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segunda-feira, dezembro 07, 2015

Fazer a economia crescer


• João Galamba, Fazer a economia crescer:
    «O PIB do terceiro trimestre, cujos detalhes foram conhecidos na passada segunda-feira, mostra que a tese segundo a qual a economia estaria em aceleração até às eleições não tem qualquer fundamento. O crescimento homólogo passou de 1,6% para 1,4%, sendo nulo o crescimento entre os segundo e terceiro trimestres. Isto é o oposto de uma economia em recuperação.

    dMais do que desmentir a narrativa eleitoral de PSD e CDS, se há algo que estes dados tornam evidente, é a absoluta necessidade de executar, quanto antes, as medidas de estímulo à economia que constam do programa do novo Governo. O que explica a desaceleração da economia é o comportamento menos favorável do consumo (crescimento passou de 3,2% para 2,3%) e da formação bruta de capital fixo (crescimento passou de 5,3% para 1,9%).

    Depois de vários trimestres a crescer acima dos dois dígitos, a compra de automóveis desacelerou, o que mostra que, mais do que um consumo assente na recuperação sustentável e duradoura do rendimento, tínhamos um consumo que se limitava a recuperar da forte queda ocorrida entre 2011/3 e que não tinha condições de sustentabilidade para perdurar no tempo.

    Para garantir que o consumo mantém taxas de crescimento robustas no futuro, é necessário apostar na recuperação sustentável e duradoura do rendimento. E é isso que o programa do Governo propõe. Ao contrário da compra de automóveis, que é feita essencialmente recorrendo ao crédito e que tem um forte conteúdo importado; o consumo corrente, que é aquele que tem uma ligação mais directa ao rendimento disponível das famílias, tem um conteúdo importado menor que o consumo de bens duradouros. A aceleração da reposição do rendimento das famílias, com particular incidência nos escalões mais baixos de rendimento, tem, pois, um duplo objectivo: maximiza o efeito no PIB e minimiza o impacto negativo na balança externa.

    A formação bruta de capital fixo (FBCF), que recuou ao nível de meados dos anos 80, não está a recuperar. A tese segundo a qual bastaria aumentar a rentabilidade do capital (baixando salários, desprotegendo trabalhadores e reduzindo o IRC) pode funcionar em alguns modelos, mas, na realidade, limita-se apenas a agravar a já desigual repartição do rendimento, sem efeitos visíveis na FBCF. Como não se cansam de dizer os empresários portugueses no Inquérito da Conjuntura publicado pelo INE: sem procura não há investimento. O aumento do rendimento das famílias é, pois, uma importante componente de qualquer retoma da FCBF, porque é a única forma de garantir que os empresários têm clientes a quem vender. Esta aposta no rendimento, como é evidente, não esgota as medidas para estimular a FCBF que constam do programa de Governo, mas é um pilar essencial a qualquer recuperação dessa componente do PIB.

    Constatar que a realidade económica é pior do que sustentavam PSD e CDS antes das eleições não é uma desculpa. É a mera constatação da urgência de uma mudança de políticas, que assegure o que as políticas anteriores manifestamente não foram capazes de assegurar

Descaramento político made in PaF


• João Galamba, Descaramento político made in PaF:
    «Não estraguem”, dizem PSD e CDS. Não estraguem a devolução da sobretaxa. Não estraguem o PIB que estagnou. Não estraguem o emprego que está em queda desde julho. Não estraguem o investimento que, depois de recuar a níveis de meados dos anos 80, está estagnado. Não estraguem a meta do défice que nós nunca cumprimos e que tornámos mais difícil de cumprir, como revelaram os dados vindos recentemente a público sobre a execução orçamental. Depois da propaganda pré-eleições, a farsa descarada.

    Desde o momento da sua apresentação, os objetivos orçamentais que constavam do Orçamento de 2015 sempre foram considerados demasiado otimistas. Se dúvidas houvesse, os dados da execução orçamental de Outubro confirmam a tradição dos últimos 4 anos: a meta do défice inicialmente orçamentada não será cumprida. Mesmo com os juros e o petróleo a ajudar, o défice vai mesmo ficar acima dos 2.7% orçamentados, sendo muito difícil atingir a meta dos 3% que permite a Portugal sair do procedimento por défices excessivos.

    Dois partidos que violaram todas as metas e todos os compromissos, e que, seja na frente económica, seja na frente orçamental, deixam o país num estado bastante pior do que o seu discurso eleitoral apregoava, não têm qualquer autoridade para dizer “não estraguem”. Quando a meta do défice está em perigo, não há nada para não estragar. Há um mês para tentar consertar uma execução orçamental que garanta aquilo que os 11 meses anteriores não garantiram.

    O facto de a situação económica e orçamental do país não corresponder ao que era dito no discurso eleitoral do PSD e do CDS não torna a situação do Governo mais difícil. O PS sempre partiu do pressuposto que o défice de 2015 ficaria acima do orçamentado. O PS sempre soube que ia ser difícil porque nunca embarcou na propaganda do anterior Governo e desenhou o seu programa com base na realidade, e não com base no que PSD e CDS diziam sobre a realidade.

    Em 2011, PSD e CDS inventaram a desculpa do desvio colossal para rasgarem todos os seus compromissos eleitorais. Em 2015, o desvio colossal entre o discurso do PSD e do CDS e a realidade económica e orçamental do país não serve de desculpa para o PS fazer o mesmo. Apenas confirma o acerto do seu discurso e a urgência de pôr em prática um programa de Governo que reafirma todos os compromissos eleitorais do PS.»

segunda-feira, novembro 23, 2015

A verdadeira fraude eleitoral


• João Galamba, A verdadeira fraude eleitoral:
    «(…) Desde o dia 4 de outubro que não param de sair notícias que desmentem a narrativa com que PSD e CDS se apresentaram a eleições. O Novo Banco, afinal, tem um buraco de 1,4 mil milhões de euros e tem de ser recapitalizado. A TAP, que ia ser privatizada, revelou-se uma espécie de PPP. O PIB, que estava a acelerar, estagnou. O emprego, que estava em franca recuperação, caiu. E a sobretaxa, que ia ser devolvida, já não vai ser. Fraude eleitoral é isto.

    Durante vários meses, PSD e CDS tentaram passar a ideia de que a recuperação económica era tão evidente que o “contrato de confiança” que esses partidos haviam celebrado com os portugueses iria resultar numa devolução significativa da sobretaxa cobrada em 2015. Os dados conhecidos apontavam para uma devolução em torno dos 36%, mas houve quem sugerisse que a percentagem podia ser ainda mais elevada, sendo mesmo possível uma devolução total. A coligação PaF chegou a fazer cartazes a anunciar a bonança. Quem pusesse em causa o optimismo do Governo era acusado de estar em negação e de não se conformar com o sucesso das políticas seguidas. (…)»

quarta-feira, novembro 18, 2015

Grandes Mistérios do Universo


António Filipe dirigindo-se a Carlos Abreu Amorim na Assembleia da República (via Filipe Neto Brandão):
    "Se o senhor acha mesmo que ganhou as eleições, porque é que então quer outras?"

sexta-feira, novembro 13, 2015

Portas e porta-vozes

Clique na imagem para a ampliar

Pedro Sales publicou no Facebook uma notícia do Expresso a recordar o que António Costa tinha dito antes das eleições. O Expresso dava então conta de que o secretário-geral do PS não apenas «chumba governo de direita minoritário» como, no caso de não conseguir a maioria, «confia na maioria de esquerda e na capacidade para fazer acordos».

A reprodução da primeira página do Expresso fez saltar Filipe Santos Costa, que, precisamente neste semanário, costuma fazer a cobertura das actividades do CDS-PP. Na ânsia de defender as posições da coligação de direita, o jornalista até se dá ao luxo de pôr em causa, embora de uma forma habilidosa, o próprio jornal em que trabalha. Paulo Portas tem porta-vozes onde menos se espera — e alguns levam a missão a peito.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Desmontar uma falsidade

    «O jornal Expresso diz que o PS desistiu de manter o controlo público da TAP. Essa notícia é falsa.»

terça-feira, novembro 10, 2015

Quem quer decidir na secretaria?

«A imagem do dia é do André Kosters da Lusa»

        «É uma ilusão pensar que há hoje uma coligação de governo que dê garantias superiores àquelas que PSD e CDS deram. Esta é a minha convicção e o que resulta de uma análise objectiva».

Esta declaração de Luís Montenegro, que estava hoje visivelmente nervoso, mostra que a direita ainda está à espera de um milagre. De uma acção que reverta a decisão dos representantes do povo. De um golpe — esse, sim — palaciano congeminado em Belém. Até o emplastro se ri.

Como as televisões mostraram a grandiosa manifestação da direita

Imagens recebidas por e-mail

Vista panorâmica da grandiosa manifestação da direita


O DN diz que estão em São Bento mil (1000) manifestantes.

quinta-feira, novembro 05, 2015

«O Governo demitido é um pneu de substituição:
roda um pouco, mas não é para corridas»

    «CONSULTEM CONSTITUCIONALISTAS

    Um Governo antes de investidura parlamentar não pode aprovar propostas de lei. E se cair na AR, deixa de o poder fazer.

    Por sua vez, a AR não pode substituir-se ao Governo em matéria orçamental. Não há Governo-de-Assembleia.

    Só um Governo plenipotenciário pode propor medidas de emergência à AR precedendo a feitura do OE/2016.

    Se Cavaco apostar em manter os PAF's gera-se impasse: o Governo nem pode legislar (a competência é da AR) nem propor à AR soluções (porque não tem relações com o Parlamento estando demitido).Por sua vez, a AR não pode tomar medidas excepcionais à margem do Governo e sem ele.

    Na lógica constitucional o Governo demitido é um pneu de substituição: roda um pouco, mas não é para corridas.»

segunda-feira, novembro 02, 2015

Ainda que mal pergunte


Vá-se lá saber porquê, a RTP foi ontem a casa de Paulo Rangel entrevistá-lo para o Telejornal. O eurodeputado, que nem desconfia que o «executivo» que acabou de tomar posse é um governo de iniciativa presidencial, trazia uma solução na manga: a constituição de um governo de iniciativa presidencial. E quem o chefiaria? Rangel resolve: «Estou a pensar em Guilherme de Oliveira Martins, Luís Amado ou noutros nomes deste género [sic].»

Esqueçamo-nos da RTP e concentremo-nos nas palavras de Paulo Rangel. Guilherme de Oliveira Martins ou Luís Amado não têm curiosidade em saber em que «género» esta figura icástica da direita radical os cataloga?

O mau e o péssimo


• António Correia de Campos, O mau e o péssimo:
    «“O Governo tem plena legitimidade para governar. (…) Cabe agora ao Parlamento decidir pela plenitude da sua entrada em funções”. Palavras do Presidente da República, em 30 de Outubro, na posse do XX Governo. Ao contrário do que pensa e escreve a maioria dos comentadores, não é líquido que o Presidente nomeie um XXI Governo, se o actual for reprovado no Parlamento. A “plenitude” de funções pode entender-se tanto como a não-rejeição parlamentar, como a transformação de um governo recusado no parlamento em governo de gestão, até que novo Presidente tome conta do País. A ambiguidade permanece. Como já foi notado, a segunda solução deixaria a batata quente para o próximo Presidente. Pouco depois de tomar posse incumbe-lhe decidir: se aceita o veredicto do Parlamento, nomeando novo Governo, o que significa que reconhece a sua estabilidade potencial; se dissolve a Assembleia, convocando eleições antecipadas. A solução “governo de gestão” não é apenas má para o País, ela é perversa para os candidatos presidenciais, obrigando-os a definirem-se, mesmo que não queiram. Perversa sobretudo para Marcelo, não faltando quem a considere uma vingança servida fria.

    Apesar do coro de analistas a admitirem o recuo de Cavaco, importa revisitar o tema. Porque é o “governo de gestão” uma solução péssima? Desde logo por beneficiar o infractor em vez de o punir: premiar os que nomeiam mais de cem dirigentes no termo de mandato; os que falseiam a informação fiscal, omitindo a parte desagradável e difundindo na campanha a que lhe traria votos, como no caso da devolução da sobretaxa do IRS; os que colaboraram, ou até solicitaram a empresas amigas que não despedissem pessoal no período da campanha; os que tudo tentaram para apresentar a privatização da TAP como facto consumado, mesmo que os potenciais compradores não garantissem financiamento capaz; os que tudo fizeram para privatizar transportes públicos por ajuste directo, em flagrante violação das regras da concorrência; os que tudo tentaram para se verem livres do Novo Banco, mesmo que vendido ao desbarato, cabendo aos contribuintes a factura directa ou indirecta dessa pressa ideológica. Decisões ditadas pela fúria, inimiga da razão.

    Um governo de gestão escudar-se-ia na instabilidade para deixar escorregar o défice de 2015 e também o de 2016, tentando assacar culpas ao PS; radicalizaria a luta política, municiando a direita trauliteira para sair à rua, mais afoita que nunca; ocuparia os media vulneráveis com lixo ideológico e mentiras quotidianas; emitiria legislação descuidada e provocatória sobre temas populares, esperando que o Parlamento a revogasse; criaria instabilidade nos mercados, acicataria a fuga de capitais, dissuadiria investidores, apressaria corridas de depositantes.

    Um governo de gestão não governa, mas ocupa o centro do poder. Venderia ao desbarato o que restar, aproveitaria os duodécimos para proveito imediato; romperia a lei dos compromissos no dia-a-dia sem a rever decentemente; hipócrita, continuaria a atrasar o subsídio de parentalidade com a desculpa da subida da natalidade; descuidaria o futuro, de olho preso nas eleições que se esforça por antecipar. Poderia até mostrar-se amigo dos pobrezinhos ou convertido à necessidade de reformar o Estado, como proclamou o Primeiro-Ministro na posse. Poderia até tentar reformas aparentemente consensuais. Mas porque não o fez no mandato anterior e só agora se apressa, quando sente as barbas de molho? (…)»

sexta-feira, outubro 30, 2015

O Governo de iniciativa presidencial


• Pedro Silva Pereira, O Governo de iniciativa presidencial:
    «Ouvidos os partidos, todos sabemos que este Governo minoritário da direita toma posse em confronto com a maioria do Parlamento. É, portanto, um Governo de iniciativa presidencial. E é um Governo condenado ao fracasso.

    Face ao debate destes últimos dias, vale a pena chamar a atenção para alguns aspectos essenciais do desenho constitucional do nosso sistema de governo. Como o próprio Presidente da República recentemente reconheceu, desde a revisão constitucional de 1982 que a Constituição portuguesa afasta os chamados "governos de iniciativa presidencial". Mais exactamente, a dupla responsabilidade política do Governo perante o Presidente e a Assembleia da República, prevista na versão original da Constituição de 1976, foi substituída por um modelo de maior pendor parlamentar em que a responsabilidade política do Governo passou a existir exclusivamente perante o Parlamento, sendo complementada por uma mera "responsabilidade institucional" perante o Presidente (a consequência mais visível desta alteração foi a redução da possibilidade do Presidente demitir o Governo aos casos muito excepcionais de "irregular funcionamento das instituições democráticas").

    Esta nova configuração da responsabilidade política teve profundas implicações no desenho do nosso sistema de governo, a ponto de levar muitos constitucionalistas a concluir que o sistema se converteu de semi-presidencial em semi-parlamentar, tal a dominância acrescida que passou a ter a componente parlamentar. De facto, não se tratou apenas de limitar o poder presidencial de demissão do Governo, libertando o Executivo de qualquer forma de tutela ou dependência da confiança política do Presidente. O que ocorreu foi uma alteração bastante profunda, que atingiu os próprios alicerces do sistema de governo: a fonte de legitimidade do Governo, que até então era dupla, passou a estar concentrada exclusivamente no Parlamento, assembleia representativa da Nação. E escusado será lembrar que a vontade do Parlamento, como é norma em democracia, se expressa pela regra da maioria.

    O que de mais importante resulta da revisão constitucional de 1982 para o desenho do nosso sistema de governo é que, embora o Presidente da República seja eleito por sufrágio universal directo, deixa de haver qualquer nexo entre a legitimidade do Presidente da República e a legitimidade do Governo, a qual se passa a fundar exclusivamente na Assembleia democraticamente eleita - e por isso, aliás, não dispensa o teste da "investidura parlamentar" (através da não rejeição do programa do Governo). A novidade, porém, não reside no facto de agora nenhum Governo poder existir apenas "pendurado" no apoio político do Presidente - em bom rigor, isso já era assim mesmo antes da revisão constitucional de 82, visto que a dupla responsabilidade política sempre implicou a sujeição do Governo também ao crivo parlamentar. A verdadeira novidade é outra: a eliminação da responsabilidade política do Governo perante o Presidente, autonomizando a legitimidade do Governo, tornou ilegítimo o uso - ou abuso - dos poderes presidenciais (incluindo o poder de nomeação do primeiro-ministro) para, em claro desvio de poder, forçar o Parlamento a conviver com um Governo de pura iniciativa presidencial.

    É certo, no uso do seu poder de nomeação do primeiro-ministro o Presidente goza de uma relativa margem de interpretação dos resultados eleitorais, embora deva levar em conta a opinião dos partidos com assento parlamentar. Mas num sistema em que o Governo depende exclusivamente da Assembleia, essa margem é tanto mais pequena quanto mais inequívoca for a mensagem que os partidos transmitem ao Presidente. Ora, no caso presente a mensagem dos partidos não podia ter sido mais inequívoca: um governo minoritário da direita não tem qualquer viabilidade parlamentar, ao contrário do que sucede com um Governo formado pelo Partido Socialista. Ainda assim, o Presidente preferiu ignorar a opinião maioritária dos partidos e optou por impor este seu Governo de iniciativa presidencial. Fez mal. Mas fará ainda pior se, contra a Constituição e os superiores interesses nacionais, insistir em abusar dos seus poderes para afrontar o Parlamento, convertendo este Governo de iniciativa presidencial num prolongado e danoso Governo de gestão. Se há coisa que a Constituição não permite é que a Presidência da República seja transformada numa "força de bloqueio" da solução governativa apoiada pela maioria parlamentar que resultou das eleições.»

terça-feira, outubro 27, 2015

Para uma rapidinha (com direito a subsídio de reintegração)


Foi hoje divulgado o elenco do novo governo de Passos & Portas, apadrinhado pelo presidente da República. Cavaco Silva, depois de ter dado luz verde às escolhas, irá dar posse, com aparato e pompa, a um nado-morto. Cavaco Silva encerra assim com chave de ouro uma carreira iniciada em 1979 como segunda escolha de Sá Carneiro para a pasta das Finanças.

Apesar de se tratar de um nado-morto, Passos Coelho ainda consegue surpreender. Para a pasta da Igualdade (que acumula com a Cultura e outras matérias mais ou menos correlacionadas), reconfirma, agora como ministra, Teresa Morais, que se opõe obstinadamente à adopção por parte de casais homossexuais; para a Justiça, num momento em que a violação do segredo de justiça é uma questão premente, convoca Negrão, o candidato derrotado à presidência da Assembleia da República, que se viu envolvido em problemas embaraçosos exactamente com a violação do segredo de justiça; para a Administração Interna, segue Calvão da Silva, autor de um dos pareceres jurídicos mais citados da História do Direito, no qual considerou que os 14 milhões de euros dados por José Guilherme a Ricardo Salgado resultam do «bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade»; para a Saúde, alça o ajudante Leal da Costa, que se notabilizou por, perante o caos das Urgências, ter considerado que «o que nós vimos foram pessoas bem instaladas» e, confrontado com os dados do INE que demonstram um forte desinvestimento no SNS, ter respondido que, em contrapartida, houve uma forte aposta no sector privado da Saúde. E a cereja em cima do bolo é a escolha de Rui Medeiros para ministro da Reforma Administrativa, o qual, dias antes das eleições, defendia que, se a direita tivesse mais votos mas não alcançasse a maioria absoluta, Cavaco Silva deveria convocar António Costa para formar governo: «Se a coligação vencer com mais deputados mas sem maioria absoluta, o Presidente da República deve convidar o líder da coligação». Está tudo dito.

domingo, outubro 25, 2015

A palavra aos leitores — Acerca do pluralismo na televisão


Texto do leitor G. Meirelles na caixa de comentários deste post:

    «É um facto que se têm verificado grandes momentos de comédia televisiva.

    O meu combate favorito até agora data de há dois ou três dias. Não me recordo, infelizmente, do canal nem da hora deste match de extrema violência, porque tenho procurado vê-los todos, e não estou em condições de reproduzir o diálogo com fidelidade absoluta, mas posso garantir que foi muito próximo do que se segue.

    Protagonistas do match: o árbitro, um dos âncoras do canal (de que não conheço o nome, mas que me pareceu um pouco acabrunhado), e... no canto direito (lado esquerdo da teletela) Maria João Avillez, no canto direito (lado direito da teletela) Joaquim Aguiar.

    Às tantas, depois de uma longa intervenção do Aguiar, pontuada por longos suspiros e exclamações de apoio admirativo da Avillez, intervenção do âncora, dirigindo-se à mesma: «não quer contradizer?». E a Avillez, surpreendida: «não, não...».

    Impagável.
    »

«Um episódio inédito dos "Monty Python"»

Apanhei a meio a situação a que faço alusão aqui. Vele a pena ler o que Vasco Pimentel escreve, porque a razão do «debate» em causa é uma entrevista de Judite de Sousa a Jerónimo de Sousa. Eis o post de Vasco Pimentel:


    «A TVI24 acaba de transmitir um episódio inédito dos "Monty Python": entrevistado pela Judite de Sousa, o Jerónimo recorda que as suas afirmações públicas são sistematicamente analisadas, nas televisões, por painéis "em que um diz mata e o outro diz esfola". A Judite, muito ofendida, rebate a acusação. A entrevista termina daí a minutos. Composição do painel reunido pela Judite de Sousa para ajuizar da pertinência das afirmações do Jerónimo: o "Mata", o "Esfola" e a "Arranca-lhe as Unhas Uma a Uma com uma Pinça Enferrujada".»

sábado, outubro 24, 2015

Mais plural não há


Se o leitor acabou de ler o post anterior, não vale a pena mudar de canal — pelo menos para a TVI 24. É que aqui estão a exibir-se neste momento Sofia Vala Rocha (aquela moça do PSD na Barca do Inferno), João Miguel Tavares e David Dinis. A pluralidade em todo o seu esplendor.

Isenção, isenção, isenção


Estamos a assistir a uma OPA da direita radical sobre a RTP3. Ontem, por exemplo, tivemos direito a uma conversa afável sobre a situação política entre José Manuel Fernandes e Miguel Pinheiro, o ex-director da Sábado que o trabalho mais à esquerda que redigiu foi uma biografia de Sá Carneiro. Para hoje está anunciada a presença de Helena Matos e de um tal Viriato, muito requisitado desde que vem defendendo que Passos & Portas devem continuar a lambuzar-se no pote. Tem sido quase todos os dias assim. E quando aparece, certamente por equívoco, uma voz desafinada, lá está Rodrigues dos Santos a repor a ordem.

quarta-feira, outubro 21, 2015

«A criação artificial de um compasso de espera inútil»


    «1. Concluída a ronda pelos partidos, o Presidente pode e deve indigitar o primeiro-ministro.

    2. Da ronda, já se sabe que o Presidente ficou a saber que a direita não dispõe de maioria parlamentar que lhe viabilize o governo.

    3. E também que António Costa entende dispor dessa maioria parlamentar.

    4. A meu ver, a consequência é óbvia: o Presidente deveria indigitar como primeiro-ministro o líder do PS.

    5. Tudo o resto significa a criação artificial de um compasso de espera inútil.»

quinta-feira, outubro 15, 2015

Bagão: da excitação eufórica de 2011 ao estado depressivo de 2015

Jornal i, em 5.3.2011 (via João)

• Bagão Félix, em 2011 (a procurar uma solução no quadro parlamentar saído das eleições de 2009 para a substituição do Governo de Sócrates):
    - Há uma solução que é um governo PSD, CDS, PCP. Uma ideia "provocative". Não estou a dizer que pode vir a acontecer, mas nós precisamos de abanar a cabeça senão morremos atrofiados. É quase impossível chegar a acordo com o PCP, mas, se alguma vez se chegar a acordo, este será cumprido. O PCP é muito respeitador, institucionalista. Não é a fantasia do Bloco de Esquerda.

    - Como conciliaria tudo no mesmo governo?

    - É praticamente impossível. Mas, por exemplo, um governo PSD/CDS tem muita dificuldade na rua, enquanto o PS tem menos agressividade. Precisamos nesta fase histórica, em dois, três anos, de uma situação de "salvação", de um compromisso que rompa com esta coisa absolutamente bloqueante do bloco central e que ponha o BE na sua prateleirinha. É preciso encontrar novas formas. Não me repugnava que, num governo deste tipo, o PCP tivesse uma pasta social ou do trabalho. Jerónimo de Sousa é um homem sincero, um homem autêntico, um político sério. A certa altura sinto-me asfixiado pelas soluções equacionáveis. Precisamos de abrir o horizonte teórico das soluções. Sendo absolutamente não comunista, respeito o actual PCP e não o ponho no gueto. O BE, pelo contrário, é uma espécie de lógica aparentemente moral de quem depois nunca quer assumir responsabilidades.

• Bagão Félix, em 2015 (ontem à SIC-N):
    Trata-se de «de uma OPA sobre a vontade dos eleitores que votaram PS».