sexta-feira, outubro 24, 2014

Peripécias de um videirinho


A Visão publicou uma peça sobre «A vida 'esquecida' de Passos Coelho – Os dias felizes de Passos na ONG da Tecnoforma», parcialmente reproduzida aqui. Gosto especialmente desta passagem:
    «(…) Em março de 1997, Passos Coelho voltou a impressionar Fernando Madeira quando lhe telefonou a dizer: «Prepare-se que vamos a Bruxelas. O João de Deus Pinheiro vai receber-nos.» Voaram em executiva, no 10, e o então comissário europeu deu-lhes uma indicação importante - havia verbas do Fundo Social Europeu disponíveis para cursos de Função Pública em Cabo Verde e nos outros PALOP.

    (…)

    A 1 de novembro de 1997, Passos Coelho e Fernando Madeira voltaram a voar em executiva, agora com destino à Cidade da Praia, capital cabo-verdiana. Esta diligência, porém, revelar-se-ia um desastre. As autoridades pareceram não estar avisadas da visita, que pretendia apresentar o projeto de um Instituto Superior de Formação em Gestão e Administração Pública. O ministro cabo-verdiano da Educação encontrava-se em Lisboa. Algo descortês, Passos Coelho deixou Fernando Madeira sozinho, durante dias, e foi arejar para outras paragens da ilha de Santiago. Só foi possível marcar uma reunião com o diretor-geral da Educação para a manhã do dia 4 — o que parece ter resultado de um telefonema de Passos Coelho para o ausente ministro cabo-verdiano. Mas Passos não acompanhou Madeira naquele encontro com o dirigente cabo-verdiano. O diretor-geral chumbaria o projeto do CPPC - queria uma universidade e não um instituto de formação intermédia.

    Um projeto para Angola, de promoção de «emprego para o desenvolvimento», seria também chumbado. Porém, Passos Coelho voltou a estar à altura do que Fernando Madeira dele esperava quando foi preciso obter de Isaltino de Morais, presidente da Câmara de Oeiras, uma «carta de interesse» por um curso de costura (que começou em março de 1998), no então bairro de barracas da Pedreira dos Húngaros, sobretudo habitado por cabo-verdianos, e subsidiado pelo Fundo Social Europeu (FSE). Aquela «carta de interesse» de Isaltino, aliás, até chegou ao CPPC antes mesmo de o autarca receber em audiência formal a ONGD, representada por Passos e Madeira. Já a verba canalizada pelo FSE é, na verdade, desconhecida. O Instituto do Emprego e Formação Profissional, após insistentes pedidos de consulta da VISÃO, acabou por responder que não encontrava o processo respetivo.

    Passos ainda daria jeito ao «patrão» da TECNOFORMA na escrita do último relatório de atividades do CPPC, relativo a 1998 e com uma projeção de orçamento para 1999. Fernando Madeira pediu socorro ao deputado e presidente da ONGD, porque não sabia mesmo como arrancar com o texto. Só o projeto da Pedreira dos Húngaros fora concretizado, era muito pouco. Num ápice, Passos Coelho escreveu os dois primeiros parágrafos do relatório. «O ano de 1998 não foi particularmente feliz à concretização das atividades inicialmente projetadas», começava, para depois destacar que, «independentemente de tais factos, não podemos deixar de realçar os ensinamentos recolhidos da experiência adquirida». Conta quem sabe: «Não se atrapalhou nada - num instante deu a volta àquilo.

    Fontes ligadas ao processo estimam que a TECNOFORMA injetou no CPPC cerca de €225 mil, no conjunto de três anos -1997,1998 e 1999. É um montante muito acima das verbas inscritas nos mapas contabilísticos da ONGD, arquivados no Instituto Camões e subscritos por um técnico oficial de contas, José Duro, que faleceu em 2004. Em teoria, o chamado Balancete Analítico é suposto ser mais pormenorizado e assertivo, mas parece que, até ver, ninguém sabe onde tal documento se encontra. (…)»

6 comentários :

Morgado De Basto disse...



Palavras para quê?(...)É um artista português e não usa pasta medicinal couto!

Quando este bando de malfeitores for obrigado a zarpar,o País, inteirar-se-á dos danos produzidos.E,se nessa altura, um outro sistema judicial estiver em funcionamento,muitos estabelecimentos prisionais vão ter que ser construídos.

Este País,está a precisar...Este País,está a precisar...Este País,está a precisar...Oxalá os Deuses, me deem vida e saúde para ver...

Anónimo disse...

Um fura-vidas videirinho.

Anónimo disse...

E o cunhadinho deste PPC, o bronco Rui Loureiro, plantado na administração da REFER, sempre vai ser replantado na Administração do Metro e da Carris antes que seja tarde?

Anónimo disse...

Todos nóe esperamos que muita justiça venha a ser feita, só que o PS não tem muita autoridade moral para a fazer já que estão muito ou pouco comprometidos com as injustiças que nos perpassam pela frente, todos os dias, daí que depois de algo fogaréu estou em crer que vai voltar tudo ao mesmo.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Tenho escrito muitas e muitas vezes no meu blogue e em muitos outros que este (des)Governo é uma cambada do mais alto coturno e que se pode resumir em três palavras:

Mentir,
Roubar e
Propagandear.

Se este país fosse a sério e sobretudo sério, este texto da "Visão" seria motivo de rigorosa investigação para apuramento da verdade e da honestidade do Sr. Coelho. Mas, infelizmente, não é.

De Belém (onde está o principal culpado do lastimoso estado a que Portugal chegou) a S. Bento, se eu não tivesse 73 anos uns tiritos ajudariam. Falta-nos um bisneto do Buiça ou talvez dois.

Com a nossa predisposição para vivermos agachados, defensores do "pau e cenoura" já nem sei onde irei parar. Emigrar? Quem sabe se os meus netos o farão?

Pelo andar da carruagem, o António Costa (em quem votei) já está a meter medo a muita gente, mas sobretudo ao (des)Executivo.É ver os ataques do sr. Aguiar, do sr. Maduro, do próprio nosso primeiro como se fiz na topa.

Porque, neste momento o que tenho de dizer - é fartar, vilanagem!

Anónimo disse...

Em hong Kong há o Movimento "Occupy Central".
Torna-se urgente em Portugal um "Desoccupy Belém e S. Bento"....