• Mariana Mortágua, 581: - «Quinhentos e oitenta e um euros (581!). Brutos. São estes os números oficiais do salário médio dos contratos de trabalho assinados desde outubro de 2013. Com os descontos, são pouco mais de 500 euros.
Admirável mundo novo este onde o salário médio está uns euros acima do mínimo. 581 euros e Passos Coelho diz que "o custo do trabalho para as empresas ainda é muito elevado", lamentando que essa tenha sido a única "reforma que não conseguimos completar".
O primeiro-ministro foi claro durante o debate quinzenal. Confrontado com o facto de o trabalho custar menos de metade que em Espanha, o Governo congratula-se com "aquilo que permite ao país ganhar competitividade".
E como é que se mede a competitividade de Passos Coelho? O custo do trabalho é a divisão entre salário e produtividade. A produtividade é a relação entre o valor acrescentado (VAB) que se produz e o número de trabalhadores. O VAB de Portugal é hoje equivalente ao de 2007, mas há muito menos gente empregada, logo, a produtividade por trabalhador até pode aumentar. Cada trabalhador recebe hoje menos do que em 2007, o que quer dizer que o custo do trabalho é muito menor. Aí temos a competitividade de Passos Coelho.
A competitividade de Passos Coelho não equivale a mais produção, mais valor acrescentado, mais e melhor emprego. A única competição que o primeiro-ministro quer ganhar é a dos baixos salários. Pelo caminho encontra-se a desculpa perfeita para baixar a TSU, o IRC às grandes empresas, e a sobretaxa das elétricas.
Regressa também o corte nas pensões. Serão 600 milhões, o maior corte de sempre e quase o dobro do que foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional. Dizem que é um mal necessário em nome da "sustentabilidade", para acrescentar depois que Portugal precisa de reduzir a TSU, precisamente a contribuição das empresas para a sustentabilidade da Segurança Social. São as contas deste Governo, noves fora nada, nem Segurança Social nem sustentabilidade, o objetivo é mesmo descer o salário.
Pelo caminho, que se lixem as contas públicas. É que salários mais baixos equivalem a contribuições e impostos mais pesados nos orçamentos familiares mas mais reduzidas em valor absoluto para as contas do Estado e da Segurança Social. Tudo para daqui a uns anos voltarem a dizer que, em nome da sustentabilidade, é inevitável cortar nas pensões. Ou privatizá-la.»

• Armando Pires,
• Augusto Santos Silva,
• João Galamba,
Hoje, percebe-se melhor por que o PSD de Passos Coelho chumbou o PEC 4 e, após ser Governo, fez questão de «ir além da troika», tendo alterado, em cada uma das 11 avaliações do programa de «assistência», o memorando de entendimento, com a austeridade sobre os portugueses a ter mais do dobro do peso inicialmente acordado.
• João Galamba, 

Se um marciano aterrasse em Lisboa, como é que se lhe explicaria que, confrontando-se o país com o maior desemprego de que há memória desde 1974, o Governo esteja concentrado em promover sucessivas alterações ao Código do Trabalho no sentido de tornar mais fácil o despedimento?
Não é o momento para analisar as razões por que a mistura explosiva entre a banca comercial e a banca de investimento se deixou encandear pelas inovações financeiras, favorecendo os investimentos especulativos em detrimento dos investimentos produtivos. Sabe-se que, em última instância, se vai sempre bater à mesma porta: a estagnação dos salários contrai o consumo das famílias e torna os investimentos produtivos menos aliciantes.



• João Galamba, 