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quarta-feira, maio 13, 2015

«Empresários bem sucedidos»: o modelo de Passos

«Dias Loureiro é um empresário bem-sucedido.»
Passos Coelho, 1 de Maio de 2015

sábado, maio 09, 2015

«Somos o que escolhemos ser»

O Cartoon de António - hoje no Expresso (via Nuno Oliveira)

quarta-feira, maio 06, 2015

A bandeira do PSD

— Ó Manel, eu não te dizia que o Pedro nunca te deixaria cair?

No dia em que se soube que a PJ está impedida de investigar Manuel Dias Loureiro no caso BPN, o alegado primeiro-ministro fez questão de voltar a elogiar o antigo braço direito de Cavaco Silva, desta feita em pleno debate quinzenal na Assembleia da República:
    «Com o que viu no mundo e com a experiência que adquiriu, sabe que não é por viver no interior que não podemos vencer na vida e ter negócios bem-sucedidos. Julgo que o Dr. Dias Loureiro também sabe disso e também sabe a generalidade dos portugueses.»
Manuel Dias Loureiro bem pode vir a ser a bandeira que faltava ao PSD nas próximas eleições para que não subsistam dúvidas de que no Outono serão submetidos aos portugueses dois projectos distintos. Ninguém se surpreenda se a palavra de ordem laranja na próxima campanha eleitoral for qualquer coisa como isto: «Se queremos vencer, podemos tomar o exemplo do grande Manuel Dias Loureiro.»

terça-feira, maio 05, 2015

Uma tecnoforma de estar na vida

No Diário de Notícias

Se já não era possível rasurar o retrato do «empresário português de sucesso» feito por Passos Coelho, a máquina de propaganda do PSD pôs em marcha os seus peões para procurar atenuar os estragos. O Expresso, por exemplo, foi ouvir Dias Loureiro, que se limitou a dizer que tinha abandonado há muito a política. Mas, do que se retém da comunicação social, a realidade é outra.

Com efeito, Dias Loureiro colaborou activamente para alçar os estarolas a São Bento, indiciando que, em momentos de aperto, Passos Coelho terá apelado ao aconselhamento do antigo braço direito de Cavaco Silva: — Chamem o Manel! Questionado sobre se Dias Loureiro estava entre os seus conselheiros, Passos Coelho não poderia ter sido mais esclarecedor: «Era o que me faltava, responder a inquéritos sobre as pessoas com quem me aconselho.»

O próprio Miguel Relvas nunca escondeu que Dias Loureiro é o seu «ídolo», tendo um lugar cativo no politburo de Passos Coelho — talvez aspecto mais relevante do que os encontros reservados em Miami ou os convites para as festas do 50.º aniversário do Dr. Relvas.

Essa ligação entre os estarolas e Dias Loureiro perdurou até aos dias de hoje — tendo merecido uma ou outra breve referência na comunicação social: «Por isso é relevante trazer à liça um facto que tem espantado os corredores da política em Lisboa - a de que Dias Loureiro é uma figura cada vez mais próxima e influenciadora das decisões do primeiro-ministro. Ora, com o currículo como o de Loureiro (figura atolada no escândalo BPN e na utilização de offshores como poucos), trata-se de um despudor total. Uma espécie de exibição de um poder despótico, sem controlo nem respeito pelos cidadãos.»

É, como dizia um leitor do CC, «uma tecnoforma de estar na vida».

Os discursos de Passos Coelho

• Mário Soares, Os discursos de Passos Coelho:
    «Na passada semana, Pedro Passos Coelho fez vários discursos que caíram muito mal àqueles que o ouviram. Os portugueses perceberam há muito, mesmo os que são seus apoiantes, que o governo e a coligação que dirige estão no fim, sem remédio.

    A coligação que em certa altura não era nada desejada passou a sê-lo, porque faz alguma falta para as eleições que se aproximam e que o Presidente da República quer que se façam o mais tarde possível. Passos Coelho - que nunca gostou de Paulo Portas, bem como o Presidente Cavaco Silva, cujo único protegido sempre foi Passos Coelho - também nunca falou, que se saiba, em favor de Paulo Portas.

    (…)

    Na passada sexta-feira, em Aguiar da Beira, Passos Coelho estava a comer queijos - era o Dia do Trabalhador, note-se - e encontrou o seu amigo Dias Loureiro, que foi em tempos ministro da Administração Interna e que ganhou muito dinheiro, como, aliás, o atual Presidente da República, sem se saber bem como nem porquê. Foi um encontro entre amigos solidários, não só pelo interesse dos queijos, ao que dizem muito agradável. O elogio que Passos Coelho fez a Dias Loureiro, como empresário-modelo, é verdadeiramente indigno. (…)»

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Maçãs podres

• Fernanda Câncio, Maçãs podres:
    ‘"Se fosse comigo, não teria dúvidas em afastar-me se me visse envolvido numa situação destas". Isto era Nuno Melo em 2009, a falar de Dias Loureiro, ex-administrador da SLN (que detinha o BPN) e então conselheiro de Estado do presidente Cavaco. Declarações nas quais o deputado centrista era acompanhado pelo então cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, e pelo - hoje ministro - Pedro Mota Soares, que, quando a demissão ocorreu, afirmou: "O doutor Dias Loureiro fez finalmente aquilo que já devia ter feito e que o CDS já tinha pedido."

    Então, como hoje, o presidente do CDS era Paulo Portas (também agora ministro), que não se ensaiou em aconselhar Loureiro a "evidentemente sair e facilitar a vida ao Chefe do Estado". O motivo, para Portas, era claríssimo: "O que aconteceu no BPN é de tal maneira grave que é preciso tirar consequências. O BPN é de tal maneira uma organização criminosa que abusou da confiança dos outros que é preciso cortar as maçãs podres."

    Menos vigorosos na vituperação, vários dirigentes do PSD, incluindo Rui Rio e António Capucho, aplaudiram a demissão do correligionário; até Luís Filipe Menezes (que abandonara a direção do PSD em 2008) tinha já apelado a ela. E Passos Coelho, então candidato derrotado à liderança do PSD e líder da oposição interna, não se eximiu de dizer (em novembro de 2008) de sua justiça: "Há um conjunto de polémicas que apontam para que alguém não está a falar verdade e isso é, de facto, um incómodo para a Presidência." Atacando a orientação da então líder Manuela Ferreira Leite, defendeu que o partido deveria "ter tomado a iniciativa de viabilizar uma comissão de inquérito". Para, viperino, prosseguir: "Ao não fazê-lo pode dar a ideia errada que protege alguma informação."

    (...)

    Poderia até sonhar ouvir, na mesma assembleia onde foi questionado como membro de quadrilha, um pungente ministro descrevê-lo como vítima de "linchamento político".’

terça-feira, janeiro 29, 2013

O pequeno Catão

Marques Mendes, o mais aparelhístico dos dirigentes que o PSD já conheceu, está imparável. Na TVI 24, esbraceja tremulamente e exibe gráficos enquanto desfia o seu linguajar ridículo, em que fervilham os clichés mais conhecidos: trapalhada, tralha, vergonha, etc., etc.. Mo Correio da Manha, à falta de assunto, fala de tempos em tempos da "tralha socrática". Voltou a acontecer agora.

A pergunta para Marques Mendes é muito simples: por que não fala ele na tralha cavaquista? É uma tralha bem interessante: um banqueiro preso, que foi secretário de Estado; um todo-poderoso ex-ministro e ex-conselheiro de Estado que anda meio fugido depois de ter desfalcado o banco que deu bom dinheiro a ganhar ao seu ex-chefe; outros ex-governantes e amigos que se abasteceram também no banco do cavaquismo; um ex-líder parlamentar que, para além de se ter servido também no banco da tralha cavaquista, é procurado pela justiça brasileira por homicídio de uma cliente a quem terá, “alegadamente”, abarbatado a fortuna.

No meio desta fauna, o pequeno Mendes não deslustra. Subiu na política à custa do grupo da sueca, que combinava a táctica com confraternizações de batota a caminho de Lisboa. Foi o maior manipulador da comunicação social que já passou por um governo, tendo-se distinguido por fazer o alinhamento dos telejornais em telefonemas para o valoroso José Eduardo Moniz, que agora também se apresenta como um fino defensor da liberdade de comunicação.

O que é preciso é lata. Semana após semana, o pequeno Mendes debita perante um jornalista da TVI 24 as suas tiradas morais, esquecendo-se do seu pouco abonatório curriculum político. Que também passou por uma ida para a Assembleia Municipal de Oeiras, onde acabou por arranjar uma sinecura, à frente dos serviços administrativos da Universidade Atlântica, oferecida pelo amigo Isaltino Morais. Ou a prateleira oferecida por Joaquim Coimbra, outro dos nomes citados quando se fala do banco do cavaquismo, após ter sido apeado da São Caetano por Luís Filipe Menezes. Ninguém recorda ao pequeno Mendes que nem ele nem os seus companheiros têm estatura para aquelas tiradas morais?

quinta-feira, novembro 01, 2012

O politburo do PREC

Foi assim no OE-2012, mas este ano,
com os circuitos oleados, já não foi preciso

Não se sabe ao certo quem são as personagens que comandam o PREC (Processo de Refundação em curso) — para além de Passos Coelho, do Dr. Relvas e Vítor Gaspar. Miguel Sousa Tavares, há poucas semanas, escrevia no Expresso que tinham lugar cativo no politburo Moedas, António Borges, Braga de Macedo e Ferraz da Costa. Pacheco Pereira e Daniel Deusdado atribuem um papel relevante na condução da política do Governo a Manuel Dias Loureiro, até porque, segundo fonte do PSD, “Dias Loureiro é o ídolo de Miguel Relvas”. Não nos podemos esquecer também do terrível Ângelo nem dos patrões da Fomentinvest, Ilídio Pinho (o que pensa e os conselhos que dá) e o tal banqueiro que é íntimo do “Pedro”.

É com esta gente que o Governo prepara a “refundação”, ou seja, colocar o país perante um facto consumado: depois de degradar os salários e alastrar a precariedade laboral, descapitalizar a segurança social e lançar a espiral recessiva contra o Estado Social. É agora que é preciso pará-los.

Passos+Relvas+Dias Loureiro


Daniel Deusdado, Passos+Relvas+Dias Loureiro:
    ‘Parece que discutir o Orçamento do Estado é a coisa mais importante para o futuro do país, mas não é bem assim. Insisto num ponto: a maioria dos portugueses não saem do transe em que estão (pós TSU) por não terem confiança em quem está ao leme deste barco. Os sacrifícios não adiantam se não há um rumo e uma moral coletiva. Cada dia que passa é menos um e o ar torna-se irrespirável.

    Por isso é relevante trazer à liça um facto que tem espantado os corredores da política em Lisboa - a de que Dias Loureiro é uma figura cada vez mais próxima e influenciadora das decisões do primeiro-ministro. Ora, com o currículo como o de Loureiro (figura atolada no escândalo BPN e na utilização de offshores como poucos), trata-se de um despudor total. Uma espécie de exibição de um poder despótico, sem controlo nem respeito pelos cidadãos.

    Clarificando as coisas: teremos então a tríade "Relvas-Borges-Dias Loureiro" como conselheiros para as privatizações, nomeações estratégicas e alterações legislativas? Se é assim eu prefiro que o Governo caia, por muitos riscos que possam existir de imediato para o país. Porque, com estas cabeças, evidentemente a defesa do bem público não está garantida. Jorge Sampaio, com menos caos social, pôs Santana Lopes na rua, e bem.

    (…)

    Sábado, fim da tarde: os noticiários da rádio passam Miguel Relvas a pedir sacrifícios aos portugueses: "Precisamos, acima de tudo, de espírito patriótico, trabalho e determinação". Isto no dia em que se soube que, da sua turbolicenciatura, fazem parte disciplinas que à data nem sequer existiam. "Espírito patriótico, trabalho e determinação"!!!, diz ele. Não há moral coletiva que resista a este Governo. Nem fígado.’