sexta-feira, maio 22, 2015

PS devolve "conselho amigo" a Portas sobre a Segurança Social

    «O membro do secretariado nacional do PS João Galamba devolveu hoje o "conselho amigo" da véspera ao vice-primeiro-ministro, defendendo as medidas de dar sustentabilidade à Segurança Social dos socialistas, face ao "rombo financeiro" protagonizado pelo actual Governo.

    "Venho aqui deixar um conselho amigo ao nº 2 do Governo, Paulo Portas. Antes de fazer críticas a terceiros sobre a Segurança Social, devia olhar muito bem para o seu currículo e o dos governos a que pertenceu. Este Governo destruiu mais de 400 mil empregos, cortou pensões, ameaça voltar a cortar, baixou salários", afirmou o deputado do PS numa declaração aos jornalistas no parlamento, acrescentando que as "quedas de salários e do emprego" são o "maior rombo financeiro na Segurança Social".

    (...)

    "O PS, fiel à sua história, defende a Segurança Social pública e reconhece que a única maneira é rejeitar o corte de pensões em pagamento para manter a confiança no sistema", além de "assegurar as fontes de financiamento do sistema - salários e pensões. É essa a proposta do PS: aumentar salários, a criação de emprego, dinamizar a economia", resumiu o parlamentar socialista.

    João Galamba lembrou ainda que a proposta de aplicar até 10% do fundo de estabilização financeira da SS na reabilitação urbana e na política de rendas acessíveis é apenas "dar cumprimento à portaria 1273/2004, aprovada por Bagão Félix, ministro da Segurança Social de um Governo de Paulo Portas".

    "Todas as preocupações de pessoas que levantaram críticas às propostas foram acauteladas. Não há qualquer descapitalização da Segurança Social. O que há é uma aposta muito forte na criação de emprego e aumento de salários, as duas principais fontes de financiamento. Com as propostas do PS, a sustentabilidade e o pagamento de pensões, presentes e futuros, estão plenamente assegurados", garantiu, ao ser questionado por algumas dúvidas e discordâncias internas relativamente a esta matéria.»

Sou só eu que acho que isto é deprimente?


Via Rui Pedro Nascimento

É melhor tê-lo por perto, não vá o diabo tecê-las


Depois de apresentar um percurso que dava um belo folhetim, o governador do Banco de Portugal não apenas foi cúmplice dos desmandos da troika como se comportou como um precioso sequaz do Governo na estratégia austeritária de «ir além da troika».

O caso BES poderia ter obrigado Carlos Costa a sair de cena pela porta das traseiras. Mas se a circunstância de ter sido o manto protector do Governo pôs a nu as suas fragilidades, deu-lhe também o suplemento de alma para reivindicar a continuação como governador. É que é melhor tê-lo por perto do que o ver a publicar as suas memórias em plena campanha eleitoral.

A anunciada decisão de Passos Coelho, a poucos meses das eleições, não pode ter outra explicação. E a recusa do alegado primeiro-ministro em obter a aquiescência da oposição é mais um sinal do desespero de quem vê o chão a fugir-lhe debaixo dos pés.

«Mamute socrático»: pronto há três anos, inaugurado agora
(e Marcelo a deslocar-se de coche para as prédicas dominicais)


• Gabriela Canavilhas, Novo Museu dos Coches:
    «(…) Como é sabido, este museu tem sido considerado publicamente pelo secretário de estado da cultura, como “um erro”. “Não é prioritário, foi um erro”, disse ele no Parlamento. Logo os deputados da maioria, na Comissão de Educação e Cultura, profundamente conhecedores da matéria, o apelidaram de “mamute, elefante branco socrático”! Mal sabiam eles, que quem concebeu a ideia do novo Museu dos Coches, naquele sítio, no início dos anos 90, foi precisamente o atual Presidente da República, Cavaco Silva, com Pedro Santana Lopes na Secretaria de Estado da Cultura. Anunciaram oficialmente que haveria ali um novo museu, voltaram a anunciar nos governos de Durão Barroso/Santana Lopes, mas foi nos governos de Sócrates que finalmente se concretizou o projeto. O ex- ministro Manuel Pinho conseguiu o financiamento na negociação das contrapartidas do Casino de Lisboa e encomendou o projeto. Sem desvios de custos nem atrasos, a obra fez-se.

    E o que fez este governo?

    Por ser uma obra associada ao governo socialista, desvalorizou-a e adiou os projetos finais, até ao limite da irresponsabilidade. Vai inaugurá-la agora, com festa e pompa, mas sem o projeto museológico e sem a passagem superior sobre a Avenida da India, que são parte integrante do conceito global (porque ainda decorrem os concursos para as obras).

    Por outras palavras, o Museu vai inaugurar exatamente como a obra estava em 2012, quando o edifício ficou pronto. No entretanto, por razões ideológicas e eleitoralistas, perderam-se 3 anos de dinamização económica daquela área, de divulgação cultural e de exploração turística de um equipamento de 35 Milhões de euros. Como se estivéssemos em condições de desperdiçar recursos…

    Também foi veiculada a ideia de que o novo Museu iria aumentar significativamente a despesa pública em comparação com o atual museu no Picadeiro Real. Afinal, esta semana o SEC desdisse-se: os encargos com o novo museu serão praticamente os mesmos que os do atual Real Picadeiro em 2014 graças às receitas das diversas valências que lhe estão associadas. Tal como o PS sempre tinha afirmado, de resto.

    Finalmente, falta referir que a Fundação Casa de Bragança, presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, tem sido a guardiã de 80 veículos do Estado, em Vila Viçosa, por falta de espaço no antigo museu em Belém. A narrativa museológica do novo Museu dos Coches previa que regressassem 40 carros da coleção do Estado. Apenas regressaram 26. Como se aceita esta subordinação do Governo a uma Fundação privada? (…)»

No admirável mundo do governador Carlos Costa

O Banco de Portugal está repleto de técnicos recrutados à lupa e pagos principescamente. Tal não impede que o governador Carlos Costa decida prescindir da massa cinzenta interna e recorra à finança internacional para se assessorar — sempre por ajuste directo.

A assessoria à venda do Novo Banco é uma das situações em que o Banco de Portugal decidiu abrir os cordões à bolsa. Ou ir ao cofre. Eis alguns exemplos hoje noticiados pela TSF:

1. O BNP Paribas foi contratado para assessorar financeiramente a venda do Novo Banco. Pelos seus avisados conselhos, o banco francês recebe uma remuneração mensal de 250 mil euros, durante dois anos, e um prémio de sucesso (success fee) de 10 milhões. Tudo somado: 15 milhões de euros.

Acontece que há um estranho pormenor na contratação do banco francês: “O contrato com o BNP Paribas, formalizado a 7 de Abril deste ano, «reporta os seus efeitos a 26 de Julho de 2014», um sábado, oito dias antes de Carlos Costa ter decidido, no domingo dia 3 de Agosto, avançar para a resolução do BES. Contactado pela TSF, o gabinete do governador do BdP remete as explicações para as declarações de Carlos Costa na CPI BES/GES em 17 de novembro.” Segundo o governador disse então, ele só no dia 25 de Julho teria tomado consciência da real dimensão das perdas do BES.

2. Entretanto, enquanto «Autoridade de Resolução», o Banco de Portugal decide contratar mais um assessor financeiro. Despesa anunciada dos serviços a prestar durante dez meses: uma remuneração mensal de 30 mil euros e um prémio de sucesso (success fee) de 500 mil. Tudo somado: 800 mil euros.

O novo assessor financeiro é a TC Capital, que pertence a Phillipe Sacerdot, antigo director-adjunto para a área da banca de investimento no UBS. Foi precisamente no banco suíço que Sarcedot se cruzou com António Varela, antigo representante do UBS em Portugal (entre 2000 e 2009) e vice-governador do Banco de Portugal desde Setembro do ano passado. Phillipe Sacerdot começou a assessorar o Banco de Portugal em Outubro, tendo o contrato sido agora assinado pelos vice-governadores António Varela e José Ramalho. António Varela que havia sido a escolha de Vítor Gaspar para representar o Estado no Banif antes de se alçar ao conselho de administração do Banco de Portugal e que é o nome que a ministra das Finanças gostaria que viesse a substituir Carlos Costa como governador.

Diz a TSF que fontes ligadas ao processo estranham a escolha de uma «boutique financeira unipessoal sem grande histórico», e ainda a contratação por ajuste directo numa altura, Outubro do ano passado, em que já não existia qualquer urgência. A TSF confirmou ainda que esta contratação causou algum incómodo no Banco de Portugal, entre a equipa técnica que acompanha o processo de venda do Novo Banco.

3. Como se pode ler na notícia da TSF, o Banco de Portugal contratou ainda dois escritórios para a assessoria jurídica.

Sendo conhecida a sua apetência por aparecer nos jornais e nas televisões, não seria este momento certo para o governador do Banco de Portugal se fazer ouvir, justificando estas estas contratações que custam uma pipa de massa por ajuste directo, prescindindo dos técnicos do Banco de Portugal que tem à sua disposição?

Para quem é, bacalhau basta

Mãe queixou-se de leite fora de prazo e ficou sem ajuda alimentar. Da prepotência da caridade: «Por causa disto nunca mais cá vens [sic] buscar nada».

Queremos uma sociedade solidária ou assistencialista? Queremos um país onde o Estado social funcione ou um país onde os mais vulneráveis fiquem à mercê dos humores de gente que tem o monopólio da caridade?

Leituras

• Fernanda Câncio, Em defesa de Filipe Silva:
    «(…) E depois há o auto. Nele, Silva acusa o homem que agrediu de ameaças e de lhe cuspir na cara, e o pai dele de injúrias, justificando com isso o uso da força. Escrito horas depois e decerto após troca de impressões com colegas e superiores - já se sabia que tudo tinha sido filmado -, o auto não é, obviamente, a versão de Silva, mas da corporação. Uma versão que, frise-se, despreza a lei e os regulamentos que estabelecem ser a força para usar apenas e só em última instância e sempre com proporcionalidade, jamais por vingança ou desagravo. Mas na cultura da PSP, que este jovem oficial (tem 30 anos) aprendeu e incorporou e decerto ensina aos subordinados, só há uma lei: a da autojustificação, do encobrimento e daquilo que se considera ser a defesa da imagem da instituição - lá está, da "autoridade". Exceto quando, azar, se é apanhado em vídeo, de cara destapada, e os agredidos são brancos, benfiquistas, bons pais de família, e pode ser preciso um bode expiatório para apaziguar os deuses do Facebook.»
• Francisco Seixas da Costa, A cara:
    «(…) Nas eleições legislativas que aí vêm, para além dos partidos e dos seus programas, estaremos a escolher a pessoa que vai dirigir o futuro Governo. Dir-me-ão que não é bem assim, que são os deputados que iremos selecionar. A mim, contudo, importa-me essencialmente a cara daquele a quem eu posso pedir contas pelo voto que lhe dei. E, neste jogo de caras, de credibilidade, eu só estarei ao lado de uma pessoa de bem, de quem tenha um passado político e cívico cristalino e intocável, de alguém a quem nunca tenha visto fazer o contrário daquilo que prometeu.»
• David Pontes, Homem rico, homem pobre:
    «(…) Um dos valores com peso político é o que nos diz que no pico da crise, entre 2009 e 2013, os 10% mais ricos viram o seu rendimento cair 8%, enquanto o dos 10% mais pobres recuou 24%. Dados muito longe de estarem em sintonia com a propalada distribuição equitativa da crise que o primeiro-ministro vem apregoado.

    Outra frase, da mesma fonte, desmentida com vigor por este relatório é a de "nós sabemos que só sairemos desta situação empobrecendo". Este empobrecer que se tem acentuado nas classes mais baixas reforça as desigualdades e para a OCDE não há dúvida de que "a desigualdade tende a influenciar negativamente o crescimento do PIB e é a distância crescente dos 40% mais pobres em relação ao resto da sociedade que está a contribuir para esse efeito". (…)»
• Pedro Silva Pereira, A crise no Mediterrâneo e o financiamento do desenvolvimento:
    (…) O relatório que apresentei no Parlamento Europeu sobre Financiamento do Desenvolvimento, e que foi esta semana aprovado por uma larga maioria (85 % dos votos), é um contributo para a posição que a União Europeia deve tomar nessa Conferência decisiva de Adis Abeba.

    O que o Parlamento Europeu decidiu foi dirigir à Comissão Europeia, ao Conselho e aos Estados-membros uma mensagem política forte e clara: é urgente que a União Europeia não só reconfirme o seu compromisso, nunca cumprido, de afectar 0,7% do Rendimento Nacional Bruto à ajuda pública ao desenvolvimento (anda agora pelos 0,4%) mas também que apresente um calendário credível que, tendo em conta as limitações orçamentais, garanta o cumprimento dessa meta pelo menos até 2020.

    Perante a dimensão dos desafios globais e com tantos e tão intoleráveis atentados à dignidade da pessoa humana, a decisão que for tomada mostrará se a União Europeia permanece à altura dos seus valores e das suas responsabilidades. E revelará também até que ponto são para levar a sério os eloquentes discursos dos líderes europeus sobre a necessidade de atacar as causas da tragédia no Mediterrâneo.»

quinta-feira, maio 21, 2015

Azia (2)

Hoje no Expresso Diário

    «1. O "Expresso diário" publicou, ao fim da tarde de hoje, uma sondagem que mostra que a maioria dos portugueses diz não acreditar na promessa socialista de redução de certos impostos.

    2. Hoje, dia 21 de maio de 2015.

    3. Ora temos imprensa diária em grande: ainda ontem foi apresentado o projeto de programa do PS (a que a notícia também, naturalmente, se refere) e já hoje há novas frescas sobre matéria desse programa.

    4. Deixa cá a ver a ficha técnica da sondagem: "realizada entre 7 e 12 de maio". Alto aí, 7 a 12 de maio? Quer dizer, 13 a 7 dias antes da apresentação de ontem? Guardada esta parte do resultado para ser noticiada hoje? Guardada, quer dizer, retida? Gerida a informação para quando for melhor altura?

    5. Ai se o PS ganha as eleições: vai ficar muita gente com azia.»

As aparências iludem

Despesa pública primária entre 2009 e 2014 (2010=100)

Quando os conservadores venceram as recentes eleições no Reino Unido, a direita doméstica — antes de mais o «social-democrata» Passos Coelho — tentou fazer crer haver alguma similitude com a situação portuguesa. Hugo Mendes deu-se ao trabalho de comparar a austeridade no Reino Unido com a que tem sido aplicada em Portugal e na Grécia num post intitulado Sobre a "austeridade expansionista" no Reino Unido.

É um post de leitura obrigatória para quem quiser compreender que esta interpretação dos resultados das eleições no Reino Unido não passa de mera propaganda, sem nenhuma relação com a realidade.

Histórias de quatro anos de sucessos [1]
A dívida pública continua imparável

— Ó Pedro, essa aí ao teu lado não consegue domar a dívida.

Quando o Governo de Sócrates saiu de cena, a dívida pública ascendia a 94% do PIB. No fim do 1.º trimestre de 2015, a dívida atingiu 130,3% do PIB, acima do valor que alcançou no final de 2014 (130,2%). De acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal, a dívida na óptica de Maastricht — a que interessa à Comissão Europeia — somou 226,3 mil milhões de euros no final do primeiro trimestre.

A dívida pública tem trocado as voltas ao Governo desde o início do programa de ajustamento, situando-se sempre acima das previsões oficiais, que numa primeira fase apontavam para um pico de 107% do PIB em 2013.

É a política austeritária de ir «além da troika», aplicada pelo Governo, a mostrar uma parte dos seus resultados.

A herança dos estarolas

• Acácio Pinto, Não importa que não haja aulas. Tem é que haver exames.:
    «O atual governo desistiu, desde o início, de travar os combates mais difíceis na educação, que são, como se sabe, os relacionados com o insucesso escolar e com as desigualdades. (…)»

A austeridade segue dentro de momentos após as eleições

    «Passos diz que o PS aumenta a despesa e baixa a receita sem compensar integralmente o custo dessas medidas. Vejamos o que diz a UTAO sobre o Programa de Estabilidade 2015-19 do Governo:
      "Em síntese, no PE/2015-19 prevê-se uma reversão progressiva de medidas consideradas extraordinárias em anos recentes, NÃO INTEGRALMENTE COMPENSADAS POR NOVAS MEDIDAS, o que imprime um carácter não restritivo à política orçamental projetada no PE/2015-19. Constata-se que os efeitos da reversão progressiva das medidas implementadas em anos anteriores, em conjunto com outras reduções de tributação previstas, não se encontram compensados integralmente pelos efeitos contrários de novas medidas de consolidação, imprimindo assim um carácter não restritivo à política orçamental prevista para o período entre 2016 e 2019 (...).

      Para além de não estar prevista uma compensação integral por novas medidas de consolidação, os seus efeitos revestem-se de particular incerteza por motivos diversos, ou porque não se encontram suficientemente especificadas ou porque dependem de hipóteses externas para a sua concretização. No que se refere à poupança em juros, esta encontra-se fortemente dependente da redução das taxas de juro da dívida pública portuguesa, sendo que não decorre unicamente da ação discricionária das autoridades nacionais, ainda que esteja previsto o pagamento antecipado do empréstimo ao FMI, mas reflete condições de mercado, designadamente a política monetária do BCE e a manutenção da estabilidade política na área do euro" (página 43 do Parecer Técnico n.º 1/2015 Programa de Estabilidade: 2015 - 2019).»

Há disciplina que obrigue a votar leis inconstitucionais?

• Rui Pereira, Antidisciplina:
    «Paulo Mota Pinto foi juiz constitucional. É deputado, presidente do Conselho de Fiscalização do SIRP e professor de Direito. Li, atónito, que "considera o sistema de registo de identificação criminal de condenados pela prática de abusos sexuais contra menores inconstitucional" e ainda que "só votou a favor porque foi imposta a disciplina de voto".

    Compreende-se a disciplina de voto quando se trata da sobrevivência de um Governo. Mas há disciplina que obrigue a calar a voz da consciência e a votar leis inconstitucionais? Não é a Constituição que proclama que "os deputados exercem livremente o seu mandato"? A "fidelidade" partidária vale mais do que a Constituição para os deputados?

    Paulo Mota Pinto tem a palavra. A notícia é verdadeira ou exagerada? Como explica o seu voto? Uma coisa é certa, o PSD impôs a disciplina. Como se arroga um partido, seja ele qual for, a negar a liberdade numa matéria em que há dúvidas constitucionais? São estes episódios que desacreditam a democracia. Não chorem, depois, lágrimas de crocodilo.»

«Duas posturas, dois discursos, duas dinâmicas.
Os dados estão lançados»

Editorial do Público, O Governo e as propostas do PS:
    «(…) Desta vez, os socialistas forneceram matéria para um grande debate. E o Governo consegue responder?»

quarta-feira, maio 20, 2015

O passismo sem retoques


Se tivesse de escolher alguém que, pela sua continuada prática, espelhasse o que é o PSD, quem escolheria? Não vale Passos Coelho, nem Marco António, nem mesmo Miguel Relvas, por serem demasiado óbvios. Ficar-me-ia por Teresa Leal Coelho, vice-presidente laranja. Veja aqui porquê.

Campanha de promoção do país no estrangeiro

Na CNN, no Reino Unido, na Croácia.

Cheque em branco para corte de 600 milhões de euros nas pensões


João Galamba perguntou hoje à ministra das Finanças: «que cortes nas pensões pretende o Governo fazer»? Maria Luís Albuquerque, indiciando uma instrução primária aos solavancos, respondeu que os cortes apenas seriam conhecidos após as eleições. Entretanto, o Governo inscreveu no Programa de Estabilidade enviado para Bruxelas um corte de 600 milhões de euros nas pensões.

Nas eleições de 2011, Passos Coelho mentiu. Agora, pede um cheque em branco.

E Passos e Portas festejam a saída da troika?!


A palavra ao director de comunicação do Benfica


O Governo não hesita em manipular as instituições públicas. Desta feita, através de uma fonte anónima da PSP, quis culpar a Câmara Municipal de Lisboa pelos desacatos ocorridos no Marques de Pombal, em Lisboa. O director de comunicação do Benfica, João Gabriel, deu a resposta à fonte anónima:
    «Quem não assume responsabilidades é porque não as merece ter! Lamentável o que uma fonte sem rosto e sem nome consegue fazer! Fernando Medina mostrou porque sucedeu a [António] Costa. Deu a cara para fazer o contraditório de quem se escondeu no anonimato!»

Projecto de Programa Eleitoral do PS

Ministra das Finanças na Assembleia da República

A ministra das Finanças esteve hoje na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública. As notas que João Galamba publicou no Facebook dão uma ideia da forma como Maria Luís Albuquerque se comporta no parlamento, ora fugindo às perguntas, ora respondendo ao lado:

    «A ministra das Finanças que apenas conseguiu fazer a economia crescer à custa do consumo privado (porque foi forçada pelo Tribunal Constitucional a devolver salários e pensões) e que, no horizonte 2015-19, prevê que o consumo privado continue a ser o principal motor do crescimento da economia portuguesa tem o descaramento de dizer que crescimento com base no consumo é horrível e já deu provas de não ser sustentável.»
    «Quando perguntei como é possível haver uma aceleração do PIB em 2016 se o governo pretende cortar 600 milhões de euros em pensões, a ministra responde com as previsões da OCDE, que não incluem qualquer corte nas pensões.»
    «A Ministra das Finanças insiste em brincar com as palavras em torno do corte de 600 milhões em pensões previsto para 2016. Instada a clarificar os detalhes desse corte e, sobretudo, a explicar como é possível haver um corte que contribui para reduzir o défice mas (misteriosamente) não tem qualquer impacto negativo no défice, Maria Luís Albuquerque recorre à opacidade e não responde.

    Ou seja, temos um governo que apresenta a estratégia orçamental para o período 2015-2019 e que acha normal não incluir qualquer explicação ou detalhe sobre a medida de austeridade mais importante do próximo ano.»

A Pietà da Administração Interna

Depois da selvajaria a que se assistiu em Guimarães, esperar-se-ia uma declaração por parte da ministra da Administração Interna, afiançando que «critérios de fúria» não poderão nunca substituir critérios de racionalidade e de proporcionalidade na actuação das forças de segurança. Mas a ministra Anabela Rodrigues manteve-se num silêncio ensurdecedor.

Ao fim de três dias, a ministra apareceu. Para anunciar que cedera à pressão dos sindicatos da polícia para abrir uma nova ronda de negociações, dando o dito por não dito. Só devido a insistência dos jornalistas, Anabela Rodrigues fez uma declaração de circunstância sobre os acontecimentos de Guimarães. Mais um zombie a juntar a tantos outros que povoam um governo em fim de ciclo.

Crato sempre igual a si próprio

Glosas e comentários

• Miguel Romão, Glosas e comentários:
    «(…) Quando um magistrado, de quem se exige uma especial responsabilidade, com mais ou menos jocosidade, acha normal escrever no Facebook que tem vontade de atirar a matar contra jornalistas denominados ou contra os políticos de um determinado partido, isso escapa à discussão sobre liberdade de expressão e escapa até ao paternalismo do advogado de José Sócrates quando falou em “garotada” que deveria era ir despachar processos. É outra coisa. Ignorar isso só significa isto: que está bem, que se concorda, que pode ser. E não pode. Porque isso ofende desde logo as magistraturas e o serviço público de dizer a justiça.»

Leituras

terça-feira, maio 19, 2015

A arma secreta de Passos
denuncia o programa para os próximos quatro anos

— Deixa, Pedro, que eu preparo-os para os cortes.

Eduardo Catroga foi o responsável pelo programa eleitoral do PSD em 2011. Como recompensa, o Partido Comunista da China foi alertado de que lhe deveria ser dada, após a privatização, uma prateleira dourada na EDP. Assim aconteceu.

Agora, a coligação da direita pede a Catroga um último serviço: abrir caminho a novos pacotes de austeridade, especificamente para promover mais e mais cortes na despesa pública. Para isso, ele assentou arraiais no Público: na semana passada, uma inesperada entrevista e, hoje, um artigo de «opinião».

A tese de Catroga é simples: a consolidação orçamental está a ser feita sobretudo pelo aumento de impostos e não por cortes na despesa. Esta tese tem um problema: não corresponde à realidade, como Pedro Adão e Silva o demonstrou no Expresso.

Ora, ao continuar a insistir que o Governo não foi «além da troika», Eduardo Catroga acaba é por anunciar o programa que os estarolas colocariam em prática, caso vencessem as eleições: cortar (ainda mais) salários e pensões. A ministra das Finanças já disse, de resto, que os pensionistas CGA sofreriam um corte de 600 milhões de euros.

Da série "Frases que impõem respeito" [918] (número duplo)


Precisamos de ter um próximo Governo que permita à classe média recuperar a esperança e a confiança no futuro. O próximo Governo tem de dar prioridade à proteção da classe média.

Não podemos ter um país que não percebe que é essencial restituir a confiança à classe média, depois da devastação fiscal e de rendimentos que teve ao longo dos últimos anos.
      António Costa, num almoço promovido pela revista "Vida Imobiliária"

Mário Soares...

... hoje no Diário de Notícias:
    (…) Num Portugal onde o governo de coligação continua a entender-se, embora com dificuldades, Paulo Portas disse no sábado passado que cada um dos partidos tem valores próprios e princípios diferentes. A coligação não é fácil...

    A verdade é que o Presidente da República, que se bate sempre em defesa de Passos Coelho, raramente fala de Paulo Portas. Não sei porquê, mas é um facto.

    O líder do PS, António Costa, a propósito da jantarada promovida pela coligação de direita, disse que a "coligação deu continuidade às políticas da troika, embora o Programa de Assistência Financeira a Portugal tenha terminado em maio de 2014". António Costa disse - e a meu ver bem - cito: "Este governo é pior do que a troika"...

    É verdade. O que demonstra que neste governo, que tanto fala, ninguém se entende. Passos Coelho é um bom exemplo disso. Ferreira Leite, com a sua inteligência, referiu: "O xarope eliminou alguma tosse" e acrescentou: "mas a nossa doença não era só a tosse." Tem razão, os médicos que o digam, bem como os enfermeiros e os doentes!

    Mota Amaral foi afastado das listas de candidatura à Assembleia da República pelos seus próprios correligionários, sem que tivessem tido com ele uma palavra sobre a decisão que tomaram. Mota Amaral, que tanto estimo, foi presidente do Governo Regional dos Açores, membro do Conselho de Estado, presidente da AR, presidente da delegação portuguesa junto do Conselho da Europa e um dos fundadores do PPD. Mota Amaral tem sido uma das vozes críticas da governação do atual governo e certamente por isso foi agora saneado. É assim que este governo trabalha.

    Privatizar a TAP, sendo o que foi ao longo dos anos, não só para Portugal como para os demais Estados lusófonos, mas também além deles, é uma vergonha e uma falta de senso de um governo que manifestamente não sabe o que faz e o que quer. Quer dinheiro para gastar ou ficar com ele. Mais nada.

    No dia 14 de maio, quinta-feira, houve à volta de José Sócrates a primeira página de uma revista e de um jornal e ainda o lançamento de um livro. Nenhuma destas coisas tem algo de especialmente interessante e não esclarece nada. É pura maledicência.

    Em qualquer dos casos é alimentado por violação do segredo de justiça. O segredo de justiça que foi feito para proteger a honra das pessoas. Vê-se, assim, que afinal o segredo de justiça serve apenas para vender papel.

    O juiz Carlos Alexandre não deve estar nada confortável com o que está a suceder, dado que é ele o principal responsável pela segurança do processo.

    Boaventura Sousa Santos, uma grande figura da cultura portuguesa, mas não só, disse a propósito da justiça portuguesa: "Tem uma relação autoritária com o cidadão" e considerou que "o sistema vigente não valoriza a responsabilidade e a sensibilidade democrática dos magistrados."

    Os canais generalistas das televisões continuam a ter nos horários nobres políticos do PSD convertidos em analistas, como são os casos de Marques Mendes na SIC, Marcelo Rebelo de Sousa na TVI e Morais Sarmento na RTP.

    É verdade que na TV Cabo há alguns políticos isentos e outros, poucos, da oposição, mas não se pode comparar as audiências dos canais generalistas com as por cabo. O Presidente Cavaco Silva sabia o que fazia quando marcou as eleições para o mais tarde possível. Uma verdadeira vergonha, lesiva da liberdade de imprensa e da igualdade de oportunidades.»

A câmera indiscreta


segunda-feira, maio 18, 2015

A outra «reforma estrutural»


Sabíamos que a grande «reforma estrutural» deste governo tinha sido o violento empobrecimento da maioria da população. Mas havia uma outra «reforma estrutural» de que ainda não havíamos dado conta: o embrutecimento das forças de segurança. São dois processos que não podem ser vistos separadamente.