Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Senhor Primeiro-ministro, tem mesmo a certeza de que só teve um encontro com o famoso ex-chefe das secretas?



Hoje no DN


Mas, afinal, a quem é que o ex-espião entregou o novo modelo de serviço de informações que andou a desenhar para se entreter na Ongoing? Deixou-o na portaria do palácio de São Bento e deu de frosques?

Cerimónia de abertura do ano judicial

Passagens do discurso do bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, na abertura do ano judicial:
    ‘Vale tudo para ganhar eleições e, uma vez ganhas, logo os compromissos eleitorais são ignorados.

    Há menos de um ano apenas, o governo de então caiu porque ousara propor medidas de austeridade muito mais suaves para o povo e para a economia do que aquelas que agora são impostas por aqueles que então se opunham a tais medidas e garantiam solenemente que nunca fariam coisa semelhante.

    Algumas das medidas de austeridade que estão a ser impostas ao país nem sequer foram exigidas pela TROIKA nem constam do acordo com Portugal.

    Perdeu-se todo o respeito pelos eleitores.

    Muitas dessas medidas respondem tão só a uma agenda de interesses cuidadosamente ocultada durante os debates político-eleitorais que precederam a mudança de governo.’

    (…)

    ‘A crise também está a ser usada como pretexto para satisfazer antigas reivindicações dos sectores mais retrógrados dos nossos empresários, sobretudo daqueles que não foram capazes de se adaptar às exigências da modernidade e persistem agarrados aos arquétipos do mais primário liberalismo económico.’

    (…)

    ‘Sejamos claros e justos: se é em respeito pela independência do Banco de Portugal que os quadros e funcionários desta instituição não serão obrigados a prescindir dos subsídios de férias e de Natal, então por que é que não se aplica o mesmo critério a outros órgãos do estado onde a independência é também um requisito para bom desempenho das suas funções?

    Haverá entidade onde a independência seja mais necessária do que nos Tribunais?

    Então por que é que os magistrados não tiveram tratamento idêntico ao dos quadros e funcionários do Banco de Portugal?’

    (…)

    ‘Por outro lado, as mesmas castas de privilegiados continuam a auto-isentar-se de sacrifícios e, mais do que isso, continuam a banquetear-se indiferentes aos sacrifícios impostos ao povo português.’

    ‘As gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros constituem nas circunstâncias actuais uma inominável agressão moral a quem, muitas vezes, é obrigado a cortar na satisfação de necessidades essenciais.

    Há gestores de empresas, algumas delas até há pouco controladas pelo estado, que ganham num ano aquilo que a maioria da população só conseguiria se trabalhasse mais de um século ininterruptamente.’

    (…)

    ‘As nomeações para cargos públicos de amigos e familiares, de familiares de amigos e de amigos de familiares multiplicam-se escandalosamente, criando no aparelho de estado um gigantesco polvo clientelar cujos tentáculos se estendem já a empresas privadas onde o governo detém influência política.’

    (…)

    ‘Na área da justiça, está a seguir-se uma política errática marcada pelo populismo e por uma chocante incapacidade de responder adequadamente aos principais problemas do sistema judicial.’

Já votou?



Não fazia ideia de que os inquéritos online do Público fossem tão importantes. Mas, a avaliar pelo alarido de Helena Matos, convidada recentemente a não massacrar mais os leitores deste jornal, são uma questão de vida ou de morte. No lugar da estimada Helena, levava esta questão a peito, fazendo uma queixa contra desconhecidos.

Viagens na Minha Terra

Lost in translation

O que Krugman vem defendendo em relação à austeridade parece tão clarinho que até faz confusão como Eva se perde na tradução. Lendo o que aqui e aqui se diz, conclui-se que traduzir pode ser trair.

Os empreendedores não criam emprego

João Pinto e Castro, Os empreendedores não criam emprego:
    'Tendo a revolução industrial começado vai para um quarto de milénio, como se explica então que ainda haja alguém a trabalhar? E que função social útil desempenham afinal os empresários?

    A função distintiva do empresário é tornar o trabalho mais produtivo. Espera-se dele que promova a eficiência, seja fabricando mais pregos por hora, seja tornando os pregos supérfluos e substituindo-os por colas extra-fortes. Mas os ganhos de produtividade que ele gera só beneficiarão a maioria se parte substancial deles reverter para os salários, o que está longe de ser um processo automático.

    Historicamente, o excesso de mão-de-obra deu origem a fluxos migratórios de dezenas de milhões de europeus para o Novo Mundo. Quando essa válvula de escape se esgotou, porém, não sobrou outra alternativa senão recorrer às forças compensadoras da organização sindical, da legislação laboral e do emprego público para impedir o alastramento do desemprego de longo prazo e a degradação dos salários. Espantosamente, a conjugação desses fatores acabou por gerar o período de mais rápido, estável e duradouro crescimento da história.

    Eis senão quando uma seita de iluminados demonstrou irrefutavelmente com a ajuda de algumas equações matemáticas que andávamos todos enganados e que seria possível obter resultados muito superiores confiando no poder incontrolado dos mercados e, desde logo, retirando poder negocial aos assalariados. Graças a esses sábios conselhos, os salários mais baixos estagnaram duradouramente em muitos países, as desigualdades económicas voltaram a agravar-se e o desemprego passou a situar-se a níveis consistentemente mais elevados.

    Na tentativa de conservar os padrões de bem-estar previamente atingidos, as famílias endividaram-se. Este padrão de distribuição gerou a prazo uma redução de oportunidades de investimento produtivo, estimulando o desvio dos capitais disponíveis para actividades especulativas. O resto da história já todos conhecemos.

    É natural que o empreendedor individual acredite estar a contribuir para reduzir o desemprego quando contrata trabalhadores. Porém, é no plano macro que se decide se daí resultará um acréscimo líquido de emprego e se ele suportará um crescimento sustentável. E isso só ocorre na vigência de instituições capazes de assegurar que os benefícios da inovação serão distribuídos pela comunidade numa proporção equilibrada.

    A criação de emprego resulta sempre, digamos assim, de uma espécie de parceria público-privada.'

"A saúde, têm-nos dito nos últimos anos, é cara demais para poder tratar os pobres. Que morram!, dizem os ultraconsevadores"

Mário Soares, Espanha, aqui ao lado:
    ‘Sucede que com a recessão que existe em Espanha o desemprego tem vindo a aumentar, sem freio nos dentes. Escreveu o El País de sábado passado: a recessão a crescer vai agravar o desemprego, que está a aumentar como nunca se viu. São já cinco milhões, 273 mil e 600 desempregados em todas as autonomias de Espanha, ou seja: 22,8% da população. Com a recessão a crescer, em virtude das medidas de austeridade, para que servem tais medidas, se iremos de mal a pior? Foi o que o FMI, pela voz da sua presidente, a francesa Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças de França, já perguntou, sem papas na língua...’

    Rajoy quer reduzir o deficit a zero, a partir de 2020 - ou seja, a oito anos de vista -, e ameaça as autonomias não cumpridoras. É grave fazê-lo. Como estaremos nessa altura, se continuarmos com as políticas até hoje seguidas? Com os desempregados com pensões de miséria e sem casa nem serviços de saúde onde se possam acolher? A saúde, têm-nos dito nos últimos anos, é cara demais para poder tratar os pobres. Que morram!, dizem os ultraconsevadores. É a regra da seleção natural aplicada aos humanos. Os ricos sobrevivem e os pobres que morram... Não há humanismo nem valores. As pessoas não contam. Ora, não foi para isso que se criaram as democracias e as conquistas sociais que nos trouxeram.’

A Tonga dos alemães

Ferreira Fernandes, A Tonga dos alemães:
    ‘(...) Portugal seria, não já, mas a seguir à Grécia, a Tonga dos alemães. Os reis de Tonga tinham um penacho no capacete e o nosso Presidente, já com as dificuldades financeiras que se lhe conhecem, tinha de arcar com mais essa despesa. É sempre a mesma coisa, a política: põem-nos um comissário para controlar os gastos e a primeira coisa que fazem é aumentar as nossas contas. Penachos! Não vi da parte dos políticos portugueses grande emoção sobre esta hipótese de ingerência estrangeira, mas não sou cego. Em Belém já existem capacetes com penachos, à porta e à cabeça de garbosos militares da GNR. Os alemães não têm nada para nos ensinar.’

Porque Cavaco ainda poderá rir-se de Passos

Pedro Tadeu, Porque Cavaco ainda poderá rir-se de Passos:
    ‘(…) Passos Coelho devia estar preocupado com o óbvio: o fim da credibilidade de Cavaco Silva junto das classes mais desfavorecidas tirou ao Governo, dentro da sua área partidária, o único fator de moderação do sentimento de revolta popular contra a política económica, o único contraponto catártico que as pessoas tinham para se agarrar à lógica de aceitação conformada da austeridade.

    Se for maldoso, Cavaco Silva cala-se agora, manda calar os seus, e espera para se rir de Passos Coelho.’

Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Tudo como dantes, quartel-general em Belém

No sábado, o Expresso noticiava que há uma “divisão profunda” entre o Presidente da República e o Governo, com Cavaco a discordar de alguns cortes na despesa e a temer "sangrias" na função pública e na Saúde.

No domingo, o Público voltava à carga, dando conta de que Cavaco e outras personalidades do seu círculo político não escondiam o desagrado com a austeridade, que, em seu entender, irá conduzir à destruição da classe média e, consequentemente, do tecido económico português, que assenta em pequenas e médias empresas, que vivem do consumo.

Afinal, nada disto é verdade. Liberato, em nome do Presidente da República, “nega desentendimentos com Governo”, pelo que Cavaco está de acordo com a política do Governo e jamais lhe passou pelo cocuruto exigir o afastamento do ministro das Finanças.

'Se isto não é um génio, o que será um génio?'

João Pinto e Castro, Um génio da política:
    ‘(…) Em pouco mais de seis meses, esvaíram-se em fumo todas as delicodoces juras de Passos Coelho. Eis a fatura de ir além da troika.

    Será Passos Coelho um mentiroso? Não, apenas um tolo facilmente manipulado pela gente determinada que o rodeia.

    Sabe-se que foi longamente preparado numa incubadora controlada por figurões como Ângelo Correia e Ilídio Pinho. Como todas as pessoas incultas, dedica uma fé supersticiosa a gente como Gaspar, munida de diplomas académicos cuja natureza e valor não entende. Imaginamo-lo deslumbrado nos fóruns europeus no meio dos grandes da Europa, com os quais pode trocar algumas palavras sobre a chuva que foi encontrar em Bruxelas em comparação com o lindo tempo que faz por cá.

    Se amanhã o seu governo cair e Passos seguir rumo a um exílio dourado, não haverá mal. Ele terá conseguido, num brevíssimo período de tempo degradar o estado social, descapitalizar a segurança social, reforçar a precariedade laboral e operar uma significativa descida dos níveis salariais - numa palavra, terá finalmente conseguido cumprir o programa oculto do PSD sem sequer o ter submetido a sufrágio.

    Se isto não é um génio, o que será um génio?’

Mobilização geral: secção laranja convoca coxos, marrecos e demais estropiados




Andava eu desconfiado de que o FAL regressara ao spin à labuta. A minha suspeita confirma-se hoje com esta pérola do FAL:
    ‘O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, está “imune” a eventuais manobras de bastidores que digam respeito à ação governativa e em especial à alegada vontade de alguns em ver no Ministério das Finanças outro homem que não Vítor Gaspar. Quem o garante ao DN são fontes do núcleo duro do Governo comentando a manchete de ontem do jornal Público, que dava conta da vontade de alguns cavaquistas não identificados em ver Gaspar sair do Executivo.

    O círculo íntimo governativo considera algumas notícias do fim de semana como “manobras de spin’ com o objetivo de distrair as atenções de outras polémicas recentes, numa alusão à questão das reformas do Presidente da República, que marcou a semana passada em termos informativos.’

O press release da secção laranja do DN decompõe-se em três partes:
    • Na primeira, dá conta de que o “círculo íntimo governativo” não vacilará perante “eventuais manobras de bastidores”;
    • Na segunda, ao mesmo tempo que atribui “eventuais manobras de bastidores” aos círculos cavaquistas, desvaloriza o papel do Presidente da República na crise actual, considerando que Cavaco não se move por convicções mas apenas com “o objetivo de distrair as atenções de outras polémicas recentes”;
    • Na terceira, desenterra quatro ex-ministros de Cavaco para defender Gaspar, sendo que três estão comprometidos até ao pescoço com o passismo (Braga de Macedo, Couto dos Santos e Mira Amaral) e o outro não quer deixar de ser chairman da Caixa (conseguindo, de resto, a proeza de falar e não tomar posição).
A secção laranja do DN é um razoável barómetro do estado anímico dos estarolas da São Caetano.

Num jornal da direita espanhola

Emilio Tora-Lamayo, presidente do Conselho Superior de Investigações Científicas: “La austeridad y los recortes no bastan para salir adelante”.

O fotógrafo estava lá (e o jornalista também)



Sorte a nossa que tenha sido registado para a posteridade o momento em que Passos Coelho trocou o supermercado de Massamá pelo “hipermercado da Amadora” para comprar “um litro de leite, uma garrafa de Coca-Cola, comida para o cão e sumos.

Para quando uma saída à rua?

Agenda do Presidente da República desde a ida a Guimarães no dia 21 de Janeiro:
    23 de janeiro de 2012
    15:30 O Presidente da República recebe, em audiência, a Direção da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares

    23 de janeiro de 2012
    17:00 O Presidente da República recebe, em audiência, o Governador do Banco de Portugal, Dr. Carlos Costa

    24 de janeiro de 2012
    18:40 O Presidente da República recebe, em audiência, o Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy.

    25 de janeiro de 2012
    12:30 O Presidente da República recebe, em audiência, os Chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas, a quem oferece seguidamente um almoço.

    26 de janeiro de 2012
    17:00 O Presidente da República recebe o Primeiro-Ministro para a reunião semanal.

    27 de janeiro de 2012
    11:30 O Presidente da República recebe, em audiência, o Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Engº Domingos Simões Pereira.

    30 de janeiro de 2012
    15:15 O Presidente da República recebe, em audiência, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru, Rafael Roncagliolo.

É praticamente consensual: há uma “crise da UE e na UE”

Vejam bem: até Pina Moura descobriu agora que a "crise da UE e na UE constitui um obstáculo poderoso e grave para uma redução mais rápida dos problemas portugueses".

“Não podemos aceitar a subserviência face a políticos incompetentes e ignorantes que só aprendem com a valsa das cotações”

António Correia de Campos, No pelourinho [hoje no Público]:
    ‘Vamos ter um ano mau, de défice não consolidado, depois de um outro em que a ficção da manigância nos colocou em aparente sucesso. Vamos dar aos credores, mesmo que não seja aos nossos vigilantes, a falsa noção de que andámos para trás. E, todavia, isso não é verdade e sobretudo custou muito esforço a muita e muito boa gente. Concentrámos a receita no purgante e agora vem o mesmo médico dizer que precisamos é de tónicos e fortificantes. Que o médico seja louco, pouco nos deve importar, mas que sejamos nós, as vítimas da purga e os culpados da anemia, já parece de mais.

    Há muito trabalho de casa para fazer. E trabalho para fora. Não podemos aceitar a subserviência face a políticos incompetentes e ignorantes que só aprendem com a valsa das cotações. Temos que lhes fazer chegar que não somos apenas meninos bem-comportados. Também não queremos faltar à escola nem ir para o recreio jogar o berlinde antes dos deveres feitos. Mas que não aceitamos o remédio duro e logo a seguir a crítica por o ter tomado. Temos que nos unir aos que murmuram e transformar o murmúrio em indignação.’

Os pobres que paguem a crise?

Helena Garrido, Os pobres que paguem a crise?:
    '"O governo anunciou que vai alargar por mais um ano o programa de prevenção de execuções para evitar que as famílias percam as suas casas". Diria que isto acontece em que parte do mundo? Na Europa? E aqui, em Portugal? Pois está enganado. É nos Estados Unidos.

    Em Portugal foram 6900 as casas entregues aos bancos por falta de pagamento dos empréstimos, um aumento de 17% em 2011. Quase metade dos casos aconteceram nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, com especial relevo para as zonas que funcionam como dormitórios.

    (...)

    Há umas semanas, num das análises à crise, o director da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, José Ferreira Machado, fez uma constatação muito interessante. Nos Estados Unidos, a sociedade e o governo responsabilizaram os bancos, ou seja, os credores, pela sua crise da dívida. Na Europa culpam-se os devedores. Atitudes que estão a determinar medidas e políticas completamente diferentes nos dois lados do Atlântico.

    (...)

    A culpa é da troika? Claro que não. O retrato dos números do desemprego, das execuções e das insolvências devia fazer ver ao Governo como é urgente adoptar medidas que também são exigidas pela troika, como a redução da factura das parcerias público-privadas e dos subsídios da electricidade. Há no programa de ajustamento medidas que tardam a chegar e que reduzem a factura da crise que os mais frágeis estão a pagar.

    "Os pobres têm de se sacrificar porque os ricos têm muitas despesas", diz ironicamente quem quer desdramatizar o desespero das conversas sobre a crise. Esperemos que este não seja o catecismo reinante. Os pobres que paguem a crise não é nenhum princípio liberal. É imoral.'

E se forem as agências de "rating" a salvar o euro?

Eduardo Paz Ferreira, E se forem as agências de "rating" a salvar o euro?:
    'A grande surpresa veio, no entanto, da excepção a este coro: Mario Monti, o primeiro-ministro de um dos países abrangidos pelo corte, congratulava-se, abertamente, com o comunicado da S&P e ironizava, mesmo, que poderia ter sido ele a ditá-lo, com excepção dos três BBB do ranking italiano.

    Para Mario Monti, a posição da agência representa uma ajuda preciosa para a linha que está a procurar afirmar contra o consenso de Berlim, ou seja a de que apenas a austeridade pode acalmar os mercados. Monti – e todos nós encontramos – então, na S&P um inesperado aliado na defesa de que o crescimento e não a austeridade deve ser a prioridade.

    Ironicamente, talvez então que as agências de "rating", com tanta frequência apontadas como coveiras do euro apareçam, afinal, como suas salvadoras. Se não conseguirem, com ou sem o seu apoio, talvez seja Mario Monti, entronizado em primeiro-ministro da Itália pela chanceler Merkel, quem vai derrubar a cortina de ferro alemã e abrir uma nova esperança para a União Europeia.'

“As certezas científicas, que julgo tão maradas, de certos professores de Economia”

Ferreira Fernandes, O YouTube nos livre dos certinhos:
    ‘(…) O futebol é-me um gosto ligeiro e portanto de pouco me vale ter desbaratado esta teoria. Mas tenho pena que uma simples visita ao YouTube não desmistifique também as certezas científicas, que julgo tão maradas, de certos professores de Economia.’

Domingo, Janeiro 29, 2012

Senhor Primeiro-ministro, tem mesmo a certeza de que só teve um encontro com o famoso ex-chefe das secretas?




Qualquer pessoa que não seja completamente tola percebe que alguém que abandonou abruptamente os serviços secretos (nas vésperas da cimeira da NATO em Lisboa), mudando-se de armas e bagagens para uma nebulosa Ongoing, não pode entreter-se a aviar encomendas do futuro governo dos estarolas, sobretudo quando essas encomendas envolvem assuntos tão melindrosos como a reestruturação dos serviços secretos.

Então, por que razão a Secção Laranja do DN prefere fazer-se passar por tola? Para chutar a bola para longe. É que, mais tarde ou mais cedo: A Secção Laranja do DN parece andar enervada.

Quando o assistencialismo se esquece do apoio aos idosos

O Correio da Manha entrevista hoje o ministro da Segurança Social. Não é estranho que, ao longo de duas páginas, só haja espaço para os cortes no rendimento social de inserção e nem uma questão seja colocada sobre o que o Estado pode fazer para reduzir o número elevado de casos de idosos que são encontrados mortos em casa? Esta gente — governante e "jornalistas" — já nem disfarça o que lhe vai na alma.

Está bonita a festa, pá [13]







Que há divergências entre o cavaquismo e o neoliberalismo dos estarolas já se sabia. Mas agora as coisas estão ao rubro, a ponto de, segundo se lia ontem no Expresso, o PSD, através de “um alto responsável da maioria”, dizer querer ajudar Cavaco “a terminar o mandato com dignidade”.

O colossal estampanço de Cavaco na semana passada levou os estarolas a atirarem-se a ele sem contemplações. A reacção de Cavaco, bem ilustrada nas manchetes do Expresso (ontem) e do Público (hoje), revela que a coisa promete.

Apesar de termos um governo que aposta tudo na destruição do “modelo social e económico construído após o 25 de Abril”, é possível confiar no spin cavaquista, quando o Presidente da República já disse tudo e o seu contrário e preparou meticulosamente a queda do anterior governo (que nos atirou para a situação actual)? Afinal de contas, que quer o cavaquismo: Aguardemos pelos próximos episódios.

Aos sábados, entre as 11 e 12 horas, na TSF

Pedro Adão e Silva versus Pedro Marques Lopes, debate que pode ser ouvido aqui:
    • Dias de mudança na CGTP; e
    • Plano de resgate.

Da mentira colossal aos truques orçamentais

O Diário Económico não deu destaque a este artigo de Pedro Marques, intitulado “Bem prega Frei Tomás”, que encontrei, por acaso, reproduzido no Facebook.

Nele se desmonta a mentira do chamado “desvio colossal”:
    ‘No dia 24 do corrente mês, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) do Parlamento, procedeu à análise independente da execução orçamental de 2011 em Contabilidade Pública, conforme publicada no boletim da Direcção-Geral do Orçamento (DGO).
    Impõe-se, antes de mais, uma primeira conclusão: a despesa pública efectiva em 2011, em Contabilidade Pública, oficializada pela DGO, ficou 1.440 milhões de euros abaixo do valor total de despesa previsto no Orçamento de Estado Inicial de 2011. Ou seja, não se verificou qualquer desvio orçamental nesta despesa, como durante meses quiseram fazer crer aos portugueses.’

Depois, Pedro Marques faz referência a dois truques orçamentais do ministro das Finanças:
    ‘Primeiro, no Orçamento de Estado para 2012, a apenas três meses do final do ano de 2011, e portanto com tanta informação relevante disponível, foi empolada em 1.713 milhões de euros (1% do PIB!) a previsão de despesa de 2011 em relação ao que se veio a verificar, por forma a sustentar a narrativa do desvio da responsabilidade do Governo anterior. Este truque sustentou também uma sobre-orçamentação imediata para 2012 da despesa global em valor da mesma ordem (devido ao efeito de base), deixando assim ao Governo um bom conforto para a execução de 2012, mas à custa de cortes de apoios sociais e salários dos portugueses. O Governo sempre negou este facto agora tornado público.

    Segundo, o Governo revelou-se diligente a empurrar para 2012 receitas não-fiscais previstas pelo anterior Governo para 2011 (concessões e venda de património, nomeadamente), num valor de cerca de 750 milhões de euros. Assim o Governo reforçou a narrativa do desvio em 2011 (neste caso, por "falta" de receitas), aproveitando para melhorar a execução de 2012. As receitas ‘one-off', que foram reputadas por este Governo como uma prática errada, agora já são admitidas no novo ano, como documenta a análise da UTAO e um documento do Ministério das Finanças que foi conhecido publicamente há poucas semanas.

    O problema para o ministro Vítor Gaspar é que estes truques não fazem nada bem à credibilidade da sua política orçamental, já tão afectada pelo conteúdo do documento acima referido, que circulou de forma restrita em Conselho de Ministros e acabou por ser tornado público. Neste documento, o Governo assumia, ainda antes do ano começar, um desvio na execução orçamental de 2012 de cerca de 2.148 milhões de euros, devido à péssima condução da transferência dos fundos de pensões do sector financeiro para o Estado.’

As causas perdidas do glorioso Centro Democrático e Social



Augusto Santos Silva no Facebook:
    ‘Cinco gloriosas causas gloriosamente defendidas pelo glorioso Centro Democrático e Social, cujo paradeiro perdi em junho e ainda não voltei a descobrir:

      1. O Apoio à Lavoura.
      2. O Aproveitamento do Mar.
      3. A Segurança nas Ruas.
      4. A Celeridade da Justiça.
      5. A Defesa Intransigente do Contribuinte Espoliado.

    Alguém sabe delas?’

Após uma nova chicotada psicológica: “Só faço estas coisas temporariamente”

A revista do Expresso traz esta semana uma reportagem sobre comentadores políticos, no essencial com gente da velha guarda, o que permite ver como é a direita que domina este espaço de formatação das nossas cabecinhas. Entre eles, lá aparece Manuel Maria Carrilho, que está para António Barreto como Portugal está para a Grécia — é apenas uma questão de tempo que os separa.

Carrilho foi agora afastado da TVI24, depois de, há uns anos, ter sido convidado a sair da SIC (generalista) — em ambos os casos por falta de audiências. Como é que justifica ele estes dois estampanços televisivos? “Só faço estas coisas temporariamente”.

Ainda que mal pergunte… [82]

Fazendo minha a questão colocada a Passos Coelho por Alberto Costa, ex-ministro da Administração Interna e da Justiça de governos PS, na edição de hoje do Público, “como se explica a incoerência territorial demonstrada nas mudanças anunciadas pelos ministros da Administração Interna (fim dos governos civis) e da Justiça (criação de tribunais distritais)?