domingo, abril 20, 2008

Uma viagem lamentável


A legitimação das tropelias do Baby Doc




O Presidente da República fez uma visita à Madeira. Não é habitual que um presidente permita que o programa da visita não seja anunciado pela sua Casa Civil. Foi a primeira vez que um presidente da República — garante do funcionamento das instituições democráticas — não é recebido na Assembleia Legislativa e, apesar disso, ainda agradece, num jantar oferecido pelo presidente da Assembleia Legislativa, a oportunidade de ter podido contactar os deputados regionais. Não é admissível que o Presidente da República tenha recebido o governo regional e os representantes das associações patronais na sua residência oficial na Madeira, resignando-se a aceitar receber os partidos da oposição e os dirigentes sindicais, quase clandestinamente, num quarto de hotel. Não é aceitável que o Presidente da República, cuja assessoria andou a dar recados para os jornais de que faria menção ao “clima” que se vive na Madeira, se limite a fazer um discurso laudatório à “obra” de Alberto João no jantar oferecido pelo governo regional. Não é tolerável que o Presidente da República — garante da unidade nacional — não tenha tido uma palavra para as constantes ameaças independentistas da trupe de Alberto João.

Com algum cinismo, Cavaco negou a existência de “défice democrático” na Madeira, porque, se houvesse, disse, os seus antecessores teriam agido. Bem, se o seu modelo de presidência é o do receoso Jorge Sampaio, estamos conversados. E, ainda assim, quando se sabia antecipadamente dos programas das suas visitas, o ex-presidente tinha o cuidado de os alterar…

2 comentários :

Anónimo disse...

Uma atitude cobarde e desprestigiante.

Anónimo disse...

Também lá esteve no jantar de despedida o clone do Pinóquio, não esteve?
Foi lá dar o aval?