «"A taxa de desemprego em 12,4% é um valor extremamente elevado, que representa o sinal mais evidente da crise profunda que estamos a atravessar. A recessão económica não é uma consequência do pedido de ajuda externa [...] mas é o resultado da ineficiência das políticas que foram seguidas durante todos estes anos." A frase é do atual PM. Mas, calma, foi proferida antes de o ser - em maio de 2011, em plena campanha para as legislativas de 5 de junho.

    E é simbólica por vários motivos. Primeiro por demonstrar como o mesmíssimo valor de taxa de desemprego pode ser, para a mesma pessoa e conforme está na oposição ou no governo, "extremamente elevado" e testemunho de "crise profunda" e "políticas ineficientes" ou sinal de "recuperação". Em 2011, alegar-se-á, a taxa oficial de desemprego estava a subir e agora está a descer, e descer é melhor do que subir (dah). Mas será que faz sentido um governante gabar-se por ter - alegadamente, já que se perderam mais de 200 mil empregos entretanto - voltado a um ponto de partida que reputou de muito grave?

    "Congratularem-se com ter a mesma taxa de desemprego agora e na altura do resgate é como uma pessoa ao sair do hospital ficar contente por se sentir como quando ia na ambulância para lá", escreveu, no Twitter, uma jornalista do Financial Times, respondendo ao secretário de Estado Maçães (que está em jihad contra quem ponha em causa o sucesso PAF). Mas a frase de Passos transporta mais ironias, como a da recusa - em 2011 - de contextualização para a recessão da economia portuguesa. Como se a crise económica planetária desencadeada em 2007-2008 com o rebentar da "bolha" financeira do imobiliário, consensualmente comparada à grande depressão dos anos 30 do século passado, nunca tivesse existido; como se a crise das dívidas soberanas europeias, que em 2010, na sequência da primeira, levou aos pedidos de resgate da Grécia e mais tarde da Irlanda, de Portugal e de Chipre (os 130 mil milhões emprestados à Espanha levaram outro nome), nunca houvesse ocorrido.

    Nada disso: em 2011, desemprego, austeridade, recessão, resgate eram só responsabilidade do governo português. Mas e agora, quatro anos depois, como explica Passos a dívida em 130% do PIB após austeridade maciça, mais de 200 mil empregos desaparecidos, emigração recorde, a trapalhada da resolução do BES, todas as previsões do executivo erradas? É vê-lo, há uma semana, na redação do Jornal de Negócios. Invocando os "tempos de vacas gordas" de que os socialistas gozaram, retorque, ríspido, a quem objeta: "Qual crise mundial? E nós, não tivemos crise? A crise que herdámos em 2011 resultou das decisões que tomei?" E conclui: "Fizemos um resgate internacional, passámos por uma recessão que foi a maior que tivemos nos últimos anos - 4% de recessão em 2012! Se no meio disto tudo não tivéssemos desemprego seria um milagre." Coitado de Passos, realmente, não lhe podemos pedir responsabilidade por nada.»

quinta-feira, agosto 06, 2015

A arte da comédia


• Luís Reis Pires Maçã(es) de Adão:
    «(…) No Governo não há maçãs, há Maçães. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus deixa duas marcas na legislatura: uma no sofá do bar do Conselho Europeu, onde passa horas sentado sempre que há cimeiras; e outra nas redes sociais. Seguidor da lógica empreendedora de Miguel Gonçalves, decidiu combater a irrelevância no Governo batendo punho no twitter, onde aprende a arte da comédia.

    Primeiro foram as piadolas sobre a Grécia. Deu polémica e acabou a bloquear o jornalista que noticiou a coisa. Agora é a discussão com Philippe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso. Aos factos de Legrain, respondeu com duas das mais brilhantes teorias clássicas da argumentação, ensinadas apenas nos recreios das melhores escolas primárias mundiais: "assim não quero brincar" e "fala para a mão".

    Maçães teria graça, se as suas intervenções, pouco próprias de um diplomata, não comprometessem Portugal e o Governo. Pior do que irrelevante, é ser prejudicial.»

terça-feira, agosto 04, 2015

«What a funny Clown this Bruno is»

Via Pureza

Bruno Maçães tornou-se definitivamente uma estrela das redes sociais. Como infelizmente é costume acontecer, a sua consagração deu-se no estrangeiro. Primeiro, deixou o Wall Street Journal de olhos em bico. Agora, virou-se para a Europa. Por exemplo, Philippe Legrain, economista e antigo consultor de Barroso na Comissão Europeia, mostra-se rendido à capacidade de Maçães para, sem contemplações, maltratar a realidade:

Via Sanscelerien (clique na imagem para a ampliar)

Ao observar o cérebro de Maçães a laborar, também Robert Misik, jornalista e escritor, ficou deslumbrado com as potencialidades do secretário de Estado dos Assuntos Europeus:

Via João Vale