terça-feira, outubro 13, 2009

Bárbara e o perigo… amarelo


— O quê, Bárbara? Mas hoje não vínhamos discutir
os efeitos dos raios gama nas margaridas?!



— O meu elevado sentido de Estado não me permite
falar em público da conspiração de Belém.
Se quiserem, convoquem-me para o Conselho de Estado.


— Se continuam a encostar-me à parede,
eu tenho ordens para sair.



— Ó Fátima, quer forçar-me a mostrar
os nossos SMS privados?


Bárbara, Bárbara, Bárbara, assim se dirigia ontem José Manuel Fernandes a Fátima Campos Ferreira. O director do Público não estava aparentemente deitado num divã, mas tão-só sentado no palco do Prós e Contras.

E foi nesse palco que ensaiou uma tentativa de asfixia democrática: “ó Fátima, não tínhamos combinado 20 minutos para este tema?” O “tema” era naturalmente a inventona de Belém, uma parceria público-privada dos homens do Presidente com os assalariados de Belmiro.

O certo é que foi por uma unha negra que, para procurar justificar a recusa em discutir o e-mail que prova a conspiração contra o Governo em funções, Fernandes não divulgou (publicamente) a troca (privada) de mensagens com a apresentadora do programa: “este assunto era para ser uma nota de rodapé, Fátima, tenho aqui os nossos SMS, foi para isso que fui convidado”.

Se não pôde fugir ao “tema”, a verdade é que Fernandes se colocou numa posição confrangedora, como aquelas equipas que Mourinho dizia que, em Stamford Bridge, punham um autocarro à frente da baliza para evitarem goleadas. Desdisse-se a propósito da autenticidade do e-mail, retomou a abandonada tese da intrusão nos computadores do Público, agora acenando com o perigo amarelo (“os chineses entraram em sistemas informáticos de Portugal”) e por aí fora.

Naturalmente, os espectadores da RTP devem ter-se sentido defraudados: Fernandes não foi chamado a explicar por que amochou após a atabalhoada declaração de Cavaco, que apenas serviu objectivamente para pôr em causa o teor do e-mail de Luciano Alvarez; Fernandes não foi também convidado a explicar por que a inventona de Belém abortou, designadamente se a falha se ficou a dever a um plano mal concebido ou se os autores materiais se precipitaram na sua execução.

12 comentários :

Anónimo disse...

Esta coisa gelatinosa com aparência humana que dá pelo nome de jmfernandes patenteou aquilo que o Público já transmitia nos últimos tempos. A falta de coluna vertebral, honestidade intelectual etc. etc etc..
Lamentável para o jornalismo e para os jornalistas portugueses, que uma coisa destas chegue a director de um jornal, que já foi uma referência no jornalismo português
Infelizmente é este comportamento de falta de coluna vertebral que faz carreira no jornalismo português, como demonstrou á evidência o debate. Onde, três directores de jornais ditos de referência e de uma estação de rádio que já foi de referência, trocaram acusações de falta de isenção!!! Lamentável não é o espectáculo, mas o comportamento dos responsáveis dos jornais denunciado neste programa. Por isso cada vez menos pessoas compra jornais!!! Eu, por mim, prefiro ler o El Mundo ou o El País, porque aí existe coragem e frontalidade....

Anónimo disse...

Este gajo ainda não percebeu que é uma anedota?

Joe Rod disse...

O orgulho que o gajo deve sentir quando a boliqueimada criatura lhe envia, por mensagens encriptadas, louvores pelo desempenho nas nojices que lhe encomenda.

Atingiu o topo da carreira: é o Boby e o Tareco do Silva.

Anónimo disse...

FABULOSO post, parabéns M Abrantes

Anónimo disse...

E vocês ( Gov.) estiveram principescamente representados por esse exemplo máximo de ética, sabedoria e cultura - o J Marcelnino. Bonito.

Pedro L disse...

o Governo representado por quêm?? mas você está bom da cabeça ou está com parkinson como o outro o PR? Mas você acha que o Governo teve alguma coisa com tudo isto? Julga que José Sócrates ou o PS, precisa de inventonas para ganhar eleições????

Anónimo disse...

nunca saberemos a história toda porque isso obrigava ao despedimento sem justa causa do cavaco

MFerrer disse...

Sem justa quê????
Em qq país um pouquinho a norte do Equador, geográfico, já um tribunal superior estaria a fazer audições a muita gente em vista a demissões e impugnações de variados cargos com funções sociais e públicas.
O resto é só para o povoléu pensar que isto é como se fosse uma democracia.
Parabens pelo post
MFerrer

Anónimo disse...

Lapso: OOM justa causa queria dizer !!!

Anónimo disse...

COM justa causa !!!

Anónimo disse...

COM justa causa !!!

José disse...

Boas?

Pois... e o outro senhor mal barbeado é que recto e está do lado da verdade sem fazer fretes a quem quer que seja! E o pior cego é o que não quer ver! Quem vier por último que apague a luz...

Só porque há um senhor que não gasta rios de dinheiro em agências de comunicação pra sair uma embalagem - VAZIA - mais bonita, aqui d'El Rey que já não se usa fazermos discursos da nossa cabeça! O que importa é o continente, esqueçamos o conteúdo...