domingo, outubro 18, 2015

A palavra aos leitores — «As contas que há a fazer»

De e-mail enviado por Fernanda G.:
    «As contas das Legislativas que ainda ninguém fez:
      O PS foi o partido mais votado.
      Cada um dos seus 86 deputados teve de recolher em média 20.312 votos.
      A cada um dos 107 deputados da PaF bastou uma média de 19.462 para ser eleito.
      Ora os 89 deputados do PSD recolheram 1.732.118 - menos 15 mil do que o PS (que obteve 1.747.685).
      Assim: é urgente desmistificar a propaganda da direita sobre a "humilhante derrota do PS" e (de António Costa). A coligação de direita teve mais deputados, mas o PS foi o partido em que mais portugueses votaram.»

18 comentários :

Rukka disse...

como é isso possível?
Tenho aqui o Público do dia 5 que diz paf: 1979132 votos??, PS: 1740300
Mas gostava de acreditar que é verdade.
Alguém explica?

Anónimo disse...

não, foi uma derrota clara, inequívoca, não vale a pena entrar em ilusionismos.

Deo Gratias a coligação perdeu a maioria absoluta. nem a quarenta por cento chegou. foi também derrotada. Se não o tivesse sido não andava por aí a ganir pelos cantos.

Ganhou Catarina Martins - sabe-se lá o quê e para quê. Os quatro ou cinco pontos percentuais que limpou ao PS teriam servido para afirmar pelo menos que o partido era o que mais mandatos tinha e como tal legitimidade para ser convidado a formar governo. agora fia mais fino.

resta ver como é que esta comédia vai acabar.

Anónimo disse...

Por favor! Estas contas não têm pés nem cabeça! É o método de Hondt que possibilita estes números; já viram o números de votos que foram necessários para o BE e a CDU elegerem os seus deputados? haja honestidade intelectual!

antonio disse...

Rukka, parece-me que o que a Fernanda G. está a dizer é que para 89 deputados o PSD necessitou de menos votos. Mas para os 107 teve mais votos no total, evidentemente. Se estiver errado, peçoxculpa pela burrice :)

Jorge Santos disse...

Se a PaF não tivesse feito a magnifica lei eleitoral que temos em vigor, outro galo cantaria

Jorge disse...

O post é um pouco confuso mas tenta demonstrar duas coisas: (1) os votos da paf foram mais produtivos em termos de mandatos e (2) o ps teve mais votos que o psd (o PSD apenas, sem o cds).

Anónimo disse...

Se percebi bem estes números referem aos votos atribuídos apenas ao PSD e não à Coligação. Aqueles que faltam são os atribuídos ao CDS. E na contabilidade entre PS e PSD o PS teve mais votos, mas menos deputados (89, 86). Faz sentido e não vejo nenhuma desonestidade.

Miguel Abrantes disse...

O que a leitora Fernanda G. fez foi dividir o total de votos da coligação pelo número de deputados obtidos. Sabendo-se os deputados que correspondem ao CDS e ao PSD, obtém-se a votação de cada um dos partidos de direita.

NOTA: Julgo que os dados referidos pelo Rukka não contêm os votos dos círculos da emigração.

Anónimo disse...

Parece-me que são contas que também podem ser feitas. Porque não fazemos contas, ou não podemos fazer, aos votos que cada partido individualmente teve?
Parece-me bem. Ajuda a desconstruir mitos!Afinal qual foi o partido mais votado, qual foi? AH, também é bom que se diga.

Anónimo disse...

José C
As contas de Fernanda G estando correctas na sua acepção mas não deixam de configurar um paradoxo.
Quem estraga os resultados nacionais é também o BE que ora beneficia o PPD ora o PS. Quem fica sempre a perder é a CDU, especialmente a nível autárquico. A Junta Metropolitana de Lisboa só foi para o PS graças aos votos de BE que retirou a maioria da Câmara do Montijo à CDU.
Pior são os votos da Madeira os cidadãos da Madeira votem na Madeira e votem também no Continente e vão 5 direitinhos ao PPD.
Se a Esquerda se unir todas estas questões no futuro serão ultrapassadas porque o método de Hondt favorece as coligações.
O PaF precisou apenas de 19.462 votos para eleger 1 deputado.
O PS precisou de 20.321 votos
O BE precisou de 28.994 votos
A CDU precisou de 26.234 votos.
Depois há os votos que se perdem porque já não dão para mais deputados devido ao condicionalismos dos distritos eleitorais.
Uma das coisas que merecem um estudo aprofundado é o comportamento das pessoas. O que as faz votar em A ou B? Ninguém sabe. A televisão influencia sem dúvida mas o voto no BE deve-se à pessoa da Catarina Martins?. O que não deixa de influenciar é a tenacidade de Passos Coelho mesmo com demagogia ou com falta de respeito pelas pessoas e pela verdade.
Nicolau Breyner resolveu candidatar-se em tempos à Câmara de Serpa e foi logo eleito. O Fernanda Seara o mesmo em Sintra.
Ora o voto deveria representar o objectivo de cada um ou de cada classe e na prática há ricos que votam PCP e há pobres que votam PPD.
Para que servem os sociólogos? Engels lançou-lhes o repto à cerca de 150 anos e pouco foi feito nesse sentido. O que faz as pessoas agir de uma determinada maneira e não de outra?

Magus Silva disse...

Eu sei que este esta mensagem não tem nada a ver com o tema, ou talvez tenha, visto que se refere ao drama e a armadilha em que caímos e de onde está custoso de escapar.
Levantado está o chicote, ainda ameaça, ainda mexe.
Trata-se da partilha de uma mensagem que difundi no Google. Espere que não gostem





Mas o que tem em comum esta burricada e o poema de Guerra Junqueiro (Moleirinha Branca)?

vamos a reboque, toc, toc, toc.

Burricos à frente, o coelho atrás.

Toc, toc, toc, vamos a reboque.



Ninguém vai contente, e o coelho malha,

Põe-nos a reboque,toc,toc,toc.

Vai chicoteando, toda a burricada,

E os burros tontos, vão -se arrastando

Pela estrada fora, toc, toc, toc.

Burricos à frente, o Coelho atrás.

E os burros tristes, vão se lamentando.

Puxam descontentes a enorme carga,

E o Coelho atrás, lá lhes vai malhando.

E quando o chicote ficar desfiado,

Chama um compincha, toc toc toc,

Para o ajudar, Vamos a reboque.

Portas e Coelho, ó que lindo par.

Ambos a malhar, toc toc toc,

Vamos a reboque, toc, toc, toc..

Mas se for preciso.

Se esta burricada não tiver juízo,

Vem o presidente, a malhar na sombra,

Para disfarçar toc, toc, toc.

Ninguém vai contente, mas com tanta gente.

De chicote em riste, toc, toc, toc,

Vamos a reboque, burriquinhos à frente,

Os algozes atrás, tão aburricados,

toc, toc, toc, vamos a reboque.

Arre burros!

Magus Silva disse...

Como podemos falar de liberdade, se condicionarmos a liberdade de formar partidos e de votar?
Eu também acho que as pessoas, na sua maioria, votam no partido onde psicologicamente estão amarradas e também no líder que se impõe.
E um pouco de guerra, de fraude e de mentira também parece interessar-lhes, como no perigoso football.
Não podemos considerar mártir o PC porque o Bloco atrapalhou. O mesmo poderia dizer o Bloco do PC. e as queixas não teriam fim.
É verdade, em minha modesta opinião, que anda por aí muita gente a ajudar a estragar tudo, porque a informação não lhes chegou corretamente e não podemos esperar isso de partidos, cuja ambição é proceder a uma lavagem ao cérebro.
Assim, iremos continuar por longos e penosos anos, a votar nos nossos inimigos e a levar porrada de criar bicho e fome, e mais ignorância.
Que o além nos salve! Porque aqui, nesta terra mal frequentada, está mau...

Júlio de Matos disse...




Política à parte, por favor respeitem ao menos a Matemática: PARA QUEM AO FIM DE 40 ANOS AINDA NÃO PERCEBNEU EM QUE CONSISTE O MÉTODO DE HONDT (irra!), REPITA-SE que é o método que melhor respeita a proporcionalidade e que A CAUSA DA CONTINUADA DISTORÇÃO entre a repartição global dos votos e a repartição do número de mandatos advém não do método de Hondt, mas sim da sub-divisão do universo eleitoral em círculos DISTINTOS, alguns deles tão minúsculos que já são QUASE UNI-NOMINAIS (caso do de Portalegre).


Com os mesmíssimos resultados elitorais, MAS O MÉTODO DE HONDT APLICADO Á GLOBALIDADE DOS VOTOS - ou seja, se houvesse apenas um CÍRCULO ÚNICO NACIONAL -, a PàF, com 38% dos votos, teria obtido APENAS 97 Deputados, NÃO 108!!!! Quanto ao PS, com 32%, teria 81, o BE 30 Deputados - SIM, 30 DEPUTADOS! - e a CDU 23!


ESTAS SIM, SÃO AS CONTAS QUE TODOS DEVERIAM FAZER E DIVULGAR, para calar a boca de vez à ignorância e à desonestidade intelectual.

Paulo Silva disse...

Se o critério fo a média, quantos votos teria o PAN para eleger 86 deputados se mantivesse a média ....disparate

Anónimo disse...

Isto é uma perfeita idiotice.
Os lugares dos deputados na lista foi uma escolha dos próprios partidos ANTES DAS ELEIÇÕES. Até poderia nem haver deputados do CDS se assim ficasse decidido entre os dois.
É impossível determinar qual o eleitor que foi lá votar PSD, qual o que foi votar CDS e qual o que foi especificamente numa coligação.
Todas as contas para determinar o número de votos em cada um dos partidos da coligação não passam além de fantasia.

Anónimo disse...

Este Post é importantíssimo para lhes atirar ao focinho com uma verdade: que o PSD (com 87 deputados/1.732.118 votos) afinal até teve menos votos que o PS (com 86 deputados/1.747.685 votos)!
E carece de análise a pouca vergonha que mais uma vez se passou na imigração, desta vez pior do que nunca pois saíram 450 mil portugueses.

Anónimo disse...

Júlio de Matos tem razão

"MAS O MÉTODO DE HONDT APLICADO Á GLOBALIDADE DOS VOTOS - ou seja, se houvesse apenas um CÍRCULO ÚNICO NACIONAL -, a PàF, com 38% dos votos, teria obtido APENAS 97 Deputados, NÃO 108!!!! Quanto ao PS, com 32%, teria 81, o BE 30 Deputados - SIM, 30 DEPUTADOS! - e a CDU 23!"

Era assim que se contabilizavam os votos

Mas quem alterou a contagem nacional para a contagem uninominal?

José C

Júlio de Matos disse...



Caro José C,


ninguém alterou coisa nenhuma. A contabilização dos votos no território nacional em vinte parcelas distintas - 18 Distritos (unidade territorial aliás já "extinta"!) mais duas Regiões Autónomas - decorre da própria Lei eleitoral!


É uma das heranças dos tempos em que não havia auto-estradas, nem telemóveis, nem internet (nem multi-banco...) e NUNCA HOUVE CORAGEM para a adaptar aos tempos atuais de um País de menos de seis milhões de votantes (reais...) e com seiscentos por duzentos quilómetros quadrados!


PARA QUÊ OS CÍRCULOS ELEITORAIS? Que apenas servem precisamente para DISTORCER os resultados eleitorais globais, EM BENEFÍCIO DOS GRANDES PARTIDOS E DAS COLIGAÇÕES?? E isto, repita-se, nada tem a ver com o Método de Hondt, que é apenas um algoritmo matemático, por sinal o mais justo, pelo menos enquanto não se puderem eleger deputados com parte decimal...


E a melhor forma de RESPEITAR A PROPORCIONALIDADE é a criação de um círculo único nacional, do modo a que a votação mesmo SEJA SÉRIA E JUSTA, não mandando votos de ninguém para o lixo! Que é o que acontece, reparem bem, a TODOS OS VOTOS colocados em Partidos que não elejam Deputados por um determinado círculo (exemplos: CDS, sózinho, em Beja, CDU em Bragança, BE em Portalegre, etc., etc., etc.)!


O desejável fim dos círculos distritais poderia até, se houvesse BOA VONTADE E BOM SENSO por parte dos Partidos maiores - PSD e PS -, passar por uma fase de transição, em que fossem usados círculos REGIONAIS (com base nas atuais Regiões Administrativas e Autónomas - Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira), o que praticamente anularia os efeitos de distorção atual, demasiado grosseira, e LEVARIA EVENTUASLMENTE MUITO MAIS GENTE A VOTAR, sem se sentir forçada a votar "útil" (pois, mas isso interessa a quem?), reduzindo os níveis de abstenção e aumentado assim a própria credibilidade do sistema democrático (pois, mais uma vez, mas isso interessa a quem?)!


E acabando de vez com essa engrenagem diabólica das "distritais" dos grandes Partidos e das respetivas traficâncias, de influências, poderes, lugares, etc....