terça-feira, fevereiro 05, 2013

Franquelim, o puxão de orelhas ao CDS e a esperteza saloia dos estarolas

Lê-se hoje no Público: «(…) o primeiro-ministro irritou-se quando questionado sobre a atitude do CDS, vincando que o partido "não se demarcou de coisa nenhuma", apenas disse algo "evidente: não foi o CDS que escolheu". "Quem escolheu o dr. Franquelim Alves foi o sr. ministro da Economia e eu. Não foi o CDS nem o PSD. Espero que esse assunto morra depressa, porque não tem qualquer sentido dentro do Governo", frisou. E justificou a omissão da referência à SLN no currículo de Franquelim Alves divulgado pelo Governo com o facto de "toda a gente saber" que este fora gestor da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), proprietária do BPN. Ontem à tarde, a informação passou a constar da página oficial do novo secretário de Estado.»

Puxão de orelhas dado por Passos Coelho ao CDS, a máquina de comunicação do Dr. Relvas regressa ao trabalho, vendo-se forçada a retocar de novo o curriculum de Franquelim Alves. O que havia sido apagado do percurso do novel secretário de Estado no portal do Governo voltou hoje pela manhã a constar… como se sempre lá estivesse estado. Com um pormenor curioso: uma das arrastadeiras do Dr. Relvas socorre-se de uma redacção tal que nos leva a deixar cair uma lágrima, pois fica-se com a convicção de que Franquelim foi quase impelido a entrar para o BPN/SLN (um “convite” de uma quadrilha é sempre mais do que um convite) e colocando-o longe, bem longe, das funções de controlo financeiro que exercia sobre o BPN (saúde, hotéis e retalho automóvel). Isto não pode acabar bem.

Não há elogios grátis

Alexandre Soares dos Santos saiu da sua reforma dourada para lisonjear Franquelim Alves. O patrão da Jerónimo Martins, que desconhecia que Franquelim Alves tinha sido um distinto administrador do BPN/SLN, considera que o novo secretário de Estado é um homem “competentíssimo e seríssimo”. Não deveria Soares dos Santos ser mais parco nas palavras, quando se sabe que caberá a Franquelim Alves, segundo Bernardino Soares, tutelar uma estrutura que tem por função conciliar os interesses das grandes distribuidoras e dos pequenos produtores, para evitar precisamente o esmagamento destes?

"Refundação" do Estado Social

Sábado, 17.01.2013

O novo juramento segundo Franquelim

Imagem do Público (hoje)

Por ocasião da tomada de posse do novel secretário de Estado, Franquelim Alves, foi alvitrada uma nova fórmula para a declaração de honra. Reza assim:
    “Eu, (Franquelim Alves), declaro solenemente pela minha honra que, desta vez, denunciarei crimes de que tenha conhecimento no exercício de funções contra os interesses do Estado português. Mais declaro que até o farei num prazo inferior a seis meses.”

Da série "O governo/BPN" (4)

A direita espanhola inventou um esquema de financiamento ilegal por baixo da mesa. A direita portuguesa foi mais expedita: criou um banco.

Entretanto, meteu um dos ex-administradores no governo. Les beaux esprits se rencontrent

Da série "O governo/BPN" (3)


Aparentemente na administração do BPN o lema era: não ver, não ouvir, não falar. Só roubar.

Da série "O governo/BPN" (2)


Já o CDS e Paulo Portas têm uma visão turística da ética política: visita-se segundo as conveniências mas, de preferência, por pouco tempo.

Da série "O governo/BPN" (1)

Afinal PPC sabia muito bem o que estava a dizer quando afirmou que a remodelação era um assunto sem “dignidade”. De facto, ao incluir no Governo da República um membro da quadrilha que geriu a SLN/BPN, realizou uma remodelação manchada indelevelmente pela indignidade.

A mão visível

Sem-abrigo, uma carreira aliciante

• João Pinto e Castro, Como tornar-se um sem abrigo de sucesso:
    ‘A constatação do fascínio que a vida dos sem-abrigo exerce sobre tantos altos executivos coloca às empresas que eles dirigem um angustioso dilema. Não é ético condicionar a liberdade de alguém, mais a mais quando está em causa a tentativa de dar significado espiritual à sua vida. Porém, a dificuldade que os aspirantes a sem-abrigo têm em assumir a sua vocação pode prejudicar o seu desempenho enquanto hesitam e, por isso, inibir a criação de valor para os accionistas. Eventualmente, a neurose (que é só um problema do próprio) pode evoluir para psicopatia (que ameaça os outros). Que fazer?

    Em primeiro lugar, é recomendável que os accionistas e pares do sujeito estejam atentos aos sintomas precoces do distúrbio, incluindo desinteresse pelas opiniões dos outros, obstinação extrema, alheamento do senso comum, recusa de rever as suas opiniões e atitudes, insensibilidade ao sofrimento alheio e incapacidade de pedir desculpa.

    Confirmada a condição neurótica, deverão aceitar o facto sem mais delongas, incitar o CEO a seguir a sua vocação e prepará-lo para a sua nova vida, se necessário ajudando-a a adquirir a indispensável formação. Acima de tudo, o candidato a sem-abrigo deve evitar a mediocridade e manter a sua ambição. Desde que convenientemente treinado e motivado, há todas as condições para que, também na nova carreira que abraçou, ele venha a revelar-se um homem de sucesso.’

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

"Estamos a perder instrumentos para fazer uma reestruturação de baixo custo, eficiente, rápida"

O economista Ricardo Cabral, professor na Universidade da Madeira, dá hoje uma entrevista ao Público. Eis algumas passagens:
    Acredita na capacidade de Portugal garantir um regresso aos mercados sustentado?
    A trajectória da dívida portuguesa é insustentável. Bastam pequenos desvios de um ponto percentual na taxa de juro média e de um ponto percentual na taxa de crescimento e a dívida, em percentagem do PIB, cresce, em vez de diminuir. E o problema não é só a dívida pública, é sobretudo a dívida externa. De facto, o ajustamento externo exigido é muito superior ao ajustamento orçamental: 13,6% do PIB entre 2007/08 e 2017, mais de três vezes a melhoria do saldo orçamental nesse período. Ou seja, o plano da troika é que um país, que nos últimos 236 anos teve somente sete anos com superávites comerciais, se torne num país com um desempenho no sector externo superior à média histórica da Alemanha, numa altura em que vários dos seus principais parceiros comerciais - nomeadamente a Espanha - estão a implementar programas de ajustamento com objectivos idênticos. (…)

    Não acredita que estejamos a ganhar competitividade com os cortes laborais?
    Não me parece que o país ganhe competitividade baixando os salários. Este sacrifício absurdo que estamos a fazer destrói a procura interna e em resultado está a destruir algumas das nossas empresas mais competitivas. Uma empresa exportadora não vive só do mercado externo, vive também do mercado doméstico. Temos empresas como a Bial ou a TAP que exportam, mas também têm receitas cá e têm fornecedores nacionais. Por isso, sofrem na pele as consequências de terem uma recessão económica grave cá em Portugal.

    (…)

    Se a dívida pública e a externa não são sustentáveis, como se explica que Portugal esteja aparentemente a conseguir ensaiar um regresso aos mercados?
    Deve-se notar que a operação realizada foi preparada pelo Governo português e é apenas uma gota de água num oceano de dívida a refinanciar (cerca de 1% da dívida total). É possível que o Estado consiga, pelo menos no início, refinanciar-se nos mercados. Contudo, iludem-se aqueles que pensam que será possível o regresso aos mercados mesmo com o apoio da FEEF e do programa OMT. Não existe liquidez suficiente no mercado de dívida soberana nacional. Isto ocorre fundamentalmente porque os grandes investidores institucionais estão proibidos, pelos seus próprios estatutos, de adquirir a dívida nacional, que os impede de comprar títulos com rating lixo, que é o rating que a dívida portuguesa terá nos tempos vindouros. Na minha perspectiva, uma reestruturação de dívida é inevitável.

    Uma reestruturação juntos dos privados, somente?
    O sector oficial tem já um peso demasiado elevado no conjunto da dívida nacional e teria também de sofrer uma reestruturação de dívida, para minimizar as perdas que são impostas a todos os credores.

    E quanto mais rapidamente, melhor?
    Sim, até porque estamos a transformar dívida pública que é regida pela lei nacional em dívida que é regida por leis de Londres ou de Nova Iorque. Estamos a perder instrumentos para fazer uma reestruturação de baixo custo, eficiente, rápida, que foi o mecanismo utilizado no caso grego, em que fizeram a reestruturação de dívida em meses. Porquê? Porque a lei aplicável era a grega. No caso português era assim, mas estamos a passar uma quota-parte cada vez maior da nossa dívida para o sector oficial e a renegociação dessa dívida será muito mais difícil.

Há muita falta de memória na banca e nos banqueiros

Carlos: — Essa memória, Ricardo, já teve melhores dias. Estarás com falta de vitamina B1? Deixa-me cá fazer-te um teste para ver se desta vez passa.

Franquelim, o tranquilo

Primeiro foi o próprio Franquelim Alves que veio declarar-se "tranquilo" com a sua entrada para o governo. Depois, o alegado primeiro-ministro vem acentuar que está "muito tranquilo".
Admitamos que sim, que estão tranquilos e muito. O problema não é esse - com Franquelim Alves no governo quem não está tranquilo somos nós.

Novas da coligação

Diogo Feio, do CDS-PP, vê “com muita simpatia” eventual candidatura de Rui Moreira à Câmara Municipal do Porto.

Franquelim, o amigo Fantasia e o BPN

Negócios de Fantasia que, segundo a SIC, originaram dívidas ao BPN

Quando se apercebeu das fraudes no BPN, Franquelim Alves preferiu mantê-las em segredo em lugar de as comunicar ao Banco de Portugal. Por “prudência”, disse ele. Deleite-se, caro leitor, a ler a acta da audição de Franquelim Alves na comissão de inquérito à fraude no BPN [via Pedro Sales].

O documento transcreve as declarações de Franquelim Alves (até à pág. 147) e, logo em seguida, o que Fernando Fantasia — o amigo com que Cavaco Silva permutou moradias — disse na mesma comissão parlamentar de inquérito. Dois em um.

Franquelim, o PCP e Cavaco


É, de facto, inadmissível que Franquelim Alves possa fazer parte de um governo da República. Por isso, faz todo o sentido que o PCP tenha apelado ao Presidente da República para que se recusasse a empossar Franquelim Alves. Mas, ironia das ironias, o Presidente da República é Aníbal Cavaco Silva. E Franquelim Alves tomou posse.

Franquelim e o Álvaro, advogado de defesa

A máquina de comunicação do Dr. Relvas incumbiu o Álvaro de sair a terreiro em defesa de Franquelim Alves. Ontem, quando “fonte da direcção” do CDS se mostrava “incrédula” e “indignada” com a nomeação de Franquelim Alves, o nosso truculento Álvaro usou da palavra (com a verve a que nos habituou): “É chegada a hora de dizer ‘BASTA!’” às insinuações lançadas. E o Dr. Portas, fica-se?

Franquelim e o curriculum censurado em São Bento

Qualquer pessoa que acompanhe o que acontece neste país não desconhecia o cadastro de Franquelim Alves, em especial quando ele sonegou ao Banco de Portugal as ilegalidades cometidas no BPN. O próprio Franquelim fez questão de esclarecer, em declarações à Lusa, que não apagou do seu curriculum o seu percurso profissional: “Não faço a mínima ideia a que currículo o PCP se esta a referir. Genericamente tenho sempre assumido as minhas funções em todas as frentes, toda a gente sabe onde trabalhei.”

A verdade é que no curriculum de Franquelim Alves distribuído à comunicação social aparece omitida a sua passagem pelo BPN/SLN. Presume-se das palavras de Franquelim que coube à máquina de comunicação do Dr. Relvas a tarefa de retocar o percurso do ex-administrador do BPN/SLN.

Razão tinha Passos Coelho quando afirmou que a remodelação de mais uma leva de secretários de Estado era uma questão sem “dignidade.”

Franquelim e o PSD


Contam os media que Franquelim Alves entrou no BPN/SLN pela mão de Joaquim Coimbra, accionista deste banco, que, em simultâneo, é accionista do Sol e também uma figura de destaque no PSD, tendo sido membro da Comissão Política de Durão Barroso e de Marques Mendes e do Conselho Nacional de Manuela Ferreira Leite.

Esta pequena história que envolve Franquelim Alves e Joaquim Coimbra mostra como não há “cortes epistemológicos” entre as várias facções do PSD e que o que as liga são os negócios.

domingo, fevereiro 03, 2013

Franquelim e o CDS


O CDS continua a fingir que não faz parte do Governo. Na sexta-feira, foi Nuno Melo, o vice-presidente que dirige o CDS-PP enquanto Portas dá a volta ao mundo a fazer diplomacia económica, a mostrar-se incomodado com a nomeação de Franquelim Alves. Hoje, o CDS-PP foi mais longe: em declarações ao DN, “fonte da direcção” do partido mostra-se “incrédula” com a decisão do alegado primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de propor a nomeação de Franquelim Alves, ex-administrador no grupo Sociedade Lusa de Negócios/Banco Português de Negócios (SLN/BPN) para secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação. E a tal “fonte da direcção” deixa duas perguntas:
    • “Como é que uma figura que esteve no centro do processo BPN, um caso de polícia, a grande polémica do regime que explica em muito o estado a que este país chegou, que subtraiu dinheiro a depositantes e accionistas, seja escolhido para integrar o elenco do governo, numa altura em que os portugueses estão a pagar, com enormes sacrifícios, esse buraco de cinco mil milhões?"
    • “Como é que alguém que sai da administração de Oliveira e Costa e de Abdool Vakil, que reconheceu que não informou o Banco de Portugal sobre a situação real do banco, que é co-responsável por essa gestão desastrosa, pode ser secretário de Estado?
Apesar de mandar dizer que está indignado, Paulo Portas continua no Governo.

“O Estado social em que estou a pensar é um Estado com redistribuição de rendimentos”

Passagens da entrevista do constitucionalista Gomes Canotilho à edição de hoje do Público:
    - E para isso não é preciso mudar a Constituição? Passos Coelho quis mudá-la, mas o projecto ficou pelo caminho...
    - Um dos problemas da revisão falhada é que verdadeiramente não apontava para a redução das despesas do Estado, mas para a transferência de dinheiros do sector público para o sector privado. Não sou contra alguns sistemas de transferência do público para o privado para manter a protecção destes bens de que estamos a falar. Agora, o que a reforma escondia era uma opção ideológica. A melhor maneira de discutirmos a reforma do Estado é tornarmos isto transparente.

    (…)

    - A reforma do Estado tem de ser pensada e isso exige tempo.
    - Exige tempo e exige ideias claras sobre o que queremos. Uma coisa é dizer que queremos um Estado social como a Alemanha, a Suécia ou o Canadá. Outra é dizer que o Estado deve ser o Estado mínimo, também em serviços sociais. Aqueles não são Estados mínimos. br>
    - Um governo sozinho, ainda que com maioria absoluta, tem legitimidade para fazer isto?
    - O Estado social em que estou a pensar é um Estado com redistribuição de rendimentos. O Estado social em que eles estão a pensar é o Estado que gasta muito menos e que acredita que, com desenvolvimento económico e social, automaticamente vamos ter rendimentos para estas despesas sociais. De que é que estamos a falar quando se discute esta reforma do Estado?

“O essencial do problema é de natureza programática e de protagonistas”

• Pedro Adão e Silva, Um navio magnífico [ontem no Expresso]:
    ‘Vale a pena sublinhar que as dificuldades de afirmação que o PS tem tido são fruto de tudo menos de falta de unidade interna. O essencial do problema é de natureza programática e de protagonistas e tem tanto a ver com o passado como com o futuro.’

Ulrich, a genuflexão de Passos e a rédea curta dos anarco-radicais

Passos Coelho não levanta a cabeça ao referir-se às declarações de Ulrich

1. Aparecendo com a pança cheia de euros, uma boa parte dos quais com origem em rendas da dívida da República, Fernando Ulrich fez, mais uma vez, declarações monstruosas que revelam a natureza da chamada elite cá do sítio — não lhe chega ser mimada, na expressão de Buffett, mas convence-se que a extorsão do povo corresponde à ordem natural das coisas.

2. Convocado no debate quinzenal de sexta-feira a repudiar as palavras do presidente de um banco socorrido pelos contribuintes portugueses, Passos Coelho, na sua qualidade de alegado primeiro-ministro, escusou-se a fazê-lo, com um daqueles raciocínios básicos a que nos habituou: disse ele não ser cliente nem acionista do BPI.

3. Mas as declarações de Ulrich revelam também que ele não tem em grande conta os pinotes dos anarco-radicais lusitanos. As gabarolices dos Renatos Teixeiras estão confinadas às redes sociais. É por isso que o descaramento de Ulrich mostra que ele sabe que não terá de se preocupar nem sequer com a distribuição de uns panfletos à porta das agências do BPI.

Da tralha cavaquista

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Parlamento aprova grelha da RTP do Dr. Relvas


É bom reflectir sobre o que Isabel Moreira aqui diz.

E a “refundação” ainda não se faz sentir

Gráfico do Público

O Eurostat divulgou os dados do desemprego em Dezembro de 2012 na União Europeia. Coisa nunca vista em Portugal: a taxa de desemprego bateu um novo máximo, situando-se, em Dezembro de 2012, em 16,5 por cento. Num ano, a taxa de desemprego subiu 1,9 pontos percentuais.

Esta escalada faz com que, em Dezembro de 2012, já esteja ultrapassada a taxa de desemprego prevista pelo Governo para 2013 (16,4 por cento) — o que é mais um indicador da consistência do cenário macroeconómico concebido por Vítor Gaspar.

Ir além da troika

Da tralha cavaquista

Entrevista de Isaltino Morais ao DN (em 4 de Setembro de 2009):


    E se não ganhar as eleições?
    Perdi.

    Nesse cenário, o que irá fazer?
    Há tanta coisa para fazer! Mas vou ganhar, porque os oeirenses são pessoas gratas. Não sou dos que dizem que não há gratidão em política. Nunca senti ingratidão do povo. Senti-a sempre dos meus companheiros de partido, daqueles a quem fazemos favores políticos. Nunca é do povo, porque ele sabe dar o voto a quem o merece.

    Favores políticos, resposta para ser lida por Marques Mendes?
    No caso encaixa muito bem... Vê como acertou?

    Que favores foram esses?
    É preciso dar o verdadeiro sentido à expressão. Em 1999, convidei a Manuela Ferreira Leite (pela sua competência) para presidir à Universidade Atlântica, mas na altura ela estava a dirigir o ISLA. Ficou muito reconhecida, mas disse-me que não tinha disponibilidade. Ela era vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, que era presidido pelo Marques Mendes, e terá tido uma inconfidência com ele, contando-lhe do meu convite. Nesse mesmo dia, o Marques Mendes pediu para falar comigo e veio dizer-me que esse era o lugar ideal para ele, porque estava com algumas dificuldades, o Durão Barroso não o ia mandar para o Parlamento Europeu, e gostaria muito que eu o indicasse. Nunca tinha pensado nele. Na altura fui sensível e nomeei-o.

    E acedeu porquê?
    Porque não digo que ele fosse incompetente para o lugar, só não tinha pensado nele, mas do ponto de vista político fez sentido. No entanto, quem o ouvir falar fica com a impressão que nunca pediu nada a ninguém… Não tenho rancor a ninguém. Quando me referi a favores, era este tipo de situações. Como calcula, do ponto de vista ético, quando ouvimos agora falar determinadas pessoas, dá a impressão que são absolutamente assépticas em matéria de influências e de colocação de amigos.

    Favores normais na política?
    Repare… O comandante Azevedo Soares só foi nomeado para a administração das Águas de Portugal porque o Marques Mendes insistiu muito comigo para eu o nomear, porque eu tinha a tutela enquanto ministro do Ambiente. E as pressões que fez foram brutais, ao longo de meses, porque o comandante não tinha qualquer perfil para ser administrador da empresa.

E pur si muove

Congelamento das admissões e promoções no Estado:

Leituras