Se o leitor quer votar em consciência, este texto de João Galamba dá uma ajuda preciosa: não apenas sintetiza o estado em que a direita deixa a economia portuguesa, como explica com algum pormenor a razão pela qual é o PS que apresenta «a alternativa (necessária) para Portugal». Eis uma passagem:
- «(…) É preciso não esquecer que, nos últimos 4 anos, não ocorreram investimentos como o da refinaria de Sines, o da nova fábrica da Portucel em Setúbal, o da Embraer em Évora ou o do Alqueva. Se as exportações de hoje são, sobretudo, fruto de investimentos passados, o facto de estarmos com volumes de investimento semelhantes aos que existiam em meados dos anos 80 é, sem sombra de dúvida, motivo para alarme. Quando Paulo Portas diz que a abertura de uma loja (repito: de uma loja) do IKEA no Algarve é um dos investimentos mais importantes dos últimos 4 anos, devemos ficar preocupados. É bom que haja esse investimento, como é evidente, mas é preocupante que seja um dos mais importantes da legislatura. E é revelador que seja uma loja, não uma fábrica – essa foi construída na anterior legislatura. (…)»




«O Que Fazer Com Este País» é um livro excelente (e muito útil). Ricardo Paes Mamede desmonta várias ideias feitas que imperam nas conversas de café, como a de que «vivemos acima das nossas possibilidades» (dois terços dos portugueses nunca tiveram acesso a crédito bancário) ou a de que o Estado foi, na década anterior, despesista (os salários na função pública registaram uma variação real negativa de -3,4%, para remunerações inferior a mil euros, e -6,7%, para remunerações superiores). O autor explica a natureza dos problemas com que se debate a economia portuguesa e dá pistas para a sua superação. 
• João Galamba, 


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Em 2013 publicou o livro “The Entrepreneurial State: debunking private vs. public sector myths”, considerado por muitos uma obra imprescindível para a compreensão e discussão sobre os rumos do capitalismo moderno e listado pelo Financial Times como livro do ano. Nele, Mazzucato mostra que o Estado tem um papel central nos processos de inovação, ao contrário da percepção comum de que é o sector privado o motor da inovação e que ao Estado cabe apenas o papel de regulador. Da Apple até as chamadas tecnologias “limpas", passando pela indústria farmacêutica, Mariana Mazzucato mostra que o sector privado só aposta depois de o Estado ter feito investimentos ousados e de maiores riscos.



Para além da destruição, que foi muito maior do que o previsto, tardam em chegar quaisquer tipos de sinais de recuperação, muito menos sinais de uma recuperação sustentável. Tudo leva a crer que a destruição se limitou a ser destrutiva.