Um post de Estrela Serrano — Pires de Lima, um homem de fé — espicaçou-me e faz com que dê uma achega sobre o que António Pires de Lima tem andado por aí a dizer.
Na edição oferecida pelo Diário Económico no dia 30 de Dezembro, Pires de Lima escreveu, em jeito de balanço de 2013, uma espécie de best of do pensamento mágico governamental. A cereja no topo do bolo é mesmo a “explicação” dada para a queda menor do que o esperado da procura interna.
De acordo com o “soldado disciplinado” Pires, cortar rendimentos às famílias provoca tanta confiança que, no final, é como se estas tivessem mais dinheiro, podendo, assim, consumir mais. Se não acredita, é só ler a sua tese: “Como foi possível estabilizar o consumo privado com tão agressivo aumento de impostos que levou a que, só em sede de IRS, a receita do Estado crescesse 30%? A única explicação que encontro será a de que a sensação de angústia em relação ao futuro foi cedendo espaço à confiança.” É certamente a fada da confiança do Caldas, uma conhecida milagreira, com evidentes poderes místicos.
Ora a realidade é muito aborrecida e encarrega-se de desmentir a presciência do “soldado disciplinado” Pires. Com efeito, os “sinais positivos” que levam a maioria de direita a deitar foguetes não são, de acordo com os próprios critérios do Governo, sustentáveis sob circunstância alguma. Veja-se que a poupança vem caindo, situando-se agora em níveis de 2006. Se se cruzar este dado com as melhorias no consumo privado e a degradação da balança externa, percebe-se que o folclore não tem base de sustentação.
O melhor é dar a palavra ao chefe da missão do FMI em Portugal. Em entrevista dada à edição de 21 de Dezembro do Expresso, declarou Subir Lall: “(…) se olharmos para as importações, estão a subir. Para as exportações serem um motor do crescimento é necessário que as exportações líquidas (descontadas das importações) continuem elevadas, e estão a diminuir. Até pode ter havido ganhos de competitividade, mas há que manter o ritmo de crescimento das exportações superior ao das importações, e isso não se verifica agora.” E quando questionado sobre se “[n]ão está certo que o ritmo de exportações seja sustentável”, responde com um seco “[e]xacto”.
Estrela Serrano é mesmo capaz de ter razão quando caracteriza Pires de Lima como “um homem de fé”. De muita fé mesmo.
É assim uma espécie de Álvaro, menos pastel de nata e mais cerveja.
ResponderEliminarPorcaria da mesma com um pouquinho mais de lustro.
Estou farta farta farta deles
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ResponderEliminarOh Miguel Abrantes, o meu amigo tem muita falta de fé! Não leu no i que agora contamos com "empresas francesas muito importantes!" (até me espanta não ter dito "empresas da França"
Mas o melhor mesmo é: "Portugal reganhou a sua reputação, a sua credibilidade" - a marreca dizia que inconseguiu, este diz que reganhou. Nunca deixamos de aprender com estes doutores.
Este post está muito bom. No entanto fiquei desapontado, estava à espera que explicassem o 'fenómeno' do aumento da procura interna. Os portugueses consomem mais e têm menos dinheiro!?
ResponderEliminarPerpassou por aqui a tese da reposição dos subsídios e de que as pessoas gastariam antecipadamente ao abrigo da expetativa do que receberiam mais tarde. Mas isso já foi 'chão que deu uvas' a procura interna continua a aumentar. Será que a tal expetativa está, afinal, relacionada com a confiança?
Ná! não podia ser...isso quereria dizer que a fé da população seria igual à do visado no post. Ou será que é mesmo? Alguém me explica? Migueis?
Anónimo, veremos o consumo interno com esta nova sessão de austeridade no novo ano. A única salvação, até para o governo, irá ser novamente o TC
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ResponderEliminarPois...
E é já muita cera gasta com tão ruim defunto.