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quinta-feira, dezembro 03, 2015

Há almoços grátis


Que está a fazer Sérgio Monteiro para preparar a venda do Novo Banco? Nada. O ex-ajudante encarregue das privatizações explica-se: «o lançamento formal do processo de venda acontecerá apenas após a aprovação do plano de reestruturação». E a quem incumbe elaborar o plano de reestruturação? «O plano de reestruturação está a ser elaborado por quem deve ser elaborado, que é pela equipa do Novo Banco». Nesse ínterim, sem nada para se entreter, Sérgio Monteiro não poderá enfastiar-se, tanto mais que «não há nenhuma decisão tomada, nem quanto ao modelo nem quanto à forma»? Não, nem pensar: «vamos deixar que o trabalho progrida tranquilamente».

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Um post sobre Sérgio Monteiro ou sobre Carlos Costa?


Está quase tudo dito sobre Sérgio Monteiro. Vale a pena no entanto determo-nos em dois pontos:

1. A contratação por ajuste directo de Sérgio Monteiro leva-nos a questionar o que têm feito as entidades que haviam sido contratadas a peso de ouro para assessorar a venda do Novo Banco (referidas mais longamente aqui). Veja-se:

    • O BNP Paribas foi contratado para assessorar financeiramente a venda do Novo Banco. Pelos seus avisados conselhos, o banco francês recebe uma remuneração mensal de 250 mil euros, durante dois anos, e um prémio de sucesso (success fee) de 10 milhões. Tudo somado: 15 milhões de euros.

    • Enquanto «Autoridade de Resolução», o Banco de Portugal decide contratar mais um assessor financeiro, a TC Capital. Despesa anunciada dos serviços a prestar durante dez meses: uma remuneração mensal de 30 mil euros e um prémio de sucesso (success fee) de 500 mil. Tudo somado: 800 mil euros.

Agora, chega a vez de abrir os cordões à bolsa a Sérgio Monteiro. Porquê? Os outros não dão conta do recado?

2. Se no caso das anteriores contratações não foi sequer justificado os montantes envolvidos nos negócios, o Banco de Portugal recorreu a um artifício para que «o Dr. Sérgio Monteiro tenha direito a uma remuneração igual à que auferia na Caixa – Banco de Investimento, SA antes de desempenhar as funções de Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações».

Com efeito, Sérgio Monteiro deixou de ser administrador de uma instituição detida pela Caixa Geral de Depósitos quando foi nomeado secretário de Estado. Ao abandonar as funções no Governo, regressaria ao lugar de origem no banco público, uma vez que o cargo de administrador já estava ocupado. Se a remuneração a pôr à disposição de Sérgio Monteiro é a que ele auferiria após o regresso à Caixa, então deveria ter sido calculada em função do lugar de origem no quadro de pessoal e não com base num cargo (transitório) que ele abandonara há quatro anos.

Este não é bem um post sobre Sérgio Monteiro. Talvez seja mais sobre Carlos Costa, porque o Banco de Portugal não pode ser gerido como se fosse uma quinta privada.

sexta-feira, novembro 06, 2015

Novo Banco, biombo velho

Imagem daqui

• Pedro Silva Pereira, Novo Banco, biombo velho:
    «Nunca tinha acontecido, mas aconteceu agora: uma entidade pública dependente do Governo teve a extraordinária ousadia de contratar um membro do próprio Governo para exercer uma actividade profissional imediatamente a seguir a deixar o cargo! A inovação, de tão exótica, impressiona. A tal ponto que - valha-nos Deus! - nem quero pensar o que seria se uma coisa destas tivesse acontecido com um governo socialista: sem dúvida, o País estaria hoje mergulhado numa onda de comoção nacional lamentando a quebra de mais uma tão nobre “tradição democrática portuguesa”. Felizmente, não é o caso e podem por isso os moralistas oficiais do regime, sempre tão apegados às tradições, assobiar para o lado e resignar-se à incontornável fatalidade histórica de que a tradição já não é o que era.

    Em causa, obviamente, está a recente contratação do dr. Sérgio Monteiro para liderar o processo de venda do Novo Banco. Não pelas qualidades pessoais ou profissionais do interessado, que não se trata de discutir aqui, mas sim pelas circunstâncias absolutamente anormais do caso.

    A contratação de Sérgio Monteiro para as funções de Project Management Officer do projecto de venda do Novo Banco foi tornada pública por comunicado do Banco de Portugal de 29 de Outubro. A data é importante: nessa altura, o dr. Sérgio Monteiro estava ainda no exercício de funções como membro do Governo, enquanto secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações. Perguntar-se-á, ainda assim, se não será legítimo que o Banco de Portugal, com a autonomia de que goza na gestão dos seus recursos humanos, possa promover negociações com um membro do Governo tendo em vista a sua contratação futura como profissional, desde que esse contrato só produza efeitos terminado o exercício das funções governativas? Tivesse a contratação sido realmente efectuada pelo Banco de Portugal e o caso, embora discutível, poderia ser, apesar de tudo, defensável. Mas a verdade é que o Banco de Portugal não contratou ninguém: limitou-se a emitir um comunicado e a servir, mais uma vez, de biombo do Governo.

    As aparências têm destas coisas: por vezes iludem. Sendo a contratação anunciada pelo Banco de Portugal, em comunicado seu, publicado no respectivo sítio oficial, a imagem que inevitavelmente passa, e sem dúvida se quis passar, é a de que se tratou de uma contratação feita pelo próprio Banco de Portugal. E funcionou: foi exactamente isso que acabou escrito, preto no branco, na maior parte dos jornais. Contudo, uma leitura um pouco mais atenta do segundo parágrafo do comunicado do Banco de Portugal revela, sem margem para dúvidas, que afinal a contratação do então secretário de Estado foi efectuada não pelo Banco de Portugal, que apenas a divulgou, mas sim pelo Fundo de Resolução - o que faz toda a diferença. De facto, o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução não são a mesma coisa. O Fundo de Resolução é uma entidade pública, detida pelo Estado, cujos administradores são maioritariamente nomeados pelo Governo ou com a sua participação. Sendo assim, não há volta a dar: que uma entidade pública, sob tutela governamental, dirigida por administradores maioritariamente nomeados pelo Governo, tenha contratado os serviços profissionais de um membro do Governo em funções, é, obviamente, ultrapassar os mais elementares limites da decência. Que o tenhamos de saber pelo site do vizinho, é ainda mais feio

quinta-feira, outubro 01, 2015

Nem os valetes da direita dissimulam o descontrolo da dívida

Pedro Sales recorda aqui o que a RTP afirmava há dois meses sobre a dívida pública: não apenas era aldrabado o valor da dívida aquando da posse do governo de Passos & Portas (era então de 106%), como não tornava claro que o valor indicado para 2015 era uma previsão tão optimista que há muito havia sido ultrapassada pela realidade. Veja-se:


Hoje, o Banco de Portugal comunica que a dívida está nos 130,2%, tendo aumentado 3,3 mil milhões de euros em relação a Dezembro. É obra. Não há (José Rodrigues dos) Santos que lhes valham.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Bruxelas divulga documento que contradiz o Governo,
Cavaco Silva e o governador do Banco de Portugal:
contribuintes podem ter de pagar perdas do Novo Banco


Recorda-se, caro leitor, do que eles disseram sobre o Novo Banco? Refresquemos a memória:
    "[A solução] é aquela que oferece, seguramente, maiores garantias de que os contribuintes portugueses não serão chamados a suportar as perdas que, neste caso, respeitam pelo menos a má gestão que foi exercida pelo BES".
    "[A resolução do BES] protege os depositantes, seja qual for o valor dos depósitos, protege os contribuintes, salvaguarda os postos de trabalho, evita rupturas de crédito à economia, contribui para a estabilidade do sistema financeiro como um todo".
    "Os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com a decisão tomada hoje. A nova instituição será detida integralmente pelo Fundo de Resolução".
    "A medida de resolução agora decidida pelo Banco de Portugal, e em contraste com outras soluções que foram adoptadas no passado, não terá qualquer custo para o erário público, nem para os contribuintes".
    "A autoridade de supervisão, entre as alternativas que se colocavam, escolheu aquela que melhor servia o interesse nacional e que não trazia ónus para o contribuinte".

Então, saiba, caro leitor, que um documento elaborado no seio da Comissão Europeia adverte para a possibilidade de os contribuintes portugueses virem a ter de suportar as perdas do Novo Banco. Como se sabe desde que o Governo adoptou a resolução do BES.

ADENDA — Os dois vídeos seguintes ajudam a relembrar a história da criação do Novo Banco (o primeiro) e a verificar os efeitos da opção tomada pelo Governo (o segundo):

Rui Pedro Nascimento (via Nuno Serra)

quinta-feira, setembro 24, 2015

Banco de Portugal: a placa giratória entre a política e os negócios

Hoje, na revista Sábado:

Clique nas imagens para as ampliar

NOTA — A peça refere que Duarte Schmidt Lino é presidente da Assembleia Geral da Finangeste. Mas tem um curriculum mais vasto: para além de ter sido parceiro de blogue de Pedro Lomba, ajudante do ministro Maduro, é também accionista e vogal do conselho de administração do blogue Observador, no qual pode dar livre curso à ideia de que, se tudo pudesse ser resolvido «a cacete», a direita não hesitaria: «[D. Afonso Henriques] Tinha essa facilidade, não é? Tinha essa facilidade. Apesar de tudo, ajudava.» Como aconteceu durante 48 anos.

sábado, setembro 19, 2015

Passos, o BES e a verdade


• Pedro Silva Pereira, Passos, o BES e a verdade:
    «A narrativa angelical de Passos Coelho sobre o BES distorce grosseiramente os factos e enjeita indecentemente responsabilidades. A longa sucessão de enganos, ilusões e meias-verdades que pontuam desde o início o discurso de Passos Coelho sobre o BES confirma um problema estrutural que vem de longe: Passos e a verdade não se dão bem.

    Já em 2011 todos vimos Passos Coelho a prometer em campanha muitas coisas que não cumpriu a seguir às eleições. Desta vez, porém, temos uma novidade absoluta. Com o apressado recuo na sua surpreendente promessa de ele próprio "organizar" (sic) uma subscrição pública para financiar o recurso dos lesados do BES aos tribunais, o que Passos fez foi anunciar, ainda em plena campanha, que a promessa que fez na véspera aos lesados do BES afinal não é para cumprir. Ora aí está um feito digno de nota: mais rápido do que a própria sombra, Passos conseguiu quebrar uma promessa eleitoral ainda antes das eleições! É obra.

    O caso não teria relevância de maior se não se tratasse da confirmação de um padrão de comportamento. Quem não se lembra de Passos Coelho em 2011, no seu caminho para empurrar Portugal para a crise política e para o pedido de ajuda externa, a queixar-se em público de uma pretensa deslealdade institucional por alegadamente ter sido informado apenas telefonicamente do PEC IV, para depois se apurar que, afinal, foi informado presencialmente pelo primeiro-ministro de então, numa reunião de várias horas na Residência Oficial de São Bento?

    Vem isto a propósito do permanente "passa-culpas" de Passos Coelho a propósito da resolução do BES e das consequências do fiasco da venda do Novo Banco. Toda a narrativa de Passos sobre a resolução do BES está viciada por uma sistemática - e irritante - distorção dos factos. Vejamos três aspectos essenciais.

    Em primeiro lugar, embora a decisão de resolução do BES seja formalmente do Banco de Portugal, é óbvio que, ao contrário do que diz Passos, a operação de resolução do BES foi, desde o início, uma operação conjunta do Banco de Portugal e do Governo. Só isso explica que o Conselho de Ministros tenha aprovado em segredo o regime jurídico ao abrigo do qual a resolução viria a ser feita e que o tenha feito de urgência, no dia 31 de Julho de 2014, precisamente o dia seguinte à divulgação dos prejuízos do BES e véspera do dia em que a decisão de resolução foi comunicada pelo Banco de Portugal ao BCE. Mais: só com um especial envolvimento do Governo teria sido possível, como foi, obter do Presidente da República a promulgação desse decreto no próprio dia (!) em que ele foi aprovado em Conselho de Ministros. Com franqueza: dizer que a aprovação urgente deste Decreto-Lei pelo Governo não tem nada que ver com a resolução do BES decidida pelo Banco de Portugal no dia seguinte, ultrapassa os limites do razoável.

    Em segundo lugar, é também rotundamente falso que o Fundo de Resolução, único accionista do Novo Banco, seja detido ou sequer financiado (pelo menos, até ver) pelos bancos do sistema financeiro, ao contrário do que repetidas vezes o Governo tem referido. A verdade é que o Fundo de Resolução é uma entidade pública, da administração indirecta do Estado, que consolida no perímetro das contas públicas (e por isso o fiasco da venda do Novo Banco fará disparar o défice público de 2014 para cerca de 7,4% do PIB). Mais: o Fundo de Resolução é dirigido por uma administração constituída por três pessoas, a maioria (!) das quais - duas em três - é designada com intervenção directa da ministra das Finanças e nenhuma delas é indicada pelos bancos comerciais. Mais ainda: as receitas do Fundo de Resolução, além dos empréstimos, têm sido constituídas, essencialmente, por receitas fiscais desviadas para esse fim (por consignação das contribuições fiscais da banca), ou seja, por dinheiro que é indiscutivelmente dinheiro público, oriundo do Orçamento de Estado.

    Em terceiro lugar, ao contrário do que diz Passos, não é verdade, como já toda a gente percebeu, que a resolução do BES não implique custos para os contribuintes, mesmo que o Novo Banco seja vendido por um valor inferior ao que o Estado injectou no Fundo de Resolução - como é hoje mais do que certo. Não só a factura que impende sobre a Caixa Geral de Depósitos acabará sempre por penalizar os contribuintes, como a consignação acrescida de receitas fiscais, ainda que oriundas das contribuições da banca, resultará obviamente em prejuízo dos contribuintes e do Orçamento de Estado.

    A narrativa angelical de Passos Coelho sobre o BES distorce grosseiramente os factos e enjeita indecentemente responsabilidades. Pior: depois de induzir em erro clientes e investidores, hoje lesados do BES, pretende agora levar ao engano os contribuintes e os eleitores. Mas não passará.»

Livrai-nos do Bom

• João Quadros, Livrai-nos do Bom:
    «Comunicado do Banco de Portugal: "No seguimento do convite do Fundo de Resolução, publicado a 4 de dezembro de 2014, 17 entidades manifestaram interesse no procedimento de alienação do Novo Banco dentro do prazo fixado (até às 17h00 de 31 de dezembro de 2014)".

    Eram 17 interessados e, no fim, não houve casamento. O melhor é o Novo Banco ir para um convento. Parece-me a ideia mais sensata, não vale a pena insistir e vai-lhe saber bem o silêncio depois das manifestações dos lesados do BES. Em princípio. Porque a verdade é que o Novo Banco esteve, recentemente, quase um ano numas termas, a limpar todo o bicho que tinha e, no final, saiu de lá com mais 200 milhões de prejuízo em seis meses. (…)»

quarta-feira, setembro 16, 2015

Para os braços da troika, rapidamente e em força!
(a carta que revela que Passos incentivou, pressionou, conspirou…)


A carta de Passos Coelho enviada a José Sócrates, hoje divulgada pelo Público (cf. aqui e aqui), é um dos últimos actos da conspiração — montada pelo Presidente da República, pelo governador do Banco de Portugal, pelos partidos da direita e pelos banqueiros — para derrubar o anterior governo e justificar a entrada da troika, condição considerada indispensável pela coligação de direita para desmantelar o Estado Social, eliminar os direitos laborais e ir ao pote (incluindo as receitas da Segurança Social). Eis a carta:


    Confidencial

    Gabinete do presidente

    Senhor primeiro ministro

    Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor Presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação.

    Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação.

    Não desconheço que o Governo tem repetidamente afirmado que Portugal não necessitará de recorrer a qualquer mecanismo de ajuda externa e é certo que a competência pela gestão das responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.

    Não disponho de informação sobre as acções e diligências que o Executivo estará a desenvolver para assegurar o cumprimento dessas obrigações. Porém, é do conhecimento público a situação do mercado que a República vem defrontando, desde há vários meses a esta parte, bem como o facto de o sistema bancário se encontrar sem acesso ao mercado desde há mais de um ano.

    Atenta a especial sensibilidade desta matéria e as gravíssimas consequências que decorriam para o nosso país de qualquer eventual risco de incumprimento, é essencial que o Governo garanta, com toda a segurança e atempadamente, adopção das medidas indispensáveis para evitar tal risco.

    Nestas circunstâncias, entendo ser meu dever levar ao seu conhecimento que, se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos.

    Considerando a extrema relevância desta matéria, informo ainda que darei conhecimento desta carta confidencial ao senhor Presidente da República.

    Com os cumprimentos,

    [assinatura]

    Pedro Passos Coelho

    Lisboa, 31 de Março de 2011

terça-feira, setembro 15, 2015

E os dez milhões de contribuintes, Senhor?

Autor: Luís Vargas

    «As responsabilidades de Passos Coelho na tragédia BES/Novo Banco:
      1. Deixou arrastar a derrocada do BES/GES, sem intervir a tempo, apenas para salvar as aparências de uma saída limpa do programa de resgate.

      2. Assegurou aos Portugueses que o BES era seguro quando sabia ou devia saber que não o era.

      3. Nomeou quem quis, aliás da sua estrita confiança (por exemplo, um seu ex-secretário de Estado) para a administração do Banco de Portugal, quando teve oportunidade de recompô-la. Depois, renovou o mandato do Governador do Banco de Portugal.

      4. Recusou o caminho alternativo de fortalecer o Novo Banco antes de colocá-lo à venda.

      5. Fugiu à sua obrigação número um como governante: acautelar os interesses do país, defender os contribuintes portugueses e assegurar a estabilidade do sistema financeiro.

sábado, agosto 22, 2015

O dia em que o pequeno grande arquitecto
poderá cantar loas ao «socialismo» chinês


A CMVM, «em articulação, designadamente, com o Banco de Portugal», está «disposta a verificar e seguir o rasto e a origem das verbas utilizadas por empresas detidas ou geridas pelo dr. Álvaro Sobrinho na aquisição ou investimento em empresas em Portugal, cotadas ou não».

A investigação em curso foi desencadeada a pedido do deputado Duarte Marques, preclaro membro da comissão parlamentar de inquérito ao BES, que só descobriu que Álvaro Sobrinho terá negócios em Portugal quando se deu a mudança de Jorge Jesus para Alvalade.

A comunicação social associou a investigação à SAD do Sporting, ignorando a circunstância de Álvaro Sobrinho, figura proeminente do BES Angola, ser o proprietário do Sol e do i, de resto através de uma empresa sedeada no paraíso fiscal do Panamá.

Provavelmente, ninguém estará interessado em ficar com estes dois cancros financeiros. Em todo o caso, como há coisas do arco-da-velha, não é de excluir a hipótese de o Sol e o i irem parar às mãos do Novo Banco. Seria alucinante ver o pequeno grande arquitecto a pôr os seus neurónios ao serviço do «socialismo» chinês. À cautela, o Sol e o i ainda não fizeram referência a esta investigação.

quinta-feira, julho 16, 2015

Qual tem sido a posição do governador do Banco de Portugal?

— Ó Sr. Governador, já sabe que o Draghi exasperou o nosso amigo Schäuble? Que topete!

    «Já conhecemos o vergonhoso comportamento do governo português em relação à Grécia. Depois das declarações de Draghi - em que este acusa alguns países, nomeadamente a Alemanha, de quererem expulsar a Grécia do euro, violando o mandato do BCE - era importante conhecer o que tem feito e como tem votado Carlos Costa. O país tem direito a saber.»

sábado, junho 13, 2015

O governador do Governo que os portugueses rejeitam

O Governo de Passos & Portas comporta-se como se não houvesse amanhã — ou melhor, actua como alguém que já sabe o que vai acontecer amanhã. A recondução apressada do governador do Banco de Portugal é apenas mais um exemplo de que o Governo perdeu completamente as estribeiras: da captura do aparelho do Estado à lambarice no pote, é um fartar vilanagem.

O governador Carlos Costa não foi alheio às manigâncias para abrir a porta à troika, deu depois cobertura activa à política austeritária de «ir além da troika», chegou tarde ao BES, eludiu as responsabilidades do Governo na matéria e defraudou os clientes do papel comercial. É obra a mais para que os portugueses não olhassem para a recondução de Carlos Costa como uma forma de manter por perto um homem que sabe de mais e que poderia criar problemas se abrisse a boca em vésperas das eleições.

Esta sondagem da Aximage revela isto mesmo:

sábado, junho 06, 2015

Suspeita de cartelização no crédito

A Autoridade da Concorrência acusa 15 bancos por suspeita de cartelização no crédito. Estando o processo ainda em fase de contraditório, teremos assim de aguardar o que o governador do Banco de Portugal e o Governo (que nomeou o conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos, um dos bancos envolvidos) terão a dizer sobre a mancomunação entre 15 bancos para esfolar os seus clientes.

quarta-feira, junho 03, 2015

Voltar ao ponto de partida, mas agora de tanga


Em jeito de balanço de 2014, Passos Coelho sustentou que o país estava viver uma «recuperação saudável», sem retorno a «velhas políticas»: «O nosso crescimento é saudável e sustentável quer quando olhado por via da procura interna — consumo sem endividamento — quer do lado investimento, que está no essencial a ser dirigido para equipamentos, maquinaria, que acabará por produzir um aumento do produto potencial a prazo.» E para que não subsistissem dúvidas, o alegado primeiro-ministro acrescentou: «tudo isto sem acrescentar dívida, quer às famílias, quer às empresas, sem qualquer modelo económico que esteja condenado ao fracasso no médio prazo».

A cantilena com que Passos & Portas se vão aventurar a ir a votos é linear: a economia deu a volta e agora assiste-se a um crescimento sem endividamento. Acontece que isto é falso.

É certo que o Tribunal Constitucional deu um leve empurrão ao consumo quando chumbou os cortes inconstitucionais do Governo. Mas agora sabe-se, através do Banco de Portugal, que o crescimento, mesmo medíocre, foi impulsionado pelo crédito ao consumo, que regressou a níveis do início de 2011. E que o investimento de que fala o alegado primeiro-ministro («equipamentos, maquinaria») é, como mostra o INE, em automóveis.

Mas não é caso para a coligação de direita desanimar. O PSD e o CDS podem ousar apresentar-se às eleições erguendo a grande reforma estrutural do Governo: uma redução brutal dos salários e a constituição de um monstruoso exército de desempregados como Portugal não conhecia.

segunda-feira, junho 01, 2015

A estranha recondução do governador

O Diário Económico lança a questão: «Passos Coelho reconduz Carlos Costa. Comente.» Tiago Antunes e Hugo Mendes respondem:

Clique na imagem para a ampliar

sexta-feira, maio 29, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [920] (número duplo)


A confiança manifestada pelo Governo ao propor a recondução do dr. Carlos Costa demonstra que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o Presidente da República, Cavaco Silva, não foram certamente levados ao engano na confiança que expressaram há uns tempos sobre o Banco Espírito Santo, enganando milhares de investidores. É só isso que tenho a dizer.

Mais do que nunca se justificava procurar um apoio mais alargado para a nomeação do próximo governador do Banco de Portugal e esta é talvez a nomeação mais partidarizada a que se assistiu nos últimos anos.

A confiança do governo em Carlos Costa

    «Pelos vistos, o Governo continua a ter confiança em Carlos Costa para Governador do Banco de Portugal. E deve ter dados para crer que o Presidente da República também continua a confiar em Carlos Costa para Governador. Isso é muito esclarecedor: significa que não foram levados ao engano na confiança que expressaram sobre o BES e pela qual enganaram milhares de investidores. Mais uma vez, “diz-me em quem confias, dir-te-ei quem és”.»

A banda sonora

Já não faço questão de recordar o que Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas disseram da actuação do governador do Banco de Portugal no caso BES. Mas qualquer pessoa que tenha seguido os trabalhos da comissão de inquérito estará lembrado de como o governador foi então sovado pelos deputados da direita, tendo-se mostrado particularmente cruéis Carlos Abreu Amorim (PSD) e Cecília Meireles (CDS-PP), como uma simples consulta no Google o comprova.

Ora coube precisamente aos deputados CAA e Cecília Meireles a missão de enaltecer o perfil do governador Carlos Costa. CAA, com a coluna vertebral de um caracol, diz que o mandato de Carlos Costa foi «exemplar»; por sua vez, Cecília Meireles recusa que a recondução do governador seja engolir um sapo.

Uma coisa é certa — a coligação a engolir sapos (Carlos Costa) já tem banda sonora para a campanha eleitoral: