domingo, Abril 01, 2012

Será que o país Governo nunca mais aprende se liberta dos lobbies?

Editorial do Público, Será que o país nunca mais aprende?:
    '(...) o Governo fez tábua rasa do congelamento das progressões nas carreiras da função pública e autorizou promoções não apenas nas Forças Armadas mas também na PSP, GNR ou Guarda Fiscal; depois, quando se agravam os sinais de falta de financiamento às empresas, verifica-se que a Caixa Geral de Depósitos está presente na lista dos bancos que vão financiar a multimilionária OPA sobre a Brisa.

    Começando pela primeira perplexidade, não se percebe o que, na essência, diferencia os servidores das Forças Armadas ou da polícia dos que prestam serviço nos hospitais, nos tribunais ou nas escolas. Bem se sabe que a travagem das promoções é um absurdo que leva à desmotivação e incrementa a mediocridade, mas esses perigos tanto acontecem no Exército como numa repartição municipal. Na função pública, não pode haver subclasses, todos os seus trabalhadores desempenham tarefas fundamentais e, num quadro de restrições financeiras, nada justifica tratamentos distintos ou privilegiados. A menos que o Governo queira ter a seu lado a disciplina da tropa e o empenho da polícia - o que seria um terrível sinal -, a discriminação positiva das forças armadas e de segurança é um erro que custará caro ao Governo. Mesmo que, como garante as Finanças, não haja agravamento da despesa, decisões desta natureza minam o principal activo com que Passos ainda pode contar: um certo consenso social em torno dos sacrifícios.

    A juntar a este episódio, há ainda a facilidade com que o Grupo Mello e um fundo de pensões britânico encontrou cerca de 400 milhões de euros na banca nacional para financiar a sua OPA sobre a Brisa. Pode pensar-se que, com esta manifestação de poder, o músculo da banca não estará tão mau como o pintam. Ainda bem. Só que, além desta prova de vigor, o que esta disponibilidade da banca, e principalmente da banca pública, prova é que ainda está longe o dia em que o capitalismo financeiro terá como primeiro parceiro as empresas que produzem e exportam. As que, afinal, podem poupar o país a um esforço ainda mais doloroso que o actual. Quando não há dinheiro para emprestar a uma fábrica que precisa de adquirir matéria-prima para satisfazer as suas encomendas e não falta para perpetuar a hegemonia das empresas não sujeitas à concorrência internacional, está tudo dito. Haverá quem, como Rui Rio, esteja disposto a denunciá-lo?'

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