quinta-feira, outubro 29, 2015

Assis contra Assis

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Para se ser rigoroso, não se pode dizer que o muro que separa o PS do BE e do PCP foi construído apenas pelos partidos que situam à esquerda do PS. Mas, se Francisco Assis não deveria imputar a responsabilidade em exclusivo à «extrema-esquerda», terá bastante razão quando considera: «(…) a extrema-esquerda parlamentar optou deliberadamente – com uma legitimidade, de resto, inatacável – por um acantonamento político impeditivo de qualquer participação não só na esfera estrita da governação, como no horizonte mais vasto de definição das grandes prioridades nacionais. Não foi excluída: auto-excluiu-se (…).»

Há no entanto um dado de que Francisco Assis se esquece: a devastação levada a cabo pela direita radical durante estes quatro anos provocou mudanças em todo o espectro político. Havendo neste contexto a possibilidade de construir uma plataforma de convergência que barre o caminho à direita radical, deveria o PS recusá-la?

Talvez a evolução do PCP tenha demorado mais tempo a ocorrer do que Francisco Assis previa em 1999 (cf. imagem supra), quando, na sequência de um discurso de Carlos Carvalhos, admitiu tratar-se de «um passo muito importante para uma efectiva alteração no plano doutrinário, que permite augurar uma importante evolução do PCP». O então líder parlamentar do PS antecipava que essa evolução poderia permitir uma aliança à esquerda: «Pode ser mais fácil, no futuro, conceber soluções de governação que passem pelo PCP

Já em 2011, quando disputou a liderança do PS com António José Seguro, Francisco Assis fez questão de alimentar esta possibilidade. A pretexto das eleições autárquicas, colocou como objectivo «a realização de coligações onde elas são essenciais para a derrota da direita», frisando que a estratégia não se esgotaria no dia das eleições. Seria um primeiro passo para «iniciar um diálogo construtivo à esquerda com o PCP e o BE», a fim de «superar a dificuldade histórica de relacionamento que prejudica as opções dos eleitores de esquerda».

Ora, no exacto momento em que parece estar a superar-se «a dificuldade histórica de relacionamento que prejudica as opções dos eleitores de esquerda», Francisco Assis pretende fazer marcha-atrás, repelindo o que vem defendendo desde o século passado, quando as condições eram mais adversas?

18 comentários :

Anónimo disse...

Assis já era lider parlamentar em 1999?

Anónimo disse...

Alguém sabe dizer-me se a votação da rejeição do programa de governo, é por voto secreto ou por mão no ar?

Anónimo disse...

Cuidado PS! Não se esqueçam dos apelos de Cavaco Silva... A quem é que ele apelava? Pois é... Cuidado, que o inimigo não está só fora...

Guia disse...

...É um tonto...E é pena que ainda haja muitos que se dizem socialistas, mas - tal como muitos comunistas - não sejam capazes de "ver" que só uma convergência de politicas essenciais poderá firmar uma unidade de esquerda.

...Os milhões de portugueses que não suportam mais esta direita, nem este presidente da República, não vão perdoar nunca mais tal cegueira egoista!

João Afonso Machado disse...

Em outras circunstâncias seria normal mudar de opinião, não?

Mas o artigo de hoje é magnífico. Aponto-lhe um erro: chamar II República à actual, como se a «República unitária e corporativa» (Constituição de 33) não tivesse existido.

Anónimo disse...

Francisco Assis pertence, por opção e por direito, ao grupo dos idiotas úteis. Anda a fazer um grande frete à direita. Vai ver como ela lhe paga.

Fernando Romano disse...

Francisco Assis, às vezes, surpreende-me. Tenho uma grande admiração por ele, especialmente pela coragem e competência como se comportou na liderança da bancada nos últimos tempos do último governo do PS enquanto outros metiam o rabo entre as pernas ou conspiravam nas últimas filas do parlamento. É, naturalmente, dado à filosofia (uma singularidade que aprecio), mas afasta-se da perspetiva histórica. Não foram os dirigentes dos partidos de esquerda que acordaram todos certa manhã a idealizar uma alternativa governamental conjunta contra esta direita. São as novas condições históricas (sociais, políticas e económicas)a nível nacional e internacional,que o exigem. Da ferocidade deste combate que se vai seguir ainda só vimos os preliminares. Vai valer tudo por parte dos bandos de direita. O próprio Dr. Francisco Assis vai ficar assarapantado.

Jaime Santos disse...

Se querem mesmo um exemplo de mudança de opinião, vão ver o que António Barreto dizia nos anos 90, quando Mário Soares (enquanto PR) defendia uma coligação PS+PCP. Recordo-me de um 'Terca-à-Noite' na então jovem SIC, em que Jorge Lacão bem rabeou para defender a posição de Guterres de que o PS deveria aspirar à Maioria Absoluta (que Guterres quase conquistou em 1995 e em 1999)...

Anónimo disse...

O deputado Francisco Assis é uma das nódoas negras do PS.

Anónimo disse...

Miguel Abrantes: o voto para a moção de rejeição é secreto ou é por mão no ar? Pode ajudar, sff?

Anónimo disse...

Mão no ar. Mas para um traidor basta faltar!

RFC disse...

Há vários pontos idiotas mas sublinho dois pontos, a saber: do princípio ao fim do artigo não existe uma única crítica ao próprio discurso do PR, ou parafraseando o autor sobre a tese perigosa que ela indicia e que foi percebida por diversos sectores da opinião pública e publicada em Portugal, antes a sua pessoa não se importa de ser o modesto capacho dos tipos do PSD/CDS; por oposição à tese perigosa do PR, usa de um nível inominável de agressividade raramente vista em público contra os (ainda?) seus camaradas do PS (os da direcção, supõe-se). Ora, se observando de fora, o snobismo do Francisco Assis tem crescido em relação directa com a convivência no PE com o insuportável Paulo Rangel mas é também o seu estado intelectual que se deteriora para os mínimos apresentados pela miserável campanha da Aliança Portugal nas europeias encabeçada pelo mesmo Paulo Rangel e para... o nível intelectual do Nuno Melo. O que não é bonito de ver para um gajo de boa-fé, juro.

«Com o apoio activo de alguns sectores do Partido Socialista – nuns casos por pura má-fé, noutros por manifesto desconhecimento da nossa história democrática – os partidos da extrema-esquerda têm vindo a impor a tese segundo a qual foram objecto de uma ostensiva marginalização parlamentar de carácter não democrático.»

Anónimo disse...

Esse Assis é um disparatado sempre com o cabelo no ar - não sei se não deviamos oferecer uma peruca, esse, é um problema dele, mas, estou prontoa ajudá-lo -é um embirrento

Zé da Esperança

Anónimo disse...

Se é a nosso favor é gente de bem, se tem outras ideias é um traidor idiota. Eis a democracia socialista!!!

Carlos Martins, Neca disse...

Só prova que a sua recente conversão anti-comunista se deve à tentativa de ir ao pote; só espero que lhe aconteça o mesmo que ao João Ratão e se afogue de vez na sua incontrolável ambição.
Voto PS desde 1979, quando fiz 18 anos, mas se o Assis aqui vier a Loulé, espero que venha, vou cuspir-lhe na cara!

Anónimo disse...

Deixem lá o ASSIS, ele até esta a desempenhar um bom papel, o papel de OUTRA LINHA, algo que tinha sempre de ser representado por alguém dentro do PS e para a qual os Alvaros Belezas, os António Galambas e quejandos não tinham gabarito. Assim até anima o debate e contribui para pôr a Catarina e Jerónimo na ordem. Vocês não percebem nada de política e de jogos partidários. Sois uns totós. Tomais cenas de ficção por cenas reais, que se o fossem tirariam todo o interesse e picante ao filme. Isto sim um verdadeiro filme de aventuras. Gozem em paz, como faz o povo que é sereno e anda divertidíssimo. Ah!Ah!Ah!

Leãocavalo disse...



Anónimo, "ele até está a desempenhar um bom papel" de palhaçote, ai disso não temos dúvidas nenhumas...

Anónimo disse...

Viram ontem o "debate" nocturno entre o nosso Eurico brilhante e a Teggy Caeiro? Os dois deputados bon chic et bon genre plenamente de acordo, encantados a enterrar o PS. A Ana Sousa Dias estava a assistir incrédula ao cumulo da traição e da pulhice. Que sim, pois claro, o PS tem uma história gloriosa que ambos querem honrar! ...e depois da "derrota" só têm legitimidade para ser oposição construtiva, que é a única posição ética e responsável, etc, etc. Mas esse Brilhante safardanisca não terá vergonha? Sera que o povo português, incluindo a classe média, não tem direito a ter quem o defenda, tendo de estar entregue por mais 4 anos ao jugo e ao esmagamento duma coligação de direita vendida? Sera que os Brilhantes não entendem que o seu mundinho já mudou, como não podia deixar de ser? Fora colaboracionistas e tachistas sabujos, para nada servem. Andaram a engonhar 4 anos e meio, em expiação da CULPA, a fazer de conta que faziam oposição. Foram corridos e tardiamente. Continuaram a minar e a fazer contra-vapor. Costa concorreu e arrebatou os votos da esmagadora maioria dos militantes e simpatizantes do PS, já se esqueceram? Pode ter muitos defeitos e exitações (quem não tem? não é Deus, mas é um grande politico de visão).É nele que depositamos todas as esperanças desde o amplo centro à esquerda. Merece a nossa confiança. Se Conseguir levar adiante a siua histórica tarefa, só por si já sera um herói. Um homem de visão que decidiu seguir o que o povo português nos disse inequivocamente nas eleições. Um Homem na sua "finest hour", com toda coragem. Boa sorte.