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segunda-feira, agosto 31, 2015
A vitória da culpa
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Pedro Adão e Silva
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sexta-feira, julho 10, 2015
Já leu? (2)
O novo realismo é o título do artigo que António Guerreiro hoje escreve no Público. Vale a pena ler e guardar. Eis uma passagem:


- «Na busca de uma opinião universal como consenso, o posto mais avançado é ocupado pelos novos realistas. Trata-se de uma categoria de gente munida de argumentos que conservam, como armas, as receitas da propaganda maoísta e leninista importada de outrora, postas agora ao serviço de uma ideologia que não ousa nomear-se como tal: um novo realismo tão avesso à política das ideias que se entrega de maneira servil à política das coisas. Não há pior ideologia. Estes realistas por princípio, injuriosos face aos sonhos do passado de muitos deles, chamam utopia a tudo o que não se conforma o seu realismo dogmático e, contra ela, fazem constantes apelos à ordem: o novo realismo convoca prontamente o argumento moral. Utopia é, para eles, tudo o que lhes parece oferecer resistência ao presente. Qualquer forma de resistência é uma abominação, um idealismo criminoso, já que pensam conhecer melhor a realidade do que todos os outros. Não condenam apenas a resistência que se traduz em actos, mas também a resistência que se exerce pelo pensamento. “Não te obrigarei a pensar”, porque o que conta é a realidade: eis a injunção implícita em todo o novo realismo, que promete verdade e realidade a baixo preço. O novo realismo é um ressentimento anti-filosófico. E o novo realista é um conservador cínico e trocista: “Não te vergas à realidade, não aceitas a políticas das coisas-tal-como-elas-são? Vais ver o inferno a que te condenas e os castigos que te esperam”. (…)»
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sexta-feira, maio 08, 2015
«Pensamentos curtos e cultos vulgares»
• António Guerreiro, Ontem esquerdistas, hoje notários: - «(…) Eles podem ser arrependidos quanto às ideias, mas não quanto às pretensões e à vontade de poder e de autocelebração. Esse conformismo é responsável por pensamentos curtos e cultos vulgares. Esta classe é na verdade composta por filisteus, orgulhosos de o ser, que desprezam todas as ideias e todos os discursos que não participam da feição moralista, do discurso chão e dos conceitos sumários desses eternos arrependidos. “Ética” é geralmente o nome que estes novos teólogos dão à sua ideologia. E é instalados nessa “ética” que ministram as suas lições. Tendo feitos acentuadas viragens à direita, eles não se confundem no entanto com a velha direita: acumulam o que há de pior de um lado e de outro. Podem ter renegado tudo, podem ter feito um enorme esforço de reciclagem, podem estar treinados para triunfar no novo ambiente, mas há uma coisa de que não se libertam: as suas estruturas mentais e os seus métodos. Por isso é que são eternos ex-. Nos casos mais caricatos, o único reflexo mental que têm é o reflexo condicionado: perante uma determinada situação, respondem sempre da mesma maneira e em uníssono. Falam todos a mesma linguagem e caracterizam-se por um espírito reactivo. Têm um estilo. É, aliás, aquilo que neles emerge em primeiro lugar, o que mais se nota: o estilo, um conjunto de traços estereotipados e levados ao estado de exasperação, uma repetição monótona dos mesmos argumentos e dispositivos retóricos (vejam-se dois casos extremos: Helena Matos e João Carlos Espada). A personalidade destes ex-esquerdistas convertidos com devoção à nova ordem (não apenas política, também social, familiar e moral) é também uma estética e confirma-se num gosto por todos os valores seguros: pelo neo-classicismo kitsch; pelos escritores que “escrevem bem”; pelos cineastas que sabem contar histórias; pelos artistas que exibem o savoir-faire da tradição.»
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sábado, abril 18, 2015
Revisão constitucional a todo o vapor
O blogue da direita radical é danado para a brincadeira. Primeiro, elaborou uma nova «Constituição da República». Depois, ilustrou uma peça com duas imagens da Constituição de 1933 (que, entretanto, levaram um sumiço). Agora, procura abrir-nos os olhos para os malefícios da Constituição, colocando-nos perguntas que nos obriguem a prestar menos atenção à Casa dos Segredos: «Segundo a Constituição, pode tocar-se uma sinfonia numa autoestrada?» Julgava que o piparote dado por Tiago Antunes arrumara o assunto. Vejo, agora, que Domingos Farinho resolveu desmontar a brincadeira a par e passo — como se uma pessoa que só fala alemão pudesse debater com outra que só se exprime em grego. Ainda acaba a discutir se o Zé Manel, o Ramos e o Carrapatoso merecem ser deputados à Assembleia Constituinte. Suponho que não se poderá contar durante mais algum tempo com Joaquim Goes.
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quinta-feira, abril 16, 2015
Passos dá a palavra à secção portuguesa do Tea Party
Passos Coelho não se mete noutra. Em lugar da cangalhada reunida em torno de Paulo Teixeira Pinto para fabricar uma nova Constituição da República (a que o CC prestou então a devida atenção através das séries Dinamite Constitucional e Nitroglicerina constitucional), o alegado primeiro-ministro recorreu desta feita aos seus amigos da secção portuguesa do Tea Party para dar o tiro de partida. É a sociedade civil a que temos direito.
Tiago Antunes dá um piparote neste delírio constitucional do blogue do Compromisso Portugal/Mais Sociedade. Vale a pena ler a nota de Tiago Antunes para arrumar o assunto.
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segunda-feira, abril 13, 2015
«Pôr pensamentos no lugar dos cálculos»
• Wolfgang Münchau, A macroeconomia precisa de novos instrumentos para desafiar o consenso: - «(...) E quanto aos rebeldes? Um detrator precoce foi Hyman Minsky, que desenvolveu um quadro sobre como compreender uma crise moderna nas décadas de 1980 e 1990. Minsky foi banido pelo poder estabelecido. Os atuais desafiadores do consenso, tal como Minsky antes deles, permanecem nas antecâmaras desse debate, no Twitter e nos blogues, fora das revistas tradicionais e das universidades de topo.
Irão ser bem-sucedidos? Da mesma forma que nenhum desses modelos tem a esperança de predizer o nosso futuro, também eu não consigo predizer o futuro da macroeconomia em si. Tendo seguido o debate desde há muito tempo, o meu palpite é que, ao contrário do que acontece na matemática, o desafio ganhador virá de fora da disciplina e irá ser brutal.»
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segunda-feira, abril 06, 2015
«A destruição que se limitou a ser destrutiva»
• João Galamba, Competitividade e desenvolvimento:
- «Depois de divulgar dados que mostram que o investimento recuou a valores pré-adesão à CEE, o INE informa que o desemprego está a aumentar há 5 meses, tendo já ultrapassado os 14%, e que a população empregada, em fevereiro de 2015, foi estimada em 4399,9 mil pessoas, um pouco menos do que em 1987.
Desde que o actual Governo entrou em funções há menos 420 mil empregos em Portugal. Só em 2012 foram destruídos cerca de 190 mil empregos, mais do que os 150 mil verificados em 2009, o auge da crise financeira internacional.
Se a opção de ir para além da Troika teve resultados ruinosos no crescimento, no investimento, no emprego, transformando uma recessão que se previa pouco intensa e muito curta numa gravíssima crise económica e social, a agenda alegadamente reformista do governo não parece ter criado qualquer tipo de dinâmica positiva na economia portuguesa.
Para além da destruição, que foi muito maior do que o previsto, tardam em chegar quaisquer tipos de sinais de recuperação, muito menos sinais de uma recuperação sustentável. Tudo leva a crer que a destruição se limitou a ser destrutiva.Baixar salários, tornar o emprego mais precário e reduzir a taxa de IRC - que são as grandes apostas do actual governo em matéria de competitividade - podem tornar o país mais barato e, por essa via, mais competitivo para certo tipo de investidores, mas não são apostas sustentáveis, porque não apostam no desenvolvimento e na modernização do país.
Portugal tem atrasos estruturais em matéria de qualificações da sua população e em matéria de stock de capital e de inovação. Porém, uma estrutura produtiva atrasada não se transforma liberalizando as relações laborais e tornando o país mais barato para investidores; aliás, o efeito dessa aposta estratégica, que é a do actual Governo, pode mesmo bloquear qualquer tipo de transformação estrutural, cristalizando o país no seu actual modelo de especialização produtiva.
O país precisa de investir nas qualificações da sua população jovem e adulta; precisa de investir em ciência e em inovação; precisa de combater a pobreza e a desigualdade; precisa de dignificar o trabalho. O país precisa de políticas públicas que contribuam positivamente para o esforço de superação dos seus principais bloqueios estruturais; não precisa de uma cartilha liberal segundo a qual todos os problemas se resolvem desregulando, privatizando e deixando o mercado funcionar.
Olhemos para a experiência de sectores que, tendo passado por dificuldades, são hoje casos de sucesso, como o calçado, o têxtil ou a agricultura. A transformação destes sectores envolveu recursos públicos e privados e teve como objectivo aumentar o valor acrescentado nacional. Não foram projectos sacrificiais e miserabilistas, foram projectos de investimento e modernização, foram apostas no futuro - o oposto daquilo que o Governo, todos os dias, e de todas as formas, garante ser a única alternativa para o país.»
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terça-feira, março 17, 2015
Que aconteceu à reforma estrutural do mercado de trabalho?
Que grande trambolhão: de acordo com o Eurostat, Portugal registou a maior queda da taxa de emprego entre os 28 Estados-membros da União Europeia (e não apenas da zona euro) no último trimestre de 2014, com uma descida de 1,4% face ao trimestre anterior.
João Galamba admite que este aparatoso tombo possa estar «relacionado com a travagem da despesa pública no último trimestre de 2014, que foi necessária para compor os números do défice público.» Ou seja, foi preciso fechar a torneira às políticas activas de emprego.
Com efeito, a injecção de apoios públicos à contratação afrouxou a queda da taxa de emprego — até ao momento em que a Miss Swaps teve de dar prioridade à maquilhagem do défice. Conta o Público que o número de desempregados que conseguiu arranjar trabalho com a ajuda do Instituto de Emprego e Formação Profissional atingiu níveis inéditos em 2014, mas mais de metade dessas colocações foi feita através dos programas de apoio à contratação financiados por dinheiros públicos. Das 102.977 pessoas que voltaram ao mercado de trabalho no ano passado, em 54% dos casos as empresas beneficiaram de subsídios aos salários ou de isenções e reduções nas contribuições sociais.
À primeira vista, a reforma estrutural que iria vivificar o mercado de trabalho não surtiu efeito. O Governo teve de despejar dinheiros públicos sobre o problema. Afinal, a direita não se está a lixar para as eleições, nem se importa de postergar momentaneamente o liberalismo.
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O Homem, o Capital Mais Precioso

Já a manutenção da coluna de opinião de Pedro Tadeu é para mim um mistério. Aparentemente, é para dar voz às posições próximas do PCP. Só que a pobreza extrema dos textos não serve sequer esse propósito. Ainda hoje, reage como o cão de Pavlov, quando lê algures que António Costa considerou que a brutal emigração que este governo estimulou se traduziu numa enorme perda de «capital humano».
A salivar abundantemente, Pedro Tadeu apodera-se da Wikipédia e associa mecanicamente a expressão de António Costa às teorias da Escola de Chicago (desenvolvidas por Theodore Schultz), concluindo a prosa quase em êxtase: «A teoria do capital humano é um dos pilares da sociedade neoliberal. Ao morder o anzol da aparente benignidade da expressão, o socialista António Costa demonstra, mais uma vez, ser mesmo peixe que morre pela boca.»
A tentativa de colagem de António Costa ao neoliberalismo é uma intenção tão extravagante que custa aceitar que um jornal de referência acolha colunistas que nem sequer tenham o humor (provavelmente involuntário) de César das Neves — mas que se revelam demasiado impulsivos e ignorantes. Para usar uma terminologia que pode não ser estranha a Pedro Tadeu, Estaline escreveu um opúsculo que se intitulava O Homem, o Capital Mais Precioso. O capital (humano) mais precioso, está a ver, Pedro? E não consta que tivesse estagiado na Escola de Chicago.
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terça-feira, março 10, 2015
O Secretariado da Propaganda Nacional do passismo
A propaganda da direita radical está a este nível: «O problema de Costa é que, cada vez mais, parece o candidato da instabilidade e da incerteza. Quem quer arriscar o emprego, a pensão e as poupanças para assistir à aventura de um governo de Costa?» O autor da prosa, Rui Ramos, dificilmente poderia ter sido mais desastrado: o desemprego real atinge mais de um milhão de portugueses, as pensões jamais sofreram tratos de polé como nos últimos quatro anos e a actuação do Governo no caso BES, lesando os pequenos depositantes e accionistas, recomendaria que os propagandistas da direita se abstivessem de fazer alusão às poupanças.
A verdade tem de ser dita: Rui Ramos foi mais competente a fazer o spin de Salazar do que está a conseguir fazer o de Passos Coelho. Em todo o caso, não chega aos calcanhares de António Ferro, muito embora tenha uma atenuante: Ferro teve à sua disposição o Secretariado da Propaganda Nacional para se exibir; a Ramos coube em sorte uma coluna de opinião num blogue que ainda dá os primeiros passos.
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quarta-feira, dezembro 31, 2014
Ousar governar
• Hugo Mendes, Ousar governar: - «(…) O actual governo nunca compreendeu isto e encarou a chegada da (desejada) ‘troika' como a oportunidade para regenerar o país moral e economicamente. A estratégia saiu furada: na frente orçamental foi pulverizada pelo choque com a realidade em 2012, e com a Constituição em 2013-14; na frente económica, resultou na destruição líquida de 350 mil empregos e no colapso de investimento. Mesmo a ténue retoma de 2014 não valida a sua estratégia: não só as exportações abrandaram fortemente, como a recuperação, toda ela assente no consumo, foi patrocinada pela reposição de salários e pensões a que o Tribunal Constitucional obrigou. (…)»
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domingo, novembro 09, 2014
¿Por qué no te callas?
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| Ontem no Expresso |
Não costumo ler o que Martim Avillez Figueiredo escreve no Expresso. Mas, quando o faço, arrependo-me, tendo em conta a indigência dos argumentos de que se socorre para sustentar determinadas posições. Julgo até que os supostos beneficiários das prosas de Martim Avillez Figueiredo resmungarão entredentes: ¿Por qué no te callas?
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sábado, novembro 01, 2014
quarta-feira, outubro 29, 2014
No Blasfémias II

- «EXORCIZAR FANTASMAS ?| De vez em quando passo os olhos pelo Observador - esse "santuário" online da direita à portuguesa. Li os últimos dois textos de opinião publicados hoje. Um de Gabriel Mithá Ribeiro; o outro de Maria João Marques. Ambos acusam a "esquerda" de qualquer coisa. O primeiro termina assim "Mais ou menos como no tempo de Salazar". O segundo termina assim: "Já Salazar pensava assim." Estarão a cumprir um "protocolo de estilo" ou a exorcizar os seus fantasmas?»
- Tomás Vasques, no Facebook
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terça-feira, outubro 28, 2014
Dois em um
Há múltiplos sinais de que o Governo e a maioria de direita estão a queimar o governador do Banco de Portugal em lume brando. A passagem acima reproduzida (extraída da peça do Diário Económico referida no post anterior) confirma que assim é. Afinal, trata-se, por um lado, de atirar as responsabilidades da trapalhada do BES para Carlos Costa e, por outro lado, de pôr em evidência que, ao aproximar-se o fim do seu mandato, é inevitável encontrar outra personalidade para ocupar o cargo. A direita quer nomear um schäubliano antes de ser apeada.
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quinta-feira, julho 31, 2014
A direita radical estatelou-se
Joaquim Goes tornou-se vagamente conhecido ao assumir, com António Carrapatoso e Rui Ramos, a direcção do movimento Compromisso Portugal, que aglutinou todos os autodenominados «revolucionários» da direita radical.
Mais tarde, talvez devido a uma inadvertida fuga de informação que permitiu saber-se que reivindicava a expulsão da Administração Pública de mais de 200 mil funcionários públicos para libertar a sociedade do Estado, o Compromisso Portugal alterou a sua designação para Mais Sociedade. Foi neste contexto que Joaquim Goes colaborou na elaboração do programa eleitoral de Passos Coelho & Relvas. Há cerca de dois meses, Joaquim Goes viu coroada a sua carreira no BES com a atribuição, num concorrido cocktail, do «Prémio Carreira 2014», uma iniciativa da Universidade Católica, cujo júri é presidido por Manuela Ferreira Leite. Em anos anteriores, já haviam sido distinguidas personalidades como Isabel Jonet, Alexandre Relvas (o Mourinho de Cavaco 2006), Luís Palha (o Mourinho de Cavaco 2011) e Filipe de Botton (escolhido por Cavaco para presidir ao apagado Conselho da Diáspora Portuguesa).
Joaquim Goes foi ontem suspenso da administração do BES, depois de ter sido apontado como sucessor de Ricardo Salgado. É a caricatura perfeita da política seguida por Passos Coelho (e bebida nos radicais do movimento Mais Sociedade) de retirar o Estado da sociedade. Agora, muito provavelmente, o Estado terá de entrar em força no banco. Os contribuintes pagarão o experimentalismo dos «revolucionários» da direita radical.
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quinta-feira, julho 03, 2014
A economia do conhecimento
• André Macedo, A economia do conhecimento:
- «(…) Não faz sentido apoiar tudo o que ande por aí de bata branca. Não é razoável ter bolseiros vitalícios. Mas é vital aceitar como premissa-base que sem o empreendedorismo do Estado não teria havido internet, GPS, nanotecnologia, isto é, iPhone, uma série de medicamentos espantosos e outras maravilhas como o algoritmo do Google. Sem a investigação inicial (a mais arriscada), paga por dinheiro público, não teríamos nada disso. Portanto, é isto: queremos ter uma hipótese neste mundo ultracompetitivo ou acreditamos que o conhecimento nasce quase de geração espontânea numa garagem no meio do nada?»
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terça-feira, maio 27, 2014
Bem-vindos ao deserto da pós-democracia
• João Galamba, A abstenção como sucesso: - «(…) Quando as eleições de pouco ou nada servem para alterar o rumo da política europeia, este resultado torna-se inevitável. Mas nem todos vêem o desinteresse e a desmobilização dos cidadãos como algo necessariamente negativo.
No seu artigo "The Economic Conditions of Interstate Federalism", publicado em 1939, Friedrich Hayek defende que uma ordem internacional pacífica e estável tem de ser uma união entre Estados que limite ao máximo a capacidade de intervenção de cada estado no funcionamento do mercado, anulando a maioria dos instrumentos nacionais de política económica, sem no entanto criar a nível supra-estadual quaisquer mecanismos de intervenção substitutivos. Hayek defendia aquilo que na gíria ficou conhecido por processo de integração negativa, que, na prática, corresponde à criação de uma ordem liberal federal que neutraliza a capacidade das instituições democráticas de interferirem no funcionamento dos mercados. O famoso défice democrático não seria, para Hayek, uma degenerescência, mas sim um dos objectivos estratégicos de todo este processo.
Para Hayek, o consenso keynesiano e social-democrata que marcou a política europeia do pós-guerra, e que esteve na base da construção e aprofundamento do chamado modelo social europeu, tinha de ser desmantelado e substituído por um outro, de cariz essencialmente liberal. Olhando para os desenvolvimentos da União Europeia desde finais dos anos 80, sobretudo desde Maastricht, é difícil não concluir que Hayek ganhou em toda a linha e que o projecto europeu é hoje, na sua essência, uma máquina de liberalização das economias e das sociedades europeias.
O manietamento (crescente) dos Estados nacionais, o esvaziamento dos poderes económicos e orçamentais dos parlamentos, o princípio da concorrência (sobretudo fiscal) entre Estados, um banco central independente e sem qualquer mecanismo de escrutínio democrático, a ideia de que o Estado Social e os direitos dos trabalhadores são um entrave ao desenvolvimento e crescimento económico; enfim, tudo isto corresponde a uma utopia liberal que, tragicamente, tem vindo a ser institucionalizada na Europa e que se impõe sob o signo da necessidade.
Numa entrevista recente à jornalista Teresa de Sousa, Vítor Gaspar - que sabe do que fala - reconheceu a influência das ideias de Hayek no processo de construção da UEM e diz mesmo que esse caminho, o defendido por um dos pais da contra-revolução neoliberal, "é precisamente o caminho que estamos a seguir na Europa". Quando o objectivo é esvaziar a democracia, o desencanto e a alienação dos cidadãos não são defeito, são feitio. Bem-vindos ao deserto da pós-democracia.»
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Vítor Gaspar
quarta-feira, maio 21, 2014
Andará tudo ligado?
O Prémio Carreira da Universidade Católica já vai na 9.ª edição. Atribuído a figuras prestigiadas como Isabel Jonet, Horta Osório (no ano em que estava de baixa) ou o preclaro Mourinho de Cavaco, calhou em sorte este ano a Joaquim Goes, administrador do BES.
Na cerimónia de entrega do troféu, o premiado recordou as palavras com que Ricardo Salgado o convenceu a ingressar no BES: «Quero pessoas com ideias novas que venham a ajudar a transformar o banco». As notícias que nos últimos meses têm trazido o grupo Espírito Santo para as primeiras páginas dos jornais permitirão ao leitor confirmar se se tratou de uma aposta ganha. Ainda hoje se pode ler no Jornal de Negócios: «Contas da Espírito Santo International apresentam "irregularidades relevantes"».
O nome de Joaquim Goes começou a aparecer nos jornais quando, juntamente com António Carrapatoso e Rui Ramos, organizou o grupo de pressão Compromisso Portugal (e mais tarde o Mais Sociedade em articulação com Passos Coelho), cujos conciliábulos ficaram famosos pelo arrojo das propostas, como o despedimento de 200 mil funcionários públicos e a privatização da segurança social, da educação e dos hospitais.
Atendendo a estes antecedentes, se a escolha da Universidade Católica não surpreende, o mesmo não se poderá dizer da circunstância de o vencedor do galardão ter citado o Papa Francisco para apelar «a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano».
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terça-feira, maio 20, 2014
West Side Story
Consta que o Explicador nasceu para retirar Durão Barroso da lama. Para isso, os accionistas alçaram à direcção do blogue um antigo assessor de imprensa do «camarada Abel». Enquanto prepara uma campanha de grande envergadura para o recauchutar, a direita radical precisa de se fazer passar por moderada.
Não havendo por aí uma extrema-direita como a de Le Pen que sirva de referencial, é preciso inventá-la. Cá está um servicinho à medida do Explicador. Ao segundo dia de existência, já aviou duas reportagens sobre Mário Machado: ontem, brindou-nos com o corte epistemológico com os skinheads; hoje, o casamento na cadeia com uma «socialista», assim provando que o amor não tem barreiras.
Já vi começos mais auspiciosos. E explicadores mais preparados também.
Não havendo por aí uma extrema-direita como a de Le Pen que sirva de referencial, é preciso inventá-la. Cá está um servicinho à medida do Explicador. Ao segundo dia de existência, já aviou duas reportagens sobre Mário Machado: ontem, brindou-nos com o corte epistemológico com os skinheads; hoje, o casamento na cadeia com uma «socialista», assim provando que o amor não tem barreiras.
Já vi começos mais auspiciosos. E explicadores mais preparados também.
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