quarta-feira, março 20, 2013
Dos limites da liberdade de imprensa
A inacreditável entrevista que Belmiro de Azevedo deu ao Público e a defesa que fez de um modelo de salários de miséria deveriam merecer mais do que uma alusão asséptica às suas declarações. Não é uma crítica aos jornalistas. É apenas a verificação dos limites da liberdade de imprensa.
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Fica a discutir bola
Tribunal diz que Seara não se pode candidatar a Lisboa. E agora, avança o próprio Dr. Relvas, que inventou este “candidato”? Ou Judite de Sousa, que teve um papel activo no golpe dos banqueiros para destituir Sócrates? Ou mesmo Paulo Futre, que passaria assim de candidato a presidente da Junta de Freguesia de Campolide a candidato a presidente de Câmara?
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Estamos em guerra
• Pedro Nuno Santos, Estamos em guerra:
- ‘(…) Sim, também temos as nossas armas. A principal arma de um devedor é a própria dívida e, em nenhum momento, deve sair de cima da mesa das negociações. Não é no entanto a única. Uma verdadeira negociação entre estados, para ter sucesso, não pode ficar confinada a quatro paredes. Portugal deve fazer pressão pública, promover ativamente alianças com outros países, aproveitar a energia dos protestos dos portugueses como instrumento de pressão negocial e, em última análise, rejeitar mesmo a aceitação de condições de ajustamento suicidas. (…)’
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terça-feira, março 19, 2013
170 mil euros
O Dr. Relvas está em todo o lado. Hoje publica um artigo enorme no Diário Económico sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação na Administração Pública, para nos dar conta de que tomou uma medida que “permitiu gerar uma poupança anual (…) estimada em 170 mil euros/ano” no âmbito da “função informática”. No dia em que uma sua medida permita uma redução de um milhão de euros, o Dr. Relvas escreve um artigo que ocupe o jornal de fio a pavio?
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Events, dear boy, events¹…
Uma nota breve dirigida aos críticos de A. J. Seguro, aos mais jovens, aos menos jovens, aos bloguistas apressados e a outros escribas acocorados, sobre três erros básicos em matéria de estratégia política:
Finalmente, também não deixa de ser um erro comum pensar que quem comete estes erros alguma vez os reconheça como tais.
________
¹ Knowles, Elizabeth M. What they didn't say: a book of misquotations. OUP, N.Y. 2006. p. vi.
- a) É um erro confundir acção com agitação. (Essa é a especialidade da extrema esquerda).
b) É um erro pretender ter razão antes do tempo e querer actuar em função dessa ilusão.
c) É um erro, e uma ingenuidade, acreditar que um líder de sucesso tem a capacidade para criar os ‘acontecimentos’. Não tem. O que tem, isso sim, é sentido de oportunidade. Events, dear boy, events…
Finalmente, também não deixa de ser um erro comum pensar que quem comete estes erros alguma vez os reconheça como tais.
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¹ Knowles, Elizabeth M. What they didn't say: a book of misquotations. OUP, N.Y. 2006. p. vi.
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O modelo desenvolvimento que quero é…
Na hora actual, percebe-se melhor a oposição do patrão da Sonae aos governos de Sócrates e o apoio entusiástico a Passos Coelho: Belmiro de Azevedo defende que só há emprego com "mão-de-obra barata".
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O princípio do fim da União Europeia
A decisão sobre Chipre marcou o dia em que a Europa regressou ao século XIX.
De facto, já pouco ou nada distingue a actual situação na União Europeia daquela que Bismarck, a propósito da crise austro-prussiana, caracterizou do seguinte modo: “Austria was no more in the wrong in opposing our claims than we were in making them¹.”
A Europa está, novamente, a ser confrontada com a escolha fatal entre a necessidade de acomodar as ‘obsessões alemãs’ ou a indignidade de se sujeitar à ‘agressão alemã’. O que está em curso é a imposição de um novo Zollverein cujas consequências serão tão ou mais funestas que as anteriores.
Não espanta, por isso, que aquele que é, talvez, o último representante no Conselho Europeu do espírito fundador da União Europeia, tenha afirmado que os velhos demónios da Europa andam de novo à solta. E o que sabemos, é que uma vez à solta, não será fácil encerrá-los de novo, tal a predominância do espírito conformista e apaziguador da actual elite governativa europeia.
Com a soberba, que só a ignorância histórica ou a cegueira ideológica permitem, o directório europeu repete, passados mais de dois mil anos, o comportamento da delegação ateniense na pequena ilha de Melos: nós os grandes e poderosos não temos outra opção senão impedir a vossa ‘neutralidade’, mas vós, que sois pequenos e fracos, tendes a liberdade de escolher entre a submissão e a destruição.
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¹ A.J.P. Taylor, The Origins of the Second World War, p.4
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Ainda que mal pergunte… [139]
Haverá mesmo grandes diferenças entre V. Gaspar e M. Relvas?
É que se na opinião do Prof. Marcelo – ele próprio uma espécie de quiromante – o ministro Gaspar “parece um astrólogo”, então, o ministro Relvas, que “parece um licenciado”, sempre fica melhor na fotografia…
É que se na opinião do Prof. Marcelo – ele próprio uma espécie de quiromante – o ministro Gaspar “parece um astrólogo”, então, o ministro Relvas, que “parece um licenciado”, sempre fica melhor na fotografia…
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Da série “Não me sai da cabeça” (1)
Ser ou parecer? PPC é mesmo parvo ou faz figura de …
Para PPC o desemprego é uma ‘oportunidade’, a recessão é uma ‘oportunidade’, a crise é uma ‘oportunidade’, enfim tudo lhe parece uma ‘oportunidade’.
De facto este primeiro-ministro ocasional não perde uma oportunidade para fazer figura de parvo. Ou será que não tem outro remédio senão parecer aquilo que na realidade é?
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A guerra dos sabe-se lá quantos anos
• João Pinto e Castro, A guerra dos sabe-se lá quantos anos:
- ‘Parece inegável que o desbloqueamento das economias ocidentais exige uma desvalorização generalizada da dívida, seja através de negociações caso a caso, seja através de um aumento generalizado dos preços (vulgo inflação). Uma operação desse tipo implicaria, porém, uma massiva redistribuição de rendimentos dos credores para os devedores, razão por que é obstinadamente recusada por quem detém as rédeas do poder político e económico.
Viremo-nos agora para o outro lado do problema, ou seja, para a crise especificamente europeia. Ao contrário da anterior, esta é, na sua essência, uma crise política com um pretexto económico, fabricada de todas as peças pelo governo alemão coadjuvado pelo BCE, quando, em 2010, ao julgar ter resolvido o seu particular problema doméstico, lançou a palavra de ordem "cada um por si".
(…)
A única coisa segura é que a UE se encontra em processo acelerado de desagregação, como ainda neste último fim-de-semana o Ecofin se encarregou de nos lembrar ao aprovar o tresloucado acordo imposto a Chipre que transforma todos os seus cidadãos em membros da comissão de honra para a reeleição da Prof. Drª Angela Merkel.
Que fazer? Sair do euro não é, por enquanto, uma opção atraente. Porém, as estimativas que há dois anos nos ameaçavam com uma quebra dos salários da ordem dos 30% em tal eventualidade estão em vias de ser ultrapassadas pela realidade - e ninguém nos garante que ficaremos por aqui.’
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"Gaspar não é incompetente. Acontece simplesmente que Gaspar não está a trabalhar para nós"
• José Vítor Malheiros, Euro: perda de soberania em troca de menos democracia e de mais pobreza [hoje no Público]:
- ‘A questão é que Vítor Gaspar não está minimamente preocupado com as condições de vida dos portugueses, com o seu emprego ou com o seu nível de vida nem com o seu acesso aos serviços de saúde e educação ou com a sua segurança na velhice e na doença. Vítor Gaspar está antes de mais preocupado em garantir que os portugueses pagarão tudo o que devem aos seus credores estrangeiros, às taxas agiotas que nos forem cobradas, por muito que isso signifique em sofrimento pessoal, em destruição de empregos e falências de empresas, em destruição da economia, em esbulho do Estado, por muito que isso signifique de alienação de património de todos, ainda que isso signifique um recuo de gerações. Além disso, Gaspar também quer que os salários dos portugueses baixem drasticamente para aumentar as margens das empresas e para reduzir a capacidade reivindicativa dos trabalhadores (infelizmente para Gaspar e felizmente para nós, os neoliberais portugueses não contam com a ajuda de uma ditadurazinha militar como na América do Sul, para partir a espinha à contestação).
É por isso que Gaspar considera que estamos "no bom caminho" e se alegra por termos reforçado a nossa "credibilidade externa" e imagina que as manifestações de protesto são manifestações de apoio. A única preocupação de Gaspar é garantir que os portugueses se mantêm suficientemente activos para poder pagar aos credores e suficientemente passivos para permitir que o Governo os roube sem tugir nem mugir. Como isso tem acontecido, o seu principal objectivo tem sido alcançado. Tudo o resto - o desalento, o sofrimento, a doença, a miséria, os suicídios, a emigração forçada - é secundário. Gaspar é o capitalismo financeiro sem pátria em toda a sua brutal franqueza: a dívida é a mercadoria por excelência e o ministro e o Governo fazem o que podem para que os seus patrões continuem a vender a sua mercadoria ao preço mais alto possível, tendo apenas o cuidado suficiente para que os clientes não morram ou declarem bancarrota, caso em que os vendedores deixariam de poder vender.
Gaspar está um pouquinho desapontado com o desemprego mas no cômputo geral está satisfeito com o que conseguiu e os seus patrões vão certamente fazer-lhe uma atençãozinha no bónus de fim de ano. Gaspar não é incompetente. Acontece simplesmente que Gaspar não está a trabalhar para nós. O desemprego, como se viu e se vê, não é uma preocupação da troika.’
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"São os portugueses e Portugal que estão em jogo, com a exceção daqueles que só pensam em servir a troika e os mercados usurários, e ganhar algum pelo meio..."
• Mário Soares, A crise, a democracia e os partidos:
- ‘Vítor Gaspar, na passada sexta-feira, reconheceu, na Assembleia da República, que se enganou em todas as previsões que fez, e não foram poucas. Sempre o disse, mas é bom que o ministro o tenha reconhecido agora. Contudo, insistiu que no mês em curso vai prosseguir - com cada vez maiores dificuldades para os portugueses - com a austeridade, que nos arrasou e está a destruir Portugal. Depois admira-se que os portugueses, em grande maioria, gritem que o Governo acabou e deve demitir-se quanto antes, a bem ou a mal. São os portugueses e Portugal que estão em jogo, com a exceção daqueles que só pensam em servir a troika e os mercados usurários, e ganhar algum pelo meio...’
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• João Jesus Caetano, Troika-tintas:
- ‘A expectativa era portanto que Vítor Gaspar tivesse começado a conferência de imprensa de sexta-feira com um ‘obviamente, demito-me!'. Mas resultou implicitamente que está disponível para continuar a falhar. A falhar mais, e a falhar melhor.’
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segunda-feira, março 18, 2013
“The Cyprus bail-out – Unfair, short-sighted and self-defeating”¹
Uma questão que me deixou curioso no fim-de-semana: qual teria sido a posição do ministro das Finanças português? A verdade é que o delegado da troika no Terreiro do Paço nunca desilude: Gaspar também disse "sim" a imposto sobre depósitos.
PS — João Galamba e Serras ajudam a perceber o que está em causa no confisco cipriota. Entretanto, o Eurogrupo fez saber que será o governo de direita recém-eleito a decidir se são tributados os depósitos inferiores a 100 mil euros.
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¹ The Economist.
PS — João Galamba e Serras ajudam a perceber o que está em causa no confisco cipriota. Entretanto, o Eurogrupo fez saber que será o governo de direita recém-eleito a decidir se são tributados os depósitos inferiores a 100 mil euros.
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¹ The Economist.
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Agonia
Na primeira oportunidade para ouvir Passos Coelho após a 7.ª “avaliação” e a conferência de imprensa de Gaspar, o alegado primeiro-ministro disse umas coisas sobre o corte dos 4.000 milhões num anfiteatro quase às moscas.
Paulo Portas, incumbido por Passos Coelho de preparar a “reforma” do Estado, está em parte incerta.
Vítor Bento, a primeira escolha de Passos Coelho para ministro das Finanças, recusou-se a participar na paródia da conferência sobre a “reforma” do Estado.
Cavaco Silva, com o sentido de oportunidade que se lhe reconhece, também se demarcou à última hora deste evento dos estarolas.
Um navio prestes a ser deixado à deriva em alto mar?
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A refundação — take 2
Depois do fracassado evento de Moedas & Sofia Galvão para encontrar argumentos junto da “sociedade civil” para o corte dos 4.000 milhões de euros, o Governo voltou-se para o “meio académico”, encomendando ao Instituto Superior de Ciências e Políticas, dirigido por um homem do inner circle de Passos Coelho, umas conferências com o propósito de sempre: cortar 4.000 milhões de euros.
Hoje, perante uma plateia vazia, um Passos Coelho encolhido abriu as hostilidades, lendo, mal e porcamente, um papel que lhe puseram à frente. Anunciou então que a primeira fase da “refundação” dos estarolas se resumiria a deitar pela borda fora um incontável número de “assistentes técnicos” e “assistentes operacionais” (eram 213 mil no final de 2012). Sem um pingo de vergonha na cara, o alegado primeiro-ministro acrescentou que se trata de uma “oportunidade” e não de uma “ameaça”.
Não é Vítor Gaspar que tem de ser demitido. É o Governo.
Hoje, perante uma plateia vazia, um Passos Coelho encolhido abriu as hostilidades, lendo, mal e porcamente, um papel que lhe puseram à frente. Anunciou então que a primeira fase da “refundação” dos estarolas se resumiria a deitar pela borda fora um incontável número de “assistentes técnicos” e “assistentes operacionais” (eram 213 mil no final de 2012). Sem um pingo de vergonha na cara, o alegado primeiro-ministro acrescentou que se trata de uma “oportunidade” e não de uma “ameaça”.
Não é Vítor Gaspar que tem de ser demitido. É o Governo.
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"Os limites da indignação"
• António Correia de Campos, O navio pátrio [hoje no Público]:
- ‘O que resultou da conferência de imprensa de Vítor Gaspar, no passado dia 15, raia os limites da indignação. Depois de ter mergulhado o país em depressão recessiva, com a aplicação, em teimoso e arrogante experimentalismo académico, de medidas que o senso comum identificava como desastrosas (subida absurda do IVA na electricidade e na restauração, cortes antecipados e inequitativos de subsídios, vencimentos e pensões, aumentos generalizados do IRS, privatizações aceleradas e em medíocres condições de mercado); depois de sugerir uma associação de causa a efeito entre a sua política e a melhoria do spread de risco da dívida soberana, esquecendo o efeito decisivo da garantia de Banco Central Europeu (BCE) de comprar, em mercado secundário, toda a dívida soberana de países em dificuldade; depois de ter ignorado as implicações da recessão no desemprego, manifestando enorme surpresa quando elas se tornaram indesmentíveis, dramáticas e irreversíveis; depois de ter falhado sucessivamente todas as previsões macroeconómicas, ao ponto de, em apenas três meses, expor o país a um défice de mais 1,7 milhares de milhões de euros acrescido ao previsto no Orçamento para 2013, de a queda do PIB ter passado de -1 para -2,3%, de o desemprego estimado para o final do ano já ser superior a 1 milhão de trabalhadores activos, de a dívida pública vir a ultrapassar os 124% do PIB, depois de todo este registo de erros, Vítor Gaspar, com a candura do cinismo reincidente, atribui o afundamento da recessão ao alargamento da crise na Europa.’
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Vítor Gaspar
Ir além da troika num "colaboracionismo" rasteiro com os alemães
• José Loureiro dos Santos, É o momento de agir [hoje no Público]:
- ‘Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.
Têm sido inúmeras, quase unânimes, as opiniões dos mais credíveis economistas portugueses e estrangeiros, no sentido de classificarem como contraproducentes as sucessivas medidas tomadas pelo Governo, sem suficiente confronto e entendimento com os interesses nacionais, já que, aparentemente, o ministro com o papel principal na definição e conduta da estratégia de resolução da crise financeira que atravessamos entende serem nossos os interesses alemães que Merkel defende, o parlamento germânico impõe e o respetivo tribunal constitucional monitoriza. E não só, pois vai mesmo além daquilo que os estrangeiros nossos credores nos exigem, numa atitude de inexplicável subserviência com as instituições sob cuja tutela nos encontramos (FMI, BCE e UE). Atitude também (e tão bem) ilustrada pelo "colaboracionismo" rasteiro com os alemães, demonstrado por altos funcionários europeus, alguns deles (lamentavelmente) portugueses.’
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"Eis agora o incêndio"
• Rui Tavares, 1913 [hoje no Público]:
- ‘(…) o atual presidente cipriota tem tão pouco desejo de maçar os seus parceiros russos quanto o seu antecessor comunista. Não só quer obrigar os grandes depositantes a pagar um imposto extraordinário de 9,9% como, profanando o território sagrado da garantias bancárias para os pequenos aforradores, que desde Roosevelt têm servido para impedir corridas aos bancos, pretende efetuar um saque de 6,75% aos depositantes abaixo de 100 mil euros. Para levar isto a cabo, os bancos foram encerrados e as transferências bloqueadas. Mais uma daquelas coisas que "não acontecem na Europa" acabou de acontecer sob os nossos olhos.
Ou seja: estes loucos no poder aproveitaram um período de relativa acalmia para acender um fósforo no paiol. As consequências são imprevisíveis, em particular para as bancas dos países do Sul. Sem garantia bancária e com a possibilidade de um "corralito" à Argentina, estão criadas as condições para uma fuga de capitais como aquela que, entre abril de 2010 e abril de 2011, tirou 78 mil milhões de Portugal e abriu caminho à nossa desgraça.
Há quase cem anos, o grande socialista europeu que foi Jean Jaurès escreveu: "Os povos da Europa andaram pelos caminhos com as tochas na mão; e eis agora o incêndio".’
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Leituras
- • João Cotrim de Figueiredo, A nudez de Gaspar
• Rita Lello, ‘Outplaced’
• Wolfgang Münchau, Itália deve conter os seus instintos e mudar
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O estado do país
Passos Coelho entrou no ISCSP rodeado de um batalhão de seguranças e, de imediato, foi enfiado numa sala para ler um papel sobre a “reforma” do Estado perante uma plateia praticamente vazia. Entre palavreado oco, anunciou, nas entrelinhas, despedimentos e mais cortes salariais para os trabalhadores do Estado. Fora da sala, os estudantes, que foram impedidos de entrar, exigiram a demissão do alegado primeiro-ministro.
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domingo, março 17, 2013
“A tendência para forçar a realidade a conformar-se com os nossos preconceitos ideológicos”
• Pedro Adão e Silva, O que é que vai acontecer? [ontem no Expresso]:
- ‘Para Nate Silver, as previsões falham porque há demasiado ruído (i.e., excesso de informação) que oculta os sinais (i.e., a verdade), ao mesmo tempo que temos uma inclinação para procurar os dados que confirmam os nossos preconceitos. Para lidar com o ruído, Silver sugere uma estratégia baseada na aproximação à verdade.
Devemos começar por estabelecer a probabilidade de alguma coisa acontecer e depois ir alterando os resultados consoante vamos tendo mais informação. Não se trata de uma abordagem puramente empírica, bem pelo contrário, mas, sim, da necessidade de contrariar a tendência para forçar a realidade a conformar-se com os nossos preconceitos ideológicos. Daqui decorre uma recomendação clara: quanto mais disponíveis estivermos para testar as nossas ideias, maior a nossa capacidade para lidar com o ruído, aprender com os erros e saber ler os sinais sobre o que vai acontecer.’
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