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sexta-feira, outubro 23, 2015

«O “entertainer” do regime»


• Augusto Santos Silva, ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: UMA VITÓRIA DIFÍCIL, MAS POSSÍVEL:
    «(…) Olhando para o próximo futuro, o que importa é ter bem consciência de três coisas. A primeira é que a figura e o papel do Presidente não podem ser desvalorizados: nos momentos críticos, ele pode ser determinante. Como aliás o estamos, por omissão, vendo. Em segundo lugar, num processo que é difícil para a nossa área, como ficou mostrado, é preciso que a campanha não acrescente mais dificuldades do que aquelas estritamente associadas ao livre debate democrático. Quer dizer: é preciso que ninguém se engane no adversário principal. Terceiro, mesmo que difícil, o processo está muito longe de decidido. Não está escrito em lado nenhum que o próximo Presidente não possa ser um ou uma candidata oriunda da esquerda democrática.

    Na minha opinião, para que isso seja possível, é necessário reunir duas condições. A primeira é tornar claro que a esquerda entende a primeira volta das presidenciais como o equivalente prático de umas primárias – e, portanto, atua tendo em vista a unidade futura na segunda volta. E a segunda condição é pôr política e Estado no debate eleitoral. Marcelo pode ser (e em grande parte é) o “entertainer” do regime. Fará, se o deixarem, uma campanha sem política. Pois é preciso não o deixar fazer. As pessoas sabem distinguir o brilho comunicacional e a popularidade televisiva das funções nobres e críticas do Presidente da República. Dessas é que importa falar. E, quando se principia a falar delas, a estrela da TVI começa logo a empalidecer.»

quarta-feira, outubro 14, 2015

O teste do algodão


Maria de Belém Roseira não poderia estar à espera de ser entrevistada pela delico-doce Judite das homilias de Marcelo. E também não poderia estar à espera de que a delegada de Marcelo na TVI se esquivasse a confrontá-la com a situação política actual e a acção de Cavaco neste contexto.

Ora, questionada sobre o que faria em relação à formação do próximo governo, Maria de Belém furtou-se a dizer que daria posse a um governo que tivesse uma maioria estável a suportá-lo na Assembleia da República. Mais: invocando que só o actual Presidente da República tem «os elementos todos na mão» para decidir, a candidata subscreve a posição que Cavaco Silva vier a assumir — qualquer que ela seja.

Quando se esperaria que traçasse um clara linha de demarcação em relação à praxis de um presidente que anda há dez anos a reboque do partido de que é militante, Maria de Belém Roseira baqueou. Qual é efectivamente a razão por que se candidata à chefia do Estado?