sexta-feira, outubro 31, 2008

Pois é

Enquanto o Bloco de Esquerda se consome a criticar a garantia prestada pelo Estado aos bancos, é salutar verificar que João Rodrigues se distancia desta posição: “a ortodoxia dos bancos centrais na Europa e a ideia de que se pode se pode deixar falir, assim sem mais nem menos, um grande conglomerado financeiro (Lehman Brothers) estão a sair muito caras.

Operações em teatro de paz





1. Os militares andam descontentes: “as questões essenciais – o sistema remuneratório, o pagamento de pensões e a questão do apoio de saúde (aos militares) - não têm sido resolvidas”. Os generais na reforma Garcia Leandro e Loureiro dos Santos avisam que a situação pode levar a reacções intempestivas. O actual chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas reconhece que “há, como certamente em todas as diferentes instâncias do país, problemas e dificuldades e coisas que têm de ser resolvidas”, mas recorda que em causa estão situações antigas e algumas já de “há dez anos e que não vêm do passado mais recente”.

O que é estranho no meio disto tudo é que o Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas, que costuma mostrar-se tão preocupado com “o regular funcionamento das instituições democráticas”, não tenha dito ainda uma única palavra sobre a situação.

2. Por outro lado, se se reparar, os militares sentem-se injustiçados, mas preferem não expor publicamente as suas reivindicações. Algumas são insustentáveis e inadmissíveis no contexto actual.

Barómetro político Marktest/Diário Económico

A sondagem da Marktest comprova que Santana não fez pior e que, no correspondente campeonato da 2.ª Circular, Louçã vai batendo Jerónimo:
    “(…) se as eleições legislativas fossem hoje, José Sócrates contaria com 39,8% dos votos dos portugueses, mais 3,7 pontos percentuais do que registou no mês de Setembro e o valor mais alto que teve este ano. O PSD de Manuela Ferreira Leite conseguiria os mesmos 28,7% (no nível mais baixo do ano) que o partido dirigido por Santana Lopes alcançou em 2005 e o Bloco de Esquerda tomaria o lugar de terceira força política no Parlamento (11,4%).”
ADENDA — Entretanto, foi publicado o estudo de opinião da Eurosondagem para a SIC/Expresso/RR:


Leituras

♪ John McCormack



When You And I Were Young, Maggie

quinta-feira, outubro 30, 2008

Leituras

João Cardoso Rosas, Dogmatismo reforçado:
    “(…) hoje em dia o dogmatismo reforçado parece ter atravessado para o outro lado do espectro político. Refiro-me ao modo como alguns intelectuais neoliberais-conservadores têm reagido à crise financeira e económica. Em vez de admitirem ter errado, eles têm-se esforçado por construir argumentos ‘ad hoc’ para salvar a sua ideologia do confronto com a realidade. Seguem três exemplos.” [cuja leitura se sugere]
Marina Costa Lobo, O Presidente e o veto:
    “Ou seja, o Presidente só veio tardiamente colocar a questão da inconstitucionalidade das duas normas que hoje lhe parecem tão importantes. Das duas uma: ou existe uma estratégia propositada em Belém de abertura de núcleos restritos de conflito com o Governo, ou estamos perante uma sucessão de oportunidades perdidas para a melhoria na feitura das leis.”
Rita Marques Guedes, Mínimo:
    “Razão para dizer que se é para isto, mais valia que a líder do PSD continuasse na sua clausura e no seu silêncio. Sempre se pouparia a si e ao seu partido.”

Frases Respostas que impõem respeito



Manuela Ferreira Leite entrevistada ontem na SIC-N:
    Jornalista — E se o PSD ficar abaixo dos 30 por cento?
    Ferreira Leite — Se ficar, ficou.

Grande capa


Fórmula mágica

Reprodução de notícias takes da Lusa + venda de quinquilharia = redução de prejuízo.

Ora, ora…

Há por aí tanta coisa e o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas anda distraído com as peripécias do jornalismo desportivo.

Entrismo: novas roupagens para velhas ideias




    “Uma política de esquerda é desesperadamente necessária. E isso só será possível quando for possível vencer o PS e portanto transformá-lo.”
      Francisco Louçã, DN

Ovelha negra




Afinal, o PNR e a extrema-direita portuguesa são muito mais arejados do que se pensava. Aquele cartaz das ovelhas é só para disfarçar.

Dando provas de apreciar o multiculturalismo e as migrações, incluindo as ilegais, um destacado militante do PNR, de sua graça António Pereira Frazão, dedicava-se a explorar o negócio de 30 prostitutas em quatro bordéis da Grande Lisboa. O negócio desenvolvia-se na Amadora, Massamá, Linda-a-Velha e Lisboa e contava com imigrantes irregulares, que eram contratadas por duas irmãs brasileiras, ajudantes do skinhead.

Para manter a coerência na actividade profissional, o militante do PNR, a fazer fé na notícia do Correio da Manhã, impunha elevados níveis de disciplina: se as imigrantes fizessem sexo durante menos de 20 minutos ou mais de 40, eram multadas.

O militante do PNR terá enganado o SEF, responsabilizando-se pelas turistas. E para dar uma alegria ao povo português, fazia-as circular pelos vários bordéis, com motorista, para dar uma ideia de novidade.

José Pinto Coelho, o insigne presidente do PNR, já esclareceu, no intervalo das piedosas aulas que ministra no colégio Planalto (propriedade do Opus Dei), que António Pereira Frazão deixará de ser militante se for condenado.

O PCP já não tem o exclusivo das “frentes unitárias”

Salvo Ferreira Leite e os jornalistas, que se pelam por sangue, toda a gente se arrepiou com as declarações de um tal Augusto Morais em nome de uma autodenominada Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas. Não me parece caso para tanto. Quem é este Augusto Morais? Quantos membros tem esta dita associação? Recordam-se do caso do tal António Lóios do PSD, que nunca foi motorista na vida e se autoproclamava representante dos camionistas? Agora o que está a dar é constituir associações para abrir telejornais. Um vizinho meu, que tem uma PME, anda entusiasmado com a possibilidade de aparecer na TV, ele que concorre a todos os concursos e nunca conseguiu ser seleccionado para nenhum.

Viagens na Minha Terra¹

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¹ Em actualização.

Trabalhar prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam

Se quiser conhecer o ranking das escolas, o melhor é ler o DN. O comité de sábios do Público ainda não concluiu a sua análise. O stress, como se sabe, pode provocar úlceras.

Populismo em estado puro





Tinha previsto fazer um post sobre as críticas do PCP e do BE à garantia prestada pelo Estado aos bancos, tanto que havia guardado estas duas imagens retiradas do Telejornal de sexta-feira, no dia em que os principais bancos anunciaram a intenção de accionar a garantia. Entretanto, Vital Moreira, no Causa Nossa, e António Costa, no Diário Económico, disseram o que havia a dizer.

É evidente que a medida tomada pelo Governo é precisamente o meio de evitar que o Estado tenha de gastar dinheiro. Se a demagogia do PCP e do BE é inaceitável, torna-se ainda mais chocante no caso de Francisco Louçã, que, como professor universitário, sabe perfeitamente como as coisas se estão a passar.

♪ Ryuichi Sakamoto



Forbidden Colors (solo piano)

quarta-feira, outubro 29, 2008

Estado da arte

José Narciso Cunha Rodrigues, que antecedeu Souto Moura no cargo de procurador-geral da República, fala pouco em público (pelo menos desde que é juiz do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias). Mas quando fala, é para ser ouvido:

A palavra aos leitores


Jornal de Negócios de hoje



De e-mail enviado por um leitor:
    “Numa altura em que todos os bancos estão a anunciar quebras gigantescas nos lucros, eis que surge uma excepção. Sim, o Santander. Em contraciclo, o Santander apresenta resultados positivos, exactamente no mesmo semestre em que Manuela Ferreira Leite deixou de ser administradora dos espanhóis. Ou seja, o Santander já parece estar a beneficiar da sua saída... Olé.”

O mercado a funcionar¹

A notícia é tão pequenina (no canto inferior esquerdo de um página par) que até escapou ao leitor que costuma chamar a minha atenção para estas ninharias: as vendas do Público continuam em queda. O mais engraçado é que o título da notícia esconde o descalabro: “Imprensa diária generalista cresceu oito por cento em 2008”.

Pois é, mas o Público desceu e está em vias de ser ultrapassado pelo 24 Horas, que por enquanto ainda ocupa o último lugar nos jornais generalistas. Leia-se o Meios & Publicidade para perceber a hecatombe:
    O Público cai 16,2% em Julho/Agosto a média de circulação paga (-7.245 exemplares), encerrando o bimestre com uma média de circulação de 37.488 [dados que a notícia do Público omite]. No acumulado do ano, o Público desce ligeiramente (-1,43%) os seus resultados obtendo uma média de circulação 41.332 exemplares. O segmento fecha com o 24 Horas que vê melhorada a sua performance tanto face ao bimestre anterior (7,4%) como aos primeiros oito meses do ano passado, ao registar uma subida de 11,9%, para os 38.166 exemplares.”
A imprensa diária generalista cresceu, mas não foi com o contributo do Público.

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¹ Título mudado por sugestão de um leitor na caixa de comentários.

Sigamos o cherne

Até Durão Barroso percebe o que Manuela Ferreira Leite, licenciada no tempo em que ainda não se descobrira a sequência do genoma humano, não entende:
    O que tenho a dizer é que é importante não se abandonar projectos de investimento público desde que sejam projectos de qualidade e projectos que promovam o emprego e projectos que promovam a competitividade da economia”.
E, como seria de esperar, ouvem-se cada vez mais vozes no mesmo sentido.

Espectro

Um espectro paira sobre a Europa — o espectro do fim das reprovações, que já contagiou as escolas da França à Finlândia. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o PSD e a Fenprof, Crato e José Manuel Fernandes, os radicais do Hotel Vitória e os neocons da Rua Viriato.

Viagens na Minha Terra

Da série "Frases que impõem respeito" [223]

    “Eu posso ter cometido muitos pecados, mas, de facto, ter feito parte do Governo do doutor Santana Lopes, como diz um amigo meu, não é currículo, é cadastro.”
      Bagão Félix ao Correio da Manhã de 26-10-2008 (citado aqui)

♪ Naked City



Once Upon A Time In America (Ennio Morricone)

terça-feira, outubro 28, 2008

Peniche

Pois é, o porto de Lisboa devia ser rebocado para Peniche. E, depois, fazia-se mais uma linha de TGV junto à costa.

Abrenúncio

É certo e sabido: tudo em que o PPM mete a mão vai à falência. Espero que não dê cabo do Jornal de Negócios.

O passado ainda presente (ou o "modelo económico" da Dr.ª Manuela)





1. O facto de Manuela Ferreira Leite desconhecer que o aumento do salário mínimo nacional (SMN) decorre de um acordo na concertação social acaba por ser um pormenor.

Mais importante do que isso é a circunstância de a sua arrastada declaração, feita nos termos intimidatórios do costume, pôr a nu, mais uma vez, a incongruência do "modelo económico" que defende.

2. Ferreira Leite sustentou ontem que o aumento do SMN provocará uma diminuição da competitividade. Parece esquecer-se de que:
    • O SMN não é o salário médio (sendo desejável que nos próximos anos o salário médio cresça moderadamente);
    • Os países concorrentes também aumentam o SMN (até mais do que Portugal);
    • O SMN pouco subiu nos últimos anos (criando margem para aumentos sem fazer perigar a competitividade).
3. Acresce que se trata de uma situação historicamente inevitável. Portugal tem a maior diferença salarial entre trabalho qualificado e não qualificado por razões históricas (muito poucos licenciados e 90 por cento da população com escolaridade mínima).

À medida que aumenta o número de licenciados e diminui a percentagem dos que apenas possuem a escolaridade mínima (e esta própria está a aumentar), tem de diminuir o leque salarial. Não é nada que não tivesse acontecido noutros países.

4. O SMN é também o melhor instrumento de política social. Não sendo o único instrumento, é no entanto o mais eficaz, porque, ao diminuir a taxa de substituição entre prestações sociais e o trabalho remunerado, faz aumentar o custo de oportunidade de não trabalhar.

É desejável que o SMN suba mais do que as prestações sociais no futuro previsível, de forma a tornar o trabalho remunerado uma opção mais atractiva para os segmentos marginalizados da sociedade. Diminui o apelo da ilegalidade e da informalidade. Também não faz sentido (económico ou moral) tentar melhorar substancialmente a condição dos que não podem trabalhar enquanto houver working poor em Portugal.

5. Por fim, e é aqui que o "modelo económico" da Dr.ª Manuela se revela em todo o seu esplendor, o país não quer nem pode continuar a apostar na especialização em sectores de mão-de-obra barata. A subida do SMN altera os preços relativos.

Desta forma, torna o investimento em bens de capital relativamente mais atractivo e aumenta o rácio Capital/Trabalho, o que resulta em aumentos de produtividade. Os próprios recursos humanos, sendo mais caros, têm de ser melhor aproveitados (geridos). É a via adequada para um aumento da riqueza disponível por habitante.

Depois de tantas proclamações em nome dos pobres, olha-se e vê-se a Dr.ª Manuela de braço dado com a CIP. Tudo está bem quando acaba bem.

Leituras

• José Paulo Esperança, Risco e desempenho:
    “A actual crise financeira veio pôr em causa as convicções mais enraizadas. Quem ontem defendia a redução do papel do Estado e a supressão dos impostos, apressa-se agora a exigir o acréscimo da regulação e a intervenção directa na economia. A "mão invisível" parece ter perdido a sua condição de reguladora harmoniosa da economia, sugerindo a necessidade de intervenção da "mão pesada" do Estado.”
• Pedro Adão e Silva, Investir ou não investir?:
    “Enquanto na entrevista DN/TSF, José Sócrates afirmava que a intensificação da crise internacional deu “mais razões para que todas as obras públicas de modernização infra-estrutural do nosso país se façam, porque não servirão apenas para melhorar a competitividade do país, mas servirão também para no curto prazo garantir que mais gente tem emprego e que mais empresas têm condições para se afirmar na economia”, Ferreira Leite voltou a insistir nos riscos do investimento público. Agora já não na fórmula, “não há dinheiro para nada”, mas numa versão revista em que só devem ser feitas obras públicas quando “não precisemos de ir buscar dinheiro a crédito”.

    (…)

    Convenhamos que, a serem levadas a sério, as afirmações de Ferreira Leite neste fim-de-semana só poderiam ter resultados desastrosos. Utilizar o recurso ao crédito como critério para aferir da bondade do investimento é, no mínimo, uma ideia peregrina. A consequência seria simples: as economias paravam. Aliás, este caminho já foi em parte tentado. Quando Ferreira Leite foi ministra das Finanças, a resposta à recessão foi a contracção do investimento público – o “discurso da tanga” –, o que intensificou o arrefecimento económico.”

Viagens na Minha Terra

CP versus RAVE: mercado ferroviário ao rubro

Quando Isabel Angelino e Eládio Clímaco são contratados pela CP para criticar o TGV.

L’État c’est Moi

Assim vai a vida na pérola do Atlântico.

Insatisfeito por natureza

O Dr. Cluny não se cansa de dizer que os tribunais têm falta de pessoal.

O Dr. Cluny, pessoa preocupada com a produtividade, sempre quis a digitalização dos processos.

O Governo fez-lhe a vontade.

O Dr. Cluny manda dizer que continua preocupado, agora porque teme que a “digitalização dos processos pelas empresas exteriores aos tribunais” possa provocar uma incorrecta recolha de dados.

O Dr. Cluny não mandou dar uma alternativa para uma tarefa temporária que consiste em tratar mais de um milhão de processos pendentes.

O Dr. Cluny mandou criar mais este incidente depois de revelar que não conhece “ao certo quais serão os termos ou condições práticas em que as tarefas vão ser realizadas”.

♪ Art Bears


The World As It Is Today

Freedom (Armed) Peace

segunda-feira, outubro 27, 2008

Conhecer os dossiês — é preciso




Sócrates referiu, na entrevista dada ao DN, que o salário mínimo nacional iria ser aumentado em 2009, atingindo o montante de 450 euros. Manuela Ferreira Leite — que, infelizmente para si, decidiu quebrar o silêncio, tendo subitamente muitas coisas para dizer — saltou que nem uma mola: a declaração do primeiro-ministro “roça muito o nível da irresponsabilidade”.

Acontece que a declaração de Sócrates apenas reproduz o que havia sido acordado sobre fixação e evolução do salário mínimo em sede de concertação social. A Dr.ª Manuela — indo atrás da ignorância dos jornalistas que pensavam que Sócrates tirara um coelho da cartola no fim-de-semana — não sabia. E também já se esqueceu que tinha prometido que o PSD se ia preocupar com a pobreza.

PS — Ao nível da reacção de Manuela Ferreira Leite, só o hilariante comentário do inimitável António Ribeiro Ferreira, que, numa crónica intitulada O medo, sentenciou: “Talvez seja por isso também que Sócrates pode anunciar o aumento do salário mínimo como se fosse a primeira vez. É o verdadeiro regresso ao passado, ao ‘quero, posso e mando’, em que pequenos tiranetes sem nível chegam ao poder pelo medo, legitimados pelo voto.”

De bem com deus e o diabo

O Estatuto dos Açores foi aprovado por unanimidade na Assembleia Regional e na Assembleia da República. Depois de terem sido eliminadas as normas consideradas inconstitucionais, voltou a ser aprovado por unanimidade. Hoje, Paulo Rangel afirmou, como se não tivesse nada a ver com aquelas votações, que o PSD compreende o veto presidencial ao Estatuto dos Açores e espera para "ver se o PS finalmente tem em conta as razões do Presidente". Esta gente pode ser levada a sério?

“O PSD vai pela cartilha neoliberal do Dr. António Borges e do Mourinho do Dr. Cavaco?”

Extractos da entrevista de Luís Filipe Menezes ao Público/Rádio Nova:
    “Bom, eu saí, eles [a direcção do PSD] entraram todos. Passaram já quase seis meses e o PSD afunda-se nas sondagens. Sondagens bem piores do que as do meu tempo.”

    “Qual é o caminho ideológico que o PSD vai seguir. Vai pela cartilha neoliberal do dr. António Borges, do Mourinho do Dr. Cavaco [Alexandre Relvas], responsável pelo Instituto Sá Carneiro e do Compromisso Portugal? Ou quer readaptar o legado social-democrata do tempo de Sá Carneiro ou do início do Governo de Cavaco Silva às novas realidades do mundo de hoje? Não sabemos.”

    «Pacheco Pereira, um mentor desta liderança do PSD dizia há uns meses: “é preciso tirar este Menezes de lá rapidamente porque o poder socialista vai afundar-se tanto que ele ainda ganha. É um perigo. Vai dar ele poder ao Povo, por as pessoas do Porto e de Faro a escolher os seus deputados e a mandar...isto é muito perigoso”. Hoje já diz o contrário, que “a crise é tão grande que ajuda o Eng. Sócrates.”»

    Eles não querem ganhar eleições. Querem continuar a ter os cartões de presidentes de comissões parlamentares para se apresentarem em embaixadas, para continuar a vaguear pela Europa a fazer as suas intermediações de grandes negócios de Estado. É uma classe que a gente conhece bem e que o partido e o país não merecem. Aliás, permita dizer que o eng. Sócrates não pertence a essa classe. Não é que eu seja um defensor deste Governo, que me parece medíocre - e os resultados estão à vista. Mas o eng. Sócrates, do ponto de vista idiossincrático não pertence a essa classe. Só chegou a primeiro-ministro porque estávamos a quatro meses das eleições. Não tiveram tempo de o afastar. Mas também não é querido, nem benquisto nessa classe.”

    Eu sou dos que tenho criticado este Governo por ter atrasado os investimentos públicos. Para mim o investimento público não é necessariamente mau, se for reprodutivo. Precisamos de novas escolas, de modernizar os campus judiciários, de melhorar os transportes públicos nas áreas urbanas e suburbanas. Se o eng. Sócrates tivesse avançado com os investimentos públicos no início do mandato, apesar desta crise toda na Europa Portugal não estaria a crescer 0,6 por cento ao ano. Estaria a crescer um ponto ou ponto e meio acima disso. E não foi estratégia, foi incompetência de alguns ministros e secretários de Estado. O PSD hoje coloca em causa os grandes investimentos públicos. É uma profunda asneira. Nós queremos um crescimento mais virtuoso, assente na economia privada, mas quando este não existe, pelo menos que haja investimento público, que vai ser dinamizador de algum investimento privado e aguentar minimamente a economia. Se fossemos pela conversa da actual líder do PSD – secar ao zero o investimento público –, com a situação em que está a economia seria uma hecatombe do ponto de vista económico e social.”

    “Em relação ao TGV tenho de dizer que acho que os políticos que não mudam de opinião por caturrice, que não vêem os sinais dos tempos e fazem a leitura da realidade não podem ser bons políticos. Já tive muitas reservas em relação ao TGV. Hoje não tenho, principalmente em relação à ligação Lisboa Madrid. Hoje até defendo que deveria haver também uma ligação Porto Madrid, mas essa é outra questão. A Espanha enveredou por esse projecto e tem uma rede tentacular em todo o território. Vai chegar à Galiza, o último dos territórios a atingir.”

♪ Fred Frith/ Iva Bittová/ Pavel Fajt



Morning Song

domingo, outubro 26, 2008

Da série "Frases que impõem respeito" [222]

    “Ao princípio, dizia que não conhecia os estudos das grandes obras públicas projectadas pelo Governo, depois que não conhecia as contas, e, depois, ainda, que não havia dinheiro, pelo que haveria que escolher algumas. Agora já defende outra coisa!”
      Augusto Santos Silva, referindo-se ao facto de Manuela Ferreira Leite ter vindo agora dizer que “os investimentos públicos se podem fazer desde que não haja recurso ao crédito, o que é extraordinário em termos de ciência económica a nível mundial

Os astrólogos




Através de Paulo Querido, cheguei a um post de Rui Curado da Silva, em que são analisadas as adivinhações de Pacheco Pereira e António Barreto para o Expresso. Reproduzindo um excerto, convido o leitor a ler o post na íntegra, que é acompanhado do vídeo da entrevista com “aqueles semblantes austeros a pronunciar sentenças erradíssimas com uma precisão milimétrica sobre o ano de 2008”:
    Neste balanço e perspectivas organizado pelo Expresso em Dezembro de 2007, Pacheco Pereira afirmou categoricamente (aos 2:30 do filme acima) que o preço maior que os portugueses iriam pagar em 2008 adviria do carácter ideológico da política inspirada no Modelo Social Europeu; da universalidade e gratuitidade da saúde, da educação e da segurança social . Ora, pelo contrário, estamos em Outubro de 2008 e os portugueses já perceberam muito bem que vão pagar ao longo dos próximos anos, a preço forte, precisamente a ideologia que Pacheco Pereira tem vindo a defender, essa ideologia do Estado Mínimo, a mesma ideologia que deixou milhares de pessoas idosas sem reformas nos EUA, que obrigou milhares de pessoas modestas a devolver a sua habitação, a mesma ideologia que afundou um país rico e próspero como a Islândia e a mesma ideologia que ofereceu salários e lucros colossais a pessoas sem qualquer actividade produtiva. Por muitos defeitos que possa ter o Modelo Social Europeu, nunca uma catástrofe destas proporções se abateu sobre algum país por oferecer educação, saúde e segurança social de qualidade e quase gratuita aos seus cidadãos.”

O MP já não é um poder feudal?




António Cluny, presidente vitalício do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, entrevistado no luminoso Sol de ontem:
    — Há quem diga que existe uma guerra surda entre o SMMP e o PGR...
    — Não. Mas há muito tempo que não temos contactos directos.

Novo inquérito

"Ferreira Leite resistirá até ao Natal?" A esta questão responderam 175 leitores: 66 (38 por cento) entendem que Manuela Ferreira Leite tem condições para não se deixar contagiar pela antiga síndrome dos treinadores do Sporting; 109 (62 por cento), pelo contrário, consideram que a chicotada psicológica pode ser a única via para debelar a galopante necrose (Júdice dixit) de que padece o PSD.

A nova questão é a seguinte:
    A crise financeira internacional é:

      Uma “qualquer crisezinha” (Ferreira Leite)?
      Uma “crise daquelas que só acontecem de 100 em 100 anos” (Sócrates)?
ADENDA (em 2 de Novembro) — Resultados: 12 por cento dos leitores subscreveu a opinião de Ferreira Leite, tendo os restantes 88 por cento uma posição coincidente com a de José Sócrates.

El País ao Domingo

Leituras

Pondo as leituras em dia:

• Cristina Casalinho, De que falamos quando falamos de crise:
    “Até agora nenhuma medida tomada para evitar o colapso financeiro foi destinada a inverter este fenómeno, que deixa os bancos no limbo. O consumo privado, que representa cerca de 71% do PIB americano (56% na EU), terá de encolher, reconstituindo-se poupança. Sobre os orçamentos das famílias americanas pesa ainda a subida dos preços e das taxas de juro. A pressão sobre o rendimento disponível das famílias também é visível na Europa e no resto do mundo. Embora as famílias europeias estejam menos endividadas, as empresas da UE estão mais endividadas e dependem mais de crédito bancário (cerca de 50% das suas responsabilidades é crédito bancário, contra 30% no caso dos EUA), numa envolvente de acentuadas restrições creditícias. O propulsor do crescimento europeu são as exportações. Efectivamente, o PIB europeu representa 16.1% do PIB mundial (21.3% nos EUA), mas as exportações europeias correspondem a 29.4% das exportações globais (9.6% no caso dos EUA). Olhando para o paradigma de consumo, para a dinâmica populacional e para a dependência das exportações, a Europa configura a possibilidade de um padrão de crescimento nos próximos tempos mais semelhante ao Japão que os EUA, onde a demografia, a mobilidade regional, a flexibilidade de mercados e investimento empresarial menor que o europeu conferem um crescimento potencial superior.”
• Daniel Amaral, Um Orçamento “perfeito”:
    “Dizem-me que este Orçamento é expansionista. Não é verdade. O saldo orçamental sem juros já é positivo e está a crescer, pelo que o orçamento é restritivo.”
    • Fernanda Palma, Tentativa de instigação:
      “Um acórdão recente do Supremo Tribunal de Justiça concluiu que um homem que pagou a outros para que matassem a sua mulher responde por tentativa de homicídio. A decisão só merece destaque porque os executores do crime aceitaram a ‘encomenda’, mas desistiram sem nada fazerem.”
    • Ferreira Fernandes, 'BORDA D'ÁGUA' MANDA NAS PRESIDENCIAIS AMERICANAS:
      «A 4 de Novembro, pois, eu hei-de virar-me para vocês e sussurrar (assim se fala quando se está numa cerimónia de nativos), contando-vos tudo: "Sabem, estes cidadãos do país mais industrial do mundo e com as melhores orquestras sinfónicas votam por regras ditadas pelos camponeses do Kentucky dos meados do século XIX..."

      É, as eleições do único país que já mandou um homem à Lua são regidas pelo Borda d'Água. As presidenciais são em princípio de Novembro porque nessa altura já acabaram as colheitas e ainda não vieram os grandes nevões. Sim, mas em que dia da semana? Ao domingo, não, porque é Sabbath, o Dia do Senhor. E era preciso um dia para ir até à vila de carroça, um dia para dar o voto e um dia para regressar. Fazendo as contas, para nenhum desses três dias ocupar o sagrado domingo, as eleições presidenciais só podiam ser terça-feira ou quarta. Mas quarta era dia do mercado. Ficou terça.»
    • João Paulo Guerra, Leitura :
      “De acordo com dados da avaliação do Plano Nacional de Leitura, ao cabo de dois anos em execução, os alunos estarão a ler mais e melhor e, dessa forma, a contribuir para aperfeiçoar os respectivos resultados escolares. Tal sucesso, a confirmar-se, tem tanto mais significado e alcance quanto esta é uma luta absolutamente desigual.”
    • Nuno Brederode Santos, OS QUE HÃO-DE GUIAR-TE À VITÓRIA:
      “Cego, surdo e mudo, o CDS avança aos tropeções por um corredor cada vez mais estreito e mais escuro. Um dia, Paulo Portas recordará melancolicamente o que foi mandar cada vez mais num partido que era cada vez menos.”

    ♪ Dagmar Krause


    Tank Battles (Panzer Schlacht): Songs of Hanns Eisler

    You Have to Pay

    sábado, outubro 25, 2008

    Claustrofobia democrática

    Vá, desatem lá a chamar-me pró-Governo -- revelando não perceber o que é o Pente Fino nem este post -- a ver se eu me ralo.”

    Sondagem TVI-Intercampus

    Os resultados comentados e anotados por Eduardo Pitta.

    Temos de ser uns prós outros

    Ficou-me atravessada a vez em que fui excessivo com Paulo Pinto Mascarenhas (PPM). A oportunidade de me redimir chegou com a discussão em torno do Plano B, espaço que o Jornal de Negócios lhe pôs à disposição para dar conta das suas excursões pela blogosfera. Aparentemente, o PPM não entendeu o meu acto de contrição: a um comentário melindrado (aqui) seguiu-se um post despropositado.

    A verdade é que há uma hipótese — e é o que preocupa a blogosfera — de salvar o famoso Plano B, lançando mão a um plano de emergência (a escolha da letra para o identificar pode ser deixada ao livre arbítrio do Autor). Para isso, o PPM tem de entender o que está em causa. Por exemplo, se ele se colocasse no lugar de um alto quadro de uma empresa do PSI-20:
      Não se sentiria insultado se lhe oferecessem uma mulher delambida em papel, com uma qualidade de impressão inferior à dos calendários das casas de pneus, quando esses altos quadros podem, num momento de aflição, entregar-se, sem embaraço de maior, a uma massagem tailandesa (talvez coberta pelo seguro de saúde suportado pela empresa)?
      Não se sentiria frustrado, tendo em conta que esses altos quadros têm o tempo contado, se no seu jornal de eleição se visse constrangido a ler algo sobre um tal Gonçalves, cuja obra, eventualmente relevante, é desconhecida, descontada “uma lista de [sic] 100 melhores filmes americanos, a que Gonçalves se refere com a crítica e o humor habituais”?
      Não se sentiria gozado se, com o mundo em sobressalto, o seu jornal de negócios o convocasse a debruçar-se sobre blogues com títulos tão sugestivos como Bitaites, Blogotinha, Crónica do Migas, Horizonte Artificial, Jardinagens, Lena d’Água, Lisboa Oh Yeah ou O Senhor Prendado?
    Pense nisto, PPM. A direita é capaz de fazer melhor — até porque, como não se cansa de sublinhar Pacheco Pereira, é ela, pela ordem natural das coisas, que detém o saber (e a cultura).

    PS — Ia-me esquecendo de um aspecto: num jornal de economia, que se preocupa com o rigor dos números, o estilo adoptado não pode ser o da pequena intriga e do amiguismo do Independente. Até porque, quando a coisa não é feita com conta, peso e medida, há quem se sinta numa situação desconfortável: A blogosfera agora tem o seu Carlos Castro.

    Prematuro considerar um milagre

    O PPM diz que sou “intrigante”, porque consegui «antecipar em "poste" - com a ajuda de Eduardo Pitta, é verdade - o que foi dizer o presidente da ERC ao Jornal Nacional da TVI». Se calhar, não é caso para pensar numa reedição da Cova da Iria.

    Provavelmente, Eduardo Pitta, João Galamba, Azeredo Lopes e eu lemos a edição de ontem do Público (p. 9), na qual Olivier Basille, dos Repórteres sem Fronteiras, se lamentava de os jornalistas portugueses serem pouco participativos: “Foi o número de respostas que conseguimos obter”.

    Agora, resta ao PPM fazer o trabalhinho de casa: dar conta ao Sr. Basille das atrocidades que se cometem neste rectângulo à beira-mar plantado para o amordaçarem. Sem isso, não há milagres.

    ♪ Slapp Happy/Henry Cow



    Europa

    sexta-feira, outubro 24, 2008

    Próximo excomungado da blogosfera portuguesa

    Alan Greenspan: “Cometi um erro ao confiar que o livre mercado pode regular-se a si próprio sem a supervisão da administração”.

    Liberdade de imprensa

    Chama a atenção o Eduardo Pitta: “Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras, Portugal desceu da 8.ª para a 16.ª posição no ranking sobre liberdade de imprensa. Como se chegou a esta brilhante conclusão? Através das respostas de dez jornalistas. Repito: 10. Então e se tivesse sido só um a responder ao inquérito, também consideravam?”

    Não sabemos o que motivou a reacção dos dez jornalistas. Serão jornalistas do Público incomodados com a sectária linha editorial do jornal? Serão estagiários ou jornalistas com vínculos precários, que pululam como cogumelos pelas redacções, alarmados com as pressões dos grupos económicos para que trabalham?

    Se a ideia é levar a sério a opinião destes dez jornalistas, então convém recordar o passado, associando o ranking de cada ano ao governo em funções:





    Os sentinelas da blogosfera deveriam ser mais comedidos a deitar foguetes.

    ♪ Giles, Giles & Fripp (feat. Judy Dyble)



    I Talk To The Wind

    quinta-feira, outubro 23, 2008

    E que tal começar pelo Plano A, que não chegou a ser testado?




    No estado actual da imprensa, os diários económicos são excelentes fontes de informação — ainda que, como é bom de ver, exprimam pontos de vista mais à direita (os dos empresários). Infelizmente, a qualidade da informação não tem correspondência nas suas audiências. É, por isso, natural que a imprensa especializada procure abrir-se ao exterior, criando colunas que alarguem o leque de leitores.

    É neste contexto que me pareceu uma excelente ideia o Jornal de Negócios ter criado um espaço semanal dedicado à blogosfera: Plano B.

    Lamentavelmente, Paulo Pinto Mascarenhas (PPM), a quem foram confiadas duas páginas das edições de quinta-feira para dar conta das peripécias da blogosfera, não está à altura da empreitada. Incapaz de fazer a ponte entre o leitor habitual do jornal e os temas relevantes que se discutem na blogosfera nos domínios da economia, da política, da literatura e das artes, da ciência, etc., o autor fez do Plano B uma coluna sem dimensão, vincadamente sectária, em que alia o mexerico e a intriga a uma superficialidade que leva a abandonar a leitura dos artigos antes do termo do primeiro parágrafo. É pena.

    PS — A imagem que ilustra este post é de uma lambisgóia que dá vida ao artigo central de hoje: «O Pecado Original [blogue da Sexy Net, avisa PPM em maiúsculas] reúne fotografias bastante animadas de mulheres bonitas (…), sendo que as retratadas nunca se apresentam com vulgaridade. O bom gosto é predominante». PPM não deixa escapar o lado cultural da coisa: o «autor, ou autora, (…) acompanha muitas vezes as imagens com pequenos textos de lavra própria, procurando misturar prosa com poesia. Como este: “Fecha os olhos e pede um desejo! Sopra-me manias alucinantes ao ouvido para que me lembre de querer mais do que eu posso ter. Toca a minha vida com a tua mão, faz-me desaparecer o medo que conservo cá dentro. Faz-me voltar à vida numa comunhão de alegria. É uma alucinação… pois que seja o vómito do meu coração que eternamente se expande de prazer até ao cimo de nós. Quero-te!». Exactamente, verso solto ou branco num jornal de economia.

    Os novos camionistas

    À constatação do bastonário da Ordem dos Advogados de que os juízes têm "sede de protagonismo", devido à sua constante intervenção na comunicação social, o presidente do sindicato dos juízes respondeu nestes exactos termos:
      "A obsessão manifestada em atacar os juízes pode ser compreensível por alguma perspectiva psicológica ou psiquiátrica e, para isso, é recomendável que a pessoa em causa se dirija para o efeito para tratar essa obsessão — se o problema se coloca em termos de obsessão. Se o problema se coloca noutro plano que é a pessoa em causa estar apenas e tão-só a servir de peão de brega e de defesa do Governo, como muitas vezes vem fazendo, então a questão é muito mais preocupante (…)".
    É bom ir acompanhando o percurso do independente, isento e objectivo juiz desembargador António Martins, que assume que a sua função não se restringe à defesa das reivindicações sindicais da magistratura judicial, seja isso lá o que for. E que, para tanto, prepara um congresso dos juízes subordinado ao lema "Um Poder Judicial numa Democracia Descontente". Lá que faz lembrar a conversa dos camionistas de Santiago do Chile — faz.

    Leituras

    Manuel Caldeira Cabral, As exportações e a crise:
      “Os mercados europeus que escoam 75% das exportações portuguesas estão em abrandamento ou mesmo em recessão. Será que isto afecta as exportações portuguesas? Claro que afecta. Mas será que este facto é suficiente para determinar que as exportações do País vão cair em 2008 e 2009, e que o défice externo ainda se vai agravar mais? Eu penso que não.

      O abrandamento da economia europeia não provocou até agora uma diminuição das nossas exportações. Aliás, o crescimento das exportações para os mercados extra-comunitários continua a bom ritmo, mesmo com as perdas verificadas nos EUA. E a redução dos preços do petróleo e das matérias-primas podem ajudar ao reequilíbrio externo, e dar alguma folga aos consumidores portugueses. A desvalorização do euro também pode ajudar, dando mais competitividade externa dos países da Eurolândia.”

    ♪ Peter Hammill



    Too Many of My Yesterdays

    quarta-feira, outubro 22, 2008

    Possidónios

    Possidónio, s. m. Deprec. Político sertanejo que só vê a salvação da pátria na supressão de todas as despesas públicas.
    (Dicionário de Francisco Torrinha, Porto, 1954)

    A táctica do Mourinho do Presidente

    A entrevista de Alexandre Relvas ao Diário Económico de segunda-feira não se afasta do discurso rotineiro de Ferreira Leite. É uma conversa sem custos para o entrevistado, sobretudo quando nenhum jornalista se lembra de lhe colocar, depois de cada sentença, uma questão muito simples: “como faria isso?” Estou a pensar, por exemplo, na oposição aos investimentos públicos, quando o presidente do Instituto Sá Carneiro se refere, ao mesmo tempo, à necessidade de combater o desemprego.

    Em todo o caso, Relvas reconheceu que este governo merece ser apoiado em áreas como “a reforma da Segurança Social, o Simplex, as Novas Oportunidades, o Sistema Social da Função Pública ou a redução do número de funcionários públicos.

    Mas talvez o momento alto da entrevista tenha acontecido quando o Mourinho do Presidente da República decidiu fazer uma confissão inesperada: “É fundamental um governo de maioria em Portugal.” Ora, tendo em conta os resultados de todas as sondagens, esta intempestiva, mas inequívoca, declaração de voto há-de estar a provocar calafrios para os lados da Marmeleira.

    A "crisezinha" (Ferreira Leite na TVI)


    [via Dani Rodrik]

    Leituras

    Alfred Gusenbauer, "La Strada" em Wall Street:
      «Os partidários do neoliberalismo não só assumem que os Estados devem ser dirigidos como empresas, mas também que, na medida do possível, não devem intervir na economia. O mercado, insistem, regula-se sozinho. No entanto, há mais de 50 anos, Paul Samuelson, laureado com um prémio Nobel, contradisse esta idealização dos mercados em termos gráficos: a liberdade absoluta dos mercados fará com que o cão de Rockefeller receba o leite que uma criança pobre precisa para o seu desenvolvimento saudável, não devido ao fracasso dos mercados, mas porque "os bens vão parar às mãos de quem paga mais por eles".»

    Viagens na Minha Terra

    ...

    Vindo de quem vem, sabe bem: "O Câmara Corporativa é um dos melhores blogues musicais cá do burgo."

    ♪ John Fahey



    How Green Was My Valley

    terça-feira, outubro 21, 2008

    O alarido em torno do populismo de Santana

    Só um país distraído pode ser apanhado de surpresa pela escolha de Manuela Ferreira Leite para Lisboa:
      • Um partido que vive no melhor dos mundos com Alberto João Jardim, presidente do maior partido de extrema-direita em Portugal, por que carga de água iria agora opor-se a Santana Lopes?

      • Uma presidente que confiou a sua campanha para a liderança do PSD a Helena Lopes da Costa, vereadora de Santana Lopes, e a António Preto, por que carga de água iria agora opor-se a Santana Lopes?

    O que as sondagens não captam

    A propósito da votação do CDS-PP nos Açores, que superou os resultados das sondagens, tenho acompanhado uma interessante troca de opiniões entre Pedro Magalhães e Diogo Belford Henriques (DBH). A conversa está sintetizada aqui.

    DBH lamenta que as sondagens apresentem sistematicamente o CDS-PP como o partido do táxi quando depois a realidade mostra que se trata de um minibus (salvo no caso de Lisboa, em que Telmo nem de triciclo foi lá). Pedro Magalhães explica, com uma enorme paciência, que “os estudos deste género resultam de compromissos entre o ideal e o possível.”

    Tenho há muito tempo a convicção de que há uma razão para as sondagens revelarem valores subestimados para o CDS-PP: a vergonha de dizer que se vota no CDS-PP. Esta diferença não se resolve com o envio de hordas de inquiridores para todas as ilhas (no caso dos Açores). Talvez fosse preferível a deslocação de psicólogos.

    Mentes que brilham

    Informam-nos os jornais que Paulo Teixeira Pinto tem um plano infalível para reformar a Universidade portuguesa: contratar uma mão-cheia de prémios Nobéis e assegurar assim a presença de uma no ranking das 100 melhores do mundo.

    Acrescentou na ocasião Teixeira Pinto que a contratação de um Nobel custa menos do que a de um bom jogador de futebol. Eu diria antes que vinte Nobéis custam menos do que um mau administrador do BCP no tempo em que ele presidia à instituição, mas cada qual escolhe as comparações que prefere.

    De modo que, na maneira de ver dele: a) deveríamos desistir de todas as restantes universidades em troco de um só lugar no ranking e b) uma universidade resume-se a meia dúzia de professores.

    Brilhante. Já perceberam agora por que é que Jardim Gonçalves o escolheu para homem de palha?

    “O PSD no seu melhor”





    A presidente do PSD garante que a discussão em torno da candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa, num momento em que a prioridade do partido é o debate do Orçamento do Estado, é um facto lamentável, mas que representa “o PSD no seu melhor”.

    Se não me falha a memória, o tema tem sido agitado nos media por Pacheco Pereira e Morais Sarmento — ou seja, pelo ideólogo da Dr.ª Manuela e pelo presidente do conselho de jurisdição do PSD (eleito nas listas do um terço mais votado). Eles não se reúnem na São Caetano para discutir estas (e outras) questões?

    Viagens na Minha Terra

    ♪ Leo Kottke



    Louise

    segunda-feira, outubro 20, 2008

    A vida na TV do cardeal

    Cartas na Mesa da TVI teve uma vida breve. Ressuscitou hoje. Manuela Ferreira Leite abrilhantou a efémera primeira série do programa e voltou hoje para lhe dar lustre. A estratégia do silêncio é, de facto, a que melhor se ajusta à líder do PSD.

    Da série "Frases que impõem respeito" [221]

      “[Há] uma realidade que escapa para a qual não há resposta [do Ministério Público], talvez não tanto pela falta de meios, mas pela falta de propósitos”.
        Alípio Ribeiro, na sua tomada de posse como inspector do Ministério Público, ao fazer algumas críticas a esta estrutura, considerando urgente “uma nova dinâmica” para que sejam “alcançadas respostas adequadas e socialmente perceptíveis”

    Prémio Dardos

    Agradeço à outra Câmara, a de Comuns, e em especial ao Paulo Ferreira, a distinção.

    Teses

    António Vilarigues lamentava-se — há dias, no Público — que ninguém lia as Teses aprovadas por unanimidade pelo comité central do PCP, muito embora ninguém se sentisse inibido de as comentar. Estou em condições de garantir que há um cidadão que as leu e não gostou do que leu: Octávio Teixeira.

    Alberto João, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal e a liberdade de imprensa



    Aqui.

    Ao deitar fora jornais

    Lopes de Sá, o professor mais conhecido das ciências contabilísticas (acho que é assim que se diz) do Brasil, em entrevista ao DN:
      Quais os principais interessados na falha e deturpação legal da contabilidade?

      São os grandes investidores. Os que fazem as manobras contabilísticas, os que produzem falsos prejuízos para que se consiga vender as acções. Com a mesma norma produz-se falsos lucros e neste jogo interessa que as normas sejam maleáveis...

      Bancos e especuladores estão na primeira linha...

      Sim, as classes dominantes. Investiram muito dinheiro e hoje as próprias nações transformaram essas normas em lei por acção de lobbies e das transnacionais.

      Como se chegou a esta produção de normas contabilísticas?

      O sistema de produzir normas é hermético. Só os lobbies têm acesso. Quem orquestra isto? Está tudo nas mãos das multinacionais de auditoria. Porquê? Porque representam as multinacionais económicas, grandes bancos que estão interessados na manipulação. Os interesses dominam a produção das normas. Warren Buffett - que investiu recentemente na Goldmam Sach - declarou, ostensivamente, que não se deve confiar num balanço baseado nessas normas. Ele escreveu um artigo a propósito: "Alice no país das maravilhas da contabilidade."

      O que, tarde ou cedo, acaba por prejudicar o elo mais fraco do mercado, menos avisado, os pequenos investidores...

      Que só vê a conta de resultados, se dá lucro ou prejuízo. O investidor mais pesado quer saber mais informação.”

    ♪ The Zutons



    Confusion

    domingo, outubro 19, 2008

    A mulher que viveu duas vezes




    Em breve num computador perto de si.

    O dilema dos liberais e elitistas

    Criado por dissidentes do antigo regime, mais preocupados com os efeitos do condicionamento industrial do que com a ausência de liberdade e democracia, o PPD/PSD resultou de um apressado acasalamento de conveniência entre as gentes dos negócios e da lavoura, assente nas “forças vivas da Nação” (vindas em boa parte da Acção Nacional Popular).

    Não obstante a posterior recomposição da base social de apoio do PSD, consequência do progressivo abandono dos campos e a crescente importância do “poder local”, a verdade é que as fissuras entre os “liberais e elitistas” e o “circuito da carne assada” tendem a acentuar-se.

    O Filipe Nunes Vicente deixa subentendido que a cisão entre o PPD e o PSD pode vir a caminho — e que estará em curso, neste momento, a avaliação do “risco”: “Em casa nova não há luxos nem mordomias.” Pois é, mas há o problema de uma implantação reduzida (dez a 15 por cento?).

    Prémio

    Antes da escolha do José Simões, o CC já havia tido uma nomeação para o Prémio Dardos. Agradeço ao Cãocompulgas, ao mesmo tempo que peço desculpa por a nomeação me ter escapado.

    Paul Krugman

    ¿Quién era Milton Friedman?:
      “La historia del pensamiento económico en el siglo XX es algo parecida a la del cristianismo en el XVI. Hasta que John Maynard Keynes publicó su Teoría general de la ocupación, el interés y el dinero en 1936, la ciencia económica -al menos en el mundo anglosajón- estaba completamente dominada por la ortodoxia del libre mercado. De vez en cuando surgían herejías, pero siempre se suprimían. La economía clásica, escribía Keynes en 1936, "conquistó Inglaterra tan completamente como la Santa Inquisición conquistó España". Y la economía clásica decía que la respuesta a casi todos los problemas era dejar que las fuerzas de la oferta y la demanda hicieran su trabajo.

      Pero la economía clásica no ofrecía ni explicaciones ni soluciones para la Gran Depresión. Hacia mediados de la década de 1930, los retos a la ortodoxia ya no podían contenerse. Keynes desempeñó la función de Martín Lutero, al proporcionar el rigor intelectual necesario para hacer la herejía respetable. Aunque Keynes no era ni mucho menos de izquierdas -vino a salvar el capitalismo, no a enterrarlo-, su teoría afirmaba que no se podía esperar que los mercados libres proporcionaran pleno empleo, y estableció una nueva base para la intervención estatal a gran escala en la economía.

      El keynesianismo constituyó una gran reforma del pensamiento económico. Inevitablemente, le siguió una contrarreforma. Diversos economistas desempeñaron un papel importante en la gran recuperación de la economía clásica entre los años 1950 y 2000, pero ninguno fue tan influyente como Milton Friedman. Si Keynes era Lutero, Friedman era Ignacio de Loyola, el fundador de los jesuitas. Y al igual que los jesuitas, los seguidores de Friedman han actuado como una especie de disciplinado ejército de fieles y provocado una amplia, pero incompleta, retirada de la herejía keynesiana.”
    La hora de la política fiscal:
      “El Dow Jones se dispara; no, se desploma; no, se dispara; no, se...

      No importa. Mientras el maniacodepresivo mercado de valores domina los titulares, la historia más importante son las lúgubres noticias que llegan sobre la economía real. Ahora está claro que rescatar a los bancos es sólo el principio: la economía no financiera tiene también una desesperada necesidad de ayuda.

      Y para proporcionar esa ayuda vamos a tener que dejar de lado algunos prejuicios. Está políticamente de moda despotricar contra el gasto estatal y pedir responsabilidad fiscal. Pero ahora mismo, un mayor gasto estatal es justo lo que el doctor receta, y las preocupaciones sobre el déficit presupuestario deben ser dejadas en suspenso.”

    Da série "Frases que impõem respeito" [220]

      “Muito criticado por heterodoxo e demasiado anti-mercado.”
        Marcelo Rebelo de Sousa sobre Paul Krugman [Sol de ontem, p. 55]

    Prémio Dardos




    O José Simões do DER TERRORIST, que já acompanho há algum tempo, atribuiu-me um prémio, que agradeço. A aceitação do prémio obriga a que agora seja a minha vez de escolher 15 outros blogues. Aqui fica a minha escolha, tendo tido o cuidado de tentar seguir o percurso do prémio para não sobrecarregar alguns blogues:

    Andar à boleia como modo de vida


    Leituras

    • Nuno Brederode Santos, A MORTE DE CLEÓPATRA:
      “Encontraram-se, portanto, nas supostas conveniências do imediatismo. Santana escolheu bem: o curto prazo é o terreno onde o predador político pode ter por armas a rapidez e o improviso. Mas MFL escolheu também - e mal - o curto prazo. Provavelmente porque já se convenceu de não ter outro.”

    ♪ My Morning Jacket



    Bermuda Highway

    sábado, outubro 18, 2008

    Leituras




    • Alexander Ellis, Embaixador do Reino Unido, escreve sobre A crisofilia:
      “Há uma canção do Noel Coward dos anos 50, que se chama "There are bad times just around the corner", que tem no fim de cada verso a expressão "Hooray, horray, misery is here to stay". Uma vez, disse a um amigo meu português que a canção podia ser adoptada como um fado português.

      Porquê? Porque nunca vivi num pais onde a palavra "crise" fosse tão usada. Conheço Portugal há 16 anos e em todo este tempo já houve uma crise do sector imobliário, uma crise do petróleo, uma crise política, uma económica, uma no futebol (sou sportinguista, por isso conheço bem este estado de espírito). Há sempre uma crise.

      É normal que a comunicação social goste da palavra; assim normalmente vendem-se mais jornais, atraem-se mais ouvintes e telespectadores. É tambem normal que os partidos da oposição adoptem a mesma táctica, com a lógica que se houver uma crise, tem que haver uma mudança de governo.”

    Do Terreiro do Paço…



    … ao Palácio dos Bandeirantes.