sábado, novembro 29, 2014

O linchamento de José Sócrates


• Miguel Sousa Tavares, O linchamento de José Sócrates (hoje no Expresso):
    «(…) Acima de tudo, porém, aquilo que não é possível aceitar, sob pena de total capitulação perante o abuso, é a habitual, mas desta vez absolutamente escabrosa, violação do segredo de justiça. E não me refiro aos jornais de estimação do Ministério Público ou ao 'jornalismo do botox', mas sim a um jornal como o "Público", que, citando "fonte próxima do processo", pespega com toda a acusação do MP no jornal, tratando-a como verdade definitiva e sem ter ao menos o cuidado de perguntar à fonte quais os elementos de prova concretos em que se fundava tal verdade. Não vale a pena alongarmo-nos em considerações sobre a intolerável prepotência que representam estas grosseiras e sistemáticas violações do segredo de Justiça por parte das entidades de investigação criminal: quem não percebe é porque só vai perceber se um dia lhe tocar.

    Mas é de uma imensa hipocrisia a vigência de um sistema de segredo de Justiça que permite que na fase da instrução (que, compreensivelmente, é aquela em que é excepcionado o princípio da igualdade entre partes), essa desigualdade legal seja acrescentada por uma desigualdade ilegal que faz com que a defesa esteja obrigada ao silêncio, enquanto a acusação litiga publicamente nos jornais, fazendo passar a sua versão, sem contraditório. Além de mais, é de uma cobardia sem remissão. E que serve dois fins: instigar o tal julgamento do "cidadão comum" e ficar bem na fotografia, quando todos, temerosamente, vêm dizer que "a Justiça funciona". Como se a simples prisão de suspeitos e a divulgação pública das suspeitas, sem lugar a defesa, fosse sinal de que a Justiça funciona! Porque será então que os armários estão cheios de processos assim iniciados e que, uma vez promovido o julgamento popular, nunca mais chegaram a julgamento num tribunal? (…)»

11 comentários :

Anónimo disse...

Adorei essa do 'jornalismo de botox'.
É triste porque brincam com a vida das pessoas....

Jornalistas de sarjeta é mais adequado.

Anónimo disse...

O botox aplica-se à Felícia Cabrita.

vn disse...

Independentemente de Sócrates ser culpado ou não, o que se passa com a violação do segredo de justiça não é mais do que uma nova forma de fascismo.

Antonio Cristovao disse...

Mas olhe dr tem razão, mas faça um reset do que tem dito de muita gente ainda não julgada e reveja-se ao espelho (provavelmente a informação que tinha era segura e conscientemente sentia a liberdade do dizer)- o que para nós que só nos interessa a verdade foi bom.
Ou muito me engano ou quem tem enxovalhado a F. Cabrita se for sério ainda irá ter que lhe pedir desculpa das ofensas que lhe têm feito como se a mensageira seja a culpada dos crimes.

Anónimo disse...

E por arrasto, o linchamento nas redes sociais de quem se atreve sequer a questionar a pouca vergonha que foi a prisão de Socrates.
Vivemos neste momento em ditadura sim. Uma ditadura caótica, inconsciente, sem uma direcção que não seja a dos interesses egoistas de cada um.

Anónimo disse...

Mas quem é esta gente que se passeia por aqui?

Anónimo disse...

"Mas quem é esta gente que se passeia por aqui?"


Laranjal de Piquete

Anónimo disse...

Enquanto houver "ALELUIAS DE MAÇÂO"! na justiça Bidalhos no MP! Não há Justiça!

Anónimo disse...

logo MST que lincha tanta gente, principalmente se forem trabalhadores em luta ou sindicatos, faltando à verdade, é que vem com esta conversa?

ao menos cite-se gente séria e não cabotinos

Anónimo disse...

Leiam "notas de instruçao criminal do Dr. Salgado Zenha" brilhante tese sobre as raizes da nossa pratica instrutoria que demonstra a raiz inquisitorial dos advogados de instruçao e do ministerio publico.

Anónimo disse...

Na sequencia deste brilhante artigo de MST, que no estrutura ideias-chave sobre o sector da justiça e que opina com coragem, ver entrevista da Maria Flor Pedroso aos advogados batidos em processos-crime, Pinto Ribeiro e Saragoça da Matta, ambas essenciais para se entender o estado do edifício justiça em Portugal, o código do processo penal e a pratica, e a forma como a politica se mistura com a máquina instrutória e judicial. Inevitavelmente