sábado, outubro 31, 2009

Isto não vai acabar bem [Nova série – 11]



Paulo Querido



Juntos até na desgraça




1. A inventona de Belém fez ricochete e é cada vez pior a opinião que os portugueses têm de Cavaco: em queda acentuada, o Presidente da República perde mais de nove pontos, registando o valor mais baixo deste ano no barómetro da Marktest para a TSF e o Diário Económico.

As opiniões mais críticas da actuação de Cavaco têm maior incidência entre os portugueses das denominadas classes alta e média alta, ou seja, como salienta o insuspeito Rui Ramos, "junto do público que tem mais acesso à informação".

2. A Dr.ª Manuela faz questão de acompanhar Cavaco. Apesar do trambolhão do Presidente da República, a maior queda é da líder do PSD, que cai mais de 13 pontos, registando o pior valor desde que assumiu a liderança do partido e o maior número de opiniões negativas entre o eleitorado do PSD (50 por cento chumbam a actuação de Ferreira Leite).

3. No capítulo das intenções de voto, e cerca de um mês depois das eleições, o barómetro espelha a actual arrumação das forças políticas: o PS em primeiro, com 42,9 por cento, depois o PSD que cai oito pontos para os 23,7 por cento, o CDS regista 12,5 por cento, depois o Bloco 8,8 por cento e, por último, a CDU com seis por cento.

O Público segundo o criador





No dia em que o Público (se) despede (de) José Manuel Fernandes, o director do Público escreve um último editorial, em que o delírio assume contornos patológicos. Leitores ou ex-leitores, gente de esquerda ou de direita, jornalistas ou não, não há ninguém que tenha a visão idílica do jornal que ele quer fazer passar no editorial de hoje.

Juntou-se no Público a fome com a vontade de comer: um projecto de poder alimentado pelo que de mais sórdido ia acontecendo lá fora com um projecto de pressões e represália sobre o poder político. Por ironia do destino, quanto mais o Público falava em asfixia, mais o seu accionista ia desinvestindo, transformando o jornal num produto híbrido, que pode fazer da próxima direcção uma mera comissão liquidatária.

Mas o melhor é dar a palavra a Vicente Jorge Silva, recordando o que o primeiro director do Público escreveu, há tempos, sobre a trajectória do jornal. Eis algumas passagens do artigo que pode ser lido aqui:
    “(…) não posso ficar indiferente quando uma história na qual participei é contada de forma distorcida - pelo menos aos meus olhos - e que, para conveniência dos seus actuais protagonistas, surge exposta de modo linear, pacífico, sem descontinuidades ou conflitos, quando ela é efectivamente descontínua, dramática e de rupturas (embora não assumidas) ao longo do tempo.

    Não se pode disfarçar o que é indisfarçável e pactuar com a hipocrisia ou o cinismo dos que pretendem rasurar o passado daquilo que não encaixa na sua interpretação falsamente beatífica das coisas.”

    “Fernandes faz de conta que entre o princípio e o fim provisório desta história terá havido uma linha editorial essencialmente coerente com o espírito original do jornal. Por outras palavras: simula que a memória não existe, nem sequer a dos leitores que, tendo acompanhado o Público desde os primeiros tempos, puderam constatar não apenas as suas radicais metamorfoses gráficas e estruturais como, sobretudo, o alinhamento ostensivo das posições editoriais mais influentes - as do director, obviamente - com uma cruzada ideológica de matriz neoconservadora, que levou, entre outras coisas, à legitimação das políticas da actual Administração republicana e da intervenção no Iraque.”

    “Não ponho em causa o direito que assiste a José Manuel Fernandes de escrever o que escreve e defender as causas em que acredita. Tal como não questiono o seu direito e o da administração do Público de proceder à transformação do jornal em algo essencialmente diferente daquilo que foi nas suas origens já longínquas. São as regras do jogo: quem tem dinheiro e poder é que manda (…)”.

    “Tal como não imagino que o New York Times se transforme no Wall Street Journal ou vice-versa - sendo ambos eles, diga-se, excelentes jornais, embora de orientação editorial antagónica -, não me parece normal que um jornal que foi uma coisa passe a ser outra insistindo em fingir que o não é enquanto alguns que criaram o Público se conformam temerosamente com essa aparente fatalidade.

    Aquilo que hoje afecta - por vezes muito injustamente, reconheço - a credibilidade do Público tem a ver com a falta de transparência e o carácter errático da sua linha editorial. É uma opinião, mas, como se sabe, está longe de ser apenas a minha opinião.”

Leituras

• Raúl Vaz, Marcelo no ringue:
    O desafio - irresistível a não ser que o medo imponha uma reforma precoce - é exigente e obriga à descoberta de ouro no pote.
• Ricardo Reis, A isenção das mais-valias:
    Há argumentos pró e contra a taxação das mais-valias. Há razão dos dois lados, porque poucos temas da fiscalidade são tão difíceis como este.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Depois de 300 entrevistas e 30 livros, sempre com as mesmas frases, Medina Carreira atira-se ao "talk show"


[Expresso, 31 Out 09]

A SIC descobriu o filão dos programas de humor. Depois dos Gatos, o Medina. Em Plano Inclinado, embora Queda a Pique fosse mais adequado. Apelidar Mário Crespo de "moderador" é coisa de que nem o Ricardo Araújo Pereira se lembraria...

Está-nos no sangue

A Pide nunca existiu, obviamente.

E o Medina Carreira? Esqueceram-se do Medina Carreira



Vítor Bento: Vamos ser «os Trás-os-Montes da Europa».

António Carrapatoso: «Grandes obras públicas são um erro».

Ernâni Lopes: «Corrupção e burlas condenam o país».

Que se passa com os intelectuais do PCP? [1]

Hoje, António Vilarigues aparece nas páginas do Público muito satisfeito com os resultados de uma investigação do Sr. Zemskov, “russo e historiador” que tem “do mundo uma visão conservadora e anti-socialista”. Escreve Vilarigues: «Zemskov documentou que entre 1921 e 1953 foram “reprimidas” quatro milhões de pessoas. De entre elas, o regime soviético fuzilou por motivos políticos cerca de 800 mil pessoas, em concreto 799.455. Longe, muito longe, dos milhões, dezenas de milhões, mais de 100 milhões, referidos por Conquest, Soljenenítsine, Medveded e outros

Mas há outra razão para a satisfação de Vilarigues: “Como termo de comparação refira-se que (…) havia 2.193.789 pessoas presas nos Estados Unidos em Dezembro de 2005. Mais 4,1 milhões estavam presos temporariamente e cerca de 800.000 em liberdade condicional. Estes números totalizam mais de 7 milhões de pessoas — o que representa 1 em cada 32 norte-americanos adultos — que estariam sob algum tipo de supervisão do sistema prisional dos EUA.

António Vilarigues não vê necessidade de distinguir delitos comuns de “delitos” políticos ou de opinião.

(a continuar)

Leituras

• Daniel Amaral, O santinho das pensões:
    O drama está aqui. Com o PIB a decrescer e a inflação a seguir o mesmo caminho, a aplicação do modelo levaria à redução dos valores. Tomemos, por exemplo, uma pensão de 3.000,00 euros com uma inflação de -2%: actualizada, esta pensão cairia para 2.917,50 euros (-2,75%). Mas não vai ser assim. Logo que se apercebeu deste fenómeno conjuntural, o Governo assumiu publicamente um compromisso que o seu sucessor não deixará de respeitar: não haverá decréscimo nominal das pensões.

    Foi por saber de tudo isto que fiquei banzado com as últimas "exigências" de Paulo Portas. Ele "exige" que o Governo faça aquilo que já disse que faria! Mas eu percebo. Tratando-se de uma classe fragilizada, que tem dificuldade em lidar com números, Portas quis parecer a seus olhos como o arauto da justiça, o guardião dos pobres, o defensor dos oprimidos. Portas: o santinho das pensões. Demagogia pura a céu aberto.
• Fernanda Câncio, Saramago levado à letra:
    Até aqui tudo normal - milagre será o dia em que "autoridades religiosas" assistam com serenidade a opiniões diferentes das suas e que crentes mais tresloucados não apelem à guerra santa, seja sob a forma de pena de morte, como sucedeu com Rushdie, ou de "desnacionalização", como ocorreu a um eurodeputado de nome David.
• Leonel Moura, A miséria da arte:
    (…) um primeiro passo para diminuir a indigência cultural entre nós seria fazer um 'upgrade' do sistema público de gestão cultural no sentido de o dotar de rigor e transparência. De contrário, continuaremos a gerar uma dupla miséria. A dos criadores, que não têm um quadro de actuação claro, ficando sujeitos a todo o tipo de incerteza, exploração e dependência, e a da própria criatividade, que perde dinamismo, incapacidade de se renovar e efectiva inovação.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Voltemos ao que REALMENTE interessa

Os indicadores de clima económico e de confiança dos consumidores voltaram a aumentar em Outubro, juntamente com as melhorias nas expectativas de desemprego, indicou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Bolsa regista a maior subida diária desde Abril.

Economia dos EUA sai da recessão e cresce 3,5 por cento no terceiro trimestre.

Isto não vai acabar bem [Nova série – 10]



Paulo Querido



Marcelo disse: 'alguém se há-de arranjar, o partido não fica para Passos Coelho'”. Em resposta, Passos Coelho, em entrevista à SIC-N, desafia Marcelo a deixar-se de tremores e a avançar: “Espero que aqueles que acham que têm um caminho melhor do que eu [apareçam], que de repente o professor Marcelo apareça e se vá candidatar”. E este desafio parece também extensivo aos barões que vagueiam pela São Caetano: “há várias semanas que aparecem notícias dizendo que se há-de encontrar uma solução para que o partido não fique nas minhas mãos.

Para Passos Coelho, a alternativa à sua candidatura é a belenização do PSD: "Nós não podemos ter os mesmos protagonistas, as mesmas ideias, a mesma agenda. Se continuarmos assim, hoje tivemos 29%, amanhã 25% e iremos acabar a disputar com algum outro partido a segunda divisão."

________
Nota — Passagens da entrevista de Passos Coelho à SIC-N transcritas no DN.

Porque é que o povo que sai à rua não dá um saltinho às secções de voto?

• Ferreira Fernandes, Ciência mata mais uma ilusão:
    A convicção de que uma manifestação é enorme nasce porque há sempre alguém esganiçando-se ao microfone: "Se isto não é povo, onde é que está o povo?" E os jornais do dia seguinte confirmam: "Meio milhão nas ruas!" Era assim, é assim, mas há que rever essas orgias de números - porque, agora, há tecnologia que apanha mais depressa uma manifestação do que um coxo. As notícias chegam de Espanha, de uma manifestação (por acaso de direita, mas com a esquerda seria o mesmo) contra o aborto. Estimaram os organizadores: 2 milhões. A Comunidad de Madrid (do PP, próxima dos organizadores): 1,2 milhões. A polícia: 250 mil. Extraordinária diferença! Mas ainda não viram nada. A empresa Lynce, especialista do assunto, pôs um zepelim no ar, com quatro câmaras de alta resolução e dois vídeos de alta definição. E não estimaram, contaram: 55 316 cabeças!

Leituras

• António Costa, Há decisões que são mínimas!:
    É necessário, primeiro, recordar o que está em causa: no final de 2006, num dos (poucos) momentos de diálogo e de entendimento entre Governo e parceiros sociais, no âmbito da concertação social, foi estabelecido um acordo relativo ao aumento da Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG), ex-salário mínimo, num horizonte temporal de cinco anos, até 2011. À luz daquele acordo, a salário mínimo para 2008 foi fixado em 426 euros, estabelecendo-se que atingiria 450 euros em 2009 e 500 euros em 2011. Falta, portanto, conhecer o valor intermédio do próximo ano.
• João Cardoso Rosas, Igualdade de oportunidades e de resultados:
    Para a esquerda, a justiça social implica maior igualdade de oportunidades e redução das desigualdades sociais medidas pelo índice de Gini. A direita não pensa exactamente da mesma forma. Esta considera que é importante promover a igualdade de oportunidades, mas não costuma prestar grande atenção à diminuição das desigualdades sociais (apenas à assistência aos muito pobres - o que é diferente). Para a direita, a igualdade de oportunidades é importante, mas não a igualdade de resultados.

Haver ou não haver (varinha mágica), eis a questão

quarta-feira, outubro 28, 2009

Presidenciais de 2006

Medina Carreira em entrevista ao Jornal Negócios / Weekend de 23.10.2009:
    - Porque é que apoiou Cavaco em 2006?
    - Porque o Mário Soares não tinha temperamento adequado às circunstâncias. Na situação em que estamos ia receber os sindicatos todos, ia dar razão a toda a gente, e o Governo não ia conseguir trabalhar. E o Cavaco dava-me essa certeza. Hoje, reconheço que em Belém precisávamos de meio Cavaco e meio Soares. Soares é um homem cheio de virtudes (e defeitos também). Tem qualquer coisa que não se define, que era necessária neste momento, e que Cavaco não tem.

Toda a gente sabe que o Plano Tecnológico é só propaganda…

… mas Portugal aparece, vá-se lá saber como, “em segundo lugar entre 23 países (os mais desenvolvidos da UE mais Suiça, Noruega, Islândia e Turquia) no que toca à disponibilidade de serviços públicos online. Melhor só a Áustria.

Moral da história: a OCDE deixou-se tomar de amores pelo folclore transmontano.

Lutar pela vida

O que vale é que a situacionista RTP está sempre pronta a dar voz às personalidades que se destacam na sociedade civil ou nas suas áreas de actividade.

Anarco-sindicalismo




Faz sentido haver uma Associação Sindical dos Presidentes da República (ASPR)? Ou um Sindicato dos Deputados da Nação (SDN)? Ou uma Frente Sindical dos Governantes e Ajudantes (FSGA)? Se estas hipóteses não fazem sentido, por que razão tem sentido haver um sindicato de juízes, sendo eles titulares de um órgão de soberania? Veja-se o que, a este propósito, sustentam três constitucionalistas:
    «"Titulares de cargos públicos têm uma missão incompatível com a prossecução de interesses como os dos outros funcionários públicos", explica Pedro Bacelar de Vasconcelos, professor na Universidade do Minho. "O Presidente da República também tem um vencimento e isso não faz dele um funcionário público como outro qualquer. Se não qualquer dia teríamos um sindicato dos ministros, outro dos deputados..."

    Jorge Miranda sustenta que é possível encontrar na Constituição argumentos para vedar aos juízes o direito de organização sindical. Embora a única restrição expressa, no artigo 270º, se refira a militares, agentes militarizados e agentes das forças de segurança, lembra que as restrições não são exaustivas e que devem ser tidos em conta direitos e valores constitucionalmente relevantes. Mas para "tirar dúvidas" nesta interpretação, afirma ao i que se deve "proibir expressamente" a existência de sindicatos de juízes, na próxima revisão constitucional.

    Vital Moreira, constitucionalista que em Junho liderou a lista do PS às europeias, concorda com restrições ao sindicalismo judiciário. E na sua opinião as nuances semânticas de designação são pouco relevantes: "Uma associação sindical, como é a dos juízes portugueses, é um sindicato para todos os efeitos. Não penso que haja nenhuma distinção."»

Leituras

terça-feira, outubro 27, 2009

Sai mais um atestado



Isto não vai acabar bem [Nova série – 9]



Paulo Querido



Luís Filipe Menezes afirmou que foi com “algum espanto” que ouviu Aguiar Branco defender que é preciso que o partido pare de “trucidar líderes”, quando foi o mesmo Aguiar Branco que pediu um congresso extraordinário para demitir Menezes da presidência. E o presidente da Câmara de Gaia não é de memória curta: “Saí porque me fizeram a vida negra. Tenho a consciência que se tivesse ficado porventura o PSD hoje estava a formar Governo”.

Recuperação económica “anémica”

Nouriel Roubini, que previu a crise que afectou a economia mundial, acredita que:
    • A recessão terá chegado ao fim;
    • A recuperação económica dos países mais desenvolvidos vai ser “anémica”.
Nada que impressione a oposição, que vai certamente exigir taxas de crescimento do PIB não inferiores às do defunto Tigre Celta.

Acusação que "não tem ponta por onde se lhe pegue"

Um mal nunca vem .

Leituras

• Pedro Adão e Silva, Uma linha ténue:
    Para bom entendedor, as palavras são claras: o que foi a votos foi a identidade do governo definida há quatro anos e meio e o reformismo contra os interesses corporativos saiu vencedor. Para as oposições, a mensagem é também inequívoca: o caminho passará por prosseguir uma agenda reformista e o ónus da instabilidade política recairá sobre elas, nomeadamente se forem criadas coligações negativas. Em maioria absoluta, as oposições podem ser "irresponsáveis"; num contexto de maioria relativa serão naturalmente responsabilizadas pela instabilidade.
• Mário Soares, Um novo Governo para uma nova legislatura:
    José Sócrates é, a meu ver, o melhor primeiro-ministro que Portugal poderia ter, na actual situação. O mais competente, o mais determinado e corajoso, o mais conhecedor das realidades que temos à nossa frente para vencer. Provou-o nos debates e nas campanhas. Os eleitores, apesar dos motivos de queixa, tantas vezes invocados, não se enganaram ao votar no PS. Aprendeu muito nestes anos de Governo e, principalmente, nos últimos anos de crise aguda. É hoje um homem diferente, mais moderado e contido. Mas o pior está ainda para vir. Não tenhamos ilusões. Esperemos que haja bom-senso e decoro, que terminem os ataques pessoais e as insinuações sem provas, que só serviram para vitimizar o primeiro-ministro e tentar desacreditar a democracia, o nosso principal bem. Sócrates merece ser ajudado. Digo-o com isenção, por ser a expressão do que penso, desinteressadamente, e tendo em vista o melhor para Portugal.
• Fernando Sobral, A crise do PSD:
    Marcelo Rebelo de Sousa sabe que o seu tempo é outro e a sua estratégia é diferente. Passos Coelho intui que a luta entre os senhores da guerra do PSD os deixará todos exangues. Pacheco Pereira culpa os outros de "balcanização" como se fosse da NATO, mas sabe-se que a confusão é a forma de se ilibar dos seus universos paralelos: é Jedi ou Darth Vader? Paulo Rangel mantém-se calado, à espera de uma manifestação à porta de casa. O problema do PSD é, neste momento, só um: os seus senhores da guerra lutam por poder pessoal e não por ideias. O PSD tornou-se num Afeganistão político: o líder está cercado, os senhores da guerra governam as suas tribos, e todos se aliam momentaneamente contra um inimigo comum.
• Ana Sá Lopes, Um Presidente sob vigilância:
    É o país inteiro que agora segue os movimentos do Presidente e já lhe faz descer a popularidade nas sondagens, feito particularmente arrojado quando se fala de um cargo a que os portugueses dedicam complacência idêntica à que os regimes monárquicos concedem aos respectivos reis Cavaco Silva, o mais feroz animal político do pós-PREC, está ferido e isso ficou evidente na Ajuda, quando deu posse ao governo minoritário que supostamente vigia. Teve de justificar a sua "imparcialidade" e foi ao ponto de invocar o seu "carácter": "Não me movo por cálculos políticos. É a consciência que me interpela todos os dias no exercício das minhas funções. Os cargos públicos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro." Enquanto Cavaco Silva continuar sob vigilância, a vida de Sócrates vai estar facilitada. Mas um animal ferido não é um animal morto.

Sinais vitais

A reacção das funções básicas permite acalentar a esperança de que o anúncio da morte tenha sido algo exagerado.

A palavra aos leitores

De e-mail de Manuel Tavares, de Santa Maria da Feira:
    'Ontem, à hora do almoço, do lanche, do jantar e da ceia o que mais se encontrou na televisão foi gente com azia.
    Visto isso tudo por culpa da posse do novo Governo de Sócrates – que agora passa a estar sob outra acusação que é preciso fazer alastrar como mancha de óleo: venceu as últimas eleições legislativas num país que não devia ter ousado semelhante (e que por isso, para uns quantos iluminados que desejariam tutelar a Democracia e as cabeças, se comportou estupidamente).
    A coisa promete – em sede de análise, comentário, opinião e estômago …
    (No programa de Mário Crespo, apareceu um reputado economista a sugerir que, como política cultural, o país compre bens abaixo de preço de mercado e assim aumente o património nacional, e que, como política económica de fundo, não dê subsídios por princípio, mas os conceda a estes e negue àqueles!...)
    Não haverá para aí quem nos poupe a semelhantes fotografias da massa encefálica que entre nós passa por especialista?!'

segunda-feira, outubro 26, 2009

É para continuar

Cábula para quem não quiser ler o discurso de Sócrates na tomada de posse do XVIII Governo:
    1. Continuar as reformas.

    2. Definir as seguintes prioridades:

      • Combate à crise;
      • Modernização da economia e da sociedade;
      • Fomento da justiça social.

    3. Apostar no diálogo político e social, sem comprometer o programa, a estratégia e os valores.

Viagens na Minha Terra

Aqui chegados…

… é penoso ver que qualquer um já aplica, sem se esforçar por aí além, dois tabefes a um doutor de Oxford.

A palavra aos leitores

De e-mail de Manuel T., de Santa Maria da Feira:
    "Alguém em seu juízo acha que Marcelo Rebelo de Sousa está na RTP 1 para fazer análise ou comentário político? – ainda que timbrado pela sua ligação ao PSD …
    É normal que o contribuinte português pague, via subvenção do Estado à RTP, para Marcelo Rebelo de Sousa fazer campanha eleitoral dentro do PSD?
    Isso é sério?
    São esses os “modelos democráticos” que o povo deve seguir?
    Se não – onde a gente que mande a figura “ir pentear macacos”?
    Se estas e outras coisas não fedem – agradeço aviso que o problema deve ser do meu nariz…"

Provérbios

“Promeças”, Daniel, leva-as o vento.

Da série "Frases que impõem respeito" [374]

    É um Governo sonso, enganador, porque na parte em que inovou parece fraco, mas não é’.
      Professor Marcelo, num daqueles exercícios de trapézio em que, ao tentar menosprezar o XVIII Governo Constitucional, tropeçou em si próprio e acabou a elogiar.

domingo, outubro 25, 2009

Vejam só do que o Estado é capaz



As manchetes do Público, e a forma como a de hoje está construída não foge à regra, costumam ser para denunciar as malfeitorias do Governo. Será que o jornal da Sonae vê algum inconveniente em que o governo actual defenda os interesses nacionais, exigindo, ao menos, que as contrapartidas acordadas sejam cumpridas?

Vem aí o Anaia outra vez

Não é que não haja entre os socialistas muitos católicos ou que não haja entre os católicos muitos socialistas. Mas só conheço um que se apresenta à sociedade como “socialista católico”. Se o fizesse em seu próprio nome, ainda vá que não vá. Mas o Cláudio Anaia que nos fala do Barreiro utiliza invariavelmente o plural: “grupo dos militantes socialistas”, do qual, vá-se lá saber como, o tal Cláudio é precisamente o “porta-voz”.

Isto deixa um cidadão curioso. Quem serão os outros “socialistas católicos” aos quais o Cláudio empresta a voz? Aparentemente, estão na clandestinidade. No site que dinamiza, fica-se apenas a saber que o Cláudio é unha com carne com o “ex-Ministro das Finanças e Segurança Social Dr. António Bagão Félix”, que lhe abriu as portas da Comissão Nacional Justiça e Paz, e com Alexandra Teté, presidente da Associação Mulheres em Acção, dois vultos do “Não” aquando do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG).

Agora, o Cláudio quer ter uma palavra a dizer sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este “socialista católico” há-de aparecer ao lado da cangalhada do referendo sobre a IVG a querer decidir quem pode ou não juntar os trapinhos. Valha-nos Santa Engrácia.

Isto não vai acabar bem [Nova série – 8]



Paulo Querido



Ao que isto chegou: Paulo Rangel — sim, esse que está em Bruxelas — discorda da posição oficial do partido sobre o QREN.

Viagens na Minha Terra

(Em actualização)

Da série "Frases que impõem respeito" [373]

    O professor Marcelo faz lembrar a história do Pedro e o Lobo, tantas vezes aparece como putativo candidato que já ninguém o leva a sério.
      Virgílio Costa, presidente da distrital do PSD de Braga, o qual acrescenta que ser candidato "exige sacrifícios e apoios que ele já não tem no partido"

sábado, outubro 24, 2009

Isto não vai acabar bem [Nova série – 7]



Paulo Querido



O santanista Manuel Falcão, provavelmente farto de se andar a coçar pelas esquinas do rio, está na disposição de fazer trabalho que se veja, propondo-se chefiar a bancada laranja na Assembleia Municipal de Lisboa. A distrital do PSD, que tem forjado grandes quadros nas lutas no seio das secções, como António Preto e Helena Lopes da Costa, é que não está pelos ajustes: quer entregar a liderança a um militante batido nestas andanças.

Entretanto, Carlos Carreiras, presidente da distrital de Lisboa, procura chamar os santanistas à razão: “Isto é o PSD, não é o PSL [Pedro Santana Lopes]”. Mas, a avaliar pela reacção de um presidente de junta de freguesia, a gangrena, que consome o topo do PSD, está a propagar-se às estruturas intermédias: “Assim não vamos a lado nenhum. Assim a gente fecha o PSD e vai cada um para seu lado.” As chaves podem ser entregues ao inquilino de Belém.

_______
Nota: as declarações reproduzidas constam do suplemento Local do Público de hoje [p. 24].

Da série "Frases que impõem respeito" [372]

    Há compromissos possíveis em que o poder se pode reforçar perante os interesses tão fortes de certo tipo de corporações.
      Jorge Sampaio, em entrevista à TSF

Segredo de justiça

Proença de Carvalho pergunta: “o M.P. [Ministério Público] reivindica em tom carregado que é preciso aumentar os prazos do segredo de justiça. E se começasse por dar o exemplo, passando ele próprio a garantir o cumprimento do segredo? Que legitimidade tem para a reivindicação se diariamente se cometem crimes de violação do segredo - nalguns processos sistematicamente e com claros motivos manipuladores - na total impunidade?”

Leituras

sexta-feira, outubro 23, 2009

A investigação esforçou-se tanto…




… mas só conseguiu chegar a conclusões após as eleições:

Queriam o regresso do Professor Freitas

CDS-PP destaca ausência de “trunfos”, mas reconhece algumas mudanças positivas. Homenagem tardia no Caldas…

Isto não vai acabar bem [Nova série – 6]



Paulo Querido


Leituras

• Daniel Amaral, O oráculo:
    Foi com este menino nos braços e um apoio minoritário no Parlamento que o primeiro-ministro indigitado consultou os diferentes oráculos para saber com que votos poderia contar. Os deuses partidários optaram por respostas ambíguas, daquelas que dão para tudo. Mas houve uma deusa que se esmerou. Abriu o livro, benzeu-se e falou assim: comigo não há pactos, não há alianças, não há acordos, não há diálogos, não há nada! Não, não e não!!
    Curvemo-nos agradecidos: Ámen...
• Fernanda Câncio, Revisão da matéria dada:
    Em tempos, para um debate televisivo, elaborei uma lista de críticas ao Governo. O debate ficou-se por generalidades e a lista foi para a gaveta. É uma boa altura para a recuperar, agora que se inicia um novo ciclo.
• Paul Krugman, Bancos a cair da cadeira:
    Por agora o principal é fazer os possíveis por apoiar a criação de emprego. Com alguma sorte, isso produzirá um círculo virtuoso, em que uma economia em melhoria reforça os bancos, que se mostrarão mais dispostos a conceder empréstimos. Além disso, precisamos de aprovar uma reforma financeira eficaz. Se não o fizermos, os banqueiros começarão a assumir riscos ainda maiores que antes da crise. Afinal a lição dos últimos meses é clara: quando os banqueiros jogam com o dinheiro dos outros, se sai caras, ganham; se sai coroas, o resto das pessoas perde.
• Pedro Adão e Silva, Uma onda vale milhões:
    Uma onda vale milhões de euros e em Portugal o potencial das ondas é imenso. Num paper recente, Pedro Bicudo e Ana Horta (do IST) estimam que uma onda de qualidade possa ter um impacto no turismo na ordem dos 100 milhões de euros anuais. Faz sentido. Não apenas o número de praticantes em Portugal tem crescido bastante, como, numa sondagem recente, 90% dos europeus escolhiam o surf como o desporto que mais gostariam de experimentar. Da África do Sul à Indonésia, passando pelo País Basco, há localidades que se transformaram radicalmen- te porque tinham condições óptimas para o surf. Jeffrey's Bay, Uluwatu ou Mundaka são lugares prósperos porque se reconverteram de longínquas terras costeiras em destinos turísticos de surf. Com ganhos evidentes: desenvolveram-se (preservando a sua identidade) e encontraram um equilíbrio ambiental, obrigadas a proteger um recurso natural - uma onda de excelência. Há várias ondas em Portugal que podem funcionar como pólo de atracção do turismo de surf.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Governo coeso e equilibrado, aberto à sociedade

Um sinal inequívoco da força de um governo é a capacidade de atracção das personalidades que se distinguem na sociedade. O número de ministros independentes demonstra que, apesar de estar em causa um executivo que não é suportado por uma maioria na Assembleia da República, o PS continua a recrutar fora das fileiras partidárias.

Por outro lado, ao combinar continuidade de uma parte significativa do elenco com renovação, Sócrates revelou ter entendido a vontade dos eleitores.

A composição do Governo permite ainda tirar as seguintes breves conclusões:
    1. Pela primeira vez, a pasta do Trabalho é confiada a uma sindicalista, figura destacada da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), na qual vem sendo responsável pelo Diálogo Social Europeu e Política Social Europeia.

    2. A par da atenção dispensada à componente técnica, há um reforço do núcleo político do Governo, designadamente nas áreas da Defesa e da Justiça.

    3. A afectação do Desenvolvimento Regional ao Ministério da Economia revela que houve a preocupação de articular mais eficazmente os projectos impulsionados por fundos comunitários com o modelo de desenvolvimento económico para responder à crise internacional.

    4. Na área social, as escolhas parecem ser valores com provas dadas nas suas áreas de actividade.

    5. Nenhum outro governo em Portugal reuniu uma quota tão elevada de mulheres.

Governo




Lista completa dos ministros (e perfil de cada um deles) [via Mainstreet].

… ministro do Mar



O PPM parece impaciente por não haver fugas de informação sobre a constituição do governo. Acha mal que os futuros ministros sejam os primeiros a saber o que os espera — ou não?

Adivinha do dia

    Eu acho que a crise ainda nem chegou ao adro.
Quem fez o diagnóstico acima reproduzido:
    • Taxista do aeroporto da Portela, enquanto contava a gorjeta da última corrida?
    • Assessor no desemprego (com part-time em jornal criado para fazer propaganda ao Governo)?
    • Prémio Nobel da Economia?
    • Dona de casa, desabafando com a vizinha do 2.º esquerdo?
    • Bernard Madoff, à conversa com o companheiro de cela?
    • Jornalista do Financial Times?
    Achista não identificado no Twitter?
Pense bem antes de procurar saber a resposta certa.

Quantos títulos querem? Vá lá, quantos?



Desde que deixou o Governo de José Sócrates, Luís Campos e Cunha é um dos mais requisitados "fala-baratos" de serviço.
Hoje, participou numa conferência qualquer e o Jornal de Negócios online não se fez rogado - em três horas, conseguiu fazer, não uma, nem duas, nem três... mas seis notícias com a mais pura banha-da-cobra.
A sucessão de títulos chega a ser hilariante:

Campos e Cunha não exclui deflação em Portugal
Campos e Cunha aconselha o Governo a apresentar uma estratégia de saída
Grandes investimentos deveriam ser cancelados ou adiados
É verdade que houve uma redução de pobreza no mundo, mas o diabo está nos detalhes
Estamos de regresso ao business as usual
A crise é uma coisa normal

Da desgraça total à mais completa normalidade. Se tivessem insistido, ainda lhe sacavam mais um título ou dois a garantir que está arrependido de ter saído do Governo.

Bernardino de saias (e outras histórias paralelas)

À primeira investida, estalou o verniz. Rita Rato, a cara da renovação do PCP na Assembleia da República, ignora o que tenham sido os gulags e não se pronuncia sobre o modelo de desenvolvimento na China, porque não é chinesa.

Esta deprimente entrevista de uma licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais suscitou um gozo generalizado na blogosfera. Percebe-se, mesmo que seja levado a cabo por parte daquela direita que nunca esboçou uma crítica ao Chile de Pinochet; ou por parte daquela esquerda alternativa que nunca exigiu a Francisco Louçã que se demarcasse de Trotsky (quando este deteve funções relevantes no aparelho de Estado) ou a Luís Fazenda que condenasse o regime albanês que caiu de podre.

Gente perigosa






"Agressões sexuais" — ainda vá que não vá; "porrada mesmo" é que é de mais.

O homem da maratona



Feita a proposta de uma cimeira para "evitar o saco de gatos", e já com um sólido movimento de apoio em marcha, afinal o comentador Marcelo anuncia num programa humorístico que não quer subir ao ringue.
Entretanto, vai continuar em treinos intensivos para a corrida de fundo.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Leonete faz estragos

Seria uma blasfémia de belo efeito, não fosse partir de uma premissa errada: não houve lugar a nomeação, mas apenas à indigitação de Sócrates. O erro de Leonete Botelho, no Público, propaga-se a uma velocidade vertiginosa.

Adivinha do dia: “e o menino é filho de quem?”

    (…) existe um indivíduo no DN que gosta de se "fazer saliente" (como diria a minha Avó), insultando os outros. temos de começar a reparar neles, a seguir com interesse o que fazem, a descobrir aquilo com que se entretêem. Para sabermos quem são, de quem são filhos, ao que vêm... Como perguntam os Pais: " e o menino é filho de quem?"...
Quem escreveu a passagem acima citada:




• Carvalho Rodrigues, cientista famoso pelos seus dotes vocais, que pediu asilo à NATO após o fim do cavaquismo?




• D. Isabel, duquesa de Bragança?




• Paulo Tunhas, filósofo da defunta liderança do PSD?




• Paula Bobone, especialista em etiqueta, protocolo e imagem pessoal e directora de pós-graduações no “ensino académico”, para usar a feliz expressão de Luciano Alvarez, um dos autores materiais da inventona de Belém?




• Santana Lopes, vereador ou coisa assim?




• Pacheco Pereira, deputado, politólogo, biógrafo não oficial e autor da obra (em fascículos) "Índice de situacionismo"?

Pense bem antes de confirmar a resposta.

Foi você que pediu uma oposição responsável?

Oposição pede suspensão da avaliação dos professores mas deixa soluções para depois.

Isto não vai acabar bem [Nova série – 5]



Paulo Querido



Jardim recusa ser liderado por Pedro Passos Coelho: “Acha que depois de trinta e tal anos de política estou para ser liderado por esse indivíduo?"

E de quem é a responsabilidade da “autofagia balcanizada em que mergulhou o PSD”, Dr. Alberto João? Ele explica-se: “Uma coisa é o que pensa o eleitorado tradicional do PSD e outra é o situacionismo e o arranjismo políticos que marcam os quadros do partido.” Aliás, afirma, “são estes quadros intermédios os grandes responsáveis pela situação a que o País chegou”. Sendo assim, defende que quem se deve demitir de imediato não é Ferreira Leite, mas “os quadros das distritais, os verdadeiros culpados, autênticos apparatchiks”, rotulados de “alminhas de Deus” que “elegem os líderes que a comunicação social de esquerda lhes sugere”.

"Primeiro está o país BES, depois a democracia e só depois o partido!"




Sabe-se através do suplemento Economia do Expresso (p. 6) que o deputado do PSD Miguel Frasquilho fez um sucesso dos diabos na Bolsa de Nova Iorque, ao “elogiar a economia portuguesa” perante investidores americanos. Frasquilho, “no seu papel de director-geral da Espírito Santo Research”, “enfatizou o crescimento das exportações, sublinhou o défice e um desemprego abaixo da média europeia, concluindo que Portugal está bem colocado para ter um papel positivo na economia mundial nas próximas décadas.

Admite o Expresso que “o puxão de orelhas dado pelo presidente do BES, Ricardo Salgado, em 2005, quando Frasquilho escreveu no ‘Wall Street Journal’ um artigo a cascar na política fiscal portuguesa, surtiu efeito.

Ainda tá aí, Dr.ª Manuela?

Quando a actividade económica melhora e o consumo privado dá sinais de recuperação, não seria de solicitar um comentário à Dr.ª Manuela, confrontando-a com os seus aterradores presságios?

Viagens na Minha Terra

Mais leituras

• João Pinto e Castro, O esplendor de Portugal:
    O caminho-de-ferro, o telégrafo e a imprensa tornaram as nossas classes cultas angustiadamente conscientes do atraso nacional na parte final do século, altura em que o produto "per capita" português já não chegaria a metade do da Europa Ocidental (situação que viria a agravar-se ainda mais até à I Guerra Mundial). "Uma geração inteira acha intolerável que Lisboa não seja Londres e Paris" (Eduardo Lourenço) e desse choque emerge o diagnóstico proposto por Antero de Quental no seu ensaio "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares" - uma narrativa tão poderosa que ainda hoje marca profundamente o modo como os portugueses dos mais diversos quadrantes ideológicos interpretam o seu país.

    Simplificando, Antero propôs no seu livro o regresso ao passado esplendoroso mediante o corte com a cultura jesuítica que enfraquecera a grandeza essencial da Pátria. Essa mitologia foi adoptada pelos republicanos e incorporada no hino nacional. O Estado Novo deitou fora a retórica anticatólica, mas reteve e reforçou o saudosismo nacional-imperialista implícito no tema da recuperação da grandeza perdida dos "egrégios avôs".

    Os portugueses permanecem dominados pela ambição de "levantar hoje, de novo, o esplendor de Portugal". Ora, Portugal nunca foi o país desenvolvido que se imagina, logo, o "esplendor" nunca existiu e o propósito carece de sentido. Houve, sem dúvida, uma época em que, mercê de várias circunstâncias, desempenhámos um papel pioneiro no curso da história mundial; e é verdade que o frágil e mutável império marítimo que então construímos nos conferiu, até à perda do Brasil, um peso considerável na política europeia. Mas também a Rússia perseguiu Napoleão até Paris e, muitos anos mais tarde, abriu o caminho à exploração do espaço, sem por isso deixar de ser o país atrasado que era e é.

    A obsessão com a mítica grandeza passada de Portugal é responsável, acredito eu, pela frustração colectiva que nos avassala. A evidente aproximação à Europa Ocidental desde 1945 não pode contentar-nos, porque jamais aceitaremos menos que o primeiro lugar no concerto das nações, a que, por colossal ignorância histórica, julgamos ter direito.

Leituras

• João Ferreira do Amaral, Sem margem:
    Em 2009, os salários aumentaram porque era necessária suster a quebra na procura decorrente da crise. Mas há limites para a sustentação da economia apenas pela procura interna. Ou Portugal se consegue inserir de novo no comércio internacional, via exportações, ou será impossível sustentar a recuperação apenas através do consumo interno.
• Vital Moreira, Supervisão europeia:
    (…) no caso da União Europeia, a integração do mercado de serviços financeiros tinha de dar lugar à instituição de um sistema de supervisão com jurisdição sobre todo o mercado interno, ou seja, a nível da própria União. Ter um mercado territorialmente integrado, sem fronteiras nacionais, protagonizado por instituições transfronteiriças, e sem uma supervisão territorialmente integrada, seria o mesmo que nos Estados Unidos haver somente entidades de supervisão estaduais, sem supervisão federal. Infelizmente foi precisa uma grave crise para que a UE se tivesse dado conta dessa imperiosa necessidade.

O marketing é uma atitude

Fazer sair os Sousa Laras das cavernas revela um conhecimento razoável do mercado.

terça-feira, outubro 20, 2009

Avaliação do Presidente da República arrancada a ferros

Com 24 horas de atraso, o Correio da Manha acabou por falar da sondagem por si encomendada à Aximage, na qual Cavaco dá um trambolhão do tamanho do Everest:
    • “O caso das alegadas escutas a Belém foi fatal para o Presidente da República. Se em Julho deste ano a actuação de Cavaco Silva era avaliada pelos portugueses com um 15,6, em Outubro a prestação do Chefe de Estado caiu para 9,6”.

    • “A forma como o Presidente conduziu a polémica das escutas ao Palácio de Belém abalou não só a cooperação estratégica com o Governo, como está a sair cara a Cavaco Silva junto do eleitorado.”

    • “A queda de Cavaco Silva não deixa, porém, de ser inovadora, uma vez que não há memória de tamanha quebra de confiança dos portugueses num Presidente da República.”
Valha-nos que uma outra sondagem da Aximage dá a vitória a Cavaco nas eleições presidenciais de 2011. Isso deve ser muito reconfortante, sobretudo quando a esquerda ainda não tem candidato. E quando Oliveira Costa ainda não escreveu o capítulo a que tem direito na história do cavaquismo.

Da Liberdade

Portugal é o país da Europa meridional mais bem classificado no ranking anual da Liberdade de Imprensa da associação Repórteres Sem Fronteiras.

O sindicalismo de direita

aqui fizera uma breve referência ao editorial do último boletim do Conselho Superior da Magistratura (CSM), subscrito por Noronha do Nascimento. Só agora tive oportunidade de o ler na íntegra.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (e por inerência do CSM), um dos fundadores do sindicalismo judiciário, arrasa a “cegueira estratégica evidente” do actual presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins, o tal que era o braço direito do deputado do PSD Fernando Negrão, quando este exercia o cargo de director da Polícia Judiciária (e foi apanhado a exemplificar como o segredo de justiça é uma coisa frágil).

Eis uma passagem do editorial para aguçar a vontade de o ler:
    Toda esta problemática foi agora exponenciada – tenhamos a coragem de pôr os pontos nos is – pelo caso da avaliação do juiz Rui Teixeira.

    E foi exponenciada porque entretanto tínhamos à porta – tenhamos igual coragem de o dizer – três eleições quase seguidas: as eleições legislativas, a eleição para a presidência do S.T.J e a eleição para o C.S.M.; e, nessa medida, a direcção nacional da A.S.J.P. resolveu entrar em campanha em todas elas, sabendo-se como se sabe que tentar interferir em eleições político-partidárias traz normalmente a prazo efeitos corrosivos que dificilmente se apagarão.

    Aliás, e nessa sequência, as notícias jornalísticas do fim de Agosto – ou seja, a um mês das legislativas – sobre um estudo acerca das más condições em que funcionava um conjunto alargado de tribunais, estudo esse que, segundo as mesmas notícias, a direcção da A.S.J.P. tinha em seu poder havia dois anos, são significativas: com um estudo em seu poder há dois anos, a direcção da A.S.J.P. guardou-o e publicitou-o nas vésperas das legislativas, convencida ingenuamente de que tinha voz activa na matéria.

Leituras

• Pedro Adão e Silva, A economia do surf:
    Portugal tem, no contexto europeu, condições únicas para a prática de surf. Temos um clima temperado, ondas de qualidade e, não menos relevante, condições para o surf durante todo o ano. A estas condições acresce a nossa centralidade, nomeadamente quando comparado com outros destinos de surf, bem mais distantes. Além do mais, tendo em conta que as melhores ondulações são fora do Verão, o surf pode ajudar a compensar as quedas na ocupação hoteleira fora da época alta.
• Vital Moreira, Governabilidade (sem link):
    Sendo as coisas como são, é evidente que os principais desafios das oposições ao Governo vão ocorrer em duas frentes: por um lado, a tentativa vingativa de destruir as reformas da legislatura passada (por exemplo, no plano da educação); por outro lado, no plano financeiro, mercê da incontornável vocação das oposições para aprovarem aumentos de despesa pública ou diminuição de receita, ou ambas ao mesmo tempo.

    Se a inibição política das oposições e a atitude assertiva do Governo não bastarem, resta ainda um mecanismo de defesa da estabilidade política, que pertence aos poderes próprios do Presidente da República. É razoável defender que Cavaco Silva se sinta não somente legitimado mas também politicamente obrigado a vetar leis que sejam manifestamente incompatíveis com o programa de Governo (que aliás os partidos da oposição já anunciaram não pôr em causa) e ainda mais as leis que ponham em causa a disciplina financeira e o respeito do novo plano de reequilíbrio financeiro que o Governo não vai poder evitar.

    No primeiro caso, está em jogo o próprio conceito de democracia parlamentar, não sendo exigível obrigar um governo a implementar medidas contra o seu próprio programa. No segundo caso, não está em questão somente a sustentabilidade financeira do país mas também a sua credibilidade face às instituições europeias.

    Há ironias políticas assim. Depois de se ter envolvido comprometedoramente na cobertura de uma cabala de Belém contra o Governo do PS (caso da inventada "vigilância" governamental), ainda poderemos ver Cavaco Silva politicamente compelido a esforçar-se para manter a estabilidade governativa protagonizada pelo mesmo primeiro-ministro que procurou tramar...

O fax que diz o contrário do que gostaríamos de ler



A TVI, aquela estação amordaçada lá para os lados de Queluz de Baixo, divulgou um fax sobre um alegado suborno no licenciamento do Freeport.

Após meses e meses a bombardear Sócrates, o que ressalta do fax — e é a notícia — é a seguinte passagem: “O Ministro do Ambiente, Eng.º José Sócrates, é considerado como um dos pilares do Governo PS e é tido como a integridade em pessoa.

Esperar-se-ia, por isso, que os artigos sobre o fax dessem o devido destaque ao que envolve o nome do actual e futuro primeiro-ministro. Não parece ser essa a perspectiva da comunicação social: a liberdade de imprensa é boa para chafurdar na lama, mas não deve ser consumida a repor a verdade dos factos, sobretudo quando estraga uma boa história.

Com efeito, o que no fax revela ter significado em termos políticos — o ponto 3 — é mencionado como se de uma questão acessória se tratasse (v.g., no DN e no CM) ou, pura e simplesmente, omitido.

Está nesta última situação o Público (como já o faz habitualmente), que, no entanto, não deixa de dizer que o nome de Sócrates é mencionado no fax. O José Manuel Fernandes deixa uma escola de ratinhos amestrados.

Da série "Frases que impõem respeito" [371]

Tenho um processo contra esse senhor [Eduardo Cintra Torres] e a RTP também. Ele é doente.
      José Alberto Carvalho, comentando as acusações de instrumentalização governamental da televisão do Estado

Reel Around The Fountain


Elias o sem abrigo (JN)


A forma destrambelhada como a “fonte de Belém” actuava através da comunicação social, designadamente no Público e no Sol, tinha de acabar mal. Não espanta por isso que se tenha estatelado ao comprido com a divulgação do e-mail de Luciano Alvarez, no qual este editor do jornal da Sonae fazia chegar instruções ao correspondente na Madeira dos passos a percorrer no âmbito da inventona de Belém.

Enquanto agora a “fonte” está em observação nos cuidados intensivos, os recados de Belém, trabalhados embora pela assessoria de imprensa, estão a ser transmitidos a partir do fontes oficiais site.

[Via Tiago Tibúrcio]

segunda-feira, outubro 19, 2009

O Presidente da República nunca chumba (segundo o Correio da Manha)

A Aximage fez uma sondagem, para o Correio da Manha e para o Jornal de Negócios, sobre a popularidade dos políticos. A grande novidade é o monumental trambolhão do Presidente da República, que, abortada a inventona de Belém, foi a rebolar por aí abaixo, só não batendo com os costados no fundo porque, a ampará-lo, estava lá a Dr.ª Manuela [“Os portugueses dão-lhe um 6!”]: “O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).

É evidente que o chumbo do Presidente da República é o aspecto mais relevante da sondagem da Aximage. Acontece que o Correio da Manha (pelo menos, na edição on-line) omite o trambolhão de Cavaco. É a fenómenos sobrenaturais como este que chamam asfixia democrática?

Resquícios do modo de produção feudal




De uma forma ou outra, andamos todos, incluindo o procurador-geral da República, a dizer sempre o mesmo.

Fazer política através do sindicato

Quando escrevi aqui e aqui que o sindicato dos juízes anda a fazer política em vez de representar e defender os seus associados (por acaso, titulares de um órgão de soberania), vários leitores, designadamente por e-mail, consideraram excessivamente a posição do CC.

Veja-se agora o que diz o Juiz Conselheiro Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça:
    “O presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) considerou hoje que a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) "exponenciou" o caso da avaliação do juiz Rui Teixeira devido, nomeadamente, às eleições legislativas.

“Conheço bem Fernando Lima e não o estou a ver a dar um passo em falso, à revelia do Presidente, mas...”

Luís Filipe Menezes já o tinha dito na SIC-N e repete em entrevista ao i que não acredita que o PSD possa vir a ganhar as próximas eleições legislativas, admitindo então recandidatar-se à liderança laranja: “Já disse que daqui a quatro anos sou bastante mais novo do que hoje é Marcelo Rebelo de Sousa e já nem falo da idade da dra. Manuela Ferreira Leite. Isso não será um factor de exclusão.

Sobre a possibilidade de o pinguim deslumbrado abandonar Bruxelas e se alçar à São Caetano, Menezes não faz a coisa por menos: “O dr. Rangel é uma pessoa que tem futuro no partido, é uma pessoa inteligente, tem mérito, mostrou ter algum jeito para esta coisa, mas tem um ano de filiação no PSD. É preciso ter algum decoro.” O exercício do “direito à ponderação”, igualmente reclamado por Rangel, tem de sopesar este desabafo suplementar que chega de Gaia: “Mas alto lá! Alto lá!

A derrota nas eleições legislativas é para Menezes consequência de o PSD, por um lado, ter feito passar a mensagem de que “ia desmantelar o Estado social” e, por outro, a ficção da “asfixia democrática”: “ninguém acredita que esteja em perigo a democracia”, diz o autarca de Gaia.

E chegados aqui, Menezes discorre sobre Cavaco, Ferreira Leite, Pacheco Pereira e Fernando Lima, ou seja, sobre a inventona de Belém:
    E a mensagem da asfixia democrática também não passou?

    Em democracia, mesmo quando há arrogância, as mensagens subliminares que quase colocam em causa a essência dos pilares do Estado de direito são perigosas. Ou têm fundamento sólido, ou são perigosas e têm um efeito bumerangue. Penso que o pai da asfixia democrática deve ser a mãe da tese das "forças de bloqueio"...

    Essa tese era do prof. Cavaco Silva.

    Acho que não, o prof. Cavaco teve os seus oráculos, como tem agora a dra. Manuela; não devem ser muito diferentes. São os que perseguiam os jornalistas nos corredores da Assembleia da República.

    Está a falar de Pacheco Pereira.

    Ninguém acredita que esteja em perigo a democracia. Fazer disso o essencial da mensagem é perigoso, porque as pessoas não sentem que seja assim. Agora, asfixia democrática? Depois veio também aquela entubação e ventilação assistida dada pelo senhor Presidente...

    Contribuiu para o PSD perder?

    Não vou dizer que o PSD perdeu as eleições por isso. Agora, quebrou muita da dinâmica eleitoral, porque o PSD estava a fazer desse tema o único tema de campanha. Portanto, foi um balão que se esvaziou naquela altura.

    (…)

    A questão das escutas não fragilizou o Presidente perante a sociedade?

    Penso que não foi um dossiê feliz. Primeiro porque o timing em que foi aberto fez dele o tema de campanha eleitoral. Acabou por ser ele a passar ideia daquele discurso de asfixia democrática que vinha do PSD. Depois porque a explicação sobre a vulnerabilidade das áreas mais secretas da presidência não foi suficientemente explicada.

    A questão dos mails?

    Sim, os mails. E, por outro lado, não foram divulgados dados concretos. Admito que o Presidente não o pudesse fazer, mas a verdade é que ficou a ideia de que a coisa foi um bocadinho artificial e exagerada. Isso não foi bom para o Presidente, sobretudo porque tem conseguido transmitir uma imagem de rigor e que não suscita querelas por dá cá aquela palha. E há ainda a demissão do assessor Fernando Lima que também foi mal explicada. Conheço bem Fernando Lima e não o estou a ver a dar um passo em falso, à revelia do Presidente, mas... não posso ajuizar. Nunca foi dado oportunidade a Fernando Lima do contraditório.

    Não foi ou não quis.

    Há só uma parte da história que foi contada. Eu esperarei para ouvir a outra parte. Como crédito, tenho o perfil cauteloso que conheço de Fernando Lima ao longo dos anos. Não o imagino a fazer nada sem consentimento do Presidente. Penso que é uma baixa de peso na presidência.

Leituras

domingo, outubro 18, 2009

Este homem tem todas as condições para ser líder do PSD



Marcelo, enquanto "pondera", aproveita a generosidade da RTP para fazer pré-campanha. E continuar a dizer o que lhe vem à cabeça. Sem contraditório, ou vergonha.
Hoje, elogiou José Sócrates por se ter reunido com os partidos, não deixando, porém, de ressalvar que esteve mal ao propor coligações a todos os partidos. Obviamente, disse, não é credível um partido que se propõe fazer coligações com quer que seja.
Acontece - pequeno pormenor - que José Sócrates não propôs fazer qualquer coligação com nenhum dos quatro partidos que recebeu. Disse-o muito claramente no final da ronda de audiências: o PS propunha-se iniciar um "diálogo político, sem condições prévias, com vista a reforçar as condições de estabilidade política que o país necessita". "Sem condições prévias".
Decididamente, Marcelo tem de ser eleito, novamente, para a liderança do PSD. Só ele está em condições de prosseguir a Política de Verdade da Dra. Manuela, agora na versão de Verdade Verdadinha...

Inventona de Belém

É de leitura obrigatória o artigo de hoje do provedor do leitor do Público:
    “Basta aliás avaliar as consequências que a notícia (jamais desmentida por Belém) desencadeou, culminando com o autêntico haraquiri político em directo que foi a comunicação autojustificativa do presidente Cavaco Silva (C.S.) em 29 de Setembro, inteiramente dedicada ao tema, para a caucionar.”
Mas não menos obrigatória é a leitura do comentário do Val à prosa de Joaquim Vieira:
    “(…) já aquando da entrevista de Cavaco ao Público, 12 de Setembro de 2008 e conduzida a solo pelo Zé Manel, o Provedor dos Leitores assinalou a anomalia. Essa peça tem de ser colada ao caso das escutas e aos emails divulgados e não desmentidos. Comprova que a aliança entre o jornal e Belém era total e remontava ao período da saída de Menezes e entrada de Ferreira Leite, pelo menos. As perguntas que temos para fazer a seguir, uma vez estabelecido o padrão conspirativo, em nome da nossa democracia, da nossa dignidade e do básico respeito pelo Estado de direito, são as seguintes:

    - Quando começou o jornal Público a ser usado para fins políticos pelo Presidente da República?
    - Quais os recursos oficiais da Presidência que foram alocados aos exercícios conspirativos que dela emanaram?
    - Quais os nomes dos envolvidos nas conspirações desenvolvidas na Casa Civil?
    - Quando é que Cavaco apresenta a sua resignação?

    Estas perguntas serão desadequadas? O caso não justifica mais esclarecimentos? Devem os jornalistas ignorar a política e ficar-se pela discussão do jornalismo? Pode o Presidente da República desempenhar as suas funções depois dos atentados à Constituição que protagonizou ou dos quais é conivente? Será que, como escreve Joaquim Vieira acima, está o que mais importa é o discorrer abstracto acerca da informação e suas fontes ou, como assumiu o DN, e é essa a mais nobre missão do jornalismo, o que não se admite é a deformação, especialmente ao nível institucional a que estava a ser feita e nos intentos de favorecimento de um partido, e prejuízo doutro, em período eleitoral? Diz lá aos leitores, Joaquim.”