quarta-feira, dezembro 07, 2011

Uma folha caída na brisa da tarde



Freitas do Amaral é o político mais surpreendente que Portugal conheceu nos últimos 40 anos. Discípulo dilecto de Marcello Caetano, estava fadado para altos voos quando o antigo regime caiu. Sucedeu ao seu antigo patrono na cátedra de Direito Administrativo e muitos lhe auguravam o cargo de presidente do conselho de ministros quando Marcello se retirasse. Não se lhe conhecia nenhum pensamento crítico em relação à Ditadura e foi acordado de surpresa pelo 25 de Abril.

Mas a surpresa rapidamente se transformou em energia. Freitas do Amaral resolveu fundar um partido, o CDS, rigorosamente democrático e situado no centro político, enquanto as coisas não estavam muito bem definidas. A sua conversão ao centro e as balelas que então propagandeava sobre o socialismo catedrático não convenceram os seus sequazes mais próximos, que foram fundando o ELP/MDLP e outras organizações do género e criando relações com toda a extrema-direita portuguesa. Freitas do Amaral continuou a pairar acima destas questões, como um verdadeiro sobrevivente.

Já em tempos de governos constitucionais, Freitas fez uma coligação com o PS para formar governo. Mas também aqui o arrependimento chegou cedo, e mal se perfilou no horizonte uma perspectiva de maioria de direita, o discípulo de Marcello correu para os braços de Sá Carneiro em troca de um lugar de vice-primeiro-ministro.

Insatisfeito com o partido que ele próprio fundou, que não lhe permitia sonhos de grandeza proporcionais à sua ambição, Freitas do Amaral distanciou-se do CDS para se candidatar a Belém contra Mário Soares, o seu aliado de outrora. Estava tudo bem encaminhado, mas perdeu a eleição porque o eleitorado nunca lhe perdoou a falta de autenticidade.

Quando o PS venceu as eleições legislativas, primeiro com Guterres e depois com Sócrates, Freitas do Amaral redescobriu as delícias do socialismo catedrático e acaba por se tornar ministro dos Negócios Estrangeiros de um governo socialista. Mas esta não seria a sua última cambalhota política.

Agora, Freitas do Amaral, ex-discípulo de Marcello Caetano, ex-dirigente do CDS, ex-ministro de um governo PS/CDS, ex-vice-primeiro-ministro de um governo PSD/CDS, ex-ministro de um governo PS, critica os governos de Sócrates a que pertenceu. Não se autocritica, coisa que jamais lhe passaria pela cabeça. Critica esses governos como um espectador, sempre à espera da próxima licitação — como se não tivesse pertencido a um desses governos.

Pelos vistos, está agora em jogo a promessa de um lugar de chairman da Galp, oferecido pelo governo de Passos Coelho. O estarola da São Caetano de São Bento que se cuide, porque, quando o vento mudar, esta folha caída na brisa da tarde voltará a mudar de direcção.

13 comentários :

Anónimo disse...

Basta alguém que tenha trabalhado com a corja socrática falar e dizer as verdades para ser logo atacado pelas "viúvas" mas isto ainda só está no começo quando analisarmos friamente o periodo de 2005-2011 aí sim quero ver o que dizem estes "iluminados".

Rosa disse...

Grande Chico Buarque!
Quanto a Freitas do Amaral, não me surpreende...o seu percurso fala por si...

Anónimo disse...

O homem é uma rolha: sempre a boiar! Nem merece assim tanto empenho e consideração...Mal fez o anterior primeiro-ministro em convidá-lo...

Ze Maria disse...

Anónimo das 11:10: BPN, Buraco da Madeira, Escândalo dos Submarinos,Operação Furacão, etc- só para falar dos mais recentes.
Tudo com paternidade reconhecida e autenticada com o selo de "qualidade" da direita que te (des) governa. Agora deixa-me dar-te uma "grande novidade": O Engº José Sócrates, já foi sufragado, perdeu eleições e está em Paris. Percebeste? ou a democracia é assim tão difícil?

Anónimo disse...

Miguel
O Freitas é mesmo da família da lampreia...

Anónimo disse...

E já o 2º ex-ministro de Sócrates que o responsabiliza pela situação a que o país chegou. Sintomático não?

Anónimo disse...

Sintomático, sim, mas de muita espinhela caída!



Tanta Amélia, neste Brutogal do lixo...


Orange, a TANGA.

Anónimo disse...

Só pode culpar o ex-gorverno do que se está a passar quem não perceber nada desta crise.
Por outro lado, se a maioria das pessoas percebessem o que se está a passar já estavamos em guerra na UE. Enfim...

Anónimo disse...

Haverá sempre uns sodomizados pombos-correios que a mando do chefe falarão da "corja socrática". O que vale é que ninguém liga a um idiota de um pombo.

Anónimo disse...

Tanto disparate, porque diabo não pode o homem criticar com propriedade um governo a que pertenceu? Não o fizeram outros antes? Veja-se o exemplo de Sousa Franco relativamente a Guterres.

Anónimo disse...

A corja coelhistica a falar da corja socrática,...esta merda parece um filme do Fellini...i wanna be sedated!!!

Anónimo disse...

O Sousa Franco não tinha o "curriculum" de saltos ideológico partidários desta lesma que a direita no passado criticou e agora defende, só porque disse mal do Socrates.
Gostava de lembrar aqui a quantidade de arrastadeiras nos blogs de direita que chamaram todos os nomes e mais alguns a Freitas do Amaral quando este foi convidado pelo governo de socrates.
O homem é uma lesma, ponto, não é de esquerda, não é direita e não serve o país mas apenas a si próprio.
Nunca gostei da personagem e sempre me perguntei o que fazia num governo PS. Mas enfim, é verdade, nem Socrates esteve livre de erros, só prova que é humano, ao contrário do bode expiatório a que a direita o quer elevar para esconder a sua própria incompetencia.

Olimpico disse...

Quem restitui a liberdade em Portugal ? Freitas utiliza-a, ainda bem!!!! ( era o que mais faltava, que não fosse assim) Só condeno o oportunismo....se for verdade, que o "caminho" é a GALP ou a candidatura a PR...

NB. Para o anónimo do dia 7, 11,10H.
««Vai ser pior, quando se analisar
o período de 2005/2011....»»

Espero bem que sim!!! e que nessa altura, já estejam julgados e condenados o "gatunos" dos BPN/BPP, submarinos e outros materias deGuerra....) Será isso que pretende vêr resolvido ?HUMHUMHUM