[versão portuguesa disponível na imprensa da manhã]
“Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses, ainda não se sabe quando haverá um novo Governo.”
— Carlos Moedas, no dia em que foi chumbado o PEC 4
Quarta-feira, Março 31, 2010
O pêndulo muda de direcção
Ângelo Correia foi à SIC e, com a autoridade natural de quem realmente manda, foi muito clarinho: "Se a ideia era condicionar [a nova liderança do PSD] a resposta é não".
E logo ali ficámos a saber que a ideia da nova liderança do PSD é condicionar o Presidente da República.
_____________
De permeio, Ângelo ainda anunciou a um embasbacado Crespo que Pinto Balsemão será convidado a presidir a um novo órgão a anunciar no Congresso do PSD.
Fica, pois, arrumada aquela coisa desagradável de Bilderberg...
E logo ali ficámos a saber que a ideia da nova liderança do PSD é condicionar o Presidente da República.
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De permeio, Ângelo ainda anunciou a um embasbacado Crespo que Pinto Balsemão será convidado a presidir a um novo órgão a anunciar no Congresso do PSD.
Fica, pois, arrumada aquela coisa desagradável de Bilderberg...
Porque será?
Anda tão irritadiço, o João Gonçalves.
Os golpes baixos do 'boxeur'
Nos dias que correm, qualquer palerma pode dizer o que lhe vem à cabeça que qualquer palerma acredita.
Que isto se passe no Parlamento é da ordem do banal.
Por exemplo, um 'boxeur' chega a uma pré-comissão de inquérito e diz uma mentirola. Sai em ombros.
No Parlamento, ou fora dele, ninguém se dá ao trabalho de desmontar a mentirola do 'boxeur' - Leite Pereira já era director, de facto, do Jornal de Notícias quando o 'boxeur' passou pelo Governo.
Não é que saber e contar a verdade dê muito trabalho, não dá é jeito para a teoria que se quer montar...
Que isto se passe no Parlamento é da ordem do banal.
Por exemplo, um 'boxeur' chega a uma pré-comissão de inquérito e diz uma mentirola. Sai em ombros.
No Parlamento, ou fora dele, ninguém se dá ao trabalho de desmontar a mentirola do 'boxeur' - Leite Pereira já era director, de facto, do Jornal de Notícias quando o 'boxeur' passou pelo Governo.
Não é que saber e contar a verdade dê muito trabalho, não dá é jeito para a teoria que se quer montar...
Terça-feira, Março 30, 2010
Kenneth Starr da Marmeleira¹
O Ken indígena está como peixe na água. O neoconservadorismo também tem os seus mártires.
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¹ Direitos de autor para Pedro Adão e Silva.
Sem emenda
Parece pacífico que o ritmo de destruição dos sectores económicos em que predomina a mão-de-obra barata e a baixa tecnologia é ainda superior ao ritmo de criação de empresas de maior valor acrescentado, assentes em qualificações elevadas e numa forte base tecnológica.
"Desemprego atinge sobretudo baixos salários", o trabalho de João Ramos de Almeida que o Público hoje edita, tem alguns dados interessantes, mas não relaciona as variações no emprego com as profundas mudanças ocorridas no tecido económico. O trabalho está na linha a que o Público nos habituou.
Isto, sim, é uma conspiração a sério
Então não é que o New York Times está apostado em ensombrar a visita do Papa a Portugal?
Tridente & Arpão: ainda diz Louçã que não houve contrapartidas

Spiegel Online:
- ‘Corruption Investigation: Germany's Ferrostaal Suspected of Organizing Bribes for Other Firms
(…)
The current internal corruption scandal at Ferrostaal revolves around the delivery of two Type 209 submarines to Portugal. Ferrostaal, which had bid against submarine builder HDW and shipbuilder Thyssen Nordseewerke, won the €880 million contract in November 2003 -- with the help of bribes and a number of phony consulting contracts.
According to the investigators' files, a Portuguese honorary consul approached one of the Ferrostaal board members in 1999. The man allegedly said that he could be helpful in the initiation of the submarine deal. According to the files, the honorary diplomat demonstrated his influence by setting up a direct meeting in the summer of 2002 with then Prime Minister José Manuel Barroso.
The Ferrostaal executives in Essen were apparently so impressed that they signed a consulting agreement with the honorary consul in January 2003, in return for his "constructive assistance." Under the agreement, the Portuguese diplomat was to be paid 0.3 percent of the total contract volume if the deal went through.
The consul ended up collecting roughly €1.6 million, which the investigators see as a clear violation of his duties as a diplomat.
But it appears that Ferrostaal did not rely solely on its advisor's good connections to bring about the submarine deal. It is believed that a consulting agreement was concluded between Ferrostaal and a partner, on the one hand, and a rear admiral in the Portuguese navy, on the other. The deal, most recently, was worth €1 million.
A Portuguese law firm is also believed to have played a role in ensuring that that the contract was awarded to Ferrostaal, and that plenty of bribe money was paid in return.
Prosecutors have already identified more than a dozen suspicious brokerage and consulting agreements related to the submarine deal. According to the investigation files, all of these agreements were designed "to obfuscate the money trails," so as to pass on payments "to decision-makers in the Portuguese government, ministries or navy."
It appears that, in the end, Ferrostaal paid so many consulting fees that not much was left in the form of profits from the submarine deal.’
A primeira oportunidade para causar boa impressão
Qual foi a escolha do novo líder do PSD para debater com José Sócrates no primeiro debate parlamentar da nova era?
Da série "Frases que impõem respeito"™ [432]
é muito melhor ver PPC atacado pelos profissionais do Corporações do que pelos amadores de alguma bloga laranja.
Viagens na Minha Terra
- • Damos 5 € pela sua antiga líder
• Quando a nossa Helena continua a tropeçar
• E se o PR fossse apanhado numa conspiração contra o Governo, e se o PR instrumentalizasse um meio de comunicação para fins políticos, e se o PR perdesse a confiança política dos outros Órgãos de Soberania e, de caminho, de boa parte do povo?
• Coisas difíceis, senão mesmo impossíveis de entender
• O verdadeiro Passos Coelho
• Tribunais e Estado Novo
• Não chega ter opinião sobre tudo: é preciso alinhavar uns argumentos
Da série “Vira-casacas”
O choque tecnológico da anterior legislatura teve um tal impacto que modificou os usos e costumes das mais empedernidas criaturas. Neste divertido Portugal dos pequeninos (o dos crescidos fica para mais tarde), os salamaleques virtuais substituem a contento os cartões de felicitações do Estado Novo: “O dr. Passos Coelho tem aqui uma excelente oportunidade para mostrar que já manda (…).”
Segunda-feira, Março 29, 2010
As reprimendas de Helena
Helena Matos está numa fase da vida em que gosta de ralhar. Desta feita, folheando o Correio da Manha, saiu um raspanete para Ali Agca: “Se tivesse apostado em ser bispo era mais fácil dar largas a esta vocação de influenciar na escolha dos papas.” Ai se Ali descobre que, como acontece com inusitada frequência, a nossa Helena está equivocada.
Homens e mulheres de sorte [4]
Se a carreira de entertainer do Prof. Marcelo está coroada de êxitos, a sua carreira política tem sido um inequívoco fiasco: umas vezes, chega cedo de mais; outras vezes, atrasa-se ou hesita em meter o pé na porta antes que qualquer outro o faça.
A maioria das pessoas mostra-se naturalmente indiferente aos percalços do Prof. Marcelo. Uma há, porém, que certamente torceu para que os planos do político-comentador saíssem, uma vez mais, furados: a investigadora emérita Filomena Mónica — que, de resto, tem o sentido prático de preferir o Feira Nova à Feira do Livro.
Tendo em conta que, na sequência dos últimos acontecimentos, o Prof. Marcelo já só poderá vir à tona lá para 2016, vamos tê-lo seguramente mais uma meia dúzia de temporadas a preencher o serão de Domingo — com o indispensável croissant acompanhado a vodka.
Homens e mulheres de sorte [3]

Concluída a tarefa de organizar eventos para as televisões, que fazer? Ah, uma excelente profissão para poder andar por aí é precisamente a de olheiro (para o mercado interno). Veremos se a prospecção dá resultados.
Viagens na Minha Terra
- • Ana Vidigal, Vá Pacheco..."Conta-me como foi"
• Irene Pimentel, O Tribunal Plenário, instrumento de justiça política do Estado Novo
• Isabel Moreira, Sobre quem perdeu as eleições no PSD: Rangel e os seus apoiantes - pequena nota
• João Pinto e Castro, A guardadora de rebanhos
• Miguel Marujo, Tesourinha deprimente
• Pedro Adão e Silva, A gamela
• Porfírio Silva, da linguagem comum
• Sofia Loureiro dos Santos, A derrota dos cavaquistas
• Val, Más companhias e Espionagem política
Em reposição

Das peripécias do segundo tenente Hiroo Onoda na ilha de Lubang às instruções do Deng Shiao Ping da Lapa.
Jogos de sombras
Dois dias depois de o Expresso ter feito manchete com o governo sombra de Passos Coelho, aparentemente após uma conversa com o "braço direito" Miguel Relvas, eis que uma "fonte próxima" do mesmo Passos Coelho vem garantir ao i que "não haverá governo sombra".
Percebe-se, é estratégia - já estamos todos baralhados!
Homens e mulheres de sorte [2]
Tendo entrado numa espiral de decadência confrangedora, Pacheco Pereira pode ter visto abrir-se-lhe uma janela de oportunidade com a estrondosa derrota da estratégia que congeminou. Eu sei que, depois de ter escrito que as listas de deputados “não são mostruário da pluralidade interna” para justificar a depuração levada a cabo pela Dr.ª Manuela, ele veio, quando se previa a vitória de Passos Coelho, defender, sem o mínimo pudor, o contrário: “O incentivo populista à depuração é o caminho mais fácil para que o partido perca a já escassa dimensão de partido nacional que ainda mantém.”
Mas o lendário estratega da Marmeleira cairá em si e há-de concluir que este é o momento apropriado para dar um contributo decisivo para o desenvolvimento do país, terminando aquele que será, porventura, o mais longo doutoramento feito em Portugal: a análise dos (mortos e enterrados) grupúsculos de extrema-esquerda.
Homens e mulheres de sorte [1]
Fazendo exactamente o mesmo caminho que ruidosamente criticara a Ana Gomes e Elisa Ferreira nas Europeias, Paulo Rangel regressa a Bruxelas.
Entretanto, lê-se no Diário Económico que a sociedade de advogados de que faz parte decidiu promovê-lo a “sócio de quota”, podendo agora “participar em todas as matérias estratégicas, profissionais, deontológicas e económicas relacionadas com a actividade da sociedade”. É vê-lo agora em Bruxelas a mandar palpites sobre matérias deontológicas. Como diz o provérbio, “existem derrotas boas e vitórias ruins”.
Notícias que não interessam nada
A taxa de juro no crédito à habitação reduziu-se pelo 14.º mês consecutivo:
- ‘A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação fixou-se, em Fevereiro, no valor médio de 1,873%, o que representou uma redução mensal de 0,046 pontos percentuais e uma diminuição acumulada de 4,103 pontos percentuais num período de 14 meses consecutivos, atingindo novo mínimo de toda a série disponibilizada. O valor médio da prestação vencida, que também correspondeu ao mínimo da série, foi de 251 euros, inferior em 118 euros ao de Dezembro de 2008. A taxa de juro implícita nos contratos celebrados nos últimos 3 meses diminuiu 0,024 pontos percentuais, para um valor de 2,034%.’
Domingo, Março 28, 2010
Para que serve a comissão parlamentar de inquérito?
Saiba aqui.
Todos às urnas
Fatal como o destino: depois de se impor no caucus da São Caetano, Passos Coelho está prestes a ser nomeado primeiro-ministro. Contamos com o seu voto.
Direito criminal à vontade do freguês
Desenganem-se. Este post não é sobre o Futebol Clube do Porto, Hulk, Sapunaru ou stewards. É apenas uma chamada de atenção para as fintas e assistências de Costa Andrade, professor de direito e ex-deputado do PSD. Como já aqui se tinha visto, este professor consegue a proeza de esticar ou encolher as muralhas da cidade consoante as situações. E Heraclito é que as paga.
Ainda fazem da abóbora uma carruagem
Até pode ser que Pedro Passos Coelho não seja o que aparenta ser (e que a obra que publicou não desmente): um líder soufflé — com bom aspecto por fora e vazio por dentro. Mas lá por ter um curriculum que é o que é, não era preciso que um tal João Céu e Silva escrevesse, relativamente à única vez que o ex-presidente da Jota foi a votos por sua conta e risco (e perdeu), que “candidatou-se a presidente da Câmara da Amadora, de onde saiu vereador de 1997 a 2001.”
PS — Para quem se propôs escrever um panegírico de Passos Coelho, não está mal que tenha sido escolhida esta passagem densa da sua obra: “Nós, portugueses, como acontece certamente com todos os outros povos, nunca estaremos conjuntamente de acordo quanto ao conjunto de políticas que devemos prosseguir.” Dois anos a Construir Ideias, que ficarão certamente na História.
Sábado, Março 27, 2010
Quando os textos contradizem os títulos
Li e reli o artigo de Eduardo Ferro Rodrigues hoje publicado no Expresso. “CONVICÇÕES SOBRE A CRISE E O PEC” é um artigo que quem se considere da esquerda democrática tem naturalmente de subscrever. Como é que o Expresso faz uma chamada de primeira página em que afirma que ex-ministros PS arrasam o PEC?
Eis uma passagem do ponto 3 do artigo sobre o PEC português:
- “O PEC português, neste quadro e perante estas regras do jogo, não tinha outra alternativa que não fosse a preocupação com a sua própria credibilidade, não inventando previsões inexequíveis em matéria de crescimento ou de receitas do Estado. Desse ponto de vista, o objectivo foi alcançado, como decorre dos comentários das principais instituições económicas e financeiras internacionais (da OCDE ao FMI). A aprovação esta semana, no Parlamento, da resolução sobre o PEC é mais um contributo importante para a credibilidade externa de que o país precisa.”
- “Compreendo as preocupações que têm sido expressas por muitos com algumas das fórmulas utilizadas do lado da contenção de despesas (por exemplo, com a utilização da expressão 'tectos' para limitar as transferências do Orçamento do Estado para o Orçamento da Segurança Social, destinadas ao financiamento das prestações sociais não contributivas em geral e do rendimento social de inserção, em especial). Compreendo a sua relevância política, mas estou confiante de que o futuro demonstrará que não há razão para alarmes.
Vai ser possível não ultrapassar os 'tectos', designadamente através de acções coerentes e justas, de fiscalização e controlo, de verificação e penalização de abusos, das políticas de activação e da evolução da situação social. Não se vão praticar acções inconstitucionais (por exemplo, não cumprir direitos porque não há dinheiro, pondo alguns em situação diferente de forma discriminatória), ou ilegais (nomeadamente regressando ao pré-1995, quando não se cumpriam as transferências legais do OE para o Orçamento da Segurança Social para financiar as prestações não contributivas — descapitalizando a Segurança Social, para depois se constatar com cinismo que a Segurança Social Pública estava à beira da falência) ou, ainda, iníquas (optando-se por baixar o valor das prestações mensais exactamente para os mais pobres dos mais pobres).
Não, isso não vai acontecer. Se houvesse dificuldades em respeitar os 'tectos', para se cumprirem os objectivos do défice, mais depressa se tomariam medidas à irlandesa na Administração Pública e/ou se revia a manutenção do IVA ao nível em que ficou depois da última baixa—já efectuada em momento arriscado. Estou certo! É que convém relembrar que as prestações em causa não são esmolas do Estado, mas direitos dos cidadãos e das famílias com inerentes deveres. A nova geração de políticas sociais, lançada em 1995, colocou Portugal num patamar civilizacional superior.
A minha convicção principal é a seguinte: a credibilidade internacional e a confiança interna são dois aspectos imprescindíveis para o êxito do PEC. Não esqueçamos que uma sem a outra não chega. Acho que quem tem a enorme responsabilidade de governar Portugal em período tão difícil não o esquecerá.”
Da série "Frases que impõem respeito"™ [431]
Passos Coelho meteu o discurso da crise governativa, e do tiro ao Procurador-Geral, na gaveta e falou como se tivesse sido empossado presidente da INATEL. - Val, no Aspirina B, que sintetiza em poucas palavras o que os comentadores levaram horas a dizer
Da série “Vira-casacas”
Conheça o verdadeiro Portugal dos Pequeninos:
Sexta-feira, Março 26, 2010
Da série "Frases que impõem respeito"™ [430]
Ainda agora ouvimos Miguel Relvas, que é o número dois de Passos Coelho. - Maria Flor Pedroso na RTP-N
E pur si muove
As audições na Comissão de Ética subordinadas ao tema da liberdade de expressão em Portugal tinham a evidente intenção de embaraçar o governo socialista. O tiro saiu-lhes pela culatra. O resultado das audições foi a demonstração do absurdo da tese do espartilho à liberdade de expressão e de informação, que estaria a ser concretizado pelo poder socialista.
Os teóricos da asfixia democrática quiseram reeditar o velho papão dos comunistas que comem crianças ao pequeno-almoço. Agora eram os socialistas (lá vai o tempo em que os comunistas assustavam alguém), que calavam jornalistas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao jantar.
Voltando ao tema das audições, foi desde muito cedo claro que haveria que ouvir os protagonistas da única conspiração conhecida para condicionar o direito de informação dos cidadãos, a célebre “inventona” das escutas de Belém. Surpreendentemente (para quem ainda se surpreenda com estas coisas), Luciano Alvarez e Tolentino de Nóbrega não estiveram para se maçar e disseram-se indisponíveis para ir ao Parlamento. Vai daí, o BE achou por bem também não incomodar Fernando Lima, o ex e actual assessor do Presidente da República. Parece que a Santa Aliança ainda mexe.
Os teóricos da asfixia democrática quiseram reeditar o velho papão dos comunistas que comem crianças ao pequeno-almoço. Agora eram os socialistas (lá vai o tempo em que os comunistas assustavam alguém), que calavam jornalistas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao jantar.
Voltando ao tema das audições, foi desde muito cedo claro que haveria que ouvir os protagonistas da única conspiração conhecida para condicionar o direito de informação dos cidadãos, a célebre “inventona” das escutas de Belém. Surpreendentemente (para quem ainda se surpreenda com estas coisas), Luciano Alvarez e Tolentino de Nóbrega não estiveram para se maçar e disseram-se indisponíveis para ir ao Parlamento. Vai daí, o BE achou por bem também não incomodar Fernando Lima, o ex e actual assessor do Presidente da República. Parece que a Santa Aliança ainda mexe.
Quinta-feira, Março 25, 2010
♪ Les Disques du Crépuscule

Richard Jobson
India Song
PEC aprovado na Assembleia da República
A sujeição do PEC a uma resolução da Assembleia da República, por confrontar os partidos ali representados com as suas responsabilidades, é um momento clarificador da vida democrática.
Em 2003, o novo Governo PSD-CDS também sujeitou o PEC à apreciação da Assembleia da República. No quadro do processo de Revisão do Programa de Estabilidade e Crescimento para 2003-2006, foi possível estabelecer um amplo consenso interpartidário, que se materializou na aprovação da Resolução da Assembleia da República n.º 7/2003.
Esta deliberação contou, em 2003, com a viabilização do PS, que considerou importante um entendimento em torno da consolidação das finanças públicas. Infelizmente, o governo PSD-CDS não cumpriu nenhuma das recomendações da resolução, não tendo por isso o acordo que suportou a resolução a continuidade que teria sido desejável. Como se sabe, o equilíbrio das contas públicas só viria a acontecer no Governo que lhe sucedeu, liderado por José Sócrates.
Hoje, o PEC foi ao Parlamento, num daqueles momentos em que os partidos eram convocados a assumir o necessário sentido de Estado. Todos sabem o que estava em jogo, nomeadamente a imagem e a credibilidade internacional da economia portuguesa. Soubemos quem esteve à altura das suas responsabilidades. Esperemos que saibam manter a este nível.
Em 2003, o novo Governo PSD-CDS também sujeitou o PEC à apreciação da Assembleia da República. No quadro do processo de Revisão do Programa de Estabilidade e Crescimento para 2003-2006, foi possível estabelecer um amplo consenso interpartidário, que se materializou na aprovação da Resolução da Assembleia da República n.º 7/2003.
Esta deliberação contou, em 2003, com a viabilização do PS, que considerou importante um entendimento em torno da consolidação das finanças públicas. Infelizmente, o governo PSD-CDS não cumpriu nenhuma das recomendações da resolução, não tendo por isso o acordo que suportou a resolução a continuidade que teria sido desejável. Como se sabe, o equilíbrio das contas públicas só viria a acontecer no Governo que lhe sucedeu, liderado por José Sócrates.
Hoje, o PEC foi ao Parlamento, num daqueles momentos em que os partidos eram convocados a assumir o necessário sentido de Estado. Todos sabem o que estava em jogo, nomeadamente a imagem e a credibilidade internacional da economia portuguesa. Soubemos quem esteve à altura das suas responsabilidades. Esperemos que saibam manter a este nível.
Da série "Frases que impõem respeito"™ [429]
Até amanhã sou a líder.- Manuela Ferreira Leite, impondo-se ao grupo parlamentar, após idêntica receita aplicada à Comissão Política do PSD, e revelando que deixa em herança um partido ainda mais dividido do que o que lhe fora parar às mãos
Como diria o outro que se absteve no debate do PEC
Sábado, Março 20, 2010
Sexta-feira, Março 19, 2010
Da mentira
Para a semana, a comissão parlamentar de inquérito ao caso PT/TVI inicia os seus trabalhos. Sendo conhecidas as declarações dos principais intervenientes (de Granadeiro a Bava, de Vasconcelos a Bairrão), não é complicado antecipar as conclusões do “inquérito”. Mas a questão não é tanto essa.
O que é extraordinário é a oposição (incluindo o Presidente da República) não entender que um primeiro-ministro — independentemente do que possa conhecer de forma indirecta — tem a obrigação política de dizer que não conhece negócios privados enquanto eles decorrem, mais a mais se estiverem em causa empresas cotadas na bolsa. Por definição, o discurso da política não pode ter a natureza de uma conversa à mesa do café. A isto se chama sentido de Estado.
Mas ainda mais extraordinário é que as carpideiras do regime se mostrem agora tão incomodadas com a “mentira” e não tenham reagido quando tomaram conhecimento de que Durão Barroso mentiu à Assembleia da República, ao dizer que havia visto as provas da existência de armas de destruição massiva no Iraque. Então, Durão Barroso não apenas mentiu como rompeu o consenso entre os partidos portugueses no âmbito da política externa — e quando estavam em causa assuntos de vida e de morte.
A guerra de guerrilha da Marmeleira: criar uma, duas, três… muitas coligações negativas
Não é difícil entender que o PEC exige consenso político entre os principais partidos. A sua “passagem” pela Assembleia da República é o corolário lógico desta necessidade de consenso.
Desta vez, Pacheco Pereira não quer que o PS leve o PEC ao parlamento. Compreende-se o ponto de vista que defendeu na Quadratura do Círculo. O lendário estratega da Marmeleira pretende que o PSD fique com as mãos livres para que, quando as medidas agora enunciadas forem apresentadas sob a forma de projecto de lei, a bancada laranja possa continuar a chantagear o Governo, através das recorrentes coligações negativas.
Que os spreads do crédito à habitação disparem não é um problema que apoquente Pacheco Pereira.
Desta vez, Pacheco Pereira não quer que o PS leve o PEC ao parlamento. Compreende-se o ponto de vista que defendeu na Quadratura do Círculo. O lendário estratega da Marmeleira pretende que o PSD fique com as mãos livres para que, quando as medidas agora enunciadas forem apresentadas sob a forma de projecto de lei, a bancada laranja possa continuar a chantagear o Governo, através das recorrentes coligações negativas.
Que os spreads do crédito à habitação disparem não é um problema que apoquente Pacheco Pereira.
Ensaio sobre a cegueira: o papel da esquerda na coligação negativa
1. A falta de pluralismo na comunicação social não afecta apenas o PS. O BE e, talvez mais, o PCP são também vítimas do domínio dos media por parte da direita. É, por isso, aparentemente incompreensível que os partidos mais à esquerda dêem gás à campanha da direita contra uma imaginária “asfixia democrática”, que irá reforçar mais ainda o domínio do PSD e do CDS sobre os media.
Só muito recentemente se viu uma ou outra denúncia desta situação: André Freire, no Público, e José Casanova, no Avante!.
2. O arrebatamento da oposição perante o alucinado crime de atentado contra o Estado de direito leva a crer que o BE e o PCP não mediram as consequências da abertura da caixa de Pandora. Mais dia, menos dia, um qualquer magistrado sujeito a alucinações não hesitará em ver na rejeição da “democracia burguesa” um crime de atentado contra o Estado de direito. Para não falar de declarações como as de Armindo Miranda, nas quais este membro da Comissão Política do PCP assegura que tudo fará para impedir que um governo democrático governe.
Com o rumo que as coisas estão a tomar, a justiça reserva-nos grandes surpresas. É bom recordar que a direita se preparava para ilegalizar o PCP e os grupos de extrema-esquerda na sequência do 25 de Novembro, o que só não aconteceu pela intervenção enérgica de Melo Antunes.
O Sol e a credibilidade das suas manchetes
Sondagem do Sol foi feita por apoiante de Passos Coelho. E como terá ele obtido os ficheiros de militantes do PSD para realizar a sondagem?
Serviço público na blogosfera
Como diz — e com muita razão — Adelino Gomes, “os agentes dos media já não contam só com um ombudsman, mas sim com um vasto painel deles, todos com voz, nos blogues, twitters e outros suportes”. Um dos eminentes provedores da blogosfera é Eduardo Pitta, que vale sempre muito a pena ler.
Hoje, em mais um post de serviço público, Eduardo Pitta esmiúça a notícia do Público sobre o peso da farmácia no orçamento das famílias com fracos recursos. E revela-nos como a manchete “Um terço dos doentes crónicos não compra medicamentos por falta de dinheiro” é desmentida pelo corpo da notícia. É ler, s.f.f..
Hoje, em mais um post de serviço público, Eduardo Pitta esmiúça a notícia do Público sobre o peso da farmácia no orçamento das famílias com fracos recursos. E revela-nos como a manchete “Um terço dos doentes crónicos não compra medicamentos por falta de dinheiro” é desmentida pelo corpo da notícia. É ler, s.f.f..
De facto, há muito que Pacheco não consegue queixar-se da asfixia
ÍNDICE DO SITUACIONISMO 
A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.
Provedor da RTP não vê interferências do Governo:
- ‘Paquete de Oliveira, provedor da televisão pública de saída, diz no seu relatório de final de mandato que não tem "quaisquer elementos internos à função para constatar a interferência directa do Governo ou de outros grupos de interesse" na informação da RTP. Num extenso relatório, Paquete de Oliveira diz, em forma de balanço, sobre a informação do canal público, que considera mesmo injustas as críticas "de carácter genérico" à parcialidade da informação do canal, que é até, neste campo, "campeão de audiências".’
Viagens na Minha Terra (actualizado)
- • João Pinto e Castro, PEC e prestações sociais:
- ‘As despesas com os funcionários públicos passaram de 14,4% para 11,5% do PIB entre 2005 e 2008. A proporção relativa às transferências sociais cresceu no mesmo período de tempo de 18,5% para 21,9%.
A concretizar-se o cenário traçado no PEC, em 2013 as despesas com salários estarão nos 10% e os apoios sociais cairão ligeiramente para os 21,4%. Por outras palavras, as segundas serão o dobro das primeiras.’
• Ana Matos Pires, Uma reflexão e mais qualquer coisinha
• A. Moura Pinto, A transparência nos negócios, segundo Cavaco Silva
• António Garcia Pereira, SOL OU SOMBRA – LIBERDADE DE IMPRENSA OU REQUIEM DO ESTADO DE DIREITO?
• António P., Não, não foi por distracção, foi por convicção
• A.R., O processo penal em português
• Bernardo Pires de Lima, Nonsense
• besugo, desculpa, Pedro Passos Coelho, mas convém-me mais o tipo, por razões que nem sequer se prendem com o Atlético de Madrid
• Eduardo Pitta, ESPECIAL LEI DA ROLHA
• Eduardo Maia Costa, Fiscalização restrita
• Emídio Fernando, Não é, mas parece e No lugar certo
• Eugénia de Vasconcellos, Outra very short story para outra fotografia
• Francisco Seixas da Costa, Revoluções silenciosas
• Helena Garrido, Exercícios saloios
• Isabel Moreira, Dia do pai
• JA, O SOL quando nasce é para quase todos
• jmf, Há uma desinformação subterrânea que tudo engole
• João Galamba, Volta Marx, estás perdoado
• João Lopes, Política made in Portugal
• Jonasnuts, Computadores públicos, vícios privados
• José Costa e Silva, Agora é que o Público o agarrou
• José Teles, Há sinceridade nisto? Não há, não há
• Luís Grave Rodrigues, A coragem de não tomar posição
• Luís Novaes Tito, Coelho ao Sol
• maradona, O Broche Chinês, também designado por Brochim
• Miguel Carvalho, Salários portugueses crescem acima da média, outros custos do trabalho abaixo
• Miguel Marujo, Aos zeladores da São Caetano à Lapa
• O Jumento, Se o PSD fosse uma empresa
• Pedro Adão e Silva, O Presidente da COC
• Porfírio Silva, eu voto Rangel
• Raimundo Narciso, Prof. Martelo diz que é ao acusado que cabe provar que está inocente!
• Ricardo Sardo, Acima da Lei?
• Rogério da Costa Pereira, Como perder um partido em 60 segundos
• Sofia Loureiro dos Santos, A distracção dos candidatos
• Tiago Barbosa Ribeiro, Insulto à inteligência
• Val, Roma, Bizâncio e Atenas
• Vieira do Mar, Mafra em quatro actos: I - Estou a morrer de vergonha indirecta, II - A estória do tuburão!, tubarão!, tubarinho…, III - "Em 30 anos, o mundo mudou, Portugal mudou, e os portugueses mudaram ainda mais" e IV - "Eu...vi...vo...do...esfor...ço...do...meu...tra...ba...lho..."
Da série "Frases que impõem respeito"™ [428]
O mais provável é que o PSD já esteja morto, tal como a galinha que eu e os meus primos matámos, e a malta ainda não tenha reparado porque, apesar de já não ter cabeça, está a fugir pela rua abaixo, a bater furiosamente as asas. - Jorge Fiel, O PSD e o caso da galinha decapitada
Vamos ter muitas saudades da Dr.ª Manuela
Maria Flor Pedroso pergunta à Dr.ª Manuela qual dos candidatos à presidência do PSD apoia. Grande resposta ao jeito a que nos habituou:
- ‘Espero que seja escolhido pelas ideias e não pelo aspecto físico’.
Afinal, a dama-de-ferro é uma romântica
A Dr.ª Manuela, entrevistada por Maria Flor Pedroso na Antena 1, disse que a sua canção preferida era esta de Leonard Cohen:
- Dance Me To The End Of Love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Política a sério
Aguiar-Branco, de bestial a besta num abrir e fechar de olhos. É a "política a sério" do pequeno grande arquitecto no luminoso Sol:
- ‘Excluindo os ex-líderes, sobram três nomes: Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e José Pedro Aguiar- Branco.
(…)
O PROBLEMA de Paulo Rangel é de outra natureza. É olhado como uma espécie de 'delfim' de Manuela Ferreira Leite - e o partido, neste futuro próximo, vai querer cortar com a herança de Ferreira Leite. Paulo Rangel seria como que um prolongamento do 'consulado ferreirista', com outro rosto e calças no lugar das saias.
Daí não ser ainda um bom candidato. Deixem-no estar no Parlamento Europeu - e daqui a uns anos poderá aparecer como um D. Sebastiãozinho laranja.
SOBRA, assim, José Pedro Aguiar-Branco. Não o conheço nem é pessoa com cujo estilo simpatize. Acho-o um pouco peru - e a fugaz passagem pelo Governo de Santana Lopes também não o beneficiou. Mas o seu mergulho mais recente - e insistente - na política fez-me mudar de opinião.
É um homem seguro, que diz com alguma frontalidade o que pensa, e que nestes tempos de desvario e loucura tem mostrado moderação e sensatez. Além disso, tem a vantagem de não ter andado envolvido nas lutas intestinas pela liderança do PSD, dispondo de uma imagem mais fresca, passível de despertar alguma expectativa.
LAST but not least, é um homem do Norte. É um homem com pronúncia do Norte. Um advogado do Porto. E isso poderá levar o PSD a um reencontro com as suas raízes. Não é bem o ressuscitar do mito Sá Carneiro - é qualquer coisa anterior a isso, de que o próprio Sá Carneiro já era expressão.
É um certo espírito liberal, identificado com a livre iniciativa, com o empreendedorismo, com a não dependência do Estado - que o Porto mal ou bem corporiza.
Enquanto os políticos de Lisboa são associados aos corredores do poder, às politiquices, às refeições à mesa do Orçamento, ao peso opressivo do Terreiro do Paço, os políticos do Norte não carregam consigo esse rótulo, estão mais identificados com o país não político, com a população activa e o empresariado que aceita o risco.
Por tudo isto, admito que Aguiar-Branco pode ser o líder de que o PSD precisa. E sendo este palpite naturalmente falível - até porque só o conheço da televisão - o passado diz-me que, de uma forma geral, a intuição não me engana.’
- José António Saraiva, A hora de Aguiar-Branco (15.01.2010)
- ‘PAULO Rangel só não terá ganho aqui a liderança do PSD se o partido estiver distraído.
(…)
AGUIAR-BRANCO é um homem sério, ponderado, mas tem um registo momo que não arrasta ninguém atrás de si.’
- José António Saraiva, Como vi o Congresso do PSD (19.03.2010)
Ó meus amigos...
... se a esquerda, a autêntica, a da Bayer, anda à batatada, o que dizer da direita, a genuína?
"O mundo de pernas para o ar"
É o que diz Marcelo [a partir de 22:50]:
1. O PS quer Manuela Ferreira Leite na Comissão de Inquérito "para a desgastar".
2. "Quem tem que demonstrar que não sabe é José Sócrates".
É difícil escolher o que mais fascina neste pequeno número circense:
1. Se a ideia mirabolante de "desgastar" alguém politicamente morto.
2. Se a defesa ultramontana da inversão do ónus da prova.
3. Se a diligência com que a sub-directora da RTP foi a correr para apanhar o saudoso Professor ali à esquina.
Quinta-feira, Março 18, 2010
Da qualificação da categoria intelectual
Provocou hoje alarido na blogosfera a divulgação do relatório do Conselho Superior da Magistratura, no qual se indica que, em 2009, 61 juízes obtiveram classificação de 'Muito Bom', 86 de 'Bom com Distinção', 85 de 'Bom' e oito de 'Suficiente' — o que significa que, em termos percentuais, 25% dos juízes obtiveram 'Muito Bom', 37% 'Bom com Distinção', 35% 'Bom', 3% 'Suficiente' e 0% 'Medíocre'.
Mais coisa, menos coisa, estes valores não diferem de ano para ano, pelo que já não causam taquicardias.
No entanto, sempre que estas classificações são conhecidas, vem-me à memória o Regulamento das Inspecções Judiciais, mais especificamente o artigo 13.º, n.º 4, alínea a), através do qual os titulares deste órgão de soberania se sujeitam a ser inspeccionados à sua “categoria intelectual”.
Sendo um regulamento de cariz fortemente corporativo, como é possível que os juízes aceitem que seja avaliada a sua “categoria intelectual”? Escrevi sobre isto aqui.
Mais coisa, menos coisa, estes valores não diferem de ano para ano, pelo que já não causam taquicardias.
Teste de aferição da categoria intelectual
No entanto, sempre que estas classificações são conhecidas, vem-me à memória o Regulamento das Inspecções Judiciais, mais especificamente o artigo 13.º, n.º 4, alínea a), através do qual os titulares deste órgão de soberania se sujeitam a ser inspeccionados à sua “categoria intelectual”.
Sendo um regulamento de cariz fortemente corporativo, como é possível que os juízes aceitem que seja avaliada a sua “categoria intelectual”? Escrevi sobre isto aqui.
E por falar em esquerda...
Aposto (singelo contra dobrado) que, se a Renascença perguntar, Cravinho responde.
Parabéns Vidal, a esquerda está contigo, pá!
Parece que lhe faltam bandeiras de esquerda...
A Comissão Europeia, a OCDE, o FMI... tudo gente mal intencionada.
Então não se está mesmo a ver que o PEC é uma porcaria? João Cravinho é que o topa.
(Quando é que acaba mesmo aquele Euromilhões em que o senhor está a funcionar no estrangeiro?)
Então não se está mesmo a ver que o PEC é uma porcaria? João Cravinho é que o topa.
(Quando é que acaba mesmo aquele Euromilhões em que o senhor está a funcionar no estrangeiro?)
Ah sim, eles podem
Ligada a um amigo de José Sócrates.
Leiam novamente a frase - "ligada a um amigo de José Sócrates." Digam lá - o que é isto?
Leiam novamente a frase - "ligada a um amigo de José Sócrates." Digam lá - o que é isto?
Yes, they can
Ontem à tarde, circulou a informação em Portugal de que o Presidente americano viria a Lisboa (...).
Vocês não acham fantástica a forma como se fazem "notícias" em Portugal (de notar que a "notícia" abriu telejornais e encheu páginas de jornais "de referência...").
Vocês não acham fantástica a forma como se fazem "notícias" em Portugal (de notar que a "notícia" abriu telejornais e encheu páginas de jornais "de referência...").
Onde é que estes estarolas tinham a cabeça?
“DAQUI A POUCO ESTARÁ ONLINE A PROVA DE QUE ESTAVAM TODOS BEM ESCLARECIDOS. E MAIS AINDA...” – escreve Santana Lopes. E a verdade é que, desta vez, cumpriu mesmo:
Pode-se confiar num partido em que os quatro candidatos à presidência aparecem a dizer que não sabiam no que estavam a votar? Ao menos, a saudosa Dr.ª Manuela deu a cara em defesa da lei da rolha.
Pacheco Pereira, que, entre ontem e hoje, andou numa lufa-lufa a demarcar-se da lei da rolha, esqueceu-se de explicar aos seus leitores por que, no local e no tempo certos — o congresso, no período de discussão da proposta de alteração dos estatutos do PSD —, não questionou o plano interno de asfixia democrática. Terá estado no congresso na qualidade de comentador? Ou de blogger, na companhia do 31 da Armada, a discutir a cor das gravatas? É tudo um grande mistério.
Pode-se confiar num partido em que os quatro candidatos à presidência aparecem a dizer que não sabiam no que estavam a votar? Ao menos, a saudosa Dr.ª Manuela deu a cara em defesa da lei da rolha.
Pacheco Pereira, que, entre ontem e hoje, andou numa lufa-lufa a demarcar-se da lei da rolha, esqueceu-se de explicar aos seus leitores por que, no local e no tempo certos — o congresso, no período de discussão da proposta de alteração dos estatutos do PSD —, não questionou o plano interno de asfixia democrática. Terá estado no congresso na qualidade de comentador? Ou de blogger, na companhia do 31 da Armada, a discutir a cor das gravatas? É tudo um grande mistério.
Perceber o que está em causa
Murteira Nabo sobre a questão do crescimento:
- ‘Compreende-se que o objectivo de atingir até 2013 apenas um crescimento de 1,7 % do PIB resulte do período de transição que vivemos, onde o ritmo de desmantelamento ou destruição da "velha economia" (de mão de obra barata e baixa tecnologia) é ainda superior ao ritmo em que acontece a criação da "nova economia" (de maior valor acrescentado, com maior componente tecnológica e elevada qualificação).’
Da série "Frases que impõem respeito"™ [427]
Todos sabemos quem está na origem das violações, o procurador responsável pelo processo.- Nuno Garoupa, Professor de Direito da University of Illinois, num artigo intitulado O segredo de justiça tem solução
Pacheco antecipa conclusões da Comissão de Ética
Fiquei muito impressionado com o artigo de José Pacheco Pereira na edição de hoje da revista Sábado. Não porque isso evidencie que o lendário estratega da Marmeleira é muito lento a reagir à lei da rolha aprovada no congresso de Mafra. A questão é outra. Leia-se este período da prosa de Pacheco:
- “O que acontece com muitas normas partidárias é que elas foram pensadas para um determinado tempo histórico dos partidos e não são compatíveis com o ambiente de pluralidade mediática e crítica dos nossos dias.”
A palavra aos leitores
De um e-mail enviado por Pedro G.:
- ‘Enquanto, para alguns, o país caminha alegremente para o abismo, há quem teime — além fronteiras, claro — em dar notícias animadoras: do que foi conseguido no passado recente e das oportunidades que o futuro próximo pode trazer para a nossa economia.
Há dias, foram divulgados os resultados do European Innovation Scorecard, da responsabilidade da Comissão Europeia. Em relação a 2008, Portugal subiu um lugar no ranking global da inovação, passando da 17.ª para a 16.ª posição no contexto da UE27. Portugal continua integrado o grupo de países “moderadamente inovadores”, com a particularidade de ter ultrapassado a Espanha.
Vale a pena lembrar que, na edição de 2008, Portugal havia subido cinco posições em relação a 2007.
Só mais uns elementos para os pessimistas de serviço digerirem:
- - A taxa de crescimento nos indicadores de inovação quase tripla da média europeia, sendo Portugal o 7.º país que mais progrediu na UE27 num período de cinco anos;
- Este progresso deve-se em grande medida ao avanço nos indicadores relativos à qualificação dos recursos humanos, no qual Portugal aparece como o 2.º país europeu que mais progrediu;
- Portugal foi ainda o país que mais melhorou no indicador relativo à despesa das empresas em I&D, o 2.º que mais progrediu no registo de patentes no European Patent Office e o 4.º que mais avançou no grupo de indicadores relativo aos efeitos económicos de inovação.’
Hoje — 19 horas
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Inauguração da exposição de pintura de Luís Artur
Museu da Água
Rua do Alviela, 12, Lisboa
Quarta-feira, Março 17, 2010
O delegado-modelo
Pacheco Pereira foi para o congresso de Mafra sem saber ao que ia. Lá dentro, votou (ou não) a norma e não achou necessário alertar os seus companheiros para o facto de que “uma direcção pode perseguir os seus adversários utilizando esta regra, ela pode ser utilizada para atacar pessoas e não comportamentos.”
Afinal, Portugal é fixe...
A Velha Europa não se deixa impressionar pela berraria da oposição: Commerzbank recomenda investir na dívida portuguesa.
Apelo à insurreição
Armindo Miranda, da Comissão Política do PCP:
- 'Alargar esta frente social de luta que leve naturalmente a criar condições para que o Governo não governe'.
Comissão de inquérito, já
O quê? A Ongoing assinou um acordo com a Zon, onde a Caixa tem tem uma participação accionista?
Leituras [3]
• Pedro Lains, A Europa em crise:
- ‘No passado, quando havia moedas nacionais, a solução era simples. Bastava desvalorizar o que se desejasse e esperar-se que isso não provocasse mais desequilíbrios. Esse tipo de solução acabou por se mostrar pouco consistente e foi isso, aliás, que levou à criação do euro.
Há alternativas à desvalorização que passam sobretudo, no curto prazo, pela redução dos salários nominais. Ora isso não é bem uma solução, pois só pagariam a crise os menos abonados dos países menos abonados.
A solução para a crise passa pela transferência de capitais dos países com excedentes nas suas balanças externas para os países com deficits. Não há outra solução para a Europa do euro se ela quiser, como aparentemente os seus cidadãos ainda querem, ser uma união cada vez mais próxima.
As transferências financeiras dentro da Europa são obviamente boas para a economia europeia no seu todo. Que não haja confusão entre transferências financeiras e transferências de riqueza. É a velha lição de Keynes (não confundir com keynesianismo), que não foi seguida no rescaldo da primeira Guerra Mundial, mas que foi seguida no rescaldo da segunda.
Tais transferências têm, todavia, de ser enquadradas num determinado discurso político, têm de ter um enquadramento institucional adequado, e têm de ser feitas de forma a impedir o benefício do infractor. Mas com esse tipo de problemas pode a União Europeia bem, pois a sua história é obviamente marcada pela procura dos bons enquadramentos para que haja esse tipo de transferências.
Foi assim com o Plano Marshall, com a reestruturação da indústria do carvão e do aço, com a política agrícola comum, e com a adesão dos países mais pobres. Tudo isso foi fruto da necessidade, não de visões particularmente argutas.
Só não tem sido assim com a criação do euro - porque até hoje não foi necessário. Mas agora é claramente necessário e podemos esperar que a solução venha daí. Mas, claro, com um custo.
O custo será a perda de mais alguma soberania. Ninguém esperaria que as transferências fossem feitas sem a imposição de medidas de disciplina aos países receptores.
Quem está preparado para isso? Esperemos que muita gente. Afinal, a alternativa é o domínio das políticas guiadas pela estrita contabilidade financeira, que não é mais do que uma forma de nacionalismo - e de proteccionismo - económico.’
Leituras [2]
• Baptista-Bastos, O inútil sinédrio de Mafra:
- ‘Rangel é o mais ruidoso dos três, o mais adjectivante, e confessa-se muito contente por estar onde está. Deve ter cuidado com seguir Pacheco Pereira: o homem dá azar. Aguiar-Branco parece-me um indivíduo sensato, equilibrado e calmo, numa altura em que o PSD abomina essas virtudes. Aguiar está fora do tempo; não do seu: do tempo dos outros. Passos Coelho fez caminho durante dois anos. Tem aquela tineta do neoliberalismo, que o prejudica, e uma afabilidade bem-educada, que o favorece. Nenhum deles, porém, vai inventar o infinito, a fim de modi- ficar, substancialmente, o estado das coisas. A reunião de Mafra resultou inútil. Não uniu, não congregou, e acentuou as internas divisões. E nada disse, de substantivo, que tranquilizasse o País.’
Leituras [1]
Os leitores estranharão que sugira a leitura dos artigos de Constança Cunha e Sá e Eduardo Dâmaso. Façam o mesmo exercício que eu fiz e depois vejam como vai a pluralidade da opinião nos jornais. Autênticas galerias de horrores. Sobre a situação nas televisões, já falei aqui.
Terça-feira, Março 16, 2010
Da série "Frases que impõem respeito"™ [426]

Este PEC não tem ao longo de 30 páginas uma única medida que aponte para o crescimento, só para a estabilidade.
Paulo Rangel, comentando o PEC. Que tem 110 páginas...
A tirinha do dia do Correio da Manha
A “notícia” começa assim: “Dattani assumiu que Charles Smith lhe pediu 2,2 milhões para pagar a gabinetes de ministros, mas assegurou que não houve efectivo pagamento.” Ainda assim, Eduardo Dâmaso sabe que os investigadores estão a seguir “verbas do Freeport em três offshores”. O que está garantido é que “[n]ão há qualquer prazo estipulado para que esses elementos sejam enviados.” O próximo anúncio da Duracell pode inspirar-se na investigação do Freeport.
José "Trocas-te"
Se não houver outra forma de a comunicação social olhar para a nova estratégia nacional para a energia, então que o speaker de serviço cometa uma gaffe para captar a atenção para a importância desta aposta.
Está em causa um volume total de investimento previsto para o sector, até 2020, é de 31 mil milhões de euros, para 130 mil a 140 mil novos postos de trabalho, o que permitirá, de acordo com o Público, reduzir a dependência energética do exterior para 74 por cento em 2020 e atingir o nível de 60 por cento da electricidade produzida e 31 por cento do consumo de energia final sejam de fonte renovável, para além de uma redução de 20 por cento do consumo de energia final, através de ganhos de eficiência.
Está em causa um volume total de investimento previsto para o sector, até 2020, é de 31 mil milhões de euros, para 130 mil a 140 mil novos postos de trabalho, o que permitirá, de acordo com o Público, reduzir a dependência energética do exterior para 74 por cento em 2020 e atingir o nível de 60 por cento da electricidade produzida e 31 por cento do consumo de energia final sejam de fonte renovável, para além de uma redução de 20 por cento do consumo de energia final, através de ganhos de eficiência.
O mundo está perdido…
… quando já é Luciano Alvarez a escrever isto:
- ‘Neste triste fado nascido em Mafra, no qual se inclui a forma ridícula como alguns socialistas estão a tentar tirar proveito político da matéria, o prémio “era-de-chorar-a-rir-se-não-fosse-triste” vai para Paulo Rangel. Reclama o candidato ter sido o primeiro a indignar-se com a lei da rolha. Foi, mas pela simples razão que calhou ter sido o primeiro a sair do pavilhão de Mafra e, como tal, o primeiro a ser questionado pelos jornalistas que, ao contrário de muitos delegados ao congresso, leram e perceberam o que estava escrito nas propostas de alteração aos estatutos do PSD.’
O medo de existir
Há quem pense que o mundo pode acabar no dia a seguir à remoção da Dr.ª Manuela? Há — e nem é Pacheco Pereira.
Mito e realidade
Percebo o ponto de vista de Ferreira Fernandes. Mas é bom não esquecer que a estratégia de Sá Carneiro (com um ministro das Finanças chamado Aníbal Cavaco Silva) teve os seguintes efeitos:
- • Conduziu o PSD para um beco sem saída;
• Rebentou com as contas públicas, tendo obrigado à intervenção do FMI.
E porque não 10 por 1 ?
Passos Coelho quer uma entrada por cada 5 saídas na Função Pública.
Só promete uma coisa destas quem não tem intenção de governar.
Só promete uma coisa destas quem não tem intenção de governar.
No Name Boys / Mancha Negra: e quem não salta é do Ângelo
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Não me recordo se foi o próprio Passos Coelho ou alguém próximo que se lamentava de que a actual direcção do PSD distribuíra convites aos seus apaniguados para contrabalançar o facto de a maioria dos delegados ao congresso ser afecta a Passos. Só não se conhecia quem eram os “observadores” escolhidos pela equipa do lendário estratega da Marmeleira que tão bem se exibiram no congresso de Mafra. O 24 Horas (na p. 4) levanta a ponta do véu:
- 'Membro dos No Name Boys fez claque por Rangel
Um conhecido adepto dos No Name Boys e um ex-membro da claque da Académica de Coimbra Mancha Negra estiveram no passado fim-de-semana no congresso do PSD, onde puxaram, em jeito de claque, pelo candidato Paulo Rangel. De cada vez que o candidato falava, as palmas organizadas e os gritos de apoio sucediam-se na zona de observadores do congresso, onde estavam muitos apoiantes e simpatizantes das várias candidaturas.
No entanto, segundo fonte oficial da candidatura de Rangel, João F. C, da Mancha Negra, e António P. C, dos No Name Boys, "não têm qualquer ligação" ao eurodeputado. "Não conhecemos essas pessoas, nem temos conhecimento de que estiveram no congresso. Não são contratadas por nós, nem fazem segurança para nós e nem sequer sabemos se efectivamente lá estiveram ou não", adiantou a mesma fonte, que garante que Paulo Rangel "até é do FC Porto", mas que naturalmente que "poderá ter simpatizantes de todos os clubes".
Situação "insólita" e "caricata"
Uma das pessoas presentes nesta zona de observadores contou ao 24horas que "António e João estavam a liderar um grupo de pessoas" que ia "aplaudindo e gritando" de cada vez que Paulo Rangel falava. "Não me apercebi de que eles fossem contratados para aquele efeito, mas estavam, de facto, a liderar as pessoas como se de claques de futebol se tratassem".
Fonte ligada à candidatura de Pedro Passos Coelho disse "ter conhecimento" desta situação que classificou como "insólita" e "caricata", mas preferiu não fazer mais comentários nem "entrar em guerras" deste tipo. Apesar disso, para a candidatura de Paulo Rangel esta é mesmo uma forma de "guerras" fomentada "por gente das outras candidaturas" com o único intuito de "descredibilizar". "Seguramente que as outras candidaturas também têm simpatizantes de vários clubes ou que pertencem a claques", explicou fonte oficial da candidatura de Rangel.
O 24horas tentou por diversas vezes falar com João F. C, antigo membro da claque Mancha Negra, mas o simpatizante de Pedro Rangel nunca atendeu o telemóvel. Não foi também possível contactar António P. C, já que nenhum dos membros dos No Name Boys por nós contactados tinha o número do mesmo.'
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