Não são as palavras controladas dos Nogueiras Leites e afins que dão uma ideia aproximada do que Passos Coelho tem a propor ao país. Para perceber o actual PSD, o melhor é ler o que outros membros do blogue oficioso do passismo — todos eles escolhidos a dedo com enorme alarido — escrevem. O vivo desejo de comunicar com o povo, revelando um modelo de sociedade diferente, tem-nos proporcionado momentos surpreendentes.
Por exemplo, a mobilidade social, como é ela encarada pelo passismo? Veja-se o que se diz, com um incontido entusiasmo, em Hoje vi o futuro numa borbulha:
- ‘Celebrava-se hoje, a escola da minha rapaziada, o dia do seu Santo Patrono.
(…) Foi aqui que entrei em estado de epifania. À medida que os adolescentes borbulhentos começaram entrar, fui invadida por uma ininterrupta sucessão de visões. Por detrás daquelas borbulhas, vestidas de blaser e gravata, vislumbrei os grandes homens de amanhã. Os grandes médicos investigadores, os advogados tubarões, os CEO’s das 100 maiores empresas, um ou outro deputado e até, quiça, um ministro.
A indumentária conferia-lhes um estatuto de pré-pessoa-importante e quase os consegui imaginar com mais vinte anos, com uma respeitável meia dúzia de cabelos grisalhos a discutir assuntos com toda a propriedade.
Depois voltei para casa a sorrir e a tentar imaginar o Marcelo Rebelo de Sousa ou o António Mexia, na idade Clerasil, a fazer gala em pôr a fralda da camisa de fora, numa pífia tentativa de rebeldia.’













