Unidos para libertar o futuro
Quando os partidos políticos não têm nada para apresentar a não ser vacuidades, que propõem? Uma
revisão constitucional. Para não ir mais longe, veja-se o caso de Luís Filipe Menezes, que fez da revisão constitucional a bandeira do seu consulado. Ou a “alternativa” de Paulo Portas ao PEC, que não foi capaz de ir além de uma proposta de revisão constitucional (para impor um tecto à despesa pública).
Pedro Passos Coelho não fugiu à regra: quer uma revisão constitucional imediata, rasgando o compromisso entre os maiores partidos de a fazer após as eleições presidenciais, de acordo, aliás, com a vontade de Cavaco.
Mas é através dos tópicos enunciados por Passos para a revisão da Constituição que se percebe a dimensão reaccionária do programa do PSD que vem a caminho, com um ataque sem tréguas às políticas sociais. Para começo de conversa, o novo inquilino da São Caetano à Lapa já fala em “libertar o futuro”:
• Da saúde e da educação públicas, mediante a sua privatização; e
• Das prestações sociais, transformando direitos em dádivas da sociedade, geridas pelas instituições particulares de solidariedade social, a ponto de o representante do PCP no congresso, Armindo Miranda, ter dito que Passos fez um bom discurso para presidente das IPSS, embora o cargo esteja ocupado pelo Padre Maia.
Neste contexto, fazem sentido as palavras de Nuno Melo do CDS, que, entrevistado no final do discurso de Passos Coelho, se mostrava encantado por ver o PSD vir de encontro às propostas da extrema-direita parlamentar.