quinta-feira, julho 23, 2009

Leituras

• Marina Costa Lobo, Os partidos não são todos iguais:
    Em Portugal, há quem esteja convicto de que os partidos são todos iguais. Segundo reza este lugar-comum, os partidos de poder, isto é o PS e o PSD, são no essencial idênticos. São ambos seguidistas da ordem neo-liberal, querem acabar com o Estado-Providência e são submissos em relação aos ditames da UE. A ser assim, e tendo em conta que apenas os líderes destes dois partidos podem aspirar a tornarem-se primeiros-ministros, votar não faria qualquer diferença. Quer seja Manuela Ferreira Leite ou José Sócrates a liderar o próximo governo, não haverá diferenças substanciais na política.

    Ora, tal discurso, que se ouve com frequência tanto em conversas de café como nos media, não é verdade. E no contexto de crise em que Portugal se encontra este lugar-comum é talvez ainda menos verdade do que habitualmente. As respostas à crise económica, desde o investimento público em grandes obras, à descida de impostos dividem os dois grandes partidos. Também a forma como os privados devem poder desenvolver as suas actividades em áreas como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social separa o PS do PSD. Isto só para mencionar alguns dos temas mais relevantes do eixo Esquerda-Direita.

    Mas há outros. De há uns anos para cá, tem-se debatido, e bem, questões de valores em Portugal. Temas como a descriminalização do aborto ou do consumo de drogas, da procriação medicamente assistida, ou o casamento dos homossexuais tornaram-se parte da agenda política. Mais uma vez, aqui, não há muitas semelhanças entre os dois principais partidos.

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