sexta-feira, dezembro 17, 2010

PISA — Relativizar, relativizar, relativizar… a triste sina de Guinote



O Paulo Guinote garantiu que a última coisa que lhe passava pela cabeça era relativizar os resultados impressionantes do PISA: “Ao contrário de ferozes críticos, eu saúdo estes resultados, não os relativizando.” Afinal, não tem feito outra coisa.

À falta de melhor, o Paulo Guinote continua a cavalgar a ideia de que a amostra do PISA não retrata o alunos e o país que temos. A grande evidência agora, imagine-se, é que os alunos têm muitos telemóveis e computadores em casa e que, por isso, não podem ser uns pobres coitados; os malandros da OCDE andaram, pois, a escolher os meninos ricos.

Parece que, em 2009, ao contrário de 2006, há muito mais computadores nas casas dos meninos. Espantoso. Deve ser milagre, com certeza, dado que ninguém tem conhecimento de qualquer política pública que tenha permitido a todas as crianças ter acesso a computadores pessoais nos últimos anos a baixo preço (ou, em certos casos, de graça). A sério, a OCDE devia mandar investigar.

Quanto aos telemóveis, talvez fique a perceber um pouco mais da realidade portuguesa se ler isto ou isto.

Há uma forma mais simples — e, já agora, um nadinha mais inteligente — de verificar se a amostra, em termos socioeconómicos, é fidedigna em relação a 2006, usando, como proxy, o lugar de Portugal no ranking do Índice Social, Económico e Cultural do PISA (a construção deste índice explicada aqui da página 126 à 131). Atenção, este índice é construído a partir dos alunos que participaram na amostra. Assim, em 2006, no universo da OCDE, Portugal só fica à frente do México e Turquia (verificar aqui, página 45, tabela 2.6., 4.ª coluna). Em 2009, o ranking praticamente repete-se (verificar aqui, página 152, tabela II.1.1, 1.ª coluna), sendo que Portugal aparece à frente do México, Turquia e do Chile, que neste último relatório já é considerado membro da OCDE (o que não acontecia em 2006). A ideia de que se andou a escolher os meninos ricos em 2009 devia cair por aqui.

Se mais for preciso apresentar, podemos olhar para a percentagem de alunos da amostra que, no Índice Social, Económico e Cultural do PISA 2009, estão abaixo do nível -1 definido pelo relatório (o PISA 2006 não revela este indicador, pelo que não podemos comparar directamente 2006 com 2009): 58% no México e Turquia; 37,2% no Chile e, como se seria de esperar em função dos dados acima referidos, Portugal com 33,5% dos jovens inquiridos (página 219, tabela I.2.20; 6.ª coluna).

Os telemóveis e os computadores são apenas um dos muitos elementos que entram para a construção do índice; a ocupação e o nível de escolaridade dos pais são bem mais importantes. Se o Paulo Guinote prestasse atenção a isto, não andava a apresentar gráficos sem qualquer interesse.

Por falar em escolaridade dos pais e nível socioeconómico dos alunos portugueses, sabe o Paulo Guinote em que lugar Portugal ficava no PISA se os alunos portugueses estivessem na média do Índice Social, Económico e Cultural do PISA, isto é, se viessem de famílias com os recursos económicos, sociais e culturais médios da OCDE? Não vai mostrar essa tabela, pois não? Talvez seja porque a classificação de Portugal é tão boa que o Paulo Guinote nem quer acreditar. Deixe estar, nós mostramos por si.
    Contributo do Pedro T.

9 comentários :

asmo lündgren syaliot disse...

os jovens inquiridos
(bastante jovens para qualquer juventude partidária)

(e na burocracia que produz estes relatórios, muito similar à nacional, lá vem página 219, tabela I.2.20; 6.ª coluna(uma espécie de quinta coluna mais um)

Os telemóveis e os computadores são apenas um dos muitos elementos
(sabemos comprá-los e fazer coisas fantásticas com eles, mas nada de útil infelizmmente)

Se alguém não prestasse atenção a isto, não se andava a apresentar gráficos sem qualquer interesse
para o futuro imediato deste país.

Sete disse...

Invejar, invejar, invejar...a triste sina dos ressabiados.

asmo lündgren syaliot disse...

Pronto, o investimento deu resultados e depois?

isso apaga todos os que não deram

apagam a falta de ordenamento do território

e os centos de milhões gastos por ano durante 30 anos em comissões governos civis e outras porquêras sem préstimo


em 2004 iam reformar o estado
o que reformaram?
milhares de acólitos?

Paulo G. disse...

Obrigado por tamanha honra...
Mas falha o essencial do meu argumento, que não e a relativização dos resultados, é - isso sim - a de que desta vez o trabalho foi bem feito e preparado.

Compreendo ainda que não distinga quadro de "gráfico", mas isso pode ter sido distracção sua ao elaborar uns quadros muito interessantes que eu não vejo.

Por acaso, estive a analisar o nível académico dos pais e os resultados que encontrei são também, digamos, "curiosos".

MAs talvez a principal "conquista" da teimosia de um grupo muito pequeno seja - por fim - o início da explicitação pelo ME de uma série de dados que, por alegada "confidencialidade", quer manter reservados.

Quem não tem nada a temer, disponibiliza com clareza a metodologia usada.

Repito, de novo, para os abrantinos entenderem: acho que estes resultados reflectem, por fim, a percepção de que os testes PISA são importantes e que devem ser preparados com "profissionalismo". Foi isso que aconteceu.

Satisfeitos?

Bjinhos

asmo lündgren syaliot disse...

Invejar o quê?

em Pisa está a nevar, deve ser sinal de algo, do quê não sei

talvez da falta de pagamentos dos funcionalismos em 2011

os pulhas disse...

Portugal esta povoado de "putas, chulos,gatunos, maledicencia, inveja,odios,incendiarios, malabaristas e incompetencia".
Há por aí muita gente que se enquadra bem nesse conjunto e que associados á imensa mescla de grupos de oposição tudo fazem para destruir a credibilidade de quem quer que seja, incluindo o Governo como é obvio.

Anónimo disse...

O Paulinho, aquele dos encontros secretos com a Fenprof e que agora lhes "bate"!!!! Aquele que se servia da informação de quem agora censura???? Ó sr. Paulo, vamos lá ser coerentes!!!!!
Bjinhos

Anónimo disse...

porque deixam a cara desse anormal ai, estou farto do ver

Anónimo disse...

Paulo Guinote é uma criação de Paulo Guinote, obviamente mas com o alto patrocínio do Público. Nenhum mal viria ao mundo se Guinote demonstrasse estar informado para além da conversa de café e da empáfia com que, agora, finalmente agora, desconversa por mera fragilidade de argumentos. Guinote é citado por jmf1957. É preciso explicar mais? A contribuição de Guinote para o debate da educação em Portugal vale menos que zero.