sexta-feira, agosto 31, 2007

Who's afraid of Google?


Sugestões de leitura

• Teodora Cardoso, Os mercados e a economia:

    “(…) o défice histórico das famílias americanas, que agora terá de ser corrigido, alimentou a procura e o crescimento mundial, nos países emergentes, mas também na Europa. Esse “motor”, que há muito se sabia destinado a falhar, terá de ser substituído por procura interna gerada noutras regiões. Um esforço concertado e multilateral, que incentive o consumo privado e as despesas públicas é um passo fundamental, em especial na China onde a taxa de poupança ronda os 50% do PIB, só 16% dos trabalhadores têm direito a uma pensão de reforma (que não excede os 20% do salário) e onde o Estado precisa de expandir (ou criar) sistemas de educação, de saúde e, em geral, de segurança social que estabeleçam a confiança necessária para libertar o consumo das famílias, única forma de permitir a correcção dos desequilíbrios acumulados a nível mundial.

    Só há uma forma racional de resolver os problemas financeiros criados e esta consiste em corrigir os comportamentos irresponsáveis das instituições que neles incorreram, em vez de as salvar e de estimular a criação de mercados que agora se vê serem incompreensíveis, mesmo para os mais informados e apetrechados. Aos sistemas de supervisão não pode pedir-se que regulem todos os produtos que as instituições financeiras inventam, em geral como resposta aos próprios regulamentos. Isso só seria possível nacionalizando o sistema. A única forma de o manter privado consiste em responsabilizá-lo.”

• João de Almeida Santos, O poder diluído:

    “A clássica forma de democracia representativa estilhaçou-se quando o sector da Informação e Comunicação, a partir dos anos ‘80 do século XX, tomou conta da grande informação de massas e se colocou entre os primeiros dez sectores das economias nacionais.”

♪ Jazz em Agosto [31]



Chet Baker, Ellen David

quinta-feira, agosto 30, 2007

Não sabe, não responde





Após abandonar Portugal para fazer o sacrifício de servir na Europa, Durão Barroso trocou o PSD pelo partido do “não sabe, não responde”. Interrompendo um silêncio ensurdecedor sobre o financiamento ilegal e as facturas rasuradas e endereçadas à Somague pelo valor de 234 mil euros, Barroso resolveu dar um ar da sua graça.

Para calar os deputados europeus que o questionaram, o ex-primeiro-ministro disse que não foi acusado de nada, que não sabe de coisa nenhuma e que delegou as suas competências em Arnault e Vieira de Castro, respectivamente secretário-geral e secretário-geral adjunto do PSD.

Resumindo: não sabe de nada, mas, se aconteceu alguma coisa, foram aqueles meninos os responsáveis. Vieira de Castro, infelizmente, nada pode dizer. O mal-aventurado Arnault já disse que assume a responsabilidade política, embora também ele não soubesse de nada. Às tantas, ainda se descobre que foi o famoso Zeca Mendonça o autor da trampolinice.





Entretanto, depois de revelar que também não sabe de nada, Marques Mendes deu uma de cultura. Foi ao museu dos coches acompanhado por uma alta funcionária, que, tal como observou Pacheco Pereira, resolveu dar um ar da sua isenção.

Mas é pena que o Catão da Marmeleira só se dedique à crítica dos coches — e se abstenha de dizer qualquer coisinha sobre o financiamento da Somague. Não basta só apregoar que é isento e criticar toda a gente por igual. Quem é que Pacheco Pereira critica afinal neste caso? Quem é que acha que foi responsável? Teria a mesma reacção se o caso se passasse com outro partido qualquer?

♪ Jazz em Agosto [30]




Joshua Redman, Improvised Solo, no Dewey Redman Memorial Concert

quarta-feira, agosto 29, 2007

LER OS OUTROS

♪ Jazz em Agosto [29]




Erroll Garner, Spring Is Here – It Might As Well Be Spring – Lover

terça-feira, agosto 28, 2007

O abandono das elites


Imagem



Mendes deitou mãos à obra. Perante o abandono das elites, o PSD está a formar um novo escol na chamada Universidade de Verão. É um esforço meritório. Mas para que não se notasse tanto o estado de degradação interna, não teria sido preferível arranjar alguém que tivesse uma qualquer licenciatura para dirigir a Universidade de Verão?

Sugestões de leitura

• Teodora Cardoso, Claustrofobias:

    “Têm razão - ainda que da forma mais tortuosa - os que se queixam do ambiente claustrofóbico que reina na comunicação social portuguesa. Ele não resulta, porém, das práticas de censura do governo, mas sim da incapacidade da classe política para debater publicamente os temas que contam na actualidade nacional e internacional.

    A nível político, os hábitos enquistados de acertar com as clientelas a distribuição dos despojos do poder ficaram postos em causa quando esses despojos se esgotaram. Fechou-se aí um ciclo e passou-se para um outro plano da política, mas a maior parte dos actores (e dos jornalistas que os ecoam) permanecem ainda no tempo anterior.

    À medida que vai ficando claro que não podemos esperar mais aumentos de dívidas, desvalorizações cambiais ou fundos europeus para distribuir sem critério, torna-se evidente a necessidade de mudar de rumo, problema perante o qual se manifesta a impotência das práticas tradicionais da política nacional.

    A quem se mostra incapaz de mudar estas falta igualmente a aptidão para discutir seriamente as reformas estruturais ou o enquadramento que as determina. A esse debate substitui-se a insistência na reafirmação de objectivos - o emprego, o crescimento económico, a equidade social, etc. - que só tais reformas permitirão atingir.

    Esse é, contudo, um pormenor cuidadosamente obscurecido com recurso a escândalos, faits-divers, campanhas e outras técnicas próprias de tablóides.“

• John Kay, Loucura financeira:

    “Os mercados de risco, afinal, não são norteados pelos diferentes gostos ou preferências de cada um. São-no sim, e acima de tudo, pelo conhecimento e compreensão que cada um tem dos mercados. E aqueles que têm algum conhecimento acabam por transferir o risco para aqueles que sabem ainda menos. Mas como a ignorância não está equitativamente distribuída, o mais provável é concentrar-se o risco ao invés de dispersá-lo.”

♪ Jazz em Agosto [28]




Duke Ellington, Billy Taylor & Willie "The Lion" Smith, Perdido

segunda-feira, agosto 27, 2007

Plano tecnológico




Depois de Obikwelu, Nelson Évora vence numa disciplina técnica. O fundo e meio-fundo são cada vez mais provas do Terceiro Mundo. A modernização passa também por aqui.

ADENDA [Terça-feira, 28 de Agosto] — Luís Lopes, especialista em atletismo, no Público de hoje:

    «Portugal era conhecido como um país de fundistas, e parecia adquirido “para sempre” que seriam (…) as Rosas Mota e os Carlos Lopes (…) que fariam tremular a bandeira verde e rubra em quaisquer mastros da honra atlética.

    Mas em Portugal veio a dar-se, com o atraso próprio de um país periférico, o mesmo fenómeno que nas outras nações europeias. A juventude passou a ter mais oportunidades de se expressar e o treino duro e árido do meio fundo e fundo passou a ajudar a que cada vez menos a prática da corrida de longa distância fosse encarada como uma alternativa de carreira desportiva.»

♪ Jazz em Agosto [27]




Mingus Big Band ("this worthy and exciting project"),
Song with Orange [Part 2],
at Blue Note Tokyo New Year's Eve 2005

domingo, agosto 26, 2007

Reler Maquiavel


O homem que queria estar ao leme



O nosso querido Prof. Marcelo regressou. Tenho de confessar — já sentia saudades. Marcelo falou hoje da luta no BCP e no PSD. Aqui, no campo que lhe interessa, Marcelo mostrou o que releu em férias. Nada mais, nada menos do que O Príncipe de Maquiavel.

Que ensina Maquiavel n’O Príncipe? Ensina que, quando temos dois inimigos, devemos favorecer o mais fraco para fragilizar o mais forte. Marcelo disse bem de Mendes, atribuindo-lhe a inexistente virtude de assumir erros do passado no financiamento partidário, para criticar Durão Barroso, que está a fingir-se de morto.

Logo a seguir, ao falar das eleições no PSD, defendeu o irrelevante Castanheira Barros, dizendo que ele também tem direito à vida, para assim negar a pertinência de debates entre Mendes e Menezes.

Parabéns, Prof. Marcelo! Está no bom caminho. O problema é que essa estratégia maquiavélica requer paciência, porque só lá para 2020 o veremos a disputar o poder contra um ignaro trineto do actual baronato arruinado do PSD.

A palavra aos leitores – Ainda o milho: uma nova abordagem


Albrecht Dürer, Uma Jovem Lebre




De um oficial da GNR, que pede, compreensivelmente, o anonimato, recebi um e-mail cujo interesse é inegável. O menos que posso dizer é que, si non è vero, è bene trovato. Aqui vai ele:

    Sr. Dr. Miguel,


    Costumo acompanhar o seu blog, com o qual nem sempre estou de acordo. Porém, permita-me felicitá-lo por não ter embarcado na demagogia em relação à acção da GNR em Silves. Mas acho que o Sr. Dr. e os comentadores não compreenderam o que se passa. Reparou numa notícia do jornal ‘Sol’ que revelou que a Lei Orgânica da GNR irá ser vetada pelo Presidente da República? Acha que poderia ter havido melhor preparação do veto? Não vê que os Doutores Pacheco Pereira e Graça Moura são uma espécie de lebres de serviço?

    A única coisa que me causa admiração é a comunicação social não ser capaz de compreender algo tão evidente. Será que os jornalistas são um bando naif? (…)

Sugestões de leitura

• Fernanda Palma, Desobediência civil:

    «(…) Há uma carta da prisão em que Luther King, invocando Santo Agostinho, justifica a desobediência civil contra a segregação racial. O Direito injusto é aí definido como aquele que degrada a personalidade humana.

    A desobediência civil não é uma qualquer violação da lei. Como diz Rawls, essa desobediência é não violenta, politicamente consciente e dirigida a uma mudança da lei.

    As pessoas negras que se sentavam na parte da frente dos autocarros nos Estados Unidos, desafiando uma proibição legal, são o melhor exemplo de desobediência justificada. Desobediência que foi essencial na luta pela igualdade de direitos.

    Na sociedade portuguesa, têm surgido várias situações de desobediência à lei. Recordo o caso das portagens, em que a força se revelou excessiva, e a não aplicação da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez na Madeira, por muitos tolerada.

    Esta semana, o caso do milho transgénico assume idênticos contornos. Situações muito diferentes, na aparência, são semelhantes na perspectiva do Estado de Direito. A desobediência não pode substituir a acção política democrática.

    No caso do milho coloca-se ainda a questão dos limites à actuação da autoridade. Tratando-se de crimes de dano, sem violência contra as pessoas e sem resistência à polícia, o cumprimento da lei deveria ser assegurado na justa medida reclamada pelos valores em causa.

    Há uma pergunta difícil a que respondi, há anos, na minha tese de doutoramento. Poder-se-ia matar os ‘ecologistas’ agressores, para evitar a destruição do milho?

    Os defensores da ordem prussiana entendiam que se justificava, em defesa da ordem, o homicídio de um ladrão de maçãs. Também agora há quem entenda que a ordem deve ser defendida sem limites.

    O Estado democrático privilegia, porém, a vida e os bens pessoais. A Constituição e a lei requerem proporcionalidade e adequação na defesa dos direitos. A Convenção Europeia dos Direitos do Homem determina que a autoridade só pode lesar a vida humana para defender pessoas.

    Quem fizer passar outra mensagem deve assumir que aceita a ordem como valor supremo, mesmo à custa da vida. E coloca-se, paradoxalmente, fora do Estado de Direito democrático.»

• Nuno Brederode Santos, HERÓIS DO MILHO:

    «Na Herdade da Lameira, em Silves, um garrido bando de irresponsáveis destruiu deliberadamente uma plantação alheia. Incapazes de Woodstock ou querendo fazer Porto Alegre ao pé da porta, terão talvez almejado só fazer das férias uma aventura. Um Kerouac On the road, sedentário e preguiçoso. E, já agora, uma biografia política a preço de saldos. Por isso, mascararam-se para a impunidade e confiaram numa glória sem risco. Para meu espanto, invocou-se uma "ordem moral, democrática e ambiental", Thoreau e a desobediência civil e quis-se ver ainda, no pequeno vandalismo, um épico desafio à Monsanto e a todas as multinacionais. Não foi uma cavalgada de Átila: cinco hunos no dorso de outros tantos burros teriam causado o mesmo dano em menos tempo. Mas a escassez noticiosa de Agosto acabou por corresponder da melhor forma às ambições dos intervenientes (entre os quais, muitos "jovens" com o dobro da idade requerida para a responsabilidade criminal). A comunicação social agigantou o episódio e os partidos recriminaram-se entre si. Antecipou-se um banco dos réus por onde passaram a GNR, por alegada insuficiência de efectivos, Miguel Portas, por uns eflúvios quase milenaristas de que depois se retratou, e o ministro da Agricultura, suspeito de roubar um nicho de mercado aos advogados. O primeiro-ministro foi intimado a tomar posição por líderes da oposição que não se deixam intimar pelos seus adversários internos.

    Feita que está a festa do debate democrático - que, na origem, foi pensado para coisas mais sérias -, era bom que deixássemos cair as hipérboles e nos entregássemos ao comezinho essencial. Houve uns senhores que destruíram, consciente e voluntariamente, o património de um outro senhor. Parece que ninguém duvida que o facto envolve responsabilidades. Criminal e civil. Proceda-se em conformidade. O tribunal, esse, é pago para ter de ouvir o Thoreau e a "ordem moral, democrática e ambiental". Nós não. Guarde-se, pois, para a sala de audiências o comício, patético e trapalhão. Depois, se os jornais quiserem fazer o favor de nos informar acerca do que o tribunal decidiu, a gente agradece. Se não ocorrer prescrição e ainda nos pudermos lembrar dos factos a que a sentença se refere.

    A vida em democracia (e o Estado de direito que a organiza) quer-se rica, não complicada.»

• Vasco Pulido Valente, Forças de Bloqueio (no Público de hoje):

    «(…) O dr. Cavaco sempre viu o mundo pela frincha da “sanidade e equilíbrio das finanças públicas” (que andam mal) e do crescimento económico. Na responsabilidade civil extracontratual do Estado o que ele teme (e não hesita em dizer) é que o Estado tenha de pagar a particulares muitas de centenas de milhões pelos prejuízos que eles sofreram e que pesariam inevitavelmente sobre o Orçamento. E também teme, como se compreenderá, a “sobrecarga” do judiciário e os “processos de averiguação”, que iriam com certeza revelar processos de administração, presumivelmente pouco compatíveis com a ideia de honestidade e limpeza da generalidade dos portugueses. Por outras palavras, Cavaco prefere não agitar a sopa (de que ele desconfia), em nome da dívida, do défice e da confiança. É uma escolha.

    Mas Cavaco objecta principalmente à responsabilização do executivo (nacional e local) e dos funcionários que o servem (…). O presidente acha que a responsabilização acabará por levar à “paralisia”. Este argumento equipara no fundo a eficiência a uma autoridade sem vigilância e sem limites. É uma simples variante da velha execração às “forças de bloqueio”. Parece que a acumulação de atropelos e de erros da desconjuntada democracia indígena não ensinou nada ao dr. Cavaco. Não era, de resto, de esperar que ensinasse.»

♪ Jazz em Agosto [26]



Kenny Garrett Quartet, Before It's Time to Say Goodbye


"Kenny Garrett and his quartet consisting of the late great Kenny Kirkland on piano, Nat Reeves on bass and Jeff "Tain" Watts on drums give us "Before It's Time To Say Goodbye", a beautiful Garrett ballad featuring Kenny Kirkland's artistry, Germany 1997."

sábado, agosto 25, 2007

Eduardo Prado Coelho




O meio cultural português, já muito limitado, ficou mais pobre. Morreu hoje Eduardo Prado Coelho, homem de cultura e de gosto variado — da literatura ao cinema, com incursões pelo mundo da moda, falou e escreveu com manifesto bom gosto e constante espírito de tolerância. Fica o seu exemplo e ficam os seus múltiplos escritos: da crónica de jornal à crítica de cinema, do ensaio literário à ficção.

As crónicas escritas para o Público, nos últimos anos, por Eduardo Prado Coelho estão disponíveis aqui.

Da série "Frases que impõem respeito" [71]




      Cláudia Figueira, gestora do cliente PPD/PSD na empresa Novodesign

Politiquês




Marques Mendes acaba de pôr uma pedra no assunto. Segundo afiança, vai assumir a responsabilidade pelo financiamento ilegal em resultado do qual o PSD empalmou mais de 230 mil euros.

A primeira dúvida que esta reacção de Mendes suscita é que ninguém sabe como vai ele assumir a “responsabilidade”. Talvez seja de modo parecido com a forma como se descartou das acusações de receber remunerações como se fossem senhas de presença na Universidade Atântica, justificando que tinha aceitado essas chorudas senhas de presença porque a universidade não tinha dinheiro para pagar ordenados…

A segunda dúvida reside no que Mendes diz logo a seguir: “Não está nada provado”. Irá então Mendes assumir a responsabilidade pela ignorância?

Cães treinados




Ficámos a saber nos últimos dias que há cães treinados para tudo. No caso da menina inglesa desaparecida no Algarve, foi trazido da estranja um cão especializado em cheirar cadáveres. Cá no burgo não há disso. Temos cães que cheiram droga, cães que cheiram desaparecidos e cães que cheiram explosivos.

Mas, ontem, revelou-se um bicho especializado em farejar honestidade. É o virtuoso Pacheco, que, pelo andar da conversa, sabe se alguém é honesto ou desonesto. Ou, como agora está na moda dizer-se, marca de imediato. Tratando-se de alguém (da sua facção) do PSD, cheira-lhe que é honesto. Porquê? Porque sim. Tratando-se de alguém do PS, pelo contrário, o seu apurado olfacto vaticina uma armadilha desonesta. Eis o último exercício deste invulgar farejador.

Caecus est ignis stimulatus ira

Pacheco Pereira e o GAIA — descubra as diferenças:

♪ Jazz em Agosto [25]



Carla Bley, Charlie Haden & The New Liberation Orchestra, Adagio (Samuel Barber)

sexta-feira, agosto 24, 2007

Transformar-se num cinzeiro


Tom Wesselmann


A directora dos serviços jurídicos da Câmara de Tavira queixa-se de ter sido assediada sexualmente pelo impoluto Macário Correia. Segundo o DN, a jurista terá sido aconselhada por psiquiatras e por uma magistrada do Ministério Público a permanecer longe do habitat de Macário. Um conselho amigo para evitar a baixa: que tal começar a fumar?

O Dr. Graça e o Sr. Moura

Morreram carbonizadas 15 pessoas em dois incêndios. Aconteceu hoje na Grécia. Se esta tragédia tivesse acontecido por cá, o Dr. Graça deixaria ao abandono as traduções e teríamos o Sr. Moura a salivar durante os próximos 15 dias pela imprensa de referência — com a publicação de um poema no Abrupto para rematar.

♪ Jazz em Agosto [24]



McCoy Tyner, Giant Steps

quinta-feira, agosto 23, 2007

LER OS OUTROS

Fernando e o management

Há uma regra que Seara não permite que seja violada em Sintra: câmara de TV que ponha o pé no concelho tem de o filmar e de gravar as suas doutas palavras. O resto vem por acréscimo.

Zequinha e o management

Sempre que um treinador (ou um jogador) que lhe interesse manter ligado ao FC do Porto se encontra em dificuldades, Pinto da Costa socorre-se da mesma estratégia: prolonga-lhe o contrato. Pode ser entendido como um (estranho) acto de solidariedade (de uma sociedade anónima desportiva), mas a verdade é que o poder negocial do presidente do FC do Porto aumenta quando a outra parte está fragilizada.

♪ Jazz em Agosto [23]



Lee Morgan, I Remember Clifford

quarta-feira, agosto 22, 2007

O criminologista de serviço

Os professores Figueiredo Dias, Germano Marques da Silva, Fernanda Palma e Costa Andrade não lhe chegam aos calcanhares. Eis o grande criminologista do futuro, tradutor de Dante nas horas vagas e poeta efémero. É esse mesmo — Vasco Graça Moura, ferrabrás por convicção e colunista de serviço contra o temível governo do PS.

Ele descobriu que os criminosos do milho praticaram 100 crimes: desobediência, incitamento público ao crime, tentativa de destruição de toda a seara de 50 hectares, etc., etc., etc.. É pena que este criminologista não seja, ao mesmo tempo, polícia, acusador e juiz. Era remédio santo. Umas sovas exemplares, solitária com eles e prisão perpétua. Isto, dando de barato que a pena de morte que este humanista também defende só se justifica a partir de 100 hectares de milho destruído.

Ah grande Graça Moura. Força neles! Com o companheiro Vasco, as borboletas do Governo não se safam. E continue a dar “bons conselhos” ao presidente para ver se isto entra nos eixos de vez.

(Ainda) A palavra aos leitores – A gestão dos prazos na Provedoria de Justiça


Provedor de Justiça (a esfregar as mãos)



De um e-mail de um leitor:


    "Estão a construir um monstro na Av. Infante Santo, em Lisboa. Os habitantes da zona insurgiram-se naturalmente contra a obra. A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) interveio, tendo emitido um relatório em Março de 2007. A Provedoria de Justiça leu compassadamente o relatório da IGAT, aguardando que a Câmara de Lisboa tomasse posse para lançar hoje fortes críticas ao “alheamento dos vereadores e do presidente” (Público de hoje, p. 18). Que diabo, Dr. Nascimento Rodrigues, a eficiência dos serviços da Provedoria não deixa muito a desejar? Ou houve o propósito de passar uma esponja sobre a gestão Santana/Carmona em Lisboa?"

A palavra aos leitores

Pacheco Pereira escreve hoje sobre “o caso das escolas e dos professores”. Quatro posts tão frívolos que até acredito que não tenham sido escritos pelo autor do Abrupto. Alguém imagina que Pacheco, ainda para mais quando está a falar de educação, fosse capaz de escrever “preverso”?

Mas o leitor Pedro Sacadura remeteu para o CC um comentário sobre aqueles posts, que partilho com os restantes leitores:

    “Quando Pacheco Pereira decide debruçar a sua magna atenção sobre o tema dos professores, a primeira coisa que nos deve deixar de sobreaviso é o título que escolhe para as suas prelecções: DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO: O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (1) começa logo por se impor pela sua demagogia. (…) Porém, neste seu primeiro ensaio só mesmo o título principia por nos dar alguma informação: Pacheco Pereira fala de injustiças, fala de ambientes de cortar à faca, mas o que fica realmente do seu primeiro texto é a sua opinião, poucos factos, pouco case study. Pacheco Pereira começa e logo falha rotundamente.

    No seu segundo ensaio, mantendo o mesmo fabuloso título, percebe-se que quer atacar a alteração de prazo do concurso para professor titular realizada pelo Ministério da Educação. Para isso, de novo se impõe a demagogia: relembra-nos Pacheco Pereira que os professores “são obrigados a ter férias em Agosto” e que por isso é traumático tudo o que ainda são obrigados a fazer em Agosto. É este cenário de populismo fácil, mas que vindo de si já não surpreende, que serve de moldura às vagas palavras em que atribui mudanças no concurso para professor titular. Porém, não explica quais, não faz precisões, não critica as razões. Para quem quer falar da realidade micro Pacheco Pereira fala muito por alto.

    No seu terceiro ensaio há menos demagogia e mais posição política. Por exemplo, ficamos a saber que Pacheco Pereira é contra a autonomia das escolas, critica o que chama de critérios ad hoc e ficou por escrever que preferiria um sistema de centralismo democrático em que fosse tudo avaliado da mesma maneira sem atender às necessidades das escolas e das comunidades envolventes. Ficamos igualmente a saber que qualificação para Pacheco Pereira é saber de experiência feita, beneficiar as qualificações académicas – e isto vem de um académico – no âmbito da carreira docente é algo perverso. Por fim, ficamos também a saber que Pacheco Pereira é contra a mobilidade: o que era bom é que os professores ficassem nas escolas, em topo de carreira onde ganham mais, proporcionalmente, do que na maioria dos países europeus, com muito menos carga lectiva.

    Isto é sobretudo lamentável pois não é sequer verdade. É no seu quarto exercício demagógico que Pacheco Pereira demonstra a sua ignorância ou, certamente, total incompreensão do sistema criado pela alteração ao Estatuto da Carreira Docente. O novo estatuto vem garantir que os professores com mais experiência – mas também aqueles com mais qualificações académicas – são aqueles que realmente ocupam os cargos dirigentes nas escolas, assumindo assim maior responsabilidade. O que Pacheco Pereira podia dizer, na sua senda de falar do caso concreto, é que existiam centenas de micro casos de professores que passavam as funções de direcção e coordenação nas escolas para professores mais novos, desonerando-se de uma responsabilidade que a sua experiência melhor garantiria. Com a criação de competências exclusivas dos professores titulares essa situação inadmissível deixa de poder acontecer. Porém, Pacheco Pereira, que conhece tantos casos, aparenta não conhecer nenhum destes casos. A sorte realmente favorece os audazes.

    Já agora, Pacheco Pereira, na desinformação que leva a cabo, podia ter aberto uma excepção para explicar que a alteração dos prazos no concurso de professores implica o ganho de uma semana no início do ano lectivo e que tal antecipação foi comunicada, ainda em Julho, aos sindicatos.

    Mas o que realmente impressiona é que se fizerem copy/paste dos até agora 4 ensaios demagógicos de Pacheco Pereira - sobre tema tão complexo e importante - e o transformarem num único texto e tentarem resumi-lo não sobra nada. Não se percebe de que casos micro está Pacheco Pereira a falar. Tudo o que paira é uma neblina de insinuações, provocações, meias-palavras. Pacheco Pereira, o bibliófilo, devia informar-se mais, devia ler mais.”


ADENDA [23:58] - Pacheco Pereira já corrigiu o erro ortográfico. Sobre quem é useiro e vezeiro em mexer no que escreve na Net, que tanto tem escandalizado Pacheco nos últimos dias, haveria tanto a dizer. Infelizmente, não temos tempo.

O país visto da São Caetano à Lapa

          — Ó Azevedo Soares, de que é que eu falo hoje?
          — Sei lá, Luisinho. Olha, já há muito que não falas das PME…


Não é o facto de ser a terceira vez que Marques Mendes propõe as mesmas “medidas” para as PME que tem graça. Nem sequer o facto de dizer que não fala com “funcionários”, referindo-se ao responsável do IAPMEI, ele que nunca fez nada na vida a não ser andar por aí.

O que é verdadeiramente extraordinário é o facto de Mendes propor medidas que há muito foram tomadas, revelando um profundo desconhecimento da realidade. Veja-se aqui.

Mendes, o moralista





Quando lhe perguntaram o que achava do financiamento ilegal do seu partido, Marques Mendes deu uma resposta de grande nível: não sei de nada e não tenho a culpa. Mendes omite que era um dirigente responsável do PSD e ministro do Governo de Durão Barroso quando o tal financiamento ilegal foi feito.

Mas, para além do financiamento ilegal, há um pormenor que o advogado avençado de Pacheco Pereira poderia esclarecer. É que o financiamento foi feito através de falsificação de facturas. Onde estava escrito o nome “PSD” como entidade pagadora, houve uma rasura e foi escrito o nome da construtora que, à socapa, contribuiu com uma elevada verba para o PSD.

Com um raro sentido de oportunidade, Mendes foi celebrar este feito, defendendo o apoio às PME — como a construtora Somague, presume-se. Há que prever o pagamento das contas de futuras campanhas… Ou será que isso inclui já as campanhas internas contra o companheiro Menezes?

Em defesa da moralidade, Mendes tomou outra atitude notável. Defendeu já incondicionalmente o presidente da Câmara Municipal do Funchal, que é acusado de umas ilegalidades lá na Madeira. Mas, na Madeira, vale aparentemente tudo. Aí, tal como disse o presidente da República, só os tribunais podem decidir.

♪ Jazz em Agosto [22]




Charlie Haden Quartet West, First Song

[No CD In Angel City, Ernie Watts aparece no lugar de Gary Foster]

terça-feira, agosto 21, 2007

LER OS OUTROS

Entre a inocência e a ignorância

Pacheco Pereira arranjou finalmente um jurista. O azar é que esse jurista sabe pouco — como, aliás, confessa humildemente. Pacheco Pereira, mestre da teoria geral, esquece-se sempre do essencial.

O essencial é que, tal como a GNR divulgou, o proprietário não quis apresentar queixa no dia em que o crime foi praticado. Por isso, se a detenção tivesse sido feita minutos antes, não poderia continuar. Se a detenção ainda não tivesse sido feita, o que foi o caso, porque o proprietário foi logo questionado, não poderia ser feita depois.

Quanto à ilegalidade da manifestação, Pacheco Pereira continua a não querer ver o que é evidente. Não houve nenhuma manifestação com pré-aviso nem convocada anteriormente. Houve uma manifestação organizada previamente à socapa, que conseguiu iludir a vigilância policial, porque estamos a falar de uma herdade de mais de 70 hectares.

Os “manifestantes” — cerca de 50 indivíduos transportados num autocarro — conseguiram entrar na herdade e destruíram um hectare de milho, até que a GNR, que chegou ao local em dez minutos, os expulsou de imediato.

O reforço de outro autocarro de “manifestantes” já nem conseguiu pôr o pé na plantação, porque a GNR, que, entretanto, já tinha mais de uma dúzia de elementos no local, o impediu.

O que aconteceu a seguir — e não antes — é que os desordeiros foram conduzidos para fora do local, depois de terem sido identificados os porta-vozes e os organizadores. Questionado o proprietário, este não pretendeu apresentar queixa, o que inviabilizou a detenção.

A lei é uma maçada, Dr. Pacheco Pereira, mas ainda vivemos num Estado de direito.

Afinal, havia outro…





Não é só Pacheco Pereira que percebe de técnicas policiais. Também Marques Mendes opina sobre o assunto: “Uma força de intervenção, que lhe compete exercer a autoridade, não exerceu, que lhe compete defender pessoas e bens e não defendeu. Assistiu impávida e serena ao cometimento de um crime”. Disto sabe Mendes, que terá andado por certo na Academia Militar.

O mais engraçado é que não percebe de outros assuntos. Interrogado no mesmo lugar, na Figueira da Foz, “Marques Mendes escusou-se a comentar o acórdão do Tribunal Constitucional que revela que o PSD terá recebido ilegalmente, em 2002, mais de 233 mil euros em donativos indirectos de uma construtora civil”. Não seria melhor começar por dar uma espreitadela para o interior do seu partido?

Sugestão de leitura

Pedro Adão e Silva escreve no Diário Económico um artigo intitulado O Pacto do PSD, de que se transcreve esta passagem:

    “É muito provável que Marques Mendes vença as eleições internas. Mas vai vencer com base num pacto que não augura nada de bom. Se soma hoje apoios vindos de todos os quadrantes internos é pela convergência táctica de dois objectivos: impedir que Luís Filipe Menezes lidere o PSD e fazer de Marques Mendes o candidato nas próximas legislativas, antecipando uma derrota. Só assim se percebe, por exemplo, as manifestas desautorizações de que este foi alvo por dois dos redactores da sua moção estratégica (Dias Loureiro e Eduardo Catroga).”

♪ Jazz em Agosto [21]



Tommy Flanagan, Lament

segunda-feira, agosto 20, 2007

Três dúvidas que atormentam Pacheco

O “MAI” foi entrevistado por Mário Crespo. Ainda o jornalista se estava a despedir e já Pacheco Pereira dava furiosamente à tecla. Eis as três lancinantes questões que levaram Pacheco ao desespero:

1. Pacheco apela aos juristas que desmontem “uma habilidade do MAI”, que, em seu entender, teria feito uma distinção entre detenção e manter alguém detido. A questão não é complicada e até o autor do Abrupto, se conseguir descontrair-se, perceberá. Como as imagens da televisão mostraram, o proprietário do terreno, que é o ofendido, não manifestou logo a intenção de se queixar. Por essa razão, a partir desse momento não podia haver nenhuma detenção e, se tivesse havido, não poderia ter sido mantida. Percebeu, Dr. Pacheco Pereira?

2. Quanto ao enquadramento dos manifestantes pela GNR, acho que Pacheco tem desculpa. Apesar da sua badalada inteligência, não se terá apercebido de uma coisa muito óbvia: esse enquadramento ocorreu na retirada, após a destruição do milho, e não antes. Compreendeu, Dr. Pacheco Pereira?

3. Quanto aos comentários sobre a associação GAIA, há uma pequena “habilidade” de Pacheco. A associação GAIA foi a organizadora, conjuntamente com a Universidade Nova, que a acolhe, da Ecotopia. Mas a associação GAIA não é a associação Verde Eufémia, que andou por Silves. Entendeu, Dr. Pacheco Pereira?

♪ Jazz em Agosto [20]


Dave Douglas e Uri Caine

Blues to Steve Lacy

Jazz Baltica Festival 2007 (Salzau/Germany)
Dave Douglas - Trumpet,
Donny McCaslin - Tenor Sax,
Uri Caine - Fender Rhodes,
James Genus - Bass,
Clarence Penn - Drums

domingo, agosto 19, 2007

O grande educador da polícia


Recordações da Casa Amarela



Outros foram educadores da classe operária. Pacheco Pereira especializou-se em educar a polícia. Sem fazer a menor ideia do que está a dizer, resolveu criticar a “atitude passiva” da GNR de Faro e, vai de caminho, entendeu por bem zurzir o Governo.

O que Pacheco sabe sobre o assunto é coisa nenhuma. Ignora por inteiro que a intervenção da GNR foi pronta e rápida e os três homens da patrulha chegaram ao local poucos minutos depois da invasão do terreno cultivado e obrigaram os manifestantes, em número de algumas dezenas, a retirar de imediato. Ignora que se juntaram mais tarde outros manifestantes, perfazendo mais de uma centena, e que houve um reforço da GNR, que os expulsou do terreno cultivado após ter sido destruído cerca de um hectare de plantação. Pacheco ignora também que foram identificados pela GNR, o que não é fácil nestas circunstâncias, os cabecilhas da manifestação, o que permitiu instaurar um processo crime para os fazer pagar pelos seus actos, bem como àqueles que os ajudaram ou instigaram.

Pacheco reagiu ao que viu na televisão como aquilo que é e, por mais esforço que faça, nunca deixará de ser: um estalinista vulgar. A sua visão da ordem do Estado é simples. Cacetada da grossa e tiros, mesmo que seja para garantir que um hectare de milho não é ameaçado. Estivessem mortos o proprietário e alguns manifestantes e Pacheco esfregaria as mãos, dizendo que o Governo tinha caído no autoritarismo.

A GNR não seguiu a cartilha de Pacheco: respeitou a Constituição [cf. Jornal de Notícias]. A sua actuação obedeceu aos princípios constitucionais da necessidade, proporcionalidade e adequação. Já imaginaram se um dia nos calha em sorte ter Pacheco a dar ordens à GNR?

Mais pérolas do Atlântico - Deboche e degradação




Também o companheiro Jardim dá provas de grande vivacidade democrática. Dando saltos como um canguru decrépito num comício em Porto Santo (tomará o homem Red Bull?), o companheiro Alberto João explicou a ameaça que nos rodeia. O terrível Governo quer as mulheres todas a abortar e as pessoas a casarem com outras do mesmo sexo. Uma porcaria, claro está.

Por isso, diz o companheiro Jardim, é preciso arrasar Sócrates e os seus cúmplices — tal como ele se gabou em palco de ter feito na Madeira, numa campanha eleitoral memorável. Seja qual for o companheiro que vença o combate no contenente, eis a solução: um curso de reciclagem com o companheiro Jardim para lutar contra o deboche e a degradação, dar umas vergastadas aos maricas e pôr a mulher a fazer renda e a obedecer ao marido. A bem da Nação.

Companheiros?

A companheira Helena Lopes da Costa queixa-se de algo surpreendente. Enquanto estava no Pontal na mesa do companheiro Menezes, um seu filho, que estava a passear o cão, foi ameaçado de morte por causa das opções partidárias da mãe. Helena Lopes da Costa esclareceu que também uma sua filha foi ameaçada de morte por causa das opções partidárias da mãe. De onde provirão estas ameaças? De gente de outros partidos? Do Governo autoritário do PS? Não, a companheira Helena desconfia e insinua que são outros companheiros que andam a dizer que lhe querem limpar o sebo.

Mas os portugueses podem ficar descansados. Isto é só entre companheiros. Para fora, todos eles são respeitadores dos direitos e do pluralismo democrático e até têm flatos de indignação quando algum cavalheiro de virtudes da DREN é ameaçado.

Sugestão de leitura

    Nuno Brederode Santos, OUTRA VEZ NÓS E O FISCO: “A hostilidade comum ao gato não faz uma aliança para a vida entre o cão e o rato. Que eu saiba, nunca fez.”

Pérolas do Atlântico

♪ Jazz em Agosto [19]



Zoot Sims, Red Mitchell e Rune Gustafsson, Sweet Lorraine

sábado, agosto 18, 2007

A mortificação do orçamento




O défice orçamental caiu 22,6 por cento nos primeiros sete meses do ano. Este senhor, que anda sempre a bater com a mão no peito, não se contenta: quer mais cortes na despesa. Prefere na saúde, nas pensões ou na educação? Ou opta por fechar os olhos à fraude fiscal para não aumentar a receita?

Novidades são no Continente

… mas o Público não está autorizado a falar delas.

PS — Sabia que alguém se apossou de um computador do Público e “vandalizou” por 40 vezes a Wikipedia?

Marx




Não encontra uma linha no Público sobre Groucho Marx quando passam 30 anos sobre a sua morte? Não desespere, caro leitor. Leia aqui que não perde com a troca.

♪ Jazz em Agosto [18]



Max Roach, que morreu na quinta-feira aos 83 anos

sexta-feira, agosto 17, 2007

Andar por aí (e por aqui)


La duquesa de Alba, fiel amante de los toros, asistió a la corrida de la Feria de Málaga



Vou aqui ao lado ver como funciona a monarquia, mas sempre com um olho na República. Prometo não escrever em castelhano nestes poucos dias fora.

Acerca da independência do Tribunal de Contas


Sergeicartoons



            Oliveira Martins (sobre a estratégia do Tribunal de Contas)


Traduzido por miúdos, significa que o Tribunal de Contas já só vai auditar actos praticados na vigência do actual governo. Mais tarde ou mais cedo, José Manuel Fernandes faz sair um panegírico sobre Oliveira Martins. O juiz Moreno é que não deve caber em si de contente.

Sugestão de leitura

♪ Jazz em Agosto [17]



Ray Brown Trio, Summertime

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sugestões de leitura

    Vital Moreira, Liberdade de profissão: “Existe em Portugal uma tradição corporativa de malthusianismo profissional, que tem produzido restrições excessivas da liberdade profissional. Provavelmente, em nenhum outro país existem tantas profissões que exigem um grau académico de nível superior, como entre nós. Num país onde as taxas de ensino secundário completo são das mais baixas da Europa, a exigência de níveis académicos elevados para o exercício de profissões constitui um factor de exclusão de muita gente.

    O que é curioso nesta discussão é verificar a preocupação com a eventual restrição de profissões “secundárias” por parte de comentadores que têm silenciado, se não aplaudido, as restrições a profissões liberais que, em muitos casos, não podem deixar de ser consideradas intoleráveis, como sucede, por exemplo, com a “certificação” de cursos académicos por várias ordens profissionais e com o artificial ‘numerus clausus’ nos cursos de Medicina, como meio de restrição à profissão médica.”


    Ricardo Reis, Crise na banca internacional – Explicando a crise do ‘subprime’: E agora? O efeito na economia real dos problemas nos empréstimos ‘subprime’ deve ser pequeno. Estamos a falar só de 1% dos devedores no mercado da habitação americano em incumprimento. Já o efeito nas acções dos bancos é obviamente negativo, porque fizeram um mau negócio no ‘subprime’, mas não há mal nenhum nos bancos perderem dinheiro de vez em quando como qualquer outra empresa. O verdadeiro perigo é que os bancos estejam em piores sarilhos do que descobrimos nos últimos dias despoletando uma crise financeira. Mas, os bancos centrais estão vigilantes, pelo que este ainda é um cenário improvável.”

♪ Jazz em Agosto [16]



Sonny Stitt, Lover Man

quarta-feira, agosto 15, 2007

Público on line não recebeu o telex da Lusa

O Zeca Mendonça não o pode deixar à solta



O silêncio ensurdecedor dos blogues de direita sobre a evolução da economia evidencia que a coisa vai benzinho, graças a Deus. Marques Mendes é que parece ser o único português que não lê jornais nem vê televisão: “só um governo social-democrata [do PSD, presume-se] será capaz de inverter esta tendência negativa [sic]”. Talvez o Zeca Mendonça, que já anda nestas vidas há tantos anos, possa levá-lo pela mão ao site do INE (PIB e inflação). Estes consecutivos trambolhões do líder do maior partido da oposição não dignificam o país.

Globalização (a €1.35)




Não é caso para desesperar. Pode-se sempre optar pelo diário El Pais, que, por exemplo, dedica hoje três páginas aos juguetes peligrosos da Mattel, ao contrário do Público, que se limita a transcrever um indolente telex das agências noticiosas.

Ele e a sua circunstância... (adenda)


"O Pontal onde Menezes foi popular e Mendes populista"



Afinal, Marques Mendes é agora pela regionalização: "numa deriva regionalista defendeu a autonomia para a junta metropolitana do Algarve". O (ainda) líder do PSD anunciou que irá apresentar um projecto de lei para reforçar os poderes da Junta Metropolitana do Algarve. O inimitável Macário Correia esclareceu o alcance da medida: "Trata-se de um contributo considerável para que se avance para a regionalização, e é muito bem-vindo".

A regionalização algarvia proposta por Mendes suscitou o seguinte comentário a Menezes: «Temos que apresentar propostas de âmbito nacional e não ter proposta de uma cor no Algarve, de outra cor em Trás-os-Montes, para agradar circunstancialmente a este ou àquele eleitorado ou a determinados militantes em determinada circunstância partidária. Não podemos ter discursos ‘à la carte’».

Aguarda-se com alguma ansiedade a continuação da conversa entre Paulo Gorjão e Pedro Correia sobre o populismo no PSD.

Da série "Frases que impõem respeito" [70]




    "Estou-me nas tintas para os regulamentos da República Portuguesa".

Ele e a sua circunstância...




Sendo Marques Mendes contra a regionalização, aceitar discursar no arraial do Pontal sob o slogan O ALGARVE É UMA REGIÃO revela como é um homem de fortes convicções. A colagem na festa do Chão da Lagoa não foi uma distracção.

♪ Jazz em Agosto [15]



Dexter Gordon, Guess I'll Hang My Tears out to Dry

terça-feira, agosto 14, 2007

Moral da história




A fiscalidade é um assunto demasiado sério para ser deixado exclusivamente nas mãos dos fiscalistas.

Sugestões de leitura

Agradecimento

Agradeço ao José Manuel Dias o destaque dado no Cogir ao CC.

♪ Jazz em Agosto [14]



Lennie Tristano, Tangerine (Copenhaga, 1965)

segunda-feira, agosto 13, 2007

Sugestões de leitura

♪ Jazz em Agosto [13]


Foto de Herman Leonard


Famous & Recognizable Jazz Artists


Charlie Parker - Saxophone
Coleman Hawkins - Tenor saxophone

Hank Jones - Piano
Ray Brown - Double bass
Buddy Rich - Drums

Bill Harris - Trombone
Lester Young - Tenor saxophone

Harry Edison - Trumpet
Flip Phillips - Tenor saxophone

Ella Fitzgerald - Vocals, Scatting

The Lineup:

0:18 - Coleman Hawkins,
Hank Jones, Ray Brown, and Buddy Rich.

2:53 - Charlie Parker,
Hank Jones, Ray Brown, and Buddy Rich.

5:15 - Hank Jones,
Ray Brown, and Buddy Rich.

7:12 - Bill Harris, Lester Young,
Hank Jones, Ray Brown, and Buddy Rich.

10:43 - Flip Philips, Harry Edison,
Ella Fitzgerald, Bill Harris, Lester Young,
Hank Jones, Ray Brown, and Buddy Rich.

14:56 - The End

domingo, agosto 12, 2007

Mas já ninguém respeita o homem?


Imagem



Dias Loureiro foi escolhido por Marques Mendes para ser o coordenador da sua moção de estratégia ao próximo congresso do PSD. Em entrevista ao Sol (de ontem), Dias Loureiro arrasa a estratégia seguida por Mendes nos dois últimos anos. Eis alguns extractos da entrevista:

Carisma

    [Margarida Marante – Acha que Marques Mendes tem carisma?]
    “Carisma? Lembro-me sempre que o Aznar dizia que o carisma vem com o Poder.”

Populismo

    “Acho que o PSD tem que perceber que está a preparar-se para ser Poder e não deve ter uma atitude facilitista de oposição por oposição. Se não, torna-se um partido que está nas margens do sistema, um partido populista.”

Actual governo

    “O Governo chegou com um pendor reformista, com o qual concordo. Aquilo que começou a fazer na Administração Pública e em algumas políticas sociais vai no bom sentido. Na Saúde e na Educação não fez tudo bem, mas deu passos positivos. O PSD tem que ter esta postura, tem de estar de acordo com aquilo que lhe parece bem.”

    “Se há alguma coisa de que o Governo de Sócrates não pode ser acusado é de querer a todo o custo ganhar votos.”

Impostos

    [Margarida Marante – Marques Mendes defendeu uma descida de impostos, tendo sido desde logo contrariado por Eduardo Catroga. Na moção, como vai ser?]
    “A moção não está feita. E o facto de ser eu o coordenador e o dr. Catroga um dos colaboradores já lhe dirá alguma coisa sobre isso.”

“Claustrofobia democrática”

    “Se há alguma coisa que não está em causa em Portugal é a liberdade e a democracia.”

Pobre Mendes, as “elites” meteram-no no bolso.

♪ Jazz em Agosto [12]



Eric Dolphy, God Bless the Child (Berlim, 1961)

sábado, agosto 11, 2007

A bola já rola


LER OS OUTROS

♪ Jazz em Agosto [11]



Ornette Coleman on TV Berlin 1972: Solo Piano & Saxophone.
Toca na Gulbenkian hoje (às 21H30).

sexta-feira, agosto 10, 2007

Outro (apanhado em flagrante)


Romano e Flavia



Já não há presidentes (do Conselho de Ministros) como antigamente. Agora em todo o mundo civilizado gozam-se férias ou fazem-se coisas ainda piores. Temos de ser pacientes, João, a esperança é a última coisa a morrer.