sábado, abril 02, 2011
Da série "Frases que impõem respeito"™ [590]
Se um governo de plenos poderes não teve a confiança da Assembleia [da República] com o PEC 4, como pode ter pleníssimos poderes um governo demissionário?
- Gomes Canotilho, constitucionalista, sobre o pedido de "ajuda" ao FMI, o último coelho tirado da cartola pela direita (incluindo Cavaco) [hoje no Expresso, p. 5]
Um gráfico que vale mais do que mil palavras
A prova inequívoca de que o chumbo da actualização do PEC — pelos partidos da oposição — deixou o país à beira do abismo:
Descubra as diferenças
- Cavaco Silva: “Não vale a pena perder tempo com aquilo que os mercados estão a fazer”.
Corte de rating “é exagero muito grande”, diz Cavaco.
Ignorância ou o “vale tudo” da rapaziada da São Caetano?
- 'É verdade que as prolixas Linhas de Orientação para o Programa Eleitoral do PSD, anteontem divulgadas, não passam de um conjunto de generalidades e intenções mal redigidas, ainda sem quaisquer medidas concretas que permitam perceber o que aí virá com o PSD no Governo.
É verdade que fica, de tudo isto (e de múltiplos sinais anteriores), a sensação de que há bastante amadorismo político e impreparação nesta direcção do PSD. Bem como — até agora, pelo menos — um claro défice de propostas partidárias para a governação do país.'
- José António Lima, o insuspeito adjunto do luminoso Sol
Para além do aumento do IVA, Passos Coelho avançou uma outra “medida” concreta: transferir os fundos comunitários afectos à construção de infra-estruturas para o apoio social. Não se sabe o que é pior: se a ignorância sobre as questões comunitárias, se o “vale tudo”, incluindo a mentira mais descabelada, para “chegar ao pote”.
A verdade é que esta “medida” é inaceitável para a União Europeia. Entretanto, Passos Coelho vai andando por aí, assobiando para o lado…
sexta-feira, abril 01, 2011
O presente envenenado da direita
Quer saber o que a direita (incluindo Cavaco) nos quer impingir? Olhe-se para o efeito do FMI na Grécia. Para isso, pode-se ir acompanhando o Twitter de Pedro Moreira, correspondente europeu da TVI.
Só agora o BE deu por isso?
“Entrada do FMI seria um desastre económico”, afirma Fernando Rosas.
O BE concedeu finalmente um bocadinho de espaço ao princípio da realidade. Pena é não se ter apercebido de que a entrada do FMI era uma possibilidade maior depois do chumbo da actualização do PEC e da queda do Governo. A marcação homem-a-homem ao PCP fez com que o BE se estivesse nas tintas para o país (e para as consequências nas condições de vida dos trabalhadores).
O BE concedeu finalmente um bocadinho de espaço ao princípio da realidade. Pena é não se ter apercebido de que a entrada do FMI era uma possibilidade maior depois do chumbo da actualização do PEC e da queda do Governo. A marcação homem-a-homem ao PCP fez com que o BE se estivesse nas tintas para o país (e para as consequências nas condições de vida dos trabalhadores).
O algodão não engana
Depois de o PSD se ter aliado aos outros partidos da oposição para suspender a avaliação dos professores, esperar-se-ia que o Passos Coelho apresentasse hoje, quando visitou uma escola pública, o modelo laranja alternativo. Afinal, a visita serviu apenas para uns piropos avulsos e para uma ida à biblioteca escolar.
Talvez não haja outro tema que revele de uma forma tão nítida quem é Passos Coelho. A questão da avaliação dos professores não é um tema relativamente ao qual um político possa dizer que foi apanhado de surpresa. Trata-se de um dos assuntos mais debatidos na sociedade portuguesa nos últimos anos.
Por isso, quando na entrevista que deu à SIC disse que era preciso distinguir a avaliação professores da classificação dos professores, Passos Coelho revelou que não tem ideia nenhuma de como fazer a avaliação dos professores, mas que é capaz de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça.
É o teste do algodão.
PS — A incapacidade de liderança que esta atitude mostra conduziu a uma imediata reacção por parte dos potenciais rivais internos (Paulo Rangel, Morais Sarmento, Pacheco Pereira, etc.), que viram nisto uma exposição pública das fragilidades da rapaziada da São Caetano.
Talvez não haja outro tema que revele de uma forma tão nítida quem é Passos Coelho. A questão da avaliação dos professores não é um tema relativamente ao qual um político possa dizer que foi apanhado de surpresa. Trata-se de um dos assuntos mais debatidos na sociedade portuguesa nos últimos anos.
Por isso, quando na entrevista que deu à SIC disse que era preciso distinguir a avaliação professores da classificação dos professores, Passos Coelho revelou que não tem ideia nenhuma de como fazer a avaliação dos professores, mas que é capaz de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça.
É o teste do algodão.
PS — A incapacidade de liderança que esta atitude mostra conduziu a uma imediata reacção por parte dos potenciais rivais internos (Paulo Rangel, Morais Sarmento, Pacheco Pereira, etc.), que viram nisto uma exposição pública das fragilidades da rapaziada da São Caetano.
A verdade das contas públicas
Comissão Europeia refere que "o instituto de estatística de Portugal está simplesmente a implementar os métodos contabilísticos europeus".As revisões efectuadas aos défices orçamentais de Portugal nos últimos anos não representam qualquer engano ou mentira, esclareceu hoje o porta-voz da Comissão Europeia.“Não, Portugal não mentiu nas suas estatísticas”, afirmou o porta-voz, quando questionado pelos jornalistas em Bruxelas sobre a revisão dos valores dos défices orçamentais de Portugal nos últimos anos.Citado pela agência Dow Jones, a mesma fonte esclareceu que “o instituto de estatística de Portugal está simplesmente a implementar os métodos contabilísticos europeus”.
Uma manhã cor-de-rosa numa escola pública
Uma funcionária da escola pública a que Passos Coelho foi esta manhã exclamou, quando o viu: "O senhor é bonito". "Sou?", reagiu Passos Coelho, acrescentando: "A minha mulher vai ficar contente de saber que outras mulheres também apreciam o que ela aprecia. Mas sabe que a minha mulher também é muito bonita e tem um sorriso muito simpático? Espero que a possa conhecer um dia".
Dia 1 de Abril
"É um disparate" dizer que o PSD vai acabar com o subsídio de férias, diz Passos Coelho.
Em rigor, não é o PSD. É o FMI. Por isso, a direita está tão ansiosa para que o FMI aterre algures por aí.
Em todo o caso, quem já anunciou esta medida foi António Carrapatoso, o homem encarregue por Passos Coelho de coordenar a iniciativa “Mais Sociedade”. E ainda hoje, em entrevista TSF/DN, Carrapatoso defende:
António Carrapatoso voltou hoje a dizer “disparates”? Se são, porque é que ele fala por estar a trabalhar para o PSD?
Em rigor, não é o PSD. É o FMI. Por isso, a direita está tão ansiosa para que o FMI aterre algures por aí.
Em todo o caso, quem já anunciou esta medida foi António Carrapatoso, o homem encarregue por Passos Coelho de coordenar a iniciativa “Mais Sociedade”. E ainda hoje, em entrevista TSF/DN, Carrapatoso defende:
- • A redução de funcionários públicos (“encontrar na área dos custos de pessoal novas formas para ajustar os recursos de pessoal à dimensão que o Estado deve ter”);
• Tornar “menos generosos” os apoios sociais (como o subsídio de desemprego);
• Atirar-se aos “consumos intermédios” do Estado (que, ao contrário do que o PSD diz, é na sua esmagadora parcela, os gastos dos hospitais públicos);
• Privatizar os serviços públicos de saúde e de educação.
António Carrapatoso voltou hoje a dizer “disparates”? Se são, porque é que ele fala por estar a trabalhar para o PSD?
Viagens na Minha Terra
- • Inversão
• Um pouco mais de imparcialidade, sff
• Especulação
• Cavaco, um presidente institucionalista
• Jornalismo
• Um exemplo de produtividade nula
• A verdade da mentira
• um presidente conveniente
• As duas faces da moeda
• Três considerandos, três perguntas e outras tantas respostas
• Acalmem-se!
• Cavaco fala ao país
• Escutas, por partes III
• Idos de Março
• Sobreiros, FMI e tontos
Uma fábula sem moral (2)
O PSD não quis apresentar medidas alternativas ao PEC IV. Mas afirma que "os compromissos que o Governo assuma para pedir ajuda serão respeitados pelo PSD".
Ou seja: o PSD está disposto a que FMI trace o rumo para o país — e compromete-se a segui-lo à risca. O que o PSD não está disposto é a apresentá-lo e a defendê-lo sozinho.
ADENDA — Vital Moreira: E não queria mais nada?
Ou seja: o PSD está disposto a que FMI trace o rumo para o país — e compromete-se a segui-lo à risca. O que o PSD não está disposto é a apresentá-lo e a defendê-lo sozinho.
- Pedro T.
ADENDA — Vital Moreira: E não queria mais nada?
O mais longo ãããããããh da história da rádio
Maria Flor Pedroso entrevista Miguel Anacoreta Correia, antigo dirigente do CDS e até há poucos dias conselheiro de Estado, por nomeação do Presidente da República. Eis o momento em que, por larga margem, é batido o record do mais longo ãããããããh da história da rádio:
________
¹ O record é batido aos 33 minutos da entrevista.
- Maria Flor Pedroso — Partilha da ideia de Pires de Lima, expressada no congresso do CDS, que não se pode confiar na equipa de Passos Coelho?
Anacoreta Correia — Ãããããããããããããh…¹
________
¹ O record é batido aos 33 minutos da entrevista.
Dois meses e três dias
• Fernanda Câncio, Dois meses e três dias:
- ‘Dir-me-ão que, de um modo geral, as pessoas não sabem o que os partidos em que votam propõem. É certo. Quantos de nós leram programas eleitorais nestas três décadas e meia? Ainda me lembro da primeira vez que o fiz; foi o meu primeiro trabalho jornalístico de estagiária, em 1987. Percebi então que era possível concorrer a eleições com meia dúzia de banalidades (quanto não idiotices) como programa. Continua a ser. Continua a ser possível quase tudo - por exemplo, ver todos os partidos à direita e esquerda do PS, perante um governo demissionário e a meio de um ano lectivo, anular a avaliação dos professores sem ter nada para propor em substituição a não ser o vazio; sem fazerem nem quererem fazer ideia do custo que isso pode, num momento de aperto orçamental, significar (é o regresso às promoções automáticas que vigoravam anteriormente? É de novo o "somos todos iguais e podemos chegar todos ao topo da carreira"?); sem saber o que sucede com as classificações já estabelecidas (anulam-se?). Sim, é possível ver um partido como o PSD, que nesta encarnação já pugnou pelo fim da justa causa no despedimento, arrasar a possibilidade de classificação dos professores segundo o mérito e, mais, não querendo sequer saber os custos, financeiros e outros, disso. Dir-se-ia que o PSD não se imagina a governar, apesar de ser óbvio que o fez para chegar ao governo e que este foi, em termos simbólicos, o seu primeiro acto de governação (independentemente de vir ou não a ser governo). Dir-se-ia que o PSD se habituou de tal modo a ser oposição que sabe apenas ser contra, como o PS, habituado a governar com todos contra si, se especializou na resistência obstinada.’
A senhora Merkel começa a ficar desesperada com o Pedro
"Portugal precisa de uma estratégia clara e de medidas concretas que permitam atingir os seus objectivos ambiciosos em termos orçamentais e de reformas" - insistiu hoje um porta-voz do Governo de Berlim.
Uma fábula sem moral
Quando o Governo foi impedido pelo Parlamento de lançar umas granadas defensivas, o Presidente nada disse.
Vem agora sugerir ao Governo que use a bomba atómica.
Vem agora sugerir ao Governo que use a bomba atómica.
As despesas extraordinárias de 2010
• António Perez Metelo, Ano das coisas extraordinárias:
- ‘Depois do ano da grande recessão, o de 2009, seguiu-se - sabemo-lo agora - o ano das múltiplas coisas extraordinárias. A transferência de três fundos de pensões da PT rendeu a "receita extraordinária" para os cofres do Estado de 2900 milhões de euros. Em contrapartida, foi preciso inscrever no exercício orçamental de 2010 os mil milhões que nos custaram dois lindos submarinos; os 1800 milhões do BPN e mais 450 milhões do BPP, as contas obrigatórias daquilo a que vulgarmente se vem chamando os buracos daqueles dois bancos saqueados; e ainda mais cerca de 800 milhões de perdas de três empresas de transportes detidas pelo Estado. O saldo está à vista, as "despesas extraordinárias" excedem em 1150 milhões (0,7 pontos percentuais do PIB) as receitas do mesmo tipo (…).’
Da série “Temos vários programas, mas poderemos, se não gostarem, arranjar mais”
Segundo o leitor Luís P., que nos enviou o vídeo (com imagens da SIC), Passos Coelho esclarece todas as propostas do PSD (se ainda for com estas que o PSD se apresenta às eleições):
Riscos
• António Vitorino, Riscos:
- ‘(…) não custaria prever que esse movimento de pressão acrescida seria inelutável em virtude da rejeição parlamentar do novo Programa de Estabilidade e Crescimento e da crise política subsequente. Num clima de incerteza tão elevado envolvendo o nosso País, a crise política funcionaria sempre como catalizador das nossas dificuldades de financiamento, fazendo que o cumprimento dos objectivos de ajustamento das contas públicas nacionais (défice e dívida) se tornem ainda mais complexos e dolorosos para o conjunto dos cidadãos. Como veremos, infelizmente, lá mais para o Verão.
Já nos riscos menos previsíveis se insere o impacto da rejeição portuguesa do PEC IV na definição do novo quadro de resposta europeu à crise da dívida soberana, cujas linhas essenciais foram adoptadas no Conselho Europeu de 24 e 25 de Março. Com efeito, este novo quadro tinha uma finalidade essencial: oferecer aos mercados um sinal claro da acrescida capacidade (e vontade) da União Europeia de responder com firmeza às pressões sobre os países sobreendivididados que põem em causa a estabilidade da moeda comum.
Ora, o episódio português e o seu efeito amplificador veio adensar as dúvidas sobre a suficiência da resposta adoptada pela União Europeia, dúvidas essas verbalizadas pelo próprio presidente do Banco Central Europeu. Portugal funcionou durante algum tempo como escudo desta dinâmica de pressão sobre o euro (com um custo assinalável para o nosso país), mas a crise política abriu um fenda na estratégia europeia que comporta riscos acrescidos e imprevisíveis.’
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