domingo, janeiro 31, 2010
Pirómano ajuizado
Afastado da direcção do Público, José Manuel Fernandes decidiu accionar o plano B: alçou-se à direcção dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme. Não se desse o caso de se fazer de morto perante as acusações de Fernando Lima acerca da inventona de Belém e o silêncio sobre a explicação de Belmiro de Azevedo para o seu afastamento do Público, poder-se-ia dizer que estávamos em presença de alguém que gosta de brincar com o fogo. Mas o quadro clínico não aponta para aí: é que tem muito juizinho para ser pirómano.
sábado, janeiro 30, 2010
Viagens na Minha Terra
- • ahp, Perigosos revolucionários
• Eduardo Maia Costa, Afonso Costa e A liberdade de expressão contra a democracia
• Eduardo Pitta, POUCA AMBIÇÃO
• Emídio Fernando, Um caso de diagnóstico errado e de terapia incerta e ... do dicionário belmirês
• Isabel Moreira, O Orçamento deve ser o do Governo
• João Galamba, Precariedade, código de trabalho e negociação colectiva
• João Paulo Pedrosa, Adaptabilidade do horário de trabalho
• José Teles, Pois separemo-nos então
• Maria João Pires, ainda o governo de Assembleia
• Ricardo Paes Mamede, Porque é que consideram a China um problema e a Alemanha não?
• Tiago Tibúrcio, Mitomanias e outras incertezas
• Val, Não, não têm e Orçamentos grátis
Transposição mecânica
“O ensino básico e secundário devia ser entregue às câmaras e às comunidades locais”, é mais uma ideia brilhante que sai da fundação Pingo Doce. É preciso não fazer a mais pequena ideia das fragilidades dos municípios para ser capaz de fazer em voz alta uma proposta como esta.
Leituras
- • Emídio Rangel, Gato por lebre
• Ferreira Fernandes, Belmiro é uma raposa
• Pedro Adão e Silva, O Diabo está nos detalhes
Os candidatos cavaquistas à liderança do PSD: entre o esqui e o heavy metal
O Expresso, pela pena do jornalista Ricardo Jorge Pinto, traça hoje as “mil diferenças” entre Paulo Rangel e Aguiar Branco. Retive uma diferença de tomo, que se relaciona com adrenalina & emoções: “Aguiar Branco gosta da adrenalina que sente a descer nas muito inclinadas pistas de neve dos Pirenéus; Rangel prefere ir buscar essas emoções fortes à música heavy metal, no conforto do seu sofá.” Eis os estadistas por que anseia a Dr.ª Manuela.
Variações sobre o tema da “suspensão da democracia por seis meses”
Dr.ª Manuela (muito possivelmente a pensar no filósofo da Marmeleira): “Aquilo [de] que o país precisa neste momento não é de políticos. Como alguém disse, aquilo [de] que o país precisa neste momento não é de políticos, é de estadistas”.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Em defesa da honra
Já vai em dez o número de mails que recebi de ministros que desmentem ter algum dia telefonado ao Eng. Belmiro. Aguardo ainda uma outra comunicação de quem queira desmentir que é ditador.
Nojo
Haveria vários e bons motivos para que o Conselho de Estado se tivesse reunido. Podia ter sido convocado, por exemplo, para analisar o Tratado de Lisboa ou para avaliar os efeitos da maior crise económica mundial desde os anos 30 do século passado. Mas não podia, de facto, ser convocado: a presença de Dias Loureiro não aconselhava a proeza. Foi preciso um período de nojo para afastar o BPN dos assuntos do Estado.
“Dessas coisas com nome de pastilha elástica”
- ‘É um escândalo que o modelo de pagamento para as agências de notação de crédito não tenha sido mudado. Elas deviam ser pagas por agentes dos compradores, não dos vendedores. Mais importante, o papel regulador das notações deveria ser eliminado pura e simplesmente. Elas não têm credibilidade, nesta matéria. O meu ponto de vista é que, quando muito, elas são um persistente indicador do que está errado no mercado. Na pior das hipóteses, elas estão activamente a enganar".’
Leituras
• Magalhães e Silva, Ano judicial:
- ‘A boa: a reflexão de Noronha do Nascimento sobre o novo paradigma de juiz na União do século XXI, a que, obviamente, ninguém ligou nenhuma.
A má: a falta de fair play político de Cavaco no ajuste de contas com o Parlamento e o Governo, voltando à carga com duas leis que vetou e que o Parlamento o obrigou a promulgar.’
- ‘Em Julho, Bernanke falou contra uma proposta-chave de reforma: a criação de um novo organismo de protecção financeira do consumidor. Exortou o Congresso a manter a situação actual, em que a protecção dos consumidores contra práticas financeiras desleais é da responsabilidade da Reserva Federal.
E aqui bate o ponto: é que durante o período imediatamente anterior à crise, perante a proliferação de abusos financeiros, a Reserva Federal nada fez . Em particular, ignorou os avisos quanto aos empréstimos subprime. Assim, é espantoso que, no seu testemunho, Bernanke não tenha reconhecido esse fracasso, não tenha explicado porque aconteceu e não tenha adiantado nada que nos permita acreditar que a Reserva Federal não se venha a portar da mesma maneira no futuro. A mensagem dele resumiu-se a "Sabemos o que estamos a fazer; confiem em nós".’
- ‘A empresa para a qual trabalha, a Moody's, vive uma profunda crise de credibilidade, afectada pelos erros de avaliação que, com outras agências de rating, cometeu e que foram relevantes no desencadear da crise financeira. Naturalmente que os erros cometidos têm custos: Anthony Thomas e os seus colegas agem como animais acossados, que atacam ao mais pequeno sinal de fragilidade. Em teoria, são fiéis intérpretes do modo como o mercado percepciona o risco; na prática não é tanto assim. Ainda esta semana, os mercados procuraram obrigações do Estado grego a um ritmo três vezes superior ao esperado. Ou seja, os analistas foram contraditados pelo próprio mercado. Logo, não podemos deixar de pensar que a "confiança dos mercados" é também um eufemismo para potenciar movimentos especulativos.’
A cor do dinheiro
[Primeira página do jornal i, 29 Jan 10]
Enternecedora, a forma como os media interiorizam e fazem suas as causas dos lóbis e interesses.
Grande entrevista
Teixeira dos Santos entrevistado por Judite de Sousa. Eis uma passagem (aos 32m 48s):
- Judite de Sousa: O senhor ministro acha que Alberto João Jardim tem sido um gastador?
Teixeira dos Santos (evita gargalhada): Bom, pensei que me fosse fazer perguntas difíceis...
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Ele anda por aí (são e salvo)
A Dr.ª Manuela deu uma conferência de imprensa para dizer que o OE é credível mas não transmite confiança. Esquisito? Não mais do que as outras intervenções da Dr.ª Manuela, aguardadas sempre com alguma ansiedade . Mas o ponto alto do evento foi a aparição de António Borges, vice-presidente que andava desaparecido há longos meses. Enquanto os mais desencontrados boatos acerca do paradeiro de Pacheco varrem o país — cativo na cave do Rato, asseguravam-me há minutos —, é reconfortante saber que Borges está são e salvo, pronto para voltar ao combate pelo subprime e pela desregulamentação do sistema financeiro.
"We can put Americans to work today building the infrastructure of tomorrow"
Next, we can put Americans to work today building the infrastructure of tomorrow. From the first railroads to the Interstate Highway System, our nation has always been built to compete.
There's no reason Europe or China should have the fastest trains, or the new factories that manufacture clean energy products.
Tomorrow, I'll visit Tampa, Florida, where workers will soon break ground on a new high-speed railroad funded by the Recovery Act.
There are projects like that all across this country that will create jobs and help move our nation's goods, services, and information.
Faltou-lhe autoridade… não é uma vítima da asfixia democrática…
Belmiro de Azevedo aproveita a entrevista à Visão para dar conta das dores de cabeça que o Público lhe provoca, ao mesmo tempo que esclarece as razões por que José Manuel Fernandes, esse editorialista polémico, foi afastado da direcção do jornal. A palavra a Belmiro:
- - Na «guerra» entre Cavaco e Sócrates, o pano de fundo foi o seu jornal. O então director do Público tinha uma agenda política escondida?
- [Silêncio] Não sei... Para nós, ter um jornal é serviço cívico. Não para influenciar, que fique claro. Mas está a ficar caro, muito caro. E há jornalistas que abusam. Devia haver directores mais fortes para que, de facto, se passasse uma imagem de independência.
- A saída de José Manuel Fernandes foi lida como cedência da Sonae ao Governo...
- Errado. Não houve cedência, mas sim uma guerra entre jornalistas, com culpas para as partes. Um director pode sentir-se cansado. Terá sido uma das razões, pois José Manuel Fernandes deixou de lutar para liderar. Ele era acusado - e bem acusado - de não criar climas de consenso no jornal. Deixou-se desautorizar.
- As razões de saída foram então internas e não propriamente políticas?
- Cansaço, se quiser. Provavelmente, concluiu, com o andar do tempo - e ele reconhece - que podia ter feito melhor. Perdeu poder. E quando um director, seja de que empresa for, deixa de mandar com alguma firmeza, cada dia que passa é pior. Ele concluiu que se tinha esgotado o seu tempo. Continua a colaborar, agora na qualidade de comentador. Escreve mais ou menos da mesma maneira, mas já não tem responsabilidade na linha editorial.
(…)
- Vai continuar a financiar o Público?
- Não digo isso. Há um programa para equilibrar aquilo, tentando dar mais força ao digital, em três ou quatro anos. É um sorvedouro de dinheiro e há-de ter um fim. Se me pergunta: é para o ano? Não é. Daqui por dois anos? Provavelmente, também não. Mas tem limites. De cada vez que o Público não ganha dinheiro, ponho-o eu. E isto cansa.
- Pode vender...
- Ninguém dá dinheiro que se veja pelos jornais, a não ser por motivações políticas. Houve uma transacção por um balúrdio de massa de um jornal que dá sempre prejuízo! Quem paga por algo que não gera dinheiro? Qual a motivação?
Pluri-pluri
Pacheco Pereira, se não estivesse em parte incerta, diria que a entrevista de Belmiro à Visão foi dada por um desses “engraçadinhos” que o irritam tanto. Não é, de facto, uma entrevista interessante, que é notícia apenas porque Belmiro se revela pretensamente desbragado no discurso. O que não quer dizer que, aqui ou ali, não tenha sido certeiro no retrato: “O Marcelo é pluri-pluri. Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta. Não sofre de pensamento único.”
“Cinco anos de políticas erradas”, diz Frasquilho
Miguel Frasquilho disse hoje que o Orçamento do Estado para 2010 é o "corolário de cinco anos de política errada", destacando que o valor do défice previsto é o segundo maior da democracia portuguesa.
Vamos lá ao que interessa: estar preocupado com as contas públicas nacionais e com a capacidade futura da economia para voltar a crescer é uma preocupação legítima, aliás. Outra coisa muito diferente é ignorar que esta situação decorreu como resposta à maior recessão que a Europa viveu desde os anos 1930. E se ela não foi, efectivamente, tão grave com a dessa época, foi porque os Estados responderam de forma rápida e agressiva — com um preço, naturalmente: o aumento do défice e da dívida pública em todos os países. Isto não é rocket science nem ciência oculta.
Por isso, ignorar que os números que conhecemos hoje relativos às finanças públicas são o resultado inevitável de políticas que permitiram evitar a catástrofe sócio-económica é profundamente desonesto, política e intelectualmente.
Seria aconselhável o Dr. Miguel Frasquilho olhar para alguns valores internacionais. Por exemplo, as previsões de Outono da União Europeia, publicados no passado mês de Novembro:
Em todos os países aqui listados, a dívida pública subiu em 2009 — e na maioria subiu muitíssimo. Para Portugal, inclusive, o valor previsto para 2009 era mais alto (77,4%) do que o Governo forneceu ontem (76,6%).
Se Frasquilho acha que estes valores são uma coincidência, só podemos concluir que as suas capacidades de análise estão profundamente toldadas. É que a globalização das economias — real — não serve só para fazer avisos sobre os desafios da competitividade; ela é também essencial para perceber porque é que a redução da actividade produtiva e comercial contagia economias altamente interdependentes. É que, quando países como Alemanha e a Espanha tossem, Portugal espirra.
Quando convém, Frasquilo raciocina como se a economia portuguesa tivesse as fronteiras fechadas e o que se passa lá fora fosse absolutamente irrelevante.
Miguel Frasquilho fala, pois, de “cinco anos de políticas erradas”. Talvez convenha reavivar a sua memoria, recordando ao deputado foi este primeiro-ministro e este ministro das Finanças que:
Vamos lá ao que interessa: estar preocupado com as contas públicas nacionais e com a capacidade futura da economia para voltar a crescer é uma preocupação legítima, aliás. Outra coisa muito diferente é ignorar que esta situação decorreu como resposta à maior recessão que a Europa viveu desde os anos 1930. E se ela não foi, efectivamente, tão grave com a dessa época, foi porque os Estados responderam de forma rápida e agressiva — com um preço, naturalmente: o aumento do défice e da dívida pública em todos os países. Isto não é rocket science nem ciência oculta.
Por isso, ignorar que os números que conhecemos hoje relativos às finanças públicas são o resultado inevitável de políticas que permitiram evitar a catástrofe sócio-económica é profundamente desonesto, política e intelectualmente.
Seria aconselhável o Dr. Miguel Frasquilho olhar para alguns valores internacionais. Por exemplo, as previsões de Outono da União Europeia, publicados no passado mês de Novembro:
Em todos os países aqui listados, a dívida pública subiu em 2009 — e na maioria subiu muitíssimo. Para Portugal, inclusive, o valor previsto para 2009 era mais alto (77,4%) do que o Governo forneceu ontem (76,6%).
Se Frasquilho acha que estes valores são uma coincidência, só podemos concluir que as suas capacidades de análise estão profundamente toldadas. É que a globalização das economias — real — não serve só para fazer avisos sobre os desafios da competitividade; ela é também essencial para perceber porque é que a redução da actividade produtiva e comercial contagia economias altamente interdependentes. É que, quando países como Alemanha e a Espanha tossem, Portugal espirra.
Quando convém, Frasquilo raciocina como se a economia portuguesa tivesse as fronteiras fechadas e o que se passa lá fora fosse absolutamente irrelevante.
Miguel Frasquilho fala, pois, de “cinco anos de políticas erradas”. Talvez convenha reavivar a sua memoria, recordando ao deputado foi este primeiro-ministro e este ministro das Finanças que:
- • Reduziram o défice deixado pelo governos PSD/CDS em 2005 (provocado, convém lembrar sempre, enquanto a Europa e os nossos parceiros comerciais cresciam, ou seja, o oposto do que aconteceu em 2009);
• O fizeram de forma atingir o valor mais baixo da democracia (2,6%) um ano antes do previsto (2007 e não 2008), quando o mesmo Dr. Frasquilho entretinha os media com os os seus momentos Maya, jurando a pés juntos que não seria possível reduzir o défice;
• Estabilizaram, durante este período, a dívida pública – 63,6% em 2005 e 2007, antes de subir um pouco em 2008, ano onde se sentiu o primeiro forte impacto da crise —, que havia subido durante todos os anos da coligação PSD-CDS.
Só nos saem duques
Já aqui tinha feito alusão à circunstância de pessoas que se distinguem, por uma razão ou por outra, na sua actividade profissional serem chamados a comentar nos media assuntos em que são especialistas e, aos poucos, deslizarem para o comentário sobre qualquer tema. É o caso de João Duque, que referi aqui. É natural que, sendo feita por Pedro Lains, esta observação tenha outra força.
Luta política está judicializada para "obter vantagens partidárias"
O discurso de Marinho e Pinto (referido aqui) na sessão solene da abertura do ano judicial pode ser lido no site da Ordem dos Advogados. E vale a pena ser lido.
Leituras
• João Cardoso Rosas, Apanhado em contrapé:
- ‘Na segunda e mais importante parte do seu livro, Pedro Passos Coelho considera inevitável a mudança do Estado no sentido deixar de ser fazedor para ser meramente regulador. Mais que isso, preconiza o carácter supletivo do Estado e a transferência dos seus recursos para o sector privado. Num raciocínio típico do liberalismo de direita, PPC releva apenas a importância das funções de soberania - e a necessidade de o Estado as desempenhar melhor -, mas aponta a urgência de rever as suas funções sociais. Fala também de igualdade de oportunidades e equidade social, mas isso é contraditório com o que se disse anteriormente e desempenha na sua prosa uma função retórica.
É certo que PPC tenta uma defesa preemptiva face a este tipo de acusação e não deixa de o fazer com galhardia. Numa secção intitulada "As grandes ilusões da crise global", PPC procura mostrar que a crise actual não é nem deve ser o fim da economia de mercado e o regresso à economia estatizada. Isso é certamente verdade. Mas a economia de mercado tem muitas formas e não se confunde com o capitalismo de laissez-faire. A crise que temos atravessado está a mudar a visão prevalecente sobre a relação ente o mercado e o Estado, e não no sentido preconizado por Passos Coelho. A realidade é o que é e não adianta tentar evitá-la. A visão que PPC tem do papel do Estado - que é a questão central da política actual - já fez todo o sentido num passado recente, mas surge agora fora do tempo.’
- ‘Nos últimos meses, a discussão sobre os investimentos de iniciativa pública centrou-se na questão do seu contributo para o défice e para o endividamento, aspectos muito importantes.
No entanto, num ambiente inquinado por alguma demagogia pré-eleitoral, parece ter-se estabelecido um simplismo de que, estando o País em crise, todos os investimentos deveriam ser adiados.
Esta ideia é errada, quer do ponto de vista macroeconómico, quer na óptica das finanças públicas, quer ainda numa óptica de desenvolvimento do País.
O apelo destes argumentos parte da ideia de tratar os investimentos como se fossem gastos. A ideia é simples, se gastamos mais um milhão, ficamos a dever mais um milhão. Tratando-se de investimento, esta ideia simplista pode ser profundamente errada.
Por exemplo, ao ter promovido importantes investimentos em barragens (3 mil milhões), o Estado português teve um encaixe positivo de 623 milhões de euros.
Estes investimentos estão a estimular a economia, estão a promover o emprego, e estão a diminuir o endividamento futuro. O investimento hidroeléctrico vai dar um contributo importante para reduzir a dependência energética, reduzindo o défice externo. Isto acontece porque se está a valorizar um recurso antes não aproveitado.
O mesmo acontece com o novo aeroporto de Lisboa. Sendo um investimento de iniciativa pública, envolve principalmente capitais privados. Mais uma vez cria emprego, sem criar endividamento, e promove a competitividade externa do País.
Esta ideia nem é nova, muitos dos investimentos em auto-estradas recuperaram os capitais investidos.
Peço desculpa a quem já tinha as verdades bem arrumadas.
Sublinho, no entanto, que há muitos outros investimentos que custam dinheiro ao Estado, salientando que essa não é uma razão para que não se façam. O Estado tem de olhar para a rentabilidade social de um investimento, e não apenas para a rentabilidade financeira. O Estado tem de olhar para o País e pensar que o desenvolvimento inclui também coesão social e territorial. Um país é mais do que o seu PIB, e quem não percebeu ainda isto não percebeu o essencial da análise económica.’
- ‘A apresentação do Orçamento parece indicar que Sócrates não se entregou nem a uma aproximação à esquerda por motivos da campanha Presidencial em curso, nem à direita por pressão internacional.
Há uma contenção nas despesas através de medidas como o congelamento nos salários da função pública, e uma diminuição das pensões na função pública, é certo, mas também uma manutenção de compromissos de investimento público sem a subida generalizada dos impostos. Nenhuma destas medidas é novidade e a continuidade nas políticas é uma aposta arriscada especialmente no contexto de volatilidade em que vivemos e nos valores de défice a que chegámos. Mas do ponto de vista político tem algum mérito, porque é coerente. Reflecte de muito perto o programa eleitoral do PS nas últimas legislativas o que significa que quem votou naquele partido não pode dizer-se agora defraudado com este Orçamento.’
Tudo tem uma explicação
Tanta inabilidade política, tanta demagogia a rodos... Freud explicaria melhor que qualquer politólogo.
Arquitectura & Negócios
O arquitecto Tiago Mota Saraiva lançou no 5 Dias uma ofensiva contra as obras em curso de requalificação de escolas. Basicamente, um vasto conjunto de suspeitas sem fundamentação, apimentadas por uns fait-divers...
A ofensiva começou com uma intervenção do deputado do PCP Miguel Tiago e culminou (?) com outra intervenção do deputado do PCP Miguel Tiago.
Até aqui, nada de mais. O 5 Dias apenas faz o trabalho de casa, com tantos outros blogues de assessores políticos - 31 da Armada, Insurgente, Albergue Espanhol, Ladrão de Bicicletas, Arrastão...
Mas o arquitecto Tiago Mota Saraiva é sócio gerente de um atelier de arquitectura, o que o transforma em parte interessada. Só não se percebe qual o papel do deputado do PCP Miguel Tiago em toda esta história.
A ofensiva começou com uma intervenção do deputado do PCP Miguel Tiago e culminou (?) com outra intervenção do deputado do PCP Miguel Tiago.
Até aqui, nada de mais. O 5 Dias apenas faz o trabalho de casa, com tantos outros blogues de assessores políticos - 31 da Armada, Insurgente, Albergue Espanhol, Ladrão de Bicicletas, Arrastão...
Mas o arquitecto Tiago Mota Saraiva é sócio gerente de um atelier de arquitectura, o que o transforma em parte interessada. Só não se percebe qual o papel do deputado do PCP Miguel Tiago em toda esta história.
quarta-feira, janeiro 27, 2010
A welfare queen de Paulo Portas
Ronald Reagan lançou em 1976, na sua primeira corrida à presidência dos EUA, o mito da “rainha da assistência” (welfare queen), uma mãe solteira “com 80 nomes, 30 moradas, 12 cartões da Segurança Social, que recebia subsídios relativos a 4 ex-maridos inexistentes”. A “rainha da assistência” passou, desde então, a fazer parte do imaginário da América republicana e conservadora, e ajudou Reagan a ser eleito em 1980.
A retórica de Paulo Portas contra o “rendimento mínimo” — a designação anacrónica da medida faz parte da jogada saloia — assenta na mesma exploração da inveja social. Para isso, divide o país e o mercado de trabalho em dois. Num caso, temos o país do meio milhão de desempregados, gente abnegada, trabalhadora e responsável, que só não tem um emprego porque enfrenta um mercado de trabalho deprimido, onde o emprego não existe ou desapareceu por causa das “políticas erradas do Governo”; para esses, Portas está disposto a tudo, inclusive a ultrapassar o Governo pela esquerda, revelando-se curiosamente generoso, ao defender a majoração do subsídio de desemprego quando os dois membros do casal estão sem emprego (medida aprovada na sexta-feira passada com os votos da bancada do PS e do BE).
Depois, há o país dos 300 mil malandros do “rendimento mínimo”, onde, ao contrário do primeiro grupo, pululam empregos a cada esquina, pelo que a malta só não trabalha porque não quer. Neste segundo país, o mercado de trabalho oferece imensas oportunidades, e só não aproveita quem é preguiçoso. Não interessa que estejamos a falar de pessoas com baixíssimas qualificações e elevado grau de exclusão de qualquer enquadramento institucional e que, por isso, enfrentem ainda mais dificuldades em conseguir inserções profissionais (sobretudo duráveis) do que os habitantes do país honesto e trabalhador de Portas. Nada disto é muito difícil de entender por alguém com uma mediana compreensão de como funciona o mercado de trabalho, sobretudo num ano de forte crise — que explica o aumento de todas as prestações sociais, rendimento social de inserção incluído.
Quando se procura estimular a inveja social e ódio aos miseráveis, qualquer análise séria é um verdadeiro empecilho. Se a fizesse, Portas concluiria que os desempregados 'bons' e os desempregados 'maus' vivem no mesmo país.
A retórica de Paulo Portas contra o “rendimento mínimo” — a designação anacrónica da medida faz parte da jogada saloia — assenta na mesma exploração da inveja social. Para isso, divide o país e o mercado de trabalho em dois. Num caso, temos o país do meio milhão de desempregados, gente abnegada, trabalhadora e responsável, que só não tem um emprego porque enfrenta um mercado de trabalho deprimido, onde o emprego não existe ou desapareceu por causa das “políticas erradas do Governo”; para esses, Portas está disposto a tudo, inclusive a ultrapassar o Governo pela esquerda, revelando-se curiosamente generoso, ao defender a majoração do subsídio de desemprego quando os dois membros do casal estão sem emprego (medida aprovada na sexta-feira passada com os votos da bancada do PS e do BE).
Depois, há o país dos 300 mil malandros do “rendimento mínimo”, onde, ao contrário do primeiro grupo, pululam empregos a cada esquina, pelo que a malta só não trabalha porque não quer. Neste segundo país, o mercado de trabalho oferece imensas oportunidades, e só não aproveita quem é preguiçoso. Não interessa que estejamos a falar de pessoas com baixíssimas qualificações e elevado grau de exclusão de qualquer enquadramento institucional e que, por isso, enfrentem ainda mais dificuldades em conseguir inserções profissionais (sobretudo duráveis) do que os habitantes do país honesto e trabalhador de Portas. Nada disto é muito difícil de entender por alguém com uma mediana compreensão de como funciona o mercado de trabalho, sobretudo num ano de forte crise — que explica o aumento de todas as prestações sociais, rendimento social de inserção incluído.
Quando se procura estimular a inveja social e ódio aos miseráveis, qualquer análise séria é um verdadeiro empecilho. Se a fizesse, Portas concluiria que os desempregados 'bons' e os desempregados 'maus' vivem no mesmo país.
Luta política está judicializada para "obter vantagens partidárias"
- Lisboa, 27 Jan (Lusa) - O bastonário da Ordem dos Advogados afirmou hoje que "há sinais evidentes que a Justiça está politizada", alegando que uma parte da luta política desenrola-se "à volta de processos judiciais pendentes com o objectivo de obter vantagens partidárias".
"É neste contexto que se agravou o problema das permanentes e cirúrgicas violações do segredo de Justiça em fases processuais em que os arguidos e seus defensores não podem aceder ao processo", criticou Marinho Pinto na cerimónia de Abertura do Ano Judicial, no Supremo Tribunal de Justiça, em Lisboa.
O bastonário acusou alguns magistrados de contribuírem para essa situação ao participarem abertamente no debate partidário e, numa alusão ao caso das escutas telefónicas do processo Face Oculta, lembrou que se chegou ao ponto de o "exercício legítimo das competências do presidente do Supremo Tribunal de Justiça ter sido publicamente posto em causa por outros magistrados".
Numa referência às escutas do Apito Dourado, Marinho Pinto disse não compreender como é que gravações de conversas telefónicas obtidas numa investigação criminal "sejam colocadas na Internet depois dos visados terem sido absolvidos e o processo ter sido arquivado".
"O segredo de Justiça está transformado numa verdadeira farsa e já é tempo de pôr termo ou à farsa ou ao segredo", afirmou, criticando ainda a "chocante promiscuidade" entre certos sectores da investigação criminal e certos órgãos de informação.
Marinho Pinto condenou também o facto de procuradores do Ministério Público agirem "como se fossem juízes" e "pior do que isso muitos juízes actuarem como se fossem procuradores".
Nas palavras do bastonário dos advogados, o discurso público de alguns juízes confunde-se com o discurso do magistrados do Ministério Público e por vezes até com o das polícias.
"Reivindicam permanentemente mais escutas telefónicas, mais segredo de Justiça, mais detenção, mais prisão preventiva", acusou.
CC recomenda
No dia em que faz 65 anos que o Exército Vermelho libertou os prisioneiros de Auschwitz, sugere-se:
Auschwitz através de imagens reproduzidas por (e de) Ana Vidigal e Palmira F. Silva [aqui, aqui, aqui e aqui] e de texto de Irene Pimentel.
- In 1940, in the Jewish ghetto of Nazi-occupied Warsaw, the Polish historian Emanuel Ringelblum established a clandestine scholarly organization called the Oyneg Shabes to record the experiences of the ghetto's inhabitants. For three years, members of the Oyneb Shabes worked in secret to chronicle the lives of hundereds of thousands as they suffered starvation, disease, and deportation by the Nazis. Shortly before the Warsaw ghetto was emptied and razed in 1943, the Oyneg Shabes buried thousands of documents from this massive archive in milk cans and tin boxes, ensuring that the voice and culture of a doomed people would outlast the efforts of their enemies to silence them.
Impeccably researched and thoroughly compelling, Samuel D. Kassow's Who Will Write Our History? tells the tragic story of Ringelblum and his heroic determination to use historical scholarship to preserve the memory of a threatened people.
Auschwitz através de imagens reproduzidas por (e de) Ana Vidigal e Palmira F. Silva [aqui, aqui, aqui e aqui] e de texto de Irene Pimentel.
Alberto João
O tipo para quem 80 milhões a mais ou a menos não prejudicam o orçamento é o mesmo que atira cascas de laranja pela janela do carro e se justifica assim: "Não é isto que vai tornar o país mais sujo".
terça-feira, janeiro 26, 2010
Dr.ª Manuela: preocupada com o endividamento no Continente, quer o regabofe na Madeira
Então não vale uma missa o santuário da democracia, Filipe?
Desaparecido em combate [1]
Há seis dias que não publica fotos do banco do jardim de Santo Amaro. Alguém sabe o que aconteceu a Rafael Marques, depois de ter sido trucidado pelo lado tacticista de Cavaco?
Passagem de testemunho
PPM decidiu suspender a sua alfabetização à terceira letra. Carlos Santos pegou-lhe no facho. Um substituto à altura.
Isto não vai acabar bem [Nova série – 32]
Mira Amaral, ex-ministro de Cavaco, regista que, em relação ao próximo orçamento do Estado, se está a assistir a um “comportamento perfeitamente errático do PSD”. E aponta dois responsáveis:
- • Dr.ª Manuela — “Ninguém percebeu o que é que o PSD queria do Orçamento. Ninguém percebeu a estratégia daquela senhora que eu chamo a defunta líder do PSD”;
• Cavaco Silva — “Como o senhor Presidente da República certamente não quer problemas antes das próximas eleições presidenciais, não quer desencadear uma crise antes disso, o PSD foi a reboque”.
Benfica
Falava-se que tinha morrido em paz quando o muro de Berlim se desmoronou. Afinal, o unitário Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) ainda estrebucha, agora entregue a uma desconhecida personalidade do PCP, que tem igualmente de canalizar a sua militância para a Assembleia de Freguesia da Pontinha: Sandra Benfica.
Allegro ma non troppo [2]
Vital Moreira, no Público de hoje:
- ‘O problema de Manuel Alegre está evidentemente no eleitorado flutuante do centro político, cuja inclinação determina o resultado de todas as eleições. Parece evidente que ele não está nas melhores condições para atrair esses eleitores, que não gostam de propostas radicais e que prezam a estabilidade institucional e a previsibilidade nos inquilinos de Belém. O simples facto de Alegre se ter deixado cooptar pelo Bloco de Esquerda - que ao contrário de há cinco anos abdicou mesmo de uma candidatura própria logo à partida - é um fator negativo. Há ligações que comprometem. Quanto mais tempo Alegre demorar a distanciar-se do BE e a enveredar por um discurso político mais apelativo para os eleitores moderados, mais compromete as suas possibilidades, já de si escassas, de chegar a Belém.’
Justiça no YouTube
Pedro Adão e Silva coloca o dedo na ferida: «É por tudo isto que é tão grave a sistemática e indesculpável ausência de investigação consequente de casos de violação do segredo de justiça. O que aliás serve para revelar um paradoxo: ao mesmo tempo que é tão fácil para o nosso sistema escutar alguém (sem que seja garantido que o conteúdo dessas escutas é reservado e não cai no domínio público), continua a ser tão difícil "escutar" se, por exemplo, um juiz, um magistrado do Ministério Público, um funcionário judicial ou um advogado falou com um jornalista sobre elementos de um processo.»
O artigo de Pedro Adão e Silva não mistura questões que decorrem do Estado de direito com as peripécias políticas (ou desportivas) ocasionais, mostrando, de resto, que as posições de cada um não podem andar ao sabor da espuma dos dias. Filipe Nunes Vicente, por sua vez, parece em queda livre, incapaz de recuperar do abalo de 27 de Setembro: a justiça popular já lhe parece um recurso admissível. É pena.
O artigo de Pedro Adão e Silva não mistura questões que decorrem do Estado de direito com as peripécias políticas (ou desportivas) ocasionais, mostrando, de resto, que as posições de cada um não podem andar ao sabor da espuma dos dias. Filipe Nunes Vicente, por sua vez, parece em queda livre, incapaz de recuperar do abalo de 27 de Setembro: a justiça popular já lhe parece um recurso admissível. É pena.
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte…
Já havia acontecido com o subsídio de
Agora acontece com a aposentação dos magistrados. Os tribunais entendem que a lei geral não se lhes aplica: aos 60 anos, desde que tenham 36 anos de serviço, os magistrados podem ir para casa tratar dos netinhos. É difícil encontrar melhores exemplos de como funciona uma corporação.
Hard Times
Porque é que o Daniel faz lembrar tanto o Sebastião de Tempos Difíceis, rejeitado pelos seus por ser fura-greves e não aceite pelas forças vivas da nação apesar de se pôr sempre a jeito para todos os fretes?
Os novos paradigmas dos ajustes directos
E os ajustes directos? Meu Deus, os ajustes directos... Um escândalo. Parece que abundam na requalificação das escolas.
Mas... vejamos, em 2009, o ajuste directo foi o procedimento contratutal mais utilizado pelo Estado e pelas CÂMARAS.
Parece que, afinal, está tudo dentro da lei. Há é pessoas que têm uma certa difículdade em lidar com as regras da transparência e do rigor.
Paciência...
Mas... vejamos, em 2009, o ajuste directo foi o procedimento contratutal mais utilizado pelo Estado e pelas CÂMARAS.
Parece que, afinal, está tudo dentro da lei. Há é pessoas que têm uma certa difículdade em lidar com as regras da transparência e do rigor.
Paciência...
Mais problemas nas obras da Parque Escolar
O PCP lançou os foguetes e o PSD não poderia ter deixado de apanhar as canas. É a chamada "cooperação estratégica"...
Parece que em Viseu andam a remodelar escolas, mas não cuidam dos parques de estacionamento. Estará Fernando Ruas a falhar na política de transportes públicos?
Diligente, a Agência Lusa (paga por todos nós e controlada pelo Governo...) ainda fez eco (copy and paste) do texto de opinião publicado pelo deputado Almeida Henriques num site local, mas nenhum jornal nacional pegou na história. Oh... que pena. A maldita da asfixia democrática
Parece que em Viseu andam a remodelar escolas, mas não cuidam dos parques de estacionamento. Estará Fernando Ruas a falhar na política de transportes públicos?
Diligente, a Agência Lusa (paga por todos nós e controlada pelo Governo...) ainda fez eco (copy and paste) do texto de opinião publicado pelo deputado Almeida Henriques num site local, mas nenhum jornal nacional pegou na história. Oh... que pena. A maldita da asfixia democrática
Da série "Frases que impõem respeito"™ [406]
- 'O Governo informou-nos que vai continuar a contribuir para o desemprego.'
- Heloísa Apolónia, deputada do partido (?) Os Verdes, no final de uma reunião com o Governo sobre o Orçamento do Estado. Infelizmente, tal "pérola" não foi impressa por nenhum dos jornais que hoje se publicam em Portugal. Por uma vez, os media funcionaram e rectificam a fraude eleitoral e a incontinência verbal personificada pela deputada Heloísa. Só passou nas televisões, mas nessas qualquer coisa passa...
Claustrofobia democrática - assim se vê (ou ouve...) o longo braço de Sócrates na comunicação social
A Antena 1, rádio pública paga por todos nós, decidiu dedicar parte substancial dos noticiários de hoje de manhã a algumas obras pontuais na A-16.
Ou melhor - a propósito de algumas obras pontuais na A-16, a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, decidiu dedicar parte substancial dos noticiários de hoje a insinuar umas coisas acerca de Jorge Coelho, dos governos socialistas e por aí fora.
Curiosamente, quando se refere ao corte de trânsito na A-9 (CREL) - esse, sim, com enorme impacto na Grande Lisboa -, a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, nunca refere que a Brisa é detida pelo Grupo Mello, herdeiro de um dos principais sustentáculos económicos do regime que caiu no 25 de Abril.
Se a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, quer levar avante essa sua vertente pedagógica, convinha que fosse mais abrangente.
Ou melhor - a propósito de algumas obras pontuais na A-16, a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, decidiu dedicar parte substancial dos noticiários de hoje a insinuar umas coisas acerca de Jorge Coelho, dos governos socialistas e por aí fora.
Curiosamente, quando se refere ao corte de trânsito na A-9 (CREL) - esse, sim, com enorme impacto na Grande Lisboa -, a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, nunca refere que a Brisa é detida pelo Grupo Mello, herdeiro de um dos principais sustentáculos económicos do regime que caiu no 25 de Abril.
Se a Antena 1, rádio pública paga por todos nós, quer levar avante essa sua vertente pedagógica, convinha que fosse mais abrangente.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Viagens na Minha Terra
- • José Teles, É mentira, eu publico mas tu não desmentes:
- 'Repararam como surgiu a inventona das escutas em Belém? Com a garantia dada pela Casa Civil que o Presidente da República não desmentiria coisa nenhuma, o José Manuel Fernandes fartou-se de explicar que o Público só tinha avançado com a notícia de que o Presidente, pelo menos num primeiro tempo, calaria, e consentiria, no despropósito.
Era o contributo do Presidente em pessoa para "a campanha negra"!
E por todas aquelas semanas, antes das eleições, em que José Manuel Fernandes sugeria que o PR em pessoa convalidara as manchetes do Público, continuava seguramente a ter a garantia de que não seria desmentido. E não foi.
Cinco meses depois da bronca, quando as pessoas já se esqueceram e o PR volta a subir nas sondagens, é "Fernando Lima" (ou o Presidente por ele) que vem vender a tese que afinal o Público inventara a coisa.
Desmente José Manuel Fernandes? Ofende-se Luciano Alvarez de estar a ser chamado mentiroso. Que não se encontrou com o homem de Belém, e "a pedido" do PR, num café da Avenida Roma? Que não recebeu dele um dossier sobre um adjunto do Primeiro-Ministro que se tinha infiltrado naquela visita triunfal de Cavaco Silva e da sua Dama, à terra de Alberto João Jardim? Não desmente. Combinaram que não havia desmentido, está na cara. Mais uma vez.'
• A. Teixeira, — EU ACHO…
• Eduardo Pitta, O PALACETE
• Francisco Seixas da Costa, Exportação
• João Galamba, Perplexidades
• José Carlos Pereira, À esquerda e à direita
• Pedro Santana Lopes, Convocado com a devida convocatória
• Porfírio Silva, perguntem ao titular
• Raimundo Narciso, Tudo bons rapazes da fina flor do PSD cavaquista
• Ricardo Sardo, Como se manipula os leitores
• Tiago Tibúrcio, Revelações, ilusões e desilusões
• Val, Fica para mim
Contributo para a história dos ‘políticos puros’: o ponto de vista de Bruxelas
João Marques de Almeida, assessor de Durão Barroso, escreve hoje sobre Políticos profissionais, parecendo querer devolver à procedência o frete da “dinastia dos discípulos”:
- ‘Há, ainda, o que chamo a visão ingénua. Uma pessoa fez uma carreira profissional com sucesso, é de uma grande competência e seriedade profissional, percebe que o país enfrenta problemas e julga saber as soluções. Resolve então, perdoem a expressão, "fazer uma perninha na política". Claro que as intenções são as melhores, mas as exigências da vida política não rimam com boas intenções. Deixem-me dar como exemplo uma profissão que conheço bem: professor universitário. Julgar que é possível passar grande parte da vida a escrever livros e a dar aulas e, depois, aos 50 anos resolver "fazer política" constitui uma ilusão das democracias imaturas. Acontece nas jovens democracias, depois de uma revolução, porque é necessário renovar a classe política. Em Portugal, a visão ingénua continua a aparecer quando se faz uma das comparações mais extraordinárias que se pode imaginar: o Salazar como exemplo contra os "políticos profissionais".
Salazar não fez mais nada na vida senão política; e, como sabemos, a tempo inteiro.’
Da série "Frases que impõem respeito"™ [405]
- (…) o orçamento tem todas as condições para ser viabilizado pelo PSD.
- Aguiar Branco, não esclarecendo porém se a posição do PSD será a de “abstenção passiva” para se demarcar da “abstenção construtiva” do CDS-PP
Assessoria frenética em Belém
Na semana passada, foi Fernando Lima que fez prova de vida. Neste fim-de-semana, coube a Carlos Blanco de Morais fazer um ataque ao Governo (também no Expresso). Talvez valha a pena sugerir a este assessor de Belém que releia a Autobiografia Política de Cavaco Silva (se não a tiver à mão, chega esta passagem do Volume I).
Para além do que o actual presidente diz, nas suas memórias, sobre o tempo em que governou em minoria (numa altura em que havia uma maioria de esquerda no parlamento, ao contrário de agora, em que não há uma maioria de direita), é bom recordar que Cavaco procurou tornear o “bloqueio” da Assembleia recorrendo amiúde ao Tribunal Constitucional. Ou será que Carlos Blanco de Morais está a criticar a actuação de Cavaco como primeiro-ministro?
Leitura complementar: Reserva de administração de pernas para o ar.
Para além do que o actual presidente diz, nas suas memórias, sobre o tempo em que governou em minoria (numa altura em que havia uma maioria de esquerda no parlamento, ao contrário de agora, em que não há uma maioria de direita), é bom recordar que Cavaco procurou tornear o “bloqueio” da Assembleia recorrendo amiúde ao Tribunal Constitucional. Ou será que Carlos Blanco de Morais está a criticar a actuação de Cavaco como primeiro-ministro?
Leitura complementar: Reserva de administração de pernas para o ar.
domingo, janeiro 24, 2010
Da série "Frases que impõem respeito"™ [404]
- Ele [Paulo Portas] foi o último director do órgão informativo da Jota — "Pelo Socialismo".
- Passos Coelho, na entrevista ao Expresso, na qual revela que conhece Paulo Portas dos tempos da JSD
Quando Passos tropeça nas suas palavras
Enquanto a Dr.ª Manuela olhava para a Marmeleira convencida de que estava a ver o mundo a caminhar ao seu encontro, Passos Coelho foi calcorreando o país a doses de carne assada. Será muito possivelmente o próximo líder do PSD. Como diz ao Expresso (com aquela originalidade que se lhe reconhece): “Os ex-presidentes do partido tiveram uma oportunidade. E não há segunda oportunidade para se mostrar se é líder”. E Rangel “é militante há dois ou três anos”. E Aguiar Branco já contou espingardas e entendeu ser melhor prestar vassalagem ao delfim de Ângelo Correia, para poder manter um pássaro na mão.
Mas é bom que se saiba ao que Passos Coelho vem: o candidato quer “oferecer uma alternativa que liberte a sociedade.” E o que se propõe fazer para tanto? Admite congelar os salários “por mais de um ano”. Mas avisou que também “devemos congelar a despesa social no que não depende dos mecanismos automáticos: não criar novas prestações, não aumentar as actuais prestações e fazer uma gestão integrada da despesa social. Se quiser gastar mais na segurança social tem que dizer onde corta na saúde; se tiver que gastar mais na saúde tem que dizer onde corta na educação.”
É talvez o momento da entrevista em que ele fala com maior clareza. Já quanto à privatização da Caixa Geral de Depósitos, Passos recua. E em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, desdiz-se. Enquanto nas últimas directas do PSD defendia que “ninguém pode ser discriminado, em face da lei civil, pelo Estado, por razão das sua opção sexual”, aparece agora a defender o casamento de 2.ª categoria contido na iniciativa chumbada de Aguiar Branco:
- Expresso — Se fosse deputado como votaria o casamento gay e a adopção?
Passos Coelho — Como o PSD, contra as duas coisas.
A palavra aos leitores - 'ARRUMAÇÕES'
- 'Ou anda para aí muita baralhação, ou muito iluminado a querer “lavar a cabeça” do pessoal. Dúvida com dois tempos: antes e por causa do Governo, Sócrates foi acusado de liquidar a democracia interna, a massa crítica e a pluridade do PS; agora e por causa das presidenciais, dizem que Sócrates está obrigado a massificar todas as memórias e independências dos militantes do PS, e qual cordeiro bíblico, a apresentá-los ao altar presidencial da esquerda.
Como não entendo a coerência e seriedade dessas proclamações, aproveitei para fazer “arrumações” e o acaso pôs-me diante da “Economia – Volume II – Número 3, Outubro de 1978, revista quadrimestral da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Sob o título: “Políticos, burocratas e economistas”, comunicação de A.Cavaco Silva, pude saber:
- “... as decisões públicas são tomadas pelos políticos na base do seu próprio bem estar, e não do interesse da sociedade... A ideia do político como criatura dedicada à prossecução dos interesses da sociedade como um todo é hoje considerada como um mito pela generalidade dos economistas”...
Como nunca vi-ouvi tanto economista a fazer de político e tanto político a fazer de economista, e fazia sol, fui arejar...'
- Manuel T., Santa Maria da Feira
Leituras
• Fernanda Palma, Reforma francesa:
- ‘(...) o actual modelo francês é criticável por uma razão decisiva: concentra na mesma entidade a direcção da investigação e o controlo da sua legalidade. Além disso, como os juízes não têm perfil de polícia, o inquérito pode acabar, na prática, sob direcção policial.
No entanto, não se deve discutir uma alteração de modelo processual por razões políticas conjunturais. Além disso, a atribuição da instrução a um Ministério Público como o francês, sem tradição de autonomia e dependente do poder executivo, é vista com alguma desconfiança.
Por seu lado, o modelo português é equilibrado. Concebe o juiz de instrução como garante dos direitos, liberdades e garantias e atribui a direcção da investigação ao Ministério Público, que é autónomo do Governo e controla a actividade investigatória da polícia.’
- ‘Está em jogo a permanência da Google num dos mercados da internet mais rentáveis do mundo (superior a 300 milhões de utilizadores), razão por que se conformou com as regras chinesas. Sem grande êxito, pois vem perdendo mercado para a empresa chinesa Baidu, que tem ligações estreitas ao governo. Será possível que um Estado poderoso tenha a possibilidade de erigir muralhas electrónicas nas fronteiras, substituindo a internet global por uma intranet que controla, o que ameaça a globalização da comunicação/informação e prejudica as relações entre Estados?’
- ‘Consta que há muitos barões incomodados com esta possibilidade, mas ainda nenhum se atreveu a dar o passo em frente. A falta de experiência governativa já não é a principal fragilidade apontada a Passos Coelho, parece que agora o principal defeito é a sua "excessiva ligação" aos negócios de Ângelo Correia. O PSD dá como certa a vitória de Pedro e Pedro já promete unir o partido.’
- ‘Ao mesmo tempo que o PS não consegue hegemonizar à esquerda, as condições de diálogo têm sido impossibilitadas pelo efeito combinado - ainda que assimétrico - de um PS partido-charneira e de um BE e um PCP em acantonamento auto-infligido (sustentado por uma combinação que não encontra paralelo na Europa parlamentar entre irrealismo e conservadorismo).’
- ‘A história tem mais de 20 anos, desde que - no seguimento da conspiração a quatro mãos com Eurico de Melo - Cavaco Silva chegou ao poder. E lá permanece, ora prejudicando o processo de sucessão, ora afastando a solução indesejada, ora condicionando a afirmação de uma estratégia.
Tem sido assim: Fernando Nogueira foi fintado em plena campanha eleitoral, Santana Lopes despedido em exercício de funções, Manuela Ferreira Leite abandonada a duas semanas da prova final.
(…)
Também já se percebeu - porque o homem é previsível - que o fosso que o distancia do primeiro-ministro tende a aprofundar-se e ameaça ruptura depois de o tempo de Cavaco exceder o de Sócrates (o artigo patético do assessor Fernando Lima indicia o regresso à teoria da conspiração).’
sábado, janeiro 23, 2010
Dobrar a espinha
Ao convocar para hoje o encontro com Manuela Ferreira Leite, Sócrates estragou o fim-de-semana à presidente (é, não é?) do PSD. Mas não é por isso que esta reunião tem alguma relevância: é antes pelo facto de marcar a derrota, sem condições, da linha de confronto protagonizada por Pacheco Pereira (e Paulo Rangel).
Ao fazer chegar à regente o recado de que o PSD tinha de dobrar a espinha, desdizendo tudo o que andou a dizer (e a fazer) desde a derrota eleitoral de Setembro, Cavaco deixou que se percebesse que, na hora da verdade, os delírios da Marmeleira servem apenas para ganhar uns cobres nos media.
Allegro ma non troppo
A sondagem da Aximage atribui a Cavaco uma vantagem de cerca de 20 por cento em relação a Manuel Alegre. Mas olhar apenas para os valores globais pode ser um exercício traiçoeiro.
O quadro que se reproduz, retirado da edição de ontem do Jornal de Negócios, revela que a chave das próximas eleições presidenciais estará nos eleitores do PS: 46 por cento dos votantes estão, neste momento, com Alegre, enquanto 37,8 por cento se mostram dispostos a dar uma segunda oportunidade a Cavaco. Por outras palavras, ambos os candidatos terão de se voltar para o eleitorado do PS: Alegre para captar os votantes que revelam a intenção de votar no candidato da direita; e Cavaco para evitar ficar reduzido ao eleitorado que habitualmente vota à direita.
Assistir-se-á, portanto, ao longo de 2010, a uma aproximação ao centro dos dois candidatos principais. A palavra de Sócrates poderá ser decisiva neste confronto.
O Dr. Passos Coelho teve uma ideia
[Expresso, 23 Jan. 09]
Mas, é claro, isto de ocupar todos os espaços que os media generosamente abrem a quem debite qualquer coisa contra os socialistas, não é para todos.
O esforço a que foram sujeitas as meninges do Dr. PPC deu nisto - já qualquer coisa serve para tentar das nas vistas. Se há problema de que Portugal não padece ele é seguramente o dos vencimentos dos detentores de cargos políticos. A existir, aliás, seria no sentido inverso ao que o Dr. PPC deixa subententido nesta frase, como aliás revelará qualquer comparação, por mais sumária que seja, com os vencimentos das várias profissões e funções por essa Europa fora.
De resto, um dos problemas da política em Portugal é, precisamente, a falta de atractividade, nomeadamente económica, o que leva a que os melhores valores optem por trabalhar "no privado" ou por acumular, com todas as desvantagens e perigos que daí advêm.
A asfixia democrática
Com Medina Carreira literalmente em plano inclinado, a SIC lá teve que inventar um novo comentador de economia de isenção garantida. E escolha recaiu, desta vez, em Bagão Félix e, durante toda a semana, lá foi vê-lo, quase em permanência, a perorar umas vulgaridades sobre o FMI, o OE e mais umas larachas.
Como nestas coisas da independência e da isenção a RTP não gosta de se ficar, lá arranjou tempo de antena, a seguir ao telejornal de sexta, para ouvir um reputado especialista em finanças, de sua graça.... Bagão Félix.
Como nestas coisas da independência e da isenção a RTP não gosta de se ficar, lá arranjou tempo de antena, a seguir ao telejornal de sexta, para ouvir um reputado especialista em finanças, de sua graça.... Bagão Félix.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Adeus salário mínimo! Viva a ditadura do proletariado!
Tiago Moreira Ramalho acha que Portugal devia abandonar o salário mínimo formalmente fixado pelo Estado, porque ele não existe, segundo diz, em países prósperos como a Noruega, a Dinamarca, a Islândia, a Finlândia, a Itália, a Suíça ou a Áustria.
Isabel Moreira chamou então a atenção para a circunstância de a Constituição poder atrapalhar o voluntarismo do Tiago. Mas há mais.
Talvez o Tiago não tenha reparado, mas praticamente todos os exemplos que apresenta são países onde os sindicatos, historicamente ligados a partidos social-democratas/trabalhistas/socialistas, conseguiram ao longo da história instituir mecanismos e práticas que lhes conferem influência na forma como o mercado de trabalho funciona; onde os níveis de contratação colectiva são elevados; onde o grau de coordenação na negociação salarial é relativamente centralizada, e onde a taxa de sindicalização é, para os padrões actuais, altos. E, já agora, onde a maioria das empresas — pela pressão sindical e pela estratégia de mercado que escolhem — prefere trabalhadores qualificados e bem pagos a trabalhadores indiferenciados e mal pagos, quanto mais não seja porque a maioria dos seus produtos não concorre com aqueles produzidos na China ou nos países Bálticos (inversamente, os países e empresas que concorrem directamente com países de baixos salários são muito sensíveis aos custos do trabalho, pelo que tendência para manter estes ao mínimo é muito forte — daí a necessidade do estabelecer um salário mínimo).
É por causa destes mecanismos, Tiago, que as desigualdades salariais e de rendimento nesses países são mais baixas que em Portugal — não porque deixaram o mercado fixar os preços de forma “livre” e “natural”.
Por outras palavras: nestes países, não foi necessário instituir um salário mínimo oficial porque ele existe na prática, sustentado por mecanismos compensatórios que impedem as empresas de abusar dos baixos salários.
Enfim, aquele tipo de mecanismos que os liberais conotam rapidamente com a ditadura do proletariado.
Isabel Moreira chamou então a atenção para a circunstância de a Constituição poder atrapalhar o voluntarismo do Tiago. Mas há mais.
Talvez o Tiago não tenha reparado, mas praticamente todos os exemplos que apresenta são países onde os sindicatos, historicamente ligados a partidos social-democratas/trabalhistas/socialistas, conseguiram ao longo da história instituir mecanismos e práticas que lhes conferem influência na forma como o mercado de trabalho funciona; onde os níveis de contratação colectiva são elevados; onde o grau de coordenação na negociação salarial é relativamente centralizada, e onde a taxa de sindicalização é, para os padrões actuais, altos. E, já agora, onde a maioria das empresas — pela pressão sindical e pela estratégia de mercado que escolhem — prefere trabalhadores qualificados e bem pagos a trabalhadores indiferenciados e mal pagos, quanto mais não seja porque a maioria dos seus produtos não concorre com aqueles produzidos na China ou nos países Bálticos (inversamente, os países e empresas que concorrem directamente com países de baixos salários são muito sensíveis aos custos do trabalho, pelo que tendência para manter estes ao mínimo é muito forte — daí a necessidade do estabelecer um salário mínimo).
É por causa destes mecanismos, Tiago, que as desigualdades salariais e de rendimento nesses países são mais baixas que em Portugal — não porque deixaram o mercado fixar os preços de forma “livre” e “natural”.
Por outras palavras: nestes países, não foi necessário instituir um salário mínimo oficial porque ele existe na prática, sustentado por mecanismos compensatórios que impedem as empresas de abusar dos baixos salários.
Enfim, aquele tipo de mecanismos que os liberais conotam rapidamente com a ditadura do proletariado.
Leituras [3]
• Fernanda Câncio, A verdade de quem?: não sendo fácil cortar o texto às postas, que tal se o leitor o lesse na íntegra, poupando-me o trabalho de fazer uma transcrição longa?
Leituras [2]
• Pedro Adão e Silva, O tecto de Cavaco:
- ‘Ao longo destes quatro anos, Cavaco deu algum passo no sentido de alargar a sua base eleitoral? A resposta é não. Nesse sentido, o primeiro mandato de Cavaco foi atípico. Com o recurso a comunicações ao país que só introduziram ruído no debate; com uma inclinação para tutelar o seu espaço político de origem; e, acima de tudo, com uma reconversão de primeiro-ministro modernizador em Presidente conservador, numa altura em que o conservadorismo social está em retracção no país, Cavaco cristalizou a sua base de apoio. Pelo caminho, ao envolver-se por interposta pessoa nas disputas eleitorais, delapidou aquele que era o seu principal capital político: a ideia de que pairava acima da miséria da política partidária e que era um referencial de estabilidade e previsibilidade. A consequência é que, pela primeira vez, se discute a reeleição de um Presidente.’
Leituras [1]
• Ferreira Fernandes, Levante-se o réu (no YouTube):
- ‘(…) há um atalho muito comum por cá. Não havendo ponta legal por onde pegar o investigado (porque não há ou por o investigador não ter unhas), trama-se uma fuga. Escutas telefónicas no YouTube, por exemplo. Mas sendo esta crónica sobre investigadores judiciais, fujo ao assunto. Já estou no domínio dos profissionais falhados. E sobre estes só há isto para dizer: não há pior do que impotentes com poder.’
- ‘Só que a crise não teve nada de acidental. A partir dos anos 70, o sistema financeiro dos EUA, deixado à solta pela desregulamentação e por um clima político em que a ganância era vista com bons olhos, entrou numa vertigem cada vez mais descontrolada. Davam-se recompensas cada vez maiores - prémios muito além dos sonhos mais desbragados - a banqueiros capazes de produzir enormes lucros a curto prazo. E a melhor maneira de aumentar esses lucros era acumular dívida, impingindo empréstimos ao público e ganhando cada vez mais espaço de manobra no sector financeiro.
Mais cedo ou mais tarde, um sistema com estas características tinha de rebentar. E, se não fizermos mudanças fundamentais, a história vai repetir-se. Será que os banqueiros não percebem mesmo o que aconteceu, ou estarão apenas a proteger os seus próprios interesses? Como eu disse, o importante é que tenhamos presente que não devemos dar ouvidos aos financeiros quando está em causa a reforma financeira.’
As propostas do CDS-PP para o desemprego
As fórmulas mágicas para combater o desemprego que o CDS-PP anda para aí a vender ao povo merecem uma discussão séria. Aquela de entregar o remanescente do subsídio de desemprego a que um desempregado tem direito a uma empresa em troca de um contrato a termo é uma espécie de carta branca para as empresas iniciarem um grande regabofe: toca a despedir trabalhadores e contratar desempregados pagos a peso de ouro. Um verdadeiro convite ao abuso, portanto – mas como estamos a falar de empregadores e não beneficiários do RSI, não há problema nenhum, porque no caso dos primeiros é tudo gente de bem. Adiante.
Grave, mesmo grave, é a proposta do CDS-PP de permitir a passagem à reforma de trabalhadores com mais de 55 anos e que já tenham esgotado o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego. Isto pela simples razão de que esta foi precisamente o tipo de política ruinosa que colocou problemas gravíssimos aos sistemas de pensões de países como a Alemanha ou a França, pelo abuso que estas práticas originaram nos anos 80 e parte dos anos 90: na ressaca dos choques petrolíferos dos anos 70 e do desemprego estrutural da década seguinte, estes países adoptaram esquemas de reforma antecipada em massa, com o intuito – ainda que não exclusivo — de reduzir o desemprego.
Se a expressão “envelhecimento activo” entrou no vocabulário e nas boas práticas das políticas públicas, é porque ficou claro para todos os países quão perversas são as medidas facilitistas que retiram do mercado de trabalho precocemente mão-de-obra experiente. Hoje, não só não há instituições internacionais e peritos a defender a solução preconizada do CDS-PP como o consenso é que ela é desastrosa para o sistema de pensões e para os próprios trabalhadores, que são levados a afastar-se do mercado de trabalho com carreiras contributivas mais curtas e perder, mais cedo do que pensavam, a ligação ao mundo do trabalho e das relações sociais que este alimenta.
Por sinal, e como o quadro seguinte mostra [retirado do relatório da OCDE Education at a Glance 2008, p. 158], Portugal está bem classificado no indicador relativo ao grupo que, previsivelmente, mais uso faria de uma medida como a do CDS-PP: o dos trabalhadores com mais de 55 anos e com qualificações inferiores ao secundário (em 2006, 49,3% dos indivíduos deste grupo trabalhavam em Portugal, contra a média de 40,2% na OCDE). É assim que deve continuar. Inversamente, Portugal precisava de melhorar nos grupos com mais qualificações, nos quais Portugal ainda está abaixo da média da OCDE. Legislar no sentido de facilitar a reforma mais cedo seria estar a enviar a mensagem errada.
Grave, mesmo grave, é a proposta do CDS-PP de permitir a passagem à reforma de trabalhadores com mais de 55 anos e que já tenham esgotado o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego. Isto pela simples razão de que esta foi precisamente o tipo de política ruinosa que colocou problemas gravíssimos aos sistemas de pensões de países como a Alemanha ou a França, pelo abuso que estas práticas originaram nos anos 80 e parte dos anos 90: na ressaca dos choques petrolíferos dos anos 70 e do desemprego estrutural da década seguinte, estes países adoptaram esquemas de reforma antecipada em massa, com o intuito – ainda que não exclusivo — de reduzir o desemprego.
Se a expressão “envelhecimento activo” entrou no vocabulário e nas boas práticas das políticas públicas, é porque ficou claro para todos os países quão perversas são as medidas facilitistas que retiram do mercado de trabalho precocemente mão-de-obra experiente. Hoje, não só não há instituições internacionais e peritos a defender a solução preconizada do CDS-PP como o consenso é que ela é desastrosa para o sistema de pensões e para os próprios trabalhadores, que são levados a afastar-se do mercado de trabalho com carreiras contributivas mais curtas e perder, mais cedo do que pensavam, a ligação ao mundo do trabalho e das relações sociais que este alimenta.
Por sinal, e como o quadro seguinte mostra [retirado do relatório da OCDE Education at a Glance 2008, p. 158], Portugal está bem classificado no indicador relativo ao grupo que, previsivelmente, mais uso faria de uma medida como a do CDS-PP: o dos trabalhadores com mais de 55 anos e com qualificações inferiores ao secundário (em 2006, 49,3% dos indivíduos deste grupo trabalhavam em Portugal, contra a média de 40,2% na OCDE). É assim que deve continuar. Inversamente, Portugal precisava de melhorar nos grupos com mais qualificações, nos quais Portugal ainda está abaixo da média da OCDE. Legislar no sentido de facilitar a reforma mais cedo seria estar a enviar a mensagem errada.
Quando a resposta supera a pergunta
- Sol — O que é que mais o fascina no esqui?
Aguiar Branco — A conjugação do ambiente (…) com a adrenalina. Podem dizer-me que está a arder o escritório ou a Assembleia [da República] , que eu estou é preocupado com a pista negra que estiver a fazer.
Viagens na Minha Terra
- • Val, O nosso Zé de laranja Lima:
- ‘Uma Presidência que se calou bem calada a seguir às notícias que denunciavam, a partir da Casa Civil, a existência de espionagem de Estado dentro do Estado e contra o Estado, como é que deve ser qualificada? Não há suficientes palavrões no universo para despejar em cima desta situação nunca antes testemunhada publicamente, onde a Constituição foi trocada por um favor ao PSD que não se fez rogado, partido de videirinhos em que se tornou. A suprema hipocrisia de referir o facto de Cavaco estar de férias aquando do lançamento da inventona, ou invocar uma inexistente recusa em se envolver na política partidária, e ainda o ódio dirigido contra quem possibilitou o esclarecimento da situação, não surpreendem tanto pela sua malignidade, antes pelo seu primarismo. Esta putativa direita envergonha a vera direita.
Na hora do aperto, a malta que sabe como virar frangos sacrifica amizades quando se trata de tentar não ficar chamuscado, ou esturricado. O Zé Manel cumpriu exemplarmente as funções, tendo sido o aliado preferido da Presidência durante dois anos, mas acabou a levar pontapés de quem já lhe deu muitos abraços. É que a laranja no Governo dá ouro, nas empresas recebe prata e em Belém disparata.’
• João Pinto e Castro, O naufrágio da direita liberal:
- ‘A nossa direita liberal arranjou um emprego jeitoso, constituíu família, habituou-se a ir à missa e deixou crescer barriga, revelando-se tão ou mais medíocre que as outras e variadas direitas que a precederam.
Precocemente envelhecida, podemos constatar que a única liberdade que de verdade a mobiliza é a da raposa à solta no galinheiro, ou seja, aquela peculiar forma de liberdade que aumenta o poder daqueles que já o têm para mais à vontade poderem espezinhar os que dele carecem.’
• Eduardo Pitta, COPIAR A PRIMEIRA REPÚBLICA
• Isabel Moreira, Fim do salário mínimo?
• jmf, voyeurismo
• João Tunes, Cavaco nas ondas da TSF
• José Costa e Silva, Era uma vez Cavaco no Oeste
• Luís Grave Rodrigues, A Objecção de Consciência
• Maria João Pires, Pérolas do jornalismo português
• Miguel Marujo, Famílias
• Ricardo Paes Mamede, Da saída do euro e outras agruras
• Susana Barros, Parece mas Santana Lopes ainda não regressou
• Tomás Vasques, O deboche
• Tiago Tibúrcio, 60 anos da morte de Orwell
• Val, Blogosfera – Posologia
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