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terça-feira, outubro 27, 2015

A tempestade de Schäuble

• Yanis Varoufakis, A tempestade de Schäuble:
    «(…) o compromisso da Alemanha com "regras" que são incompatíveis com a sobrevivência da zona euro prejudica os políticos franceses e italianos, que esperavam, até há pouco, uma aliança com a maior economia da Europa. Alguns, como Renzi, respondem com atos de rebeldia cega. Outros, como Macron, estão a começar a aceitar melancolicamente que o atual quadro institucional da zona euro e a sua combinação de políticas acabarão por levar ou a um rompimento formal ou a uma morte lenta sob a forma de divergência económica continuada. (…)»

domingo, julho 19, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [939]


Então teríamos de fazer o mesmo com a Itália, Espanha, Portugal.
      Sigmar Gabriel, vice-chanceler e ministro da Economia da Alemanha, que recusa a proposta de Schäuble de afastar a Grécia da zona euro, mas que coloca Portugal, apesar da brutal austeridade dos últimos quatro anos, a correr na mesma pista dos gregos

sábado, julho 18, 2015

A Europa, segundo Wolfgang Schäuble

Hoje no Expresso (via Nuno Oliveira)
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O abraço

Hoje no Expresso (via Nuno Oliveira)

É perigoso ficar já "farto" de falar da Grécia

• José Pacheco Pereira, É perigoso ficar já "farto" de falar da Grécia:
    «(…) Hoje não foi a senhora Le Pen que foi dizer aos eleitores que devem ser egoístas se são ricos e submissos se são pobres. Foram Passos Coelho e Cavaco Silva, em Portugal, foi Rajoy em Espanha, foi Dijsselbloem na Holanda, foi Merkel na Alemanha, foram partidos e governantes como os antigos Verdadeiros Finlandeses, que até há pouco tempo eram esconjurados pelos europeístas e agora são eles que dão o tom à “Europa”. (…)»

quinta-feira, julho 16, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [936] (número duplo)


A Grécia é e continuará a ser um membro da zona euro.


É necessário um alívio de dívida.

      Mario Draghi, em resposta a Schaüble, recordando ao ministro das Finanças alemão que existe um tratado e que nos seus termos ele, enquanto presidente do BCE, tem «um mandato para cumprir»

segunda-feira, julho 13, 2015

O novo caniche de Merkel

Não há razão para suspeitar de que, desta vez, Passos Coelho esteja a mentir: «por acaso foi uma ideia minha» que desbloqueou o acordo com a Grécia. Segundo o próprio, é da sua autoria o destino a dar ao fundo de 50 mil milhões de euros que Schäuble exige que seja constituído com o recheio das privatizações na Grécia.

No entusiasmo juvenil de se pôr em bicos de pés, Passos Coelho perdeu uma oportunidade única de se fazer passar por estadista. Bastaria ter questionado, em lugar do palpite avulso, como é que a Grécia vai arranjar 50 mil milhões de euros. Vendendo as seis mil ilhas? Leiloando o Partenon?

Mas Passos Coelho é um homem que se deslumbra com pouco, porque não discute o que julga ser a ordem natural das coisas: «Foi justamente uma ideia que eu sugeri e que acabou por ser utilizada pelos negociadores com o primeiro-ministro grego». Ao reclamar a autoria do palpite, nem passou pela cabeça ao (alegado) primeiro-ministro português que a circunstância de ter estado 17 horas numa sala à espera que os «negociadores» chegassem, no compartimento ao lado, a um entendimento com Tsipras não o prestigia. Aproveitar uma ida de Merkel à casa de banho para se mostrar um aluno aplicado só reforça a posição subalterna a que é votado nos corredores do poder.

Com a aposentação de Barroso, o novo caniche de Angela Merkel dá pelo nome de Pedro.

Schäuble: Grexit com nomeação de um procônsul

Le Monde, amanhã
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A nossa tragédia


• João Galamba, A nossa tragédia:
    «Presos às mentiras que andaram a contar aos seus eleitorados desde 2010, incapazes de reconhecer que os dois programas de ajustamento grego falharam por uma questão de conceção, e não de execução, há um conjunto de líderes europeus que não concebe outra forma de tratar os gregos se não através da sua derrota ou, em casos mais extremos, na sua total capitulação. Não há qualquer racionalidade económica, muito menos social, neste processo. São, na maioria dos casos, razões de política interna nacional.

    A tragédia a que estamos a assistir começou com uma mentira. Não falo do facto dos gregos terem mentido sobre o real estado das suas contas públicas, mas de tal ter sido usado como desculpa para transformar aquilo que era uma crise bancária europeia, de natureza sistémica, numa crise de orçamental em alguns países incumpridores, que tinha uma natureza moral e comportamental e que só podia ser curada através de doses cavalares de austeridade. Essa mentira impôs custos desnecessários à Grécia e a todos os países sujeitos a programas de ajustamento e, como os acontecimentos dos últimos dias tornaram evidente, causou e continua a causar danos irreparáveis à credibilidade do projeto europeu.

    Ninguém questiona que a Grécia precisa de reformas e que tem graves problemas económicos e institucionais. É certo que a atual arquitetura institucional da zona euro não está feita para lidar (de forma justa e equitativa) com conflitos redistributivos entre Estados-membros. Mas uma coisa é ter uma discussão séria, realista e ponderada sobre esse tema, outra coisa inteiramente diferente é tudo o que se tem vindo a passar. A situação é e seria sempre complexa. Mas nada justifica o que se tem passado, nada justifica o comportamento de alguns países e o nível de humilhação infligido à Grécia.

    A tensão, ou mesmo contradição, entre mandatos democráticos é um facto que não podemos ignorar Mas não há, porque não pode haver, qualquer mandato democrático para humilhar outra democracia, sobretudo se essa democracia for um parceiro europeu. Esse é, ou devia ser, um dever absoluto entre parceiros num projeto político. A proposta de Schauble, apoiada por vários países, viola esse princípio elementar da relação entre parceiros políticos, degrada quem a apresenta e, infelizmente, acaba por degradar (ainda mais) o projeto europeu. Mesmo que seja travada, o mero facto de ter sido apresentada é suficientemente grave e revelador da enorme crise política e institucional em que vive a moeda única. É uma proposta ofensiva que só pode ser repudiada. Não por compaixão com a Grécia, mas por respeito por qualquer ideia de projeto europeu que mantenha níveis mínimos de respeitabilidade e decência democrática.»

sábado, julho 04, 2015

quinta-feira, março 12, 2015

«Ministros que faziam fila
à entrada dos escritórios dos funcionários da troika»


Todos temos visto a forma chocarreira como Wolfgang Schäuble se tem comportado com Yanis Varoufakis. O ministro alemão reage como quem não estava acostumado a ter oposição no Eurogrupo.

Com efeito, Varoufakis conta que a sua presença no Eurogrupo irrita muitos parceiros que estavam habituados ao comportamento de ministros anteriores, que aceitariam tudo o que lhes era imposto. E o ministro grego das Finanças descreve um quadro que não é estranho a nós, portugueses: «Muitos dos nossos parceiros estavam habituados a ministros que faziam fila à entrada dos escritórios dos funcionários da troika para ser recebidos, se o fossem, com o objectivo de pedir um par de coisas».

quarta-feira, março 11, 2015

Sentimento de urgência

    «(…) Independentemente da posição que tem vindo a ser assumida pelo Governo grego, concordemos ou não com as suas propostas e com a sua atitude, é inaceitável assistirmos à tentativa de branqueamento do que aconteceu nos países sob assistência financeira, em particular, em Portugal, onde se apresentam os resultados do programa de assistência financeira como um caso de sucesso. O expoente máximo desta encenação foi a figura muito infeliz da ministra das Finanças portuguesa numa conferência de imprensa ao lado do ministro das Finanças alemão, a servir de cobaia e simultaneamente a procurar, deliberadamente, enfraquecer a posição negocial do Governo grego que estava ativamente a questionar as políticas e os resultados alcançados e a pedir mudanças. (…)»

quinta-feira, março 05, 2015

Também tu, Vítor Gaspar?


Vítor Gaspar desembarcou hoje em Lisboa para se distanciar das posições que os impedidos domésticos de Schäuble continuam defender:
    «A política monetária deve evitar inflação demasiado baixa ou deflação», pelo que «a política orçamental deve estar disponível para desempenhar um papel de suporte.» A esse respeito, o mais eficaz «é uma iniciativa a nível europeu, do qual o plano [de investimento] de [Jean-Claude] Juncker pode ser um embrião

quarta-feira, março 04, 2015

Os impedidos com rédea solta


O presidente da Comissão Europeia dá hoje uma entrevista ao diário El País. Eis uma passagem da entrevista, na qual Juncker mostra alguma surpresa perante o excesso de zelo dos impedidos às ordens de Merkel e Schäuble:
    El tradicional eje franco-alemán parece cosa del pasado. ¿Qué opinión le merece lo que Tony Judt denominaba “el inquietante poderío de Alemania”?

    Grecia es el ejemplo de que esa impresión acerca de que Alemania lidera Europa con mano de hierro no se corresponde con la realidad. Ha habido varios países más severos que Alemania: Holanda, Finlandia, Eslovaquia, los bálticos, Austria. En las últimas semanas, España y Portugal han sido muy exigentes en relación con Grecia.

sábado, fevereiro 28, 2015

A quinta coluna

Hoje no Expresso (via Nuno Oliveira)

O primeiro-ministro grego acusou Portugal e Espanha de terem conduzido uma conspiração para derrubar o seu governo: «Encontramo-nos numa situação em que um eixo de poderes, liderado pelos Governos de Espanha e Portugal, tentaram conduzir as negociações para o abismo, por motivos políticos óbvios». E Alexis Tsipras acrescenta: «O plano era – e continua a ser – o de provocar desgaste e derrubar o nosso Governo ou forçar-nos a uma rendição incondicional, antes que o nosso trabalho começasse a dar fruto e antes que o nosso exemplo afectasse outros países».

O governo português colocou-se definitivamente ao serviço dos interesses alemães. É a sua quinta coluna na zona euro.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

A passadeira vermelha

• Pedro Silva Pereira, A passadeira vermelha:
    «O ministro das Finanças alemão não cabe em si de contente; o Governo grego, garantiu ele, terá muitas "dificuldades em explicar o acordo aos seus eleitores". Diz-se que era exactamente assim que Nero sorria ao ver as chamas na capital do seu império.

    Aprecio o esforço dos que andam a vasculhar nas entrelinhas do pré-acordo entre a Grécia e o Eurogrupo e da "primeira" (sic) lista de reformas com que o novo Governo grego se comprometeu em Bruxelas (cuja versão final só ficará estabelecida no mês de Abril) em busca dos raros vestígios das conquistas obtidas pelo Syriza. Sem dúvida, o combate travado em defesa de uma alternativa política não austeritária e da própria dignidade do povo grego é merecedor de respeito. E é certo que alguma coisa foi alcançada graças a esta nova atitude negocial.

    Mas não adianta iludir a realidade: a permanência da Grécia no Euro e as garantias (provisórias) de financiamento do Estado e da economia helénicos foram conseguidos à custa de uma cedência generalizada por parte do Governo grego quanto à execução de uma parte substancial do seu programa político, tal como votado pelos eleitores. E a dimensão da cedência tenderá a revelar-se ainda maior quando o Governo de Atenas for chamado a detalhar e quantificar o impacto orçamental de algumas das medidas que agora anunciou, explicando, por exemplo, o que significa "racionalizar" as taxas do IVA para "maximizar as receitas", eliminar "benefícios fiscais" nos impostos sobre o rendimento, acabar com "benefícios não salariais" na função pública ou adoptar "medidas de redução da despesa" em todos os ministérios, incluindo nas áreas sociais.

    Curiosamente, como aliás os próprios logo trataram de sublinhar, o melhor que Alex Tsipras e Yanis Varoufakis têm para mostrar é o que não está no acordo: não haverá despedimentos na função pública; não haverá cortes nos salários e nas pensões; não haverá aumentos de impostos para os mais pobres e a classe média e não haverá aumentos do IVA na alimentação e na saúde. Apetece perguntar: este discurso explicativo não vos faz lembrar nada? Talvez uma certa esquerda entenda agora melhor a gravidade da situação que o Governo socialista teve de enfrentar em 2011 quando foi forçado a pedir ajuda externa e a negociar o Memorando de Entendimento em consequência do constrangimento financeiro causado pela reacção do BCE e dos mercados ao "chumbo" do PEC IV. Assumir a responsabilidade de governar tem destas coisas: começa logo a ver-se o Mundo de outra maneira.

    O directório alemão e os demais defensores da "linha dura", com o Governo português na dianteira, exultam com esta vitória esmagadora da austeridade. Embalados pelo triunfo, julgam-se com resposta para tudo: os eleitores gregos votaram contra? "Tanto pior. A austeridade está inscrita nas regras, não depende do voto. E a vontade dos gregos não vale mais do que a dos outros". Não lhes ocorre reconhecer a ficção em que assenta a legitimidade democrática da política europeia de austeridade e menos ainda que o flagrante desprezo pelos resultados eleitorais na Grécia é apenas mais lenha para a fogueira do projecto europeu. Talvez por isso, há um ambiente pesado de claustrofobia democrática nesta festa da política de austeridade. Mas não deixa de haver também uma vistosa passadeira vermelha. E é por lá que ainda há-de desfilar a senhora Le Pen.»

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Sombras de Schäuble

• Rui Pereira, Sombras de Schäuble:
    «A fazer fé na imprensa alemã, a nossa Ministra das Finanças terá pedido pessoalmente ao homólogo teutónico para se manter duro com a Grécia. Em época alta para o sadomasoquismo (depois de Lars von Trier apresentar ‘Ninfomaníaca’, ‘As 50 Sombras de Grey’ provocaram uma romaria aos cinemas e excursões pelas ‘sex shops’), tal prática parece fugir aos cânones habituais. O Governo português, que às vezes parece comprazer-se com as dores da austeridade, não pediu que a nossa dose fosse reforçada (era só o que faltava!), mas sim que a dose dos gregos não seja aliviada.

    Esta "fuga controlada" para a imprensa alemã destina-se a endossar cinicamente para os portugueses a renitência em aliviar a carga dos gregos ("nós até queremos, os latinos é que não deixam…"). Mas o que será mais ético e racional: ser sadomasoquista por conta alheia ou ser solidário com os gregos? Dividem-se as opiniões. Enquanto a esquerda censura o Governo por não alinhar com os países europeus que enfrentam dificuldades semelhantes ou mesmo piores do que as nossas, a direita evoca o dinheiro emprestado à Grécia e alega que os sacrifícios são para todos.

    Na realidade, a única atitude ética, racional e consentânea com o interesse nacional consiste em revelar empatia pelas dificuldades que o povo grego enfrenta, invocando essa situação para obter uma maior abertura da União Europeia às políticas de coesão e solidariedade. O Governo português tem toda a legitimidade para pedir, em nome da igualdade e em defesa do seu Povo, que lhe sejam aplicados todos os benefícios resultantes de uma mudança de orientação quanto à Grécia. Pelo contrário, uma atitude mesquinha só nos deixará ficar mal perante gregos e alemães.

    O que se ouve em sentido contrário causa perplexidade. Não precisamos de ajuda nenhuma? Concluído o programa de "assistência", chegámos à terra de leite e mel? Se é assim, ainda ninguém o percebeu. Os sinais de crescimento económico e abrandamento do desemprego são incipientes, os jovens emigram, a escola pública e o sistema de saúde declinam, a taxa de mortalidade aumenta e a taxa de natalidade continua a diminuir. Ninguém quer dinheiro para o "despesismo", mas o alívio da servidão da dívida é necessário para iniciar um ciclo de crescimento solidário e sustentável.»

Do colaboracionismo

A Épuration Légale após a queda do regime de Vichy

• Eva Gaspar, Schäuble:
    «(…) Um Tesouro, um ministro das Finanças, um parlamento especial para o euro, é a estrutura da nova Europa que há muito tem na cabeça.»

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Mais troikistas que a troika, mais alemães que a Alemanha (2)



    «Este governo a coisa que mais teme é que os portugueses possam perceber que o discurso que foi feito nos últimos três anos de que não havia alternativa (e de que este era o único caminho) é falso.»