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quinta-feira, agosto 28, 2014

Ouviste, Paulinho?


Folga orçamental? Miss Swaps: “Não consigo ver onde”, num devastador uppercut que atinge em cheio Paulo Portas.

segunda-feira, abril 28, 2014

Fazer chichi contra o vento

O Rodrigo Moita de Deus pressentiu uma contradição no que escrevo: ora veria o ministro Maduro a apanhar bonés (quando a Miss Swaps, por exemplo, o ignora e ordena a um dos seus ajudantes que retome o modelo dos assombrosos Briefs do Lomba), ora o colocaria nos píncaros da Lua (quando o vejo em manobras para dobrar a espinha à RTP).

Como profissional do métier, o Rodrigo não desconhece que não há comunicação política que resista à falta de coordenação política. O ministro Maduro, empenhado em aplicar as dicas que constam dos manuais que a Amazon disponibiliza aos interessados, confronta-se com um obstáculo de tomo: a orquestra não tem maestro. E, tanto quanto se sabe, o Conselho de Ministros não reconhece ao ministro Maduro estatura para substituir um Passos Coelho mais preocupado em «ir além da troika» do que em coordenar a federação de governantes que o rodeia.

A intromissão na actividade da RTP é um efeito do falhanço da política de comunicação: não vai a bem, vai a mal. Mas comportar-se como um elefante numa loja de porcelanas é uma fantasia tão consistente como fazer chichi contra o vento.

domingo, abril 20, 2014

Da vida efémera das borboletas

— Aqui o meu vizinho amuou. Ao princípio, estranha-se, depois entranha-se. O Paulo há-de explicar-lhe.

• Ferreira Fernandes, Maria Luís e Lima com açúcar e desafeto:
    «(…) Um colunista de opinião argumentaria sobre a contradição entre A (Albuquerque) e B (Lima) e mostrava como essas notícias confirmam o que já fora escrito por Bertrand de Jouvenel no magistral Essai de Politique Pure. Mas eu sou mero cronista, mais terra-a-terra. Sou colecionador de borboletas e o mais alto que vou nem sou eu, é a rede, caçando lepidópteros que voam por aí. O conflito no interior do Governo por causa das taxas sobre o excesso açúcar não me escapa, como não escapa aos opinion makers. Mas numa crónica (nas minhas, pelo menos) não se sobe acima da chinela. Lembro a taxa da Albuquerque só porque ela ilustra o sugar de néctar, tão próprio das borboletas. Lembro o suicídio da coligação de Lima, por evocar a vida efémera das borboletas. Se a vida (a crónica do quotidiano) fala por si, porque hei de eu aborrecer-vos com a minha opinião?»

quarta-feira, novembro 13, 2013

Da série “Orquestra sem maestro”

Pires de Lima disse na Assembleia da República que o “empreendedorismo” devia ser uma disciplina obrigatória, mas esta não parece ser a intenção de Nuno Crato, a quem cabe tomar decisões no âmbito da Educação.

O alegado primeiro-ministro, esse, anda por aí, enquanto os seus ministros discutem e se desautorizam na praça pública.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Narcotraficantes, fora de Portugal!


Depois de ter desmentido e humilhado Rui Machete — ao afirmar que Portugal tem uma “data marcada para finalizar” o programa da troika, mas “não uma determinada taxa” —, Paulo Portas, esse mesmo do borrão-da-refundação-do-Estado, lançou-se às canelas “desses senhores” da troika, comparando-os aos narcotraficantes da Colômbia:
    Portugal vai conseguir [ultrapassar a ameaça da troika], assim como a Colômbia conseguiu ultrapassar a ameaça do terror e do narcotráfico.

(Se Portas conhecesse a Colômbia, deveria saber que a última coisa que os seus cidadãos querem é ouvir falar de narcotráfico a propósito do seu país, porque isso revela que os estrangeiros estão a tomar a parte pelo todo. Enfim, estamos em presença de um especialista em ideias gerais.)

Estas declarações de Paulo Portas foram feitas no âmbito do Encontro Empresarial Portugal/Colômbia, hoje realizado no Teatro Thalia (Palácio das Laranjeiras), no qual o vice apresentou como empresa-modelo interessada em investir na Colômbia a Parfois (que suponho serem aquelas lojas de bijuteria que há em centros comerciais):

sexta-feira, outubro 18, 2013

Um livre-pensador na parada
(ou o Álvaro da Miss Swaps)


Pires de Lima representava o pé do CDS-PP que estava fora do Governo. Comportava-se como o livre-pensador que fazia o contraponto ao fanático Gaspar e ao apalermado Álvaro. Mandasse ele na República e teríamos um país a reduzir o défice através do crescimento, com o IVA da restauração a minguar, o consumo privado a borbulhar, o crédito ao sector público a reanimar, as PME a levantar a cabeça e por aí fora.

Bruscamente no Verão passado, tudo mudou. Quando se esperaria que Pires de Lima levasse à prática o seu pensamento, eis que o livre-pensador nos vem dizer que se havia transformado num “soldado disciplinado e leal dentro do Governo”. Ou seja, no Álvaro da Miss Swaps. Depois de ter comido Paulo Portas, a Miss Swaps voltou-se para António Pires de Lima e trincou-o: — Quer que reduza o IVA da restauração ou que baixe a taxa de IRC aos seus amigos?

O estranho caso da mulher que comeu Paulo Portas


Paulo Portas atribuiu a sua irrevogável demissão à escolha da Miss Swaps para substituir Vítor Gaspar, com o qual mantinha “diferenças políticas”. Frustrava-se, por isso, a sua expectativa de que se poderia abrir um “ciclo político e económico diferente”, dado ter-se optado pelo “caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças”. O que aconteceu depois é conhecido: Passos Coelho deu a Portas e ao CDS cargos e poderes, forçando-o assim a ficar no Governo e a dar ordem ao pequeno pelotão que o rodeia para que saltasse para o comboio que vai a toda velocidade contra a parede.

Entretanto, não só o “novo ciclo” não chegou como o que houve de pior no “velho ciclo” se agravou: quando se esperava a adopção de incentivos ao crescimento, promove-se a concentração de meios na escavação do buraco.

A conferência de imprensa de apresentação do Orçamento do Estado para 2014 marca o momento em que Portas assina a rendição, conformando-se com a continuação da política de Gaspar, agora sob a batuta da Miss Swaps, a quem não reconhecia estatura nem idoneidade. Com a agravante de, por cobarde falta de comparência, ter passado uma procuração à Miss Swaps para que esta tomasse a condução do processo.

Depois de ter abandonado sucessivamente as bandeiras dos pensionistas, dos contribuintes e dos combatentes, resta ao CDS-PP assumir-se como o partido da troika, ou seja, dos credores internacionais. Em modo dissimulado ou não, é irrelevante. O que fica para a História, numa nota de rodapé, é que a Miss Swaps comeu Paulo Portas.

segunda-feira, outubro 14, 2013

O Governo e a cola Araldite

• Paulo Ferreira, O Governo e a cola Araldite:
    ‘O episódio da chamada "TSU das viúvas" é o mais vivo exemplo da forma indigna usada pelo Governo para tratar de assuntos que mexem com o bolso e com a vida das pessoas. Portas apareceu, impante, numa conferência de imprensa, a pintar o céu de azul. Ao seu lado, a ministra das Finanças fez cara de caso, ao ver o vice-primeiro-ministro vender ilusões. Seguiu-se uma (in)conveniente fuga de informação que deixou durante uma semana (repito: uma semana) os pensionistas - e, por arrasto, o país - em pânico.

    Portas, presidente do partido que defende os fracos e oprimidos, terá ficado furioso com o caso, porque, ao contrário do que foi veiculado, o corte nas pensões não começa nos 600 euros: começará mais acima. Vai daí, Portas decidiu marcar uma comunicação ao país, que depois desmarcou, um dia antes de o Governo fechar o Orçamento do Estado (OE) para 2014. Supostamente, Portas queria fazer engolir as palavras aos autores da fuga. Andou uma semana a preparar a vingança. Pouco importa que o país estivesse, outra vez, virado do avesso.’

quinta-feira, outubro 10, 2013

Entre a vingança servida a frio
e a irrevogável dissimulação de um embusteiro

— Então, foste tu, minha… minha… MISS SWAAAAPS?!

Paulo Portas deu a vergonhosa conferência de imprensa em que, para além de não ter feito alusão à dose cavalar de austeridade já oferecida pelo Governo à troika, ainda omitiu o bárbaro corte que quer impor nas pensões de sobrevivência. Quando se deu a fuga de informação, o sr. vice-primeiro-ministro veio, com as calças na mão, alegar que, aquando da conferência de imprensa, “o desenho da medida não estava terminado”.

Depois, nos bastidores, Portas lançou-se à caça do responsável pela fuga de informação e embateu… na Miss Swaps. Se é verdade que a Miss Swaps provou que a vingança se serve fria, não menos verdade é que Portas revelou, uma vez mais, ter uma irrevogável capacidade de dissimulação.

A TSU das viúvas e a saúde da coligação


O PSD deixou ontem o CDS sozinho a defender o inqualificável corte nas pensões de sobrevivência. O CC está em condições de antecipar o discurso que o alegado primeiro-ministro fará sobre o corte nas pensões de sobrevivência numa suas das próximas aparições públicas: Moral da história: a coligação de direita quer destruir o Estado Social e eliminar os direitos laborais, mas nenhuma das duas forças que representam a direita política quer assumir o ónus da devastação do país.

quarta-feira, setembro 11, 2013

Dissimulação encravada algures no país profundo

Têm-no feito tantas vezes que nem sequer é notícia: Passos e Crato inauguram escolas já inauguradas. O que surpreende é que a denúncia da trafulhice parta do CDS. Há sectores locais da coligação de direita ainda não contaminados pelo efeito da dissimulação.

terça-feira, agosto 20, 2013

Guerra civil nas catacumbas do aparelho do Estado


A última fornada de ministros tomou posse a 24 de Julho. Tendo o Governo passado de 12 para 15 ministros, é forçoso publicar uma outra orgânica do Governo. A que se deve a circunstância de, quase um mês depois, ainda não ter sido publicada?

Não parece que a causa do atraso se deva à ignorância que motivou situações hilariantes quando a coligação de direita se alçou ao poder há dois anos.

Tudo leva a crer que a guerra civil de há um mês se tenha deslocado para um patamar inferior do aparelho do Estado, discutindo-se a afectação de direcções-gerais e institutos públicos às secretarias de Estado entregues ao PSD ou ao CDS — de que o primeiro sinal público foi dado por Paulo Portas quando fez saber que pretendia colocar a AICEP na dependência do Ministério da Economia, depois de, há dois anos, ter exigido levá-la pela arreata para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A São Caetano e o Caldas ainda estão repletos de inúteis a aguardar colocação.

sábado, agosto 10, 2013

Entrevista

Como se sabe, não é costume desta casa sugerir o consumo das entrevistas de Mário Crespo. Mas vale a pena ver esta a Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa: briefs do Lomba à discrição, pazadas de spin, swaps na Praça do Comércio, Governo sem norte e, à sobremesa, minhocas do BPN. Uma vez sem exemplo — uma análise da crise da na direita.

sábado, julho 27, 2013

Eu é que sou o grilo falante da troika!


A forma como o Moedinhas tem levado a peito a estratégia de “ir além da troika” fez com que ficasse conhecido no seio do próprio Governo como o “grilo falante da troika”. Ora o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-ministro tem agora a concorrência no relacionamento com a troika de Miguel Morais Leitão, secretário de Estado Adjunto do Vice-primeiro-ministro.

Tendo sido oferecida a Paulo Portas a condução das relações com a troika, antevê-se uma nova fricção no Governo no âmbito das secretarias de Estado: quem assume o papel de grilo falante da troika?

sexta-feira, julho 26, 2013

Dissimulação: vai ser assim em público?

Vídeo

      "4. O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.

      5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro, que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível."

Um “governo sólido e coeso” como nunca se viu coisa assim

[Um excerto de artigo de Paulo Pena na Visão, via Maria João Pires]

quinta-feira, julho 11, 2013

A direita vive acima das suas possibilidades

Uma maioria, uma nave de loucos e um incendiário [1]

Depois de ter aparado todos os golpes do Governo de direita, que destruíram o tecido económico, agravaram a situação das finanças públicas e abocanharam o pote, o Presidente da República quer salvar a sua pele. Mas quer mais: entende que é chegado o momento de subalternizar o papel dos partidos políticos. Fá-lo recorrendo a uma ideia nuclear do velho cavaquismo: o jogo partidário é um empecilho a uma boa governação.

Recordam-se de quando os cavaquistas saltaram em apoio da Dr.ª Manuela, argumentando que a defesa da suspensão da democracia por seis meses não passava de uma mera piada? Eis então que nos surge Cavaco a defender a interrupção da democracia por tempo indeterminado. Neste contexto, as eleições em Junho de 2014 seriam uma farsa.

Por mais voltas que dê, Cavaco volta sempre à casa de partida: “duas pessoas com a mesma informação e com a mesma boa-fé chegam necessariamente às mesmas conclusões.” É a negação da política (salvo a sua): onde existe um parlamento, ele gostaria de ver uma câmara corporativa.