Marques Mendes, o mais aparelhístico dos dirigentes que o PSD já conheceu, está imparável. Na TVI 24, esbraceja tremulamente e exibe gráficos enquanto desfia o seu linguajar ridículo, em que fervilham os clichés mais conhecidos: trapalhada, tralha, vergonha, etc., etc.. Mo
Correio da Manha, à falta de assunto, fala de tempos em tempos da "tralha socrática". Voltou a acontecer agora.
A pergunta para Marques Mendes é muito simples: por que não fala ele na tralha cavaquista? É uma tralha bem interessante: um banqueiro preso, que foi secretário de Estado; um todo-poderoso ex-ministro e ex-conselheiro de Estado que anda meio fugido depois de ter desfalcado o banco que deu bom dinheiro a ganhar ao seu ex-chefe; outros ex-governantes e amigos que se abasteceram também no banco do cavaquismo; um ex-líder parlamentar que, para além de se ter servido também no banco da tralha cavaquista, é procurado pela justiça brasileira por homicídio de uma cliente a quem terá, “alegadamente”, abarbatado a fortuna.
No meio desta fauna, o pequeno Mendes não deslustra. Subiu na política à custa do grupo da sueca, que combinava a táctica com confraternizações de batota a caminho de Lisboa. Foi o maior manipulador da comunicação social que já passou por um governo, tendo-se distinguido por fazer o alinhamento dos telejornais em telefonemas para o valoroso José Eduardo Moniz, que agora também se apresenta como um fino defensor da liberdade de comunicação.
O que é preciso é lata. Semana após semana, o pequeno Mendes debita perante um jornalista da TVI 24 as suas tiradas morais, esquecendo-se do seu pouco abonatório
curriculum político. Que também passou por uma ida para a Assembleia Municipal de Oeiras, onde acabou por arranjar uma sinecura, à frente dos serviços administrativos da Universidade Atlântica, oferecida pelo amigo Isaltino Morais. Ou a prateleira oferecida por Joaquim Coimbra, outro dos nomes citados quando se fala do banco do cavaquismo, após ter sido apeado da São Caetano por Luís Filipe Menezes. Ninguém recorda ao pequeno Mendes que nem ele nem os seus
companheiros têm estatura para aquelas tiradas morais?