sexta-feira, junho 27, 2014

Lições há muitas, professor Cavaco

• Mariana Mortágua, Lições há muitas, professor Cavaco:
    «(…) A crise que vivemos tem, portanto, outras raízes. Dizem os registos mais recentes que, em 2008, se deu a maior hecatombe financeira de que há memória desde 1929. Sabe-se também, de fonte segura, que a culpa se deveu à especulação que surfou livremente a desregulamentação que os moralistas de hoje advogaram no passado. Mais, que este sistema insustentável de endividamento e ganhos especulativos se alimentou das desigualdades sociais.

    (…)

    Quer isto dizer que Portugal não sofria (e não sofre) de problemas estruturais absolutamente independentes da crise financeira? Não. É uma economia pobre porque é a economia de um país de gente pobre. Uma economia demasiado dependente do exterior, que nem sempre fez um bom proveito dos fundos europeus. Uma economia que nunca fez a transição do seu modelo de baixos salários assentes em trabalho pouco qualificado para uma industrialização inteligente. É também um país estruturalmente dominado por uma elite económica privada que parasita o Estado, as suas empresas e monopólios, que troca administradores por ministros, negócios por favores, favores por poder. Só o gang BPN, curiosamente criado e dominado pelo círculo político mais próximo de Cavaco Silva, já custou ao país 5000 milhões de euros.

    Acontece que a austeridade não resolve qualquer um dos problemas estruturais portugueses. Pelo contrário, Cavaco Silva, a governar desde 1980 e algures no poder em 20 dos 40 anos de democracia, tem sérias responsabilidades em muitos deles. Qual é então a grande lição que devemos tirar, senhor Presidente?»

2 comentários :

Guilherme Proença disse...

Má notícia : o arguto Henrique Monteiro, que nunca acerta em nada, acaba de anunciar que Cavaco não convoca eleições. http://expresso.sapo.pt/cavaco-dissolve-o-parlamento=f877925

Morgado De Basto disse...

Mariana Mortágua,diz com Classe e conhecimento(NÃO PROSTITUÍDO)o que a verdade dos factos impõe que seja dito.
O que continuarão a dizer as Prostitutas e os Prostitutos do jornalismo,da vida e da política? A mesma coisa de sempre:"A tralha Socrática"
Enquanto existir procura,haverá sempre prostituição!Não é assim Isaura Martinho?