Depois de se saber que o FMI plagiou um documento de Vítor Gaspar e que a reunião encoberta do Palácio Foz se traduziu num retumbante fiasco, Passos Coelho ficou ainda mais isolado: o CDS-PP recolheu-se em silêncio ao Caldas, os ministros perderam o fôlego, o baronato laranja já não se coíbe de se demarcar do fanatismo prevalecente, as associações patronais instam os estarolas impenitentes a ter tento.
Acontece que, se Passos já não tem condições para governar (e muito menos tem legitimidade para aplicar um programa que se esqueceu de levar a votos), a oposição ainda não apresentou uma política alternativa que faça o seu percurso na sociedade portuguesa. Basta acompanhar as declarações políticas, os debates ou até a opinião publicada para se perceber que as divergências se situam essencialmente em torno da maior ou menor intensidade da austeridade.
É neste contexto que a questão da reforma do Estado resistiu aos próprios sinais de esgotamento do Governo. Em face da ausência de uma alternativa consistente, multiplicam-se as iniciativas avulsas, como se o poder tivesse aparentemente caído na rua, à procura de uma saída para a crise. Com o Governo a procurar pendurar-se nestas acções mais ou menos autónomas: “o Governo vai ainda contar com a colaboração do Banco de Portugal, do Conselho das Finanças Públicas e da Fundação Calouste Gulbenkian que promovem (…) uma conferência também sobre a reforma da organização e gestão do sector público em Portugal.”
Haverá certamente muito a fazer no que respeita à modernização do Estado (e não só). Mas pode a oposição contribuir para agravar a austeridade, quando essa política nos atira para um poço sem fundo? É possível humanizar uma política que está a provocar um galopante empobrecimento da classe média? É aceitável que a oposição interiorize a política gaspariana e se conforme com o corte dos quatro mil milhões de euros?










O Governo fez aquilo a que nos habituou:




