terça-feira, março 05, 2013

Consultor do Presidente da República…

… desmonta “pretexto” de Arménio Carlos para aderir ao PCP.

Dois em um

Passado o fim-de-semana da manifestação, o Governo começa a plantar notícias (v.g., aqui e aqui) para preparar os portugueses para o que aí vem. Com um propósito adicional: pressionar os juízes do Tribunal Constitucional para que estes não façam estragos para além da Contribuição Extraordinária de Solidariedade aplicada aos pensionistas (420 milhões de euros).

Está em causa um orçamento do Estado que o próprio Vítor Gaspar já disse, 50 dias após ter entrado em vigor, que não será cumprido. O Tribunal Constitucional está a analisar a constitucionalidade de dez medidas do Orçamento do Estado para 2013 no valor de 5.100 milhões de euros.

♪ Grândola, Vila Morena [4]

segunda-feira, março 04, 2013

What is Italy Saying?

• Joseph E. Stiglitz, What is Italy Saying?:
    ‘The European project was, and is, a great political idea. It has the potential to promote both prosperity and peace. But, rather than enhancing solidarity within Europe, it is sowing seeds of discord within and between countries.

    Europe’s leaders repeatedly vow to do everything necessary to save the euro. European Central Bank President Mario Draghi’s promise to do “whatever it takes” has succeeded in providing a temporary calm. But Germany has consistently rejected every policy that would provide a long-term solution. The Germans, it seems, will do everything except what is needed.’

Lelé da cuca

E o governo português não quer nada?!

Le Monde, na edição de amanhã (clique na imagem)

Presidente emérito

Altos e baixos do Expresso


O que a gente aprende na última edição do Expresso:
    • A figura mais relevante da semana é Adolfo Mesquita Nunes, porque fez um discurso em que se assumiu como liberal;
    • Marques Mendes, que já anda nesta vida desde que Eurico de Melo o foi desencantar na JSD, “já é um político de primeira água” porque assinou contrato com a SIC, depois de se ter transformado num drone que voa baixinho de gabinete em gabinete ministerial.

A palavra aos leitores


Sobre o artigo de João Carlos Espada na edição de hoje do Público:
    Twitter de Serras: “o espada ainda se arrisca a ser citado no @corporacoes. só para termos noção onde chegámos.”

    De e-mail enviado por Joaquim Fonseca: “O artigo de João Carlos Espada bem que poderia ser hoje citado no CC. A crise torna as pessoas mais lúcidas…”

    De SMS de um amigo: “Hoje é o dia em que o Espada vai ser citado no CC. Tu já leste o que o tipo escreveu? O mundo mudou. Mesmo.”

"Este Governo não é legítimo nem democrata"

• Mário Soares, E agora? [hoje no Público]:
    ‘O Governo continua alegremente a roubar as pensões dos portugueses, que nunca pertenceram ao Estado, nem muito menos ao Governo, dado que anos a fio os portugueses descontaram para garantir o seu futuro e o dos seus filhos. Não falando nos impostos, a aumentarem sempre, as vendas a retalho - como? e porquê? - do nosso património.

    Que tem isto - e tantas outras pseudorreformas - que ver com a democracia? Claro que nada.

    Por isso, este Governo não é legítimo nem democrata. Pelo contrário, está contra o povo, é inimigo dos pobres, está a destruir a classe média, acha que as melhores cabeças, saídas das nossas excelentes universidades (que aliás o Governo está a pôr em dificuldades), devem emigrar.

    É um Governo que está a destruir Portugal, ignorando a democracia, visto que não dialoga nem ouve o povo. Por isso se tornou ilegítimo. Só sai à rua rodeado de seguranças. Dos militares aos médicos, dos sindicalistas aos professores, dos intelectuais aos mais pobres, todas as classes - até os mais abonados - estão contra o Governo, com a única exceção dos "papagaios" que o servem e se servem.

    O Governo tem de se demitir. Esta é a boa oportunidade para o fazer, antes que o Tribunal Constitucional se pronuncie, os portugueses se enfureçam e a democracia desapareça, porque os partidos também estão todos a ser criticados. Porque se não for a bem - enquanto o "Povo é sereno" -, será a mal, com o povo indignado, como sucedeu no fim da monarquia...’

O novo mundo do protesto

• Pedro Adão e Silva, O novo mundo do protesto [na última edição do Expresso]:
    '(…) há um conjunto de ilusões associadas a estas novas formas de participação.

    A primeira das quais é a ilusão criada pelas redes sociais. O Facebook, os blogues e o Twitter potenciam formas de expressão política ambicionadas há séculos – não intermediadas, diretas e individualizadas. Mas se estas formas de participação podem ser muito expressivas, não são, no entanto, capazes de funcionar como válvulas de escape para o descontentamento. Pelo contrário, as redes sociais acabam por funcionar como repositórios de tensões e ressentimentos, em lugar de promoverem a sua superação.

    Mas, talvez, a maior das ilusões se prenda com o efeito das novas manifestações. Seja nas redes sociais ou, hoje, nas ruas do país, a força dos protestos não se traduz em mudança política efetiva. Não apenas porque há contradições politicamente insuperáveis entre quem se manifesta, mas, no essencial, porque não há (ainda) quem interprete os protestos e quem os traduza num programa político alternativo.

    Não nego a importância do protesto baseado na recusa do que existe, mas, sem alguém que o represente organicamente, a sua eficácia é reduzida. Ora, o problema é precisamente esse: as formas tradicionais de representação de interesses já não são vistas como representativas, mas ainda não foram encontradas novas formas, capazes de organizar a mudança. O que só consolida a natureza radicalmente nova da crise que enfrentamos.'

♪ Grândola, Vila Morena [3]

Leituras

domingo, março 03, 2013

Na falta de convite para visitar feiras na Índia...

… Paulo Portas leva uma comitiva para inaugurar… um ginásio da VivaFit, num centro comercial em Guargaon.

Há-de chegar o dia em que alguém se lembre de pedir ao presidente do “partido do contribuinte” que apresente um relatório com os resultados das inúmeras viagens que fez ao estrangeiro a coberto da “diplomacia económica”.

Do “milagre económico alemão” à situação dos países do Sul

O artigo do Público sobre o perdão da dívida da Alemanha faz uma breve referência a uma polémica entre Albrecht Ritschl e Hans-Werner Sinn. O mesmo Hans-Werner Sinn que dá uma entrevista ao diário El País, na qual adianta que a Grécia está com um pé fora do euro e que Portugal está numa situação similar:
    El FMI, que no es precisamente heterodoxo, defiende la mutualización. Y mantiene que el exceso de austeridad europeo es contraproducente.
    En la zona euro la austeridad es inevitable. Es un proceso extremadamente difícil, pero no hay alternativa. Algunos querrían menos ajustes. Lo entiendo. Pero menos austeridad supondría menos sufrimiento ahora a cambio de más dolor en el futuro y de aumentar el riesgo de ruptura del euro. No hay que hacerse ilusiones con el dolor que viene. Será duro. Las devaluaciones internas pueden ser crueles. Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro.

    Es el caso de Grecia, según su tesis. ¿Y España?
    No creo que España tenga que salir. Grecia sí: está en una situación tan desesperada, no podrá prosperar en el euro. Las actuales exigencias europeas sacrifican a una generación a un desempleo masivo. Portugal está en una situación similar.

“Oiçam-nos!”? Não, “Rua!”


    «Uma tarde na Avenida. Esta manifestação, tal como a de 15 de setembro, teve qualquer coisa de onírico. Como se, de repente, uma cidade inteira decidisse, a uma hora certa, encaminhar-se para uma praça. Cada um desceu as escadas do seu prédio, ou o elevador, caminhou despreocupado, silencioso, em marcha de passeio. É uma manifestação de vizinhos, de gente com pouco em comum, "interclassista", novos, velhos, meia-idade. A revolta é calma, não é arrebatadora, nem sequer apressada. Gente que se quer fazer ouvir, e escolhe manifestar esse desejo caminhando silenciosamente. Casacos de peles lado a lado com rastas. Gente que grita contra o FMI e gente que se arrepende de ter votado no Governo. Esta já é a segunda vez que a "demografia" mostra à política que algo se está a passar, e muito depressa. Os partidos do Governo, as instituições que não hibernaram, e os partidos da oposição também, têm de encontrar uma forma de falar com a sociedade. Porque pelo silêncio que hoje se fez ouvir, o ponto de não retorno parece muito próximo.»
      Paulo Pena (via facebook)
    «Se não achassem que serve de alguma coisa sair à rua, as pessoas não sairiam. Não é só para estarmos juntos e aliviar a pressão. Não é só terapia. Há uma determinação de dentes cerrados, de resiliência, de "não nos iremos tão depressa nessa noite escura, nem pensem". Mas também um cansaço com as palavras de ordem, que se gritam poucas vezes, sem convicção. (...) Não é que estejamos tristes, derrotados. É outra coisa. Estamos fartos. Não partimos montras, não lançamos petardos, não queremos pancada com a polícia (que muito pouco se viu). Queremos o fim disto, e já nem temos pachorra para explicar, para inventar gritos novos. É bom que nos oiçam, mesmo calados - porque estamos a dizer chega. E nem nós somos capazes de antecipar o que pode vir depois.»
    «Fui à manifestação. Quem não percebe a abrangência da contestação não percebe nada. As pessoas podem não saber o que querem, mas sabem que não querem isto. Novos e velhos, de esquerda e de direita, pobres e menos pobres.»
      Pedro Marques Lopes (via facebook)

♪ Grândola, Vila Morena [2]

Manif

sábado, março 02, 2013

♪ Grândola, Vila Morena [1]

Um jornal ao serviço dos seus

Numa altura em que volta ao debate a escola de boys & girls passistas em que se transformou o Diário de Notícias, o jornal responde com... uma entrevista a uma sua funcionária, actualmente requisitada para a área do turismo partidário.
O gesto tem a graça de descentrar o debate da ética pessoal (dos boys & girls) para o da deontologia empresarial, em que os dirigentes do jornal promovem estes actos de puro incesto.
Jornalismo giro e fofo, como aquela ideia de ensinar mandarim à malta do trabalho precário que atende "chineses catrogas" na Avenida da Liberdade.

sexta-feira, março 01, 2013

Durão Barroso não tem “vergonha na cara”


Constança Cunha e Sá (vídeo), num comentário à mensagem enviada pelo presidente da Comissão Europeia à conferência da TSF, disse ontem que Durão Barroso não tem “vergonha na cara”.

Quando o presidente da Comissão Europeia se coloca na posição de que não tem nada a ver com o passado e o presente da economia portuguesa, vale a pena avivar-lhe a memória relativamente a duas questões (deixando de lado a política europeia, dado o papel subalterno a que Durão Barroso foi votado por Merkel):
    1. Antes da crise do subprime, foram os Governos do PSD, em especial o de Barroso e o de Santana, os que mais fizeram crescer a dívida, sendo que o de Sócrates foi o único que a reduziu. Pode confirmar-se isso num estudo de Ricardo Reis intitulado O consumo público em Portugal. Um olhar desde 1985. Veja-se também o que diz Luís Reis Ribeiro num artigo intitulado Governo de Barroso foi o que mais subiu dívida antes do subprime.

    2. Quando a Europa se apercebe dos efeitos da maior crise dos últimos 80 anos, procurou, ainda que timidamente, incentivar os governos a apostar no investimento público. O próprio Durão Barroso anunciou um plano de propostas para o relançamento da economia europeia, orçado em 200 mil milhões de euros. Foi nesse contexto que o Governo de então se propôs tomar medidas nos seguintes eixos prioritários: modernização do parque escolar, energias renováveis, eficiência energética e redes de transporte de energia, modernização da infra-estrutura tecnológica (redes de banda larga de nova geração) e reabilitação urbana. Portanto, com o apoio da Comissão Europeia (e de Durão Barroso).

Quebra-cabeças

            Portugal tem povo de marinheiros capaz de superar as maiores tormentas.

Quem fez a declaração que acima se reproduz:
    • Almirante Henrique Tenreiro?
    • Almirante Américo Tomaz?
    • Paulo Portas?
    • Marechal Óscar Carmona?
    • António Ferro?
    • Vítor Gaspar?
    • Embaixador Franco Nogueira?
Confirme aqui os seus conhecimentos sobre a espuma dos dias.

Até amanhã


Secção laranja do DN: dez já lá estão (formalmente)

Tem mais graça ser uma figura tão insuspeita como João Miguel Tavares a discorrer sobre a secção laranja do DN [hoje no Público, num artigo intitulado E vão 10]:
    ‘Com a ida do jornalista Licínio Lima para a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, elevam-se para 10 - convém repetir este número: dez - os jornalistas que transitaram da redacção do Diário de Notícias para cargos de nomeação directa do Governo de Pedro Passos Coelho. Por ordem alfabética: Carla Aguiar é assessora do ministro da Administração Interna, Eva Cabral é assessora do primeiro-ministro, Francisco Almeida Leite é vogal da administração do Instituto Camões, João Baptista é assessor do ministro da Economia, Licínio Lima foi nomeado para director-geral adjunto de Reinserção, Luís Naves é assessor de Miguel Relvas, Maria de Lurdes Vale é administradora do Turismo de Portugal, Paula Cordeiro é assessora do ministro das Finanças, Pedro Correia é assessor de Miguel Relvas e Rudolfo Rebelo é assessor de Pedro Passos Coelho. Espero não me estar a esquecer de ninguém.

    (…)

    Enquanto os portugueses são espremidos de segunda a domingo, e Pedro Passos Coelho utiliza discursos comoventes sobre a necessidade de modificar a mentalidade da pátria, o que se vê nas estruturas do Estado é o mesmo de sempre - ou até um bocadinho pior, porque saltarem dez jornalistas de uma única redacção deve ser algo inédito na história da democracia portuguesa. Pela boca morre o peixe, e pela boca há-de morrer este Governo, que é incapaz de manter a elevação ética necessária para impor os níveis gigantescos de sacrifícios que os portugueses estão a suportar. Promulgam-se novas leis laborais, exige-se a perda de velhos hábitos, tudo se quer flexibilizar, mas o círculo dos protegidos, esse continua ao abrigo de todas as tempestades.’

Estado Social — Educação [1]

Passos Coelho foi à Faculdade de Direito de Lisboa, de onde foi arrancado a ferros por um batalhão de seguranças, para atacar o Estado Social. Vale a pena observar os gráficos elaborados por Pedro Marques para a sua intervenção na Convenção das Misericórdias em Braga, que permitem avaliar os custos e os resultados do Estado Social.

Passos Coelho…

… tem os assessores que merece.

O CDS e as bejecas

O Governo assegurou que iria proibir a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. Logo o presidente da Associação de Produtores de Cerveja, Pires de Lima, que é também presidente do conselho nacional do CDS-PP, qualificou a “proposta proibicionista” como “completamente disparatada”. A bancada do CDS-PP secundou-o, considerando esta proibição “uma restrição das liberdades gerais”.

O Governo recua, descobrindo subitamente que há bebidas alcoólicas boas (cerveja e vinho) e bebidas alcoólicas más (bebidas espirituosas). Aos 16 anos, os jovens podem encharcar-se em cerveja.

Desemprego

Nem a Comissão Europeia suspeitava ser possível atingir uma taxa destas.

“Ir além da troika” — a saúde pública

Os portugueses estão a ir menos aos centros de saúde e aos hospitais. Os dados mais recentes mostram que em 2012 houve uma diminuição significativa das deslocações às urgências hospitalares (menos 495.462 atendimentos) e às urgências nos centros de saúde (menos 828.918 atendimentos) e uma quebra brutal das consultas presenciais nos centros de saúde (menos 1,7 milhões).

Leituras