segunda-feira, maio 31, 2010

Portugal teve o maior corte de funcionários públicos desde 2005¹



Cavaco, que deu os maiores aumentos aos funcionários públicos (nas vésperas das eleições legislativas de 1991), disse, anos mais tarde, que não havia outro remédio para reduzir as despesas com os trabalhadores do Estado senão esperar pacientemente que eles fossem morrendo.

Sócrates procurou seguir uma via menos fatalista. Apostando no aumento da produtividade dos serviços prestados pelo Estado, fechou as torneiras de acesso ao funcionalismo público: com a regra “por cada dois trabalhadores que saem, o Estado só admite um”, o anterior governo conseguiu reduzir 75 mil funcionários públicos, proeza nunca antes conseguida.

As estatísticas do Eurostat, que não incluem dados dos sectores da educação e saúde, revelam que Portugal foi o país da Zona Euro que teve o maior corte de funcionários públicos desde 2005. E, tanto quanto se saiba, não foi preciso condenar à morte ninguém, como sugeria Cavaco.

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¹ Via Porfírio Silva, num post intitulado à atenção de várias brigadas do reumático.

1 comentário :

F. Penim Redondo disse...

Os números oficiais em Portugal já não têm grande credibilidade.
Consta que a "redução" de efectivos se operou pela transferência fictícia para entidades que, em última análise, são da responsabilidade do Estado.

Do ponto de vista da despesa pública a famosa regra “por cada dois trabalhadores que saem, o Estado só admite um” é um logro.
A não ser que os aposentados façam o favor de morrer a despesa pública cresce pois o estado passa a pagar dois aposentados MAIS um novo activo.

A solução devia ser de outro tipo. Todos sabemos que o Estado tem um sem número de departamentos, observatórios, altas autoridades, etc, que não produzem nada que justifique a sua existência (o tal "price/performance").
Mesmo que tenham alguma utilidade há que ponderar se um Estado semi-falido se pode dar ao luxo de manter tais actividades.

Devia depois proceder-se à extinção dessas entidades como foi anunciado em Espanha (não sei se já foi concretizado).

O resto é poeira para os olhos de quem paga isto tudo.