quinta-feira, Março 15, 2012

Tiraram-nos o sistema de saúde e as férias? Vão ver como elas doem [1]

António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, tem andado nas bocas do mundo por exigir conhecer os gastos dos gabinetes ministeriais. Porque há muita falta de memória na política, convém recordar que António Martins não é um novato na vida pública: ele foi director adjunto de Fernando Negrão na Polícia Judiciária — e ambos abandonaram esta polícia criminal quando Negrão, hoje deputado do PSD, foi apanhado a quebrar o segredo de justiça, dando informações a uma jornalista do Diário de Notícias sobre buscas que se iriam realizar no âmbito do caso da Universidade Moderna.

António Martins candidatou-se à direcção do sindicato dos juízes para procurar travar as medidas levadas a cabo pelo Governo do PS, em especial a redução das férias judiciais e a extinção, integrando-o na ADSE, do subsistema de saúde de que beneficiavam os operadores judiciários. Desde que tomou posse como presidente do sindicato, António Martins tem obsessão com os membros dos governos socialistas, a ponto de já terem ocorrido demissões na direcção do sindicato por manifesta discordância em relação a esta cruzada política de Martins.

Mas para avaliar o tipo de “sindicalismo” que António Martins quer impor aos juízes, titulares de um órgão de soberania, vale a pena ler a crónica hoje publicada pelo juiz desembargador Rui Rangel, presidente da Associação de Juízes pela Cidadania, com o título Democracia e demagogia:
    ‘Entre a democracia, que pressupõe a transparência na vida pública e a responsabilidade pela gestão dos dinheiros públicos, e a demagogia, vai uma fronteira muito pequena. Ser um bom democrata e defender as virtudes da democracia não significa ser um bom demagogo. Fiscalizar os actos praticados pelo poder político na gestão da coisa pública é sem dúvida uma tarefa fundamental, quando se pedem tantos sacrifícios aos portugueses.

    Não é tarefa fácil ser-se democrata, mais a mais nesta democracia onde nenhum dos pilares que a estruturam se mantém intocável. A crise de confiança instalada entre o cidadão e os vários poderes públicos, incluindo, naturalmente, o poder judicial, fala por si.

    A demagogia vive e sobrevive no "ventre" da democracia e aproveita-se de todas as fragilidades desta.

    Mas para se ser um bom demagogo é preciso ter arte e engenho. Os dirigentes da Associação Sindical dos Juízes, com a queixa-crime que anunciaram deduzir contra alguns ministros do Governo Sócrates, por gastos a mais com cartões de crédito, telefones e outras despesas, não estão a ser bons democratas. Antes uns fracos e frágeis demagogos, com uma consciência de ajuste de contas. E o mais grave é que nem sequer foram bons dirigentes sindicais, desprestigiando a classe dos juízes com esta iniciativa. Tenho sérias dúvidas se os juízes portugueses se revêem neste lamentável acto do seu sindicato. A legitimidade do voto não é ilimitada e não permite tudo.

    Este é um momento negro para a justiça, que aos olhos do cidadão fica muito mal na fotografia. E nem é tanto pela queixa-crime. É por tudo o que está por detrás desta deplorável iniciativa.’

13 comentários :

Anónimo disse...

Pois é. Mas o juiz sindicalista António Martins tem ainda saudade do tempo em que foi adjunto de Fernando Negrão. Além de pouco fazer, andava de automóvel às suas ordens e tinha telemóvel de graça! Que chatice os juizes não terem destas coisas...

Anónimo disse...

Nem o acordo da concertação cumprem http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=544679

Agora não vem o PP defender os recibos verdes?

Anónimo disse...

Mais um alvo a abater pela socratice, a pouco e pouco vamos sabendo das verdades dos "assaltos" que esta corja fez ao país entre 2005-2011. Como não gostam que venha tudo a nú vá de insultar o giro é que se alguém fizer o mesmo a esta gentinha mediocre nem publicam os comentários. Julgo que já é tempo da socratice responder criminalmente pelos desmandos cometidos.

troyano disse...

Que havia aqui uma sanha persecutória de alguns agentes da magistratratura contra o PM J. Sócrates e o PS já o sabíamos, e esta triste queixa-crime o prova com a mais elementar das evidências.

Ficamos a aguardar pela consequente iniciativa quanto aos ministérios actuais!

Ou agora a santidade inunda generosamente o mundo laranja como o inocente das 04:32:00 pensa?

Anónimo disse...

Meu caro, se da inocência de uma perseguição se segue a inocência rangeliana de defender e agarrar-se alapadamente ao PS, entre os dois, não sei quem escolher... Já sei! Escolho o que me der a conhecer como se gastam os dinheiros públicos. Quanto ao Rangel, pergunto-me: o senhor é pago pela verborreia, ou para trabalhar? É que deve fazer muito pouco...

Anónimo disse...

Coitadinho do Sócrates, tão bom mocinho e agora arranjam-lhe estas chatices!

Carlos disse...

Atenção que há juízes (só podem sê-lo!), acobertados sob anonimato (o que, convenhamos, ficaria muito mal a titulares de orgãos de soberania!), a comentar este post!
Só assim se podem entender comentários apresentados como verdadeiras sentenças judiciais (ainda que nem explicadas, nem fundamentadas!), na medida em que estabelecem juízos e condenações finais e definitivas da, pelos vistos, arguida "socratice" (seja lá isso o que for!)!
Só falta acrescentar a condenação e comunicá-la às autoridades judiciais, para execução!
A ignorância, a irresponsabilidade e o despudor, são muito atrevidos!

S. Bagonha disse...

Desculpe-me que discorde de si Troyano mas "o" das 04:32 é tudo menos inocente. É antes um dos "arrastadeiras" arregimentadas pelo Relvas e que vão enxameando o CC e outros blogues. Quanto ao nível dele(s), bom, afere-se facilmente pelo lixo que vomitam. Reles, muito reles.

Anónimo disse...

É engraçado ver estes senhores armados em santos e a dar lições de honestidade.
Os juízes, que legalmente nos chulam até mais não poder com as suas mordomias (aquela do subsídio de renda, que os próprios isentaram de irs, brada aos céus)querem agora deitar-nos poeira nos olhos. Já que tanto querem investigar, não seria mais rápido começar pelo presente? E então sim, quando estivessem cansados, iam ao passado...E tanto trabalho que os pobres devem ter que têm de se ocupar com coisas que não dão em nada, a não ser alimentar o seu canal favorito, o correio da manha.
ana

Anónimo disse...

Há juizes proxonetas a comentar neste post

Anónimo disse...

Somos de facto um pais de corruptos. Sejam quais forem as razões, eu alegro-me de que isto sirva de lição a quem quer que seja. O sindicalista quis defender os direitos da classe, que faz dele um bom sindicalista, o Rangel é uma nódoa profissional e comentador de trazer por casa e todos aqui a defenderem o indefensável: a corrupção e o peculato. Tenham vergonha meus senhores e seja, também vocês, mais honestos!

Anónimo disse...

Anónimo disse...
Mais um alvo plantado pelos estarolas, a pouco e pouco vamos sabendo das verdades dos "assaltos" que esta corja faz ao país . Como não gostam que venha tudo a nú vá de insultar o giro é que se alguém fizer o mesmo a esta gentinha mediocre nem publicam os comentários. Julgo que já é tempo da estarolice responder criminalmente pelos desmandos cometidos.
Desculpem lá, às 4:32 ainda não tinha tomado os comprimidos.

Anónimo disse...

Claro, o Rangel que se atreve a atacar a classe e a denunciar a demagogia do sindicato já é a nódoa profissional...portanto ou estão com o sindicato ou estão contra nós e são todos "socratistas".Mas que bela defenição de "classe".
Já agora corrupção e peculato onde? Não foi já acusado quem tinha de ser? Porque é que, sendo Socrates tão corrupto como dizem, não tem ainda milhares de processos em cima e todos com acusação formada?
Mas acha que somos estupidos?!