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domingo, fevereiro 08, 2015

Negociar a Vida

• Fernanda Palma, Negociar a Vida:
    «(…) Havendo prescrição clínica, os próprios hospitais poderiam (e deveriam, numa lógica de direito de necessidade) ter passado por cima da burocracia e obtido diretamente o medicamento. Porém, a responsabilidade política do Estado e dos seus agentes não se dissolve no contexto amplo da negociação com a empresa, pois é inaceitável fazer esperar pelo melhor preço doentes que carecem do medicamento com urgência.

    Os entraves a que a doente falecida acedesse ao medicamento devem ser investigados pelo Ministério Público. Em última análise, a não diminuição do risco para a vida pode fundamentar um homicídio por omissão, provavelmente a título de negligência. A cadeia causal é complexa e difícil de apurar, mas quem teve o domínio do facto não pode invocar apenas uma transferência ou diluição das suas responsabilidades.

    Porém, a raiz de um eventual problema penal é política e ética. É admissível que um Estado que consagra o estado de necessidade coloque os cidadãos em situações de extrema necessidade em que nada lhes pode exigir? Certo é que tanto a atuação do Governo como a resposta da oposição foram fracas. Foi um doente, com a força do desespero, que acordou o Parlamento, substituindo a linguagem ritual dos Deputados.»

sexta-feira, novembro 08, 2013

Direito à Vida

• Luís Inácio Lula da Silva, Direito à Vida:
    ‘A questão não é mais se existe cura para uma doença - porque em muitos casos ela existe -, mas saber se é possível para o paciente pagar a conta do tratamento. Milhões de pessoas encontram-se hoje nessa situação dramática, desesperante: sabem que há um remédio capaz de as salvar e aliviar o seu sofrimento mas não conseguem utilizá-lo devido ao seu custo proibitivo.

    Há uma frustrante e desumana contradição entre admiráveis descobertas científicas e o seu uso restritivo e excludente.’