domingo, setembro 22, 2013

A mulher de César Crato, a revolução cultural Pingo Doce
e o futuro da investigação em ciências sociais

— Ó Nuno, ainda que sejas quadrineto de um primo em 2.º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde
de Nossa Senhora da Luz
, não achas que estás a ir longe de mais?

1. A mulher do ministro da Educação e Ciência foi nomeada para o Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Confrontada com a situação, a “tutela” — ou seja, Nuno Crato — assevera que a nomeação foi feita à sua revelia. Esperar-se-ia, portanto, que o ministro Crato reagisse a esta deslealdade da secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, que designou a sua mulher sem previamente o informar.

Em rigor, assistimos a sucessivas deslealdades que deixam o ministro em xeque: a primeira terá sido cometida por Luísa Araújo, mulher de Crato, que não informou o marido de que se dispunha a concorrer a um cargo numa instituição que depende hierarquicamente dele; a segunda terá sido praticada pelo conselho directivo da FCT, cujos membros foram escolhidos pelo ministro Crato, que não o alertou para esta bizarra situação; e a última resulta da circunstância de a secretária de Estado da Ciência ter omitido a melindrosa situação ao ministro. Crato, aparentemente, conformou-se com o estado das coisas, não dando sequer um sinal de se ter sentido incomodado com tudo isto.

Estaremos, apesar de tudo, perante alguém que possui um curriculum vitae invejável, uma daquelas carreiras de arrasar que abafam quaisquer atropelos éticos e jurídicos que possam ter ocorrido? Não parece ser o caso.

Com efeito, Luísa Araújo faz parte do corpo docente do Instituto Superior de Educação e Ciências, um politécnico privado situado, ao que consta, ali para os lados da Alameda das Linhas de Torres, à saída de Lisboa, onde se dedica ao ensino da “aprendizagem da língua materna”. Será certamente um área relevante no cocktail de formações que o politécnico privado ministra¹:
    • Cursos de especialização como os de Técnicas de Fotografia, Gestão Hoteleira, Protecção Civil e Socorro;
    • Licenciaturas como as de Óptica e Optometria, Intervenção Comunitária, Engenharia de Segurança do Trabalho e Educação Básica;
    • Mestrados em Design, Artes e Comunicação, Tecnologias Gráficas e Educação e Desenvolvimento Humano; e
    • Pós-graduações em Osteopatia e Terapias Expressivas.

2. O Ministério da Educação e Ciência — ou seja, Nuno Crato — “ressalva” que a função para que foi designada Luísa Araújo não é remunerada. Não é verdade. O n.º 10 do artigo 9º do Decreto-Lei n.º 55/2013, de 17 de Abril, estabelece: “Os membros dos conselhos científicos têm direito, por cada reunião em que participem, à perceção de senhas de presença de montante a fixar por despacho dos Ministros das Finanças e da Educação e Ciência.”

Poderíamos estar perante um eventual caso corriqueiro de nepotismo, mas as mudanças promovidas têm um alcance muito mais vasto, como se verá adiante.

3. Pedro Magalhães chama a atenção, através de vários tweets, para outra bizarria: “O Conselho Científico de Ciências Sociais e Humanidades da FCT é agora presidido por uma antropóloga forense”. Acrescenta o cientista político: “É a chamada interdisciplinaridade. Espero o momento em que o Conselho de Ciências da Vida seja presidido por um linguista.” A extravagância das mudanças conduzidas pelo Ministério da Educação e Ciência leva Pedro Magalhães até a admitir estar a ter um pesadelo: “O Cons. de Ciências Sociais é presidido por uma prof. do Dept. de Ciências da Vida da U. Coimbra. Mas daqui a pouco acordo e está tudo bem.

Antes de Nuno Crato o ter virado do avesso, o Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da FCT era presidido por José Mattoso e dele faziam parte personalidades com curricula à prova de bala, como João Ferreira do Amaral.

Agora, é presidido por Eugénia da Cunha, antropóloga forense, que se faz acompanhar, para além da mulher de Nuno Crato, por figuras como Rui Ramos, famoso por ser co-autor de A História de Portugal em fascículos (brinde do Expresso bruscamente no Verão passado), e João Carlos Espada, que preside a um centro de investigação — o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica — que obteve uma péssima classificação (situação não usual nos meios académicos) na avaliação feita por peritos estrangeiros contratados pela FCT, ao ter sido basicamente considerado um centro de mera propaganda ideológica e política.

4. O Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da FCT é uma estrutura importante, dado o papel fulcral que desempenha no financiamento da investigação científica e do desenvolvimento tecnológico. Veja-se o que dispõe o n.º 6 do artigo 9º do citado Decreto-Lei n.º 55/2013.

Estaremos, assim, em presença de um assalto, levado a cabo pela direita radical, ao centro nevrálgico do financiamento da investigação em ciências sociais em Portugal. Nem a fraca qualidade das suas tropas inibe os neoliberais de consumar o assalto. O propósito da revolução cultural desencadeada por Nuno Crato é ter o poder de seleccionar e financiar as investigações em ciências sociais segundo os critérios da direita neoliberal. O seu sonho é que, um dia, a cultura dominante seja a mistela propagada pela Fundação Pingo Doce, à qual alguns dos membros do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia vão às sopas, incluindo a mulher de Nuno Crato (que aí ensina a aprender uma segunda língua).

_________
¹ Para se ter uma ideia da qualidade do corpo docente deste politécnico privado, veja-se que aí até é dada guarida a Pedro Picoito.

28 comentários :

Anónimo disse...

Estes assaltantes continuam nesta "festa"( e isto sim, é uma festa privada, sem proveito para o povo)porque eles, os assaltantes, sabem que ninguém os incomoda.O Nojeira não leva os profs para a Av. da Liberdade, os Diolindos já não são "parvos, os Homens da Luta querem ser autarcas e por aí fora.

Anónimo disse...

A nível local também se passam bizarrias. Ouvido no cabeleireiro: "a mulher do candidato do PSD à Câmara de Faro também já foi promovida a directora de agrupamento de escolas, ultrapassando outras colegas"!

Anónimo disse...

Restringir o conhecimento para ser mais fácil manipular.

Este Nuno Crato é mais um que não será esquecido.

Anónimo disse...

Mas qual é o espanto?

Quando chegou a ministro já não se lembram de quem é que este sr convidou para ser secretária de estado?

a sra isabel leite. quem é isabel leite? a melhor amiga da mulher do sr crato.

será que a sra isabel leite foi convidada pelo sr nuno crato para a secretaria de estado pelo seu CV ou pela sua competência?

deve ter sido...

RFC disse...

«Licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa onde depois obteve o grau de Mestre em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas. Doutorou-se em 1992, em Matemática Aplicada na Universidade de Delaware, Estados Unidos. Foi professor na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, no Instituto Superior de Economia, na Universidade dos Açores, no Stevens Institute of Technology e no New Jersey Institute of Technology. É desde 2000 professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é catedrático de Matemática e Estatística. Foi também Pró-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa.»

Na Wikipédia. Eis um percurso que é + intrigante do que qualquer outro dos protagonistas da política à portuguesa (o Nuno Crato licenciou-se com a nota de 14 valores, no ISEG). Conseguem meter-se aqui datas e contextos? Se alguém souber.

Nuno Crato na Visão de 14.3.2013 (que nada esclarece, como se vê).

Foi o responsável
pela UEC m-l
e dirigiu o PCP
m.l da zona sul.
Doutorou se em
Matemática é
catedrático no
Instituto Superior de
Economia e Gestão e
presidiu à Sociedade
Portuguesa de
Matemática.
Atualmente
é ministro da
Educação.

Anónimo disse...

Este ministro da educação mete-me cá um nojo.

Sempre que o vejo na televisão dá-me vontade de escarrar no ecrã... Arghhh... Que homenzinho mais pequenino.

E não é só ele. São eles todos. Que governo de merda que nós temos.

Nunca pensei que fosse possível tantos atrasados mentais chegarem a ministros e S.E. na mesma legislatura.

Sabemos que em todos os governos há sempre um ou outro palerma que foi um erro de casting do PM. Mas este governo é quase todo um erro. Só gosto da Miss Swaps mas é por motivos sexuais (tenho um fetiche com a gaja pá...).

E, claro, os palermas não têm noção que o são e que deviam responder ao convite do PM: "Olhe sr. PM, eu agradeço muito o seu convite mas eu jamais poderei ser ministro porque sou um autêntico atrasado mental. Nasci com uma pequena deficiência que é ter o cérebro directamente ligado ao intestino grosso e sempre que falo só sai merda. Por isso, não posso aceitar o seu convite."

Mas estes atrasados mentais são vaidosos e aceitam todos os convites.

E há outro problema. É que esta direita da treta (sem ideologia, só das negociatas) não tem muita gente para convidar. São poucos e muito, mesmo muito fraquinhos. Coitadinhos.

Até tiveram que ir buscar um comentadorzeco te TV para ministro da educação...

Anónimo disse...

RFC, há várias coisas no percurso académico do sr nuno crato e cia que não convém que se saiba.

aliás, a censura na página da wikipedia dessa criatura já foi relatada por diversas pessoas.

mas isso é só a pontinha do iceberg.

nós é que temos um jornalismo de merda e que é completamente corrupto. tão ou mais corrupto que a classe política.

se não fosse assim gentinha desta (e há lá pior ainda) jamais poderia ocupar cargos de algum poder.

mas basta olhar para a missa swaps. em qualquer país minimamente decente esta sra já tinha sido demitida há muito, muito tempo. ou melhor, ela própria sairia pelo seu pé.

vai ser o 2º relvas deste governo.

Anónimo disse...

O homem é doutorado pela universidade de Delaware em matemática (!) ainda por cima (!!!) num país onde a malta é doutorada em futebóis (!!!!) e há coisas suspeitas sobre o curriculo académico dele??? Dá que pensar; quem como o RFC fez um comentário como o de cima, deve ser um medalha Fields...
José

Anónimo disse...


Maoistas de meia-tigela, tal qual como Barroso e Cia.

Não sei para quê disse...

Já agora a proposito de UECml. O João Carlos Espada também era dirigente da UECml

Luís Mendes disse...

Um país anestesiado sem massa crítica é de facto o sonho de todos os Cratos patrocinados por todos os pingos doces.

Anónimo disse...

De facto ..... ao que isto chegou !!!

Anónimo disse...

Esta direita é incorrigível, mas para eles tá tudo bem....

Não foi no tempo do Capucho que o filho foi nomeado diretor de qualquer coisa?

Pois, e qual é o problema?

O problema é quando alguém que não tem os pergaminhos que eles julgam é nomeado para algo...aqui del rei que são de boys para baixo...

Nomearem a família...é da vida

Ele há com cada mafia....

Anónimo disse...

Se ele nomeou os nomeantes dos agora nomeados...

Se a nomeante o faz com uma delegação de competências dele...

...não se pode dizer que o rapaz não tem nada a ver com isso...porque tem mesmo! Quer jurídica, quer politicamente.

Juridicamente tem o poder de supervisão.


E se não o exerceu...então tá mal...deve ser responsabilizado por não exercer um poder-dever.

Anónimo disse...

É a isto que os italianos chamam máfia. E nós chamamos o quê?

Anónimo disse...

A notícia do i é uma vergonha. Para limpar a face do Crato até foram ouvir um jurista militante do PSD de Algés. Fosga-se !

Anónimo disse...

cherchez la femme: ISEC = Prelatura da Santa Cruz e OPUS DEI. E onde se licenciou Vasco Lynce de Faria, chefe de gabinete de Nuno Crato? Lembra-se de uma história sobre o exercício de funções de um diretor-geral dos desportos (Instituto do Desporto) por um não licenciado? Isto anda tudo ligado...

Anónimo disse...

...

Anónimo disse...

E na camara da amadora que há uns anos e ainda recentemente pedem pessoas de uma licenciatura que só existe na fcsh ?

Anónimo disse...

Diz a sabedoria popular que “ o Diabo está nos pormenores…”, e eu concordo!

Três questões a colocar ao Ministro da Educação, Sr. Prof. Nuno Crato.

1.ª Questão:

Do INDEZ 2010 há, pelo menos, três versões:

A) A versão do INDEZ2010 datada de Setembro de 2011 para a qual aliás, expressamente, remete o esclarecimento de 20 de Setembro de 2011 do Reitor da Universidade de Lisboa, Sr. Prof. Sampaio da Nóvoa, sobre os concursos desta Universidade; publicado na News n.º 23; Setembro/Outubro de 2011.

http://news.fm.ul.pt/Content.aspx?tabid=76&mid=517&cid=1629

B) A versão do INDEZ 2010 datada de Outubro de 2011.

http://www.dges.mctes.pt/NR/rdonlyres/896E77DB-6B33-4C44-A42C-72CDB3D71B8F/5817/EstudoINDEZ2010V13.pdf

C) E a versão do INDEZ 2010 datada de Fevereiro de 2012.

http://www.dges.mctes.pt/NR/rdonlyres/896E77DB-6B33-4C44-A42C-72CDB3D71B8F/5922/Relat%C3%B3rioINDEZ2010comUnidOrganicas.pdf

- Assim sendo, porque é que no site da Direcção-Geral do Ensino Superior deixou de constar a versão do INDEZ2010 datada de Setembro 2011, nele apenas constando as versões datadas de Outubro de 2011 e de Fevereiro de 2012 ?

2.ª Questão:

- Atento o enquadramento legal vigente, restritivo de contratações no ensino superior público, como explica o Sr. Ministro que, de 31.12.2008 até ao ano lectivo 2011/12, o número de docentes do ensino superior politécnico público tenha aumentado cerca de 26% ?

3.ª Questão:

- Como justifica que a Direcção-Geral do Ensino Superior não divulgue nem o INDEZ 2011, nem o INDEZ 2012, que reportam dados referentes ao ensino superior público respectivos aos anos de 2011 e de 2012 ?




Anónimo disse...

É a FOLGOZA.

Num ensino superior politécnico público que já anunciava doutoramentos, em parcerias com universidades, o panorama da habilitação dos seus docentes é elucidativo, pelo menos, segundo dados divulgados pela Direcção-Geral do Ensino Superior, “Análise de todos os Docentes em 2008 por Categoria”, INDEZ2008, reportados a 31 de Dezembro de 2008, num universo de 8.181 docentes, no ensino superior politécnico, 35 tinham habilitação ignorada e os demais a seguinte habilitação: - 49 décimo segundo ano ou menos; - 30 Curso de Especialização Tecnológica; - 111 Bacharelato; - 2.796 Licenciatura; - 73 Pós-Graduação; - 3.602 Mestrado; - 1.485 Doutoramento.

Segundo dados da mesma Direcção-Geral, o REBIDES, no ano lectivo 2011/12, no ensino superior politécnico público num universo de 10.284 docentes, 104 têm habilitação não especificada, e os demais a seguinte habilitação: - 66 Bacharelato; - 3. 390 Licenciatura; - 4.255 Mestrado; - 2. 496 Doutoramento.

Ou seja, mais de 75% dos docentes do ensino superior politécnico público nem sequer são doutorados.

Acresce que, de 31.12.2008 até ao ano lectivo 2011/12, o n.º de docentes do ensino superior politécnico público aumentou cerca de 26%.

Não obstante, ser sabido que o n.º de alunos no ensino superior politécnico há muito que tem vindo a decrescer…

A menor qualificação académica dos docentes do ensino politécnico público - em que mais de 75% dos docentes não são doutorados – mas que auferem remunerações equivalentes às dos docentes universitários, independentemente do grau académico de que sejam titulares, ou mesmo de serem titulares de um grau académico – radica no facto de no ensino superior politécnico público não ser necessário que sejam mais qualificados academicamente para ministrarem a sua oferta educativa de Licenciaturas, Mestrados e Doutoramentos.

Ainda que alguns Mestrados – e os Doutoramentos – sejam omissos da oferta educativa divulgada no site da Direcção-Geral de Ensino Superior.

Anónimo disse...

Os Milagreiros!

A Escola Superior de Desporto de Rio Maior cujo custo, em 23 de Março de 2011, já ascendia a 18 milhões de euros…

Foi inaugurada pelo Sr. Ministro da Educação, Prof. Nuno Crato, em 24 Maio de 2013, com um custo anunciado de cerca 13,5 milhões de euros!

Uma tragédia, sem dúvida, para as finanças públicas, ou seja, para nós. Pena é que o ridículo não pague imposto… pelo alívio que dessa cobrança adviria para as famílias portuguesas. As mesmas que fazem as delícias do discurso político deste Governo, sempre predisposto a cortar o poder de compra, e a confundir direitos fundamentais com regalias…

http://videos.sapo.ao/Z8RBcTU8gvd36nQeTpMf

http://semanal.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=587&id=75308&idSeccao=8151&Action=noticia

http://www.youtube.com/watch?v=_epZTM5R1Io

http://www.oribatejo.pt/15-anos-depois-a-escola-de-desporto-de-rio-maior-chegou-a-casa-videos/

Anónimo disse...

Quiçá uma crise não noticiada deste Governo…

No dia 24 Maio de 2013 o Sr. Ministro da Educação, Prof. Nuno Crato, inaugurou as instalações da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, do Instituto Politécnico de Santarém, que ministra Doutoramentos…

Não podia, mas passou a poder ministrar Doutoramentos em parceria com Universidades.

Uma parceria com uma Universidade permite-lhes ministrar o que a lei não lhes faculta, o Doutoramento…

http://www.oribatejo.pt/esdrm-com-doutoramento-em-ciencias-do-desporto/

http://www.oribatejo.pt/15-anos-depois-a-escola-de-desporto-de-rio-maior-chegou-a-casa-videos/

Nos Ciclos de Estudos Autorizados, constantes do site da DGES, não só não consta o Doutoramento em Ciências do Desporto da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, do Instituto Politécnico de Santarém, em parceria com a Universidade da Madeira - anunciado no site desta Escola, em página antes actualizada em 30.1.2013, ora actualizada em 13.9.2013 - como também não consta nenhum Doutoramento em parceria com Politécnicos. Apenas constando: - Doutoramentos em parcerias entre Universidades.

Acresce que o próprio Doutoramento em Ciências de Desporto, de Universidade da Madeira, antes mencionando no n.º 67, ora mencionado no n.º 69 dessa listagem da DGES, porque não acreditado devia ter sido descontinuado…

Se no motor de busca pesquisarem:

Anexo Técnico nVI –UMa – IPS.tif – GPC – Universidade da Madeira

Vão encontrar um ficheiro PDF, que encerra um documento que ficará para a história do ensino superior – PÚBLICO - e nessa medida, caso nele tenham interesse, aconselho que façam a sua impressão, enquanto está disponível. Documento este, que nos permite perscrutar o modus operandi seguido para o Doutoramento em Ciências do Desporto, da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, do Instituto Politécnico de Santarém, em parceria com a Universidade da Madeira. E, com alguma ironia, atentos os “vice-versas” em voga no ensino superior público, concluir até que lhes é muito mais fácil ministrarem Doutoramentos do que Licenciaturas.

Contudo, esta inauguração quiçá provocou uma crise não noticiada no Governo...

Atento o despacho, de 13 de Fevereiro de 2013, do Sr. Secretário de Estado do Ensino Superior de advertência para o cumprimento da lei, relativamente à ministração dos ciclos de estudo conferentes de grau académico. Despacho este, ao qual a Direcção-Geral do Ensino Superior, em 28 de Fevereiro de 2013, deu cumprimento.

http://www.dges.mctes.pt/NR/rdonlyres/A5D453D1-2F67-4980-9ED1-D5505CA3B27E/6873/Esclarecimento2.pdf

Óbvia a questão que se suscita:

- Depois do Sr. Ministro da Educação, em 24 de Maio de 2013, ter inaugurado a ESDRM do Instituto Politécnico de Santarém, o Secretário de Estado do Ensino Superior que produziu o aludido despacho tinha condições para continuar a exercer funções ?

O certo é que, em Julho de 2013, este Sr. Secretário de Estado do Ensino Superior foi substituído.

PS: Ao Sr. Ministro da Educação falta apenas o que é essencial, a divulgação do conteúdo preciso das autorizações de funcionamento dos Doutoramentos (e dos Mestrados) ministrados no Instituto Politécnico de Santarém…

Anónimo disse...

No Distrito de Santarém coexistem 2 Institutos Politécnicos - o de Santarém e o de Tomar.

Segundo os dados divulgados pela DGES, reportados a 31/12/2009, INDEZ2009, o Instituto Politécnico de Santarém, com 318 docentes, tem mais docentes do que a Universidade da Madeira. Inversa é a qualificação académica dos copos docentes, registando o Instituto Politécnico da Santarém 57 doutorados e a Universidade da Madeira, com 222 docentes, 131 doutorados.

A remuneração auferida, em 2009, pelos funcionários (docentes e não docentes), remunerados pelo Orçamento de Estado, na Universidade da Madeira foi de 10,3 milhões de euros e no Instituto Politécnico de Santarém de 11,2 milhões de euros.

Padrão idêntico de funcionamento regista o Instituto Politécnico de Tomar que, com 248 docentes, averba 37 doutorados e em que a remuneração auferida, em 2009, pelos funcionários foi de 10,6 milhões de euros.

Em suma, no Distrito de Santarém o ensino superior politécnico público, em 31/12/2009, somava 566 docentes dos quais 94 doutorados, e dispendeu do Orçamento de Estado, no ano de 2009, com remunerações a funcionários, 21,8 milhões de euros.

Ou seja, em 2009, no Distrito de Santarém com 2 Institutos Politécnicos o Orçamento de Estado em remunerações a funcionários despendeu mais do que despenderia com DUAS Universidades equivalentes à Universidade da Madeira…

Ou, dito ainda de outro modo, quase tanto quanto os 28,4 milhões de euros gastos, em 2009, do Orçamento de Estado com remunerações a funcionários pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que em 31/12/2009 registava 530 docentes - dos quais 350 doutorados.

O índice de (in)satisfação da procura no acesso ao ensino superior, que afere o rácio entre o número de preferências em 1ª opção e o número de vagas disponíveis, em 2000 e 2009 decaiu no Instituto Politécnico da Santarém de 0,82 para 0,46, e no Instituto Politécnico de Tomar de 0,92 para 0,29 (Tabela 43, página 73, “DEZ ANOS DE ENSINO SUPERIOR: 2000-2009”, DGES, Junho de 2010).

Em 2011, o resultado da 1.ª fase de candidatura ao ensino superior nos Institutos Politécnicos de Santarém e de Tomar não foi propriamente uma surpresa: 25 cursos tiveram menos de 10 alunos.

Nem mesmo que 2 cursos tenham tido 0 alunos; 1 curso, 1 aluno; 9 cursos 2 alunos…

Nem ainda que 75 por cento das vagas, nesta 1ª fase, tenham ficado por preencher no Instituto Politécnico de Tomar.

Aliás, em 2010, nesta mesma 1.ª fase, estes dois Institutos Politécnicos tiveram 4 cursos com 0 candidatos, 3 cursos com 1 candidato, 4 cursos com 2 candidatos, 3 cursos com 3 candidatos, 5 cursos com 4 candidatos, 2 cursos com 5 candidatos, 1 curso com 6 candidatos, 4 cursos com 7 candidatos e 2 cursos com 9 candidatos. O que perfaz 28 cursos (em regime diurno e pós-laboral) com menos de 10 candidatos.

Não surpreendeu pois a posição adoptada pelo Presidente do Instituto Politécnico de Tomar, Sr. Prof. Eugénio de Almeida, “…que a ligeira redução do número de alunos não coloca em causa o funcionamento da instituição, nem sequer nos deixa desconfortáveis.” (O Ribatejo, edição de 22/9/2011, artigo “Instituto Politécnico de Tomar 500 vagas ficaram por preencher”, p. 5).

Quando a oferta educativa do ensino superior politécnico público se traduz em licenciaturas, mestrados e doutoramentos, a distinção entre o ensino politécnico e o universitário radica na qualificação académica dos respectivos copos docentes, qualificação esta que necessariamente se reflecte no conhecimento produzido, transmitido e difundido pelas instituições de ensino superior a que esses corpos dão suporte, surpreende de alguma forma que o Ministro da Educação, Sr. Prof. Nuno Crato, esteja a asfixiar financeiramente Universidades públicas de referência, como as de Lisboa e de Coimbra, para manter o ensino superior politécnico público que não se qualificou academicamente e cuja procura é cada vez mais reduzida.

Opção deste Governo. Aliás, já intuída com a inauguração, em 24/5/2013, pelo Sr. Ministro da Educação das instalações da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.



Anónimo disse...

No ano lectivo 2007/2008, com pré-inscrições one-line até 3 de Setembro e candidaturas de 4 a 14 de Setembro de 2007, a Escola Superior de Gestão de Santarém anunciou um Mestrado em Gestão, usando o seu símbolo e o da Universidade de Évora; o Sr. Prof. Carlos Zorrinho, então Coordenador da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, foi o convidado de honra na abertura do que então era noticiado* como o Mestrado em Gestão na ESGS em parceria com a Universidade de Évora; em Janeiro de 2008** a polémica instalou-se: para o Sr. Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Gestão de Santarém, o Mestrado que decorria na ESGS era um Mestrado em parceria com a Universidade de Évora, já para a Sr.ª Prof.ª Marta Silvério da Universidade de Évora tratava-se de um curso de pós-graduação não conferente de grau…

Nos anos subsequentes, o Mestrado em Gestão em parceria com a Universidade de Évora constou da oferta educativa do Instituto Politécnico de Santarém, sem que no site da Direcção-Geral do Ensino Superior se tenha descortinado o mesmo (Mestrado) na oferta formativa do Instituto Politécnico de Santarém.

*O Ribatejo edição de 19/10/2007.
**O Mirante edição de 25/1/2008
http://semanal.omirante.pt/index_access.asp?idEdicao=323&id=40726&idSeccao=4680&Action=noticia

Anónimo disse...

Brutalidades

Mesmo depois do impacto real da situação ter sido minimizado pelo Sr. Ministro da Educação, com a proibição da abertura de licenciaturas que tinham tido menos de 10 alunos, ainda assim é uma evidência chocante o resultado da 1.ª fase de candidaturas ao ensino superior de 2013, em que 44 % dos cursos, nos Institutos Politécnicos públicos, tiveram menos de 10 alunos, e 54 cursos aluno nenhum !

Este resultado, que de surpreendente nada tem, evidência à saciedade que entre a racionalização da rede de estabelecimentos de ensino superior público e a manutenção de um imenso desperdício de dinheiros públicos, o Governo optou pela manutenção do “status quo”, para manter um ensino superior politécnico público que não se qualificou academicamente e cuja procura é cada vez mais reduzida, ainda que esta opção asfixie (financeiramente, e não só…) as Universidades públicas de referência, como a de Lisboa, a do Porto ou de Coimbra…

Apesar do enquadramento legal vigente, restritivo de contratações no ensino superior público, de 31.12.2008 até ao ano lectivo 2011/12, o n.º de docentes do ensino superior politécnico público aumentou cerca de 26%.

Pois bem, surpreendentemente, ou talvez não, já se antevê a contratação de mais docentes para o ensino superior politécnico público! Uma contratação “pontual”, ao que nos dizem. Por ora …

O Governo, face ao descalabro, apressou-se a “tirar da manga” uns novos cursos, desta feita denominados Cursos Superiores Especializados (CSE), para serem ministrados nos Institutos Politécnicos.

Pena é que para as Universidades públicas, os recursos sejam cada vez mais minguados, nomeadamente os financeiros, bem como, que tenha havido a insanidade de tentar cercear-lhes o aumento das receitas próprias, como denunciou o Sr. Reitor da Universidade de Coimbra, em 25 de Setembro de 2013, na cerimónia de abertura solene do ano lectivo.

Mas também ninguém disse que os Politécnicos, essas “estruturas flexíveis” que tudo ministram, não são o ensino superior de referência da 3.ª República.

Estivesse o Governo tão preocupado com a diminuição dos alunos no ensino superior (leia-se nas Universidades), quanto refere o Sr. Ministro da Educação, e as bolsas de estudo seriam concedidas aos alunos, que delas careçam, independentemente da situação fiscal dos seus progenitores.

Qual a culpa de um aluno carenciado para que, em razão das dividas fiscais dos seus pais, não lhe seja atribuída uma bolsa de estudo?

Será que o Governo não compreende que sem culpa não pode haver punição?

Quanta violência gratuita não encerra esta punição que penaliza o individuo em que a culpa não é do próprio, mas aos seus progenitores?

Mas não, face ao descalabro na procura dos Politécnicos Públicos, a preocupação do Governo é como manter no ensino superior do Regime, estas “estruturas flexíveis” que tudo ministram, Licenciaturas, Mestrados, Doutoramentos…

Entretanto, o Sr. Ministro da Educação pede inquéritos!

Começou pela Direcção-Geral de Estatísticas do Ministério para que analise a falta de candidaturas ao ensino superior. Como assinalado, é um 1.º inquérito. Quantos mais se lhe seguirão…?

E para quê? Se é sabido que o descalabro na procura foi nos Politécnicos públicos, e não nas Universidades públicas, bem como que a solução do Governo são novos cursos, denominados Cursos Superiores Especializados (CSE), para serem ministrados nos Institutos Politécnicos…

http://www.noticiasaominuto.com/pais/103752/cursos-superiores-de-curta-dura%C3%A7%C3%A3o-v%C3%A3o-abrir-nos-polit%C3%A9cnicos#.UkUbJT8pivk

http://ucv.uc.pt/ucv/media/abertura-solene-das-aulas-20132014-discurso-do-rei?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+UCV+%28UCV%29

http://economico.sapo.pt/noticias/ministro-quer-investigacao-a-falta-de-candidatos-ao-ensino-superior_178101.html

PS: Melhor fora que o Sr. Ministro explicasse porque é que a DGES não divulga nem o INDEZ 2011, nem o INDEZ 2012, que reportam dados referentes ao ensino superior público relativos aos anos de 2011 e de 2012

Anónimo disse...

E o que dizer das despesas do ensino superior politécnico público tais como, a celebração do aniversário de uma Escola, integrada no Instituto Politécnico de Santarém, com um cruzeiro na barragem do Castelo do Bode, com almoço a bordo e transferes em autocarro ao cais de embarque, para docentes, funcionários e convidados, noticiada pelo jornal “O Mirante”, na sua edição de 18.12.2008, pág. 33, em artigo intitulado “Aniversário da Escola de Gestão celebrado em tom de discórdia”, e pelo Diário de Notícias, na sua edição de 19.12.2008, pág.13, em artigo intitulado “Um passeio à conta dos contribuintes”.

Despesas estas, que não suscitaram um reparo por banda dos órgãos do Estado.

Para os que, como eu, atribuem valor ao simbólico, a subsequente nomeação da Sr.ª Presidente do Instituto Politécnico, pelo Sr. Presidente da República, para a Comissão de Honra das Comemorações do 10 de Junho de 2009, na Cidade de Santarém, teve um significado político. Ademais, conforme noticiado, a Sr.ª Presidente do Instituto Politécnico também desfrutou deste cruzeiro idílico…

Anónimo disse...

Conviria ao Ministério da Educação recuperar as afirmações do representante dos alunos do Instituto Politécnico de Santarém, na cerimónia de abertura do ano lectivo realizada em Outubro de 2010. Por essas (afirmações), somos levados a um universo impensável de férias não gozadas que se traduzem em rendimento; ou explicado de outro modo, nos lautos rendimentos que auferiram Professores aquando da sua reforma pelos dias de férias não gozados acumulados ao longo dos anos em que exerceram funções dirigentes.

Assumindo que houve, em Portugal, Marajás (e não apenas na Índia, em tempos recuados) melhor fora que, em nome da equidade na aplicação dos dinheiros públicos mas também da satisfação das reais necessidades (imensas) do país, circunstâncias como estas não voltassem a acontecer.

Mais, que o mesmo Ministério que supôs impor aos professores a devolução do dinheiro recebido em resultado de um erro na progressão na carreira, que não lhes era imputável, por maioria de razão, usasse de igual exigência com os Marajás e determinasse o reembolso de verbas por eles despendidas em extravagâncias, tais como, com um cruzeiro com almoço a bordo e transfer ao cais, ou com férias não gozadas que se traduzem em rendimento…

http://videos.sapo.ao/dYgrN75qdYhQMMgy07Jg