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domingo, julho 06, 2014
terça-feira, junho 10, 2014
Cavaco no dia da raça
Pode acontecer a qualquer um. O Presidente da República sentiu-se indisposto quando discursava nas comemorações do 10 de Junho e a cerimónia foi interrompida durante cerca de meia hora. Tal como o Porfírio diz, acho lamentáveis as paródias sobre o seu desfalecimento, assim como o uso desbragado de imagens do momento. Posto isto, umas breves notas: - 1. Após se ter recomposto, o apressado retomar da leitura do discurso, sem uma palavra para os que aguardavam o seu regresso ao púlpito, revela-nos a essência da personagem: alguém que não tem poder de encaixe e cujas decisões são fortemente condicionadas por esta falha estrutural.
2. A selecção dos agraciados e condecorados diz muito sobre Cavaco Silva: por um lado, as preferências, as amizades, os agradecimentos pelo apoio à carreira do político há mais tempo na activo não foram, mais uma vez, esquecidos; por outro lado, a visão de que tudo o que conta no mundo da economia são os empresários e os gestores.
3. A insistência num acordo — «o tempo de diálogo que se estende agora até à discussão do próximo Orçamento do Estado» — com uma direita que quer virar do avesso o regime democrático (e pela qual Cavaco Silva tomou partido) revela que o esgotamento do Governo é também acompanhado pelo esgotamento do Presidente da República.
4. Fernando Lima, o assessor da inventona de Belém, esteve em lugar de destaque, mesmo atrás do Comandante Supremo das Forças Armadas, na tribuna das cerimónias militares.
É tudo o que captei no dia raça.
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sábado, março 22, 2014
Foi você que pediu um consenso?
• Augusto Santos Silva, Foi você que pediu um consenso?:
- «(…) existem pelo menos duas estratégias principais, reunindo cada uma um certo arco de forças políticas, sociais e académicas. Para uma, é fatal a continuação, sob um novo nome, do programa de ajustamento em curso, numa espécie de troikismo sem troika. A outra entende que é possível ajustar de uma forma menos violenta, incorporando medidas de relançamento económico e preservação do Estado social. É preciso conhecer estas estratégias, compará-las e, através do voto, escolher.
O meu conselho é, pois, este: não diga consenso, diga debate e decisão. Só em função do debate público e da decisão popular será possível chegar a um compromisso nacional. Precisamos de um compromisso fundado na discussão e escolha de alternativas, não de um consenso fingido, baseado na proibição de discutir e escolher.»
quinta-feira, março 13, 2014
«Nenhum entendimento é possível
em torno de uma política de austeridade patológica
que apenas conduz ao empobrecimento,
à perpetuação de atrasos e à acentuação de desigualdades»
em torno de uma política de austeridade patológica
que apenas conduz ao empobrecimento,
à perpetuação de atrasos e à acentuação de desigualdades»
• Francisco Assis, Um documento de excepcional significado:
- «(…) este texto tem ainda a vantagem de recolocar o debate político interno nos termos mais adequados: não importa tanto saber como vamos sair deste período da troika, interessa sobretudo perceber como vamos iniciar e prosseguir o período pós-troika. A questão fundamental não é a de saber se teremos uma saída mais ou menos limpa, ou mais ou menos condicionada. A questão é outra: é a de sabermos como poderemos conciliar preocupações sérias em matéria de consolidação das finanças públicas com objectivos imperiosos de crescimento económico e manutenção de um Estado-providência de elevada qualidade. Já se constatou que nenhum entendimento é possível em torno de uma política de austeridade patológica que apenas conduz ao empobrecimento, à perpetuação de atrasos e à acentuação de desigualdades. Precisamos urgentemente de conceber outro tipo de entendimentos em torno de políticas de natureza diferente. (…)»
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terça-feira, novembro 26, 2013
Sócrates lembra que Cavaco não disse até hoje uma palavra
contra as pressões sobre o Tribunal Constitucional
contra as pressões sobre o Tribunal Constitucional
José Sócrates na RTP em 24.11.2013
(2.ª parte do Telejornal – a partir de 20:38)
(via Cristina Abreu)
(2.ª parte do Telejornal – a partir de 20:38)
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sábado, novembro 16, 2013
"Uma grande coligação de agentes", suplica ele
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| Hoje no Expresso (via Nuno Oliveira) Clique na imagem para a ampliar |
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sábado, agosto 31, 2013
Uma ilusão chamada “velho PSD”
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| Expresso, 24 de Agosto de 2013 |
Em vésperas do 25 de Abril, um grupo de políticos afastou-se apressadamente da Acção Nacional Popular para poder reaparecer após a implantação do regime democrático sob uma nova veste. A agitação posterior revelou que a designação escolhida — Partido Popular Democrático (PPD) — não era a mais apelativa para se alçar ao poder. Por isso, a formação recém-criada foi então rebaptizada (com um erro ortográfico para todo o sempre): Partido Social Democrata (em lugar de Democrático).
Este grupo de políticos e profissionais liberais, que se uniu para representar a finança e a grande indústria, atraiu a si as forças vivas recauchutadas do Estado Novo e as camadas da população atemorizadas pelo inócuo preâmbulo da Constituição (“abrir caminho para uma sociedade socialista”): catedráticos e analfabetos, patos bravos e publicistas, chupistas do Estado e cantores-pimba, negociantes de ocasião e autoridades locais.
É esta amálgama quase obscena que permite ao PSD aparecer com sucessivas máscaras — até como pregoeiro da “social-democracia”. A verdade é que ter ilusões sobre a sua natureza só conduz a deixar a esquerda desarmada. Vê-se com alguma frequência figuras proeminentes da oposição a fazer apelos ao “velho PSD” — como o fez João Ribeiro, porta-voz do PS, numa entrevista ao Expresso na última semana (na resposta reproduzida na imagem acima).
Acontece que o “velho PSD” anda por aí em peso. Salvo a circunstância de as suas figuras se gabarem de ser mais competentes do que estarolas de Passos Coelho, que alterações de política propõem eles? Nenhumas.
Com efeito, na “Universidade” de Verão do PSD, Marcelo subiu ao palanque para serenar as hostes após o chumbo do Tribunal Constitucional, garantindo que se há-de arranjar forma de despedir os trabalhadores do Estado. Também na “Universidade” de Verão do PSD, Alexandre Relvas, o afamado Mourinho de Cavaco, atiçou, perante o olhar incrédulo dos jotinhas, os filhos contra os pais, apelando a uma total desregulação do mercado de trabalho: “é pais a viverem à conta dos filhos” [sic], disse o protegido de Cavaco. No mesmo local, Leonor Beleza retomou o apelo do Dr. Relvas à emigração dos jovens. Santana Lopes defendeu a necessidade de uma revisão constitucional para o país poder ter uma “constituição que seja neutra, que seja isenta e independente” [sic], tema agarrado por Paulo Rangel para sustentar que a Constituição tem uma “visão demasiado conservadora”.
Onde está o “outro” PSD?
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segunda-feira, junho 03, 2013
Unidos no não, e agora?
• Mariana Vieira da Silva, Unidos no não, e agora?:
- ‘Há uns meses, o PS e o BE de Caminha reuniram-se e decidiram passar das palavras de união ao ato de coligação. Conciliaram divergências, identificaram o adversário comum, definiram políticas concretas em torno das quais fariam campanha, primeiro, e governariam a cidade, depois. Semanas mais tarde, a mesa nacional do BE chumbou essa proposta.
À esquerda, não se trata tanto de resolver a equação se é mais o que nos une ou aquilo que nos separa. Une-nos muito, sempre que a direita governa. Separa-nos muito, também: a visão do Estado Social, ora como conquista, ora como vítima dos últimos 39 anos; a Europa, ora como projeto ora como fatalidade; uma agenda económica que ora nada quer reformar, ora nem sempre soube ser uma alternativa às direita (e convive demasiado bem com uma regulação fraca, com paraísos fiscais). Resolver estes bloqueios: o da visão do Estado social, o da Europa, o de uma agenda alternativa e progressista seria essencial para passar da união no protesto, para a união no projeto.
Mas talvez fosse mais fácil começarmos numa qualquer Caminha.’
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sábado, abril 13, 2013
"O espírito é típico do de uma cruzada, uma fé inabalável em amanhãs que cantam"
• Pedro Adão e Silva, Reformistas de todo o país, uni-vos [hoje no Expresso (artigo completo aqui)]:
- ‘Por uma daquelas voltas trágicas do destino, pode bem ser que este debate que se julgava ultrapassado, não seja assim tão datado. Se pensarmos nas clivagens políticas em Portugal hoje, encontramos reminiscências desta confrontação entre ‘revolucionários’ e ‘reformistas’. Com uma diferença. Os revolucionários de hoje não são os esquerdistas do passado, são um grupo bem mais poderoso, desde logo porque governa o país num momento de grande incerteza.
Um dos traços mais marcantes da atitude revolucionária dominante é a forma como vê em todos os obstáculos uma oportunidade. A arquitetura do euro dificulta a capacidade competitiva da economia portuguesa? Pouco importa. A crise da dívida é um pretexto para enveredar pela desvalorização interna, baixando salários. A Constituição defende o princípio da igualdade? Ai é? Então, o chumbo do Tribunal Constitucional é a justificação ideal para desmantelar o Estado social. O caminho para o Governo é claro: de oportunidade em oportunidade até à revolução final.
Há, claro, um lado de profunda irracionalidade nesta estratégia. Só assim se explica a vontade indómita de aplicar, em doses sempre mais reforçadas, uma estratégia de hiperausteridade que manifestamente não funcionou, e esperar resultados diferentes. O espírito é típico do de uma cruzada, uma fé inabalável em amanhãs que cantam. Para os arautos do ‘capitalismo científico’, pouco importa a destruição social. Um dia, sobre as cinzas do desemprego, emergirá uma nova sociedade. Quando? Ninguém sabe.’
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domingo, julho 29, 2012
Um sniper não faz a Primavera
Depois de Pedro Correia ter colocado o seu dicionário de citações ao serviço da ciência política do Dr. Relvas, depois de Maria de Lurdes Vale ter sido alçada ao conselho de administração do Turismo de Portugal e depois de Francisco Almeida Leite, esse vulto das letras lusitanas, ter ascendido à vice-presidência do Instituto Camões, a tradição já não é o que era: a secção laranja do DN já se resguarda para os assuntos de Estado, permitindo a atiradores isolados remoques avulsos.
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terça-feira, julho 24, 2012
Brevemente num computador perto de si
Isto vai de mal a pior. Não é possível continuarmos ausentes. Falta apenas um ou outro retoque. Até já.
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