“Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses, ainda não se sabe quando haverá um novo Governo.”
— Carlos Moedas, no dia em que foi chumbado o PEC 4
Quarta-feira, Junho 30, 2010
Unidose
Foi publicada hoje a portaria que regula a dispensa de medicamentos ao público, em quantidade individualizada. Ninguém deu por nada?!
Miguéis de Vasconcelos forever
Içam bandeiras monárquicas para desenjoar, excitam-se com a aproximação de cada 1.º de Dezembro, veneram a padroeira da Pátria bem amada, mas, na hora da verdade, Portugal terá sempre vários Miguéis de Vasconcelos prontos a venderem-se por umas migalhas.
À procura da Verdade no tal site
Enquanto o país está preocupado com a defesa do interesse nacional na Portugal Telecom, Cavaco reuniu-se hoje com um dos líderes da oposição, certamente para aprofundar a cooperação estratégica.
O partido do beco sem saída
Pedro Passos Coelho, em entrevista à Rádio Renascença:
Miguel Relvas, em conferência de imprensa, ao fim da tarde:
Imagine, por um momento, que o PSD estava no Governo em Portugal. E que o primeiro-ministro dizia:
Obviamente, que abdicasse dos instrumentos que teria à mão para defender o "interesse estratégico do país" e para evitar "um mau negócio"...
Este PSD começa a ser demasiado previsível: exige portagens, mas faz tudo para atrasar a sua aplicação; quer uma PT forte, mas abdica de a defender. E ainda estamos no princípio.
“Se fosse primeiro-ministro, diz Passos Coelho, daria indicações à Caixa Geral de Depósitos para votar contra o que considera ser um "mau negócio" para a PT. Em primeiro lugar, porque julgo que é do interesse nacional que esta participação se mantenha na Vivo, no Brasil. Não creio que o Estado a deva impor à PT, mas, estando ainda como accionista da PT, julgo que o Estado deve manifestar o interesse estratégico da participação que existe no Brasil. Em segundo lugar, porque acho que, de todos os elementos que têm vindo a público, a oferta que a Telefónica faz se encontra bastante abaixo ainda do valor estratégico que esta participação tem em termos financeiros. Julgo que não seria um bom negócio para a PT”, refere Pedro Passos Coelho. O líder do PSD falava antes de ser conhecida uma nova oferta da Telefónica, divulgada na véspera da assembleia-geral de accionistas da PT, que se realiza esta quarta-feira. A empresa espanhola está agora disposta a pagar 7,15 mil milhões de euros pela Vivo.
Miguel Relvas, em conferência de imprensa, ao fim da tarde:
"Nós não teríamos utilizados a 'golden share'", disse hoje Miguel Relvas , secretário geral do PSD , em conferência de imprensa, na sede do PSD, em Lisboa. O representante da posição estatal na PT na assembleia geral de accionistas da empresa votou contra a venda da Vivo à espanhola Telefónica utilizando a 'golden share', tendo o primeiro ministro, José Sócrates, afirmado que "a 'golden share' serve para ser utilizada quando é necessário". "Entendemos que não devem existir 'golden share'. O Estado não deve ter nas participações nas empresas poderes especiais", argumentou Miguel Relvas. Segundo o secretário geral do PSD, "o negócio não era um bom negócio para a PT, mas cabe respeitar a decisão dos acionistas". Para o PSD, "o sinal que o Estado devia dar era o da votação da Caixa Geral de Depósitos", empresa detida pelo Estado, que votou contra.
Imagine, por um momento, que o PSD estava no Governo em Portugal. E que o primeiro-ministro dizia:
a) a participação que a PT tem no Brasil é estratégica para o país;O que esperariam desse Governo e desse primeiro-ministro?
b) a proposta da Telefónica é um mau negócio para a PT
Obviamente, que abdicasse dos instrumentos que teria à mão para defender o "interesse estratégico do país" e para evitar "um mau negócio"...
Este PSD começa a ser demasiado previsível: exige portagens, mas faz tudo para atrasar a sua aplicação; quer uma PT forte, mas abdica de a defender. E ainda estamos no princípio.
O Eduardo que não se chama Eduardo
Do editorial da edição de hoje do Público, intitulado Quem vai ser o Eduardo da PT?:
‘Há uma reflexão a fazer sobre a vulnerabilidade da posição da PT no duelo ibérico com a Telefónica
Em pouco mais de 90 minutos de futebol, um homem lutou para fazer a diferença. Eduardo o guarda-redes da selecção nacional, defendeu o possível e o impossível. Mas, sozinho, nunca seria capaz de travar a fúria espanhola. E bastou a bola ter entrado uma vez para ficar traçado o destino do Portugal-Espanha no Mundial da África do Sul. Por coincidência do calendário, esta manhã, em Lisboa, na assembleia geral da Portugal Telecom, vai acontecer um outro Portugal-Espanha. Menos apaixonante, porventura, mas mais significativo para o nosso futuro. Se os accionistas aprovarem a venda à Telefónica dos 50 por cento da operadora brasileira Vivo, detidos pela PT, não é apenas o destino de uma empresa específica que está em causa. É a capacidade de uma pequena economia, como a nossa, tentar ultrapassar a sua dimensão e projectar-se internacionalmente. É uma visão sobre um caminho para nos desenvolvermos num mundo global que foi posta em questão. Por outro lado, argumentarão muitos, trata-se apenas de um negócio, sujeito às regras da oferta e da procura. Um negócio onde tudo dependerá de um preço - sobretudo num momento como o actual, em que o preço pode ser um paliativo mágico para muitas tesourarias ameaçadas pela escassez do crédito. A própria PT, mesmo sabendo bem onde está o seu interesse estratégico, não está imune à tentação de ceder. E, com o encaixe financeiro proporcionado pela venda, tentar construir um novo projecto. Mas a questão de fundo é constatarmos a vulnerabilidade da posição da PT, perante o seu poderoso parceiro que, entretanto, se tornou seu inimigo. E não, não há um Eduardo que defenda o interesse estratégico do país. Essa é a discussão que devíamos abrir no dia depois deste segundo duelo ibérico.’
Share is golden
Escreve Pedro Guerreiro no Jornal de Negócios: “ Se vender a Vivo, a PT ficará mais pequena na proporção em que entregar dividendos. E o que restar para reinvestir dificilmente o será no Brasil, pois esse comboio já passou. O melhor para a PT é não vender. A Vivo esteve quase a engolir a PT no buraco negro do seu défice, foi uma década de sangria perdulária. Agora que finalmente a empresa se vai tornar uma vaca leiteira de dividendos, a PT vende?”
Aparentemente, o Estado subscreveu esta tese do director do Jornal de Negócios e agiu em conformidade, mas Pedro Guerreiro demarca-se do que havia escrito esta manhã: “A utilização da "golden share" é inédita, surpreendente e provavelmente ilegal. Vai contra o mercado, contra a administração e contra a decência. E revela um País próximo do subdesenvolvimento económico. Espanha 2 - Portugal abaixo de 0.”
Os interesses dos accionistas não podem divergir do interesse nacional? E o Estado, que tem meios para intervir, deveria então abster-se? Saber se a participação na Vivo é estratégica pode ser uma discussão interessante, mas ater-se a preconceitos ideológicos é matar a discussão.
ADENDA — Pedro Santos Guerreiro no Twitter: “Estou a ser cilindrado por leitores no Negócios por ser contra a golden share. Sócrates tem a opinião pública consigo?”
Aparentemente, o Estado subscreveu esta tese do director do Jornal de Negócios e agiu em conformidade, mas Pedro Guerreiro demarca-se do que havia escrito esta manhã: “A utilização da "golden share" é inédita, surpreendente e provavelmente ilegal. Vai contra o mercado, contra a administração e contra a decência. E revela um País próximo do subdesenvolvimento económico. Espanha 2 - Portugal abaixo de 0.”
Os interesses dos accionistas não podem divergir do interesse nacional? E o Estado, que tem meios para intervir, deveria então abster-se? Saber se a participação na Vivo é estratégica pode ser uma discussão interessante, mas ater-se a preconceitos ideológicos é matar a discussão.
ADENDA — Pedro Santos Guerreiro no Twitter: “Estou a ser cilindrado por leitores no Negócios por ser contra a golden share. Sócrates tem a opinião pública consigo?”
Preocupação genuína
Ena tanto post... Quanto terá perdido o Rodrigo (posso tratá-lo por Rodrigo?) na Assembleia Geral da PT?
Quando ele ainda não disse ao que vem
Tiago Tibúrcio qualifica-as como perguntas giras. Eu acho que elas são o máximo.
Leituras
• João Pinto e Castro, O método Tom Sawyer da produtividade nos serviços:
- ‘Se, como pretendia Adam Smith, o preço de qualquer coisa inclui todo o esforço e maçada que ela nos custa, então a deterioração da qualidade de um serviço esconde um aumento real do seu preço. Não sendo esse facto considerado nas estimativas da contabilidade nacional, a inflação será subestimada e tanto a produção como os salários reais serão sobrestimados. Este problema tem preocupado os economistas, embora mais pelo lado da melhoria da qualidade do que da degradação dela. Desde meados dos anos 90, as estatísticas americanas consideram que a contínua subida da qualidade em produtos como computadores, automóveis e electrónica de consumo equivale a uma descida dos preços. Em resultado dessa revisão de metodologia, os EUA acrescentam todos os anos 0,5% ao crescimento do seu produto per capita, o que contribuiu para criar a ilusão de que a América cresce mais depressa do que a Europa.
Está certo o raciocínio que faz equivaler uma melhoria de qualidade a uma descida do preço, mas não se entende que não ocorra uma correcção do PNB no sentido inverso quando aquilo que se compra é, como sucede em tantos serviços, cada vez pior. Ignorá-lo é esconder um factor de empobrecimento que todos sentimos no dia a dia.
O PNB não é um facto objectivo, é uma construção teórica orientada por uma interpretação sobre o modo como a actividade económica afecta o bem-estar da sociedade. O resultado obtido depende, por exemplo, do modo como se calcula o índice de preços, se trata o problema da qualidade dos bens, se contabiliza os serviços do sector público, se valoriza a igualdade económico-social ou se avalia a importância da conservação dos recursos naturais.’
Assim se vê a força do PC (outra vez)
[foto: facebook]
A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul aproveitou a brecha das SCUT para vir dizer umas coisas sobre a Ponte 25 de Abril.
Não precisava - como a foto acima documenta, a dita Comissão esteve representada na última manif da CGTP. Nem precisam, por isso, de dizer ao que vêm.
Terça-feira, Junho 29, 2010
Ele vai continuar a andar por aí
Tendo-lhe sido pedida uma explicação para a derrota, Ronaldo respondeu: “Falem com o Queiroz.” Não seria antes de questionar Gilberto Madail? É que o Prof. Queiroz ameaça continuar: “Temos de voltar mais fortes.”
SCUT: números e desenhos (2)
Correio da Manhã, 28 Jun 10
Gráfico onde se percebe que, mesmo após a introdução de portagens nas três SCUT do Norte, a Área Metropolitana de Lisboa continuará a pagar mais portagens que a Área Metropolitana do Porto.
Viagens na Minha Terra
- • Vítor Dias, L' Etat c'est a nous":
‘Está-lhes na massa do sangue

Para quem não saiba, o Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) é um laboratório de Estado tutelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e dedicado ao Saber Tropical, desenvolvendo investigação científica tropical nas áreas das Ciências Humanas e Naturais. Este Instituto é presidido pelo Prof. Jorge Braga de Macedo (na foto, quando era mais novo), economista e um daqueles sábios desse ramo que, tendo sido Ministro das Finanças, agora também arrota postas de pescada sobre a saída da crise, e ainda (não se riam, please) um reputado investigador científico tropical.
Ora acontece que no sítio deste Instituto que, insisto, é um laboratório do Estado, há uma rubrica informativa intitulada «Agenda do Presidente» (ver aqui, para crer como S. Tomé). E, percorrendo essa agenda, já se fica a com a ideia de que é muito duvidoso que seja apropriado que nela estejam incluidas actividades do Prof. Jorge Braga de Macedo (palestras, conferências, etc. na sua qualidade manifesta de economista) que nada têm que ver com a sua qualidade de Presidente do IICP. Mas onde a coisa assume mesmo foros de escândalo e de abuso é quando, por essa Agenda, ficamos a saber que em «2010-06-29» o Presidente do IICP terá uma «reunião com (a) Fundação Konrad Adenauer, (na) Sede do PSD, Lisboa». E, para o filme ficar completo, só convém acrescentar que o Prof. Jorge Braga de Macedo é o novo responsável no PSD pelas Relações Internacionais.
E é por causa destas e de muitas outras que, quando vemos o PSD a reclamar do PS maior ética no desempenho de funções públicas, só nós pode dar uma imensa vontade de rir.’
• Eduardo Pitta, TOUR DE FORCE
• João Galamba, Sei muito bem do que falo e Leninismo de direita
• José M. Castro Caldas, Gzero
• Nuno Galopim, O mundo (como não o conhecíamos)
• Porfírio Silva, discursos históricos do primeiro magistrado
• Sofia C., Reflexões de uma simples cidadã comum
• Val, Computer Program Detects Depression in Bloggers’ Texts
Leituras [3]
• Pedro Adão e Silva, Uma relação insustentável:
- ‘Não está de facto no ‘site' de Belém, mas, no essencial, a cooperação estratégica entre Presidência e Executivo pressupunha uma convergência, quer quanto aos objectivos políticos para o país, quer quanto aos meios para os alcançar. E é aí que se joga de facto a sustentabilidade das políticas públicas.
Ora, o essencial da nossa despesa pública é muito rígido e concentra-se em áreas onde é complexo fazer reformas: salários, prestações sociais, despesas com saúde e educação. E nessas áreas não precisamos de proclamações retóricas, mas sim de disciplina concreta. A este propósito, convém não esquecer que o esforço de Correia de Campos para conter o crescimento da despesa na saúde não encontrou cooperação em Belém (aliás, bem pelo contrário) e o de Maria de Lurdes Rodrigues para diferenciar o crescimento salarial dos professores foi entretanto suspenso, com um silêncio complacente do Presidente. O que só prova que há uma grande diferença entre falar de sustentabilidade e cooperar para a sustentabilidade.’
Leituras [2]
• Paul Krugman, A terceira depressão:
- ‘As recessões são vulgares, as depressões são raras. Tanto quanto sei, houve só dois períodos na história económica a que, na altura, se chamou "depressão": os anos de deflação e instabilidade que se seguiram ao pânico de 1873 e os anos de desemprego generalizado que ocorreram na esteira da crise financeira de 1929-31.
(…)
Porquê a opção errada nas medidas a tomar? Os adeptos da linha dura invocam muitas vezes as dificuldades da Grécia e de outros países da periferia da Europa como justificação das suas acções. E é verdade que quem investe em títulos de dívida não gosta de governos com défices incontroláveis. Mas nada aponta para que a austeridade fiscal de curto prazo numa situação de depressão económica tranquilize os investidores. Pelo contrário: a Grécia concordou instituir rigorosas medidas de austeridade e viu os seus spreads de risco crescerem ainda mais. A Irlanda impôs cortes violentos na despesa pública e acabou por ser tratada pelos mercados como um risco pior que Espanha, país que se tem revelado muito mais avesso a engolir a receita da linha dura. É quase como se os mercados financeiros percebessem o que os decisores políticos parecem não entender: que embora a responsabilidade fiscal a longo prazo seja importante, o facto de se cortar na despesa em plena depressão (o que agrava essa depressão e abre caminho à deflação) é, na realidade, um tiro no pé. Por isso não acho que isto tenha que ver com a Grécia, nem sequer com alguma análise realista da dicotomia défice- -emprego. É, sim, a vitória de uma postura ortodoxa, que tem pouco que ver com uma análise racional, cujo dogma central é que a imposição de sofrimento aos outros é a maneira certa de mostrar capacidade de liderança em tempos difíceis.
E quem vai pagar o preço deste triunfo da ortodoxia? Dezenas de milhões de trabalhadores de-sempregados. Destes, muitos ficarão sem emprego durante anos: os restantes nunca mais voltarão a trabalhar.’
Leituras [1]
• Nouriel Roubini, Como evitar uma recessão global em forma de W:
- ‘Em termos gerais, o desendividamento por parte das famílias, dos governos e das instituições financeiras deverá ser gradual - e sustentado por uma depreciação da moeda - se quisermos evitar uma recessão em forma de W e um agravamento da deflação. Os países que ainda conseguem manter os pacotes de estímulo orçamental e que precisam de reduzir as suas poupanças e aumentar os gastos devem contribuir para o ajustamento global das contas correntes - mediante ajustamentos cambiais e um aumento dos gastos - a fim de se impedir uma escassez mundial da procura agregada.’
Degrau a degrau…
Ministro só há um, o Costinha e mais nenhum
… se chega ao “topo”. A concepção pequeno-burguesa de “ascensão social” vem de onde menos se espera.
Ele já foi avisando que todos os árbitros nomeados para os jogos de Portugal são sul-americanos
Da crónica de Miguel Sousa Tavares n’A Bola, que pode ser lida aqui, sobre a táctica de Queiroz no jogo com o Brasil: “Cristiano Ronaldo isolado em território comanche uma hora a fio”.
Jornalistas eléctricos com interruptor para baixo
Exemplo: a propósito da apresentação do primeiro posto de carregamento de carros eléctricos em Portugal, o Jornal de Negócios atira-se hoje a José Sócrates por não ter cumprido a promessa de instalar cem desses postos.
O jornalista, no caso director adjunto, ignora deliberadamente um facto essencial: conforme titula o seu próprio jornal num suplemento dedicado ao tema, Os primeiros automóveis 100% eléctricos chegam ao mercado no final do ano.
Para que quer o jornalista cem postos de carregamento, se nem carros há?
Assim faremos
Uma fonte próxima do chefe de gabinete do líder do PSD solicitou-nos que não voltássemos a referir o facto de Feliciano Barreiras Duarte ser um acérrimo defensor das isenções de portagens em zonas economicamente mais frágeis. As mesmas fontes lembram que essa não é a linha oficial do partido, garantem-nos que o líder e o seu chefe de gabinete nunca discutiram o assunto, e consideram que qualquer insistência da nossa parte em tal assunto poderá ser gerador de mal-estar interno, o que seria desagradável nesta fase.
As boas notícias passadas pelo crivo de Belém, perdão, dos media
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje o indicador do clima económico. Com boas e más notícias.
O Negócios online coloca as boas notícias em antetítulo e as más em título. A esta hora, os restantes media online optam por dar apenas a má notícia.
Como dizia alguém nos últimos dias, para saber A Verdade, o mais seguro é ir ao site. Há, porém, um problema - no caso, o site também tem boas notícias, o que contraria A Verdade.
Segunda-feira, Junho 28, 2010
Todos os negócios são bons, desde que seja com "os nossos" (2)
Há uma semana, questionado sobre alternativas ao Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM) para a cobrança de portagens, o deputado do PSD Jorge Costa tinha a resposta na ponta da língua: "através da Via Verde ou pós-pagamento". Via Verde que, como se sabe, é uma marca comercial da Brisa.
Agora, surge uma nova sugestão - uma máquina italiana. Que está a ser usada por quem? Pela Brisa, claro.
Como dizia o Vasco Santana no filme: "Entendi-te..."
Agora, surge uma nova sugestão - uma máquina italiana. Que está a ser usada por quem? Pela Brisa, claro.
Como dizia o Vasco Santana no filme: "Entendi-te..."
Todos os negócios são bons, desde que seja com "os nossos"
Imaginem que a Brisa até tem uma solução para as portagens nas SCUT.
Tratando-se de uma empresa dos Mellos, presume-se que até se poderão dispensar concursos públicos e outras palermices dessas...
Tratando-se de uma empresa dos Mellos, presume-se que até se poderão dispensar concursos públicos e outras palermices dessas...
Fernando Ruas ao lado do Governo na discriminação positiva
Tanto assim é que o PSD fez aprovar uma moção na Assembleia Municipal de Viseu nesse sentido.
Pena que Fernando Ruas vá pouco a Lisboa e seja pouco ouvido pelo líder do seu partido.
Olhe Raquel, não sei se sabe, estar vivo é o contrário de estar morto (bom, talvez na Renascença seja diferente)
Raquel Abecasis, que desempenha uma qualquer função de chefia na Rádio Renascença, tem uma forma muito peculiar de fazer opinião.
Por exemplo, hoje de manhã, Raquel debruçava-se sobre os "mundos diferentes" de Sócrates e Cavaco para, de súbito, atirar, aparentemente a despropósito: Bem diz o ditado que “quem com ferros mata com ferros morre”.
Raquel queria apenas cumprir a tarefa diária de "malhar no Sócrates". Faltava-lhe o pretexto. Entende-se - as manhãs de segunda-feira são terríveis...
Por exemplo, hoje de manhã, Raquel debruçava-se sobre os "mundos diferentes" de Sócrates e Cavaco para, de súbito, atirar, aparentemente a despropósito: Bem diz o ditado que “quem com ferros mata com ferros morre”.
Raquel queria apenas cumprir a tarefa diária de "malhar no Sócrates". Faltava-lhe o pretexto. Entende-se - as manhãs de segunda-feira são terríveis...
Apesar da gritaria, a carga fiscal continuou abaixo da média europeia em 2008
- ‘O último relatório do Eurostat volta a confirmar o que há muito se sabia, agora para o ano de 2008. A carga fiscal (impostos arrecadados em percentagem do produto) portuguesa continua abaixo da média europeia e da Zona Euro, com 36,7% contra 39,3% e 39,7% respectivamente. A carga fiscal é especialmente baixa sobre o trabalho, onde temos uma taxa implícita de 29,6% contra a média de 34,2%.’
Apesar da "situação insustentável", Portugal ainda é um bom país para viver
Preço de cabaz alimentar em Portugal 8% abaixo da média europeia em 2009
O nível de preços, em Portugal, de um cabaz alimentar comparável a nível da União Europeia, composto por alimentos e bebidas não-alcoólicas, ficou 8% abaixo da média comunitária no ano passado - dados do Eurostat.
O nível de preços, em Portugal, de um cabaz alimentar comparável a nível da União Europeia, composto por alimentos e bebidas não-alcoólicas, ficou 8% abaixo da média comunitária no ano passado - dados do Eurostat.
Leituras [3]
• António Correia de Campos, Base zero:
- ‘Bastaram uns pontinhos em sondagens para que sintam que já ganharam as eleições. Tão estranho e ficcional optimismo só a crise o explica.
E não faltam propostas de reformas, na Constituição, na Saúde, na Educação e até na política orçamental. Algumas tão caricatas, como a substituição da República pela Democracia, caem por si. Outras entendem que num sistema social universal cabe aos privados fornecer serviços e ao Estado pagá-los. O desconhecimento de conceitos básicos da economia de mercado, como risco moral, selecção adversa, ignorância do consumidor, indução da procura pela oferta, segmentação da procura, tudo mecanismos de distorção do mercado, fatais para a economia pública, levam os novos ricos do liberalismo económico a incautas arremetidas. Dando razão aos que pensam que se está apenas a preparar a liquidação do SNS com a anestesia da livre escolha. Recomenda-se uma viagem até ao Reino Unido, para lições de economia de saúde, a cargo dos amigos conservadores ou liberais.’
Leituras [2]
• João Rodrigues, Para lá das utopias constitucionais:
- ‘Para não ficar atrás na utopia liberal, o jurista Diogo Leite Campos, eminente ideólogo da direcção de Passos Coelho, defendeu que a passagem de um Estado democrático para um Estado totalitário só poderia ser impedida com a fixação legal de um limite para a carga fiscal. Que tal 40% do PIB, já que estamos no domínio dos números mágicos? Leite Campos já tinha demonstrado o seu conhecimento profundo do país ao afirmar que auferir menos de 1000 euros por mês equivale a ser miserável. Agora demonstra desconhecer que os Estados democráticos mais avançados, com as economias mais competitivas e solidárias - da Dinamarca à Suécia, passando pela Finlândia -, têm em comum, entre outras coisas, uma carga fiscal superior a 40%. A carga fiscal "elevada", longe de ser uma ameaça à democracia e às liberdades amplamente partilhadas, ajuda a efectivá-las. Por muito que isso custe a quem cai no último escalão do IRS
Este é, de resto, um padrão bem identificado: as democracias mais participadas, com movimentos sindicais fortes, com maior igualdade salarial antes de impostos e confiança mais elevada nas instituições, tendem a ter Estados sociais universais mais redistributivos e impostos mais elevados e progressivos. Escolhas políticas que espevitam a inovação económica e ajudam a competitividade das nações. É que os empresários não têm alternativa. Têm mesmo de ser bons.
O país pode escolher: em vez de constitucionalizar utopias liberais que acentuam a prepotência e a indolência empresariais, mais vale seguir os bons exemplos. Definitivamente, as obsessões constitucionais alemãs, que podem bem provocar uma crise europeia, não são a referência...’
Leituras [1]
• Helena Garrido, Cavaco e Sócrates:
- ‘Deve José Sócrates seguir os conselhos do Presidente? Deve ouvir e ponderar. Até porque as intervenções de Cavaco Silva, ao gerarem desconfiança, são mais um perigo na estratégia que Sócrates escolheu. Mas cabe ao primeiro-ministro escolher o caminho. Ainda que Cavaco Silva entenda o seu cargo como o de um "chairman" numa empresa em que Sócrates é o presidente executivo, será sempre o primeiro-ministro que prestará contas aos eleitores - accionistas - e pagará pelo sucesso ou fracasso da escolha política que está a fazer para tirar Portugal desta crise.’
Domingo, Junho 27, 2010
Um cinéfilo, este vice-presidente do PSD
Nem lhe passa pela cabeça “uma ida ao cinema sem umas pipocas e uma Coca-cola”. Filmes que o tenham marcado? “O ET mais melodramático e o Indiana Jones mais divertido”. É esse o estilo de cinema de que mais gosta? “Gosto de todo o estilo de cinema. O último filme que fui ver foi o Robin Hood, portanto gosto de todo o estilo de cinema.” Pode citar mais um filme de que tenha gostado? “Outro filme de que gostei muito foi Gremlins.” Porquê? “Achei o máximo, particularmente a cena do bar. Lembra-se daquela cena do bar? Eles estão a armar a maior confusão e aquele que tem uma penugem mais branca liga o interruptor e sai disparado. Foi outro dos filmes que gostei bastante, mas em cinema vejo de tudo.”
- Sinopse da entrevista de Marco António Costa, vice-presidente do PSD e também vice-presidente da Câmara de Gaia, à última edição do Sol
Viagens na Minha Terra
- • João Galamba, O mundo mudou (com imagens, com datas, com texto - com tudo):
‘Para todos aqueles que insistem em ridicularizar Sócrates por este ter dito que o mundo mudou em Abril, deixo aqui um artigo da VOX, escrito pelos economistas Jacopo Carmassi e Stefano Micossi, dois conhecidos spinners do inner circle Socrático. Espero que façam bom proveito.’
• Emídio Fernando, A verdade, nada mais do que a verdade, em nova versão
• JM Correia Pinto, A MEDIOCRIDADE NACIONAL
• João Abel de Freitas, Presidente Cavaco Silva ajuda o País a afundar-se
• João Pinto e Castro, Serviço ou talvez não
• José Costa e Silva, Cavaco 2.0 beta
• Luís Grave Rodrigues, O Trunfo dos Porcos
• Manuel Cintra, A liberalização do mercado de trabalho e Chicago boy
• MFerrer, A Escola Pública pode fazer a diferença -1
• Miguel Carvalho, Consumo privado com melhor variação desde há 10 anos
• Miguel Marujo, Leituras (férias, II)
• Ricardo Sardo, O que verdadeiramente interessa
• Vital Moreira, “Discriminação do Norte”
O historiador que não sabia que o Estado contraía empréstimos
A caixa-forte do Estado para financiar a construção das infra-estruturas
O Miguel já chamou a atenção para a crónica de ontem de Vasco Pulido Valente, através da qual se vê a consistência de gente que discorre sobre tudo e mais um par de botas. Aqui fica um excerto da inebriante prosa:
- ‘Sempre fui um fervoroso partidário das Scut, não por causa da economia, mas porque o isolamento era (continua a ser) o principal responsável pelo arcaísmo do interior e do norte e porque ingenuamente pensava que um regime democrático não devia condenar uma parte da população a uma espécie de menoridade forçada. Não me passou pela cabeça nessa altura (nem o governo se deu ao trabalho de informar pormenorizadamente o país) que as Scut iriam ser construídas com dinheiro emprestado e que, a prazo, se podiam tornar um encargo insuportável para os portugueses.’
00:33
Um post às 00:33, "Carlos" (posso tratá-lo por "Carlos"?)? Não me diga que agora o Grupo Parlamentar paga horas extraordinárias...
“Família feliz em férias”
Raul Vaz na edição de ontem do Semanário Económico: “Não estar no funeral de José Saramago não diminui Cavaco Silva. O que revela a sua pequenez é a explicação para o facto: um homem de palavra não desilude uma família feliz em férias.”
Leituras
• José Leite Pereira, Assim vai a cooperação estratégica
Sábado, Junho 26, 2010
Pregando a política de verdade
Após a aposentação compulsiva da Dr.ª Manuela, Cavaco perdeu a vergonha e agora é ele em pessoa que assume a pregação da
Cavaco em pré-campanha [2]
Mobilização geral: até a Sociedade Bíblica Portuguesa (SB) foi chamada a Belém para refazer a imagem de Cavaco. O Público diz que esta audiência serviu para “assinalar os 200 anos da SB em Portugal”. Mas a Wikipédia conta-nos que o bicentenário da SB se comemorará em 2035.
Se lesse dossiês, corria o risco de ficar cinzento
Se o Rodrigo (posso tratá-lo pelo nome próprio?) tivesse uma vaga ideia de como se processa a administração financeira do Estado, não teria escrito este post. Mas a graça está nisso.
É só seguir as pistas
Já tinha ouvido que circulam por aí uns sms...
Leituras [4]
• Pedro Adão e Silva, Democracia ferida de morte:
- ‘"O país é governado por uma coligação de procuradores e jornais", afirmou Henrique Granadeiro em entrevista ao "Negócios". Temo que "governado" não seja o termo adequado. Seria mais correcto dizer que o país se vai tornar progressivamente ingovernável por força de uma coligação entre péssimas investigações e jornalismo tablóide. Os desequilíbrios orçamentais e a situação política são insustentáveis porque a justiça, nos casos mediáticos, compensa a sua incapacidade de produzir prova com a disseminação de informação falsa e a conta-gotas nos media que se têm prestado a essa função. Com consequências: fica a pairar uma nuvem de suspeição sobre todos - inocentes e culpados - combinada com a incapacidade de apurar a verdade.’
Leituras [3]
• Fernanda Câncio, Fazer diferente:
- ‘É um livro que analisa o sistema e a sua evolução, que assume os seus fracassos e ineficiências e principais dificuldades, contextualizando-os e tentando apontar saídas, que critica a falta de informação e conhecimento da realidade que permitiu, durante décadas, não só uma gestão ineficiente -- gastar muito mais dinheiro em muito menos alunos - como decisões desfasadas das necessidades e dos objectivos programáticos. Fá-lo com recurso a dados, números, quadros, referência legislativa (e como é interessante constatar por exemplo que a decisão legislativa de fechar todas as escolas com menos de 10 alunos é de 1988, do governo de Cavaco, mas não avançou por aparente incompetência) e a descrição das acções (incluindo reuniões) havidas, no curso de um mandato ministerial, para chegar a diagnósticos, concertar posições e pô-las em prática.’
Leituras [2]
• Martin Wolf, Os bancos centrais insistem em imprimir dinheiro:
- ‘Confrontados com elevados défices orçamentais, muitos deles concluíram que é preciso avançar com o aperto orçamental o mais rapidamente possível, na esperança de que este venha a ter um efeito expansionista. Que probabilidades têm de estar certos? Poucas. Na verdade, há alternativas mais aliciantes sobre a mesa, o problema é serem algo heterodoxas. Infelizmente, porém, são muitas as pessoas "sensatas" que preferem recessões ortodoxas a retomas heterodoxas.’
Leituras [1]
• Nuno Saraiva, Quando os presidentes se medem aos palmos:
- ‘Mais grotesco e pouco edificante se torna o episódio, quando ouvidas as incompreensíveis justificações para ausência. Não era amigo de José Saramago e tinha prometido há muito à família umas férias nos Açores.’
Tradução simultânea
- ‘As declarações de M[iguel] Relvas no Público são mto boas. Tradução: "Eleitores do CDS: votem no PSD que depois nós contamos com o dr. Portas".’
- Pedro Magalhães, no Twitter
♪ Dylan [7]
Robin Pecknold (Fleet Foxes)
It Ain't Me Babe
Sexta-feira, Junho 25, 2010
“Os Valores da Esquerda Democrática”
A expressão “esquerda democrática” não é anacrónica? Ouça a resposta de Augusto Santos Silva, em entrevista à Visão a propósito do seu mais recente livro.
Será que Cavaco já lê jornais?
- ‘Contar tostões numa época destas não só é cruel como põe em perigo o futuro do país. E não contribui grande coisa para reduzir a nossa dívida, porque ser-se forreta na despesa agora ameaça a recuperação económica e a consequente esperança de aumento das receitas. Por isso não é boa altura para austeridade fiscal.’
- ‘As políticas actualmente em curso na Zona Euro estão em total contradição com as lições que se aprenderam com a Grande Depressão dos anos 30 e arriscam-se a empurrar a Europa para um período de prolongada estagnação ou ainda pior. Isso, por sua vez, geraria descontentamento e instabilidade social. No pior dos cenários, a União Europeia poderá ficar paralisada ou ser destruída pelo despontar dos extremismos xenófobos e nacionalistas.’
- George Soros (já citado no post anterior)
"O governo [alemão] acharia mais politicamente aceitável resgatar os bancos alemães do que salvar a Grécia ou a Espanha"
• George Soros, O défice europeu da Alemanha:
- ‘Os alemães deveriam ponderar a seguinte hipótese: a saída do euro. O marco alemão, uma vez restaurado, subiria em flecha, ao mesmo tempo que o euro afundaria. O resto da Europa voltaria a ser competitivo e poderia sair das suas dificuldades, mas a Alemanha descobriria que é penoso ter uma moeda sobrevalorizada. A sua balança comercial ficaria negativa e o desemprego aumentaria. Os bancos sofreriam pesadas perdas nas taxas de câmbio e precisariam de fortes injecções de fundos públicos. Mas o governo acharia mais politicamente aceitável resgatar os bancos alemães do que salvar a Grécia ou a Espanha. E haveria outras compensações: os reformados alemães poderiam instalar-se em Espanha e viver como reis, ajudando o mercado imobiliário espanhol a restabelecer-se.
Obviamente que isto é puramente hipotético, porque se a Alemanha saísse do euro, as consequências políticas seriam inimagináveis. Mas esta hipótese poderá revelar-se útil para evitar que o impensável de facto aconteça.’
O divertido conselheiro
Economistas com sentido de humor? Raros.
Razão acrescida para saudar a constância dos posts do conselheiro da São Caetano. Ainda mais quando atira com duas piadas no mesmo post:
- a proposta de que os professores de Economia (ou serão apenas os da brigada do reumático?) passem a dar aulas à borla, o que constituiria um bom contributo para a saúde das Finanças Públicas;
- o anúncio público de que o "einstein das redacções" está a caminho da Cofina, o que será, certamente, motivo de festa nos outros grupos de media, a começar pelo grupo Lena, obviamente.
Razão acrescida para saudar a constância dos posts do conselheiro da São Caetano. Ainda mais quando atira com duas piadas no mesmo post:
- a proposta de que os professores de Economia (ou serão apenas os da brigada do reumático?) passem a dar aulas à borla, o que constituiria um bom contributo para a saúde das Finanças Públicas;
- o anúncio público de que o "einstein das redacções" está a caminho da Cofina, o que será, certamente, motivo de festa nos outros grupos de media, a começar pelo grupo Lena, obviamente.
♪ Dylan [6]

Stephen Malkmus
Ballad of a thin man
Um Club muito alinhado
Nos últimos tempos, desde que Carlos Barbosa tomou conta daquilo, os sócios do ACP são uma espécie de militantes do PSD sem direito a voto.
O homem tem opinião sobre tudo e mais alguma coisa, desde que seja contra o Governo e a Câmara de Lisboa.
Agora - imaginem - sacou da cartola a solução para as portagens nas SCUT - um imposto adicional sobre as concessionárias e as gasolineiras.
Ou seja, que tudo fique na mesma - continuaremos todos a pagar estradas que não usamos.
Como maior associação de consumidores de Portugal e representante de um dos grupos que mais contribui para o Orçamento do Estado (os detentores e utilizadores de automóveis), esperava-se mais do ACP. Pelo menos que defendesse o básico princípio do utilizador-pagador.
Quinta-feira, Junho 24, 2010
Oláááá fresquinho!
[Sol, 25 Jun 2010, primeira página]
À manchete do Expresso da semana passada - "Freitas apoia Cavaco sem condições" - o Sol desta semana responde com: "Guerra de gelados agita Cascais". No fundo, no fundo, o pequeno grande arquitecto e os seus sucessores não conseguem passar disto - jornalismo de alcoviteira. Conversas da linha...
Ainda as projecções da Ernesto & Jovem
Há três meses, a Ernst & Young previa um crescimento de 0,5% do PIB português em 2010.
Agora, num relatório que está a ter eco nos media portugueses (pudera...), prevê uma contracção de 1,1% do PIB português em 2010.
Por incrível que pareça, esta súbita e radical mudança de clima prevista pela Ernst & Young surge numa altura em que os primeiros indicadores seguros apontam para uma realidade bem diferente.
Vale a pena, por isso, guardar os documentos publicados hoje pela consultora para fazermos contas no final do ano.
Agora, num relatório que está a ter eco nos media portugueses (pudera...), prevê uma contracção de 1,1% do PIB português em 2010.
Por incrível que pareça, esta súbita e radical mudança de clima prevista pela Ernst & Young surge numa altura em que os primeiros indicadores seguros apontam para uma realidade bem diferente.
Vale a pena, por isso, guardar os documentos publicados hoje pela consultora para fazermos contas no final do ano.
Eurostat informa: "Indústria nacional recupera em Abril"
De pé, ó vítimas da fome!
O modelo chinês está a abrir fissuras.
Viagens na Minha Terra
- • Jacinto Bettencourt, Singularidades de um Carlos Santos, ou o tetra incompetente:
- ‘(…) a minha direita despreza delatores, criaturas gelatinosas e pouco masculinas que tudo fazem e penhoram por um momento de fama ou calor humano’.
• aviador, No Limiar da Ética Jornalistica (De Moura Guedes ao Público)
• Daniel Oliveira, Passos Coelho sonha com o seu PREC
• jmf, Deus (e o subsídio de férias)
• João Galamba, Em que ficamos?
• José Albergaria, Brel nos Açores
• mdsol, sei lá, é blandícia
• Porfírio Silva, a Alemanha vai matar a União Europeia?
• Val, Inquérito à comissão de inquérito
♪ Dylan [5]

Townes Van Zandt
Just Like Tom Thumb's Blues
À conversa com DBH
Diogo, não sei se o desiludo, mas não conheço o caso a que se refere. A minha posição é a que expus e é por isso que defendo a existência de imunidade para os políticos no exercício de funções políticas.
Serviço público, olé!
E, claro, a RTP, com tanto dinheiro nosso que lá tem, não se poupa a esforços - uma das principais vozes que hoje de manhã tem estado a contestar as SCUT é... um patusco espanhol.
Será que aquela malta que faz a RTPN não se dá sequer conta das portagens que paga de cada vez que vai comprar caramelos à Galiza?
Um Oeste fora do Universo
António Nogueira Leite, alegado cérebro económico da São Caetano à Lapa, quer portagens em todas as auto-estradas, incluindo "todos os troços da A8".
Presumimos, pois, que já terá conversado longamente com Feliciano Barreiras Duarte, actual chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho, e que, galhardamente, ostenta no seu astronómico currículo parlamentar o facto de ter sido "Presidente do Movimento Cívico contra as Portagens do Oeste (1996/1998)", o qual deu origem àquela bizarra isenção numas dezenas de quilómetros na dita A8.
Aliás, sendo Barreiras Duarte chefe de gabinete de Passos Coelho, já deverão ter conversado os dois longamente acerca do conceito de "universalidade" da cobrança de portagens... que deixa a região natal de Feliciano fora do Universo.
Presumimos, pois, que já terá conversado longamente com Feliciano Barreiras Duarte, actual chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho, e que, galhardamente, ostenta no seu astronómico currículo parlamentar o facto de ter sido "Presidente do Movimento Cívico contra as Portagens do Oeste (1996/1998)", o qual deu origem àquela bizarra isenção numas dezenas de quilómetros na dita A8.
Aliás, sendo Barreiras Duarte chefe de gabinete de Passos Coelho, já deverão ter conversado os dois longamente acerca do conceito de "universalidade" da cobrança de portagens... que deixa a região natal de Feliciano fora do Universo.
A economia portuguesa estudada e prevista por quem sabe
A Ernst & Young divulgou um estudo no qual conclui que a economia portuguesa vai continuar a recuar.
Como se sabe, normalmente as consultoras fazem estudos a pedido e é patente o papel pernicioso que tiveram nas crises económicas e financeiras da última década.
No caso de mais este "estudo" da E&Y, a realidade da economia e das estatísticas aí está para o desmentir, como sabem os leitores da CC.
Falta agora conhecer os estudos sobre a economia portuguesa entretanto efectuados pela Modas & Bordados e pelas Bolachas Oreo.
Os "Helena Matos" do regime
Os "Helenas Matos" de serviço insistem em ver o filme ao contrário.
Sócrates é sempre o prevaricador, mesmo quando o que está em causa é a mera emissão de opinião, que os "Helena Matos" de serviço tanto enaltecem quando se trata de si próprios.
Desvairados de ódio, não conseguem sequer discernir que as trapalhadas e os atropelos à Lei em que Sócrates se tem visto envolvido lhe são completamente alheios. E que, a cada caso que se soma, mais claro ficam os objectivos meramente político-meditáticos das investidas. Como, mais uma vez, se prova.
Perante estas notícias, estas evidências, com que legitimidade moral continuam os "Helena Matos" de serviço a atacar Sócrates?
Desvairados de ódio, não conseguem sequer discernir que as trapalhadas e os atropelos à Lei em que Sócrates se tem visto envolvido lhe são completamente alheios. E que, a cada caso que se soma, mais claro ficam os objectivos meramente político-meditáticos das investidas. Como, mais uma vez, se prova.
Perante estas notícias, estas evidências, com que legitimidade moral continuam os "Helena Matos" de serviço a atacar Sócrates?
Lido de pernas para o ar ainda tinha mais graça
Ainda sou do tempo em que João Villalobos exibia a sua inteligência em público. Isto de pegar num post completamente idiota, baseado num texto idiota do Público (só alguém de má-fé não percebe que, na transcrição da oralidade, alguém se esqueceu de colocar uma vírgula...), para a partir dele fazer opinião, talvez seja cansaço, talvez desorientação. Vamos esperar que passe com as férias.
Quarta-feira, Junho 23, 2010
Viagens na Minha Terra
- • Isabel Moreira, Propostas de revisão constitucional e ideias antigas: da impossibilidade de se sujeitar a Monarquia a votos
• João Lopes, Caso PT/TVI: política & televisão
• João Pinto e Castro, Quem detém o poder?
O último número da Sr.ª Guedes
A propósito do mais recente número da Sr.ª Guedes, três breves notas:
- 1. As coisas estão sincronizadas: depois de a comissão de inquérito ter parido um rato, a luta continua.
2. Apresentar uma queixa crime por difamação no contexto da acção política é a maior ameaça à liberdade de expressão.
3. Sobre a justiça, a política e a comunicação social haveria muito a dizer. Felizmente, Tomás Vasques já disse muito.
Leituras
• José Vítor Malheiros, Justificações para a ausência de Cavaco Silva
A caminho da república dos juízes procuradores
“O País é governado por uma coligação entre alguns procuradores da República e alguns jornais. Isso é desestruturante. Há valores que foram completamente prostituídos.”
Quem o diz é Henrique Granadeiro ao Jornal de Negócios, que acrescenta: “É uma verificação. Sei muito bem como as coisas são cozinhadas.”
Pedro Adão e Silva escreve sobre o mesmo assunto.
Quem o diz é Henrique Granadeiro ao Jornal de Negócios, que acrescenta: “É uma verificação. Sei muito bem como as coisas são cozinhadas.”
Pedro Adão e Silva escreve sobre o mesmo assunto.
♪ Dylan [4]

Jerry Garcia, Bob Weir & Phil Lesh (Grateful Dead)
She Belongs To Me
Terça-feira, Junho 22, 2010
Leia no CC porque amanhã não virá nos jornais
Lisboa, 22 jun (Lusa) -- O programa Simplex, a abordagem na distribuição de serviços públicos e as iniciativas e.escola e e.escolinha foram destacados pelas Nações Unidas como três iniciativas "inovadoras" de "modernização" dos serviços públicos em Portugal.
A palavra aos leitores
De e-mail do leitor André L.:
- ‘Miguel Abrantes, interessante esta notícia do Público.
O Fernando Geraldes, já sabíamos, foi o boy que o Portas pôs nos Estaleiros de Viana do Castelo. Este Tiago Silva Pereira, se pesquisares no Google/Llinkedin, é hoje consultor da Agusta Westland, uma das principais empresas militares do mundo, que se instalou em Portugal no âmbito das contrapartidas. Uma das contrapartidas foi arranjar um tacho a este gajo.’
Leituras
• Mário Soares:
- ‘A morte de Saramago representa uma perda incomparável para Portugal. Não só por ser um "prémio Nobel", o único da literatura lusófona. Lembrou-me ontem Nelida Piñon, que esteve no funeral em representação da Academia Brasileira de Letras. Mas também pela sua dimensão como escritor e pela qualidade humana que ganhou nos últimos anos. Morreu, serenamente, nos braços da Pilar. O Povo Português prestou-lhe uma muito sentida e espontânea homenagem, bem como os seus amigos e camaradas. Teve um funeral nacional, que saiu dos Paços do Concelho, do mesmo lugar simbólico em que foi implantada a República, que ele sempre amou.’
A ténue fronteira entre os políticos responsáveis e os outros
Os portugueses dos concelhos de Almada, Seixal, Alcochete, Montijo, Palmela, Setúbal, Vila Franca de Xira, Azambuja, Loures, Sintra, Oeiras, Mafra, Cascais e Lisboa, que, desde sempre, pagam todos os dias portagens para irem trabalhar, estão solidários com Rui Rio.
E estão mesmo dispostos a testemunhar em sua defesa, se algum juiz cumprir a lei e o levar à barra por evidente apelo a formas de luta pouco legítimas em democracia.
Entretanto, no mundo real, sim, no Porto e em todo o Norte, os portugueses percebem o que está em causa.
Para os nossos leitores mais fiéis, eis a EXCELENTE notícia do dia
Receitas fiscais crescem "muito acima" do previsto
"No lado da despesa o crescimento dos 5 primeiros meses do ano foi de 1,3%, o que representa um grau de execução de 36,8%, o que leva o ministério das Finanças a adiantar que a despesa está a crescer menos que o previsto no Orçamento do Estado para 2010."
"As receitas com IRS desceram 18,5% e as de IRC subiram 13%. No IVA registou-se um aumento de 18,2%, um sinal de que a economia portuguesa continua na rota da recuperação."
[Toda a verdade aqui.]
"No lado da despesa o crescimento dos 5 primeiros meses do ano foi de 1,3%, o que representa um grau de execução de 36,8%, o que leva o ministério das Finanças a adiantar que a despesa está a crescer menos que o previsto no Orçamento do Estado para 2010."
"As receitas com IRS desceram 18,5% e as de IRC subiram 13%. No IVA registou-se um aumento de 18,2%, um sinal de que a economia portuguesa continua na rota da recuperação."
[Toda a verdade aqui.]
E da confusão nasce a luz
[Diário Económico, 22 Jun 10]
[i, 22 Jun 10]
Por entre as dezenas de notícias irrelevantes acerca dos árduos trabalhos da comissão do PSD que está a rever a Constituição, vai sendo revelada a verdadeira agenda de Pedro Passos Coelho. Desta feita, assim como que por magia, coloca-se a saúde e a educação na mão dos privados. Todos os dias fica mais claro o que podem esperar os portugueses deste PSD.
Segunda-feira, Junho 21, 2010
Totalitários de todo o mundo, escutai - vem aí o PSD
O vice-presidente do PSD Diogo Leite Campos formalizou na comissão de revisão constitucional do partido a introdução de uma norma na Constituição que define um tecto de 40% do PIB para a carga tributária, mas também aplicável à taxa máxima de cada imposto.
Aparentemente, para Diogo Leite Campos 40% é o valor a partir do qual “o Estado passa de democrático a totalitário".
Da próxima vez que pensarem em países como a Dinamarca, a Suécia, a Finlândia, a Noruega, a Áustria ou a França, não se que esqueçam que, de acordo com o neo-ideólogos do PSD, se tratam de totalitarismos modernos (gráfico retirado daqui).
Grandes mistérios do Universo [77]
Ia jurar que um dia destes vi um post de ams em que se oferecia para escrever no Câmara Corporativa. Mas, hoje, já não encontro o post. Devo ter visto mal...
Da série "Frases que impõem respeito"™ [466]

Algumas pessoas não se aperceberam da grandeza do momento, nomeadamente umas que confundem Thomas Mann com Thomas Morus.
- José Adelino Maltez, SIC-N, acerca das cerimónias fúnebres de José Saramago
Mais leituras
• Sílvia de Oliveira, O Presidente não tem espírito:
- ‘Que passou pela cabeça do Presidente da República para faltar à última homenagem nos Paços do Concelho e não representar convenientemente Portugal na despedida ao escritor português? Como é que Cavaco Silva tem o desplante de dizer que "o que um chefe de Estado deve fazer é diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos"? Pois, o que deve fazer até pode ser diferente, mas está longe de ser fazer-se representar pelo chefe da Casa Civil. Nunca teve o privilégio na sua vida de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago, diz o Presidente. Que não se justifique, só piora as coisas, a única desculpa admissível era se com a sua ausência estivesse a corresponder ao desejo manifestado pela família do escritor. Se assim não foi, Cavaco não cumpriu o seu dever de chefe de Estado, de Presidente de todos os portugueses. Por muito que lhe custasse, há situações que não se compadecem com presenças em espírito.’
Viagens na Minha Terra
- • Cristóvão de Aguiar, O verbo haver no plural. No melhor pano cai a nódoa.:
- ‘Nesta armadilha vão caindo na esparrela quase todos. Como canários incautos. Até o insuspeito intelectual e mentor político de Ferreira Leite, e de certo sector do seu partido, tropeça na casca de banana que o verbo, manhoso, estende à laia de tapete vermelho, ao longo da frase pronunciada ou escrita, e nela se estatela ao comprido. Escreveu há dias o eloquente membro da Quadratura do Círculo (ou do Circo?): "Mas há mais: e já que se fala de clientelismo e de partidarização do estado, por que razão é que continuam a haver (sublinhado meu) governos civis?" Ah, grande Pacheco, será que a gramática política se encontra no mesmo estado miserável da que se aprende ou devia aprender na escola?’
• Ana Gomes, De profundis
• e-pá!, Uma "real" pulhice
• Francisco Clamote, A Comissão de Inquérito e a verdade conveniente
• Filipe Moura, O que vale um ex-diretor do Público
• João Pinto e Castro, O que eu apreciava em Saramago
• José Teles, Ah como é diferente a direita em Portugal!
• Pedro Marques Lopes, Quem?
• Val, In dubio pro ranho
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