quarta-feira, setembro 17, 2014

Separar o sindicalismo e os negócios

António José Seguro critica o governo por estar a encanar a perna à rã relativamente à fixação do salário mínimo nacional. Mas o certo é que, muito embora sustente que o valor do salário seja acordado na concertação social, o ainda secretário-geral do PS já estabeleceu as baias do aumento: «Deve haver uma política de rendimentos e esse aumento do salário mínimo nacional deve estar previsto e indexado ao crescimento da nossa economia, à produtividade do país, mais inflação para os anos futuros.» Que é como quem diz: — Tenham paciência, o que perderam está perdido.

Carlos Silva, líder da UGT, compreendeu a mensagem. Quando antes defendia que o salário mínimo deveria situar-se em 510 euros, a UGT propõe agora que atinja 505 euros e vigore até ao final de 2015. E o líder da UGT mostra-se agastado com António Costa por defender que o salário mínimo nacional seja fixado em 522 euros: há «um putativo candidato a primeiro-ministro» que defende um valor mais elevado, mas «quando a UGT vem avançar com uma subida para 505 euros para 15 meses já estamos a disponibilizar uma abertura no sentido de haver viabilidade do ponto de vista prático da situação».

Ora o aumento do salário mínimo que o líder da UGT recusa mais não é do que uma actualização do acordo que a sua central sindical assinou. Depois desta reacção surpreendente, será que Carlos Silva, quando António Costa assumir as funções de primeiro-ministro, irá acusar o PS de irresponsabilidade e de pôr em causa a competitividade do país, por defender mais 17 (dezassete) euros para o salário mínimo nacional?

8 comentários :

james disse...

Já recebi mail da campanha de António Costa.

Raimundo Pedro Narciso disse...

Disseram-me mas não sei se é verdade que o Carlos Silva, grande líder da UGT, está feito com a CGTP. Quer dar-lhe razão, que é um aliado dos patrões, sim Sr. ou talvez mais propriamante do Governo.

Anónimo disse...

Tudo somado, é um badameco. A UGT tem de mudar de timoneiro.

Anónimo disse...

Tal pai (proença) tal filho! Belos exemplares de uma caricatura de sindicalismo, defensores dos banqueiros e grandes fortunas!

Anónimo disse...

de um homem que vem da máfia dos bancos e que deve ter uma boa reforma só posso esperar o pior. um líder sindical deve ser alguém que sabe ou já soube o que é trabalhar muito e receber pouco, estar consciencializado sobre as dificuldades que quem recebe a actual miséria mínima passa para chegar ao fim do mês. Agora este snob está bem gordinho e que alguém lhe lembre que um bigode não faz um líder sindical

Anónimo disse...

Pois, a UGT foi cumplice da maior desvalorização do trabalho dos últimos anos, serviu de muleta ao governo para acenar com um acordo de concertação social desastroso que aprovou um nefasto Código do Trabalho. Agora está feita com a CGTP, realmente parece, mas não está, foi este PS que a apoiou. É no momento da verdade que se vê de que é que os partidos são feitos.

Anónimo disse...

Cala-te e olha para a tua cegetepezinha. Mexem muito para fingirem que protestam e estão contra o governo. Muitos comicios desde que os tenham sob controlo. Tudo o que escapata ao seu controlo e do PCP, é desprezar, ignorar e combater. Veja-se o caso da APRE, associação de reformados independente que decidiu avançar e tomar posições de combate contra a ofensiva do governo sem pedir autorização aos arménios e jeronimos, ignorando aquele simulacro de organização de pensionistas no seio da CGTP ou ainda, as manifs organizadas por multidões "que se lixe a troika" e que escaparam ao aparelho do PCP e da CGTP. A CGTP n gosta daquilo que n tem debaixo de olho. Trela curta e nada de muita iniciativa. Da-lhes mais combate do que ao governo, até os exterminar!O comité central é quem determina e define os amigos e o que é bom! O resto é para quem quer continuar ceguinho da testa!

Anónimo disse...

O sr Seguro, antes de falar em separação entre política e negócios, devia explicar como é que o Boss das farmácias, o sr Cordeiro, foi o seu candidato à autarquia de Cascais.
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É que a bota não bate com a perdigota.