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sexta-feira, dezembro 04, 2015

A oposição já tem programa: abolir o hífen!


• Ferreira Fernandes, A oposição já tem programa: abolir o hífen!:
    «Primeiro-ministro, a palavra, é o tabu da oposição. Um deputado do PSD que passe por um governante e diga "o amigo é o primeiro ministro que vejo hoje nos corredores", sublinharia logo: "Primeiro ministro sem hífen, atenção!" À direita, a palavra "primeiro-ministro" está tão banida como "bomba" em aeroporto americano. Esta semana, na discussão do programa do Governo, Passos Coelho disse: "Este Governo, assim como o seu chefe..." Kaput ao inominável cargo! Como Portas é só líder secundário da oposição, já pode ser menos radical: "Senhor primeiro-ministro, vírgula, mas senhor primeiro-ministro que o povo não escolheu." E Telmo Correia, ainda mais secundário, também pode dizer o palavrão, já que lhe acrescenta a irrisão: "Primeiro-ministro não eleito." Primeiro-ministro sozinho é que não, é pecado capital, quem o disser denuncia-se como assinante do Avante. Entre a gente bem, dizer "primeiro-ministro" é como dar dois beijinhos na face, sei lá... Um anátema não se explica, diz-se pela boca fora. Telmo Correia - tão contra primeiros-ministros que não são eleitos como tal! -, quando foi ministro (do Turismo), foi com Santana Lopes que, substituindo Durão, saiu da Câmara de Lisboa para ocupar o cargo de primei..., perdão, coiso. E que dizer da semana passada, quando Cavaco empossou o Governo? Vocês julgam ter visto Passos cumprimentar o novo primeiro-ministro, mas não. Dizia-lhe: "Que faz aqui no bairro, António, veio aos pastéis?"»

segunda-feira, outubro 26, 2015

«Atenção, se aquelas palavras de Cavaco
se aplicarem num ato político»...

• Ferreira Fernandes, As aspas do "golpe de Estado em Portugal":
    «(…) Ah, Cavaco abusou? Façamo-lo, então, general Alcazar! E foi assim que, no fim de semana, o Twitter inventou um "golpe de Estado em Portugal". Toca de publicar fotos de procissão na Cova da Iria e maratona no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, com legenda: "Protestos gigantescos". Mais fotos: velhas manifestações de polícias e a bandeira nacional içada ao contrário mostrando o país descontrolado. E o 0-3 na Luz confirmando mais um atentado aos grandes símbolos nacionais... Ok, piadas, é giro. Mas, atenção, se aquelas palavras de Cavaco se aplicarem num ato político, tirem as aspas ao "golpe de Estado em Portugal." E isso não dará vontade de "lol, lol, lol..."»

sábado, outubro 24, 2015

«E se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?»



• Ferreira Fernandes, O processo de apagamento em curso:
    «(…) Saí do café a matutar na velha e desiludida ideia de que as pessoas só entendem quando lhes batem à própria porta. O abuso cometido, por enquanto, é só um problema "deles", os do PCE e do BE, só 996 872 portugueses, só 18,44% dos votantes, a quem acenaram com um direito que depois rasuraram, mas só a eles. Ninguém, para lá dos comunistas e dos bloquistas, pensou: e se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?

sexta-feira, outubro 23, 2015

Directamente do WC

• Ferreira Fernandes, Entretanto, diretamente do WC:
    «Eu tenho um excelente amigo que tem o hábito de me atender o telefone com um: "Olá, amor." Não gosto. Mais, engalinho. Raramente saudei assim e nunca o fiz sem fortes motivações afetivas. E, julgo, tive sempre o escrúpulo de guardar a palavra para situações íntimas. Do tipo: "Isso é só um pardal, amor", quando a minha filha, 2 anos, olhava para um galho, no Jardim Zoológico, em vez de ver a girafa. Calculem como eu me sentiria se, um dia, pelo aleatório que é isso de escutar telefonemas, pelo irresponsável que é isso de magistrados alimentarem pombos e pela pulhice que é a de alguns jornais fazerem manchetes com o que os pombos sujam os beirais, se o meu nome aparecesse num título: "Olá, amor!"... Ontem, um homem que fez uma carreira com - e digo a palavra muito usada e pouco acertada, mas nele completamente adequada -, com classe, António Guterres, apareceu na capa dum jornal, como tendo dito a alguém: "Arranjaste um bom tacho." A conversa telefónica era completamente privada. De um para um. Um abuso, portanto. Eu diria o mesmo, um abuso, se, em vez de "arranjaste um bom tacho", se estampasse nos quiosques uma manchete dizendo: "Olá!", com o complemento de informação de que António Guterres disse-o a Angelina Jolie, num telefonema privado. Como o jornal em questão é o mais vendido em Portugal, pode parecer que nos é natural que esse abuso passe por natural. Lamento confirmá-lo: é, para muitos é mesmo natural.»

sexta-feira, outubro 02, 2015

O crucifixo de Passos

Ferreira Fernandes, hoje no DN
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quinta-feira, setembro 17, 2015

Aviso ao marqueteiro: calma, meu...

• Ferreira Fernandes, Aviso ao marqueteiro: calma, meu...:
    «(…) E, por cá, há lançadores de lama? Haverá, mas isto é um país de pegadores de cernelha. Assim, temos a especialidade de brandos costumes onde a lama se atira de ricochete. Há um fantasma, que não serve para ser atacado, mas para fazer de lama. Então, há que expô-lo, gritá-lo, levar-lhe pizas a casa. O mais recente episódio (e não será o último) foi inventar o fantasma num anúncio duma universidade brasileira. Qualquer marqueteiro saberia fazer o truque e com quem. Mas já roça o insulto pensar que aquilo, e agora, convence muitos portugueses.»

segunda-feira, setembro 14, 2015

«Um peixe-papagaio, a dizer não importa o quê.
Fora do aquário ainda é mais aflitivo»


• Ferreira Fernandes, Até dá saudades do cherne:
    «(…) Passos, o imprevidente que não viu o desastre do BES chegar, meteu-se num mercado de Braga cheio de indignados do BES! Andou a fugir aos debates e, ali, quis debater com gente vociferante... Em um para um, Passos perde sempre. Que queria que acontecesse contra uma multidão? O pior é que ele próprio se deu logo conta no que se metia e pôs-se a mexer os lábios de forma estranha: 1) pediu, por favor, para não andarem mais atrás dele (pediu o primeiro-ministro a gente com a vida destroçada); e 2) propôs ser o primeiro a dar para um peditório para irem a tribunal (ofereceu esmola a quem clama por justiça). Um peixe-papagaio, a dizer não importa o quê. Fora do aquário ainda é mais aflitivo

quarta-feira, julho 15, 2015

A boa notícia sobre a noitada de Bruxelas


• Ferreira Fernandes, A boa notícia sobre a noitada de Bruxelas:
    «A única boa notícia sobre a noitada de Bruxelas é que vai haver mais noitadas destas. O problema da Grécia foi empurrado com a barriga por líderes extenuados. Tão extenuados que o seu esgotamento dá alguma credibilidade à hipótese de terem ouvido uma ideia de Passos Coelho. Só de pensar nessa hipótese dá ideia da deriva da Europa. (…)»

sexta-feira, junho 12, 2015

A TAP voou, voou, voou...


• Ferreira Fernandes, A TAP voou, voou, voou...:
    «Este governo, ainda antes de o ser, era submarinos. Este governo, na véspera de deixar de o ser, é aviões... Estranha mania deste governo por submarinos e aviões quando tanto se gaba de ter os pés bem assentes na terra. (…) Não faz sentido nenhum este tipo de argumentos? Claro, mas também ninguém está interessado em argumentos. A venda da TAP não foi feita com argumentos, mas, isso sim, com um imperativo: já. Eis o mistério que merecia explicação.»

quarta-feira, junho 10, 2015

Passos «vai em frente com a pertinácia dos que não têm vergonha»

• Ferreira Fernandes, A mim, Passos Coelho convenceu:
    «(…) A questão é: aos governantes cabe propor aos portugueses o que fazer cá dentro, não anunciar-lhes que há alternativas lá fora. Um convite a partir é um insulto, é um empurrar para longe do nosso. Mas eis que Passos tomou a iniciativa de voltar ao assunto. Parece que a sua tática eleitoral é mostrar que vai em frente com a pertinácia dos que não têm vergonha. A mim convenceu-me.»

quarta-feira, abril 29, 2015

E auditar os líderes que mentiram, pode?

• Ferreira Fernandes, E auditar os líderes que mentiram, pode?:
    «O PS tem um programa económico para as eleições. Ele diz que vai burilar e só quando disser "este é o nosso programa" é que será o seu programa eleitoral (e, sabemos todos, de todos os programas, de todos os partidos, quanto isso é volúvel). Agora, Marco António, do PSD, quer que especialistas de apoio parlamentar façam uma auditoria ao programa do PS. Isso só pode ser uma chicana própria da época pré-eleitoral. Porque a ser mais que um truque, seria um golpe de Estado. Seria pôr a Assembleia da República e qualquer das suas comissões a dar bitaites aos programas eleitorais. Está-lhes a dar forte, aos políticos! (…) É sempre politicamente aliciante ser sujeito a um exame em que se pode passar. Ora, o problema não é de circunstância, é de princípio: quem garante que, amanhã, com outro Parlamento, não se manda uma comissão auditar, por exemplo, as siglas? "Verde", quão verde? Do "centro", mesmo?... Ou auditar líderes: esse mentiu da outra vez, não pode ser cabeça de lista.»

segunda-feira, abril 20, 2015

Ensaio sobre a cabotinagem

• Ferreira Fernandes, Letra de faduncho para Passos chegar lá:
    «Há coisas, como ensina a gaguez, que só lá vão cantando. Cantemos, então: "És sempre para mim a mais bonita/ Apesar de enrugado esse teu rosto..." Já percebeu, Passos Coelho? Era o que eu dizia, cantando até você vai lá. Aquele "apesar de" é uma locução prepositiva, ajuda a expor uma ideia que não impede o contrário... A mãe estar velhinha não impede que o filho continue a gostar dela, diz um fado simplório. Este chama-se "Amor de Mãe", o mesmo nome do cantado por Marceneiro, mas esse é outro patamar. Fui buscar um fado simplório para que você entenda a necessidade de dar um saltinho. Que diabo, o Passos Coelho é nosso primeiro-ministro! A uma mãe, num fado simplório, pode dizer-se que está enrugada e isso ser o menos. Mas numa declaração de primeiro-ministro sobre um ministro falecido não se diz "apesar de..." Era o Mariano Gago coxo? Ou mesmo gago? Estúpido? Socialista? Mesmo sendo-o, há que calar os pequenos defeitos do morto. Como ontem, neste jornal, o Nuno Saraiva lhe explicou, o seu "apesar de ter servido em governos do Partido Socialista..." é de presunçoso sectário. Mas foi mauzinho, o Nuno Saraiva, falar de política consigo. Também é patamar a mais. Eu fui para o faduncho "Amor de Mãe", porque gostava de o ouvir a falar português. Só. Repare, não fui para o "Apesar de Você", do Chico Buarque, que não, não é um arrufo de namorados - é política escrita com inteligência. Esse, então, era patamar impensável.»

sexta-feira, abril 03, 2015

Um homem que não é exemplo para ninguém


• Ferreira Fernandes, Um homem que não é exemplo para ninguém:
    «(…) Por não ser exemplo para ninguém, porque os deuses não são generosos. De vez em quando escapa-lhes uma vida assim, é o que é.»

segunda-feira, março 16, 2015

O remedeio do VEM tenta tapar o "vai!"

Imagem rapinada a Miguel Ângelo

• Ferreira Fernandes, O remedeio do VEM tenta tapar o "vai!":
    «O apoio ao retorno de emigrantes é só irrelevante. Sim, não se teve em conta os mais de 300 mil portugueses que partiram em quatro anos e só apresentaram projetos de apoio irrisório e na ordem das dezenas. Mas esse não é o problema. E, sim, entre apoiar pouco ou nada, sempre é melhor o primeiro. A questão com o programa VEM, de Pedro Lomba, não é ser pouco. É ser grande mentira. Logo no primeiro ano deste governo, em 2011, um secretário de Estado (foi o da Juventude) e o primeiro-ministro mandaram os jovens portugueses "sair da sua zona de conforto" - emigrar. Neto e filho de emigrantes, uso a palavra "mandar" porque "aconselhar" reservo-a para as decisões de família. Os portugueses não precisam que lhes digam para emigrar, está-lhes no ADN. Se um governante o diz é porque está mesmo a empurrá-los porta fora. É essa má consciência de um ato político cometido no início do governo que leva este, no fim, a este arremedo de medidas (e já sem tempo de cumprir nem mesmo a irrelevância prometida). Assim, não é o faz-de-conta destes dias o pior. O pior é que os compatriotas que partiram não são as principais vítimas. Os que partem são sempre os melhores e, desta vez, não foram só os mais corajosos das aldeias, foi a elite do país, os jovens mais preparados. Por cá é que foi ficando uma zona de desconforto insuportável... Tentarem, agora, remediar mal, é só estúpido. Terem incentivado, ontem, aquela política, foi mais. Foi um crime.»

terça-feira, março 10, 2015

Cavaco acha que Bruno de Carvalho não seria bom PR


• Ferreira Fernandes, Cavaco acha que Bruno de Carvalho não seria bom PR:
    «Com a ironia de Strauss-Kahn, se ao designar o seu sucessor dissesse "no FMI só um homem casto", Cavaco Silva definiu um critério para o próximo PR: "Ter alguma experiência na política externa." Reparem no "alguma" que, até a ele, lhe permitiria voltar a ser eleito se a Constituição deixasse: no fim de contas, numa viagem de Estado, Cavaco já foi à Capadócia. (…)»

quinta-feira, março 05, 2015

As revelações de Passos sobre Passos Coelho

• Ferreira Fernandes, As revelações de Passos sobre Passos Coelho:
    «(…) Insisto, o que se tem dito de Passos Coelho não me incomodaria por aí além. Já o que tem dito Passos Coelho de si próprio faz-me decidir. A estupidez de um político se escudar no "não sabia" para uma obrigação legal. O sem sentido de dizer que não pagou a dívida à SS, logo em 2012, quando foi prevenido, para não parecer eleitoralista. O eleitoralismo rasca de trazer a sua família à baila ("a minha família está pessoalmente preparada...") quando os erros são seus. O ridículo de se adiantar ao que vai aparecer sobre os seus atrasos fiscais, como se isso exorcizasse as revelações... Passos Coelho é pouco. E sabemo-lo porque ele o diz.»

terça-feira, março 03, 2015

«Dizer que não sabia que era obrigatório,
só mesmo em ficção científica»

• Ferreira Fernandes, Passos Coelho devia ver mais séries de TV:
    «(…) Nesta temporada 6 de The Good Wife, ele propõe à protagonista, Alicia Florrick, que se candidate a procuradora-geral, o que na América é cargo eleito. Tendo ela aceitado, Eli ensinou-a a combater os esqueletos no armário (e que ela até desconhecia): o aborto que o filho dela ajudara a namorada menor a fazer, o irmão que tem um caso com um gay de filmes porno, a mãe que esbofeteara um garoto malcriado numa loja... Se bem repararam, The Good Wife alinhou segredos vulgares. É o que dá força às séries americanas: o respeito pela verosimilhança. Não cabia na cabeça de um guionista americano emprestar a um candidato a cargo público a condição de não ter pago a Segurança Social durante cinco anos. E, depois de eleito, dizer que não sabia que era obrigatório, só mesmo em ficção científica

sábado, fevereiro 28, 2015

"Como veem, não sou o secretário de Estado,
não sou o chefe de gabinete e não estou doente..."

• Ferreira Fernandes, O discurso de António Costa no Ano da Cabra:
    «Comemorava-se o Ano da Cabra, eis o que não é de esquecer! Se fosse no signo passado, do Ano do Cavalo - de alto astral e cheio de aventura - o discurso a condizer poderia ser a espingardar. Se fosse no próximo, Ano do Macaco, seria um discurso de improvisos, logros e nada convencional. Mas não, não foi antes nem depois, foi neste ano que a Liga dos Chineses em Portugal convidou António Costa, para lhe dar um prémio.

    Aliás convidou ainda, e também para prémio, o secretário de Estado das Comunidades. Que, infelizmente, não pôde estar presente. E convidou o secretário de Estado adjunto do ministro adjunto que tem o pelouro da imigração, também para prémio, mas ele mandou o chefe de gabinete. Que, infelizmente, "de repente, ficou adoentado", lamentou o presidente da Liga dos Chineses em Portugal Y Ping Chow. Enfim, lá apareceu um substituto de um departamento, que disse o seguinte: "Como veem, não sou o secretário de Estado, não sou o chefe de gabinete e não estou doente..." Os chineses, que são gente de ligar ao protocolo, devem ter apreciado... Mas, como são muito delicados, são capazes de inventar para convites a secretários de Estado, além dos 12 do horóscopo chinês, o Ano do Cuco, animal que raramente é visto.

    (…)

    Foi o que aconteceu: "Ele elogiou-nos! Ele elogiou-nos!", gozaram os do governo. Se calhar, António Costa devia fazer um discurso à Ano do Macaco. Astuto, manhoso: "Então, vocês investiram na EDP, num país que se tornou um beco escuro?!" Seria respeitado cá fora. A plateia é que não percebia.»

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

You'll Never Walk Alone

• Ferreira Fernandes, Esta crónica não é sobre um milagre:
    « Foi a 21 de dezembro passado. Os estádios de futebol são lugares comuns, de gente junta. Nenhum o proclama tão bem como o Liverpool, que no portão de entrada de Anfield tem escrito a ferro forjado: "You'll Never Walk Alone." Nunca caminharás sozinho. O hino do clube diz o mesmo: "No fim da tempestade/ Há um céu dourado/ E a doce canção prateada de uma cotovia..." Nunca caminharás sozinho. É isso o futebol, um sentimento de pertença. Naquele tempo, caminhava-se para o Natal e o Liverpool não ia bem. Um comportamento mediano nos dez últimos jogos, quatro vitórias, dois empates, quatro derrotas, a última, pesada, contra o rival Manchester United, mas o que mais doía para quem já foi glorioso era mesmo a mediania - até o lugar na tabela era no meio, um insulto. Naquele domingo, o Liverpool recebia o Arsenal, outro grande. E foi então que na bancada se ergueu um vulto de toga branca, barba farta e cabelos longos apanhados por uma coroa de espinhos. O "Jesus Cristo", segurando um cartaz dirigido ao treinador do clube ("Brendan, protejo-te!"), abençoou com o gesto das igrejas cristãs antigas, três dedos juntos pela Santíssima Trindade. E Jesus salvou: desde esse dia, nos dez jogos até hoje, o Liverpool nunca mais perdeu. Claro, eu não acredito em milagres. O meu ponto é outro: um homem fazendo de Jesus, desenhadinho como Jesus, ergueu-se entre cristãos, que sorriam. Ninguém se sentiu ofendido. O que eu quero dizer é que esse é o meu campeonato.»