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quinta-feira, dezembro 03, 2015

De cópia do Povo Livre a contrafacção do Acção Socialista
num abrir e fechar de olhos


Querem ver que os propagandistas da PàF faziam todos parte do pessoal menor, entretanto despedidos à má fila?

segunda-feira, novembro 30, 2015

A estrela cadente que Ricardo Costa avistou


Ricardo Costa procurava, na edição de sábado do Expresso, mostrar que todos nós deveremos estar muito agradecidos ao defunto governo pelo que fez pelo país. Para isso, enalteceu a «saída limpa», esquecendo o que foi escondido debaixo do tapete (v.g., o BES) ou os trabalhos forçados para cerzir as metas do memorando, rasgadas pela realidade. Mas antes de falar de raspão de «várias medidas decisivas do BCE», o director do Expresso fez a seguinte enigmática alusão a mais um feito do defunto governo: «uma trajectória continuada de descida».

Alguém sabe a que Ricardo Costa se estaria a referir?

Umas linhas abaixo, dá a entender, ao referir-se ao Novo Banco, que estaria a pensar na dívida pública. Mas a que título alguém pode atrever-se a ver na dívida pública «uma trajectória continuada de descida»?

A verdade é que o panegírico esbarrou contra a dura realidade: apesar de a imensa vontade de avistar «uma trajectória continuada de descida», Ricardo Costa não encontrou o objecto dessa «trajectória». Por isso, o omitiu. Talvez tivesse sido uma estrela cadente.

sexta-feira, novembro 27, 2015

Gente que fez cálculos
que batiam certo com a propaganda do Governo


Paulo Núncio, o ajudante do CDS-PP para os Assuntos Fiscais, disse que houve da parte dos contribuintes uma «percepção errada» do que o Governo dizia em relação à sobretaxa. É mentira, como todos sabemos agora. Qual terá sido a parte que os contribuintes não perceberam quando Passos Coelho afirmou, a uma semana das eleições, que «sabemos hoje que estamos em condições em 2016 de cumprir essa norma do Orçamento e que eles irão receber uma parte importante dessa sobretaxa»?

Mas o que é realmente interessante observar é que este embuste contou com o apoio activo da comunicação social e do próprio presidente da República.

Exactamente no dia em que Passos Coelho assegurou que haveria devolução de «uma parte importante dessa sobretaxa» — o Governo falava então de uma devolução de 35% —, o Expresso anunciava ter feito uns cálculos, os quais apontavam «para uma percentagem superior [de devolução da sobretaxa] que pode variar entre 60% e a devolução integral.» Estávamos a uma semana das eleições.

Com um papel destacado no aparelho de propaganda do defunto governo, Cavaco Silva também não se dispensou de dar um ar da sua graça, não se tendo limitado, em finais de Julho, a papaguear as profecias do Governo. Fez questão de sublinhar que pôs o seu gabinete a fazer contas, estando por isso em condições de confirmar a propaganda governamental: «Está de acordo com a estimativa que o meu gabinete tinha feito, que ao fim do segundo trimestre deste ano a evolução das finanças públicas apontava para o cumprimento dos objectivos do défice de 3% e que a evolução das receitas fiscais e do IRS iria permitir alguma redução da sobretaxa que os portugueses iriam pagar. É uma boa notícia, mas temos de esperar até ao fim do ano».

Seria interessante que alguém pedisse a Sua Excelência o Presidente da República os cálculos que a sua esquálida Casa Civil fez para chegar à estimativa que ele andou a propagandear.

sábado, novembro 07, 2015

Defendi isso? Ah, mas foi há um ano…

Diário Económico, 4 de Junho de 2014

Uma vez ou outra, já fiz referência a declarações de Álvaro Beleza (por exemplo, aqui). É um mistério a razão por que a comunicação social o escuta com tanta avidez. Não está em causa apenas a sua falta de densidade, mas a leviandade com que diz tudo e o seu contrário. Hoje, numa entrevista ao Público, Álvaro Beleza não faz a coisa por menos: «Esta direcção do PS é uma deriva esquerdista».

Acontece que o mesmo Álvaro Beleza defendia, há pouco mais de um ano, o seguinte: « Eu defendo uma alternativa clara em que o PS seja o partido liderante da esquerda, que converse à esquerda, que faça tudo para que haja um governo com forças políticas à esquerda e que seja claramente alternativo à política deste Governo.»

António Costa acatou a sugestão de Beleza. Beleza é contra.

sexta-feira, novembro 06, 2015

Exercício de metajornalismo

• António Guerreiro, Exercício de metajornalismo:
    «(…) Um exemplo: se este jornal decidisse que a minha coluna semanal passaria a “contracenar” (segundo um modelo muito difundido) com a do João Miguel Tavares, estaria a desviá-la para uma região que lhe é hostil. Ainda que eu mantivesse o mesmo discurso, acentuava-se a dimensão de entretenimento e criava-se um falso debate entre duas pessoas que não falam a mesma linguagem. Em vez do jogo da oposição, teríamos o diferendo. E não se trata de um ser de Direita, segundo dizem, e outro de Esquerda, presume-se. Se eu quiser criticar os media, verificar que eles estão cheios de profissionais da “opinião”, isto é, de um editorialismo ideológico semelhante ao que Nietzsche chamava “moralina”, asfixiando o ambiente, se quiser mostrar a nefasta invasão dos media pelos políticos-comentaristas que ampliaram uma política Potemkin, servida por um idioma-propaganda que esvazia a linguagem, dificilmente o consigo fazer senão de fora. No interior, o mais certo é sujeitar-me a contaminações ou escorregar na contradição. Mas nem por isso devo deixar de tentar sempre, sabendo que ter uma consciência crítica do lugar de onde falamos e das limitações a que estamos sujeitos é a condição para fugir à doxosofia. Devo esta palavra a Pierre Bourdieu, que baptizou como doxósofos (um vocábulo formado por analogia com filósofos) uma classe específica de intelectuais. São aqueles que devem tudo aos media e às suas paralelas instituições culturais que se arrogam o poder de consagrar “figuras” que eles próprios produzem e fazem prosperar. Ao contrário do antigo intelectual, o doxósofo não traz para o espaço público uma autoridade reconhecida em qualquer campo do saber, da ciência ou das artes: nasce e desenvolve-se na incubadora mediática. No jargon da redacção dos jornais, é a “prata da casa”, uma baixela para todo o serviço a que é preciso sempre puxar o brilho.»

sexta-feira, outubro 30, 2015

Direito de difamar


• Fernanda Câncio, Direito de difamar:
    «Na semana passada, uma manchete do Correio da Manhã asseverava que numa conversa telefónica comigo após a detenção de Carlos Santos Silva a respetiva mulher me tinha dito, "sem margem para dúvidas", que o dinheiro nas contas do marido era na verdade de Sócrates. Sabendo que nunca tal conversa tinha ocorrido, fiz uma declaração pública acusando o Correio da Manhã (e a CMTV, que repetiu, em peça televisiva, as mesmas imputações) de difundir uma falsidade e anunciando ir exigir ao MP (o que já fiz) acesso direto às escutas em que sou interveniente - convém lembrar que o processo ainda está em segredo para quem, como eu, não é arguido nem assistente.

    Em resposta, a direção do CM exarou um revelador comunicado. Em vez de sustentar o que publicou e prová-lo, faz uma declaração genérica: "As escutas e os factos que o CM tem noticiado foram validados pelo juiz de instrução por serem determinantes na produção de prova no processo." Vale a pena olhar bem para esta frase: o que nela se lê, textualmente, é que o que o CM publica é validado por um juiz - no caso, Carlos Alexandre. Uma espécie, então, de censura prévia, e da qual ainda por cima a direção do CM se gabaria ao público?

    A ideia é risível, mas é aquela que o CM quer fazer passar. A de que se confunde em tudo com a justiça e está por ela "autorizado" - para tal se fez "assistente" no processo, pervertendo quer a figura do assistente quer a deontologia jornalística - funcionando como seu braço armado. Ora sucede que o CM engana os seus leitores, como a CMTV engana os seus espectadores, ao dar a entender que tem acesso direto e autorizado às "escutas" e "factos". Nesta fase, o que está de escutas no processo são resumos interpretativos, não as conversas ipsis verbis, e os "factos" são igualmente interpretações, ou seja, opiniões e perspectivas, da acusação. Que por sua vez o CM "interpreta" e falseia a seu bel-prazer, como no caso da conversa aludida. Falseamento tão óbvio que não existe em toda a peça publicada uma frase entre aspas com o conteúdo que o CM coloca em manchete, e por um motivo muito simples: tal frase não existe. De resto, a ausência de rigor é tal que o CM não diz sequer quem estava sob escuta: as duas interlocutoras? Uma só delas? Qual? Não interessa; para o CM é igual: vai tudo corrido a suspeito.

    Perante isto, que pode alguém fazer? Como se defende? Num Estado de direito democrático, recorre aos tribunais. Além de ações criminais e cíveis, interpus uma ação para tutela dos direitos de personalidade com vista a proibir que estes e outros meios continuem a invocar gratuitamente o meu nome e a minha qualidade de jornalista do DN em peças sobre o processo Marquês, transformando meras relações pessoais numa espécie de "suspeição por contaminação". Previsivelmente, serei acusada de "censura" e de "constrangimento ao exercício do direito de informar." É que, parece, há quem considere que é mais grave tentar impedir crimes do que cometê-los.»

Marcelo entre Cavaco e os patrocínios

José Pacheco Pereira, na revista Sábado:
    «(…) 7. Como ele próprio [Marcelo] já o disse, Cavaco deixou-lhe a pior das heranças, ao determinar que a questão central das eleições será se demite ou não um governo PS-BE-PCP, e se dissolve o parlamento para haver novas eleições, mesmo havendo uma maioria de governo, ou não. Este dilema vai ser o centro da campanha que vai ter que fazer, longe da que desejava fazer. Ao proceder como procedeu. Cavaco Silva mobilizou toda a direita para a exigência de que o primeiro acto do novo Presidente seja fazer eleições, e os seus eleitores do ex-PAF não lho vão pedir, vão exigi-lo.

    O clamor será tal que Marcelo, que em condições normais não o faria sem haver uma grave crise de natureza institucional, pode ter que o fazer, mobilizando com esse acto toda uma frente de esquerda que se sentirá não só vitimizada, mas em risco de ser excluída do sistema político. Não vai ser bonito de ver, com responsabilidade directa de Cavaco que envenenou toda a campanha de Marcelo e condicionou os passos iniciais da sua presidência caso ganhe.

    8. No entanto, embora ninguém ligue a isso, a candidatura de Marcelo tem aquilo que chamei uma "mancha ética" que não vai ser fácil de apagar tanto mais que a ela se deve muito do seu putativo sucesso. Que diríamos nós, que diria Marcelo, de alguém que usasse abusivamente dos recursos da sua profissão não só para se colocar numa vantagem em relação aos seus pares, como para deliberadamente os prejudicar numa qualquer competição?

    O problema não é o facto de Marcelo ter um espaço televisivo ímpar, que conquistou com o seu mérito de comunicador. O problema é que pelo menos nos últimos dois anos, em bom rigor quase sempre, o ter usado até ao limite para promover a sua candidatura e para argumentar contra a daqueles que poderiam ser seus adversários eleitorais. Usou o seu comentário contra Durão Barroso, Santana Lopes e Rui Rio, quando pensava que estes podiam ser seus adversários eleitorais, colocando-se sempre como observador desinteressado. Ninguém acreditava nisso, mas a cumplicidade que este tipo de silêncios gera não é sadia na vida pública portuguesa.

    9. E não adianta comparar Marcelo com qualquer outra pessoa que faça comentário e que tenha uma carreira política que beneficie do acesso ao pódio televisivo, porque nem toda a gente que comenta a política pretende ter uma carreira política e eleitoral, ou há contraditório ou é um comentário de representação partidária que já quase ninguém ouve. Claro que foi a TVI que lhe permitiu isso, e Marcelo é em primeiro lugar o candidato da TVI. E sabemos porque a TVI o fez, o que também faz com que Marcelo seja um candidato que foi patrocinado.

    10. Deixemos para outra altura outro tipo de patrocínios, igualmente perigosos para o fair play eleitoral, como seja o modo como muitos jornalistas portugueses são completamente acríticos face a Marcelo, para não dizer mais.»

quarta-feira, outubro 28, 2015

«Deve ou não um jornal constituir-se em assistente para depois divulgar, sem contradita, as peças do processo que lhe aprouver?»

Luísa Meireles, no Expresso:
    «"A mordaça", titula hoje o Correio da Manhã: "Sócrates tenta silenciar CM". É a notícia de ontem à noite, já o jornal estava no fecho. É uma ordem judicial, resultante de uma providência cautelar interposta pela defesa do ex-primeiro-ministro, em virtude da qual todos os órgãos de comunicação do grupo Cofina (onde se inclui não só o Correio da Manhã, como a Sábado ou o Jornal de Negócios) estão proibidos de dar notícias sobre o processo de Sócrates, conhecido como a Operação Marquês. O Correio da Manhã tem feito sucessivas manchetes com o caso desde que o processo deixou de estar em segredo de justiça, promete resistir e, a nós leitores, cabe refletir. Deve ou não um jornal constituir-se em assistente para depois divulgar, sem contradita, as peças do processo que lhe aprouver? Aqui no Expresso, pensa-se que não, mas o debate não é pacífico no meio.»

segunda-feira, outubro 19, 2015

Ainda que mal pergunte

        «Gostaria de lembrar que o Compromisso Ético obriga todos os deputados do PS a disciplina partidária no que se refere à Programa de Governo, Orçamentos do Estado, Moções de Censura e de Rejeição.

        Não valerá muito a pena andar a dividir o grupo parlamentar em istas para aqui e istas para ali.
          Ascenso Simões, no Facebook, num post intitulado Recordartória

A imprensa, que tanto gosta ir buscar os posts de Ascenso Simões, esqueceu-se deste? Por que será?

domingo, outubro 11, 2015

O Estado ao serviço das conveniências de Marcelo


Ou porque as experiências de juventude marcam ou porque a única ocasião a que foi a votos não foi propriamente um êxito, Marcelo Rebelo de Sousa gostaria de secar tudo à sua volta para que a corrida presidencial se transformasse numa nomeação — em lugar de uma eleição.

A trupe colocada na comunicação social tem feito tudo para aplanar o caminho à direita. Domesticado Santana Lopes, urge remover Rui Rio. Ontem, na SIC, com o à-vontade de quem considera o Estado uma coutada laranja, Marques Mendes, porta-voz oficioso de Marcelo, ofereceu a Rui Rio o cargo de presidente do Tribunal de Contas, que estará vago no final do mês. Já se fazem traficâncias à luz do dia.

sábado, outubro 10, 2015

Foi você que falou em asfixia democrática?

• Alberto Arons de Carvalho, O pluralismo da comunicação social:
    «(…) Nos últimos anos, no que tange ao seu alinhamento político-ideológico, o panorama da imprensa portuguesa generalista de cobertura nacional sofreu uma evolução assinalável. A par de jornais fiéis a um modelo de pluralismo interno e de independência editorial (exemplos do Público, do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, e também da Visão), outros houve que optaram por um alinhamento mais ou menos evidente com o centro-direita do espectro político: Sol, i, Correio da Manhã, Sábado, Expresso (nos momentos decisivos…) e o Observador. Não há, hoje, um único jornal associado ao centro esquerda ou à esquerda.

    Não está em causa a legitimidade dessas opções, embora muitas vezes elas não sejam assumidas pelos próprios jornais e contradigam a isenção político-ideológica proclamada nos estatutos editoriais. Nos regimes democráticos, relativamente à imprensa, o pluralismo deve desejavelmente resultar da diversidade e da concorrência entre órgãos de informação – o chamado pluralismo externo, ancoradas na liberdade de criação de empresas jornalísticas, nas regras que asseguram a não concentração e a transparência da propriedade e em direitos dos jornalistas como a garantia da independência e o direito de participação.

    Em contrapartida, a lei impõe a todos e a cada um dos operadores de rádio e televisão (generalistas ou temáticos informativos de cobertura nacional) que assegurem uma informação que respeite o pluralismo, atenta a forma imediata e generalizada como chegam aos espectadores e o compromisso assumido nos respetivos processos de licenciamento ou de autorização. Na rádio, da Antena1 aos operadores privados, essa obrigação de pluralismo interno tem sido cumprida sem controvérsias. Na televisão, ainda que de uma forma geral não se possa falar de parcialidade, favorecimento ostensivo de uma ou outra força política ou de ausência de pluralismo, há duas situações inaceitáveis.


    A primeira tem a ver com os comentários políticos na SIC e na TVI a cargo de dois militantes e antigos líderes do PSD, sem que pessoas associadas a outras forças políticas beneficiem de idêntico espaço. Desrespeitando deliberações da ERC, violando as obrigações legais de pluralismo, que não podem ser postergadas ou anuladas pela liberdade editorial, a situação, já de si grave, tornou-se nas últimas semanas ainda mais insustentável quando, em plena campanha eleitoral, os referidos ex-dirigentes surgiam sucessivamente em horário nobre nos ecrãs televisivos vestindo, ora a camisola de participantes em atividades de campanha pelo seu partido, ora a de comentadores televisivos…

    A segunda diz respeito à lei sobre a cobertura eleitoral. Ela consagrou o esvaziamento do princípio constitucional da igualdade entre forças concorrentes às eleições face à liberdade editorial/comercial dos operadores. A total exclusão dos partidos não representados na anterior Assembleia de qualquer debate eleitoral apenas se pode explicar por critérios relacionados com as audimetrias. Nesta matéria, a RTP1 foi inultrapassável: 1) tentou, sem conseguir, impor um debate entre os partidos do parlamento cessante, excluindo os Verdes, mas incluindo, além da coligação eleitoral PaF, o CDS/PP, que não concorreu enquanto tal às eleições; 2) promoveu entrevistas em horário nobre apenas com dirigentes daqueles partidos -incluindo o CDS/PP!...-, mas não com qualquer dos partidos concorrentes não representados no parlamento cessante; e 3) nem foi capaz de imitar a Antena1 (da mesma empresa…), que, além de uma cobertura irrepreensível da campanha, organizou um debate com os referidos partidos não parlamentares. Pior era difícil…»

quinta-feira, setembro 24, 2015

Banco de Portugal: a placa giratória entre a política e os negócios

Hoje, na revista Sábado:

Clique nas imagens para as ampliar

NOTA — A peça refere que Duarte Schmidt Lino é presidente da Assembleia Geral da Finangeste. Mas tem um curriculum mais vasto: para além de ter sido parceiro de blogue de Pedro Lomba, ajudante do ministro Maduro, é também accionista e vogal do conselho de administração do blogue Observador, no qual pode dar livre curso à ideia de que, se tudo pudesse ser resolvido «a cacete», a direita não hesitaria: «[D. Afonso Henriques] Tinha essa facilidade, não é? Tinha essa facilidade. Apesar de tudo, ajudava.» Como aconteceu durante 48 anos.

sábado, setembro 19, 2015

Xenofobia pura

Retirado daqui

Eu pergunto-me como é que estas coisas aparecem publicadas no Expresso? Se calhar, sou eu que estou a sobrestimar o Expresso.

domingo, julho 05, 2015

Asfixia antidemocrática


    «O arbitrário afastamento de Augusto Santos Silva do comentário político da TVI24, uma das poucas vozes da área do PS com presença regular (aliás de grande qualidade) no comentário politico nas televisões, vem acentuar o monopólio da direita na comunicação social. Já era assim nos canais de sinal aberto. É cada vez mais assim nos canais de assinatura.

    A poucos meses das eleições, o principal meio de difusão de ideias e argumentos políticos faz ostensiva campanha pela direita. Quando está em causa uma óbvia violação do mais elementar equilíbrio político e dos direitos da oposição, nem a autoridade reguladora nem o Presidente da República cuidam de emitir uma palavra em favor do pluralismo político nos media e do respeito pelas regras do debate democrático

quarta-feira, julho 01, 2015

O insólito critério do Expresso

Expresso, 20.06.2015

O Expresso é um órgão de comunicação social muito peculiar. A par das páginas e páginas de palha que suponho que ninguém leia, o semanário tem correspondentes acreditados junto do PSD, do CDS e do Presidente da República.

Relativamente à área do PS, o caso muda de figura, havendo um critério insólito. Com efeito, há também uma correspondente acreditada junto do que se convencionou chamar de segurismo, que representava, nas directas de há um ano, um terço dos militantes e simpatizantes socialistas. Já em relação ao PS propriamente dito, as notícias parecem ser tratadas pelo jornalista de turno.

Veja-se o que aconteceu nas últimas duas edições do Expresso:

Na edição de 20 de Junho, há uma entrevista a Francisco Assis (p. 12) e uma reportagem sobre a vida de António José Seguro nas Caldas da Rainha (p. 14). A correspondente do segurismo acolhe ainda uma pequena intriga sobre a constituição das listas de deputados à Assembleia da República (p. 7). Finalmente, há uma peça, elaborada pelo correspondente do CDS, sobre o entendimento entre o PS e o partido de Portas para a redução do IVA e do IRS nos Açores, deixando-se subentendido que se a receita não é aplicada no Continente é por imposição do outro partido da coligação de direita.

Na edição de 27 de Julho, por um triz o Expresso não se esquecia do PS. Lá surge na p. 12, que reparte com o Livre. Aí, a correspondente do segurismo é chamada a ensaiar a candidatura da Maria de Belém à presidência da República, apresentando-a já como a segunda mulher em 30 anos que o faz. E na p. 14 surge uma pequena nota, redigida pelo jornalista de turno, sobre a constituição da direcção de campanha do PS. E é tudo.

Se este é o critério adoptado em relação ao PS, não se entende por que não é adoptado o mesmo critério em relação ao PSD e ao CDS. José Eduardo Martins, do PSD, e José Ribeiro e Castro, do CDS, não insurgem contra a desigualdade de tratamento em relação ao segurismo?

domingo, junho 28, 2015

Peões domésticos do FMI

Soube-se agora que, nas vésperas da assinatura do memorando com a troika, jornalistas gregos se deslocaram a Washington para participar em eventos organizados pelo FMI, sendo as despesas pagas por este organismo. O porta-voz de Christine Lagarde considera que se trata da coisa mais natural do mundo, uma vez que o FMI, segundo afirmou, apoia jornalistas de mais de 90 países pobres e sob intervenção do organismo. A forma como esses jornalistas foram escolhidos é um mistério, tendo o Sindicato dos Jornalistas da Grécia aberto um inquérito.

Dado o silêncio sobre o tema em Portugal, é de presumir que o FMI não convidou jornalistas portugueses para os seus eventos em Washington.

quarta-feira, junho 17, 2015

Violações

    «1. Vou-me dando conta de que aqui e ali se vai insinuando que as fugas de informação sobre o processo 'Operação Marquês' viriam da defesa, isto é, do lado de José Sócrates e dos seus advogados. Li até, mas não pude confirmar, que Maria José Morgado, diretora do DIAP, também já tinha posto publicamente essa hipótese.

    2. Não me canso de dizer que sou, profissionalmente, um cientista. Portanto, estou habituado a não pôr de parte nenhuma hipótese, por mais absurda que pareça, e, admitindo-a, sujeitá-la (a) à prova dos factos e (b) à lógica da razão.

    3. Prova dos factos, não posso fazer. Mas sei que o 'Correio da Manhã', a 'Sábado' e o 'Sol', que são os maiores beneficiários dessas fugas de informação e sabem, portanto, quem as comete, já nos teriam explicado que elas são cometidas pela defesa, se o fossem. Eles, que há tantos anos procuram convencer-nos de que Sócrates comete crimes, não deixariam certamente passar esta oportunidade soberana de demonstrar que, diretamente ou através dos seus advogados, cometeu reiteradamente este, de violar o segredo de justiça.

    4. Quanto à razão, também não me ajuda a acreditar nessa tal hipótese. Como é que alguém que se quer defender da imputação de crimes há de colaborar ativamente na sua própria condenação pública antecipada?

    5. Portanto, o meu espírito científico só pode arrumar a hipótese na mesma gaveta em que vem armazenando as tentativas de condenar fora do tribunal competente o ex-primeiro-ministro. Mas faz mais, básico como é: como o processo está à guarda dos magistrados que o conduzem, é a eles que institucionalmente responsabiliza pela violação dessa guarda; e como é à Procuradora-Geral da República que compete dirigir o MP também no apuramento dos criminosos que cometem este crime, é a ela que institucionalmente responsabiliza pela impunidade com que ele se comete em Portugal.»