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| DN |
Miguel Horta e Costa, que ontem foi interrogado no julgamento da burla das contrapartidas pela aquisição dos dois submarinos, fez xeque-mate ao Governo Barroso/Portas e ao Governo Passos/Portas.
Com efeito, Horta e Costa admitiu que houve “contrapartidas fictícias justificadas e cobertas por facturas”, o que põe em causa o Governo que aceitou
aquele pacote de contrapartidas: o de Barroso/Portas.
Mas Horta e Costa foi mais longe, ao confirmar que a “nova” contrapartida aceite para saldar o que estava em falta é “reconstruir um hotel velho no Algarve…”
Em relação ao Governo Passos/Coelho, Horta e Costa confirmou que a “nova” contrapartida aceite para saldar o que estava em falta é “reconstruir um hotel velho no Algarve…” Ora, como se lê na edição de hoje do
Público, “os 490 milhões de euros em falta nas contrapartidas dos submarinos ficarão liquidados se os alemães da Ferrostaal investirem 150 milhões na
recuperação de um velho hotel no Algarve para unidade de luxo”, sendo que “este montante resulta do acordo assinado em Outubro passado entre o Ministério da Economia e a empresa responsável pelas contrapartidas, o qual substituiu um conjunto de 19 projectos industriais por um único projecto turístico-imobiliário em que o sector da construção será o principal beneficiário.”
Acontece que Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve e até há um mês autarca de Albufeira, põe em causa esta “contrapartida” caída do céu em vésperas do julgamento. Diz ao
Público o seguinte:
• Que acompanhou, “nos últimos dois anos, todo o processo e desenvolvido iniciativas de apoio ao projecto”, o qual prevê que possa chegar apenas aos 50 a 60 milhões de investimento;
• Que “só agora ouvi falar nas contrapartidas dos submarinos, nunca houve qualquer conversa sobre o assunto”.
Por outras palavras, com dois tiros apenas, Miguel Horta e Costa, ex-administrador do Grupo BES, sentou no banco dos réus o Governo Barroso/Portas e o Governo Passos/Portas que promovem investimentos infra-estruturantes como o que aqui se vê. Aguardemos.