terça-feira, abril 01, 2014

Disparar sobre o subalterno


Num artigo na edição de hoje do Público (intitulado Os jornalistas não podem ser cúmplices de encobrimento), José Vítor Malheiros analisa as relações entre o jornalismo e o poder político, tendo como pano de fundo o «briefing informal» que a Miss Swaps terá encomendado ao pobre secretário de Estado da Administração Pública, para assim pôr em sentido todos aqueles que, no Governo e na maioria parlamentar, estão atemorizados com a provável hecatombe da direita nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Vale a pena ler o artigo.

Sublinho apenas um ponto. A dado passo, José Vítor Malheiros enfatiza a circunstância de Passos Coelho ter desmentido o secretário de Estado, quando afirmou que o que brotou do «briefing informal» era mera especulação: «Ao desmentir o secretário de Estado, Passos Coelho desvinculou os jornalistas de qualquer promessa de confidencialidade que tivessem feito.»

Sendo assim, é estranho que o comunicado conjunto dos directores dos órgãos de comunicação que se fizeram representar no «briefing informal» — acima reproduzido — tivesse feito fogo sobre Marques Guedes, o clarividente ministro que quis instituir o Dia Nacional do Cão, e tivesse poupado Passos Coelho, que foi o primeiro governante (ou coisa assim) a pôr em causa as manchetes dos jornais.

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