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terça-feira, junho 30, 2015

A saga de Jacinto Leite Capelo Rego


Pires de Lima informa a PGR da existência de um indivíduo que se faz passar por seu representante. Com que propósito? A palavra ao gabinete do ministro da Economia:
    «"O gabinete do ministro da Economia informa que o ministro da Economia relatou formalmente, hoje, dia 30 de junho, à senhora Procuradora Geral da República, ter sido advertido, por pessoas das suas relações que reputa como idóneas e fidedignas, que um indivíduo, identificando-se como representante" do governante, "e alegado atuar em seu nome, ter-se-á aproximado de pessoas responsáveis pelo consórcio vencedor da reprivatização da TAP, bem como de um responsável direto pelo processo de subconcessão do Metropolitano de Lisboa e da Carris, pretensamente com o objetivo de obter para si vantagens económicas".»
Infelizmente, o take da Lusa não refere a identidade do alegado impostor.

quarta-feira, junho 17, 2015

Os açorianos que se lixem?


Os Estados Unidos estão a desactivar a Base das Lajes. Para minorar os problemas que a retirada está a provocar no tecido económico e social da Terceira, foi constituída a Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os EUA.

Ontem, realizou-se em Washington uma reunião extraordinária da Comissão Bilateral Permanente. Estava previsto que o Estado português apresentasse o plano de mitigação do impacto causado pelo abandono da Base das Lajes.

Segundo um membro da delegação portuguesa, o Governo Regional dos Açores elaborou há um ano a sua proposta. Parece que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Defesa também «fizeram o que lhes competia nestas negociações». Acontece que o plano não chegou a ser apresentado em Washington.

Porquê? Porque o Ministério da Economia não cumpriu o prazo estabelecido, «o que representa um grave prejuízo para a população do concelho da Praia da Vitória, onde se localiza a base, e para toda a ilha Terceira». Compreende-se o desalento do membro da delegação portuguesa ouvido pelo Expresso, que explica que a próxima reunião da Comissão Bilateral terá lugar nos Açores em Novembro, «o que significa que teremos de esperar pelo Governo que sair das eleições de Outubro para que esse plano avance, de modo a resolver uma situação que já teve um impacto económico devastador na região».

Como vemos todos os dias pela televisão, Pires de Lima tem outras prioridades.

sábado, junho 13, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [927]


Ao longo de meses, em vez de procurar valorizar a TAP, puxar pelo valor da TAP, [o Governo] andou a multiplicar-se a desvalorizar o seu valor, [com Passos Coelho, Paulo Portas Pires de Lima] todos os dias quase a dizer que até pagavam para alguém ficar com a TAP.
      António Costa, sublinhando que o Governo conduziu o processo de privatização da TAP com um «suspeitíssimo secretismo», escondendo da opinião pública «dados essenciais»

Perguntar não ofende


Quando se entrou na última fase da privatização da TAP, Pires de Lima apelou aos dois candidatos para que dessem «corda aos sapatos» na melhoria das suas propostas. Assim aconteceu, de acordo com o Governo. Se David Neeleman ofereceu dez (10) milhões de euros ao Estado, quais seriam os valores que constavam das propostas iniciais dos dois candidatos?

quarta-feira, junho 10, 2015

Qual é a pressa?

Expresso, 19.07.2014

Apesar de todas as garantias do ministro do CDS-PP, estamos a assistir a uma azáfama desenfreada para privatizar a TAP. Está previsto que a venda seja decidida amanhã no Conselho de Ministros.

sexta-feira, junho 05, 2015

«Não lançaremos a privatização
a poucos meses das eleições legislativas»
[Pires de Lima, a 19 de Julho de 2014]


• Pedro Sousa Carvalho, Quem está a ganhar com esta privatização da TAP?:
    “Não lançaremos a privatização a poucos meses das eleições legislativas.” Palavra de Pires de Lima. Uma promessa feita ao jornal Expresso no dia 19 de Julho de 2014, a propósito da venda da TAP. Estamos a poucos meses das eleições, até já se conhecem os programas eleitorais, e o Governo está a privatizar a TAP. Usando uma expressão do próprio ministro da Economia, o Governo já deu “corda aos sapatos” e nada parece travar a intenção de vender a TAP, custe o custar. Mesmo que não custe nada. Mesmo que a companhia de bandeira nacional seja vendida por um vintém.

    A pressão e a dramatização que colocou na venda da TAP é tal que o Governo deixou pouca ou nenhuma margem de recuo para abortar a operação, mesmo que as propostas de Germán Efromovich e de David Neeleman sejam más e lesivas para o interesse do Estado. Mesmo que a credibilidade de alguns dos candidatos deixe muito a desejar. Há uma pressão enorme para vender a empresa antes da viragem do ciclo político. São escritórios de advogados, são consultores, são facilitadores de negócios, todos de mão estendida à espera dos honorários, das comissões, das avenças e dos success fee. O failure fee, se o negócio for ruinoso para o Estado, ficará para os contribuintes. Até há comentadores que opinam semanalmente sobre o negócio na TAP, e os escritórios onde trabalham estão ligados aos candidatos à compra.

    (…)

    Germán Efromovich há dois anos ganhou a privatização da TAP. Assumiu o compromisso de pagar 35 milhões de euros ao Estado, injectar 300 milhões na empresa e assumir dívida de mais de mil milhões de euros. Quando chegou a altura de passar o cheque ao Estado, disse que não tinha garantias bancárias. Um mau cartão-de-visita para quem pelos vistos não tinha um grande cartão de crédito. David Neeleman, que já tentou por três vezes colocar a sua empresa em bolsa e falhou, tem passaporte americano e brasileiro e, segundo as leis europeias, não pode comprar mais de 50% do capital da TAP. Como tal, Humberto Pedrosa, presidente da Barraqueiro, é quem aparece como líder do seu consórcio com 50,1% do capital. Esta tentativa pateta e tosca de contornar as regras europeias vai passar? Um destes dois senhores será o futuro dono da TAP. (…)»

terça-feira, maio 05, 2015

O cão de fila do partido dos contribuintes… estrangeiros


Manda o pudor que o CDS (e o PSD) se deveria abster de falar de taxas e taxinhas depois de o seu governo ter feito o «enorme aumento de impostos», como o reconheceu Vítor Gaspar.

Acontece que, após o abandono de Gaspar, a política de «ir além da troika» se intensificou. Já com Portas como vice-primeiro-ministro e Pires de Lima como ministro da Economia, a carga fiscal agravou-se, não tendo havido sequer a redução da sobretaxa de IRS, prometida pelo vice-pantomineiro-mor, nem a redução do IVA da restauração, acenada pelo «soldado disciplinado» Pires.

Mas a história não termina aqui. O CDS-PP, que também indicou o agora célebre Paulo Núncio para a pasta dos Assuntos Fiscais, deu a sua bênção a um novo aumento de impostos. Sem pretender ser exaustivo, o Orçamento do Estado para 2015 agravou o imposto sobre os combustíveis, a contribuição para o serviço rodoviário, o imposto automóvel, o imposto sobre o tabaco, o imposto sobre o álcool, a contribuição extraordinária sobre o sector energético e a contribuição sobre o sector bancário, para além de criar uma taxa sobre o carbono e outra sobre os sacos de plástico. E aboliu ainda (para a maioria das situações) a cláusula de salvaguarda do IMI.

Perante este aterrador quadro, esperar-se-ia alguma contenção verbal por parte do CDS-PP. Mesmo assim, Paulo Portas resolveu soltar Nuno Melo. E, como acontece em regra, o cão de fila está a fazer uma figura triste por várias razões.

Em primeiro lugar, o empertigado Nuno Melo decidiu colocar algumas questões à Comissão Europeia sobre a legalidade da taxa turística. Ignora ele — que há largos anos é deputado europeu — que os tratados europeus impedem a adopção de normas que tenham como efeito a discriminação de cidadãos na União Europeia, salvo no âmbito da fiscalidade.

Em segundo lugar, são inúmeras as taxas e taxinhas a que estão sujeitos os utilizadores dos aeroportos portugueses. É espantoso que este eurovideirinho se mostre indignado apenas com a taxa turística, a qual incide só sobre os estrangeiros.

Por último, sabendo-se que a receita proveniente da taxa turística é consignada a um fundo de turismo, a aplicar em infra-estruturas que suportam a actividade turística, que alternativas terá Nuno Melo em mente para potenciar o turismo? Muito provavelmente, é assunto que nunca se lhe colocou. Mas um estudo recente da consultora PwC (Room to Grow: European cities hotel forecast 2014-2015) mostra como muitos Estados e municípios têm recorrido a esta medida que não põe em causa o afluxo de turistas.

quarta-feira, abril 29, 2015

Pires de Lima, o politiqueiro das taxinhas

• Daniel Oliveira, Pires de Lima, o politiqueiro das taxinhas [originalmente no Expresso Diário]:
    «(…) Este tipo de taxas, que existem, e com valores muitíssimo mais altos, em imensas cidades com grande afluência de turistas, é não só aceitável como recomendável. A alternativa é pôr os munícipes de Lisboa a pagar, sem apoio das empresas que mais lucram com o turismo, os custos públicos desta atividade. A atividade turística, que beneficiou, entre outras coisas, da trágica crise portuguesa, que reduziu os custos dos serviços, aguenta perfeitamente uma taxa com efeitos marginais. Na realidade, a ANA aguentou e nem se queixou.

    Perante esta proposta, o ministro Pires de Lima foi insistente no ataque ao que chamou, numa performance viral, de “taxas e taxinhas”. E voltou vezes sem conta ao tema. Sempre que lhe deram oportunidade para o fazer, na realidade. Segundo o ministro da Economia, estas taxas eram um ataque à nossa principal atividade exportadora em crescimento rápido: o turismo. O que não deixa de ser hilariante, quando é dito por um membro de um governo que atirou o IVA, incluindo o da restauração, para a estratosfera. A esta crítica, Pires de Lima responde que o seu ministério não criou taxas ou aumentou impostos. Como se o governo fosse uma manta de retalhos e não um único órgão político.

    Recentemente, Rui Moreira não descartou a possibilidade do Porto seguir o exemplo de Lisboa. Explicou, numa entrevista ao “Jornal de Notícias”, que a coisa existe noutras cidades e tem como função cobrir o “impacto da pegada turística”, que representa uma enorme sobrecarga nas infraestruturas urbanas. O presidente da Câmara Municipal do Porto apenas quer ver como a coisa corre na capital.

    Perante isto, foi, na altura, pedida uma reação a Pires de Lima, que fez da guerra às taxas para o turismo, em Lisboa, uma autêntica cruzada. E, extraordinariamente, a resposta foi lacónica: “não quero fazer comentários”. As taxas deixaram de o indignar. Como a política deve ser uma coisa séria, Pires de Lima tem de explicar a razão para ter passado da gritaria histérica para o silêncio absoluto. Ou passou a concordar com as taxas e taxinhas e devia dividir essa sua conversão com o povo; ou as taxas são más em Lisboa e indiferentes no Porto; ou elas eram importantes porque estavam a ser propostas pelo líder do principal partido da oposição e deixaram de ser importantes quando foram propostas por um autarca independente eleito com o apoio do partido do ministro da Economia. Com todas as discordâncias que tenho com Pires de Lima, achava, antes dele ser ministro, que era intelectualmente honesto. Este e outros episódios acabaram por revelar o pior dos politiqueiros.»

quarta-feira, abril 22, 2015

O desnorte do partido dos pensionistas e dos contribuintes
(entre outras máscaras descartáveis)


Paulo Portas enfiou o CDS no bolso de Passos Coelho. Já não há «linhas vermelhas» nem «cismas grisalhos». Agora, toca a papaguear a cartilha da austeridade: «somos todos soldados disciplinados», canta-se em uníssono no Caldas, parafraseando o «soldado disciplinado» Pires de Lima.

O pequeno problema é que o coro do partido dos pensionistas está desafinado. Ontem, Cecília Meireles dizia que as medidas que constam do estudo Uma Década para Portugal (cenário macroeconómico) teriam um custo de três mil milhões de euros. Hoje, Pires de Lima apresentou uma factura mais em conta: 2,2 mil milhões. O rigor, para não falar na honestidade intelectual, dos vários porta-vozes do CDS está à vista.

É óbvio que o estudo em causa propõe também receitas, que o CDS se esqueceu de considerar nos «cálculos». O estudo dos economistas para o PS prevê que a aplicação das medidas propostas se traduza num agravamento do défice de apenas 460 milhões de euros em 2016 (imagem acima), sendo que, a partir de 2018, as medidas do PS reduzem o défice público mais do que o cenário de referência da Comissão Europeia (com o fim da legislatura a registar um défice público de 1%, quando a Comissão Europeia prevê um défice de 1,8%).

segunda-feira, abril 13, 2015

«A maioria entrou em modo propaganda e já só fala para os fiéis»

• João Galamba, Aldrabices e propaganda:
    «Na última quinta-feira, no Parlamento, Ministra das Finanças um belo exemplo do que será o discurso económico da maioria até às eleições: um misto de Aldrabices e propaganda.

    Respondendo a críticas da oposição, e sob fortes aplausos das bancadas da maioria, a Ministra das Finanças defendeu que tudo estaria melhor se o Tribunal Constitucional não tivesse travado a estratégia do Governo de corte de salários e pensões, e concluiu a sua intervenção dizendo que a devolução (parcial) desses mesmos salários e dessas mesmas pensões eram a prova do sucesso da estratégia do Governo.

    Embalada por este momento de humor involuntário, e com o descaramento costumeiro, a Ministra das Finanças decide inventar uma realidade paralela sobre o emprego, e acusa o PS e toda a oposição de negar essa realidade (inventada). Nessa realidade, o emprego esteve a cair sistematicamente desde o início da década, só passou a crescer com este governo e, apesar das críticas da oposição, continua a recuperar de forma robusta. Não será o milagre de Pires de Lima, mas anda lá perto.

    Na realidade que é reportada pelo INE, o emprego cresceu desde 2005, só caiu com a crise financeira, e ainda assim menos do que em 2012, o pior ano em matéria de destruição de emprego; e não está a crescer, muito menos a crescer de forma robusta, uma vez que o emprego, mesmo corrigido de sazonalidade, cai há seis meses consecutivos. Nada disto é tido em conta pela maioria, que valoriza mais o seu discurso de campanha eleitoral do que a realidade, mesmo que o primeiro esteja em flagrante contradição com a segunda. Diga o INE o que disser, diga a oposição o que disser, a maioria decretou que o ajustamento foi um sucesso e é estrutural; decretou que as políticas do governo estão a dar frutos e são o que explica a fantástica retoma, que até tem sido revista em alta; decretou que o emprego cresce como há muito não se via; decretou que chegou o tempo do investimento; e decretou que o combate à pobreza, ao contrário do passado, tem sido muitíssimo eficaz e um belíssimo exemplo de ética social na austeridade.

    O facto de o crescimento ser metade do que o Governo anunciou quando assumiu funções e de ter uma composição que a maioria sempre considerou insustentável, implicando uma degradação de 30% da balança externa; o facto da revisão em alta do PIB ser totalmente explicada pela descida do preço do petróleo e pela descida dos juros, que levam a um aumento do consumo privado (mas, misteriosamente, não implicam um aumento das importações); o facto de se ter destruído cerca de 400 mil empregos, 60 mil nos últimos 6 meses; o facto de o investimento ter caído 30%, estando hoje a níveis pré-CEE, e não dar sinais de estar a arrancar, tendo sido mesmo revisto em baixa; o facto de os níveis de pobreza e desigualdade terem regredido uma década - tudo isto é olimpicamente ignorado pela maioria.

    A maioria entrou em modo propaganda e já só fala para os fiéis.»

sexta-feira, abril 10, 2015

A revolta das estatísticas


• Pedro Silva Pereira, A revolta das estatísticas:
    «Desemprego, emigração, dívida pública, défice excessivo, queda do produto, queda do investimento, défice comercial, pobreza, desigualdades: parece a revolta das estatísticas contra a propaganda do Governo. Mas as estatísticas são apenas retratos de uma verdade inconveniente.

    Enganado pela sua própria fantasia, Passos Coelho não se conforma com a verdade dos números. Aproveitando o silêncio cúmplice da imensa galeria de pretensos "institucionalistas" que ocupam o nosso espaço público, subitamente desaparecidos, o primeiro-ministro entrou numa estranha guerra contra a autoridade estatística nacional. A gota de água que fez transbordar o copo é conhecida e é mesquinha: Passos Coelho não gostou dos números do desemprego (com a taxa de novo a subir, atingindo os 14,1% no passado mês de Fevereiro). Num gesto inédito, e perigosamente corrosivo da credibilidade das instituições, o primeiro-ministro foi ao ponto de exigir explicações públicas ao INE, forçando-o a vir a terreiro em defesa da sua honra e da sua integridade técnica. Descontente com a mensagem, Passos Coelho investiu numa cruzada contra o mensageiro.

    Sucede que o INE — que tive a honra de tutelar durante seis anos, como ministro da Presidência — não merecia isto. O INE é hoje uma instituição credível, respeitável e respeitada a nível nacional e internacional, bem integrada no sistema estatístico europeu, sob coordenação superior do Eurostat. Sujeitos às normas estatísticas europeias e internacionais, o INE e os seus funcionários cumprem tradicionalmente a sua missão com reconhecida competência e com exemplar autonomia técnica, independentemente do poder político e dos interesses. O ataque inusitado do primeiro-ministro à autoridade estatística atinge injustamente a credibilidade de uma das principais instituições de referência para o reforço da confiança no País e é mais um péssimo serviço que Passos Coelho presta ao interesse nacional.

    É claro, bem percebemos a razão de tanto azedume: a triste realidade da subida do desemprego não podia ser mais inconveniente para a propaganda do Governo em ano de eleições e para a sua obsessiva crença nas fantásticas virtudes da "austeridade expansionista". Ainda há pouco, deixando-se levar pelo balanço, como vem sendo hábito, o ministro da Economia, Pires de Lima, tinha anunciado o propósito de chegar ao final do seu mandato com uma taxa de desemprego "inferior" aquela que existia no 2.º trimestre de 2011, ao tempo do fim do último, e malvado, Governo socialista. Ora, mesmo assumindo um tão modesto objectivo (vale a pena lembrar que o Memorando inicial da 'troika' previa para 2015 uma taxa média de desemprego não superior a 10,8%...), o que os dados do INE dizem é que mesmo esse modesto objectivo do Governo está longe de ser cumprido: em Junho de 2011, não obstante os efeitos da Grande Recessão internacional e da crise das dívidas soberanas, o desemprego ficava-se pelos 12,1%; agora, depois de quatro anos de Governo da direita, a taxa de desemprego, em vez de baixar, subiu para 14,1%. E, segundo o INE, continua a aumentar.

    Todavia, o que mais impressiona nos dados do INE nem é a evolução dos números do desemprego, mas sim do emprego. Vejam só: quando este Governo chegou, em Junho de 2011, havia em Portugal 4,893 milhões de pessoas com trabalho; hoje (dados de Fevereiro) são apenas 4,399 milhões! Contas feitas, a governação de Passos Coelho e Paulo Portas, com a sua aposta absurda na austeridade além da 'troika' e o seu apelo à emigração, conseguiu destruir, em termos líquidos, nada mais nada menos do que 494 mil empregos (!) em apenas quatro anos. Uma verdadeira catástrofe! Infelizmente, esta destruição brutal de quase meio milhão de empregos está muito longe de ser um mero erro estatístico. É, isso sim, a consequência de um gravíssimo erro de política económica, que podia, e devia, ter sido evitado. Por muito que Passos Coelho queira pedir contas ao INE, isso não o dispensará de prestar contas, ele próprio, ao País. E já faltou mais.»

quarta-feira, abril 08, 2015

Emprego e investimento vistos à lupa (com Pires de Lima a assistir)


Intervenção de Pedro Nuno Santos no âmbito da audição,
hoje ocorrida, do ministro da Economia, Pires de Lima,
incidindo sobre a queda do emprego (que se verifica
há seis meses) e o investimento

sábado, março 21, 2015

Homens sem qualidades e sem responsabilidades


• José Pacheco Pereira, Homens sem qualidades e sem responsabilidades:
    «É difícil aceitar (…) o que se está a passar ao nível do discurso político em Portugal. Três exemplos mostram essa degradação: o “caso” da lista VIP, as declarações do ministro Pires de Lima sobre o relatório do FMI, e o modo como Paulo Portas se comportou na audição parlamentar do “caso” BES.

    (…)

    O terceiro caso tem a ver com Paulo Portas, que nunca mais se vai livrar nem dos submarinos, nem do “irrevogável”. Não é a oposição que assim pensa, são os portugueses, para quem se tornou uma figura particularmente detestada e por boas razões. Ele sabe disso e anda nervoso. No Parlamento, Portas comportou-se com uma notória insolência quando inquirido e o filme da sessão, acessível no You Tube, é exemplar e deve ser visto por todos. Foi interrogado pelo deputado José Magalhães que não é conhecido por ser manso e que muitas vezes é excessivo. Não foi o caso desta vez, perante um Portas malcriado até ao limite, Magalhães parecia um santo e fazia perguntas pertinentes a que Portas respondia “eu fiz, mas vocês também fizeram pior”. E, em tudo o que era delicado, fazia uma diatribe pessoal contra Magalhães - que um Presidente digno da Comissão deveria interromper de imediato - e não respondia. Ora, por muito que custe a Portas, a questão dos submarinos tem a ver com o caso BES e o que se veio a conhecer entretanto sobre a ESCOM e a partilha obscena de proveitos pelos Espírito Santo e pelos seus administradores, que foram a correr meter o dinheiro em offshores, implica um retorno aos submarinos. Ora, no centro dos submarinos está Portas, num processo que a Procuradora disse com clareza que foi mal conduzido pelo Ministério Público.

    O presidente da Comissão, deputado do PSD, deixou passar em claro os insultos e postura inaceitável de Portas e admoestou Magalhães por duas vezes, esquecendo-se que na Comissão, o Vice-Primeiro-Ministro pode ter os chapéus governamentais todos, mas responde ajuramentado ao deputado. Não são iguais, mas, na balda actual, tudo é permitido. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades.

    Tudo isto são incidentes, “casos”, pormenores? Alguns são, como as declarações inqualificáveis de Pires de Lima. Mas são sinais, sintomas, emanações, efeitos, pestilência, do que está por baixo. Sempre que há degradação no poder político, seja por incompetência, abuso do poder, dolo, ou corrupção, os “casos” proliferam e são fendas pelas quais se podem perceber coisas bem mais importantes. Como esta: os homens sem qualidades não assumem responsabilidades.»

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [3]


Hoje na Assembleia da República

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [2]


Hoje na Assembleia da República

Comentários de João Galamba no Facebook sobre o debate parlamentar de hoje com o Álvaro do CDS:
    «Pires de Lima e as bancadas da maioria continuam a falar da retoma, mas ignoram o elefante na sala:
      "Para 2015, os resultados do presente inquérito apontam para uma taxa de variação do investimento empresarial de -2,2%. Comparando esta primeira estimativa para a variação do investimento em 2015, com a primeira estimativa para 2014 (1,1%), obtida no inquérito de outubro de 2013 (ver gráfico 2), observa-se uma redução de 3,3 p.p.".

      "No apuramento realizado para um conjunto de empresas da secção de Indústrias Transformadoras, que apresentam uma vertente mais exportadora (ver nota técnica), designadas nesta analise por “empresas exportadoras”, estima-se que o investimento tenha diminuído 3,2% em 2014. Esta redução foi menos intensa que a verificada para o conjunto das empresas desta secção (-7,6%), tendo o total de empresas apresentado um aumento do investimento (1,0%). Relativamente a 2015, perspetiva-se uma variação de -5,1% do investimento empresarial nas empresas exportadoras, que compara com uma variação de -3,2% para o conjunto da secção de Indústrias Transformadoras e de -2,2% para o total de empresas. Neste inquérito manteve-se o perfil descendente do indicador de difusão do investimento (percentagem de empresas que refere a realização de investimentos ou a intenção de investir) entre os três anos analisados. Este indicador situou-se em 87,8%, 80,9% e 76,5%, para 2013, 2014 e 2015, respetivamente".
    Não é o PS que diz, são os empresários que dizem ao INE. Ver o governo a ignorar o problema é a assobiar para o lado não é novidade: é apenas mais um exemplo de como a actual maioria está de costas voltadas para o país (e para a realidade).

    __________


    «Pires de Lima não percebe o conceito de exportações líquidas, não percebe o conceito de conteúdo importado das exportações e não percebe que um crescimento mais baixo que em 2010, e com uma procura externa líquida mais negativa, não pode ser considerado sustentável nem positivo.»

    __________


    «Confrontado com múltiplos dados do INE sobre a não retoma da economia e do investimento, Pires de Lima mascara-se de George Bush e diz: "Respeito os gráficos, mas eles não podem iludir a realidade".»

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [1]


Hoje na Assembleia da República (1.ª intervenção)

Hoje na Assembleia da República (2.ª intervenção)

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

É preciso arrumar a cabeça do Alvarinho do CDS



    «Acabo de ouvir o ministro da Economia comparar a privatização da TAP com o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a adopção gay. Linha de raciocínio: se esses assuntos dispensam referendo, por que carga de água a venda da TAP levaria em linha de conta a opinião pública? Portanto, Pires de Lima confunde direitos humanos com negócios. E foi no Parlamento, não foi à mesa do café.»

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Um governo sem coordenação


Como é que um ministro, sobretudo se for o responsável pela pasta da Economia, pode dizer que o Governo não tem um timoneiro? Assim: «Tolerância de ponto? Está a dar-me uma novidade».