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quinta-feira, setembro 03, 2015

Livro Negro


Cinco investigadores portugueses organizaram uma compilação exaustiva dos artigos de opinião, das cartas, dos comunicados de imprensa e das peças jornalísticas publicados em 2014 e 2015 sobre a avaliação dos centros de investigação portugueses levada a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que é tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência. Todos esses textos estão reunidos no que os cinco investigadores designaram por Livro Negro da Avaliação Científica em Portugal e que está disponível online a partir de ontem.

domingo, julho 19, 2015

O legado de Crato


António Costa e Silva, presidente da Partex
e professor do Instituto Superior Técnico
(via Dimas Pestana)

terça-feira, junho 23, 2015

«Em política, gosto das coisas claras»


    «Subscrevi o manifesto 'O Conhecimento como Futuro'. Estou de acordo com a nova agenda política para o ensino superior e a ciência que ele propõe. Mas tenho a fazer umas observações adicionais:
      1. Estamos a três meses de eleições legislativas. Não é possível ignorar esse facto.

      2. Como muitos académicos reconhecem, a ação do Governo, neste como em tantos outros domínios, foi absolutamente desastrosa. Portanto, não é possível realizar uma nova agenda política sem mudar de Governo.

      3. Só é possível mudar de Governo se todos os que querem mudar de Governo (a) forem votar e (b) votarem no Partido Socialista ou em partidos que se disponham a integrar ou viabilizar um Governo liderado pelo PS (o que, para vergonha da esquerda portuguesa, se resume por enquanto ao Livre). Tudo o resto significa colocar mais quatro anos no Governo Passos Coelho e Paulo Portas, isto é, perpetuar a política que o Manifesto e a generalidade dos cientistas tão justificadamente contestam.

      4. Tudo o que seja propor ou divulgar, agora, tomadas de posição que não enfrentem esta questão da alternativa de Governo arrisca-se apenas a ser voto pio, ou pior, limpeza de consciência própria. Mariano Gago, que tanto e tão bem é citado, nestes dias, sempre o soube - e tirou as consequências devidas.

      5. Não sei se isto parecerá sectarismo político. A mim parece-me clareza. Em política, gosto das coisas claras.»

segunda-feira, maio 18, 2015

«Só pode haver conhecimento aplicável
se antes houver conhecimento»

• João Galamba, Shark Tank:
    «(…) Se a produção de conhecimento for determinada por estratégias comerciais e mercantis das empresas, perde a produção de conhecimento e perdem as empresas. Porque não é assim que o conhecimento é produzido, nem pode ser assim que as universidades funcionam. E as empresas, ao contrário do Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, sabem isto: não consta que as empresas que mais investem em inovação, como a Bosch, defendam que a melhor maneira de aproximar as universidades das empresas passe por desinvestimento público nas universidades, nos centros tecnológicos e nos laboratórios do Estado. Só pode haver conhecimento aplicável se antes houver conhecimento.

    Pedro Gonçalves, que vem do setor financeiro, olha para as universidades como se estas fossem start-ups que devem atrair financiamento de investidores privados. Só através do recuo do Estado, que obriga as universidades a sair da sua zona de conforto em procura de financiamento alternativo, podemos verdadeiramente saber que parte do sistema científico nacional tem qualidade e merece sobreviver. O modelo de financiamento da ciência e da inovação que o Secretário de Estado tem em mente parece ser uma versão do Shark Tank.»

sábado, maio 16, 2015

Pôr a investigação a desenrascar os grupos económicos:
política do Governo para o conhecimento, a inovação e a ciência

    «No Expresso da Meia Noite, quando Maria de Lurdes Rodrigues e Elvira Fortunato confrontaram Pedro Gonçalves, o Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, com o estrangulamento financeiro das universidades e com o brutal desinvestimento em ciência, este respondeu que a aposta do Governo era na ligação do conhecimento ao mercado e às empresas, mas invertendo a lógica tradicional de produção de conhecimento.

    Para Pedro Gonçalves, é o mercado e as empresas que devem determinar qual o conhecimento que é produzido. E deu como exemplo um protocolo entre a Bosch e a Universidade do Minho.

    Ninguém questiona a importância do protocolo entre a Bosch e a Universidade do Minho. Mas Pedro Gonçalves parece ter esquecido que esse protocolo só existe porque alguém antes investiu na Universidade do Minho. E não foi a Bosch. Sem esse investimento anterior não havia protocolo, porque a Bosch não quer fundar, financiar e assegurar a existência da Universidade do Minho, quer recorrer aos seus serviços e quer que estes sejam de excelência.

    Se a produção de conhecimento for determinada por estratégias comerciais e mercantis das empresas, perde a produção de conhecimento e perdem as empresas. Porque não é assim que o conhecimento é produzido, nem pode ser assim que as universidades funcionam. E as empresas, ao contrário do Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, sabem isto: não consta que as empresas que mais investem em inovação, como a Bosch, defendam que a melhor maneira de aproximar as universidades das empresas passe por desinvestimento público nas universidades, nos centros tecnológicos e nos laboratórios do Estado. Só pode haver conhecimento aplicável se antes houver conhecimento.

    Neste caso, como em tudo, o Governo PSD-CDS guia-se pela seguinte máxima: é preciso que o Estado desinvesta para que os privados o façam, e para que o façam melhor. Dificilmente encontramos uma área onde isto seja mais falso do que a do conhecimento, investigação e ciência.»

Mariano Gago e a liberdade em Ciência

Hoje no Expresso
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Sobre o legado de Mariano Gago

Hoje no Expresso
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terça-feira, maio 12, 2015

Amanhã e depois


Maria de Lurdes Rodrigues, num artigo hoje saído no Público — Políticas públicas para mais crescimento e menos desigualdade — sintetiza o que estará em discussão no Fórum das Políticas Públicas.

terça-feira, abril 21, 2015

José Mariano Gago, o sonho de um país moderno

• José Vítor Malheiros, José Mariano Gago, o sonho de um país moderno:
    «José Mariano Gago pertencia a um grupo muito restrito de pessoas, que podem ser contadas pelos dedos de uma só mão, a quem nunca ouvi fazer uma intervenção pública sem que dissesse algo substantivo e interessante, que nos obrigava a reflectir. Nunca o ouvi fazer um daqueles vácuos discursos de circunstância, cheios de pompa e de banalidades, a que os governantes habitualmente se dedicam, deliciados por serem o centro das atenções.

    José Mariano Gago estava na política por razões substantivas, porque tinha uma ideia para Portugal e uma estratégia para a pôr em prática, porque tinha a ambição de ajudar a construir uma sociedade europeia cosmopolita de bem-estar para todos, por paixão e por dever de cidadania, e nunca para agradar a algum poder ou servir um partido, para favorecer algum interesse particular ou para seguir um breviário. Era aí que colocava o seu orgulho, nesse trabalho que continuou a preencher até ao último dia da sua vida as páginas da sua agenda, e não nas fúteis disputas territoriais, nas prestações de vassalagem e afirmações de vaidade que são a parte central do quotidiano de tantos políticos. Essa é uma das principais diferenças entre Gago e outros governantes, conhecida ou intuída por todos, e é uma das razões do respeito que granjeou em todos os sectores da vida nacional. Em José Mariano Gago nada era fogo-de-vista, tudo era consistente e reflectido e tudo nos solicitava a pensar e a agir. (…)»

sábado, abril 18, 2015

Mariano Gago


    Caros colegas,

    Como já deve ser do vosso conhecimento o Professor José Mariano Gago faleceu ontem, dia 17 de Abril.

    O Professor Mariano Gago impulsionou e marcou profundamente a ciência em Portugal nas últimas décadas, contribuindo decisivamente enquanto presidente da FCT e Ministro da Ciência para o desenvolvimento do sistema científico nacional em muitas das suas vertentes.

    Alguns de nós não gostaríamos de deixar de assinalar a sua passagem e o seu contributo para a ciência portuguesa. A título de reconhecimento público da comunidade científica nacional pela contribuição do Professor Mariano Gago, propomos que na próxima segunda-feira, dia 20 de Abril, ao meio dia (12h), os centros de investigação e faculdades parem as suas atividades normais durante 5 minutos, e que os colegas se concentrem em frente das portas principais das respectivas instituições.

    Agradecia que divulgassem esta iniciativa.

    Abraços

    António Jacinto (CEDOC)
    Arlindo Oliveira (IST)
    Alexandre Quintanilha (IBMC/I3S)
    Carmo Fonseca (IMM)
    Catarina Resende de Oliveira (CNC)
    Claudio Sunkel (IBMC/I3S)
    Fátima Carneiro (IPATIMUP/I3S)
    Isabel Ribeiro (IST)
    João Bettencourt Relvas (IBMC/I3S)
    João Pedro Conde (IST)
    João Sanches (IST)
    José Manuel Mendonça (INESC)
    José Santos Vítor (IST)
    Leonor David (IPATIMUP/I3S)
    Lopes da Silva (ISR/IST)
    Manuel Heitor (IST)
    Manuel Sobrinho Simões (IPATIMUP/I3S)
    Maria de Sousa (IBMC/I3S)
    Maria Mota (IMM)
    Mário Barbosa (INEB/I3S)
    Pedro Lima (IST)
    Raquel Seruca (IPATIMUP/I3S)
    Sampaio Cabral (IST)
    Teresa Paiva (CENC)
(via Porfírio Silva)

sexta-feira, abril 17, 2015

José Mariano Gago (1948-2015)


    «1. O Zé Mariano Gago era uma pessoa excecional. Um cientista excecional, um professor excecional, um amigo excecional, um político excecional, um cidadão excecional.

    2. Conheci-o, há muitos anos, na luta pela educação de adultos, como passo essencial para recuperar o atraso histórico português e colocar em bases certas o nosso desenvolvimento.

    3. É aquele que, nas últimas quatro décadas, mais lúcida e incansavelmente combateu pela ciência, a educação científica e a modernização tecnológica da economia e da sociedade.

    4. É o maior exemplo de compromisso público, de empenhamento, de ousadia e eficácia na ação, de intransigência perante a ignorância e a demagogia, que posso indicar aos mais novos.

    5. Hoje, que ele partiu, é um dia muito, muito triste.»

terça-feira, abril 14, 2015

O reitor Sampaio da Nóvoa

• Isabel do Carmo, O reitor Sampaio da Nóvoa:
    «(…) A lei que protocolava a realização das provas datava do regime da ditadura, assinada ainda por Américo Tomás. A votação consistia na escolha de uma bola preta ou de uma bola branca por cada membro do júri e depois procedia-se à contagem. O que estava legislado e era escrupulosamente cumprido era que a votação fosse anónima, em urna fechada. Cada catedrático ia escolher sob as longas mangas da beca uma bola preta ou branca num recipiente onde estavam misturadas e depois colocava-a na urna. Esta cena medieval passada à porta fechada do conselho da faculdade dava lugar a todos os maus instintos, cobardias, vinganças pessoais e sobretudo políticas. E, naturalmente, a um grande stress dos candidatos. Finalmente abriam-se as portas e era anunciado o resultado. Poder absoluto e anónimo. Sampaio da Nóvoa, enquanto reitor, manifestou-se várias vezes contra esta lei, o que aliás deixou escrito em ata. Finalmente, por influência da sua orientação e por vontade de Mariano Gago, a lei foi abolida e substituída por outra, em que a votação deixou de ser anónima.

    Ora acontece que, quando a nova lei foi publicada, já as nossas provas, a minha, a do Saldanha Sanches e a de um colega da Faculdade de Ciências, tinham data marcada. Todavia, na publicação da nova lei estava escrito que só 15 dias depois passava a ser aplicada. Prevendo por razões óbvias o que se poderia passar comigo e com o Saldanha Sanches, o reitor Sampaio da Nóvoa telefonou--me, telefonou ao presidente do Conselho Científico da FML, telefonou ao Saldanha Sanches e chamou-nos, facultando a possibilidade de requerermos um adiamento para datas posteriores à aplicação da lei. Sou testemunha de que tivemos essa possibilidade, mas nem eu nem o Saldanha Sanches quisemos. Criaturas que gostam do risco... Saldanha Sanches chumbou. O júri dele foi presidido na Faculdade de Direito pelo reitor Sampaio da Nóvoa, o qual não podia votar. O que se passou na discussão dentro do conselho ninguém sabe, ninguém pode saber, mas os que lá estavam sabem com certeza. Perante isto Sampaio da Nóvoa voltou a telefonar-me, mas eu insisti em ir a provas nessa data. Ele resolveu então ir assistir às minhas provas "à paisana", para testemunhar. (…)»

sábado, abril 11, 2015

O êxito de Passos: numa economia de baixos salários
a educação não é uma prioridade

Sem um mínimo de pudor, Passos Coelho disse hoje: «É preciso continuar essa aposta que tem sido feita na Educação». Para começo de conversa, eis três gráficos — o primeiro sobre o abandono da qualificação de adultos, o segundo sobre o intolerável agravamento do insucesso escolar e o terceiro sobre a redução em 15% dos alunos no ensino superior — que mostram não apenas os resultados da política de Educação do Governo como a desfaçatez do alegado primeiro-ministro:
Via Facebook do Partido Socialista

quarta-feira, abril 08, 2015

O gato de Seabra

• Teresa Firmino, O gato de Seabra:
    «(…) Desde Janeiro de 2012 e até esta terça-feira, quando a sua demissão foi anunciada, [Miguel Seabra] assumiu a presidência da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a principal instituição pública que financia o sistema científico do país, tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência. É o seu braço na aplicação das políticas científicas. Tem por missão desenvolver, avaliar e financiar o sistema científico português. Assim, a FCT financia projectos de investigação, bem como equipamentos científicos e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Em suma, como diz o decreto-lei que define a sua missão, compete-lhe “a coordenação das políticas públicas de ciência e tecnologia”. Políticas que, no actual Governo, e com Miguel Seabra na FCT, têm passado por cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento e por uma avaliação de credibilidade duvidosa aos centros de investigação do país.

    É por isso, no mínimo, surpreendente Miguel Seabra ter-se candidatado a um prémio de investigação científica enquanto ocupava a presidência da FCT. Tal como o Gato de Schrödinger existe paradoxalmente ao mesmo tempo em dois estados, Miguel Seabra colocou-se numa sobreposição de lugares: era gestor político, que coordenava as políticas públicas de ciência e tecnologia, e ao mesmo tempo cientista que concorreu a um prémio com a sua própria investigação científica. (…)»

segunda-feira, abril 06, 2015

Nicho de mercado

    «1. Uma das coisas mais chocantes no meu dia a dia profissional é o preço da inscrição em congressos científicos.

    2. Ultrapassa facilmente os 200 euros, só para poder participar, sem contar com refeições, muitas vezes com receções de boas vindas nalgum edifício municipal, no geral sem qualquer interesse.

    3. Suspeito que há neste momento uma rede montada de agências de organização, que se aproveitam das ridículas exigências que vigoram na carreira universitária - que basicamente contam a metro o número de comunicações apresentadas em congressos e o número de artigos publicados em revistas internacionais - para ganhar bom dinheiro.

    4. E, das duas uma: ou o/a investigador/a, dispondo ainda de apoio, paga a inscrição com verbas da FCT - e lá temos a enésima transferência oblíqua de dinheiros públicos para interesses grupais ou corporativos,

    5. Ou nem sequer isso tem - e estamos perante exploração pura e simples.»

quarta-feira, março 25, 2015

Dia do Estudante


    «Ando quezilento, nem sei bem porquê, e portanto peço às almas sensíveis que parem a leitura por aqui:
      1. Leio que o primeiro-ministro almoçou ontem, a seu convite, com 13 associações de estudantes do ensino superior. Vistas as coisas da perspetiva dele, tudo bem: marcou um ponto importante, e aparentemente com grande facilidade, em modo pré-eleitoral.

      2. Mas agora vista a coisa do lado dos estudantes, revolvem-se as minhas entranhas de antigo ativista e dirigente associativo.

      3. Associações de estudantes a comemorarem o Dia do Estudante em almoços com o primeiro-ministro, qualquer que ele seja?

      4. Sem sequer lhe perguntarem (a acreditar no que li) porque só as convidou em ano eleitoral?

      5. Honra à Académica de Coimbra, que disse não e comemorou o Dia na rua com os seus estudantes. Vergonha para as que quiseram ficar associadas à propaganda de um Governo que, no ensino superior, como em tantas outras áreas, só fez cortes, asneiras e ofensas.»