sexta-feira, Agosto 22, 2014

O polícia-modelo


• Fernanda Câncio, O polícia-modelo:
    «(…) Não foi morte de homem? Lá isso não. Mas ocorreu em pleno dia, num local público, quando o agente sabia estar a ser filmado. Se age assim nessas circunstâncias, de que será capaz quando não tem testemunhas e/ou crê estar em risco? Que segurança nos dá esta polícia? E que País somos que acha isto normal, quiçá aplaude?»

Leituras

• André Macedo, A dona Inércia voltou:
    «(…) Um banco sistémico vai ao fundo, os reguladores perdem tempo, demoram a agir antes, durante e depois, e o Governo acha normal? É normal não sabermos ainda o que acontecerá ao Novo Banco? É vendido, retalhado, leiloado às peças? O governador não sabe, não responde. Esquece-se que, apesar de novo, o velho risco sistémico não desapareceu. A dona Inércia voltou, mas sem o Ronaldo.»
• Francisco Madelino, Economia e desemprego contraditórios:
    «(…) O que se sabe, contudo, é que mais emprego, sem mais crescimento, a existir, é sempre emprego mais empobrecedor. Depois, se o País não criar riqueza, acima dos juros que paga, o ajustamento dos endividamentos e do orçamento do Estado é impossível.»

quinta-feira, Agosto 21, 2014

Falar de cortes fora do contexto

Hoje na Visão

É verdade que o governo anterior aprovou cortes nas remunerações dos trabalhadores do Estado para tentar evitar a tragédia que estamos a viver. Mas como é que é possível invocar que agora o Governo está a repor tais cortes, quando procedeu, entretanto, ao maior aumento de impostos de que há memória (para além do agravamento das condições de vida das pessoas por força do incessante ataque ao Estado social)?

No Novo Banco, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma


Joaquim Goes era (ou é) um dos três líderes do movimento Mais Sociedade (antes conhecido por Compromisso Portugal), que se autodenomina(va)m «revolucionários». O suporte ideológico para a política de Passos Coelho de «ir além da troika» foi-lhe oferecido pelos Goes deste mundo.

No BES, Joaquim Goes era o responsável pelas áreas de risco, recuperação de crédito e marketing, sendo ainda o representante do BES na PT. O seu afastamento da administração do banco foi descrito pelo Expresso nestes termos: «Banco de Portugal entra a matar». Entretanto, o governador do Banco de Portugal resolveu ressuscitá-lo.

No banco do PSD, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Uma família entre o regulador e o (des)regulado

Hoje na Sábado

José, o pai, foi acolhido no BES quando ficou desempregado da política após o fim do cavaquismo.

Guilherme, um dos filhos, foi acolhido igualmente no BES, onde trabalha sob as ordens de Ricardo Salgado (filho).

Luís, outro dos filhos, foi acolhido no Banco de Portugal sem concurso. Concluídos os estudos, havia feito dois estágios de Verão (de um mês cada um) em escritórios de advocacia.

Como eu percebo Durão Barroso quando ameaçava que, se o povo português não aceitasse as sucessivas doses de austeridade, estaria o caldo entornado.

Cavaco: entre o BPN e o BES

Hoje no DN
Clique na imagem para a ampliar

quarta-feira, Agosto 20, 2014

Um homem sem um pingo de vergonha


«Só à medida que o tempo passa nos vamos apercebendo bem dos privilégios, para não dizer da falta de ética que vigorava entre muita gente que vivia entre a política e os negócios e os negócios e a política», disse Passos Coelho, sem um pingo de vergonha, na arenga do Pontal.

Poderia avivar a memória do alegado primeiro-ministro, recordando-lhe que, quando o colocaram na incubadora da Fomentinvest, a administração desta SGPS era composta, entre outros, por Ilídio Pinho, Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi.

Poderia avivar a memória do alegado primeiro-ministro, recordando-lhe as peripécias da Tecnoforma.

Poderia avivar a memória do alegado primeiro-ministro, recordando-lhe que «o Pedro é que abria as portas todas».

Mas talvez seja suficiente recordar ao alegado primeiro-ministro os dez (10) telefonemas feitos por José Maria Ricciardi ao próprio «Pedro» para condicionar as privatizações.

Da série "Frases que impõem respeito" [863]


Todos achavam que a austeridade era a solução e agora a Europa está a pagar o preço da austeridade.
      Joseph Stiglitz, que lembra que «o crescimento marginal e o enorme desemprego em vários países da Europa» provam que as medidas adoptadas «não estão a funcionar» e que a estratégia da Europa devia mudar radicalmente, sob pena de se regressar a uma nova recessão

Fora do mundo

Quando se aguardava uma explicação para o aparecimento de uma secção do PS no outro mundo (não confundir com as secções na emigração), eis que nos é dada a mais inverosímil justificação:

Via João Vasconcelos

terça-feira, Agosto 19, 2014

A Constituição e o círculo de Pedro



Rapinado à Shyznogud

Mais leituras

• Filipe Alves, O impacto do caso BES nas contas públicas:
    «O Governo tem feito um enorme esforço para nos convencer de que o dinheiro dos contribuintes não está a ser usado para resgatar o antigo BES, desde aquele curioso momento em que o comentador Marques Mendes deu em primeira mão a "notícia" da intervenção. Ao mesmo tempo, o Executivo tem sido muito pouco transparente sobre o papel do Estado nesta intervenção e quanto ao impacto que a mesma terá nas contas públicas. (…)»
• Manuela Arcanjo, Uma reforma estrutural ou um imposto?:
    «(…) Com as alterações do quadro económico e social e a pressão financeira tornou-se claro que, à semelhança do realizado noutros países, também aquela reforma teria de ser revista. Sempre num quadro de medidas articuladas entre si e no respeito pelas carreiras contributivas já constituídas ou, dito de outra forma, pelo esforço contributivo já realizado pelos beneficiários no activo. Mas o actual Governo tinha pressa. Tanta que mascarou um imposto sobre o rendimento das pensões (a CES ou a nova Contribuição de Solidariedade) numa reforma dita estrutural e aumentou a ILR para os 66 anos apenas num ano. Pior do que tudo isto, e verdadeiramente inaceitável, é a incerteza sobre o valor da pensão futura ou da própria ILR para os beneficiários que hoje já têm mais de 60 anos!

    Reforma estrutural sim, mas baseada num trabalho profundo e quantificado desenvolvido por especialistas e que possa constituir uma referência para uma decisão política e legislativa. Ora, este processo nada tem a ver com a prática do Governo: identifica a verba a cortar e procura uma medida a seguir, tudo apenas em nome do défice público e com produção de efeitos "para amanhã". Será tão difícil entender que tudo isto está errado em termos de uma verdadeira política de segurança social?»

Governo quer dar ao bandido o ouro da Misericórdia de Lisboa

• José Vítor Malheiros, Governo quer dar ao bandido o ouro da Misericórdia de Lisboa:
    «(…) este decreto, contestado por toda a oposição, abre a porta à privatização dos chamados jogos de fortuna e azar, como a lotaria, o totobola e o Euromilhões, com a desculpa aldrabona de que é preciso regulamentar o jogo online e que isso passa pela sua liberalização. É falso, mas o lobby do jogo, que possui muitos milhões para influenciar vontades, não tem olhado a meios nem a despesas para enfiar esta cunha através da qual espera conseguir finalmente destruir o monopólio da Misericórdia de Lisboa e apoderar-se dos seus enormes lucros, que actualmente alimentam a Segurança Social.

    A iniciativa legislativa que pretende dar ao bandido o ouro da Misericórdia de Lisboa é do secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, e a ideia é simples. O que se pretende é abrir uma excepção no domínio dos jogos de azar, permitindo a entrada de entidades privadas, de forma a destruir aquela que tem sido a argumentação do Estado português na União Europeia em defesa do monopólio do jogo por parte da Misericórdia - o seu objectivo social, a necessidade de não promover o vício do jogo, etc...

    A actual situação portuguesa é perfeitamente compatível com as regras da UE (ao contrário do que dizem as vozes seduzidas pelo lobby) mas deixará de o ser se o próprio Estado abrir uma excepção. O decreto agora aprovado é por isso um gesto antipatriótico, que mina uma posição de defesa nacional; um gesto contra a Segurança Social, que mina uma fonte essencial do seu financiamento; um gesto contra os pobres, que beneficiam dos serviços da Misericórdia; e um gesto em favor das grandes empresas de jogo, que assim conquistam mais uma ferramenta de alienação e de exploração dos trabalhadores. Uma das portas que o novo decreto abre é, sintomática e tristemente, a publicidade ao jogo, numa era onde se tenta restringir cada vez mais a publicidade ao tabaco e ao álcool por razões de saúde pública. (…)»

segunda-feira, Agosto 18, 2014

Da série "Frases que impõem respeito" [862]


Estamos a transformar a Autoridade Tributária e Aduaneira numa máquina coerciva ao serviço de privados, e a baixo custo.
      Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, em reacção ao facto de o fisco estar a fazer a cobrança coerciva de dívidas a entidades privadas – auto-estradas, hospitais, transportes de passageiros –, quando não o faz relativamente a dívidas a entidades públicas

domingo, Agosto 17, 2014

A libertação da sociedade civil

A cultura regressa ao Porto

• Augusto Santos Silva, A cultura regressa ao Porto:
    «Creio que devemos ser otimistas, no que toca à possibilidade do retorno à cidade do Porto de uma política amiga da cultura. Pôr-se-á fim a 12 anos sombrios a tal respeito, mais um de transição.Não digo que o mandato de Rui Rio se tivesse caraterizado pela ausência de uma política cultural. Há sempre uma política cultural, nem que seja por omissão. E, enquanto autarca, Rui Rio tanto primou por omissão como por ação. Por omissão, quando deixou cair a estrutura e a política de apoio à criação e aos criadores, que Manuela Melo, a melhor vereadora da Cultura que o Porto alguma vez teve, laboriosamente tinha construído, ao longo de outros 12 anos (de 1989 a 2001). E por ação, quando entregou o Rivoli a um empresário, fez depender o apoio público de votos de submissão das entidades apoiadas e exibiu uma corrida de avionetas e outra de automóveis como as grandes opções de animação urbana. (…)»

Sobre o «economista» Gomes Ferreira


• João Quadros, O fio da navalha:
    «(…) José Gomes Ferreira, o homem com um programa de governo, veio sossegar os espíritos e afirmou, na SIC Notícias, que o BES estava sólido e que se ele tivesse dinheiro investia tudo em acções do BES (estavam a 0,45 nesse dia). Foi pena não o ter feito e é pena que ainda tenha emprego. O meu quentinho é pensar que a malta que compra o livro do José Gomes Ferreira é bem capaz de ter seguido o conselho e ter gasto tudo em acções do BES. Aquele casal que foi à FNAC, de propósito, para pedir um autógrafo ao Zé Gomes, anda agora a ver se o encontra para lhe dar uma tareia porque seguiu o conselho do mestre e investiu as poupanças da filha em acções do BES. (…)»

sábado, Agosto 16, 2014

E pur si muove!

Quem é, quem é?

• Ricardo Reis, Quem é a Martha Stewart portuguesa?:
    «(…) A Bolsa portuguesa viveu um episódio marcante há nove dias. Na quinta-feira de manhã um Conselho de Ministros aprovou a lei que antecipava a solução para o BES. Nesse dia e no seguinte, milhares de ações do banco foram vendidas. Quem o fez, poupou uma fortuna. No sábado, os comentários de Marques Mendes levantam fortes suspeitas de fuga de informação antes do anúncio de domingo à noite.

    Se fosse nos EUA, a CMVM e o Ministério Público (MP) estariam neste momento a recolher o nome de todos os que estiveram nesse Conselho de Ministros e de todos os que trabalharam no processo no Banco de Portugal nesses dias. Estariam a obter autorização de um juiz para receber uma listagem de todos os telefonemas que Marques Mendes fez nos dois dias antes das declarações. E haviam de cruzar esta lista com os nomes de quem vendeu ações do BES na quinta e sexta-feira. Com certeza que estariam pessoas ricas, famosas e atuais governantes nas listas, mas não eram precisas escutas, fugas de informação e devassa da privacidade em que o nosso MP se especializa. Bastava cruzar duas listas de nomes e pedir explicações a quem surge em ambas. Talvez afinal haja algumas Martha Stewart portuguesas. (…)»

O caseiro da Herdade da Comporta

Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, nem teve tempo de esboçar um gesto em defesa da administração do BES. Carlos Silva, secretário-geral da UGT, antecipou-se. Nunca se vira nada assim (em Portugal).

Com efeito, mal vieram à luz do dia os problemas que envolvem a família Espírito Santo, o secretário-geral da UGT mostrou-se horrorizado com a decisão «de correr com a família», tendo vincado que se trata do «maior banco privado português, neste momento, é um banco da família, ostenta há mais de 150 anos o nome da família» e lamentou que «algumas decisões [que] tenham sido tomadas pelos poderes públicos tenham sido decisões que vêm um pouco na sequência de uma campanha que foi feita na Comunicação Social, sobretudo na imprensa escrita, contra alguns dirigentes do BES». Estávamos em Junho.

Mais de um mês depois, Carlos Silva lembrou-se de que, enquanto líder da UGT, a sua função é tomar a defesa dos trabalhadores e não a dos accionistas do BES, pelo que anunciou ir assumir uma posição de maior recato em relação ao futuro da família Espírito Santo: muito embora sustente que «mantém na íntegra toda a consideração e respeito» por Ricardo Salgado, «nós vamos limitar-nos a acompanhar [a situação do BES] e, acima de tudo, com grande preocupação, defender quase 7.000 postos de trabalho».

O secretário-geral da UGT é um dos mais entusiásticos apoiantes de António José Seguro. Presume-se que Carlos Silva represente a perspectiva do segurismo para o mundo do trabalho — em que a consciência de classe é abafada pelo servilismo do caseiro.

sexta-feira, Agosto 15, 2014